Erros do Passado
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Isabella nadava alegremente, ao lado de Edward, na lagoa. Observou o rosto perfeito do marido que lhe sorria. Fechou os olhos e deixou-se flutuar na água límpida, escutando todos os sons da natureza que a rodeava. O sol que lhe batia directamente no rosto molhado, provocava-lhe uma sensação reconfortante. Animou-se quando Edward a provocou salpicando água na sua direcção, brincando com ela. Quando Isabella respondeu atirando com água de volta para ele, Edward mergulhou esquivando-se. Ela riu feliz com aquela reinação. Nadou o mais depressa que pode, fugindo dele, esperando que este aparecesse de surpresa, debaixo de água, para a apanhar. Contudo, ele não a perseguiu e não voltou a emergir. Isabella olhou em volta aflita com a sua demora em subir á tona, esperando vê-lo surgir a qualquer momento. Mas Edward não voltava e ela ficava cada vez mais inquieta. Inspirou fundo e mergulhou nas águas geladas, de olhos abertos, á sua procura. Nadou assustada em direcção ao fundo da lagoa. Lutava para manter o oxigénio dentro dos pulmões enquanto procurava em todas as direcções. A água mais profunda era gelada e deixava o seu corpo dormente. Mas ela continuou a debater-se, obrigando-se a continuar. Rodopiava de um lado para o outro quando no meio daquela escuridão um vulto surgiu na sua frente. O pânico que sentiu ao enxergar o brilho daqueles cruéis olhos azuis que a observavam impiedosos, surgidos no nada, foi indescritível. Abriu a boca para gritar mas a água entrou aos goles sufocando-a.
Sentiu-se então abalada por uma vertiginosa sacudida que a acordou. Olhou em volta em alvoroço e deu de caras com Edward que também acordava naquele instante devido á agitação dela.
- O que foi?
- Foi só um sonho. Foi só um sonho — Repetiu assustada, mais para si que para Edward que a olhava admirado.
Passou as mãos pelo rosto lavado em suor, tentando recompor-se.
— Estás bem?
- Estou só um pouco aflita mas já vai passar.
- Que sonho foi esse que te deixou nesse estado?
- Foi tudo muito confuso – Disse, levantando-se num salto para evitar mais perguntas.
Dirigiu-se até á janela e abriu-a. Respirou o ar fresco matinal, tentado acalmar-se. Estava apavorada. Aqueles pesadelos incomodativos estavam a tornar-se cada vez mais frequentes. Sempre com aquele mesmo homem dos malditos e ameaçadores olhos azuis. Um homem que nunca vira antes. Não podia ser apenas mero acaso. Tudo aquilo era demasiado estranho e causava-lhe um enorme desconforto.
Havia passado já uma semana após o casamento.
Durante a semana ela e Edward tinham procurado passar bastante tempo em família. Mas isso não os tinha impedido de aproveitarem também alguns momentos a sós. Edward fazia questão de a acompanhar em passeios pelos campos pois sabia que isso a agradava. Contava-lhe constantemente histórias sobre a vida na fazenda e sobre como tudo lá era mais rural. As descrições deixavam Isabella entusiasmada. Ele tinha-a convencido também a irem á cidade fazer compras para a viagem. Presenteando-a as melhores roupas e jóias. Fazia questão que ela estivesse sempre magnificamente adornada. Facto que a deixava desconfortável e sem jeito pois não estava habituada a esse tratamento.
Cada dia que passava ela sentia-se mais à-vontade perto do marido. Em certas ocasiões podia até vislumbrar o renascer da antiga amizade e confiança que um dia sentira por ele. Essa esperança confortava-a. A companhia dele trazia-lhe paz e tranquilidade.
Era também inegável que o seu corpo continuava a responder ao dele, de forma entusiástica. Ele tinha-lhe ensinado durante aquele tempo o quão bom era sentir-se desejada. Gostava quando ele a procurava todas as noites e se deitava com ela.
Mas o tempo, tal como Isabella temera, tinha passado demasiado veloz. Em breve teria que deixar a sua casa e a sua família e rumar com Edward para a fazenda, onde passariam todo o verão. Sentiria imensas saudades. Nunca estivera afastada da sua família e agora que o momento se aproximada sentia-se angustiada. Apesar de todas as diferenças, eles eram as pessoas mais importantes do seu mundo e as que mais amava. Não saberia viver sem as impertinentes irmãs, sem a distante mas amorosa mãe, sem o adorado irmão e a sua amiga e confidente Alice.
- Sentes-te melhor – Perguntou Edward, abraçando-a.
- Sim, já passou.
- Não seria melhor vires já comigo? Vou sentir tanto a tua falta.
- Não Edward. Serão apenas dois dias. Eu só vou atrapalhar se for agora. Fazemos como tínhamos combinado. Tratas dos teus negócios e depois eu vou ter contigo.
- Mas se a minha Mãe vai connosco tu também poderias vir. Morro de preocupação contigo. Não acho boa ideia fazeres uma viagem tão longa sozinha.
- Tenta entender, a tua Mãe não tem uma casa e uma família que deixa para trás. Eu preciso destes dois dias na companhia deles. E eu não vou viajar sozinha. Vou com os criados.
- Ontem á noite estive a pensar. Será que a Alice não gostaria de passar uns tempos connosco na fazenda? Se o Dean não se importasse ela podia ir contigo. Assim terias companhia durante a viagem.
- Não te importarias? Eu adoraria.
- Porque haveria de me importar? Sei que vocês são inseparáveis. Se ela for contigo será mais fácil a tua adaptação á vida lá. Combina com ela.
- É o que farei – Disse Isabella feliz com a ideia – Queres ajuda a preparar as malas?
- Não amor. Isso não é trabalho para ti. A criada fará isso.
- Não me importaria.
- Eu sei. Mas eu não quero. Não é correcto.
Isabella por vezes não gostava dos cuidados excessivos que Edward tinha com ela. Tratava-a como uma boneca de porcelana e isso incomodava-a.
Durante aquele dia Edward e Isabella não se largaram. Ela podia sentir a aflição dele em deixá-la. Mas ela por outro lado estava feliz por ter a oportunidade de passar mais dois dias com a família. Em breve voltaria a estar com ele.
Ao cair da tarde, reuniram-se todos na saída da casa para se despedirem de Edward e dos tios. Viajaria durante toda a noite e chegaria á fazenda ao final da tarde. Os criados carregavam a carruagem com a bagagem.
Edward despediu-se de todos primeiro, deixando Isabella para ultimo. Abraçou-a fortemente.
— Vou esperar por ti ansioso.
— Em breve lá estarei – Respondeu-lhe.
Beijaram-se longamente.
— Amo-te – Disse-lhe ele, com a sua mão presa á dela, custando para se soltar.
— Faz uma boa viagem – Foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Edward vislumbrou-a tristemente antes de voltar costas e entrar com os pais dentro da carruagem.
Isabella ficou ali a vê-los partir, acenando-lhes e foi invadida por uma estranha e tensa sensação que não conseguia explicar.
Nos dois dias seguintes Isabella e Alice dedicaram-se a fazer todos os preparativos para a partida. A cunhada aceitou, com todo o gosto, o convite para passar uns tempos com ela na fazenda. Isso a deixava com outro ânimo. Adorava a companhia dela. Juntas sempre se divertiam e arranjavam forma de passar agradavelmente o tempo.
- Que tal estes vestidos? – Perguntou Alice.
— Não serão luxuosos demais para uma fazenda? – Inquiriu Isabella. Alice era a única que conseguia despertar o seu lado mais feminino.
— Claro que não Bella – Respondeu Eval.
— Edward contou-nos que as famílias das fazendas vizinhas são riquíssimas. E que muitas vezes o entretimento preferido das mulheres, enquanto os homens cuidam as colheitas e dos afazeres habituais, é visitarem-se umas às outras – Contou Adriel.
— Sim Bella. Ao que parece que a tia Elisabeth costuma organizar reuniões e receber as amigas para o chã. Temos que levar os nossos melhores vestidos.
— Está bem – Concordou contrariada.
— Não podemos mesmo ir contigo também? – Indagou Adriel, tristemente.
— E a nossa Mãe fica aqui sem vocês? Mas nem pensar.
— Ela poderia vir também.
— E deixar o senhor meu sogro? Vosso Pai nunca a deixaria viajar sem ele.
— Alice tem razão meninas. Um dia desses talvez o Pai queira fazer uma visita ao tio Anthony. Nessa altura poderão ir.
Na manhã seguinte as malas das duas foram carregadas para a carruagem sobe o olhar lavado em lágrimas de Renée.
— Vou sentir tanto a tua falta minha filha – Disse abraçando-a calorosamente.
Por outro lado, Charlie permanecia sereno ao lado da esposa. Não deixando transparecer qualquer emoção, como era habitual nele.
— Tenho a certeza que em breve poderá visitar-me com o Pai minha mãe.
— Assim o espero.
Isabella abraçou depois as irmãs igualmente chorosas.
— Portem-se bem as duas. Cuidem da Mãe.
— Vamos morrer de saudades – Disse Eval no meio das lágrimas.
— Pensarei em ambas todos os dias. Voltaremos a estar juntas em breve. Prometo.
Charlie aproximou-se então da filha e depositou-lhe um beijo carinhoso na testa.
— Espero poder visitar-se em breve. Não se esqueçam as duas de nos escrever. Enviem-nos notícias.
— Assim o farei. Até breve meu Pai.
Dean deu também á esposa um beijo carinhoso na testa e afagou-lhe o rosto. De seguida enquanto Alice se despedia dos restantes, abraçou a irmã.
— Façam boa viagem as duas – Disse-lhe Dean, despedindo-se.
Subiram depois para a carruagem e ao partirem acenaram á família que foi ficando cada vez mais distante, á medida que avançavam no caminho. Quando passaram pelo portão, Isabella deixou de vê-los por fim. Detestou a sensação de angústia que aquela despedida lhe provocara.
— Está tudo bem – Disse-lhe Alice, tentando acalma-la, pousando-lhe a sua mão sobre a dela – Por certo vamos divertir-nos imenso na fazenda.
— Por certo – Foi tudo o que conseguiu dizer.
Pouco tempo depois Alice dormia embalada pelo movimento. Isabella permanecia bem dispersa. Observava atentamente a paisagem. Quase uma hora depois a cidade ficava para trás. Deixaram de ver casas e pessoas. E penetravam então na vegetação mais selvagem.
Não muito longe daquele local. Damon descia apressado a escadaria da sua casa. Tinha-se deixado estar na cama até demasiado tarde.
Entrou no salão de refeições e logo de seguida entrou uma criada que lhe serviu o pequeno-almoço tardio.
Fazia a refeição em sossego quando Charles entrou de rompante, bastante aflito, pelo salão.
- Eu não sei se é correcto dizer-lhe isto Senhor Salvatore. Mas eu realmente estou a morrer de preocupação.
- Pois fale Charles. O que se passou para ficares nesse estado?
- Ainda bem que o Senhor acordou. Estava aqui tão apoquentado a pensar se devia ou não acordá-lo.
- Fala de uma vez homem. Estás a deixar-me verdadeiramente impaciente.
- É o senhor Stefan…
- O que tem o Senhor Stefan? – Perguntou-se Damon aflito, não gostando do rumo que a conversa tomava.
- Ai meu bom Deus me ajude. É que o Senhor Stefan saiu daqui não há muito tempo atrás na companhia de vários homens. Seguiram em direcção á estrada norte. A que conduz para fora da cidade.
— Como? – Perguntou Damon furioso.
- O Senhor desculpe-me. Mas achei tudo muito estranho. Boa coisa eles não iam fazer com certeza. Já há dias que o vejo com estes mesmos homens a planear algo. Devia ter-lhe contado mais cedo. Não queria afligi-lo sem necessidade. Mas agora eu realmente tenho um mau pressentimento á cerca disto…
Damon interrompeu a conversa de Charles. Não deixou nem que ele acabasse de falar. Levantou-se apressadamente com o coração aos pulos dentro do seu peito e dirigiu-se o mais rapidamente que pode às cocheiras, na parte de trás da casa.
- Onde vai Senhor? – Perguntou Charles, seguindo-o.
- Atrás dele Charles. Alguma coisa nesta história não está nada bem.
- Não devia levar alguém consigo?
- Não há tempo para isso.
Subiu para o cavalo e partiu com a maior velocidade que podia em direcção á estrada. Embora não fizesse qualquer ideia do que é que ele planeava, sabia que alguma coisa estava realmente errada naquela atitude do irmão. Tinha estranhado por demais as atitudes dele nos últimos dias e alguma coisa lhe dizia que estava tudo relacionado.
Isabella sentiu a carruagem parar num solavanco. Alice permanecia adormecida ao seu lado. Não percebeu qual o motivo daquela paragem e isso deixou-a subitamente inquieta. Tinham apenas uma hora de viagem. Era ainda demasiado cedo para fazerem paragens.
Ouvi o cocheiro descer num salto. Espreitou pela pequena janela.
O que aconteceu de seguida foi simplesmente terrível e deixou-a mortificada. Nunca se poderia ter preparado para uma situação daquelas. O cocheiro sacou de uma arma e Isabella ouviu horrorizada, um grito torturado, seguido de um barulho de tiro. Alice acordou em pânico, soltando um berro apavorado. O criado que as acompanhava e que viajava ao lado do cocheiro acabava de cair morto no chão. Isabella tentava controlar o medo que sentia, mostrando-se forte. Abraçou-se então a Alice que chorava confusa, desmedidamente contra o seu peito. De repente Isabella viu vários homens aproximarem-se daquele local saídos detrás das árvores que as rodeavam.
Dois homens abriram de rompante as portas da carruagem, arrastando-a a ela e Alice, abruptamente para fora. Alice continuava lavada em lágrimas, completamente assustada, soluçando sem parar.
Isabella esforçava-se por controlar o medo mas sentia-se prestes a entrar ela própria em descontrolo. Olhou em volta e observou os homens que as haviam emboscado. Havia um que se destacava dos outros. Percebeu que era ele que estava no comando. Tinha pele e olhos claros, cabelo castanho e envergava roupas finas, contrastando dos restantes maltrapilhos. Esse mesmo homem entregou nas mãos do cocheiro um saco. Isabella imaginou que seria dinheiro. Logo de seguida o cocheiro que estaria combinado com aqueles homens subiu num cavalo e desapareceu na vegetação sobe o olhar atónito dela.
- O que se está a passar? – Murmurou Alice entre soluços.
- Não sei. Mas procura ficar calma. Vai tudo ficar bem.
- Eles vão matar-nos?
- Se o quisessem fazer já não estaríamos aqui.
- Amarrem-nas, vendem-nas e levem-nas para casa – Ordenou o homem, ricamente vestido, aos outros.
Isabella fechou os olhos por segundos procurando pensar e actuar friamente. Inspirou fundo e reuniu forças para agir. Subitamente calcou com toda força o homem que a amarrava. Este apanhado de surpresa gemeu de dor. Ela virou-se rapidamente de frente para ele e atingiu-o com toda a força com um pontapé entre as pernas. O homem caiu no chão contorcendo-se de dores. Isabella desatou então numa correria desenfreada, dando apenas uma rápida olhadela para trás. O homem que dera a ordem estava demasiado próximo dela a seguiu-a, correndo atrás dela, louco de raiva.
- Socorro…. Socorro… — Gritou o mais alto que podia, em pânico. Consciente de que ele não tardaria em alcança-la.
Continuou a correu o mais rápido que conseguia mas percebeu que o homem estava cada vez mais próximo de si. Olhou de relance para trás e tropeçou num ramo no meio do caminho. Embateu então pesada e dolorosamente no chão. O homem lançou-se violentamente na direcção dela e amarrou-a pelos cabelos, causando-lhe uma dor tremenda. Debateu-se contra ele com toda a força que tinha e arrastou as mãos pelo chão procurando um objecto qualquer que pudesse arremessar-lhe. Quando conseguiu por fim alcançar uma pedra, Isabella não pensou duas vezes. Voltou-se e atingiu violentamente a cabeça do homem com a pedra, que depois de soltar um grito de dor, caiu para o lado inanimado.
- Nãooooo….
Naquele instante Isabella pode então ouvir o ecoar daquele outro grito desesperado. Provinha que um outro homem, que acabava de chegar. Ele tinha assistido a toda a cena enquanto se dirigia a cavalo, velozmente, para o local.
Bastou apenas um vislumbre sobre ele para Isabella perceber de quem se tratava. Se até ali tinha conseguido manter o sangue frio para se defender, depois de por os olhos sobre o homem que saltava do cavalo e se dirigia em fúria para ela, percebeu que toda a garra se esvaia do seu corpo.
- É ele, é ele… — Repetiu mentalmente, aterrorizada.
O homem avançava para ela a passos largos. Pela primeira vez podia ver o rosto dele na perfeição A pele pálida que contrastava com o cabelo negro como carvão. Os lábios finos e levemente rosados. E aqueles brilhantes olhos azuis que lhe eram tão familiares.
Isabella pôs-se a pé num impulso. Não queria estar em desvantagem em relação a ele. Queria fazer-lhe frente e demonstrar-lhe a sua coragem.
Quando aquele homem chegou mais próximo dela, sentiu uma dor profunda e aguda na face, ao ser atingida, violentamente, pela mão dele no rosto. O impacto fez com que ela cambaleasse e foi derrubada novamente para o chão. O homem descontrolado insurgiu raivosamente contra ela. As suas mãos envolveram o pescoço de Isabella, apertando-o fortemente. Foi uma sensação estranha a que ela viveu quando sentiu as mãos dele sobre a sua pele. Foi como se a própria textura delas não lhe fosse totalmente desconhecida. Esperneou-se e debateu-se mas a força dele era superior. O seu rosto repleto de raiva era assustador.
Isabella revia mentalmente os sonhos que tivera. Naquele instante havia apenas uma diferença cruel, a certeza inequívoca de que desta vez era real. Aos poucos sentiu-se sufocar.
— Sua desgraçada, o que fizeste com o meu irmão? Eu vou matar-te – Repetia ele sem cessar, perto do descontrole.
As lágrimas de desespero escorriam pelo rosto dela, enquanto cravava as suas unhas nos braços daquele homem, com toda a energia que ainda lhe restava. Mas nada parecia demove-lo do seu propósito.
Isabella perdeu então as forças, parou de lutar e sentiu-se perder os sentidos.
— Pára Damon – Ouviu alguém chamar.
A voz parecia vinda do outro mundo e Isabella apercebeu-se que provinha do homem estendido no chão.
O homem dos olhos azuis desviou então para ele a sua atenção, libertando Isabella. Ela sentiu então o ar regressar, embatendo dolorosamente nos seus pulmões, compelindo-a a tossir compulsivamente. Levou as mãos ao pescoço e contorceu-se no chão, cheia de dores. Olhou de relance e foi invadida por um enorme alívio. O homem que ela tinha atacado não estava morto. Surgia assim, um sinal de esperança no meio de todo aquele pesadelo. Mesmo agindo em legitima defesa não se desculparia jamais por ser responsável pela morte de alguém.
— Stefan estás bem?
— Dói-me a cabeça.
Damon colocou então, preocupado, a mão na cabeça do irmão. Stefan tinha uma ferida aberta, que sangrava, provocada pelo embate da pedra.
- Estás a sangrar. Foi uma pancada forte. Temos que ir para casa.
- Manda amarra-las. Elas vêm connosco.
- Quem são elas? São quem eu penso?
- Sim são.
Damon encarou o irmão exasperado.
- Como pudeste fazer isto?
- Confia em mim. Depois explico, agora vamos sair daqui. Se alguém nos vê, estamos em sarilhos.
- Ouviram o meu irmão? – Perguntou aos homens – Façam o que ele pediu. As senhoras vêm connosco.
Quando Damon se aproximou novamente dela, Isabella ficou estática, incapaz de se mover. Ele estendeu-lhe os braços e agarrou-a, ajudando-a a levantar-se.
- Peço-lhe imensa desculpa. Fiquei desesperado. Não era minha intenção magoa-la – Verbalizou, olhando-a directamente.
No seu rosto estava estampado um enorme arrependimento. Tinha tomado uma atitude da qual se arrependeria para o resto da vida. Nunca fora uma pessoa violenta em nenhum momento. Muito menos quando se tratava de uma mulher. Mas o desespero de poder vir a perder Stefan tinha-o deixado completamente fora de si.
Isabella não lhe respondeu. Ainda tremia sem parar, petrificada com os acontecimentos recentes.
- Por favor, diga-me apenas se está bem – Voltou a perguntar insistente.
Preocupado dirigiu a sua mão para a face dela e afastou-lhe os cabelos do rosto. Mergulhou então nos olhos castanhos, chocolate, da moça. Isabella contraiu-se e afastou-se um pouco dele ao sentir o seu leve toque. Damon ficou impressionado com a visão. Ela estava lívida, tremia da cabeça aos pés. Encontrava-se extremamente frágil. No entanto, quando ele tentou tocar-lhe novamente, ela reagiu intempestivamente.
- Não me toque – Ordenou Isabella, insurgindo-se contra ele, empurrando-o para longe de si.
- Senhorita Swan, tenha calma. Não vou voltar a fazer-lhe mal – Garantiu-lhe repleto de culpa.
- É Senhora Cullen. Quem é o senhor? Como sabe quem sou? O que quer de mim?
- O meu nome é Damon Salvatore. Todas as restantes questões terão o seu devido tempo para serem respondidas. Por enquanto quero apenas saber se está bem.
Isabella ficou perplexa com o prenunciar daquele nome. O mesmo que já havia surgido na conversa da sua família. O próprio que causara no irmão tanta aflição e constrangimento. Não pode deixar de conjecturar sobre aquilo. Seria esta situação apenas uma infeliz coincidência? Quem era aquele homem que tantas vezes a incomodara em sonhos? Que significava tudo aquilo? Perguntou-se desnorteada.
- Como estaria bem? Não foi o senhor mesmo que tentou matar-me? – Respondeu-lhe bruscamente.
- Já lhe demonstrei o quanto lastimava a minha atitude.
- Pois eu desejo apenas que me deixe em paz.
- Lamento também por isso pois não posso fazê-lo.
- Como assim?
- Como lhe disse as explicações ficarão para mais tarde – Concluiu Damon – William já sabes o que fazer. Acompanha a senhora. Não te esqueças da venda.
- Não por favor. Deixe-nos em paz. Não lhe fizemos qualquer mal – Implorou visivelmente assustada, agarrando o braço de Damon.
- Senhora Isabella eu já tomei a minha decisão. Não desejo magoa-la mais do que já o fiz. Mas irá acompanhar-me por bem ou por mal. A escolha é sua.
Isabella desistiu então, consentindo em acompanhar o homem, embora repleta de receio. Forçou-se a pensar claramente. Não tinha força suficiente para se debater contra todos aqueles homens. Gritar por socorro não seria também uma solução viável pois apesar de todo o barulho e confusão ainda ninguém surgira naquele deserto. A melhor solução seria de facto resignar-se e acompanha-los. Antes de lhe ser colocada a venda, observou ao longe Alice a ser ajudada a subir para o cavalo de um homem que se retirou dali velozmente.
Notas finais
Este foi o capitulo que me deu mais trabalho...
Mas só faz sentido escrever se soubermos que o fazemos para alguémm... Um simples comentário é o incentivo necessário.
Eu faço um esforço por ser rápida a postar porque não gosto de fazer esperar quem acompanha a história. Mas só vou postar o próximo se tiver o vosso retorno, sim? :)
O meu sincero obrigada a quem sempre comenta
Bjs, Ana
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