Escolha sem escolhas - Interativa
6 Troublemaker
Notas iniciais
Minha mente fica dizendo:
Corra o mais rápido que puder.
Encrenqueiro!
Digo que para mim chega,
Mas então você me puxa de volta.
–--
Por um momento eu não sabia se agradecia ou matava Asher. Realmente eu estava desejando aquela piscina mais que nunca, mas por outro, não foi nada legal da parte dele me jogar na piscina.
Olhei pra ele, que se recuperava do mergulho, aqueles lindos cabelos desajeitados, o peitoral definido... ACORDA BONNIE, ELE TE JOGOU NA PISCINA, VOCÊ NÃO PODE DEIXAR ISSO BARATO.
– BON, VOCÊ TÁ BEM? – Jess gritou desesperada. Ela sabia das minha péssimas habilidades na piscina.
– Estou – falei para ela, então voltei a me virar para Asher – AGORA, VOCÊ VEM COMIGO!
Sai da piscina e vi todos me encarando. Tirei os saltos, joguei num canto e segui para o jardim, que era bem afastado da piscina. Asher não falou e não fez nenhuma brincadeira enquanto me seguia.
Eu sabia que todos achavam que eu ia expulsa-lo, e era o que parte de mim queria fazer. Mas outra parte adorou esse jeito brincalhão dele, essa descontração. Mas isso não são atitudes de um rei e eu tenho que pensar no bem do reino, acima de tudo.
– Olha, Alteza, me...
– Agora não é hora nem de ser educado, muito menos de pedir desculpas – disse com a voz seria, enquanto julgava o que eu faria. Vi que alguém tinha nos seguidos. – JÉSSICA, VOLTE PARA LÁ AGORA!
Gritei e a vi voltar. Não gostei de ter que gritar com ela, mas eu não podia conversar em particular com ninguém? Sempre alguém me seguindo, isso incomoda sabia? Resolvi que conversaria com Jess depois, pois sabia que tinha um dedo da minha mãe ali.
– Bonnie, pode me ouvir por um minuto? – Asher chamou, eu devia estar boiando nos meus pensamentos, tenho feito isso com frequência ultimamente. – Bonnie? – ele chamou passando a mão na frente dos meus olhos.
– Não Asher, agora quem vai falar sou eu – parei na frente de um dos bancos do jardim. – Desde que você chegou aqui tem me provocado, me cantando e agora isso... Olha, eu realmente não sei o que fazer com você... Mas... Obrigado
Disse me jogando em seus braços, num abraço apertado. Asher retribuiu o abraço, porém dava pra ver que no começo ele não estava entendo o que estava acontecendo. Ficamos abraçados por um tempo. Seu abraço me lembrava do meu pai. Eu me sentia estranhamente segura.
– Desculpe, mas essa eu não entendi agora – ele disse e eu ri. Ele estava confuso de mais.
– Asher, nem eu estou entendo – ele me olhou ainda mais confuso, sentei no banco e ele também sentou – Quando acordei essa manha e Jess me falou que vocês estaria na piscina eu me animei, por mais que eu não soubesse nadar, eu adora piscina...
– VOCÊ NÃO SABE NADAR? EU PODERIA TER TE MATADO!
– Eu sei, esse foi o meu maior motivo de raiva...
– Me desculpe Bonnie, eu só queria te tirar daquela seriedade que tava, toda aquela formalidade me deixa nervoso...
– Eu sei Asher, também me incomodo um pouco com isso, mas é umas das consequências de ser da realeza e se você esta nesse “jogo” tem que aprender a conviver com isso. Tem que aprender a conciliar a brincadeira com momentos sérios.
– Mas esse não era um momento sério...
– Eu sei, mas é só um conselho. – deu uma “ombrada” nele, que parecia ter ficado triste de repente.
– Bon, você vai me tirar da competição?
– Ainda não sei Asher – suspirei – Eu sei que é isso que minha mãe espera que eu faça, que todos esperam que eu faça. Porém eu não tenho coragem de mandar ninguém embora ainda, qual é, é só o primeiro dia.
– Bonnie, eu sinceramente não queria estar no seu lugar.
– E o pior é que ainda é tudo ideia minha – rimos. Percebi que já estávamos tempo de mais ali – Asher, temos que voltar. Não conte nada do que aconteceu aqui para ninguém. Diga que brigamos feio e que você teme que eu te mande embora...
– Eu temo mesmo, sabia?
– Vamos Asher – seguimos para a piscina. Novamente usei a técnica do meu pai. Sem emoções.
Asher continuou aprontando o resto da tarde, não comigo, claro. Ele estava diferente, mas temeroso. Mas era um encrenqueiro nato. Logan era o que parecia estar mais cheio das brincadeiras dele, pois foi o primeiro a ir para o quarto.
– Filha? – ouvi minha mãe me chamar – O que você fez com o rapaz? O expulsou?
– Ainda não mãe. Dei uma bronca nele que deixaria meu pai orgulhoso...
– Qualquer coisa deixaria seu pai orgulhoso, filha. Você era o maior orgulho dele, o jeito real que você tem, o bom coração, tudo!
– Mãe, por favor, podemos conversar mais tarde?
– Claro pequena.
Fui em direção ao palácio. Ao meu quarto. Tomei um banho. As palavras da minha mãe não saiam da minha cabeça. Nunca percebi quanto eu sentia falta do meu pai, chorei muito.
Decidi que precisa ir num lugar para pensar. Terraço, agora.
Quando cheguei lá, mil outras lembranças vieram a minha cabeça. Aquele era o lugar meu e do meu pai. Era onde conversávamos, onde eu me escondia da minha mãe e das responsabilidades que naquela época me irritavam. Era naquele lugar que ele me ensinou a amar o que eu sou.
Eu estava sentada na beirada, chorando como uma criança, quando ouvi alguém entrando, não olhei quem era, as únicas pessoas que sabiam desse lugar eram minha mãe, Jess, o chefe da guarda e eu. Na minha mente, era Jess que estava subindo ali.
– Olha, Jess...
– Desculpe, Alteza, mas não é Jess... — me virei rapidamente e me espantei quando eu vi quem era.
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