Erros do Passado
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Damon Salvatore entrou em casa e foi envolvido pelo pesado silêncio daquela mansão. Era sempre assim naquela casa, não havia vida ou alegria e ele odiava isso. As figuras retratadas nos vários quadros expostos nas paredes, se pudessem falar, não teriam nada de interessante para contar, nenhuma história memorável, nada que merecesse ser narrado. Isso o entristecia profundamente porque assim como a sua casa permanecia estagnada no tempo, também a sua vida o estava. Um enorme vazio era tudo o que podia sentir.
Devia orgulhar-se daquele lugar, toda a sua vida lutara por um mesmo objectivo, subir na vida, para poder ter tudo o que hoje tinha, uma condição financeira invejável. Todo o suor e todas as horas de esforço e trabalho duro tinham dado por fim os seus frutos. Mas nada daquilo tinha valor, um propósito ou um sentido.
Depois de tudo o que tinha acontecido consigo e com a sua família era impossível que as coisas não mudassem. Transformara-se na sombra do homem que um dia tinha sido, alegre, optimista, confiante, agora não tinha esperança e isso destruía-o. Aos 29 anos não tinha construído nada a não ser fortuna. Sentia-se sempre sozinho porque tinha afastado toda a gente de si. Ao seu lado estava apenas o seu irmão martelando-lhe aos ouvidos todos os dias, dos últimos 6 anos, que o seu único objectivo de vida tinha que ser a vingança. Com este propósito em mente foi ficando cada vez mais só.
Caminhou até ao salão de jantar. Lá estava Stefan comendo sozinho na enorme mesa. A lareira estava acesa, mas nem o calor que ela irradiava pelo salão ajudava a diminuir a estrema frieza daquele local.
O irmão encarou-o rudemente e Damon teve vontade de sair daquele lugar a correr só para poder evita-lo. Não aguentava mais a companhia daquela pessoa amargurada que ele se tinha tornado. Não agiam mais como irmãos, mas como dois estranhos que mal se conheciam mas que mesmo assim, partilhavam o mesmo local.
- Procurei-te por toda a parte! Onde estavas? — Perguntou Stefan.
- O que me querias? – Perguntou tentando evitar a pergunta dele.
- Negócios. O Duque esteve cá, trouxe-nos algumas propostas, possíveis investimentos que temos que considerar.
Damon sentou-se, apoiou os cotovelos na mesa e enterrou a cara nas mãos. Não queria ouvir nada daquilo que Stefan tinha para lhe dizer. Era apenas mais do mesmo. A sua vida era completamente enfadonha. Queria poder divertir-se como todos os rapazes da idade dele o faziam. Saiam juntos para os bares locais para beber, jogar e conviver. A maioria dos seus conhecidos já tinha casado, construído uma família, viviam uma vida que valia a pena ser vivida. Enquanto ele perdia tempo. Ultimamente quando acordava tudo o que se perguntava era se não valeria mais simplesmente esquecer, libertar-se do peso que o consumia e tentar ser feliz.
Autoavaliava-se como uma boa pessoa, alguém que tivera muito para oferecer, possibilidades para fazer uma mulher feliz. Tinha saudades do tempo em que era mais aventureiro e divertido. Nunca receava arriscar ou se negava a uma boa conquista. Na antiga comunidade onde vivera, costumada fazer muito sucesso entre o sexo feminino. Encantando as moças com a sua face fora do comum, os seus enormes olhos azuis e o seu cabelo escuro como carvão.
Nos tempos que corriam não saia de casa com o simples intuito de se divertir. Mas quando o fazia, a maior parte das vezes em viagens de negócios, ele podia aperceber-se dos olhares que as senhoras, que ia conhecendo, lhe devolviam. Mas nunca tinha dado azo a alguma aproximação ou pensado em estabelecer uma relação mais séria. Pelo contrário, sempre se esquivava, fugia dos compromissos, dando a desculpa de que no momento queria apenas concentrar-se nos negócios e fazê-los crescer. No fundo ele tinha consciência que não seria uma boa companhia nestas circunstâncias, com o irmão a pressioná-lo constantemente e com as memórias, de outros tempos, constantemente a romperem à superfície da sua mente.
- A tua presença era necessária – Continuou o irmão – Mas mais uma vez, quando preciso de ti para resolver estes assuntos importantes, tu simplesmente desapareces! Não percebes que temos que nos focar? Expandir os negócios, aumentar as propriedades vai trazer-nos mais possibilidades e mais influências.
- Eu não podia adivinhar que o Duque nos visitaria hoje, não te parece obvio? – Desculpou-se.
- Já te tinha avisado que ele viria. Mas tu nunca te lembras das tuas prioridades. Ou por acaso achas que uma pessoa importante como o Duque faria a indelicadeza de nos visitar sem aviso?
Damon não se deu mais ao trabalho de lhe responder. Tudo o que queria era ver aquela conversa terminada e poder fazer a refeição com sossego.
- Onde estavas? – Voltou a perguntar o irmão insistente.
- Fui até a nossa velha casa, precisava pensar um pouco, afastar-me daqui.
- Revivendo fantasmas do passado irmão? – Perguntou furioso.
- Não é o que sempre fazes Stefan?
- É... – Disse ele, levantando-se repentinamente. Stefan bateu violentamente com ambas as mãos na mesa, fazendo com que o estrondo ecoasse por toda a divisão — mas sabes qual é a diferença entre nós os dois? É que eu revivo os meus fantasmas não para ter recordações felizes, o tempo não volta para trás... ela não vai voltar Damon... eu revivo todos os dias os meus fantasmas para me lembrar que prometi vingança... vingança, lembras-te?
- Stefan… não esqueci nada disso, mesmo porque tu não deixas!
- Queres esquecer Damon? É isso que tu queres? Seguir em frente como se nada tivesse acontecido? – Continuou Stefan gritando violentamente – Eu não posso fazê-lo… Lembro-me todos os dias. Sabes porque? Porque me falta metade do coração…
Damon não disse mais nada, não proferiu uma única palavra, ficou ali apenas vendo o seu irmão deixar a sala. Mas aquilo doía, doía demais.
Pensou que Stefan nem tinha acabado de comer, por mais superficial que fosse a sua análise, naquele momento Damon viu aquilo como mais uma pequena coisa que o irmão deixara por fazer, como tantas outras, das quais já havia abdicado.
A situação estava a ficar completamente insustentável, não aguentava aquilo, precisava de um escape, algo que o afastasse desta realidade insuportável.
- Senhor, posso servir-lhe o jantar? – Perguntou a criada, despertando Damon do transe em que este se encontrava. Nem havia reparado na sua presença.
- Não, não vou comer nada. Perdi o apetite. Pode levantar a mesa – Disse-lhe ele encarando-a.
Enquanto ela levantava a mesa e compunha a sala, ele ficou ali a observá-la de uma forma que nunca tinha feito antes. Era uma rapariga ainda muito nova, bastante atraente. Com os seus cabelos negros apanhados deixando à mostra a pele do seu lindo pescoço. O seu uniforme de criada modesto e largo, não deixava perceber as suas curvas, mas Damon imaginou que o seu corpo devia ser perfeito. Imaginou que a tocava e as sensações que o seu corpo adormecido experimentaria se isso acontecesse. Via os seus lábios roçarem naquele pescoço esguio e cogitou sobre as palavras que poderia dizer-lhe ao ouvido.
A rapariga continuava ali, sem poder imaginar os pensamentos do seu patrão. Damon não podia parar de olha-la, atraiu-lhe o seu olhar baixo, de respeito para com ele, completamente submissa, como se ele pudesse fazer com ela o que bem lhe aprouvesse. Tinha saudades de sentir a companhia de uma mulher na sua cama. Havia passado já demasiado tempo desde a última vez o que fizera.
- No final de acabar esse serviço suba e prepare-me um banho. Espere nos meus aposentos por mim – Disse-lhe de forma muito directa, sorrindo para ela sedutoramente. Não havia motivos para rodeios. Ele sabia bem o que queria e demonstrou-o.
- Sim senhor – Respondeu ela ruborizada, baixando os olhos de forma servil mas revelando um leve e encorajador sorriso ao patrão.
Damon levantou-se de seguida e dirigiu-se apressado à cozinha. Sentiu-se subitamente animado e apercebeu-se daquela corrente de energia que fluía nas suas veias. A sua vida precisava disso, momentos agradáveis, de diversão, que lhe trouxessem alguma felicidade. Aquela rapariga iria dar-lhe tudo isso naquela noite. O seu desejo era enorme e tudo o que podia pensar era em sacia-lo. Tê-la nos seus braços, possui-la, dar-lhe todo o prazer que podia e recebê-lo também. Se ela não quisesse deitar-se com ele, não a obrigaria a nada, mas se ela aceitasse saberia recompensá-la bem.
- Charles traga-me uma garrafa de bom vinho, por favor! E dois copos… — Pediu ele ao mordomo.
- E para já Senhor.
Logo o mordomo voltou com a garrafa de vinho e a entregou a Damon.
- Trouxe companhia esta noite senhor – Perguntou o mordomo.
- Não! – Respondeu Damon rispidamente. Sabia que não tinha havido malícia na pergunta de Charles. Ele estava apenas preocupado com ele. Era um bom homem que tinha muita dedicação para com os patrões, estava com eles desde que tinham comprado aquela casa. Sabia que ele queria apenas vê-lo feliz. Mas Damon não podia permitir essa intromissão – Eu e Stefan teremos apenas uma conversa séria que precisa ser regada com bom vinho – Preferiu responder assim para não ser indelicado.
- Senhor diga-me por favor que não vão discutir… — Indagou Charles – São irmãos, e ultimamente tudo o que fazem é discutir. Não fico nada feliz com isso, não gosto de vê-los assim.
- Não te preocupes Charles. Desta vez ninguém vai discutir.
Damon deixou a cozinha, subiu a enorme escadaria até os seus aposentos e deteve-se na porta, segurando a garrafa de vinho os copos. Pensou malicioso que naquela noite teria algo bem mais interessante para fazer do que debater ideias com o irmão.
Notas finais
É importante :)
Digam-me coisas... o que estão a achar do enredo? Já começam a perceber qual será a ligação dos Salvatore à família Sawn? Quais serão as futuras implicações desta ligação?
Obrigada!
Bjs, Ana
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