Erros do Passado
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Damon passarinhava de um lado para o outro do corredor, tentando ganhar coragem para falar com Isabella. Pensando no que deveria fazer, em qual a melhor atitude a tomar. Estava certo do amor que sentia por ela e que apesar da insegurança que o invadira, não desistiria sem tentar. Não agora depois do que tinham vivido, daquilo que tinham partilhado. Toda a sua vida fora habituado a lutar muito para conseguir aquilo que queria.
Isabella permanecia estática na sua cama, enrolada sobre si mesma, com as lágrimas a escorrerem-lhe pela face quando ouviu bater á porta.
— Isabella… — Damon chamou.
— Preciso estar sozinha. Por favor vai embora.
— Eu não vou sair daqui. Nós precisamos falar – Anunciou entrando.
Ele encarou-a pesarosamente e mais uma vez ela o fez lembrar de Katherine. Apenas desta vez não era a mulher cheia de vida, era novamente aquele olhar triste, vago e perdido que uma vez vira na sua irmã. Agora essa mesma angústia estava estampada no rosto de Isabella.
— Nós temos que ir embora daqui… — Disse Damon ajoelhando-se junto dela, tomando o seu rosto, delicadamente, entre as suas mãos – Esperámos que a Alice e o Stefan cheguem e partimos de seguida. Ficaremos hospedados em alguma pensão. Mais tarde eu trato da venda desta casa e comparemos outra. Não precisamos voltar cá mais.
— O quê? – Perguntou Isabella perplexa – Damon, estou à espera de um filho.
— Eu sei. Mas isso não importa, não é impedimento algum. Partimos agora que ainda podes viajar sem qualquer problema.
— Eu não posso fazer isso. Eu não vou fazer isso.
— Porquê? O que nos impede? Eu desisto de tudo o que tinha planeado contra o teu pai. Por ti, por nós eu abdico de tudo isso. Vamos embora daqui, começamos uma vida nova bem longe deste lugar.
— E a minha família Damon? Não os posso abandonar. Que tipo de pessoa seria? Depois de eles aguardarem a minha volta durante todo este tempo?
— Eles saberão que estás bem, que estás feliz. Isso com certeza é o mais importante para eles.
— Não…
Damon olhava-a desconcertado. Isabella parecia determinada nas suas intenções e isso magoava-o ainda mais do que poderia ter previsto.
- Essa tua relutância não é por causa da tua família, é por causa dele… Se me amasses como eu te amo, deixarias tudo para viver esse amor. Mas neste momento não é nisso que tu pensas, é nele…
- Eu estou á espera de um filho dele.
— Não é isso que te impede de seguires a tua vida – Disse furioso — Já experimentaste aquilo que tanto querias, já tiveste a tua pequena aventura. Já cometeste a tua loucura, já quebraste as regras que tanto odeias. Agora apenas queres voltar para a tua vida comum que afinal não era tão má quanto pensavas…
Isabella encarava-o assustada pelo olhar implacável de ódio que ele lhe dirigia. E aquele olhar frio magoava-a profundamente. Relembrava-lhe dos sonhos que tivera com ele e do dia em que o conhecera. Cortava-lhe o coração vê-lo assim. Ter que o afastar de si daquela forma. Ele significava muito para ela. Amava-o mas apesar disso sabia que não podia ficar. Não podia fechar os olhos ao passado e pensar num futuro ao lado dele sem ser assombrada por remorsos que mais tarde os mais cedo matariam o sentimento que agora os unia. Não conseguiria nunca ser feliz sobre a infelicidade de alguém. Era chegada a altura de ela voltar para casa. Mas tinha consciência de que merecia as palavras ferozes que Damon lhe dirigia.
— Julguei-te diferente de todos eles Isabella. Esperava ver-te agir diferente do teu irmão. Afinal és igualzinha a ele. Ages por impulso e depois arrependeste e segues em frente sem pensar nas pessoas que magoas pelo caminho… Simplesmente não tens a coragem que eu pensava que estava em ti.
— Damon por favor, isso não é verdade… — Implorava em desespero, dilacerada pelas palavras duras dele.
— Faz as tuas malas e vai embora daqui.
— Como? – Perguntou surpresa.
— Foi o que ouviste Isabella. És livre de partir.
— Eu não te quero prejudicar. Tu sabes disso…
— Acabou Isabella, acabou tudo. Eu estou cansado de remar contra a maré. O teu pai nunca cederia às minhas exigências, era preferível para ele nunca mais te ver a abdicar do património dele, espero que tenhas essa consciência.
— E tenho Damon e foste tu que me fizeste ver isso… Nunca vou perdoar o meu pai. Não é por ele que eu quero voltar.
— Bem sei. Tu voltas pelo Edward.
— Eu não consigo ser feliz sobre a infelicidade dos outros.
— Não me enganes mais, nem te enganes a ti mesma.
— Damon…
— Apesar de tudo, encontrei finalmente as respostas que procurava. E tu foste uma desilusão, mais uma desilusão – Proferiu custosamente – Podes partir quando quiseres, darei ordens aos cocheiro para ficar á tua espera.
— E Alice? – Perguntou entre soluços.
— Eu explicarei o que se passou.
Dito isso saiu repentinamente do quarto, batendo a porta atrás de si. Damon sentia-se dilacerado. A esperança esvaia-se diante dos seus olhos. Perante os factos não lhe restava outra opção senão deixá-la ir. Não abdicaria jamais da sua honra e dos seus princípios, por mais dor e infelicidade que a partilha dela lhe causasse.
Isabella deixou-se cair na cama num pranto descontrolado. Sentia um pesar imenso e uma dor incontrolável.
Algumas horas depois desceu a escadaria principal da casa carregada com os seus pertences, ajudada por Marion. Olhou em volta dolorosamente, observando tudo em seu redor. Se houve um tempo em que tudo o que mais queria era abandonar aquela casa e nunca mais ali voltar, agora a perspectiva de deixar aquele local apertava o seu coração e angustiava-a imensamente. Pela sua mente passaram velozes lembranças de momentos ali vividos. Os sentimentos que aquelas recordações traziam eram avassaladores. As ligações estabelecidas, a paixão experimentada, os olhares indiscretos trocados, carregados de desejos, os toques, as risadas sinceras, tudo aquilo deixaria marcas inegáveis na sua vida e uma imensa saudade.
Por outro lado a consciência de que tudo aquilo era apenas um sonho encorajava-a a avançar. Não havia futuro para ela ali, longe da sua família e de Edward, fugida da vida que tinha que abraçar como sua.
Engoliu em seco, a garganta arranhava-lhe, tentou controlar as suas emoções mas as lágrimas teimavam em soltar-se dos seus olhos turvos. Quando estava prestes a chegar á porta olhou de relance para trás em busca dele.
Damon olhava-a do cimo das escadas. Com os seus olhos azuis brilhantes e o seu rosto carregado de dor e mágoa. As suas pernas tremiam, o seu corpo parecia querer ceder ao desespero de a ver partir. Teve vontade de correr até ela, implorar-lhe mais uma vez para ficar ao seu lado, para não o abandonar. Quis dizer-lhe que a amava, que faria tudo pela sua felicidade, que nunca a abandonaria. Mas ele já fizera isso uma vez, há muito tempo atrás. A sua irmã Katherine não o tinha escutado assim como Isabella também não o faria. Então agarrou-se com todas as suas forças ao corrimão e obrigou-se a permanecer estático, frio e impenetrável. Não se moveu nem proferiu uma palavra, apenas a olhou profunda e demoradamente, assim como ela o fazia.
Isabella quis dizer-lhe tudo o que sentia, o quando ele significava para ela, que nunca o esqueceria, mas não era capaz de articular uma palavra. Custosamente desviou o seu olhar do dele, caminhou para fora da casa e foi invadida por um enorme desalento. Como se uma parte de si mesma ficasse ali, junto dele.
— Senhora, tenho indicações para a deixar perto da residência dos Swan, de onde poderá seguir a pé por razões de segurança – Informou-a o cocheiro.
Ela não respondeu, limitou-se a entrar silenciosamente na carruagem e preparou-se para aquele que seria o trajecto mais difícil que faria na sua vida. Quando a carruagem arrancou, seguindo o caminho que a levaria de volta a casa, permitiu-se a chorar sem receios. Deixou fluir toda a tristeza que a invadia ao mesmo tempo que tentava reunir coragem para o que a esperava no regresso. Não sabia o que a aguardava, encarar Edward, passados dois meses de distância, depois de tudo o que tinha acontecido na sua vida, de tudo o que havia feito, não seria tarefa fácil. Para não falar que a dor que sentia parecia aumentar à medida que se distanciava da casa dos Salvatore e de Damon. Esforçava-se por recordar pormenorizadamente cada detalhe do rosto dele para que o poder recordar sempre.
Damon obrigou-se a caminhar para o exterior e observou com pesar a carruagem a afastar-se. Pontapeou uma pedra no caminho com toda a sua força. Sentiu uma raiva imensa. A vida tinha-o traído mais uma vez e ele estava novamente perdido, sem direcção e profundamente infeliz. Sem forças para recomeçar.
Notas finais
O que acharam da partida da Bella da casa dos Salvatore? Como acham que será a reacção dela e de Edward neste encontro?
Quero muitos comentários :)
Obrigada a todas pelo incentivo e por acompanharem a minha fic
Beijinho, Ana
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