Erros de Sempre
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Isabella olhou para aqueles grandes olhos verdes e engoliu a sua vontade de chorar. O nó em sua garganta desceu com dificuldade, mas quando Lola miou, estendendo a pata para chama-la, ela se obrigou a sorrir do gesto. Seu pelo cinza azulado ainda estava um pouco úmido da pequena escapadela que havia dado quando a dona entrou em casa. A gata correu para a calçada e obteve uma boa visão da rua, antes de voltar imediatamente ao sentir as gotas gordas e frias da água da chuva em suas costas – Lola sabia que ainda não era temporada de banho.
— Ora, o que? Eu não fiz de propósito! — Ela defendeu-se, sem cessar os passos nas voltas que estava dando pelo quarto, da esquerda para a direita — Nós sempre usamos proteção. Sempre. Embora não estivéssemos prontos para crianças, também não tínhamos sido testados para doenças, para podermos dar esse passo... então, me diga, como diabos isso pode ter acontecido?
Lola a encarou como se ela fosse uma desequilibrada.
Tudo bem.
Isabella se sentia um pouco assim.
Estava prestes a abrir um buraco no chão.
— Vamos lá, pare de olhar assim para mim. Eu sei de que maneira aconteceu, apenas pensei que essas coisas não falhassem... — Gemendo, ela deixou os ombros caírem e cobriu o rosto com as mãos — Eu deveria ter sido mais cuidadosa comigo mesma, certo? Mas aquelas malditas pílulas me deixavam maluca! E todas aquelas espinhas aparecendo como se eu estivesse na puberdade. Nenhuma mulher deveria ter que lidar com essa merda. Só que agora... bem. Talvez eu devesse ter insistido.
Temerosa, ela continuou a pensar nos “e se” e procurar culpados para a sua situação atual, embora não houvesse um. Apenas aconteceu. Por que ela não podia aceitar e seguir em frente? Provavelmente porque Edward também a culparia. Ele nunca, nenhuma vez, pediu para que tivessem relações sem preservativos como alguns dos seus ex fizeram e isso só mostrava o quanto ele estava comprometido a não sofrer acidentes. O que ele pensaria se houvesse mesmo um bebê sendo gerado dentro dela nesse instante?
Deus. Isso era uma grande bagunça.
Receber a notícia por Carlisle tinha sido uma das coisas mais constrangedoras pela qual ela passou. Quem no mundo só percebe que está grávida porque o pai do seu namorado lhe conta? Agora, após o susto inicial, ela percebeu o quanto o homem parecia nervoso no telefone, talvez até excitado com a notícia de ser avô novamente, mas ela não conseguia afastar a sensação de desconforto ao lembrar do passado. Querendo ou não, Isabella carregou em seu ventre um bebê do seu filho mais velho e agora... Edward ia ser pai antes mesmo de eles falarem sobre isso.
Na adolescência, ele tinha sido um garoto impulso que vivia o momento, mas tinha seus sonhos para o futuro e neles, havia uma grande casa, uma esposa, um casal de crianças e um novo cachorro – quando se visse pronto para superar Amanda. Tudo mudou quando a aposta foi descoberta e ela se recusou a perdoa-lo ou se envolver com ele de qualquer maneira. Edward foi para a Califórnia, estudou como um condenado e conseguiu se destacar em sua profissão – sendo um dos advogados com menos de 30 anos mais bem pagos do país. A lista não era grande e isso a deixava imensamente orgulhosa. Mas família? Ele não parecia interessado em tê-la.
Não mais.
Após reatarem, ela percebeu que havia estragado Edward para todas as mulheres. Obviamente, não o suficiente para que ele não conseguisse envolver-se com mais nenhuma, mas no sentido de confiança, amor e parceria. Ele não acreditava que era possível ter essas coisas sem se machucar, por isso, não valia a pena tentar e ela o entendia, porque aquilo era verdade. Você nunca conhece alguém tão bem para ter certeza de que ela não irá te decepcionar. Não existe relações sem riscos.
Isabella se considera com sorte por ter conseguido dar a volta por cima das burrices que fizeram um com o outro. Nos últimos dez anos, mesmo com o seu histórico, ela não olhou para os homens com desconfiança e não achou que eles estavam usando-a para algo, porque ela era a única que estava. Todos eram substitutos. Eles não se comparavam a Edward, mas ela precisava de alguém e os tinha, mas não sentia nada além de simpatia. Quando seu ex namorado a traiu com um casal de colegas próximos, ela se aborreceu e foi isso. Suas amigas fizeram um escândalo e quase se mudaram para a sua casa, temendo que ela ficasse solitária ou afundasse em uma depressão por causa daquilo, mas nada aconteceu.
Isabella não se importava o suficiente.
O cara era apenas mais um e outros viriam em seguida.
Com Edward não tinha sido muito diferente. Ele queria divertimento e ter suas necessidades cuidadas. Ele continuou amando a sua mãe e adorando a irmã mais nova, mas mulheres em geral eram apenas corpos para uma noite – todos os planos e sonhos do Cullen de 18 anos com quem namorou, já não tinham espaço na sua nova vida e isso a preocupava. Se ele era incapaz de entregar-se totalmente a ela, como poderia querer assumir um compromisso tão grande? Um filho era para sempre. E o que eles tinham, também era ou estava apenas se iludindo?
— Por favor. Eu não quero passar por isso sozinha de novo. — Ela orou, com os olhos apertados, as mãos juntas e entrelaçadas.
Frustrada, ela atingiu a poltrona com o pé, fazendo-a se deslocar para o lado com um ruído irritante ao se arrastar no piso. Enquanto esperava, Isabella mastigava o lábio inferior e lembrava com clareza de quando os sintomas diferentes de tudo que já tinha experimentado, começaram a aparecer durante os últimos meses de aula. E quando sua suspeita foi confirmada, o mundo começou a ruir. Sua garganta inchou ao recorda-se do quanto chorou, desesperada só de pensar na possibilidade de não ter sequer se prevenido ao dormir com Emmett. E se tivesse sido outro garoto? Ela estaria gravida e talvez, quem sabe, doente – arriscando sua vida e a do bebê. Tão irresponsável! O rapaz não era conhecido por ser um monge, mas assim que soube da situação em que estavam, ele afirmou ser testado de tempos em tempos desde que Esme o pegou com uma das cheerleaders do colégio e que, apesar de não lembrar daquela festa com clareza, um preservativo havia sido envolvido... mas isso já não importava. O que foi feito estava feito.
Agora ela amaldiçoava sua deficiência em ferro que a deixou no escuro por tanto tempo. Se a sonolência, tontura e náuseas não estivessem presentes também na anemia, ela teria sabido muito antes sem precisar da ajuda de Carlisle. Esse que, apesar de parecer querer lhe falar um monte, concordou em dar-lhe um tempo e guardar o seu segredo até que ela visse por si mesma que ele não havia cometido nenhum engano. Os resultados dos exames eram tão claros quanto o dia.
Farta das divagações sem sentido de sua dona desde que chegou em casa, Lola deu a volta para esconder-se em sua casinha, onde puxou o tecido da almofada com as unhas até dar-se por satisfeita.
Algum tempo – parecendo mais uma década – depois, o alarme do cronometro soou, interrompendo seus passos bruscamente. Ela pensou que tropeçaria com o som do objeto esquecido no seu criado mudo, mas seu coração foi o único a balançar. Sem pensar duas vezes, ela virou e correu na direção do banheiro, empurrando a porta aberta e acendendo a luz para encarar a maldita coisa.
A pequena vareta onde continha a resposta que mudaria a sua vida completamente.
Ao sair do escritório de Edward, onde ela tinha feito a sua melhor atuação para não parecer assustada como quem viu uma alma penada, Isabella vagou pela cidade na tentativa de colocar os seus pensamentos em ordem, até fazer o caminho de volta e parar em uma das farmácias mais próximas. Algo em seu íntimo, lhe dizia que ela estava apenas sendo tola agora, mas precisa ver com seus próprios olhos.
Dez anos haviam se passado, mas parecia que os métodos para fazer os testes ainda eram os mesmos – embora ela não tenha hesitado em fazer o farmacêutico explicar-lhe novamente como usá-lo. Fazer xixi em um palito era relativamente fácil. Um procedimento simples, mas ela não queria correr o risco.
Prestes a chegar em casa, Isabella recebeu uma mensagem de Jasper – uma das rotineiras, onde ele só quer saber se está tudo bem ou o que está fazendo. Um texto rápido o deixou saber que ela estaria ocupada pelo resto do dia em uma faxina e cozinhando o jantar, mas que gostaria de vê-lo depois. Quando ele respondeu com uma carinha triste, dizendo sentir falta de sua comida, ela rolou os olhos e abriu o primeiro sorriso pós-notícia bombástica, sentindo o peso em seus ombros aliviar a medida em que os dois se provocavam com mais algumas mensagens.
— Vamos, não seja covarde.
Seus dedos estavam tremendo quando ela colocou a caixa em cima do balcão.
Batendo o pé no chão, Isabella encarou a embalagem roxa até que com um suspiro, ela saiu e foi recolher as roupas sujas espalhadas pelo quarto. Não estava pronta para isso ainda. Carlisle parecia tão confiante, mas... e se tivesse cometido um erro? Ele cuida de corações, pelo amor de Deus! O que esse homem pode saber sobre isso? Ele é pai de três jovens adultos. Você só está evitando o inevitável. Choramingando, ela empurrou aquele pensamento de lado e encontrar uma cueca em meio aos seus lençóis amontados no cesto, a fez sorrir e serviu de distração. Isabella riu do quão absurdo era isso – sorrir de uma roupa usada – mas ela não podia se ajudar. Era bonitinho encontrar coisas dele perdidas em seu espaço. Embora não fosse uma fã de tarefas domesticas e ficaria extremamente aborrecida se Edward começasse a contribuir com a lista dos seus afazeres, por enquanto, ela apreciaria que seu namorado estivesse à vontade em seu quarto, tanto quanto ela ficou em seu armário – onde perfumes, cremes extras e outros artigos de higiene pessoal estavam à sua disposição.
Quando Isabella terminou a lavanderia, ela começou a limpar a casa; arrastando moveis, revirando objetos e subindo em cadeiras para trocar cortinas, bem como espanar as luminárias. O suor escorria por suas costas, mas ela continuou procurando coisas para fazer e para sua surpresa, sempre encontrava. Era surpreendente como um lugar habitado por uma única pessoa – na maioria dos dias – poderia dar-lhe tanto trabalho, mas as atividades foram bem-vindas. Ela não estava acostumada a ter dias livres e esse tempo longe da agência estava começando a mexer com os seus nervos, então algo precisava ser feito sobre isso. O fato de que manter-se ocupada a fazia esquecer certos pensamentos e receios, também era bom. Ela precisava de um tempo para si mesma.
Mas o momento chegou e horas mais tarde, após um longo banho para soltar seus músculos tensos e cansados, Isabella se viu urinando em um pequeno recipiente de plástico. Um conta gotas foi utilizado para aplica-lo sobre a tira e depois de absorvido, ela marcou 10 minutos no cronometro, mesmo que o teste afirmasse ficar pronto em pelo menos 5.
O ditado dizia que uma mulher prevenida, valia por duas, então que seja. Andando de um lado para o outro, ela esperou, tentando forte não encarar os ponteiros.
E agora, ela estava de volta.
Tomando uma longa respiração, ela alcançou o teste. As instruções na embalagem foram claras sobre uma linha ser negativo e em suas mãos, ela tinha...
Duas linhas.
Positivo.
Estava esperando um bebê.
— O filho de Edward.
Ela seria mãe.
Isabella não pode evitar o grito que correu através de sua garganta.
Ela cobriu a boca com as mãos e olhou-se no espelho. Sua expressão era de pura surpresa e seus olhos, apesar de arregalados em excitação, também transmitiam suas mais profundas inseguranças. Eles queimavam com as lágrimas, mas ela não se permitiu chorar. Independentemente de qualquer coisa, ela estava comprometida a fazer o seu filho se sentir querido desde o momento da sua descoberta até depois do nascimento. Ninguém a faria se sentir culpada novamente. Nem mesmo o pai... este que não tem ideia do que está acontecendo.
Pensando em Edward e sem ter certeza de que horas ele chegaria, ela fez a limpeza dali e carregou consigo a embalagem vazia para a cozinha. Seu namorado era estranhamente fresco com relação a resto de comida e lixo, então aquele era o último lugar onde o encontraria mexendo. A verdade é que ela precisava digerir a informação melhor e tudo estava acontecendo tão depressa. Ela teria tempo de sobra para contar-lhe a novidade. Até porque, a última coisa que precisava no momento, era um surto dele.
A ideia de Edward enlouquecer fazia o seu estômago dar voltas.
Mas ele não faria isso. Ele não a magoaria assim. Não de novo.
Balançando a cabeça para espantar as imagens desagradáveis que sua traiçoeira mente estava criando, ela lavou as mãos na pia e seguiu para a geladeira, de onde retirou – após pensar por alguns instantes – alguns dos ingredientes que formariam o jantar desta noite. Alcançando uma panela média no escorredor, ela encheu com caldo de carne e colocou para ferver, enquanto isso, pegou a tábua de corte e começou a picar cebola e bacon em pequenos cubos. Cozinhar lhe relaxava.
Ela tinha apenas colocado no fogão quando o telefone tocou.
— Sim?
— Olá, querida... — O som saudoso da voz de Charlie a tinha sorrindo em questão de segundos — Como você está?
Abaixando o fogo, Bella respondeu:
— Ei, papai. Eu estou muito bem — Foi preciso morder a ponta da língua para não contar o que estava acontecendo, então depois de um tempo, ela continuou — E vocês? Algo de novo por aí?
— Nah, garota. O mesmo de sempre, exceto pelos preparativos para a festa no final de semana.
Ela ofegou dramaticamente, colocando a mão que segurava a espátula, no peito.
— Uma festa? Em Forks?
Charlie começou a rir, em seguida houve ruídos e alguma tosse.
— Sim, este ano o aniversário do hospital cairá em um domingo, então você pode imaginar. Três das mulheres dos médicos locais se envolveram na organização.
Ela sorriu com carinho enquanto pensava em Esme.
Em sua cidade, qualquer acontecimento gerava grande comoção e atraia boa parte dos habitantes. Este era um evento o qual ela gostava de estar à frente, porque significava muito para o marido e seus pacientes, aos quais ela fazia visitas frequentes. Isabella imaginava que precisava de muito amor e força de vontade para uma mulher como Esme, nascida e criada na ensolarada Califórnia, se prendesse por tanto tempo naquele minúsculo lugar onde só chove e nada acontece.
Enfim, ela fez um som de aprovação.
— Há tempos eu não vou a um desses mas parece um bom programa. Você e a mamãe também estão indo?
— Bem, o que você acha? — Eles riram juntos, ambos sabendo que Renée não deixaria a oportunidade passar. Como delegada, ela sentia-se na obrigação de comparecer na inauguração de uma mercadoria ou uma comemoração como essa. Sua mãe não recusava comida e bebida preparada por terceiros, também — A Sra. Cullen apareceu aqui na terça-feira e nos contou sobre esse leilão que ela está fazendo para arrecadar fundos e todas essas coisas. Fiquei interessado.
Fazendo um pouco de malabarismo, ela conseguiu acrescentar o arroz junto da cebola e o bacon, frito em sua própria gordura. Ela ouviu barulho metálicos, como chaves, vindos da porta de entrada, mas ignorou o som antes que queimasse a si mesma e acrescentou um pouco de vinho branco, depois de mistura-los bem na frigideira.
— Oh, isso é novo. A Esme tem bom gosto. Tenho certeza que você encontrará algo que se interesse — Ela murmurou pensativa — Ela está se agarrando a oportunidade com unhas e dentes, não é? Alice realmente tem a quem puxar.
Charlie concordou com entusiasmo.
— Com certeza. As duas são muito agitadas. Por isso mesmo, Renée sugeriu que ela encontrasse algo para si no hospital, junto com Carlisle. Você sabe, apenas algo para mantê-la ocupada, mas ela não lhe deu um pensamento. Disse que o marido penduraria o jaleco em algum momento no primeiro semestre do ano que vem.
Parando, Isabella franziu o cenho. Ela não tinha ouvido nada antes.
Será que a decisão de Carlisle se aposentar em breve era segredo ou era apenas algo recente? Ela não conseguia imagina-lo longe de seu trabalho. Todo mundo sentiria sua falta, podia dizer. Sério, mas competente e gentil, ele era a estrela daquele hospital e pensando nisso, ela imaginou o alivio que Esme sentiria ao vê-lo finalmente longe das assistentes e enfermeiras.
Jasper definitivamente não era o único médico com um pequeno fã-clube.
— Você acha que eles têm planos de deixar cidade?
Isabella zumbiu enquanto cogitava a possibilidade.
Depois fez uma careta e usou uma concha para regar o arroz com mais caldo de carne quente na tentativa de amolecer os grãos.
— Eu não acredito nisso, papai. Eles deixaram San Francisco para criar os filhos com mais tranquilidade, longe da violência e dos problemas, e já se acostumaram com o lugar. Eu não acho que tenham a menor intenção de voltar para isso agora.
— Sim, você provavelmente estará certa. Espero que eles usem o dinheiro com sabedoria, pelo menos — Suas sobrancelhas se ergueram com a menção do dinheiro que o casal deveria possuir. Embora os Cullen nunca tenham ostentado, as pessoas simplesmente sabiam que eles eram ricos. Depois que todos os três filhos foram para a faculdade e fizeram suas carreiras, ela não podia imaginar o quanto aqueles dois não haviam poupado — Com viagens, férias e todas essas coisas. Deus sabe que eu já teria levado Renée para algum lugar quente, como a Flórida, se a mulher tirasse uma maldita folga.
Isabella riu, mas no fundo, ela sentia um pouco por seu pai.
Foi o seu desejo de crescer e conhecer o mundo que o separou de sua mãe, em primeiro lugar. Mesmo que ele não tenha ido muito longe – por precisar criar e cuidar de uma criança pequena –, Charlie não era muito diferente de Esme. Ambos estavam presos à Forks por causa de seus companheiros, mas não pareciam se arrepender nem por um dia da decisão de mudar-se. O mínimo que Renée deveria fazer, era desprender-se um pouco de seu distintivo e viver sua vida de casada com mais de intensidade. Ela odiaria voltar para uma casa vazia todos os dias, tendo que esperar sem companhia até que Edward retornasse para dormir.
E como se tivesse ouvido seu nome ser dito em voz alta, o advogado passou os braços ao redor de Isabella, que pulou e gritou, por pouco não derrubando o telefone dentro do risoto quase pronto – que agora cheirava divinamente bem.
— Jesus Cristo, você precisa parar com isso! — Ela gemeu, reclamado pelo o que parecia, a vigésima vez. Tomando uma longa respiração, ela mordeu o interior da bochecha. Será que podia fazer mal ao bebê? — Eu não posso me assustar assim...
— Desculpe, amor. O meu corpo age muito mais rápido que a minha boca, quando a encontro assim — Usando os dedos para afastar o seu cabelo, ele roçou os lábios em sua nuca, fascinado em como ela se contorcia — Você cozinhando para mim.
Ela ri, tentando ignorar o seu estremecimento e se deixa ser abraçada.
— Você me faz parecer tão doméstica.
— Não há nada errado em ser doméstica — Ele sorri e faz seus dentes apertarem a sua orelha. Isabella não se contém e geme, empurrando contra ele e jogando a cabeça para o lado, expondo o pescoço para o seu ataque. Como uma linda corça, oferecendo-se ao leão, Edward pensa e beija onde a fazia suspirar — Eu poderia me acostumar com isso.
Isabella sorriu contra sua vontade e rolou os olhos. Ela estava pronta para retrucar, quando foi chamada.
— Hum... querida?
Porra. Corando até os dedos dos pés, ela endireitou o telefone, respondendo.
— Pai! Oi. Huh, eu sinto muito. O Edward apenas acabou de chegar e...
— Sim, eu pude perceber. — Charlie, após limpar a garganta, começou a rir.
Ignorando que ela estava em uma chamada com seu sogro, o ruivo continua com os beijos suaves na pele macia com cheiro de fruta. Seus lábios seguem vagarosamente até o fim do seu ombro e volta, enquanto seus olhos semiabertos registram o braço esquerdo dela ficar completamente arrepiado.
— Será que o meu toque te agrada? — Ele sussurra no ouvido livre do telefone e morde o cantinho de sua mandíbula delicada. Muda, ela apenas acenou com a cabeça — E que tal assim? — Edward foi suave quando arrastou a mão por sua coxa e levantou a barra do vestido solto. Seus dedos começaram a traçar um caminho que terminaria perigosamente próximo da sua virilha.
— Isabella.
Engasgando, ela tapou o bocal do telefone com a mão e usou o quadril para empurrar Edward para trás, longe dela. A última coisa que queria era Charlie ouvindo as coisas que seu namorado fazia, embora ela tenha sorte de ser ele ali e não Renée. Sua mãe provavelmente lhe diria para dar ao seu homem o que ele precisava e desligaria na sua cara. Edward sempre seria o seu queridinho.
— Agora não — Ela sussurrou para o ruivo que se afastou, mas sorrindo com maldade, começou a desfazer o nó da gravata — Oi, pai. Eu sinto muito.
— Está tudo bem. Eu deveria deixa-la agora — Engolindo em seco, Isabella assistiu ao namorado puxar a camisa para fora da calça e começar a desabotoar os primeiros botões, chamando sua atenção para o peitoral mais agradável o qual ela já tinha posto as mãos — Será que você e Edward não serão capazes de vir?
— Vir?
Ela queria que Edward a fizesse vir, com certeza.
— Domingo, Bella.
— O que tem... — O final de semana. A festa. É claro! — Huh, eu não acho que será possível. Nós estamos no meio de uma coisa, na verdade.
Isabella não podia fazer promessas. Ela não tinha ideia de como os dois estariam depois que tivessem a conversa. Na pior das hipóteses, Edward estaria trancafiado em seu apartamento, se afogando em whisky e ignorando as suas ligações enquanto pensava em como despeja-la para fora de sua vida. Ela estremeceu só em pensar.
Charlie resmungou e se moveu bruscamente, fazendo a ligação falhar.
— Oh. Bem, está certo. Eu só queria saber como as coisas estavam indo — Ele murmura como despedida. Seu tom de voz não esconde a sua decepção, mas logo ele recupera o bom humor — Preciso ir, querida, Renée chegou com o jantar.
— Sinto muito, papai. Eu te amo.
— Também te amo, Bella.
— Dê um beijo na mamãe.
Grunhindo em acordo, Charlie encerrou a ligação e ela pôde respirar aliviada.
Afastando-se do calor em suas costas, Isabella encostou-se na beirada da pequena mesa de quatro lugares e assistiu ao ruivo – que havia encerrado o show de striptease quando ela fechou os olhos para a tentação – derramar um pouco de água em um copo de vidro. Ela bufou para a geladeira aberta, enquanto ele apoiava o braço no topo da porta e bebia, mas o movimento do seu pomo de Adão subindo e descendo a cada nove gole, a deixou novamente excitada.
— Vem aqui.
A voz enrouquecida o interrompeu.
Quando ele engoliu pela última vez, Isabella apertou as coxas.
Ela queria correr a língua bem ali em sua garganta.
Os olhos escuros dele diziam-lhe tudo que queria saber e quando sua língua umedeceu os lábios, ele não esperou. Edward estava sobre ela em segundos, colocando-a sentada na mesa e abrindo suas pernas para encaixar-se no meio.
Segurando em ambos os lados do seu rosto, o advogado violentava a sua boca com paixão – livre de qualquer receio de ser interrompido. A língua dele fazia movimentos provocantes com a dela, que a tinham se inclinando e o agarrando, enquanto ofegava e gemia. Os sons que sua menina fazia o incentivavam e logo, ele acrescentou os dedos à mistura. Isabella tremeu quando as digitais dele roçaram a pele nua de seu colo exposto pelo vestido de alças finas. Ela murmurou uma aprovação quando ele circulou um dos mamilos por cima do tecido, até que ele estava duro e sua excitação, perceptível ao toque. Toda àquela atenção a fez lembrar de seus momentos interrompidos na sala dele e de repente, não havia mais fome ou nervosismo – nada além dos dois. Tudo que ela queria era arrasta-lo para o quarto e terminar o que começaram mais cedo.
— Eu adoro estar com você. — Ele diz, a fazendo suspirar.
A outra mão de Edward apertou a sua nuca, certificando-se de que os movimentos das bocas não cessassem e rosnando baixinho, ele enfiou-se dentro de seu decote para alcançar um seio dolorido e necessitado. Embora estivesse colocando intensidade em tudo o que fazia, ele lembrou-se de que ela estava dolorida e os apertou devagar, até achar a maneira que satisfazia aos dois. Isabella o queria demais, mas não estava à vontade em fazer sexo na cozinha e mesmo assim, viu sua resistência cair por terra quando os lábios dele a deixaram para envolver o pequeno broto sensível que era seu mamilo. Faminto, ele chupou e lambeu, enquanto atormentava o outro. Sua menina estava gemendo tanto que ele achou que podia fazê-la gozar daquele jeito dentro de pouco mais de um minuto. O aperto firme em seu cabelo confirmava a sua teoria e com um sorriso, ele raspou os dentes no bico, fazendo-a gritar.
Ela estava pronta quando ele ouviu pequenos sons de estalos e eles a fizeram suspirar, frustrada, e virar a cabeça para o lado. Quando seu olhar encontrou a frigideira secando no fogão, Isabella xingou e se debateu para pular fora, mas o ruivo foi mais rápido e a pressionou de volta a mesa. A verdade é que ela estava profundamente agradecida de não precisar se levantar, porque suas partes de menina estarem dormentes de necessidade.
— Isso deveria ser...? — Ele brinca quando desliga o fogo.
— Um risoto à carbonara, mas alguém quis pular o prato principal e ir direto para sobremesa — O riso de Edward saiu tão leve e bonito que ela foi incapaz de não se juntar. Ele voltou, mas dessa vez a puxou para seus braços e lhe abraçou carinhosamente, salpicando beijos na pele aquecida e avermelhada de seu pescoço — Eu preciso tentar salvar o jantar, querido. Por que você não pega uma cerveja e se acomoda na sala? Devo nos servir em meia hora.
— Sim, tudo bem — Ele concordou com um sorriso e empurrou os lábios nos dela rapidamente por algumas vezes antes de se afastar — O que o seu pai queria?
— Oh, aquilo? Nada, realmente — Ela deu de ombros e passou por ele para ir até a bancada, onde estava o queijo pronto para ser ralado — Ele me contou sobre o aniversário do hospital, porém. Será que Carlisle vai ser homenageado ou algo assim? Ele também perguntou se poderíamos ir até lá.
— Hhm, acredito que não, já que ele não me disse nada.
— Você falou com ele hoje?
A pergunta saiu quase como um grito e faca escapou da sua mão.
Seus olhos estavam arregalados quando ela se virou para Edward. O pobre homem parecia confuso e divertido com a sua reação, mas vendo que ela parecia apavorada, logo adotou uma expressão cautelosa.
— Falei ontem. O que há de errado, Bella?
Ontem. Carlisle provavelmente não sabia de nada ainda e Edward muito menos. Ele não estaria de pé diante dela tão calmo e receptivo se soubesse. Com certeza.
Soltando o ar vagarosamente, ela balançou a cabeça.
— Nada. Está tudo bem, apenas... você ainda vai querer a cerveja?
*********
Depois do breve e desconcertante momento, Edward se serviu de uma Budweiser e saiu, deixando-a sozinha para se acalmar. Assim como ela previra, a comida ficou pronta em 30 minutos e não querendo comer onde a sua bunda esteve há tão pouco tempo, ela levou os talheres, pratos e outras coisas para sala – apenas para encontra-lo em meio a o que parecia uma tonelada de papeis.
— Você disse que não traria trabalho para cá.
Finalmente se dando conta de sua presença ali, Edward ergue a cabeça e esfrega os olhos vermelhos antes de presenteá-la com um sorriso cansado.
— Eu sei, mas isso tudo é meio urgente e eu preferi trazer comigo, do que ir para casa e dormir mais uma vez longe de você.
— Caramba. Por que você tem que ser tão doce às vezes? — A irritação desapareceu com a resposta e sorrindo de volta, ela estendeu o prato em sua direção — Agora vamos ter que transar após a refeição.
Edward ri de como ela parece falsamente pesarosa com a ideia de fazer sexo com ele e afasta o notebook do seu colo, para aceitar a comida que estava com uma aparência verdadeiramente apetitosa. Depois de tirar alguns documentos do lugar ao lado para que ela pudesse sentar, ele provou o risoto e o gosto bom o fez gemer, completamente rendido aos dotes culinários da namorada. Antes de conhece-la, ele não tinha ideia de que a necessidade transformava alguém em um com cozinheiro. Charlie, assim como ele, gostava de comida pronta e ela só precisou aprender a preparar suas próprias refeições a partir das primeiras férias com Renée, que não era capaz de fazer uma torrada ou ovos sem tosta-los.
A TV estava ligada e transmitia um filme de drama, com uma pitada de romance, que de início não prendeu a atenção deles. Isabella tentava não rir de boca cheia sempre que o ruivo rolava exageradamente seus olhos ao ouvir uma nova frase do personagem principal. O roteirista realmente deveria ter estado sobre a influência de algum livro de autoajuda. Eles terminaram de jantar praticamente em silêncio, mas volta e meia, conversavam durante os intervalos do filme. Ele lhe perguntou sobre o resto do seu dia e fez uma careta quando ouviu que ela tinha passado as últimas horas lavando e limpando. Se soubesse, não teria deixado que cozinhasse e teria passado no seu restaurante favorito para compensa-la.
— Eu vou levar isso para a cozinha. — Quando acabaram, Isabella se aproximou sorrindo e tomou o prato vazio de suas mãos, para colocar sobre o dela, assim como as duas garrafas vazias e talheres sujos. Ao levantar-se, ela parou ao sentir a mão de Edward tocando sua bunda. Jogando um olhar por cima do ombro, viu quando ele acariciou a área antes de pigarrear e puxar o tecido para baixo. Com uma inocência que não convinha, ele ajeitou o vestido — Como você é atencioso.
Ele riu, incapaz de disfarçar a malícia em seus olhos ao checa-la uma última vez.
— Você está bonita, amor, eu não posso evitar.
Ao retornar, encontrou Edward concentrado no notebook e indecisa, ela torceu os pés, incerta sobre lhe dar alguma privacidade ou encontrar um lugar por perto para sentar e terminar de assistir. O ruivo acabou decidindo por ela e agarrando-a pelo pulso, a fez cair de volta no sofá com um grito, que foi rapidamente interrompido por sua boca movendo-se sobre a dela lentamente, enquanto seu polegar fazia carinho na bochecha. Se mexendo, Isabella percebeu estar em cima de papeis, provavelmente importantes, mas ele não a deixou ir e sustentou o beijo até que ambos estavam pensando com dificuldade.
— O que foi isso?
Ela clareou a voz.
— Só agradecendo.
— Pelo jantar?
Edward roçou o nariz no dela e beijou-lhe uma última vez.
— Por tudo.
Sem graça, ela lambeu os lábios onde o gosto dele ainda estava e ajeitou os papeis amassados pela impertinência de Edward. Uma vez que estavam em ordem, ela juntou duas almofadas, as colocou em suas costas e voltou-se para o filme.
Edward deu-lhe uma olhada e inclinou-se para beijar o seu ombro, fazendo-a sorrir levemente. Essa não era a maneira como ele gostaria de passar a noite com Isabella, mas havia coisas pelas quais ele era responsável e estava constantemente tentando conciliar isso com o tempo que dedica à sua namorada. Seu apartamento era mais bem aquecido, mobiliado e confortável, mas ele não hesitou sobre ficar com ela, pois, tudo ficava muito mais fácil de levar ao saber que sua menina estava a apenas um braço de distância.
Com o navegador aberto, ele rapidamente acessou sua conta de e-mail. Estava uma bagunça. Será que Maggie se importaria em organiza-los? Havia uma serie de convites que ele não estava disposto a aceitar, mas alguns, decidiu que eram boas oportunidades e deveria olhar com mais atenção quando pudesse.
Ele abriu a mensagem enviada às 20h do seu amigo, Kyle, com as informações solicitadas no dia anterior. O texto era resumido, mas com tudo o que ele precisava saber. Edward sabia que assim que respondesse o e-mail, receberia outro com o conteúdo repleto de detalhes. Kyle já era um pequeno gênio da informática com os seus 22 anos e embora tenha recebido propostas para trabalhar na GANBATTE, gostava de se manter por conta própria e apenas efetuar os serviços para os clientes fixos – que sempre lhe rendiam bastante dinheiro. As coisas que o garoto fazia nem sempre estavam dentro da lei, mas Edward não se envergonhava de recorrer a ele uma vez ou outra. Principalmente, porque é o próprio que está localizando Chelsea.
O advogado estava, atualmente, defendendo um economista que havia sido indiciado pelo homicídio de tia, a mesma que o criou sozinha até que ele atingiu a maioridade e saiu de casa. Edna Lange morreu em sua casa aos 61 anos, vítima de envenenamento por cianureto. Substancia encontrada na forma de gás e pó, de origem vegetal, mas sintetizado em laboratório. Apesar do ex marido de Edna afirmar que a relação entre tia e sobrinho sempre foi conturbada, Steve negou veementemente qualquer participação no assassinato. Infelizmente, ele foi pego mentindo para a polícia sobre uma discussão acalorada com Edna e também não possuía um álibi, o que dificultava as coisas para Edward, mas ele estava confiante que as informações adicionais que Kyle tinha conseguido, o ajudaria.
Desde o século IV a.C, foram encontrados diversos acidentes fatais, entre outros, atribuídos à ingestão e inalação de compostos. As vítimas – independentemente de classe social, raça ou status conjugal – eram, sua maioria, homens e os autores dos crimes misteriosos, mulheres – quase sem exceção. E foi pensando nisso, que ele pediu para Kyle investigar ex colegas de trabalho, vizinhos e subordinados da Sra. Lange, do sexo feminino com quem a mesma tivesse tido algum atrito nos últimos cinco anos. Até comprovar a inocência do seu cliente, Edward tinha que, pelo menos, desviar a atenção para um novo suspeito.
As horas se passaram enquanto ele lia, estudava, trabalhava e reunia dados a serem apresentados e discutidos com seu cliente. Suas costas estavam o matando, mas ele só se deu conta do quão tarde era quando Lola apareceu na sala miando alto por revê-lo e possivelmente com fome. Quando seus olhos pousaram em Isabella, ele suspirou com a visão. Sua namorada tinha adormecido nas almofadas, com o controle da TV apoiado em sua coxa direita e uma das revistas que ela assinava, aberta e pousada em cima da sua barriga.
Em um gesto de carinho, ele esticou o braço e afastou delicadamente os fios de cabelo do seu rosto. Edward sorriu quando a viu se mexer e inclinar-se na direção de sua mão, buscando mais do seu toque. Ele ainda tinha alguns detalhes a acertar, mas se a deixasse dormindo ali por mais tempo, lhe daria um torcicolo, então após salvar e fechar seus arquivos, ele desligou o notebook e colocou sobre a mesa de centro.
Isabella começou a despertar do seu sono, fazendo careta para a luz acima deles. Lola aproveitou a deixa para pular no seu colo, a fazendo se encolher no sofá com o movimento repentino. Resmungando, ela se levantou e encontrou Edward tentando pôr em ordem a bagunça ao redor.
— Ei, babe. Está colocando em dia as suas sonecas ou algo assim?
Ela sorriu da brincadeira, ainda se sentindo um pouco sonolenta. Se não fosse por sua condição, aquele pequeno cochilo no escritório dele teria sido o suficiente para mantê-la acordada até tarde da noite e embora Edward a conhecesse bem, estava claro que homens ignoravam até as coisas mais óbvias.
— Sinto muito — Sentada, ela acariciou o pelo de Lola antes de empurra-la para fora das suas pernas e a gata levou a revista consigo, fazendo-a cair no chão com um farfalhar — A lavanderia me drenou. E por falar nisso, você não vai imaginar onde eu encontrei aquela jaqueta que... — Sua voz morreu quando, na folha, ela viu a pequena matéria sobre o que comer e quais exercícios fazer para manter o abdômen em forma.
Isabella engasgou ao reconhecer a pessoa nas imagens ao lado.
— O que você tem? — Ela sentiu Edward tocar suas costas.
— Olhe só pra isso — Ele pulou quando Isabella bateu com a revista aberta em seu peito, mas pegou mesmo assim e varreu a página com os olhos, esperando encontrar algo sobre quantas calorias ela tinha descoberto que haviam em suas famosas tortas de framboesa, mas o que ele achou não o surpreendeu em nada.
— Hum. Tudo bem, mas qual o problema?
— Você não está reconhecendo? É aquela vagabunda da Tanya! — Ela empurrou o dedo na folha, em cima da imagem para enfatizar — Com quem ela dormiu para conseguir aparecer na Glamour e por que você não parece tão surpreso assim?
Umedecendo os lábios, ele estudou as palavras com cuidado antes de falar.
— Eu já sabia que a Tanya tinha se tornado modelo — Quando ela estreitou os olhos em desconfiança, ele apressou-se em esclarecer — É claro que eu não folheio revistas de fofoca e toda essa parafernália feminina, mas Alice me ligou quando as duas foram obrigadas a trabalharem juntas, há alguns anos. Minha irmã estava histérica porque, aparentemente, o tempo não a favoreceu muito.
— Como não a favoreceu? Olhe para esses peitos! Oh, não, não se atreva — Isabella brigou e puxou a revista para longe quando ele tentou obedece-la. Com exceção da magreza quase exagerada, Tanya sempre foi muito bonita em seu estilo clássico de garota americana, mas nessas fotos ela parecia incrível. Sorriso branco, cabelos loiros esvoaçantes, seios fartos – cirurgicamente plantados com certeza— e uma barriga de competir com uma atleta — Eu imaginei que ela fosse trabalhar algum dia com o corpo, mas não assim.
Diante da risada desdenhosa de Isabella, o advogado fez uma careta e tirou a revista de entre seus dedos apertados, atirando-a para o outro sofá. Quando ela virou para reclamar, um olhar decepcionado dele foi o que bastou para tê-la torcendo a boca e murmurando desculpas, com a cabeça ligeiramente abaixada.
Não sabia o que sobre isso havia lhe deixado tão agitada.
— Eu sei que vocês duas nunca se deram bem e que Tanya não foi fácil com ninguém naquela escola, mas não é do seu feitio ficar vulgarizando outras mulheres desse jeito, Bella — Ele reprovou, observando suas bochechas avermelharem de vergonha. Sua namorada era um exemplo de mulher independente que não se escorava em homem para crescer na vida. Ele não queria vê-la degradando outras que buscam a mesma coisa, só por causa de atritos juvenis — Vocês duas seguiram caminhos distintos e é óbvio que ambas estão tendo sucesso em suas carreiras, não importa o quão diferentes elas sejam.
Quando ela rolou os olhos em teimosia, sua risada tinha tudo, menos divertimento. Isabella não queria admitir, mas estava com um pouco de inveja no momento. Ela não era aquele tipo de pessoa e não sabia de onde toda esta raiva estava vindo, mas achava injusto que alguém com Tanya Denali tenha conseguido chegar tão longe apenas com a sua aparência, quando ela se matou de estudar para estar atualmente gravida, gorda e muito em breve, desempregada.
Parece que o universo tinha um senso de humor muito irônico.
— Eu não sei porque você está do lado dela.
— Mas eu não estou, babe — Edward gemeu, amassando o rosto. Era incrível como as mulheres tinham o dom de virar suas palavras contra você — Eu só não acho que a sua atitude esteja...
— Foda-se a minha atitude! — Ela explodiu, levantando-se. Não ia ficar ali sentada ao lado dele enquanto o ouvia repreende-la — Como você se atreve a defender essa mulher que te perseguiu como uma louca enquanto estávamos juntos e que, naquela última festa, enfiou a língua na sua boca quando eu estava olhando?
O choque atravessou o rosto de Edward.
— Como é que é?
— Ora, Edward, não se faça de inocente — Ela grunhiu, seus olhos faiscando com raiva. Por que ele tinha ficado ao lado de Tanya? Seu sangue fervia só em pensar nos dois, se encontrando após a faculdade e indo para cama juntos. Foi isso que aconteceu? — Tyler parou naquela casa para conversar com a namorada e eu só entrei porque tinha esperanças de falar com você! É claro que eu perdi qualquer vontade de te dirigir a palavra quando o encontrei acompanhado daquela puta.
— Tanya não era a minha acompanhante. Ela estava ali como metade da escola, assim com Heidi, sua irmã com quem eu estava conversando muito antes de ela chegar. Olhe, Bella, seja lá o que você tenha visto, não foi nada do que...
— Eu sei o que eu vi — Edward tinha os cotovelos apoiados em seus joelhos durante a discussão, mas quando ouviu sua voz tremer, se endireitou e sentiu uma pontada no peito por ver seus olhos marejados — Você estava de costas para mim e não me viu chegando. Tanya, à sua frente, sorriu de orelha a orelha quando me viu atrás de vocês e logo em seguida, os dois estavam se beijando como se o mundo fosse acabar.
Edward balançou a cabeça para os lados, afirmando que não tinha sido assim, porque era verdade. Não importa o que Isabella pensa que viu naquela noite. Com certeza não tinha sido ele cedendo as investidas de Tanya Denali. Na verdade, eles nunca mais se falaram após aquele beijo e continuavam bem assim até hoje.
Ele levantou-se quando a morena deixou a sala gritando com Lola que serpenteava entre as suas pernas, pedindo por comida. Silenciosamente, ele se perguntava se Isabella estava em seu período, porque suas crises de raiva não eram comuns e normalmente, precisava de um pouco mais do que uma foto que não tinha nada a ver com ela, para acarretar seu mau-humor. Ele a seguiu até a cozinha onde ela estava murmurando coisas para si mesma e batendo as louças enquanto colocava ração no comedouro de Lola que, erguia-se nas patas traseiras, apoiada no armário para observar o que a dona fazia. Parecia imperturbável, é claro.
— Isabella...
— Agora não, Edward. — Ela o cortou rispidamente.
Como no mundo, o fato daquela mulher ter ficado famosa, era culpa dele?
Ela não podia estar chateada só por isso. Tinha que ter a ver com o beijo.
Um mal-entendido de dez anos atrás.
— Ouça, Bella, o que aconteceu naquela noite, não é o que você acredita.
— Então o que, Edward, eu estava alucinando por causa de algumas bebidas?
Com um suspiro frustrado, ela colocou o comedouro no chão, quase não tendo tempo de tirar a mão antes de Lola atacar e virou de frente para o ruivo, que estava encostado na pequena ilha da cozinha. Ele parecia cansado como o inferno e parte dela queria se desculpar pelo comportamento explosivo, mas a outra queria atirar alguma coisa nele. Mas dando-se por vencida, ela sacudiu os ombros, como se não se importasse e o deixou saber que estava ouvindo.
— Eu não sei o quanto você viu. Aparentemente, não a coisa toda, mas eu estava conversando com Heidi sobre os prós e contras de ela ir para a faculdade do Kansas, onde tinha sido aceita e um tempo depois Tanya chegou — Ela cruzou os braços embaixo do peito e esperou — Como as duas estavam brigadas, Heidi nos deixou sozinhos e foi quando Tanya começou a falar sobre você e dizer que lamentava o que os rapazes tinham feito. Principalmente, o fato de que você não confiava em mim.
— Como eu poderia? — Ela questionou, indignada com a estupidez da garota.
— Sim, foi o que eu disse para ela — Massageando a sua nuca, Edward se forçou a continuar — Tanya me contou que foi ela quem encontrou o meu celular quando pensei que havia sido roubado. Disse ter encontrado próximo a entrada dos vestiários e quando me reconheceu no papel de parede, entregou-o para Mike.
— Aquele filho da puta!
Isabella sentiu uma pontada de culpa por ter achado por um momento que Edward tinha mesmo compartilhado com os amigos, o vídeo deles fazendo amor. Ela se sentiu muito traída ao descobrir a aposta e embora soubesse que aquilo só tinha sido gravado porque ela pediu, ela um alivio tremendo saber que Mike tinha sido o único a tomar aquelas medidas para arruinar os dois. Ela gostaria de ter o pequeno bastardo aqui agora mesmo, para que pudesse soca-lo como tinha vontade.
— Em um minuto ela estava dizendo que sentia muito por nós e no outro, ela estava me beijando. Eu não vou mentir, Bella, eu fui pego de surpresa e não tirei ela de cima de mim rápido o suficiente, mas eu juro que fiz. Tanya nunca foi o bastante para mim antes de você aparecer e não seria depois que eu te perdi.
Ela piscou.
— Não?
— Não. Nenhuma. Nunca.
De repente, Isabella estava indo em sua direção, mas parecia que seus pés não se mexiam rápido o suficiente. Quando o encontrou, ela enlaçou o seu pescoço e numa sincronia perfeita, Edward a pegou pela cintura, deixando que suas pernas se enrolassem em seu quadril.
— Eu sinto muito. Por tudo. Sou tão estupida. Meus hormônios estão loucos...
Edward sorriu, revirando os olhos para a sua TPM. Era bom que ela sentisse, porque dessa vez, ele não tinha feito uma maldita coisa para incomoda-la. Ele fez o caminho na direção do corredor que os levaria para o quarto. Enquanto isso, a morena espalhava beijos pelo seu rosto e boca, sem parar por muito tempo em um só lugar. Seu corpo começou a reagir às unhas dela deslizando em sua nuca e logo ele estava gemendo e apertando-a com mais força contra si e ao chegar no quarto, ele não perdeu tempo. Empurrou a porta com o pé para fecha-la e os girou, para pressiona-la contra a madeira. O impacto a fez gemer, principalmente quando sua boca se chocou contra a dela em um beijo punitivo e urgente. As mãos dele não eram delicadas ao passarem por sua pele, mas seus movimentos ásperos estavam deixando-a tão acesa quanto uma fogueira.
Isabella descruzou as pernas e ele a permitiu descer. A diferença de altura entre os dois não o incomodava, na verdade, ele gostava de como ela ofegava quando sua ereção pressionava a sua barriga.
— Eu quero tirar a sua camisa — Ela disse, tentando puxar os botões, mas não conseguia — Não quer sair. Eu vou... ah. — Seu gemido a interrompeu quando as mãos de Edward agarraram a carne de sua bunda com firmeza.
— É sexy o quanto você está sensível, babe. Posso sentir suas pernas tremerem.
Seu rosto ficou avermelhado de vergonha. Ela desviou o olhar do dele e concentrou-se em puxar os pequenos e resistentes botões para fora de suas casas. Enquanto isso, Edward a observava com os olhos escurecidos de desejo. Suas pálpebras quase se fecharam quando os dedos dela roçaram delicadamente a sua pele ao afastar a camisa de seus ombros e empurra-la para o chão. Quando o olhar de Edward caiu em seu decote, ela se apressou para deslizar as alças do vestido para o lado e, fascinado, ele assistiu o tecido cair em sua cintura para exibir os seios tão suculentos como uma fruta madura. Eles pareciam tão pesados e incríveis que ele amaldiçoou antes de capturar um bico marrom em sua boca. Isabella soltou um gritinho com a umidade envolta do seu mamilo e os lábios dele, puxando e fazendo pressão, estavam deixando-a insana. A cada som que ela fazia, os dedos dele quase penetravam a sua carne de tão forte que lhe apertava.
Era rude, mas tão bom.
— Você quer aqui? — Ele toma uma respiração através dos dentes cerrados.
Ela olhou, por cima de seu ombro, para a cama arrumada e macia esperando por eles, mas honestamente, a ideia de tê-lo bem onde estavam eram muito mais tentadora. Como resposta, ela esfregou-se contra ereção de Edward, fazendo-o rosnar contra sua pele. Ele foi ágil e habilidoso em desabotoar a calça. Edward segurou na parte de trás de seu joelho e puxou uma perna para cima, mantendo-a ao lado da sua cintura. Ela teve a calcinha puxada para a esquerda e antes mesmo que pudesse tomar fôlego, ele segurou em sua base e o levou para dentro dela – preenchendo-a completamente.
Sua cabeça bateu na porta quando ela a jogou para trás e a risada morreu na garganta quando ela tomou a fome de Edward como sua própria.
— Eu te amo.
Edward parou imediatamente tudo o que fazia. Seu corpo se recusava a responder quando seu cérebro estava congelado com a emoção que aquelas três pequenas palavras sempre lhe traziam. Seu pau pulsou dentro dela e ele precisou fechar os olhos para pensar nas coisas mais absurdas para não gozar imediatamente, mas é claro que a sua parada brusca foi interpretada de maneira errônea por Isabella.
Agarrando os lados do seu rosto, ela prometeu.
— Você não tem que dizer nada. Eu sei. Eu entendo — Ela sorriu com doçura quando ele abriu a boca, mas as palavras não saíram como esperava — Apenas me mostre. Por favor, me mostre. Eu preciso tanto de você, Edward. Nós precisamos.
Ele cegou ao ouvi-la implorando.
Sequer discutiu sobre quem era nós e chocou sua boca com a ela. Isabella choramingou e agarrou o seu cabelo, passando as unhas no seu couro cabeludo como sabia que ele gostava – o relaxava na hora de dormir e o enlouquecia no sexo. Desesperado para fazê-la sentir e tirar aquilo para fora do seu peito, Edward invadiu seu corpo profundamente, guiado pelos gemidos e choramingos de Isabella, que estava à beira do orgasmo a cada novo impulso. Os beijos no pescoço e clavícula dela eram tão delicados que contrastavam com a brutalidade que seus quadris se chocavam. A morena lutava contra vontade de fechar os olhos, mas os dele a mantinham presa como um ímã. Enquanto ele arremetia e a encarava, sentia-se como se estivesse de peito aberto. Ao avesso. Vulnerável. Quase certo de que ela via tudo que ele esteve tentando manter sobre camadas e mais camadas de ressentimento, preocupação e auto respeito. Era isso que restaria quando Isabella se fosse, porque estava cheia de suas coisas? Não. Isso não estava acontecendo.
Então ele se soltou.
Dois toques em seu clitóris foi tudo o que precisou para enviá-la ao orgasmo. Um tão intenso que ela teria escorregado se não tivesse sua perna erguida e segurada. Com um beijo, Edward abafou seus choramingos enquanto metia, ciente do quanto ela estava sensível agora e pela maneira como ela começou a olha-lo, acariciando os seus cabelos e ignorando selvageria de seus corpos, lhe dizia que ela sabia. Isabella estava serena, contente com o que quer que estivesse vendo em Edward e quando repetiu seus sentimentos por ele, foi sua vez gozar, chamando o nome dela como um mantra.
Soltando sua perna, ele descansou a testa em seu ombro e ficou ali tendo suas costas acariciadas até que voltou a respirar normalmente. Quando o corpo feminino amoleceu em seus braços, Edward decidiu que já tinha passado da hora de ir para cama. Então, dando um passo para trás, ele a descolou com cuidado não para prejudicar as suas costas. Ela quase não se mantinha em pé, mas conseguiu cambalear até a cama sem precisar de muito auxílio. Isabella escalou as cobertas até alcançar os travesseiros. Ele assistiu com diversão como a morena enrolou-se em uma bola e suspirou de felicidade antes de apagar com um sorriso no rosto, ignorando completamente a sua presença. Em outra ocasião, o ruivo teria lhe acordado de propósito para deixa-la saber que ele ainda não havia acabado, mas sabia que sua namorada estava exausta e sendo tomada daquela maneira – gozando forte –, foi só o que precisou para esgota-la por completo.
Ele tinha certeza de que não a sentiria sequer se mexer na madrugada.
Tomando uma atitude contra a peça desabotoada e querendo escorregar em suas coxas, Edward chutou os sapatos para fora e os colocou – junto com as sandálias que escaparam dos pés de Isabella durante o sexo – próximo ao divã. Ele também apanhou a camisa, decidido a não enfurece-la nas primeiras horas da manhã por causa do seu desleixo, mas a jogou sobre a cômoda sem se preocupar em dobra-la. As calças seguiram o mesmo caminho que as meias e assim que se viu apenas de boxer, ele foi até o guarda-roupa e com um sorriso comedor de merda, agarrou uma das suas camisetas de malha que estavam dobradas e misturadas com as dela.
— Vamos, babe, alguma ajuda aqui, por favor? — Ele gemeu.
De volta à cama, Edward teve alguma dificuldade em puxa-la e mantê-la sentada para retirar o vestido. Seu corpo mole de sono a deixava mais pesada que o normal. Livrar-se da calcinha, porém, foi um sacrifício menor e que ele adoraria repetir. Uma vez de sua menina estava nua, ele foi capaz de deslizar a camiseta para cobri-la. Isabella não gostava de acordar nua, porque sentia frio nas primeiras horas da manhã. Revirando os olhos, ele guardou a roupa suja e amassada antes de escorregar entre os lençóis e embrulhar aos dois.
Com um suspiro agradável, ela rolou em sua direção e moldou seu corpo no dele, o fazendo sorrir da sua expressão em paz. Edward gostava de vê-la assim, demonstrando querê-lo não importa o que. As horas que relógio no criado mudo mostravam o fizeram querer rosnar de frustração. Ele tinha alguns compromissos antes das 10 e não poderia ficar na cama até tarde com ela, embora fosse o seu desejo. Edward não podia revelar em voz alta o quanto estava gostando de tê-la longe daquela agência. Apesar de saber que Isabella estava entediada e preocupada com suas contas, ele gostava de saber que era o único a quem ela recorreria quando deixasse o seu orgulho de lado. Prove-la, mesmo que por um curto período de tempo, o deixaria satisfeito, pois, atualmente, ter tanto dinheiro para não dividir ou usá-lo para a felicidade de mais alguém – principalmente da mulher que estava sob a sua pele –, já não parecia tão agradável quanto antes. Convencê-la disso... era uma história completamente diferente.
Ao fechar os olhos, ele se deixou voltar para minutos antes onde a tinha presa contra uma porta, empurrando dentro de seu calor apertado. Como se fizesse o mesmo, Isabella escolheu aquele momento para deslizar sua mão pelo abdômen dele, parando apenas ao alcançar o seu peito – na altura do coração. Seu órgão vital que pertencia completamente a ela. Isabella o tinha pego completamente desprevenido ao pedir para lhe mostrar o quanto gostava dela. Há muito tempo, Edward perdeu o jeito para essas coisas – de até mesmo gostar de alguém. Pelos últimos anos, ele não foi responsável por ninguém além dele mesmo e era um alivio ser descompromissado. Relacionamentos exigiam paciência, vontade e energia – coisas que ele não tinha a mais para desperdiçar com mulheres interesseiras e vazias. Sua relação com Isabella foi, a princípio, experimental. Embora seu desejo por ela parecia não ter fim, ele não sabia se aquilo os manteria juntos por algo além de algumas semanas, mas quanto mais os dias e meses passavam, menos ele se via propenso a deixa-la ir.
Ele não estava familiarizado com sentimentos românticos, mas não era preciso ser um gênio para perceber que ele estava caindo de amores por ela novamente e isso não o assustou tanto quanto imaginou que faria. Seus ciúmes excessivos era seu mecanismo de defesa. Embora ele tenha sido o único a mentir, Isabella foi aquela que o traiu e mesmo que acreditasse que ela não insistiria no erro, sentia essa necessidade violenta de afastar todas as tentações, tudo e qualquer coisa que pudesse ser uma ameaça a eles. Edward não queria ter seu coração quebrado novamente e tanto quanto admirava, ele invejava a maneira como ela simplesmente seguiu em frente sem julgar homem após homem pelos pecados dele. Mesmo tendo conhecidos moças com beleza e conteúdo, Edward não conseguiu fazer o mesmo e fugia delas como um garoto assustado. Agora, ele torcia para que Isabella percebesse que era preciosa e necessária em sua vida, mesmo que as palavras não saíssem com a felicidade que ambos gostariam. Ele só podia rezar para que ela sentisse que era adorada sobre todo o passado turbulento. Aquela mulher era a única e Edward não tinha planos de deixa-la, a menos que ela o traísse novamente, de alguma maneira.
Ele não passaria por isso novamente. Isso era certo.
— D-des... — Ele abriu os olhos para a escuridão quando ouviu a voz baixa de Isabella murmurar alguma coisa — Desculpe.
— Shh, babe, esqueça — Pediu, sussurrando de volta. Isabella se mexeu, apertando-se mais firmemente nele — Eu estou aqui.
— Edward...
— Eu estou aqui. — Ele jurou pela última vez e, em resposta, Isabella o enlaçou ao passar o braço firmemente por cima de sua barriga.
Certo de que não iria dormir em outra posição, ele sorriu e deixou-se levar.
*********
Os olhos de Edward pareciam colados na manhã seguinte.
Os ruídos o alertaram que algo não estava certo, mas o sono era demais. Apenas quando ele virou e jogou a mão sobre a cama, não encontrando o corpo macio que deveria estar ao lado, foi que ele despertou como se um balde com água tivesse sido jogado sobre ele. O ruivo, confuso, sentou-se no colchão e seus olhos foram para a janela. A luminosidade do sol era quase inexistente, mas o deixou saber que não era de madrugada como ele imaginava. Seus ouvidos captaram mais ruídos, seguidos de um gemido fraco e então, ele estava fora da cama em um segundo.
Tropeçando, ele conseguiu chegar ao banheiro, onde encontrou Isabella debruçada sobre o vaso sanitário.
— Babe? O que está sentindo?
Enjoada demais para notar sua presença, ela continuou vomitando sem se acanhar e os sons faziam o seu estômago enjoar – mas apenas por vê-la doente. Sem saber exatamente o que fazer, Edward se aproximou e tentou dar-lhe espaço enquanto agachava e tirava o cabelo dela da frente do rosto, segurando-o no alto da cabeça, como em um rabo de cavalo. Ele murmurou palavras de incentivo e a acariciou, rezando para que aquilo aliviasse o mal-estar.
Aos poucos Isabella foi se acalmando, até que caiu sentada no chão do banheiro e colocou a cabeça entre os joelhos, respirando com cuidado. Edward levantou-se e deu descarga. Em seguida, segurando em seus braços, ele a puxou para cima e a fez sentar sobre a tampa fechada. O canto da sua boca estava sujo, mas ele não ia alerta-la sobre isso, com medo da sua reação. Apenas reuniu um pouco de papel higiênico e estendeu para ela – que entendeu o recado.
— Obrigada — Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios quando ela olhou para cima — Sinto muito que tenha precisado ver isso. Ter a namorada vomitando suas tripas não é uma memória muito sexy, certo?
— Você realmente acha que sou esse tipo de cara? — Encostado no balcão, ele a olhou quase magoado — Eu não preciso ou quero que esteja impecável o tempo todo, Bella. Principalmente às 6 da manhã e estando doente.
Isabella limpou a garganta.
— Me desculpe. Eu só não gosto de ser pega... assim.
— Tudo bem, eu entendo — Ele não entendia — Agora venha aqui.
Edward virou de costas para alcançar sua escova de dentes vermelha. Antecipando suas necessidades, ele imaginou que ela fosse querer se sentir limpa depois daquilo, então aplicou creme dental e molhou antes de lhe oferecer. Com a torneira ainda aberta, ela apanhou um pouco de água e levou até a boca para bochechar antes de realmente começar a sua higiene. Observando-a, Edward, sutilmente balançou a cabeça para os lados. Ela ainda não estava bem. Sua aparência era muito diferente da mulher brilhando que o esperava em seu escritório na tarde de ontem.
— Sentindo náuseas novamente? Onde estão os remédios?
— Na nécessaire rouxa.
Ele riu de sua voz embolada por causa da boca cheia de espuma e abriu duas gavetas, até encontrar a pequena bolsa na última. Pesada, ela fez um som quando bateu contra o mármore e ele se perguntou quantas coisas uma mulher precisava carregar ali dentro. Revirando os olhos, ele se pôs a vasculha-la em busca de uma pílula para enjoo, quando sua mão tateou uma embalagem familiar.
Algo estalou em sua mente e ele praguejou.
— Ei, o que há de errado? — Ela perguntou depois cuspir — Edward?
— Eu sinto muito, Bella, merda... — Ele abaixou a cabeça e xingou novamente, batendo o punho contra a gaveta, fazendo-a fechar com um baque alto — Ontem à noite, eu esqueci. Eu juro que não fiz de propósito e não se o que deu em mim para isso, mas... — Ele engoliu com força — Nós não usamos camisinha.
Um segundo de silencio e ela solta:
— Oh.
— Oh? Só oh?
— Sim — Ela responde e desvia o olhar do dele. Parecia que a hora de abrir o jogo tinha chegado mais rápido do que ela previa — Nós estamos bem, Edward.
— Bem? — Edward perguntou como se ela estivesse louca. Ela não deveria estar questionando se ele já tinha feito isso antes? Pedindo o número de mulheres com quem ele fodeu antes de vir para Seattle? — Você pode até achar que a sorte está a seu favor, Bella, mas isso é sério. Muitas engravidam apenas...
— Olha, você não precisa mais se preocupar com isso. — Ela o corta.
Juntando as sobrancelhas e apoiando-se no balcão com a mão direita, ele firma a outra em seu quadril.
— E por que diabos não?
Suspirando, Isabella se afasta dois passos para abrir uma gaveta do outro lado, onde ficam as toalhas de rosto limpas. Ela retira o bastão escondido entre as duas primeiras e entende na direção dele.
— Porque eu já estou grávida.
Embora tensa, foi quase com diversão que Isabella assistiu os olhos do namorado se arregalarem enquanto ele encarava o teste em sua mão, como se ela estivesse empurrando um sabre de luz vermelho em sua direção.
Os dedos dele estavam trêmulos quando finalmente tomou a pequena vareta e estudou-a de perto. Isabella começou a remexer os seus pés sobre o tapete, nervosa sobre sua reação. Edward parecia tão culpado com a ideia de ter sido irresponsável com ela, o que só provava sua teoria de que uma criança não era bem-vinda nesse ponto da relação.
— Bella?
A morena endureceu na hora com a maneira ríspida com que foi chamada e respirou fundo, se preparando para ter a briga da sua vida, mas quando levantou a cabeça... o que ela viu expulsou o ar dos seus pulmões de uma só vez.
Edward respirando pela boca com alguma dificuldade e as joias verdes e brilhantes, estavam envoltas de lágrimas, mas sua expressão de pedra a deixava confusa. Ele estava pensando que apenas tinha acabado de arruinar a sua vida?
— Você — Ele pigarreia — Você tem certeza?
— Sim — Sua voz é tão baixa, que é preciso repetir para ter certeza de que ele tinha entendido — Sim, eu tenho. Não era como planejava te contar, mas estava nos exames que fiz com o Dr. Conrad e esse teste confirma que não soubemos interpretar os sintomas. Todo esse tempo era...
— Um bebê. — Ele termina, olhando para o bastão novamente.
Assustada, Isabella observa quando uma lágrima desliza pelo canto do olho dele e então outra e mais uma. Mesmo com o coração partido com a rejeição, ela se apressa em tentar fazer as coisas melhores.
— Por favor, não fique com raiva de mim — Ela pede, timidamente, enquanto abraça a si mesma — Eu sei que não estávamos prontos, que o nosso relacionamento é recente e que isso era a última coisa que você queria, mas...
— Ficar com raiva de você? — Edward interrompe após piscar algumas vezes. Realização cai sobre ele e ele a olha como se uma segunda cabeça estivesse crescendo em seu pescoço — Jesus, como eu poderia estar com raiva?
— Espere. O que isso significa?
A frase mal sai da sua boca e a próxima coisa que ela sabe, é que está presa a ele. Edward a abraça forte o suficiente para que ela quase sinta seu coração batendo rápido e se ela não estivesse surpresa pra caramba, estaria muito emocionada.
— Como eu poderia ficar chateado quando você está me dando a chance que eu perdi há tanto tempo, amor? — Ele murmura, sua voz saindo abafada por causa do rosto escondido em seus cabelos soltos. Naquele instante, ela não sabia o que aquilo significava, mas estava aliviada que Edward não soltaria fogo pelas orelhas por causa da gravidez — Porra, eu ainda não consigo envolver a minha cabeça em torno disso — Ele se afasta e mostra uma expressão confusa — Vamos ser pais. Você e eu... criamos uma vida. Juntos.
— Sim — Ela sorri, um pouco intimidada com a maneira como seus olhos ficam fora de foco e ele bagunça o cabelo de uma maneira louca. De repente, Edward a encara e desce o olhar pelo seu corpo até focar em seu estômago. O sorriso que ele abre é estonteante e novamente, em um piscar de olhos, ela se vê em seus braços. Com um gritinho, ela enlaça sua cintura e vê o banheiro ficar para trás — Ei, o que você está fazendo? Edward, eu posso andar! — Ela ri, pois, é a segunda vez em que se contra pendurada nele como uma criança.
De volta à cama, Isabella não tem tempo de se ajeitar antes dele puxar a camiseta para cima, revelando sua nudez. Ela grita novamente e tenta se cobrir, mas Edward não permite e segura seus pulsos longe do seu corpo. Só quando percebe que os olhos do ruivo estão cravados em sua barriga – e apenas lá –, ela cede e relaxa sob seu exame. Quando ele percebe que é seguro solta-la, usa a mão direta para tocar a protuberância que havia ignorado durante todo esse tempo. Mais lágrimas molham seu rosto é completamente convencido de que seu filho – a coisa mais pura e livre de defeitos que ele poderia ter feito – estava crescendo dentro dela. Isabella também chora quando ele abraça a sua cintura e encosta a orelha na barriga dela. Embora tenha certeza que não há muito o que ouvir, o gesto é tocante e terno.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Desculpe — Ele perde, momentos depois. Suas bochechas em um tom mais escuro demonstram o seu constrangimento e Isabella ri, porque nunca tinha visto nada mais bonito quanto Edward tão envolvido com sua barriga, que parecia ignorar que ela também estava no quarto — Isso é apenas muito surreal.
— Nem me fale! Um bebê não estava nos meus planos. — Isabella diz ao entrelaçar os dedos nos dele, pousados em cima do seu estômago pontudo.
— Nos meus também não. Eu não sei como aconteceu, mas eu deveria ter suspeitado de alguma coisa — Ele junta as sobrancelhas e sorri — Tenho notado que o seu corpo... ele... hum.
— Você está tentando encontrar palavras para não me chamar de gorda, Cullen?
Edward não aguenta seu olhar enfezado. Ele joga a cabeça para trás e gargalha.
O som é tão lindo e contagiante, que Isabella não resiste e se junta às risadas. Naquele momento, ela não se importaria que ele a chamasse de jamanta, desde que ele mantivesse aquela descontração – longe do que ela esperava receber quando lhe desse a notícia. Edward não parecia inclinado a rugir e atirar coisas.
Tombando a cabeça para o lado, ela o observa.
— Você parece, bem, parece feliz.
Edward abre um sorriso cheio de dentes em resposta e envolve sua nuca com a mão, antes de puxa-la para um beijo simples, mas demorado e persistente.
— Feliz? Eu estou fodidamente vibrando aqui — Novamente, como se não pudesse se conter por muito tempo, Edward acaricia sua barriga e circula o umbigo com delicadeza — Não há palavras, Bella. Eu adoro isso. Eu adoro vocês.
E foi assim que ela se perdeu. Não havia uma alternativa. Ela precisa tê-lo.
Puxando-o pelo braço, Isabella o fez subir sobre ela e o peso do seu corpo foi muito bem-vindo. A conexão entre os dois permitiu que Edward desse a ela, exatamente o que precisava sem que tivesse que pedir. Os dois se livraram das únicas peças em seus corpos e pela segunda vez em algumas horas, fizeram amor. Edward foi lento, mas vigoroso. Com os lábios, ele acariciou cada pedaço dela que podia alcançar. O coração de Isabella inchava a cada novo agradecimento gemido, tornando muito para lidar, mas com sua fé renovada, ela o amou com tudo de si. A manhã corria lá fora e eles se perdiam em beijos, caricias e promessas.
Os namorados tinham lágrimas nos olhos enquanto caminhavam para encontrar o prazer, juntos. Ambos exultantes que, finalmente, estavam ligados para a toda a vida.
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