Erros do Passado
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Espero que gostem :)
O grande salão de festa da casa dos Swans estava apinhado de gente. O ambiente era quente e luminoso. Todos os convidados apresentavam-se luxuosamente vestidos para a ocasião e o ambiente não poderia ser mais agradável e alegre. Todas as famílias mais influentes da região queriam estar presentes no casamento de Edward Cullen e Isabella Swan.
A mansão estava luxuosamente decorada para a ocasião festiva e as mesas recheadas dos mais variados tipos de iguarias. Naquele momento fazia-se a recepção aos convidados antes da partida para a igreja.
A mansão era sumptuosa e todos olhavam admirados para o luxo que os rodeava. Observavam-se tapeçarias finíssimas e grandes poltronas forradas a veludo. O chão de madeira brilhava imenso, tudo estava minuciosamente limpo para a recepção. As cortinas claras, permitiam a passagem da claridade, e tudo se tornava ainda mais brilhante. A decoração recaía maioritariamente sobre o tema da caça, passatempo preferido do dono da casa, Charlie Swan. Desde as tapeçarias e quadros que retratavam as grandes caçadas realizadas na região, aos enormes expositores onde se podia observar uma colecção de armas de fogo e vários animais embalsamados, tudo fazia lembrar o tema.
Edward caminhava pelo salão, com o seu copo de vinho na mão, do qual ia bebericando, cumprimentando os convidados e trocando conversas. Todos queriam cumprimenta-lo e felicitá-lo. Apresentava-se ricamente vestido e elegante. Desde a sua entrada no salão era o centro de todas a atenções. Muitos olhos femininos fixavam-no naquele momento, mas ele parecia não reparar. Falava com todos e sorria com simplicidade.
A sua face parecia ter sido pormenorizadamente esculpida. Observava a sala e as pessoas que o rodeavam com os seus lindos olhos verdes e passava nervosamente a mão pelo cabelo cor de bronze, notoriamente nervoso pela sua condição de noivo, mas visivelmente alegre.
Dean, o irmão da noiva, encontrava-se sentado numa poltrona a um canto do salão, sozinho. Ostentava uma expressão distante e apresentava-se bastante melancólico. Olhava pela janela, observando a longa extensão de terreno que rodeava a casa, as arvores que balançavam com a leve brisa que corria e o rio, que atravessada a propriedade da família. Perdido em lembranças, alheio ao local onde se encontrava.
Edward pareceu aperceber-se do seu comportamento estranho e aproximou-se dele.
— Perdido? Hoje é um dia de festa Dean, imaginava-te contente por me teres como cunhado – Brincou Edward, tentando animá-lo.
— Nada pessoal – Justificou-se Dean, pesaroso – São os casamentos, lembram-me do meu próprio.
— Ainda não arranjaste forma de te harmonizares com Alice?
— E porque haveria?
— Ora porquê! Porque ela é a tua esposa. Bem que merecia um esforço da tua parte. Poderias tentar fazê-la mais feliz. Ela não tem culpa do teu passado, das tuas vivências.
— Lembraste-me o meu Pai agora. Sempre com essa mesma conversa. Porque haveria eu de fazer alguém feliz se nunca ninguém realmente se preocupou com a minha própria felicidade.
— Ora, não posso acreditar que ela não se preocupe em agradar-te, sempre tão doce e delicada em teu redor.
— Vamos parar de falar nos meus problemas Edward. Pensa nos teus pois pressinto que estejam prestes a começar – Sugeriu Dean ironicamente.
— Porque insinuas isso? Por conta de Isabella se mostrar tão distante para comigo? Tens alguma preocupação para partilhar?
— Edward não foi minha intenção fazer nenhuma insinuação. Não pretendo intrometer-me na tua vida. Mas claramente não sou eu que tenho que expressar as minhas preocupações pois tu é que me pareces repleto delas.
— Isabella é quem me preocupa – Confessou — Sabes bem o quão próximos éramos na infância, praticamente inseparáveis. A tua irmã só gostava das brincadeiras de rapazes, apesar de ser bem mais nova que nós, ela não nos largava, lembras-te?
Dean acenou afirmativo, e não pode deixar de sorriu com as lembranças das traquinices que os três aprontavam.
- Depois à medida que crescíamos ela afastou-se de mim por completo – Continuou Edward – Ela é de facto a mulher mais especial que já conheci, a única que realmente me tocou, que me encantou.
Dean escutava atentamente o primo. Edward não podia adivinhar que ele o podia perceber na perfeição e que entendia o significado daquelas palavras como ninguém. Dean pensou consigo mesmo que sarcasticamente ao longo da vida podemos cruzar-nos com imensas pessoas, mas por vezes surge alguém que muda tudo, que nos agita, que deixa uma marca única, para o bem e para o mal.
- Eu podia ter desistido dela, mas todos os dias da minha vida iria perguntar-me o que teria acontecido se tivesse tentado. Foi por isso que decidi formalizar o pedido com o teu Pai. Nem imaginas a minha felicidade em saber que Isabella tinha aceite.
Dean continuava a escutar o primo, impotente, sem nada poder dizer. Mas sentiu aflorar a si uma raiva enorme pelo Pai. Uma raiva que tinha permanecido inerte dentro de si, como a lava dentro de um vulcão em extinção, mas que agora parecia prestes a entrar em erupção. O Pai monopolizara a sua vida e agora fazia o mesmo com a irmã e com Edward.
— Pensei que com o oficializar do noivado ela mudasse a sua atitude perante mim mas o facto é que ela continua incrivelmente distante, fria. E a verdade meu primo, é que isso me tem apavorado como nada na vida o tinha antes feito – Confessou dolorosamente – Aqui estou, a escassos metros da concretização de um sonho, completamente inseguro.
Dean engoliu em seco, apavorado com as palavras do primo, esforçando-se ao máximo para que a sua expressão não transmitisse o que lhe ia na alma. Pegou então em duas taças de espumante, entregou uma a Edward e, preparou-se para brindar.
— Brindemos então à segurança — Brincou Dean disfarçando, de forma a evitar o embaraço da situação – Não te inquietes com essas preocupações não fundamentadas.
— Brindemos — Concordou Edward.
No momento em que os dois primos brindavam, um outro homem, juntou-se a eles.
— Edward! Meu sobrinho! — Disse Charlie, ostentando o seu maior sorrido — Felicitações ao noivo.
— Muito agradecido, meu tio, fico feliz por poder contar com sua bênção neste dia tão especial.
— E porque motivo, meu pai não daria a sua bênção? — Comentou Dean — Afinal Edward, és como um filho que ele sempre gostaria de ter tido.
— Que mais um sogro quereria de um genro? Tenho a certeza que serás um bom marido e claro, um óptimo pai – Continou Charlie ignorando o comentário do filho.
Edward respondeu ao tio apenas com o sorriso. Estava assustado demais com tudo o que o esperava, com a mudança que a sua vida sofreria após aquele dia e com incerteza do amor da mulher que escolhera para compartilhar a vida. Isso era o que mais o magoava. Sentia-se profundamente culpado por não se ter dedicado mais a Isabella nos dias que antecederam, por não ter procurado conversar mais com ela, tentado percebe-la a ela e às suas motivações. Afinal ela era a pessoa com que mais ele se preocupava.
— Meu tio, peço-lhe desculpa mas tenho que me retirar – Disse Edward por fim, respirando fundo, afastando de si as inquietações e tentando concentrar-se no momento — Ainda não vi nem minha mãe nem minha tia e confesso-me preocupado com a ausência das duas. Se me dão licença, vou procurá-las.
Charlie e Dean ficaram ali, vendo Edward atravessar o salão. Todos os olhares fixaram-se nele naquele momento mas, mais uma vez ele não reparou, chamava a atenção sem ser forçado.
— Por favor Dean, deixa essa expressão carregada para outro dia. Não vez que todos reparam? Vão pensar que estás num velório e não num casamento – Pediu Charlie ao filho.
— O que foi meu pai? Além de fazer escolhas por mim vai querer agora controlar a minha disposição? – Respondeu-lhe Dean rispidamente.
— Meu filho tu realmente não consegues ter uma conversa civilizada comigo? Sempre com esse tom acusatório, cheio de desfaçatez em cada palavra. Não mereço este desgosto, essa constante falta de respeito.
— O senhor não mudou mesmo nada meu Pai. Está a fazer com Isabella a mesma coisa que fez comigo e nem parece aperceber-se… Não tem remorsos?
— Remorsos? De que haveria eu de me arrepender se sempre fiz o melhor pela minha família e pela felicidade dos meus filhos? Deixa de uma vez por todas de ser descabido.
— O senhor nunca vai perceber que sua ideia de felicidade não é a mesma que a nossa? Olhe para mim, olhe para Alice… Que vida grandiosa é essa afinal?
— Tu não lhe das uma chance, ela é uma mulher encantadora e tu nem a olhas, nem reparas. Parece que fazes de propósito para me desafiares, para me provares a cada minuto que eu não estava certo. Estás a deixar a felicidade escapar-se de ti, por que motivo? Para um dia me culpares? A culpa será toda tua.
— Eu não a amo – Gritou Dean indignado, completamente fora de si.
No salão todos voltaram o olhar para eles, surpresos com o que acabara de acontecer. Curiosos com o teor da conversa e estupefactos pela invulgaridade da situação.
Charlie agarrou furioso no braço do filho, como fazia quando ele era criança, com toda a força que possuía e conduziu-o para fora da divisão.
— O que pensas que estás a fazer? Queres provocar um escândalo? Deitar por terra a nossa reputação? Enterrar a tua família na vergonha?
- Estou cansado meu pai. Farto de ver o senhor planear a vida dos próprios filhos, como se fossemos peças de xadrez que se movimentam num tabuleiro completamente à mercê das suas vontades.
— Quando é que vais entender que eu fiz o que era melhor para ti? Qual seria o Pai que deixava o seu único filho homem, o seu herdeiro, casar-se com uma miúda como aquela? Completamente diferente de ti, sem qualquer educação, sem saber comportar-se em sociedade, sem saber falar direito ou comer como nós.
— O que são todas essas convenções quando comparadas com a felicidade do seu próprio filho? Eu a amava, como nunca vou amar ninguém. O senhor destruiu a minha vida. Porque não me ajudou? Não tínhamos já dinheiro que chegasse? Eu poderia ter-lhe ensinado tudo, ela podia ter mudado, aprender.
— Não é só de dinheiro que se trata. É o nome de uma família que é respeitado, é o nome que é mantido através de gerações, reconhecido, lembrado – Continuou Charlie – É essa integridade que é preciso ser mantida, demora tempo demais a ser conquistada e pouquíssimo para ser perdia.
Dean continuava a estudar o Pai, incrédulo com as suas palavras.
- Tu acreditas mesmo que umas lições a fariam ficar como nós? E a família dela? Os deixaria para trás? O que farias tu quanto a isso? Tentarias mudar todos em seu redor também? Talvez distribuísses uma esmola por todos eles, para que ficassem mais felizes – Continuou Charlie ridicularizando a situação — Posso até imaginar o quão deplorante seria a igreja repleta daquelas pessoas pobres da comunidade. A vergonha que isso traria sobre todos nós. Mas pelo que me apercebo, isso é algo que ainda consegues compreender.
Olhou o filho nos olhos, profundamente, e colocou as mãos sobre os ombros dele.
- Rezo todos os dias para que aprendas a dar valor a isso. Ou todo o esforço levado a cabo por mim e pelos teus antepassados terá sido em vão quando me eu me for. Nem só de paixões arrebatadoras e emoções fortes vive um homem. Digo-te a ti o mesmo que disse à tua irmã. Existem muitos tipos de amor e as mais variadas formas de amar. O apego á família, a admiração pela esposa, o respeito pelos mais velhos, o encantamento pelos filhos, todas estas demonstrações são formas de amor que temos que abraçar. A paixão tem um rastilho curto filho, apaga-se facilmente com o tempo. A verdadeira felicidade está na quietude, na aceitação das pequenas coisas que ficarão sempre connosco e que tornam a vida especial.
Dito isto Charlie abandonou o local, deixando o filho entregue aos próprios pensamentos.
Notas finais
Contem-me tudo, as partes que mais gostam, as que menos gostam, personagens favoritas, expectativas... tudo mesmo! é muito importante para mim, sim?
Espero que tenham gostado!
Bjs, Ana
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