Escolha sem escolhas - Interativa
9 Little Me
Notas iniciais
Gostaria de saber antes
O que eu sei agora
Gostaria de poder de alguma forma
Voltar no tempo
E talvez ouvir o meu próprio conselho.
“Eu tenho que me controlar. Eu tenho que controlar o que eu estou sentindo. Eu tenho que esconder o medo. Uma princesa tem que mostrar liderança nos momentos de dificuldades. Eu tenho que ser uma líder.”
Eu ficava repetindo essas frases que meu pai me dizia, tentando controlar todos os confusos sentimentos que passavam por mim. Minha mãe estava mais calma que eu esperava. As vezes ela conversava com a tia Lucy ou o tio Aspen, outras horas ela só encarava o nada.
Quando ela me contava sobre esses ataques na época da Seleção dela, ela comentava com eles a assustavam, como ela ficava sem saber o que fazer quando eles aconteciam. Parecia que o tempo a ajudou muito a melhorar esse quesito.
Já passei por alguns desses ataques, mas toda vez que eles aconteciam, todos estavam ao meu redor, eu podia ver que eles estavam todos bem. Mas hoje não. Por mais que eu conhecesse Asher a pouco tempo, eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele.
Já estávamos no abrigado a algumas horas. Nenhuma noticia. Minha cabeça ficava cada hora mais assustada e confusa. Jess, que havia dormido alguns minutos, acordou assustada.
– O que foi? – perguntei.
– Tive um pesadelo – ela falou. Vi nos olhos dela que ela não queria falar sobre esse assunto. Os olhos delas se encheram de lágrimas.
– Tá tudo bem – disse abraçando ela – Estamos seguras aqui.
– Como você consegue, Bonnie? – perguntou Logan.
– Consigo o que?
– Ter essa calma, essa certeza de que tudo vai dar certo – ele disse e vi vários outros selecionados acenando com a cabeça, concordando com o que Logan falou.
– É um truque que meu pai me ensinou. – comecei – A realeza tem que saber controlar os sentimentos. Do que ajudaria se eu ficasse apavorada agora?
– Em nada – alguém respondeu – Só me deixaria mais nervoso.
– Exatamente. Eu tenho que saber ter paciência com certos assuntos, ser cautelosa no que eu digo e faço – suspirei, pois me lembrei de Asher – Tenho que saber que todos me tem como inspiração e no que ajudaria se eu deixasse que meus sentimentos me domassem na hora de tomar decisões importantes?
– Mas é normal tomarmos decisões inspiradas nos nossos sentimentos.
– Mas não podemos deixar que tudo dependa dos nossos sentimentos – concordei – Pensem sobre essas Seleção. Obvio que eu pretendo escolher um cara que eu ame e que me ame também. Mas eu tenho que pensar que esse cara será o rei de todo esse país, tenho que ter um pouco de razão na minha escolha. Não posso deixar meus sentimentos me cegarem.
– Então você tá dizendo que se amar uma pessoa e ver que essa pessoa não está pronto para ser rei você vai simplesmente escolher outro?
– Queria poder dizer que você está errado, mas meu pai sempre me ensinou isso. – suspirei – Mas ele não era completamente perfeito.
– Como assim?
– Ele seguiu seu próprio coração escolhendo minha mãe. E esse amor fez dela uma incrível rainha. – suspirei ao ver minha mãe tentando esconder o choro – Eu vou fazer o possível para conciliar amor e razão. E espero a ajuda de vocês nisso.
– Eu não conseguiria isso – alguém comentou. – Sabe, meus sentimentos me “domam”.
– Eu também era assim – minha mãe falou. – E isso fez Maxon me amar, mesmo sabendo que uma rainha não deveria ser assim. Ainda sou muito dependente dos meus sentimentos, mas eu consigo doma-los de vez em quando. Não tão bem quanto Bonnie e Maxon, mas da para o gasto.
Olhei ao redor e percebi que Phill estava num canto sozinho. Ele parecia muito mal. Deixei que a conversa entre minha mãe, tio Aspen e os selecionados continuassem e fui ver o que ele tinha.
– O que foi Phill?
– Sabe o que você disse ali? Sobre conciliar sentimentos e razão? – assenti com a cabeça – Mesmo eu sendo da realeza eu não consigo. Meu pai nunca gostou da minha ideia de entrar aqui, ele dizia que não via razão nisso. E não tem. Estou aqui pelos meus sentimentos. Eu sempre quis ter uma vida mais normal, e achei que a seleção me desse isso. Sempre quis encontrar a garota perfeita aqui, e na verdade eu achei, só que tenho que disputa-la com mais 35 garotos.
– 34 na verdade – comentei e ele pareceu não intender – Mandei Bernard embora a minutos atrás e imagino que pelo menos mais um irá embora hoje.
Ele ia falar mais alguma coisa quando a porta do abrigo se abriu. Por um momento todos ficaram tensos, esperando para ver quem era. Tio Aspen já estava com uma espada em mãos. Foi então que o mesmo guarda que nos guiou para cá, veio avisar que poderíamos sair.
Duas horas depois de sairmos do esconderijo eu estava ao lado de uma maca na ala hospitalar. Asher estava deitado nela inconsciente. Aparentemente os rebeldes usaram ele como refém e ele foi atingido por uma bala.
– Ele vai ficar bem? – juntei força para parar as lagrimas e perguntei ao medico.
– Bem, o estado dele é critico e eu...
– VAI FICAR BEM? – refiz minha pergunta.
– Eu não sei. – disse ele e saiu do pequeno cubículo onde Asher estava, deixando nos dois sozinhos de novo. Nenhum dos selecionados ficaram sabendo que ele estava assim. Preferimos deixa-los ter o resto do dia para descansar, apenas de Derick e James terem pedido para ir para casa já.
Desde que saímos do esconderijo e que eu fui informada do estado de Asher eu não parava de chorar. Jess tentou me tirar da ala hospitalar varias vezes, sem sucesso. Ate minha mãe havia tentando, mas eu estava convencida que ficaria ali.
Em algum momento devo ter adormecido. Em vez de um sonho, tive uma lembrança:
Eu deveria ter uns 8 anos. Minha mãe me contava como havia sido sua Seleção pela milésima vez, cada vez com detalhes a mais.
– Vou ter uma seleção pai? – vi que meu pai sorria enquanto me puxava para o colo dele.
– Você vai querer ter uma seleção?
– Não sei, só se eu não gostar do marido que você me escolher – eu falei e ele fez cocegas em mim.
– Prometo escolher o melhor marido possível.
Tudo ficou preto e outra sena apareceu. Eu e Jess estávamos sentadas na beira do terraço. Meu pai devia ter morrido há poucos meses, pois eu ainda usava preto.
– Sabe? Acho que a Seleção é uma enorme confusão. Olha quanta gente poderia ter morrido na seleção da minha mãe. Fora o fato que meche com a vida de muita gente... Eu ein, isso é um problema!
Acordei assustada. Meu sonho me fez pensar como minha opinião mudou ao decorrer dos anos e o fato que eu devia ter escutado meu próprio conselho e ter ficado longe disso.
PAPO SÉRIO AI EM BAIXO!
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