Erros de Sempre
13 Capítulo 12
Notas iniciais
O cheiro de queimado estava impregnado na cozinha.
Daisy correu para as janelas e as abriu, torcendo para que o ar fresco expulsasse o cheiro ruim para fora. Ela estava sacudindo um pano de prato ao redor, como se espantasse moscas e as outras duas mulheres, sentadas na sala do outro lado do corredor, riram ao assisti-la. A morena cheia de curvas generosas era verdadeiramente desajeitada em quase todas as áreas da sua vida, por isso, deveria ter ficado quieta ao invés de se oferecer para fazer um lanche para as convidadas de sua prima, Angela.
— Você precisa de alguma ajuda?
Ela virou, sem graça por ter companhia e sorriu amavelmente para Elena.
— Oh, não, obrigada. Tenho tudo sob controle aqui — A jovem respondeu prontamente, indo até o balcão e pegando a forma onde a massa esperava — Eu vou colocar o brownie no forno novamente. Você pode, por favor, me lembrar sobre eles?
Os lábios de Elena tremeram para rir, mas ela deu de ombros e assentiu, vendo a moça se inclinar para verificar e então, mudar a temperatura. Daisy tinha usado um dos cadernos de receita de Angela para preparar algo para todas comerem, mas 30 minutos depois, sua mente estava longe dali e quando percebeu, era tarde demais para salva-los. Esta seria a sua segunda tentativa e dessa vez, Elena ajudaria a mantê-la concentrada, porque sua barriga estava simplesmente uivando de fome.
Quando as duas voltaram para a sala, Isabella estava enfiando o celular de volta à bolsa. Ela tinha o cenho franzido, parecendo preocupada, mas quando avistou as meninas, sorriu como se nada tivesse a incomodando e desviou o olhar em direção ao quarto fechado de Angela.
— O que está acontecendo? O que eu posso fazer? — Daisy perguntou, torcendo as mãos em nervosismo enquanto esperava a sua prima surgir pela porta.
— Acalme-se. Ela ficará bem — Isabella prometeu, usando um sorriso que tranquilizou a moça gentil — Ela, no entanto, ficará surpresa quando vir que você cozinhou para nós.
— Eu gosto de me manter ocupada.
— Excelente, porque você tem duas garotas famintas aqui para alimentar — Elena afirmou, acariciando o estômago plano para salientar — Há quantas horas nós estamos aqui mesmo?
— Duas, talvez três. — Isabella respondeu, seguido de um bocejo.
As mulheres foram chamadas no início da manhã, para se encontrarem na casa de Angela, que não ficava muito longe da sua confeitaria. Isabella tinha estado lá há menos de uma semana e por isso, não entendeu o convite, mas vendo que não usaria o seu dia de folga com nada mais urgente, confirmou a sua presença. Entretanto, foi Daisy a única que abriu a porta.
Elena já tinha chegado e a cumprimentou com um forte e longo abraço.
Elas estudaram na Seattle University no mesmo período e, mesmo tendo aulas e cursos diferentes, as duas se tornaram boas amigas até a formatura. Depois de conseguirem seus diplomas e estarem oficialmente no mercado de trabalho, ambas seguiram caminhos muito diferentes e passaram a se encontrar cada vez menos, ano após ano. Mas isso não significava que elas não se importavam uma com a outra, muito pelo contrário, dentro do possível, elas buscavam entrar em contato e sempre que se viam, era como se o tempo não tivesse passado.
A mesma intimidade estava lá.
Ambas eram ligadas à Angela por suas próprias razões, por isso ao chegarem em sua casa para não encontrá-la lá, as deixou em alerta. O que diabos estava acontecendo?
— Angie disse que estaria aqui.
— Ela estará, dentro de algumas horas. Sente-se com a gente. — Elena convidou, parecendo confortável com o arranjo, mas Isabella não se sentia da mesma forma.
Antes que pudesse perguntar alguma coisa, Daisy se adiantou.
— Ela está em um encontro com Benjamin — Vendo que Isabella estava vermelha e parecendo furiosa, apressou-se em corrigir o seu erro — Ok, escolha ruim de palavras! Eles estão em uma reunião ou algo assim. Ele a levou para almoçar.
— Por que no mundo o imbecil faria isso?
— Porque ela vai contar sobre o bebê. — Elena respondeu, mostrando pela primeira vez, algum sinal de apreensão.
— Porra.
A morena sabia que esse dia chegaria mais cedo ou mais tarde, apenas esperava que Angela a deixaria saber com antecedência ou pediria alguma assistência. Pensando bem, o fato de ter chamado suas amigas mais próximas para recepciona-la na volta do almoço com o ex namorado, parecia muito com um pedido de apoio.
Bem, ela o teria.
Isabella lembra com perfeição de quando recebeu a notícia.
Era uma segunda-feira à noite, no final de agosto e ela estava retirando seu shampoo da bolsa que tinha preparado. Por mais uma vez, Edward conseguiu convencê-la a passar a noite em seu apartamento durante a semana, mesmo que sua casa também ficasse próxima o suficiente do trabalho de ambos. Ele estava no banho, esperando por ela, quando seu celular tocou pela segunda vez.
Curiosa sobre a insistência, ela atendeu.
Angela e sua voz rouca lhe apavoraram por completo, pois sabia que ela estava chorando por alguma razão, mas antes que entrasse em pânico, Stella assumiu.
Pedindo desculpas por interromper sua noite, a mulher afirmou que tudo estava bem, mas que elas tinham sido pegas de surpresa com os resultados dos últimos exames da confeiteira e Isabella, preocupada, mal desligou o telefone e já estava colocando sua roupa de volta, rumo à residência de sua amiga. Lá, ela a encontrou mais calma sob o efeito de um chá de erva cidreira, mas quando Angie começou a chorar novamente, anunciando a sua gravidez, ela ficou em choque.
— Como isso aconteceu? — Ela perguntou e mesmo chateada, Angela parou por um momento para enviar-lhe um olhar sujo — Não foi isso que eu perguntei!
— Eu não sei.
— Você sabe — Stella acusou, erguendo uma sobrancelha e fazendo sua sócia corar, ao esconder o rosto dentro da xícara — Ela se descuidou com o Benjamin.
— Nós estávamos bêbados. Em maio, houve essa festa de família na qual brigamos e ele deu uma de suas crises de ciúme por causa do irmão mais novo. Ele simplesmente saltou sobre mim quando chegamos aqui — Ela contou, seu olhar distante encarava a poltrona enquanto ela voltava — Eu realmente não lembro de termos usado proteção. A verdade é que, eu nem queria ficar com ele, mas... achei que era a saída mais fácil. Estava farta de discutir.
— E então?
— Quando acordei da manhã seguinte e o vi esparramado na minha cama, simplesmente soube que não era mais isso que eu queria para mim — Ela bufou, torcendo os lábios — As discussões, o ciúme, dores de cabeça... depois que tomamos café da manhã, eu lhe disse que estava acabado.
— Eles não se falaram desde então e ela começou a se sentir estranha depois que ela foi com vocês para o Sam’s Tavern — Stella voltou a explicar, claramente muito ciente de tudo que estava acontecendo com Angela nos últimos tempos — Achamos que se tratava de uma ressaca pesada, tendo em vista tudo que ela bebeu, mas quando o mal-estar continuou por mais uns dias, agendamos alguns exames e hoje pela manhã, voltamos ao médico. Ele nos explicou o que estava acontecendo.
— Você está gravida?
— Sim.
— Puta merda... — Isabella balançou a cabeça para os lados e depois abriu um largo sorriso para a amiga que lhe observava — Incrível, parabéns!
Ela voltou de suas memórias quando ouviu o som de passos e Angie se aproximou, um pouco cabisbaixa. Ela sentou-se ao lado de Daisy e contou que o negócio estava ok e Stella tinha tudo caminhando muito bem. A mulher tinha assumido as coisas sozinha hoje, para que ela pudesse resolver suas questões e então, descansar.
— Qual foi a reação dela? — Isabella perguntou.
— Aposto que ela quer enfiar a cara do bastardo no vaso e dar descarga — Elena soltou seu palpite, fazendo Daisy rir e timidamente, concordar. Stella podia ser muito protetora com quem ela gostava — Eu totalmente o faria, se pudesse.
— Foi algo como isso — Angela abriu um pequeno sorriso e depois suspirou — Mas ela também não entende como ele pode não querer ter nada a ver com o bebê.
A única emoção que Benjamin demonstrou durante o almoço, foi surpresa. Ele estava pasmo consigo mesmo por ter transado sem preservativo e questionou a razão por ela ter esperado tanto tempo para entrar em contato, mas tendo em vista que ele já não tinha interesse algum em atender as suas chamadas, era meio compreensível.
Friamente, ele afirmou não ter intenção de participar de qualquer coisa que envolva a criança. Ele disse que não desejava uma nuvem negra pairando sobre o seu novo relacionamento, pois estava no início e a mulher não aceitaria que ele surgisse como pai do filho de outra. Então, estava mais do que disposto a pagar-lhe algum dinheiro mensal para que o bebê tivesse o que precisasse, desde que sua identicamente fosse mantida em sigilo.
Se Isabella não estivesse horrorizada com a sua atitude, ela estaria puta e caçando-o pelas ruas de Seattle agora mesmo. Que tipo de homem lidava com uma gravidez, como se estivesse negociando entorpecentes? Ele não queria o seu nome envolvido com o próprio filho. Mas que porra? Benjamin era um tremendo filho da puta!
— Você não deveria ter contato porcaria nenhuma. — Elena resmungou.
— Eu não podia esconder por mais tempo. Edward me alertou sobre isso — Angela olhou para Isabella antes de continuar — Ele disse que eu poderia ser denunciada por Benjamin, se ele descobrisse a existência do filho depois ou eu deixasse que a criança fosse registrada com o sobrenome de outro homem. Eu precisaria do consentimento dele, que é o pai biológico, para tal coisa.
Quando sua amiga mostrou interesse em manter a gravidez em segredo, Isabella questionou Edward sobre a sua atitude e como advogado, ele aconselhou a não continuar com isso. Ainda para mantê-la ciente das consequências, ele contou para as duas, sobre este caso onde um homem de Tucson, que processou a ex mulher por esconder a paternidade da filha durante 8 anos e conseguiu lhe arrancar 40 mil dólares por danos morais. Isso assustou Angela o suficiente e a fez pensar sobre as consequências de ficar em silêncio.
— Sim, bem, mas agora sabemos que você não tinha o que temer. O Benjamin não faria tal coisa, porque ele não quer nada com este bebê. — Elena insistiu, cruzando os braços abaixo dos peitos naturalmente fartos.
— Ele não quer nada hoje, mas e daqui há 5 ou 10 anos? — Daisy perguntou, parecendo estar falando consigo mesma, mas quando percebeu que todos os três pares de olhos estavam sobre ela, deu de ombros ao ficar rosada e continuou — Angie sabe o quanto ele pode ser possessivo. Não sabemos como o Benjamin estará em algum tempo e o que seria capaz de fazer para se vingar dela.
— Claro, isso faz todo o sentido — Angela concordou e depois de tomar uma longa respiração, voltou-se para Elena que ainda tinha uma expressão contrariada — E além do mais, se eu não tivesse tido essa conversa com ele hoje, não teria conseguido que ele concordasse em abrir mão dos seus direitos como pai.
— Você conseguiu? — Isabella perguntou, seu bom humor voltando e fazendo a amiga sorrir, animada por estar prestes a ficar livre do homem de uma vez por todas.
— Ele disse que eu podia cuidar da papelada e enviar-lhe assim que estiver tudo pronto. Felizmente, o idiota parece tão ansioso para acabar com isso quanto eu.
— Você acha que o seu Edward pode encontrar alguém para ajudar a Angie? — Daisy perguntou, fazendo o sorriso da outra morena se alargar. A moça não tinha ideia do quanto a fazia bem, ouvir alguém chamando-o de seu.
O que ele vem sendo há três meses.
— Claro. O escritório de advocacia do Edward é muito procurado. Tenho certeza que ele irá encontrar alguém para você, que será muito útil, Angela.
— Obrigada, Bella, você tem sido inc-
O grito de Daisy interrompeu a sua frase.
Ela olhou para trás a tempo de ver a prima correndo para a cozinha, quase escorregando quando as meias em seus pés deslizaram na madeira. Angela virou para as outras com um olhar confuso e elas estavam tentando não rir, quando responderam juntas:
— O brownie.
Por mais duas horas, Isabella ficou com as meninas, se empanturrando com os doces que Angela estava enjoando de ter por perto, por causa da gravidez. Stella teria algum trabalho em mantê-la na confeitaria, sem sombra de dúvidas. Elena, depois de se dar por satisfeita com a comida, passou a brincar com a barriga – perfeitamente arredondada – da amiga, agora com seus 5 meses completos. Tendo passado boa parte da vida cuidando dos irmãos mais novos, ela não tinha quaisquer planos de se tornar mãe tão cedo, mas Isabella sabia que estava nos seus planos. Ela compareceu, junto com seu namorado na época, a festa de noivado de Elena e Tyler – seu velho amigo do colegial – e assistiu com prazer, o quanto os dois estavam apaixonados e felizes juntos.
Ao contrario dela e do sujeito que veio a lhe trair algum tempo depois.
— Maldição, as suas pernas são incríveis.
O elogio repentino de Elena a fez rir.
— Obrigada. Eu passei anos tentando mantê-las assim. — E terei que começar a agir, se não quiser tê-las balançando com qualquer movimento meu, pensou, amargurada. Há um bom tempo, ela não tem se exercitado em qualquer lugar fora da cama porque Edward conseguiu convence-la de que a manteria em forma do seu próprio jeito, que claramente não estava funcionando, pois ela estava engordando.
— Então, valeu totalmente a pena. Se eu tivesse um par desses, nos dias em que o céu não estivesse desabando sobre nós como de costume, eu estaria vestindo as coisas mais indecentes. — A loira comentou, maliciosa, e as duas riram.
Ela estava usando um short que expunha boa parte de suas coxas e uma camiseta branca, meio larga de mangas compridas que estavam dobradas até acima dos cotovelos. Esta era uma das manias que tinha pegado de Edward. Ele fazia isso o tempo inteiro com as camisas que permitiam que suas mangas fossem arregaçadas e deixava à vista de todos, seus antebraços bonitos, grossos e sem nenhum pelo.
— Então, o que você vai fazer agora? — Elena perguntou, mexendo no radio como se fosse a dona, o que fez a morena revirar os olhos, mas logo ela estava batucando os dedos no volante, ao som da música animada — Eu te chamaria para tomar alguma coisa, se não tivesse que voltar correndo para casa.
— Algo errado?
— Eu preciso começar o jantar. Você sabe, desde que a mãe do Tyler está vivendo conosco, nossa rotina tem mudado um pouco.
— Posso imaginar, mas ela ainda tem um lugar em Forks, certo?
— Sim, tem, mas desde que o seu marido morreu, ela tem passado algum tempo na casa de todos os três filhos e esta é a nossa vez. Ela é muito agradável de se ter por perto, quando não está paranoica sobre arrancar alguns netos de nós antes de morrer, como o Sr. Crowley.
— Nem me fale sobre isso. Renée é igualzinha! — Isabella rolou os olhos outra vez, lembrando da pressão que sua mãe tem colocado em suas costas aos longos dos anos sobre casar e montar sua própria família — Eu consigo entender que ela tem essa pequena necessidade de me compensar por ter sido uma mãe ausente, mas os filhos e o marido virão na hora certa. Eu tenho muito o que lidar no momento.
— Sim, como Angela — Elena concordou, lhe enviando um olhar que a fez encolher os ombros — Você não deve correr sempre que ela te chamar, sabia? Todas nós sabemos que podemos contar com você a qualquer momento, mas nesse agora, precisa deixar que ela caminhe com as próprias pernas. Já basta a Stella andando por aí como se fosse o macho alfa, fazendo o que lhe dá vontade.
Isabella corou com a comparação e pisou com mais força no acelerador, decidida a ultrapassar o sinal amarelo, pois não queria passar algum tempo parada para enfrentar as suposições de Elena.
— Claro, você está certa. Eu estarei dando-as um pouco de espaço agora.
— Ótimo — Elena assentiu e indicou a esquerda, com a mão, mostrando a amiga para que direção seguir. Para que a mulher não precisasse pegar o transporte público, ela se ofereceu para deixa-la onde Tyler estava com a mãe. Era caminho de casa e não é como se ela estivesse realmente com pressa — Você nunca me respondeu.
— Oh, sim! Isso seria realmente ótimo. De verdade, Deus sabe que eu preciso de espairecer, mas tenho algum trabalho para fazer, me esperando. — Ela lamentou.
— Eu pensei que era o seu dia de folga?
— E é.
— Então por que diabos não fazendo algo divertido? Isabella, se olhe no espelho! Eu não sei se o seu homem tem a ver com isso, se ele está fazendo algo de muito bom ou se mais um ano a fez bem, mas você está fodidamente brilhando — Elena agitava as mãos enquanto falava, parecendo impaciente e sua amiga apenas ria, sem realmente ver o que ela estava enxergando — Coloque um vestido e saia para beber, flerte com alguns caras bonitos, deixe-os na mão só porque é engraçado e dance muito. Inferno, eu estaria fazendo exatamente isso, se pudesse.
Isabella não sabia porque ela não poderia.
Elena estava tão bonita quanto no tempo em que estudavam, exceto que seu corpo havia sofrido algumas mudanças significativas. O que era uma coisa realmente boa, pois a magreza combinava com ela. A mulher de olhos azuis era alta, possuía uma excelente comissão de frente e seu cabelo loiro com mechas escuras e claras se misturando, estavam sempre em ondas bem marcadas. Os fios grossos sempre deixavam os cachos cheios e a mantinha com uma aparência semelhante à Taylor Swift em seus tempos de música country, só que bem mais atraente.
— Eu vou manter isso em mente — Ela prometeu com um sorriso, pois estaria mentindo para si mesma se não dissesse que suas palavras a deixaram com vontade. Ela queria aproveitar o resto do dia — Por aqui, certo?
— Sim. E antes que eu me esqueça, por favor, me perdoe por deixa-lo enviar aquela escultura ridícula — Elena pediu, logo quando pararam na frente da loja — Ele insistiu que deveria escolher dessa vez, já que vocês são amigos há mais tempo e no ano passado, eu não pedi a sua opinião antes de comprar algo.
— Está tudo bem, eu achei fofo. — Ela mentiu, mas seu rosto corado não enganou a moça, que bufou uma risada incrédula.
Há alguns dias, os noivos haviam lhe presenteado com uma estátua cinza de um filhote de gato dormindo, com asas de anjo em suas costas, que podia facilmente ter sido pego em algum cemitério. A coisa realmente estranha e não fez muito sucesso com Lola também, então na manhã seguinte, ela encaixotou junto com outros pertences que não tinham qualquer utilidade.
— Você não quer entrar? Eles devem estar escolhendo alguns lençóis para o quarto dela ou algo assim. Tenho certeza que Tyler gostaria de te ver. — Elena ofereceu.
— Não, está tudo bem. Eu falarei com vocês em breve.
As mulheres não demoraram em suas despedidas.
Isabella acelerou por entre as ruas e abaixou o vidro de sua janela.
A vista não podia ser mais incrível.
Em dias com sol, a sua Seattle não ficava devendo no quesito beleza para qualquer outro lugar na América. E estando no meio de outubro, ela estava mais do que deliciada com as mudanças que o outono começou a causar na cidade. O verde, agora estava tingido em vários tons de amarelo, laranja e vermelho. Uma abundância de folhas caia o tempo inteiro, enfeitando as calçadas.
Parando no semáforo, ela retirou o celular da bolsa e cutucou a tela algumas vezes antes de certeza que não havia nada novo lhe esperando. Frustrada, ela o jogou no banco que antes estava ocupado e retornou a sua atenção para o caminho de volta. A brisa suave e fria, acalmou os seus anseios a medida em que ela avançava, ansiosa para chegar em casa e quando ela a avistou, estacionou no lugar de sempre.
— Oi, querida.
Ela foi recepcionada por Lola, ziguezagueando entre as suas panturrilhas enquanto ela caminhava até o quarto. A gata, ainda reclamando, subiu na cama antes da dona e sentou-se, estudando as ações da morena. Ela retirou a roupa e a substituiu por uma camiseta folgada e nada sexy. Hoje ela não tinha motivos para ficar assim.
— Sim, eu também queria que ele estivesse aqui. — Isabella respondeu ao choramingo de Lola, que lhe dava empurrões com a cabeça, como se pedisse que a dona fosse buscar o que ela sentia falta. Edward.
Pela primeira vez desde que voltou, Edward estava longe.
O advogado, nos últimos anos, trabalhou para mais pessoas do que podia contar e este cliente em especial, estava precisando dos seus serviços em San Francisco. Uma vez que o homem tinha sido um dos poucos que lhe estendeu a mão quando ele não era nada mais do que um recém-formado, Edward não hesitou em ir ao seu encontro, mesmo que tivesse que deixar a sua menina por algum tempo. Ele voou na última quinta-feira à noite e deve retornar amanhã antes das 10h. Uma maldita semana que tem sido verdadeiramente agonizante para Isabella.
Ontem, no telefone, ele mostrou a sua insatisfação por estar em outro estado quando a morena teria o dia seguinte completamente livre. Sua última folga, foi ocupada com atividades ao ar livre e caminhadas no Discovery Park no final da tarde. Edward tinha sido gentil, brincalhão e espontâneo o tempo inteiro. Nem mesmo o, agora comum, cansaço de Isabella, estragou algum momento do passeio.
Eles riram, conversaram e ela quase lhe deu um ataque cardíaco ao se esconder em uma das trilhas com as grandes arvores para protegê-la, e saltou sobre as suas costas, quando viu que o homem estava começando a ficar nervoso. Ela beijou o seu beicinho enfezado até que fizeram as pazes, brincando na beira da água e só deixaram o local para obter comida, quando assistiram bonito pôr do sol.
Isabella mal podia acreditar em quão rápido os últimos meses se passaram. O fato de estar tão terrivelmente magoada com a ausência de Edward, comprovava que seu apego pelo ruivo tinha atingido o limite. Ela precisava dele.
Segurando a vontade de chorar, ela sentou na borda da banheira e a abriu sua caixa de mensagens. Ainda não havia algo novo e cansada de esperar, ela o chamou.
Para: Edward Cullen +(630-723-5017)
Hora: 19:41 p.m.
“Eu sinto a sua falta. Onde você está?”
Isabella não sabia se estava tendo algum pressentimento ruim, mas não podia encontrar explicação para a sua carência repentina. Ela deveria ter ouvido Elena. Se oferecido para se juntar a eles ou algo assim, mas não queria terminar a noite... sozinha.
Outra vez.
Sem ele.
*********
O seu banho durou uma eternidade. Com os fones presos aos ouvidos, ela sequer percebeu a presença de Lola no banheiro que – cansada de falar com as paredes – deitou-se na ridícula capa amarela de sanitário. Quando a terceira música do mais recente álbum do The Fray acabou e seus dedos estavam visivelmente enrugados, ela decidiu que hora de sair e de pé, ficou parada por alguns segundos, esperando que a água escorresse pelo corpo molhado. Alcançando uma toalha, ela enrolou o seu corpo e foi até o quarto, onde abriu terceira gaveta e ficou encarando os seus pijamas dobrados com perfeição.
Entre os shorts e as camisolas, estavam a calça de moletom cinza que Edward usava constantemente quando vinha passar a noite. Como uma das tolas mulheres que ela viu nas cenas de filmes, agachou e pegou a peça nas mãos, trazendo para o rosto e inalando o cheiro de limpeza com o próprio perfume natural do seu namorado. Ela gostaria tanto que ele não precisasse ter feito essa viagem. Quantos mais clientes especiais ele tinha? Quantas vezes isso aconteceria? Se ela continuasse a ser tão sentimental sobre a sua ausência, na próxima vez, daria um jeito de ir junto para que eles não precisassem ficar tanto tempo longe de novo.
Seu celular tocou, no momento em que ela tinha acabado de enfiar suas pernas na calcinha de algodão azul, e isso a fez correr toda atrapalhada para a cama, mas quando alcançou o aparelho... era a foto de Jasper que estava mostrando. Começando a ficar irritada com a demora, ela pressionou a opção em vermelho para ignorar a ligação e correu os olhos sobre seus contatos até achar quem estava procurando. Em seguida, ela colocou o celular no ouvido, esperando que sua voz cansada de mais um dia de trabalho a recepcionasse para que pudesse conforta-lo.
O que aconteceu, porém, não estava nos seus planos.
— Alô?
Uma mulher atendeu, soando curiosa.
— Hmm, sinto muito. Eu acho que liguei errado.
— Pois muito bem, por que você não me diz com quem quer falar e deixa que eu decido isso? — Ela respondeu, agora parecendo impaciente.
Isabella tinha certeza que algo ali não estava certo. Ela não tinha como discar errado, pois o contato estava gravado em sua agenda há dias e já tinha sido usado outras vezes. Teria sido uma linha cruzada ou algo assim?
— Com Edward? — A morena não sabia porque a resposta tinha saído como uma pergunta, mas incerta sobre que terreno estava pisando, ela desejava mais do que tudo que a mulher confirmasse que sim, ela havia cometido um engano.
— Oh, ele está acabou de ir para a cozinha. Eu esqueci a minha bolsa lá, mas ele já deve estar de volta — Ela informou, fazendo o coração de Isabella diminuir a cada nova palavra. Quem era ela? — Posso ter seu nome ou algo assim?
Eu gostaria de ter o seu nome.
— Não, obrigada. Eu ligo em outro momento.
Sem esperar mais, ela desligou e pressionou o peito para acalmar o rebuliço que estava acontecendo ali dentro desde que ouviu a voz feminina. Dando voltas pelo quarto, ela se pôs a pensar no que diabos isso poderia significar.
Quando Edward lhe falou que ainda estava mantendo a casa na Califórnia, ela ficou tensa, mas não deixou transparecer, afinal de contas, muitas pessoas possuíam mais de um imóvel. Quando ele começou a compartilhar as coisas e momentos que viveu ao longo da década em que permaneceu em San Francisco, ela percebeu que o lugar havia se tornado especial e que ele não queria se desfazer do que foi seu lar por tantos anos.
Podia julga-lo? A cidade era incrível.
Inferno, até ela moraria lá, se pudesse!
A morena foi compreensiva sobre demorar algum tempo para ele admitir que pertencia a Seattle e a ela.
Mas agora, havia essa pequena pulga atrás de sua orelha, sussurrando duvidas e incomodando. Seria mesmo esta a razão para Edward querer continuar sendo o proprietário daquele lugar ou ele ainda estava inseguro sobre o relacionamento dos dois? Ela achava impossível que a essa altura do campeonato, o ruivo fosse simplesmente fazer as malas e ir embora, quando algo o incomodasse. Mas por que no mundo outra mulher estava atendendo o telefone residencial?
Parando em frente ao espelho, sentiu o celular vibrar em sua mão fechada.
Era uma nova chamada de Jasper. Essa, ela atendeu.
— Ei, você ainda tem as entradas para a Q Nightclub?
Ela perguntou antes mesmo de o rapaz falar qualquer coisa.
— Bem, olá — Jasper riu, e então, limpou a garganta para continuar — Sim, tenho.
— Ótimo. Você tem uma hora para ficar pronto.
— Espere, o que?
— Uma hora!
Olhando o seu reflexo, ela fez uma careta e correu de volta para as suas roupas, cavando entre elas até achar algo que a satisfizesse, mas não marcasse demais o seu corpo. Se ela estava estremecendo ao se olhar, imagine Edward ao vê-la nua. Se o homem estivesse encontrando algo melhor para transar, não podia culpa-lo.
Seu coração deu um solavanco e uma onda repentina de raiva bateu sobre ela.
Sem humor para piadas autodepreciativas e estúpidas, a morena voltou-se para a sua tarefa. Ela, definitivamente, estaria iniciando uma nova dieta e pizzas carregadas com queijo, juntamente com todas as outras besteiras, estavam fora.
Algumas horas mais tarde, Jasper estava no meio da sua sala de estar. Ele chamou um táxi para pega-los e antes de qualquer coisa, pararam em um restaurante para comer. Por estar mais cheio do que esperava, ele precisou jogar o seu chame sobre a hostess para conseguir uma mesa e quando finalmente se estabeleceram, foi que o loiro percebeu o quanto a sua amiga estava calada e inquieta.
— Certo, qual foi a do convite inesperado?
Isabella olhou para ele, parecendo um pouco aérea.
— O que? Eu só queria aproveitar a minha folga.
— Eu tenho certeza de que estar de folga não é a razão do seu nervosismo — Ele encarou os seus dedos batendo na madeira próxima ao prato para enfatizar e os movimentos cessaram — O que aconteceu?
— É provavelmente nada, mas... estou confusa sobre algo.
Ela contou sobre o sumiço de Edward ao longo do dia, mesmo tendo-o chamando por mensagens de texto algumas vezes e então, a ligação onde uma mulher atendeu soando um pouco mais intima do que ela gostaria. Jasper ouviu com atenção, juntando as peças e vendo a situação por um ângulo que nenhum conjugue ou parceiro com ciúmes, daria um segundo do seu tempo para tentar.
— É nítido que eu não sou exatamente Team Edward, certo? — Ele perguntou, arqueando as sobrancelhas e ela abriu um sorriso que o desafiava, deixando claro que não acreditava mais na sua implicância — Mas acho que você está exagerando. O fato de ele ter dado uma sumida, só quer dizer que ele esteve ocupado pra caralho. Não é como se a rotina dele aqui fosse muito diferente e se você tivesse passado o dia na agência, como de costume, não teria sequer percebido que ele esteve mais ausente do que o normal. Ele foi lá a trabalho, Bella, não para férias.
Ela parou para pensar um instante e sentiu certo alivio com suas palavras. O lado bom de Jasper não ser um grande fã do seu namorado, é que ele jamais encobria a sua bunda se soubesse ou pensasse que o homem estava fazendo algo errado. Então, se ele chegou à essa conclusão, é porque ele realmente pensava isso. E Deus sabe o quanto o seu melhor amigo era protetor. Ele farejava o ar para se certificar de que ela não estava sendo prejudicada de alguma forma, então ouvir a sua opinião sobre aquilo foi, com certeza, um calmante para a sua alma.
Ela estava carente. Isso era tudo.
Quando ele retornasse, tudo voltaria ao normal.
— E sobre a mulher?
— Pode ser qualquer pessoa, Bella. Uma vizinha dele, funcionaria ou até mesmo uma convidada. Quero dizer, ele pode receber visitas, certo? — Ele a olhou com dúvida.
— Convidadas, certamente não — Ela disse, sua voz carregada de ferocidade ao imagina-lo em volta de moças bronzeadas e bonitas à beira da piscina — Mas ele pode receber alguma amiga, eu acho — Isabella respondeu com dúvida. A verdade é que ela não o queria perto de outras independentemente de qualquer coisa. Sua veia ciumenta podia ser tão poderosa quanto a dele — Eu só me sinto incapaz de levar numa boa que liguei para a casa dele e alguém do sexo feminino que eu desconheço, atendeu!
— Claro, tudo bem. Eu seria estúpido se não alertasse você ou não visse como isso poderia significar algo ruim, mas não coloque o carro na frente dos bois, está bem? Apenas... aproveite a noite. Amanhã ele estará de volta e você pode fazer todas as perguntas que quiser sobre isso.
— Está certo.
Quando os pratos deles chegaram, Isabella estava com o humor muito melhor. A conversa tomou outro rumo e enquanto ela apreciava as suas vieras assadas com molho pesto e tomates, eles foram para os mais variados tópicos. Evitando falar sobre os seus respectivos companheiros tanto quanto possível. Ela não queria que Jasper se sentisse um ‘tapa buracos’ por ela ter o chamado para sair apenas quando sentiu a falta de Edward a ponto de chorar como uma garotinha.
Para a sobremesa, ambos pediram creme catalaña e ela realmente bateu palmas, animada, quando o garçom colocou na mesa, as duas pequenas tigelas de barro com cerca de dois centímetros de altura e dez de diâmetro. Esta era uma das suas sobremesas favoritas na culinária espanhola e por já tê-la feito um par de vezes, sabia que o doce era tradicionalmente consumido nos almoços do dia de São José. Ela gostava especialmente da parte onde precisava caramelizar o açúcar polvilhado em cima do creme, usando um maçarico de cozinha. Se sentia uma verdadeira chefe. E como se a experiência não já fosse boa suficiente, o sabor era ótimo e ela sentia uma sensação quase orgástica ao quebrar a casquinha dura com a ponta da colher, após dar algumas batidinhas. Por alguma razão estranha, o barulho soava incrível.
— Você acha que Alice vai se importar de estarmos usando as entradas que ela te deu? — Isabella perguntou, enchendo a taça com o resto da água na garrafa plástica. Ela estava ficando constrangida com a hostess rodeando-os o tempo todo. A impressão que dava, era que ela estava lembrando Jasper de alguma coisa.
— Eu não a ouvi dizer que eu tinha que ir especificamente com ela. Alice apenas beijou a minha boca depois de jogar os pedaços de papeis no meu colo — Ele disse, realmente nenhum pouco preocupado com a reação da mulher quando soubesse que ele estava indo a uma boate sem ela — E além do mais, não é como se eu fosse chamado para todos os lugares onde ela tem que estar presente. Eu ainda estou aborrecido por ela ter levado aquele fotografo do caralho no último evento. Quero dizer, que diabos? Eu não sirvo para aparecer com ela?
Isabella riu do aborrecimento do loiro, enquanto ele pagava a conta, ignorando suas tentativas de pelo menos, dividi-la. Seus amigos estavam muito apaixonados, mas tinham gênios difíceis que estavam constantemente se chocando. Alice, na maior parte do tempo, era um espirito livre e ainda não tinha aprendido a incluir o namorado em suas atividades, pois precisava de um espaço que Jasper não parecia disposto a dar. Ele mesmo já teve longos anos de relacionamentos rápidos e vazios, onde não se importava com as garotas com que dormia e agora, sente a necessidade de prende-la ao seu lado, envolver-se tanto quanto possível, mas não estava funcionando.
Quando parava para pensar, ela realmente ficava surpresa de que eles – que pareciam chave e fechadura quando estavam juntos – tenham terminado e voltado tantas vezes. E enquanto isso, Edward e ela permanecem firmes desde que passaram a primeira noite juntos, depois que ele se mudou. Não que estivessem livres das discussões... de maneira alguma. Eles ainda brigavam como se fossem das forças armadas de países diferentes. Era uma verdadeira loucura, mas fazer as pazes se mostrou tão divertido que nenhuma das discussões trouxe um efeito negativo duradouro para a relação.
— Você não pensa assim de verdade, não é? — Ela perguntou, enfiando seus braços dentro da jaqueta de couro que ele ajudava a colocar. A morena havia decidido por usar um jumpsuit branco, curto e sem mangas, que disfarçava bem as gordurinhas que ela certa como a merda tinha ganhado — Alice está completamente caída por ti, mas está acostumada a ser independente e não vai ceder tão fácil quanto você o fez. Eu disse que precisaria ter paciência com ela ou encontrasse algo mais fácil. Se estamos tendo essa conversa agora, é porque você fez a sua escolha e não pode começar a achar ruim agora.
— Eu certamente posso — Ele resmungou, acenando para um novo táxi que deixava um casal ali. E depois de entrarem, enquanto ela se envolvia com o cinto de segurança, ele continuou — Eu me livrei do maldito caderno. Desfiz algumas amizades que a incomodavam, estou praticamente o tempo todo indo e vindo do trabalho para casa e não tenho vida social quando ela não está presente. Ótimo, eu não estou fodidamente reclamando disso, mas o que ela está me dando em troca, Bella? Seu corpo?
— Jasper...
— Não, isso não vai dar certo. Eu não namorei depois do ensino médio, mas tenho certeza que as coisas ainda funcionam da mesma forma e naquela época, você retribuía a confiança, os sentimentos e apreciava os gestos e sacrifícios que a pessoa fazia por você — Ele disse. O médico relaxado e satisfeito tinha ido embora, dando lugar alguém com mais frustrações do que o seu peito era capaz de aguentar — Eu não gosto de ver a minha garota em fotos com outros caras nas revistas que as minhas colegas de trabalho deixam espalhadas.
— Se vale de alguma coisa, aquele careca é gay e casado. Ele posou com Alice porque seu marido estava fora da cidade.
— Bem, foda-se ele — Ele cuspiu, observando o motorista dirigindo para a boate que ficava em algum lugar entre Pike St e a Broadway — Eu estava livre para estar com ela lá e conhecer essa gente que ela tanto aprecia. Apenas não é justo, Bella, você sabe disso.
— Eu sei, você tem razão — Ela fez torceu o rosto, imaginando-se em seu lugar e como se sentia rejeitada se Edward a excluísse de momentos importantes de sua vida, colocando outra em seu lugar. Ela certamente não aceitaria — Você gostaria que eu tivesse uma palavra com ela ou algo assim?
— Não.
— Mas talv-
— Eu disse que não — Ele repetiu com mais autoridade, calando-a — Alice é mimada o suficiente por seus pais e irmãos, mas estamos falando de uma adulta aqui. Ela precisa aprender por si só, então chega de conversinhas e conselhos. Ela tem uma semana para tomar uma maldita atitude ou então, estamos acabados.
Com a sentença, o homem parou na entrada da rua, onde dava para estacionar o carro atrás de uma fila de outros. Depois de pagarem, Isabella tomou a mão dele na dela enquanto seguiam em direção a Q Nightclub que a surpreendeu com a aparência pelo lado de fora. Ela passaria por ali mil vezes e não teria ideia do que acontecia lá dentro. A fachada toda cinza não tinha qualquer atrativo que chamasse a atenção de um novato, exceto pela quantidade de pessoas esperando para entrar. Jasper, ainda parecendo chateado, tomou a iniciativa de falar com os seguranças e depois de algum tempo de conversa, ele os entregou as entradas e acenou com os dedos, para que ela o acompanhasse para dentro.
A casa não estava lotada, pois ainda era cedo, mas havia uma quantidade decente de pessoas lá dentro. Enquanto se aproximavam do bar, Isabella olhou para os rostos das pessoas que aparentavam ter entre 21 e 36 anos, em geral e estudou-os por um segundo, percebendo a variedade de cores, formas, aspectos e interesses que eles tinham. Os amigos foram atendidos por um dos quatro bartenders, uma moça pequena de óculos e um coque desarrumado no topo da cabeça. Jasper agarrou a sua cerveja e ela pediu um Singapore Sling. Era a sua primeira vez provando a bebida com: conhaque de cereja, sloe gin, suco de limão e refrigerante, mas estava deliciosa. Fazia tempo demais que ela não tomava nada com álcool e ficar andando por aí com lata de Coca na mão a faria se sentir uma imbecil.
Eles circularam todo o clube, procurando uma área agradável para ficar e quando encontraram, terminaram os primeiros drinks antes de se renderem a batida e irem para a pista. Isabella riu e dançou com o loiro por quatro músicas seguidas e quando eles começaram a ficar apertados entre as pessoas que estavam chegando, ela decidiu que hora para mais uma bebida. Incapaz de resistir, ela verificou o celular e tentou não mostrar decepção quando viu que não havia nada dele ainda. Pedindo um Tom Collins com cereja extra, ela conteve uma careta ao ver Jasper pagar por um Old Fashioned, feito com Bourbon, um dos whiskies que ela passou a manter em casa por causa de Edward, mas caiu na risada quando seu amigo começou a expressar a sua velha antipatia com drinks afeminados com sucos e pedaços da fruta enfeitando o copo.
O DJ disse algo que fez todos berrarem, tirando-os da conversa em que um tinha que gritar no ouvido do outro. Tomando seu último gole e deixando apenas dois cubos de gelo para trás, ela o arrastou de volta à pista de dança e se infiltraram entre as pessoas agitadas e suadas, para dançar. Jasper era muito bom em seus movimentos e sempre manteve a próxima, deixando claro para os marmanjos com tesão que ela estava acompanhada. Os dois repetiram essa ação de sentar e beber, para voltar a dançar, algumas vezes até que seus cabelos estavam molhados e grudando no rosto. Isabella estava pra lá de risonha, realmente feliz pela primeira vez no dia e tanto quanto queria que mais alguém estivesse ali, ela percebeu o quanto fazia falta os programas que tinha com o seu melhor amigo antes de ambos se comprometerem com outras pessoas.
Em determinado momento, vendo que os dois não trocavam olhares maliciosos ou toques ousados, uma loira se aproximou pela lateral de Jasper, indo por trás dele e arrastando uma mão pelo seu braço para ser notada. Apesar da maquiagem borrada e a expressão embriagada que tinha em seu rosto, Isabella notou que ela era uma mulher bonita e tinha quase a mesma altura que ele. Jasper travou quando a desconhecida começou a dançar contra ele, esfregando os corpos de ambos, e parecia não saber o que fazer. Ele olhou para a amiga, que apenas com os olhos o alertou de que ele não deveria fazer nenhum movimento em outra garota, antes de falar com Alice. Concordando com a cabeça, ele hesitante, começou a dançar com a bêbada sem nome e Isabella fez o mesmo, mas mantendo os olhos nos dois.
Passava da meia noite quando ela avisou que iria ao banheiro. Seus novos amigos, o pessoal que estava acompanhando a bêbada que agora tinha um nome – Tess—, haviam se juntado a eles e estavam sentados em uma área próxima ao bar, onde haviam sofás. Eles pediram para ela encontrar alguém para trazer mais Red Bull ou teriam o Rob – que era o garoto turista de alguma parte da costa leste – fodidamente desmaiando em cima deles. Gritando um “ok” por cima da música, ela correu engraçado com a vontade de fazer xixi e encontrou o que procurava. Na volta, a morena já estava aliviada e parecia novamente com ela mesma, depois de se limpar. Quando três caras ao seu lado começaram uma discussão, ela se assustou, porque no escuro, não seriam capaz de vê-la e então apressada para sair de perto deles, esbarrou em uma mulher, derrubando seu drink.
— Ora, sua estupida... você não tem olhos? — A mulher gritou e sua voz estridente chamou a atenção. Isabella tentou se desculpar e se oferecer para pagar-lhe outra, mas percebeu pelos resmungos, que ela estava preocupada com a sua blusa — Isso vai ficar manchado por uma era. Inferno, saia da minha maldita frente!
As pernas dela demoraram a se mover, mas ela saiu para que a nervosinha saísse em disparada, empurrando-a com o cotovelo de propósito. Ela suspirou, de repente cansada e querendo sua casa, quando alguém limpou a garganta ao seu lado.
— Você apenas encerrou o meu encontro.
O homem coçou a nuca, olhando o caminho que a mulher fez.
— Dominic! Eu sinto muito mesmo — Ela disse, fazendo-o rir de como ela soava arrependida — Eu vou tentar trazê-la de volta, se você quiser.
— Está tudo bem, Bella, não se desespere — Ele a acalmou e olhou para baixo, antes de umedecer os lábios — Mas isso quer dizer que você irá substitui-la.
— Como é?
— Sim, bem, você fez a minha garota ir embora, então deve ficar no lugar dela ao menos até o final da noite.
— O que? Eu n-não posso! — Ela arregalou seus olhos quase comicamente.
Dominic não aguentou manter a seriedade por muito tempo e gargalhou.
— Jesus, eu estou brincando, Bella.
Ela suspirou de alivio.
— Agora eu estou ofendido — Ele franziu para ela, que soltou uma risadinha e deu uma boa olhada no homem, fora de suas roupas de escritório — Com quem você está aqui? Será que eu finalmente vou conhecer o seu cara?
— Não. Estou com um pessoal aí que Jasper e eu, conhecemos — Ela deu de ombros. Os três ainda não se conheciam, principalmente porque ela tinha recusado todos os convites de Dominic desde que se estabeleceu com Edward, mesmo os mais inocentes. Era desconcertante imagina-los juntos — Ele está fora do estado.
— Entendo, fica para uma próxima vez — Ele afirmou, com um sorriso simpático e começou a caminhar, usando os dedos em suas costas para guia-la para um banco desocupado logo à frente — Sente-se aqui. Você pode ficar para uma bebida?
Isabella ponderou por um instante. Ela deveria voltar para os seus amigos, pois já tinha demorado o suficiente, mas Nic estava sendo muito agradável para ficar apenas na mão, então ela sorriu e assentiu.
— Tudo bem, afinal de contas, eu realmente me livrei da sua garota.
O moreno retornou com um mojito de melancia que a surpreendeu. Ele se lembrava do que ela tinha bebido da outra vez? Balançando a cabeça para os lados, ela o assistiu sentar e jogar seu charme. Se ela estivesse solteira, sabia que sairia daqui para ficar com Dominic. Ele era o amigo de foda perfeito e estava sempre de bom humor, topando tudo que soasse interessante. Não fazia cobranças, não sentia ciúmes ou exigia mais do que estava disposta a dar, mas nada disso valia a pena quando ela tinha experimentado a sensação de estar em uma relação em que era verdadeiramente cuidada.
— Então, sua acompanhante não era nenhum pouco importante?
— Você não me viu correndo e tentando alcança-la — Ele riu em sua forma completamente roxa pelas luzes coloridas do teto, iluminando-o — Mas me diga, por que não foi embora com Edward? Deveria ter trocado a sua folga com alguém.
— Eu não podia, de qualquer forma. Além do mais, ele estaria trabalhando o tempo todo, então não seria uma viagem aproveitável — Isabella mostrou um sorriso amarelo em sua desculpa — Mas amanhã vou tê-lo de volta e se ele precisar ficar fora por muito tempo novamente, vou ver tentar falar com Jackson, para poder acompanha-lo.
— Aposto que conseguirá. Ele anda muito agradável ultimamente.
Isso era inquestionável.
Desde que Chelsea havia ido na delegacia, retirar as acusações contra o seu chefe, ele tem agido de forma totalmente diferente. Não há mais pancadas nas portas, gritos em sua sala ou serviços extremamente mal feitos. De repente, tudo parece bom e os problemas têm fáceis soluções. Ela não podia recrimina-lo por estar aliviado ao se livrar de uma acusação tão grave que poderia prejudica-lo de inúmeras maneiras diferentes e era exatamente por isso, que ela temia que o seu bom humor, tivesse motivos maiores que esse.
— Alguma novidade depois de Paris? — Perguntou, mudando de assunto. Ela alcançou a sua bebida e chupou-a através do canudo. Já não fazia qualquer careta ao ingerir o rum, muito pelo contrário, descia como uma limonada.
— Ela me ligou algumas vezes, mas nada em seu discurso mudou. Mia parece assustada em não me ter mais enrolado em seu dedo mindinho, mas não toma uma atitude e essa situação está insustentável — Ele respondeu, usando a lateral do dedo indicador para limpar o suor na pele entre seu lábio superior e o nariz. Estava fervendo ali, fazendo-a beber com mais rapidez. Agora entendia o porquê de o banco estar vazio quando se aproximaram — O meu pai está insistindo sobre eu me manter com alguém. No fundo, eu começo a pensar que ele tem razão. Eu não estou ficando mais jovem, não é?
— Você tem tempo de sobra antes de começar a se preocupar com a idade — Ela riu, antes de dar outra olhada no corpo de Dominic. Inferno, ele era atraente. O álcool estava mexendo com sua cabeça e fazendo-a lembrar de como ele o usava para o benefício das mulheres, mas suas partes femininas não se manifestaram, a deixando tranquila sobre poder admira-lo. Não tinha nada demais em achar um homem bonito, já que estava mais do que satisfeita com o seu, que por sua vez, não era nenhum cego — Esqueça essa francesa. Eu não gostei dela antes e não gosto agora. Quero dizer, é ridículo que ela ainda ceda às chantagens do pai.
— É verdade, mas chega de falar sobre ela — Ele pediu, sorrindo de leve. Pelos seus olhos, Isabella podia dizer que Dominic estava ligeiramente bêbado. Ela estava certa de que ele não aparecia na agência amanhã antes das três da tarde — Eu pensei que fosse ser convidado para a sua festa de aniversário.
A morena corou profundamente.
— Eu não fiz uma festa e não pensei que você tivesse interesse...
— Isabella, você não precisa se esquivar de mim só porque está namorando com aquele advogado. Eu acho que entendi muito bem que o que houve entre nós, acabou muito antes de começar — Ele assegurou, deixando-a ainda mais envergonhada por estar excluindo-o sem necessidade — Você não foi uma transa aleatória. Eu realmente gosto de você e não tenho qualquer intenção de estragar o que você reconquistou do cara.
— Eu realmente sinto tanto — Seu olhar torturando o fez sorrir levemente, mas ele não tinha intenção de esconder que havia ficado chateado — Sei que tenho sido uma péssima amiga, fugindo dos almoços em que você está e recusando os seus convites, mas é que...
— Ele está mantendo-a em rédea curta.
— O que? Não é nada disso. O Edward não me proíbe de nada. Eu apenas evito certos... confrontos, para o bem de todos.
— “Para o bem de todos” — Ele repetiu, dando risada sacudindo os cabelos de trás, com os dedos, bagunçando-os — Essa é boa. Mas tudo bem, eu entendo. Também sou um cara e sei que não reagiria muito bem com a minha mulher saindo por aí com quem ela já teve relações sexuais. Edward tentaria quebrar a minha cara, se soubesse de nós e você acabaria tendo problema com os dois, então vamos deixar as coisas como estão.
— Obrigada por ser compressivo. — Ele assentiu, mas ela podia ver pela sua expressão que ele não estava. Dominic tinha que aceitar que ela mudaria em alguns aspectos, uma vez que estivesse comprometida com alguém. E ela teria que aprender a ser mais sutil sobre ele, não o deixando de lado completamente.
— Bem, mas me surpreende que para ele, você não possa estar envolvida de qualquer forma comigo, mas tudo bem passar a noite em um clube noturno lotado de ponta a ponta, com caras alcoolizados e excitados.
Ela terminou a bebida, colocando o copo vazio ao seu lado e deu de ombros para a observação espertinha do seu amigo. Ela era de Edward, mas não seria tratada como uma propriedade. Tinha vontade própria e se quisesse sair para dançar um pouco, diabos, ela o faria com ou sem ele presente.
— Eu não lhe disse que estaria vindo.
— Oh? — Ele arqueou a sobrancelha, interessado — Problemas no paraíso?
— Não é para tanto, então pode abaixar a sua bola — Ela o informou, fazendo-o murchar teatralmente e rir, divertido — Apenas uma falha de comunicação, eu acredito. Nós estamos muito bem.
A mão se Isabella foi diretamente para o bracelete que Edward lhe deu. Seu braço direito ostentava o ouro, os aros em meia lua não tinham fecho e se uniam através de uma pérola alva e flutuante entre eles. Nas pontas da joia que agarravam seu pulso, havia sido escrito o seu nome, o dele e “meu babe” na parte de dentro e esta era a primeira vez que a usava sem que ele estivesse ao lado. Edward gostava de brincar com o bracelete e exibia um sorriso apaixonante sempre que ela se arrumava e a colocava. Tinha certeza de que ele pensava naquilo como sua marca. Tinha sido, com certeza, um presente muito mais caro do que a torta que ela lhe preparou, mas sequer pensou em recusar, uma vez que percebeu o significado.
Em sua adolescência, ambos compartilharam um grande apreço pela banda de rock alternativo, Pearl Jam – surgida nos meados dos anos 80, em Seattle – e sabendo que a morena os ouvia desde quando passou a morar com o pai em Denver, ele não hesitou em comprar-lhes ingressos para o show, assim que foram anunciados para estarem em Portland em três meses. A viagem durou mais de quatro horas e a bunda de ambos estavam doloridas quando chegaram, mas foi o melhor maldito concerto de suas vidas. Edward assistiu, abraçado a ela por trás, Isabella se emocionar e chorar, quando cantaram Last Kiss. A canção contava a triste história de um jovem casal que, envolvidos em um acidente, foram separados pela morte e relata o momento em que o sobrevivente beijou a sua amada, segurando-a em seus braços uma última vez antes de vê-la partir. Isabella ficou de coração partido por causa dos amantes e ele nunca se esqueceu do quão bonita ela ficou quando estava com a parte de trás da cabeça, encostada em seu ombro, o rosto inclinado para o céu enquanto as lágrimas desciam de seus olhos fechados pelas bochechas pálidas.
Naquele mesmo dia, algum tempo após o show, ambos retornaram para a pequena e barata pousada, onde tinham se hospedado e as paredes eram finas o suficiente para ouvirem um pouco o que se passava nos quartos ao lado. Isabella se divertiu um monte com Edward tendo que aumentar constantemente o volume da TV que possuíam, para que seus beijos não fossem ouvidos por suas vizinhas, que davam risadas a cada gemido soltado por ela. Foi também naquela noite, em que deu a virgindade ao seu namorado. No meio da madrugada, eles se viram – pela primeira vez – sem qualquer roupa no caminho, e exploram cada área sensível do corpo um do outro. Edward foi gentil e cauteloso ao fazer amor com ela, a distraiu da dor, murmurou palavras doces em seu ouvido e usou a sua precoce experiência para satisfazê-la, deixando em espera as suas próprias necessidades para dar a sua menina, um momento que ela lembrasse com carinho e saudade.
Ao receber o presente no seu aniversário, ela tinha segurado a vontade de chorar de alegria, pois apenas sabia que Edward estava mostrando ali o quanto se importava com ela. Resgatando uma de suas memórias mais preciosas do seu passado. A pérola sempre remeteria à banda e ao dia especial em que teve a certeza de que ninguém tomaria o lugar dele em seu coração.
— O que diabos isso quer dizer? — Ele perguntou.
Isabella hesitou na hora de responder. Não queria aguenta-lo falando em seu ouvido, caso interpretasse de forma errônea o que aconteceu mais cedo.
— Eu liguei para ele e uma mulher atendeu. A ligação caiu e eu decidi que tentaria novamente depois. — Mentiu, não quero admitir que se acovardou um pouco.
— Espere, o que? — Ele engasgou com uma risada surpresa — No celular?
— É claro que não — Ela respondeu, parecendo ofendida — No residencial.
— Eu não vejo como isso soa ainda melhor.
Pigarreando, ela se levantou e arrumou a roupa, tentando não pender para frente quando as paredes se mexeram e as coisas pareceram girar por um segundo.
— Bem, se você tentasse me chamar na minha casa, as chances de Jasper atende-lo seriam enormes — A morena defendeu, fazendo-o assentir em concordância — Eu tenho que ir ver o pessoal agora. Eles devem estar preocupados.
— Se Edward tem passe livre para receber jovens em sua casa, acho eu posso muito bem dançar contigo antes de eu ir embora. — Ele provocou, sorrindo maliciosamente e levantou-se, usando a sua altura para olhar por cima das pessoas e ter uma visão da pista, que já não estava tão lotada quanto antes.
— Se você continuar me irritando, a única coisa que poderá, é sentir o meu pé na sua bunda! — Ela ameaçou, rolando os olhos.
Dominic levantou as mãos, em sinal de rendição.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou — Ele jurou — Você está certa. Ela pode ser qualquer uma, desde uma amiga a alguém que trabalha para ele.
Isabella parou, quando viu que não tinha considerado isso antes, mesmo quando Jasper falou algo parecido.
Edward nunca havia mencionando alguém trabalhando na casa, mas com certeza haveria. Como o lugar se manteria limpo e seguro? Teria que haver sim, pessoas lá. Ela sorriu, mais animada com essa perspectiva e acenou para Dominic.
— Vamos lá. Uma dança e você me deixa em paz.
Quando ela voltou, Jasper estava tão furioso que ela quase desejou ter ficado onde estava. Precisou ouvi-lo relatar sobre ele tentar encontrá-la. O homem, muito possivelmente, passou por eles algumas vezes, mas as pessoas de pé ao longo do corredor devem tê-los coberto e o barulho não deixaria sua voz ser reconhecia.
Isabella o abraçou e tentou acalma-lo, pedindo desculpas. O loiro estava tenso o tempo todo graças aos seus problemas com Alice e só teve um par de momentos de descontração. Ela estava realmente rodeada de sujeitos indo mal do coração.
A mulher que tinha Rob babando em seu colo, enviou-lhe um olhar sujo, claramente aborrecida por ela não ter voltado com os energéticos para mantê-lo em alerta e ela até se sentiria mal, se a mesma não estivesse deixando o seu colega molestar a orelha do turista com um alcaçuz verde e comprido, que Isabella esperava que ele não fosse comer depois.
Jasper não ficou aliviado quando soube com quem ela tinha ficado por todo esse tempo e parecia desconfortável quando a morena afirmou que pagaria a dança que estava devendo a Nic, mas eles foram assim mesmo e dançaram durante duas músicas. Não houve toques, olhares e sorrisos, apenas duas pessoas aproveitando a companhia uma da outra enquanto curtiam a vibe criada pelos outros. Isabella soube que era o suficiente, quando as luzes começaram a deixa-la enjoada. Fechar os olhos não era uma escolha muito sábia, porque as pessoas estavam constantemente esbarrando uma na outra naquele espaço, então despedindo-se de Dominic, ela retornou aos seus amigos onde pediu para irem embora.
— Até que enfim, porra.
Guiando-a para fora pelos ombros, Jasper foi capaz de fazer o segurança lhes conseguir um transporte antes que ela desabasse. De repente, todos os drinks e a exaustão pegaram-na de jeito. Isabella sequer viu quando foi trancada no carro até que estavam chegando em sua rua. Ela resmungou alguma coisa sobre o dinheiro, mas foi calada por um “shh” ríspido do amigo, então apenas encostou a cabeça na janela e cochilou outra vez. A próxima coisa que soube, é que estavam puxando as sandálias dos seus pés, fazendo-a soltar um gemido de apreciação quando as tiras libertaram a sua pele, mas quando sentiu mãos a apalpando pelos lados, sentou-se rapidamente para retirar a roupa sozinha. Edward com certeza aqueceria sua bunda com uns bons tapas se continuasse deixando Jasper vê-la de lingerie.
Enquanto Isabella tomava um banho, seu amigo preparava um café forte para ambos. O relógio marcava duas da madrugada e ele não tinha a menor ideia de como fariam para trabalhar amanhã cedo. Voltando para o quarto, carregando as canecas fumegantes, ele a encontrou dentro de calças confortáveis de moletom e uma regata. Comentando o programa deles, conversaram e beberam através das caretas de desgosto dela até ficarem mais sóbrios e alertas. Lola pulou na cama e foi se deitar no lado desocupado, como se quisesse deixar claro que o loiro não ficaria ali e quando Isabella bocejou pela terceira vez, ele despediu-se com um beijo em sua testa, certificando que ela estivesse debaixo das cobertas quando saísse e partiu para a sua própria casa.
Quando a morena acordou na manhã seguinte, ela amaldiçoou, gemeu e vomitou como nunca tinha feito na vida. Sua cabeça parecia que tinha sido acertada várias vezes com um machado e o sono ainda estava tentando arrasta-la de volta para a cama, mas o alarme insistente a lembrou que seus planos eram outros. Ela arrastou-se de volta ao quarto e pegou o celular para ligar para a agência e avisar que não poderia ir hoje, porém, antes que pudesse tentar, outra forte náusea a fez correr de volta para o sanitário e assim, ela se lembrou muito bem o porquê de não ter bebido há um longo tempo.
Parecia que suas estranhas iam sair pela garganta.
Ela estava convencida de que passaria o resto do dia com a bunda colada no chão do banheiro, quando houve uma pausa no mal-estar que a deixou esperançosa.
O gosto da pasta de dentes em sua língua a fez estremecer, mas ela continuou com a higiene e depois de alimentar a gata, procurou algo nos armários para acalmar o seu estômago antes de realmente preparar alguma coisa maior.
Enquanto fazia sua comida, ela se perguntava sobre como o amigo estava se saindo. Jasper não reagia bem a ressacas e levando em conta o seu humor questionável dos últimos dias, podia imaginar a sua cara quando fosse atender sua quantidade diária de mulheres com os hormônios à flor da pele.
Sua chuveirada pareceu ridícula de tão rápida que foi, mas ela estava se movendo tão lentamente pelos cômodos que quando checou o relógio, notou que se não entrasse dentro de uma roupa e se apressasse, chegaria atrasada no trabalho.
Ela pegou peças que a deixassem confortável ao longo do dia e não tendo tempo para manter o cabelo em ordem, fez uma trança frouxa. Correndo para fora dali com a bolsa aberta, o celular na mão e o chaveiro preso aos lábios, ela saiu de casa e conseguiu chegar no carro sem dar vexame, mas deixou o aparelho cair aos seus pés. Tendo que se entortar toda no banco para alcança-lo, ela tateou até senti-lo entre seus dedos e quando finalmente o pegou, percebeu notificações na tela acesa.
Duas chamadas perdidas e uma mensagem de texto não lida.
Ela foi direto na mensagem, sentindo seu coração palpitar.
De: Edward Cullen +(630-723-5017)
Hora: 01:07 a.m.
“Eu estava esperando ouvir a sua voz, mas você já deve estar apagada. Os dias aqui têm sido bem agitados. Mas porra, finalmente acabou! E eu estou contando as horas para colocar as minhas mãos em você, babe. Te ligo quando chegar.”
Isabella choramingou alto, pressionando o celular contra o seu peito. Ela estava maravilhada por ele tê-la procurado durante a noite e mais ainda, que estivesse voltando em breve. Mas quando leu o texto pela terceira vez, seu estômago começou a se manifestar, mas dessa vez, esfriando até que um arrepio correu pelo seu braço. A morena precisava estar preparada para tê-lo raivoso como um cão bravo em cima dela, uma vez que ficasse ciente das suas últimas atitudes. Porém, ela não era a única a ter que dar explicações e ele também deveria se cuidar para o que estava para vir, se lhe desse as respostas erradas.
(Roupa da Isabella — 01)
(Roupa da Isabella— 02)
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