Erros de Sempre

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Voltei antes do esperado. Façam uma boa leitura, pessoal :)

Sentada na cama, ela dobrava pacientemente as peças de roupa separadas e espalhadas sobre o edredom trocado esta manhã. Colocava na mala em maioria, roupas de frio, porque a cidade para onde viajaria não lhe daria muitas oportunidades para usar roupas leves, independentemente da estação em que estivessem, mesmo agora no final da primavera. Estreitou seus olhos castanhos para as outras roupas deixadas de lado e decidiu que uma mala pequena resolveria o seu problema facilmente, uma vez que seria apenas um final de semana, exatamente como da última vez e já estavam indo na sexta à tarde.

Ela não tinha planos de sair.

Também não era como se houvesse muita coisa – de diferente – para ver.

A bolsa foi preenchida com carregadores, aparelhos eletrônicos, os dois celulares, documentos e o envelope com os últimos exames que Charlie havia feito na semana passada no Swedish Medical Center e lhe pediu para buscar. Os artigos de higiene pessoal ficaram todos em um nécessaire azul-escura – sua favorita por ser uma de uma de suas cores prediletas – e por pouco não esqueceu de apanhar o seu remédio, guardado fielmente na primeira gaveta do criado mudo.

Isabella desenvolveu uma anemia ano passado ao descuidar-se severamente de sua alimentação. Então devido a inconveniente deficiência de ferro, ela precisa seguir religiosamente as ordens médicas e tomar o seu suplemento diariamente antes das refeições, para evitar a fadiga e a indisposição que tanto detesta ter.

Recebeu uma mensagem no celular pessoal, mas revirou os olhos quando a leu e começou a tirar a blusa, jogando-a por cima do pequeno monte que havia sobre o tapete e foi para o banheiro. Ajustou a água do chuveiro, deixando-a apenas um pouco mais fria do que costumava, porque milagrosamente o clima em Seattle estava favorável. O dia não começou gelado e úmido como de costume, muito pelo contrário. Todos foram surpreendidos com a aparição surpresa de um sol morno e agradável durante toda a manhã e início da tarde.

Era um verdadeiro milagre e todos previam um excelente verão, apesar das inevitáveis chuvas as quais todos já estavam acostumados a enfrentar quase que diariamente, mas ela, contra sua vontade, já havia se acostumado com essa rotina.

Espremeu a quantidade de sempre de shampoo nas mãos e aplicou no cabelo, esfregando bem o couro cabeludo e as pontas, lembrando de quando retornar para casa, comprar outro e repor. Enxaguou, refez o processo com o condicionador e também aplicou um creme que mantinha o seu cabelo macio por alguns dias, independentemente de suas atividades. Fez massagens nos fios como a Leandra do Lea’s Salon a ensinou e voltou para debaixo do chuveiro para tira-lo.

Secou bem a pele em frente ao espelho dando algumas voltinhas, observando como estava o seu corpo depois de mais de duas semanas sem ir para a academia. Isabella tornou-se viciada em exercícios físicos há quase três anos e lutava com a sua própria falta de energia para manter um corpo decente, mas passando os últimos dias procurando emprego e se candidatando em dezenas de lugares, já chegava em casa exausta e nunca tinha coragem para fazer mais do que uma caminhada pelo bairro. Estava com medo de perder as suas curvas pelas quais tanto suou para conseguir e voltar com a aparência de adolescente esguia demais, de quando deixou a casa dos pais para começar a cursar a faculdade.

Charlie, meses atrás, mostrou não estar nada bem de saúde, então Isabella decidiu tirar uma licença de uma semana para ajudá-lo em casa, pois Renée era ausente demais e não tinha liberdade de abandonar o trabalho para cuidar do marido. Mas indo totalmente contra o que era esperado, seu pai não melhorou nesse meio tempo e devido as faltas, foi dispensada e seu lugar dado a uma jovem com menos experiência, mas que permitia certas liberdades ao seu supervisor, coisa que Isabella simplesmente repugnava.

Ela estava achando complicado encontrar algo, uma vez que havia centenas de pessoas tão qualificadas quanto ela lá fora precisando de uma vaga, até que o seu – às vezes estupido – melhor amigo, lhe arranjou algo na agência de comunicação pertencente a seu padrasto e isso definitivamente a tirou de um sufoco, pois as contas já começavam a se acumular e recorrer os seus pais para qualquer ajuda financeira estava fora de cogitação. Ela era orgulhosa demais para isso.

Escolheu uma roupa bonita para o jantar de aniversário de Charlie, deduzindo que chegariam quase em cima da hora. Aproveitou o fato do clima estar bastante razoável, pois não tinha ideia de quando algo assim aconteceria novamente, e pôs uma saia longa de tecido solto, transparente ao atingir as coxas e uma blusa na cor verde que deixava parcialmente a sua barriga de fora. Os saltos, que eram seus fiéis companheiros há tanto tempo, deixaram-na com uma altura bastante agradável e quando sua maquiagem ficou pronta, o cabelo seco e bem escovado, ela percebeu que sua aparência estava realmente ótima.

— Uau! — Ela ouviu um assovio e virou a cabeça — Você está maravilhosa. — Jasper elogiou entrando na casa sem bater como de costume. Isabella abriu um grande sorriso para ele sentindo-se envaidecida e girou em torno de si mesma para mostrar-se por todos os ângulos.

Ele assobiou pela segunda vez e bateu palmas, fazendo-a rir alto. Jasper tinha um charme sulista natural e o menor dos seus gestos, deixava qualquer mulher em deleite, até mesmo ela que tinha aprendido a ignorar os seus flertes há tantos anos.

Ele também parecia muito bem. Vestindo uma calça escura, botas Timberland bege de cano baixo, camisa branca com um suéter por cima e o casaco de inverno azul-marinho que ela lhe deu no ultimo natal, ele estava muito mais agasalhado. Mas o estopim foi quando olhos dela caiaram sobre as mãos dele que ainda estavam unidas. Elas foram cobertas por luvas de frio que mantinham apenas parte de seus dedos de fora.

Sua gargalhada lhe estremeceu o corpo. O pobre homem.

Jasper havia ficado traumatizado desde a primeira e última vez que estiveram em Forks para uma breve visita de apresentações. Charlie estava incomodado de não conhecer o tal com quem a filha mantinha uma amizade desde que se mudara e depois de ouvir sua mulher falar pela milésima vez da boa genética e educação do rapaz ao voltar da casa de Isabella, exigiu que os dois fossem até a cidade o quanto antes para ter certeza de aquilo era mesmo uma relação de amigos. A experiência não poderia ter sido mais catastroficamente adorável.

Após se sentir em uma inquisição espanhola e ter suas bolas encolhidas a cada vez que o Sr. Swan polia as armas da esposa bem diante do seu nariz, foi lhe dado as boas-vindas à família e o convite feito para que ele se juntasse a Charlie no dia seguinte para uma manhã de pesca com os rapazes do futebol de domingo.

Ele estava severamente animado em participar de um programa só de homens, longe do olhar especulativo de Renée, mas nada saiu como o planejado. Além de constatar que não levava jeito para a pescaria, conseguiu a proeza de prender o pé em uma rede dentro do barco, desequilibrar e cair na água mais gelada que ele pensou que fosse capaz de existir.

Nunca mais.

De. Nenhum. Fodido. Jeito.

Jasper é um homem do Texas, acostumado ao sol e temperaturas acima de 21°C. Ele estava convencido de que conseguiria se adaptar bem à cidade natal de sua amiga mesmo assim, já que estava vivendo em Seattle desde que decidiu cursar Medicina no estado de Washington, mas sua situação na casa dos Swan foi cômica e digna de pena. O loiro se recusou a dormir em qualquer lugar, exceto a sala e bem próximo da lareira porque o aquecimento não foi suficiente para fazê-lo parar de tremer e claro que suas cenas foram motivo de chacota pelos dois meses seguintes. E era exatamente por isso, que para essa nova visita, ele estava indo muito bem preparado.

Isabella lhe entregou as chaves do carro e pediu para colocar todas as bolsas dentro do porta-malas, para que ela pudesse verificar mais uma vez se todas as portas e janelas estavam trancadas, mesmo que eles estivessem um pouquinho atrasados. Mas ambos contavam com a sorte de o transito não ser movimentado naquela época do ano, então se ela dirigisse bem, chegariam antes das 20h.

— Você tem certeza que o Franco vai poder cuidar direito da Lola? — Estava realmente preocupada com o bem-estar dela e em atrapalhar o final de semana do rapaz.

Achou muita gentileza dele se oferecer para cuidar da sua pequena enquanto estivesse fora, porque ele era realmente mais amigo de Jasper e apenas lhe aturava quando necessário. Ela secretamente acreditava que Franco desenvolvia uma paixão platônica por ele há um longo tempo e faria qualquer coisa, até abdicar de um pouco das suas mínimas horas de descanso que seu trabalho de enfermeiro lhe permitia, para receber aquela piscadela de olho seguida do sorriso, marca pela qual o seu amigo já era tão conhecido.

Era realmente quente.

— Não precisa se preocupar, nós nos falamos ontem e ele me garantiu que os próximos dias seriam muito tranquilos. Eu sei que ele terá muito tempo para ficar em casa. — Jasper afirmou abrindo a porta do carro para a moça que assentiu, aceitando a resposta. Ele era obstetra no VA Medical e conhecia bem a rotina do Franco, então sabia do que estava falando.

— Tudo bem, mas é melhor que ele seja organizado. Eu vou mata-lo se ele perder algum dos brinquedos. A Lola sempre fica irritada quando não encontra o que ela precisa e aquilo custou mais do que eu estava disposta a pagar — Tagarelou sentindo-se ligeiramente apreensiva. O loiro apenas revirou os olhos entrando pela outra porta e se sentou ao seu lado — Eu fiz a lista sobre as horas em que ela deve ser alimentada e com o que, será que você entregou? Se ele der algo diferente, ela pode ter diarreia e então...

— Eu já sei, bebê! Estive fazendo recomendações durante toda a semana. Eu decorei livros gigantes na faculdade, acha que não ia me lembrar de uma dieta? — Jasper a interrompeu e uma vez que o carro foi ligado, ele começou a mexer no rádio tentando encontrar alguma coisa que agradasse aos seus ouvidos exigentes.

Ela suspirou sentindo saudade da sua lindinha, a despedida delas fora tão rápida... quebrava seu coração ter que deixa-la para trás. Sabia que Lola era muito caseira e não gostava de passear de carro, mas se precisasse voltar, daria um jeito de trazê-la junto.

Jasper pediu para que parassem em uma Starbucks, pois não havia comido ou bebido nada depois do almoço e precisava de algo para manter-se acordado durante o percurso. Ele não tinha se recuperado da noite em claro em que esteve observando algumas de suas pacientes e é obvio que seu método não funcionou.

Desde a época em que ele estudava, a cafeína tem sido o seu braço direito e ambos suspeitavam que hoje em dia já não causava mais o mesmo efeito de antes. Dessa forma, Isabella não estranhou tê-lo desmaiado no banco do carro durante as primeiras horas.

Ambos se conheceram na biblioteca da Seattle University.

Isabella pensou em levar roupas, produtos de higiene, algumas barras de cereal nutritivas e simplesmente morar lá. Quando não estava em sala, estudava por horas a fio naquele lugar, feito uma verdadeira condenada para manter as suas notas acima da média. Durante os primeiros meses, Isabella pegou inúmeras classes e matérias sem saber ao certo o que queria fazer, mas não demorou a se encaminhar para o curso de Administração.

Assim como seu pai, ela sempre foi boa com contabilidade e logística. Uma moça de números, uma vez que, palavras e qualquer outra coisa que a obrigue a interagir com os sentimentos seus e dos outros, lhe apavorava devido a tantas experiências negativas.

Jasper interrompeu uma discussão dela com um funcionário mal-humorado que se recusava a lhe guiar para uma determinada seção e ele se ofereceu para ajudar. Ela lembra que ficou surpresa quando o homem de 1,86m chamou a sua atenção, até porque normalmente não gostava de loiros ou de sotaques muito fortes, mas ele foi solicito, educado e muito cavalheiro. Isabella sentiu falta de ter a atenção de um cara decente, pois desde seu último termino ela simplesmente evitou o máximo possível conhecer qualquer um deles e concentrou-se apenas nos estudos.

Durante os primeiros dias de convivência, ambos cogitaram a possibilidade de que algo pudesse surgir dali além de um simples companheirismo e boa convivência. Jasper principalmente. A última vez em que esteve em um relacionamento sério foi no colegial, desde então as transas ocasionais tem sido mais que o suficiente para o manter satisfeito e então aparece essa moça belíssima, simples, muito inteligente e bem-humorada. Era exatamente o seu tipo de mulher.

Mas não foi preciso muito para perceberem que a atração era passageira e o carinho genuíno um pelo outro poderia perfeitamente ser comparado com o de irmãos de sangue. Eles se gostavam muito para dormirem juntos e sumirem da vida um do outro na manhã seguinte.

Foi coincidência demais quando Renée lhe ajudou a pagar uma casa modesta, mas bem localizada, em um bairro seguro que ficava simplesmente na frente da que Jasper dividia com um colega de classe. Sendo vizinhos, não se separaram mais. Ele dividiu a sua história e ela, mesmo com receio, fez o mesmo. Esperou por seu julgamento, pela mudança no relacionamento dos dois, mas para sua total surpresa, ele foi compreensivo e acabou por fazer algumas piadas sobre como teria agido se estivesse no lugar dela anos atrás.

Isabella sorriu amarga para as brincadeiras, mas não conseguiu encontrar humor, porque ela não tinha orgulho nenhum do que fez no passado. O tempo passou, mas ela não se perdoava até hoje pelo que tinha feito consigo mesma e com o homem que ainda habitava o seu coração como se tivessem se conhecido no outro dia.

Na época, Edward Cullen – o arremessador do time de beisebol da escola, popular por ser capaz de desaparecer com calcinhas com uma única lambida no lábio superior – transformou-se do melhor rapaz que poderia conseguir para si, no pior da classe de sujeitos que ela tanto desprezava desde que aprendeu o que era certo e errado.

Lembrava-se claramente de toda a sua autoestima escorrendo para fora do corpo e do seu peito doendo como se estivesse prestes a ter um ataque do coração. As pessoas riam e sussurravam ao seu redor, apontando o quanto ela era ingênua e isso a quebrou. Odiava a sensação de ser passada para trás. De ser a última a saber.

Isabella entendeu o verdadeiro significado da palavra ódio naquela tarde.

— Mas que cara feia! — A voz alta e brincalhona de Jasper a puxou para o presente e no susto, ela gritou, quase tirando o carro da estrada. Bella respirou fundo olhando pelo retrovisor, para ver se alguém tinha presenciado o seu deslize e bufou quando ouviu o desgraçado começar a rir — A minha mãe costumava dizer quando eu era criança, que se o galo cantasse e eu estivesse fazendo careta, meu rosto ficaria congelado daquela forma para sempre.

— Bem, você deveria tê-la ouvido. — Brincou mastigando o lábio para não gargalhar dos olhos esbugalhados do amigo.

Ele tinha mesmo ficado surpreso e ofendido com o comentário.

— Sua insolente! — Devolveu, fazendo-a rir finalmente e então pegou a caixa de donuts. Ele tirou de lá o único de chocolate sem glúten que havia sobrado e arrancou o primeiro pedaço, ouvindo-a gemer de desgosto e xingar — Mas o que diabos colocou aquela expressão em você?

— Apenas algumas lembranças. Voltar ao palco onde todos os meus problemas começaram, não se torna mais fácil, não importa quantos anos se passem... — Suspirou derrotada quando os faróis iluminaram a pista e a deixaram ver a placa que desejava boas-vindas aos visitantes de Forks. Já havia escurecido e as nuvens pesadas que estavam quase sempre sobre a cidade, faziam parecer que era muito mais tarde.

— Você precisa deixar essa parte fodida do seu passado para trás. Isso faz o que... nove anos? Eu não digo que você vai magicamente esquecer tudo o que passou, mas ficar perseguindo o cara online não é de grande ajuda para chegar lá, se quer saber. — Ele tamborilou os dedos no joelho ao ritmo da música animada que tocava naquela estação.

— Foi apenas uma vez! — Isabella respondeu em um rosnado. Era mentira, mas odiava quando isso era trazido à tona. Qual o problema com um pouco de curiosidade?

Durante os primeiros anos na faculdade, a vida dela foi quase miserável e seu coração se perguntava constantemente o quão bem ele teria se saído sem ela por perto e por isso, fazia pesquisas sobre o cara de tempos em tempos.

Mas não explicaria isso outra vez. Estava cansada dessa mesma discussão.

Jasper simplesmente detestava a sua obsessão por Edward. Ele como um irmão, tinha ciúmes dos seus relacionamentos amorosos por mais escassos que fossem, mas o problema era que esse em particular, além de não mais existir há quase uma década, a destruía de maneiras que assustavam a merda para fora dele.

Esteve tempo o suficiente na vida da morena para presenciar os seus pesadelos no meio da madrugada onde ela repetia as palavras ferinas que o rapaz disse na última vez em que se viram e como o seu corpo todo enrijecia sempre que algum homem se apresentava com o mesmo nome.

Tudo tinha sido muito fodido para ambos os lados, admitia, mas Isabella levou a pior e ele só queria pôr um fim nisso de uma vez por todas.

— Você acha que a sua mãe tentará me empurrar para o seu quarto dessa vez? — Ele perguntou retirando as coisas deles do carro quando estacionaram na frente da casa aconchegante de dois andares dos pais dela.

Isabella começou a rir lembrando da insistência de Renée da outra vez. Ela não sabia se era por sua necessidade exagerada de ter netos ou se sua mãe estava realmente apaixonada por Jasper, mas sempre que ia visita-la em Seattle, fazia o possível para que ele ficasse o máximo de tempo por perto. Sutilmente empurrando-a para ele.

Os dois fingiam flertar para brincar com ela e quando não estavam sendo vistos, riam à beça do sorriso da mulher que fantasiada em ver a jovem formando um lar com um bom homem que lhe proporcionaria segurança e felicidade.

— Ora, você chegou, bebê! — Charlie anunciou com a voz ligeiramente rouca de crise de tosse anterior. Ele abriu a porta para os dois e agarrou a filha pelos ombros, dando-a um abraço quase sufocante como se não a visse há meses.

O pai de Isabella andava com a saúde comprometida, mas nem assim deixava de demonstrar o quanto ficava feliz quando sua filha retornava para casa, por mais breve que fosse o período. Parecia que tudo ganhava sentido e soava certo com a morena por perto. Ele realmente amava viver a sós com a esposa e ter sua privacidade, mas sentia falta do mau-humor da sua pequena garota durante o café da manhã.

— Isso mesmo. A bebê Swan está em casa! — Jasper gritou após uma risada e Isabella revirou os olhos para o maldito apelido. Aquilo era bonitinho na sua infância, mas perdeu totalmente a graça no dia em que ela se tornou uma mocinha.

Isabella abraçou e deu um beijo demorado em seu pai, parabenizando-o e em seguida, entregou seu presente. Ela estava constrangida por não ser grande coisa, pois realmente era péssima com tudo em relação a homens. Seus ex namorados ganhavam camisas e perfumes o tempo todo, mas esperava ter acertado dessa vez.

Tratava-se apenas um kit de pescaria que ele comentou, na última ação de graças, que tinha interesse de comprar.

Charlie ficou vermelho como um tomate quando teve que agradece-la. Não acreditava que ela havia prestado atenção em uma conversa tola sobre equipamento de pesca! Após outro forte abraço, ele deixou as suas senhoras se falarem para ajudar Jasper a tirar as bolsas do meio da sala de estar.

— Oi, mãe. Você está muito elegante essa noite — Isabella disse olhando-a dos pés à cabeça, sua expressão era de pura satisfação — Gostei do que fez no cabelo.

Renée que observou a troca de carinho entre pai e filha em silencio, aproximou-se quase sem graça para cumprimentar a morena. A culpa lhe corria por dentro vendo-a ser tão atenciosa quando ela não fez nada além de virar as costas para a jovem e julgá-la como uma vagabunda quando mais precisava de apoio.

Ela não sabia nada sobre ser mãe de uma adolescente, uma vez que Isabella tinha ido viver com Charlie após o divórcio e só aparecia por duas semanas a cada ano. Ao ficar maior, às vezes optava por nem vir, o que causava um certo alivio nas duas. Sabia que era sua obrigação conversar com ela sobre rapazes e bullying na escola, logo quando ela retornou à cidade, mas tinha certeza que o ex marido não havia a deixado no escuro durante todo esse tempo.

Renée estava errada e sua criação severa a fez renegar a própria filha ao invés de ajuda-la em um momento delicado, por puro preconceito, constrangimento e pressão. Hoje, ela agradecia a Deus por ter reconhecido o seu erro antes que fosse tarde demais. Isabella foi generosa demais em perdoa-la e querer seguir em frente, como se palavras não tivessem sido ditas e atitudes tomadas.

A sua bebê era uma mulher incrível e ela nunca teria palavras suficientes para demonstrar o seu amor e orgulho. Mesmo que tenha estragado tudo desde o começo, que não soubesse como demonstrar ou agir como uma mãe tradicional e amorosa, a adorava. Profundamente.

Às 20h30, eles foram para o único restaurante da cidade no carro de Isabella. Forks possuía alguns estabelecimentos, mas em sua maioria, eram lanchonetes que faziam sucesso entre os jovens adolescentes, mas a ocasião da noite pedia algo com um pouco mais de requinte.

Enquanto as duas mulheres fofocavam sobre os acontecimentos da semana, os rapazes engataram uma conversa sobre o Alfred Morris, jogador de futebol americano, ter fechado contrato com o Dallas Cowboys e Jasper expressava a sua decepção por ele ter deixado os Redskins.

— Olá, sejam bem-vindos. Eu sou a Claire e vou atendê-los essa noite. — Uma moça loira de aparência juvenil com os seus 17 anos abordou-os assim que entraram no Mara's of Wallingford.

Eles foram guiados para uma mesa no centro das demais e Isabella notou que estava bem movimento hoje. Arqueou as sobrancelhas achando aquilo curioso e teve que se controlar para não rir dos olhares nada discretos que a jovem Claire enviava ao seu amigo. A cidade era tão pequena que todos conheciam a todos e sabiam quem era um visitante apenas ao bater o olho sobre ele. É claro que a criança se interessaria pelo que tinha de novo no cardápio, com o perdão do trocadilho.

— Agora que fizemos os nossos pedidos, eu gostaria de lhe dar o meu presente — Renée anunciou pegando a todos de surpresa. De sua bolsa, ela retirou uma caixa vermelha e bonita, entregou-a ao marido que sorriu envergonhado, mas arregalou quase comicamente os olhos ao abrir e se deparar com um lindo relógio Hugo Boss que deveria ter tomado uma parte considerável do dinheiro mensal da esposa — E não ouse reclamar! Você sabe como essas datas são importantes para mim, Charlie. Eu passei tanto tempo sem poder comemora-las com você e mima-lo da forma que você merece. Estou apenas feliz demais por poder estar ao seu lado, tendo o seu amor que não morreu mesmo quando fui infantil e insensível. — Renée suspirou lembrando de quando o mandou embora, pois não concordava com sua ideia de buscar por uma vida melhor em outro lugar.

Ela queria ficar onde foi criada e o marido queria explorar o país. Estudar para dar tudo do bom e do melhor para a filha deles. Ele se recusava a prender-se naquele minúsculo lugar quando ainda era tão jovem, mas Renée foi incapaz de entender que ele queria apenas o bem-estar e a felicidade das duas, então pediu o divórcio, abrindo mão da guarda da menininha junto com o casamento.

— Querida, vamos. Não foi bem assim... — Ele tentou melhorar seu ânimo apertando suas mãos e beijou os lábios rubros delicadamente, ignorando a evidencia do constrangimento da filha nas bochechas dela — Não posso mentir e dizer que não fiquei desapontado na época. Eu queria que tivéssemos feito dar certo, mas você tinha todo o direito de ter desejos contrários aos meus e pelo menos, o tempo que ficamos longe nos serviu para amadurecermos e resolvermos as nossas questões, para que pudéssemos enfim ter um casamento feliz, não foi? — Ela assentiu após respirar fundo e ganhou um segundo beijo — Que relógio lindo, Renée! Você tem sempre muito bom gosto.

Jasper assistia a declaração de um para o outro com um sorriso enorme nos lábios, lembrando-se vagamente dos pais quando ainda estavam juntos. Seu pai falecera 4 anos antes dele mudar de cidade e ingressar na faculdade. Ele quis muito ficar em casa com sua mãe, mas a mesma o incentivou a fazer sua vida como sempre quis, mesmo que fosse tão longe dos seus olhos. Hoje ela está namorando há quase 8 meses com um ricaço, pai de duas lindas gêmeas e que acabara de empregar a sua melhor amiga.

Jasper o aprovava totalmente. Ele estava fazendo a sua coroa muito feliz.

— Lola está ficando maior a cada vez que eu a vejo — Renée comentou bebericando um pouco de água da sua taça e Isabella sorriu para ela, porque sim, era verdade — Eu vi a última que você postou dela. Lindíssima!

— Sim, ela está uma verdadeira moça — A morena respondeu, fazendo o amigo revirar os olhos e olhar em volta — Vai ficar com um amigo nosso até domingo quando voltarmos. Era isso ou deixa-la sozinha em casa.

— Oh, não. Faça isso apenas se for voltar logo, pois sabe-se lá como você encontrará o lugar quando retornar.

Os pedidos chegaram e eles começaram a comer em meio a uma animada conversa. Charlie estava muito contente em saber que a filha em breve estaria trabalhando novamente, pois sentia-se culpado por sua demissão. Ele mesmo não via a hora de voltar a sua antiga rotina.

Eles riam muito quando Renée lhes contou sobre a prisão de Marty Newton há apenas dois dias. Ela o encontrou totalmente bêbado em um bar na saída da cidade. O garoto disse que iria pagar duas rodadas de cerveja para todos os clientes mesmo quando não tinha o dinheiro para tal coisa e quando embriagado demais, subiu no balcão, abriu as calças em meio a uma dança patética e fez xixi em dois motociclistas que estavam de passagem.

— O que eu posso afirmar é que não ia sobrar nada do garoto se não tivéssemos chegado a tempo. Essa molecada de hoje... — Renée resmungou balançando o liquido dentro da taça de vinho tinto para depois sorver um gole — Será que você se lembra dele, Bella?

— Um pouco, mãe. Quando eu saí da cidade, ele ainda era muito jovem – Respondeu pensativa — E sobre o Mike, você tem notícia? Deus, ele era um tremendo babaca! Espero que a Stanley tenha caído fora. — Ela fez careta lembrando do namoro pegajoso que os dois engataram algumas semanas antes da formatura.

Jessica nunca foi sua amiga ou algo remotamente parecido, mas era a única dentre as que se julgavam “populares” que respeitava o seu espaço e não lhe abordava com piadinhas depreciativas todas as manhãs, por isso torcia para que a mesma tenha feito algo melhor da sua vida do que aguentar aquele inútil sobre suas costas.

Michael Newton era o jardineiro direito do time, um imbecil com I maiúsculo e também um dos grandes amigos dele. O rapaz a perseguiu e implicou durante todo o seu último ano no ensino médio porque se achava demais e também por ter tido seu patético flerte rejeitado. Ela o detestava e nunca tirou da cabeça que ele fora o principal causador de toda a confusão na qual estive envolvida.

Jamais esqueceria o deboche e a risada do garoto.

— Ele vem ver como andam os pais e a loja uma vez por ano, mas fica pouquíssimo tempo. Depois que a Sra. Stanley se mudou quando a Jessica foi estudar no Arizona, eu não tive mais notícia de nenhuma das duas, querida. — Renée se justificou logo após pedir a sobremesa.

Isabella assentiu satisfeita com a resposta. Era bom que elas não estivessem mais na cidade. Ela às vezes chegava a se arrepiar só de lembrar da primeira e última festa de Jessica em que esteve presente. Queria ser capaz de ignorar o sentimento.

— Olha o que eu consegui, bebê — Jasper a puxou de suas memorias outra vez, balançando na frente do seu rosto um pedaço pequeno e meio amassado de papel branco — O telefone da garçonete.

— Você está fodidamente brincando comigo? Ela é apenas uma criança — Ela repreendeu dando um tapa na mão dele, fazendo o seu sorriso arrogante aumentar — E por que os seus lábios estão avermelhados ass... Oh, Jasper, seu grande filho da mãe! — Ela aumentou a voz horrorizada e tampou a boca com as duas mãos para abafar a risada.

Ele tinha pegado a garota bem aqui. No local de trabalho dela.

Jasper apenas gargalhou da reação da amiga e lambeu os lábios inconscientemente ao lembrar do quão quente foi ser abordado na saída do banheiro por aquela loira linda. Ele sabia que ela era nova demais, mas não havia nada de ilegal ali. Estava apenas de passagem, ela era fácil e estava em busca de diversão, ambos pareciam em sintonia sobre o que queriam para o final de semana. Por que não?

— Jesus, Bella. A menina quase me come vivo contra a parede bem ali e você faz parecer como se eu quisesse roubar a virtude dela — Ele riu de novo balançando a cabeça para os lados — Você também precisa viver um pouco, sabe? A vida está passando. — Jasper cutucou a amiga na cintura, fazendo-a dar um pulinho com a sensação incomoda enquanto partia um pedaço da sobremesa com uma colher.

Isabella o olhou ceticamente por um tempo e depois deu de ombros. Ele sempre dizia a mesma coisa e não estava errado. O seu último relacionamento fora há mais de cinco meses e resultou em um total fiasco. Ela cometeu o erro de se envolver com um homem com a mente um pouco aberta demais e não mediu as consequências.

Aí está o problema em namorar um bissexual.

Ele vai te trair com uma mulher e um homem.

Isabella era humana e ficava solitária com mais frequência do que gostaria, mas não estava disposta passar por todo aquele processo e então fracassar outra vez. Seria muito mais fácil se ela fosse aquele tipo de mulher que escolhia um par de calças aleatório que beijasse bem, levava para casa e fazia o que tinha que ser feito, mas não foi assim que Deus quis. Ela realmente não se sentia à vontade com uma língua desconhecida dentro de sua boca. Ou em qualquer parte do seu corpo.

Sentia-se horrível sempre que a inveja se apoderava dela quando o seu amigo lhe contava sobre alguma aventura amorosa. Desde a sua última noite de bebedeira severa, onde ligou para o ex dos tempos de caloura e passou a noite em seu apartamento, sua vagina esteve longe dos olhares e toques masculinos. A desvantagem de ter que constantemente cuidar de si mesma, era que independentemente de quantas pernas, braços e abdômen ela usasse em sua mente para formar o homem ideal, era sempre Edward Cullen que aparecia para fazê-la gozar.

E ela gozava. Alucinadamente.

E sentia-se uma porcaria no minuto seguinte.

O quão patético era ainda estar completamente apaixonada por seu namorado de escola, que não via desde que o machucou tão duro quanto ela teve o coração pisoteado?

Após a sobremesa, ela viu o estomago de Charlie empurrando os botões da camisa, mostrando o quanto ele havia comido bem e suas bochechas ligeiramente rosadas, indicando o seu estado de embriagues. Os pais pediram um café para finalmente encerrarem a noite e como já estava satisfeita, avisou a todos que iria se refrescar no banheiro e logo voltaria.

Assim ela fez.

Passou por entre algumas mesas cheias, cumprimentou três conhecidos que lhe deram um olhar curioso quando a reconheceram e seguiu por um corredor meio mal iluminado, até encontrar a porta branca com uma pequena placa indiciando ser o toalete feminino.

Isabella entrou em uma das cabines, passou papel higiênico rapidamente pelo assento e fez xixi enquanto olhava as últimas novidades em seu celular. Sorriu quando viu em seu perfil, que alguém havia mandado uma música de sua banda favorita feita especialmente para um filme que ela vem esperando ser produzido há um tempão. O quão perfeito era isso?

Depois de sair dali, foi até a bancada, onde havia três pias e um grandessíssimo espelho atrás, para lavar as suas mãos. Estava com o rosto baixo, concentrada em retirar o sabonete líquido de entre os dedos, quando ouviu algo caindo no chão e pulou assustada no lugar. Mais assustada ficou quando viu alguém inesperado no reflexo do espelho.

— Alice?

— Isabella?

Elas perguntaram ao mesmo tempo e ficaram apenas assim, encarando uma à outra pelo tempo necessário que o cérebro de cada uma levou para processar que estavam juntas naquele pequeno banheiro. Isabella foi a primeira a se recuperar, piscou e fechou a torneira que ainda jorrava água e pegou um papel-toalha para secar suas mãos que pingavam. Ela endireitou-se e sorriu para o rosto pálido de sua velha amiga.

— Olá, Alice. Por que você está com essa cara? Parece que viu um fantasma. — Tentou brincar enquanto assistia a moça abaixar-se e recolher a bolsa caída sem desviar os olhos da sua figura.

— É que... n-não foi n-nada. — A pequena moça gaguejou em resposta e a morena estreitou os olhos estranhando sua reação. As duas foram boas amigas no colegial e se falavam de vez em quando pelas redes sociais, às vezes até se esbarravam quando Isabella retornava à cidade. Mas havia algo de diferente dessa vez.

— Certo... — Pigarreou fingindo entender e voltou a sorrir com educação — Como estão os seus pais? Duvido que nos vejamos nos próximos dias, então, por favor, diga que eu mandei abraços. — Ela pediu deliciada com as lembranças dos Cullen.

Os pais de Alice estavam juntos há mais de 20 anos e eram o casal mais divertido e bondoso que ela teve a oportunidade de conhecer. Eram como jovens-adultos que se recusavam a envelhecer. Carlisle trabalhava como médico no Forks Community Hospital desde que vieram da Califórnia e Esme era apenas uma dona de casa amorosa, que esteve mais do que feliz em dedicar-se apenas a sua família.

Família que Isabella desestabilizou por completo sendo uma cadela vingativa no seu último ano de escola.

A culpa que carregava disso estava instalada em todas as suas células. Era esperado que eles fossem compreensivos tendo em vista que ela era apenas uma adolescente idiota na época, mas os Cullen a acolheram em seu lar quando Renée a expulsou de casa e negou ter como filha, uma vagabunda que – segundo ela – abria as pernas para qualquer um. Eles sofreram ao verem os filhos brigando e se insultando, principalmente quando um deles decidiu partir sem olhar para trás, mas não poderiam jamais ignorar o estado em que a moça se encontrava. Era errado e injusto.

Ela deveria a eles para sempre. Ela os amava muito.

Mas fugia dos dois como o diabo foge da cruz. Por vergonha.

— Próximos dias? — Alice gritou abrindo mais os seus pequenos olhos esverdeados — Você pretende ficar aqui até quando? Bella, você não, não p-pode. Oh, Jesus... — Ela suspirou derrotada.

— O que diabos há de errado com você? Eu fico por quanto tempo eu quiser ou você esqueceu que os meus pais vivem aqui e sempre que eu posso, venho vê-los? — Ela questionou sentindo-se irritada com a reação da amiga.

Isso já estava passando dos limites. Não tinha ideia o que havia feito para que Alice desejasse que ela fosse embora o quanto antes. Quando as duas conversaram banalidades há menos de um mês, tudo parecia muito bem.

— Tem razão, Bella — Alice suspirou — Me perdoe? Eu só fiquei surpresa — A jovem pediu parecendo arrependida de verdade e ela apenas assentiu, recuperando a compostura. Ajeitou sua saia na frente e atrás, bem como a blusa que estava contornando os seus mamilos. Porcaria de sutiã. Pegou na maçaneta da porta para sair, quando a pequena pulou ao seu lado — Deixe-me acompanha-la! Você está bonita. Eu adorei como essa sandália valorizou a sua panturrilha. Eu lembro que...

Alice foi falando pelos cotovelos e sem parar por todo o caminho de volta às mesas. Ela segurava o braço de Bella, guiando-a por lugares estratégicos e a mesma nem sequer percebia, apenas respondia todas as perguntas que eram feitas, satisfeita por tê-la finalmente no seu estado normal e ouvia interessada o que ela tinha a dizer. Sentia falta de sua loucura e de tê-la tentando lhe empurrar roupas, mas sabia que atualmente não estava mais fazendo feio.

Isabella freou os passos quando notou sua mesa vazia. Imaginou que demorou demais e os pais já haviam pedido a conta. Provavelmente estavam impacientes na entrada, esperando-a. Ela puxou Alice em direção à recepção, ignorando as suplicas da moça e quando chegou ao balcão, questionou sobre os clientes da mesa a qual ela apontava, mas antes que a senhora do outro lado pudesse lhe dar uma resposta, seu braço foi agarrado com força o suficiente para fazer o seu corpo girar contra a sua vontade. Ela ofegou surpresa e deu uma boa olhada nas duas mãos másculas que seguravam seus pulsos.

Ela sentiu-se estremecer ao reconhecer aquele toque. Ela nunca esqueceria...

Não! Aquilo era um engano. Tinha que ser ou estava ficando louca.

Mesmo nervosa, conseguiu registrar o que o homem estava de jeans, uma camisa cinza com estampa preta e uma jaqueta de couro. O aperto no seu braço se intensificou e ela engoliu seco quando passou os olhos pelo o pomo de adão onde os seus lábios já estiveram tantas vezes.

Jesus, era ele.

Isabella tirou um momento para estudar o rosto do homem que a encarava. As orbes verdes continuavam a surpreender por sua beleza e se estivessem em uma situação diferente, aquele brilho feroz teria a excitado. Ele tinha envelhecido muito bem, ela sabia disso pelas fotos que viu, mas pessoalmente era apenas... wow. Estava mais másculo sem todos aqueles traços juvenis no rosto que todo adolescente no auge dos 18 anos tem e surpreendentemente ainda mais bonito.

Por um breve segundo, quis suspirar de satisfação por poder vê-lo outra vez, mas sentiu medo quando um calafrio correu sua espinha ao receber outro daqueles olhares furiosos.

— O que inferno você está fazendo aqui?

Bem, ela deveria ter imaginado que não seria tão simples.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Todo mundo sabe quem surpreendeu a Isabella, mas se o capitulo não acabasse assim, não seria eu. Vocês me conhecem, haha. Bem, olá, gente! Alguém sentindo falta de Odisséia por aí? Se sim, eu também, mas estou muito mais empolgada de estar trazendo essa nova história. Agora vocês sabem como me deixar feliz, certo? Quero que me contem nas reviews o que acharam do capitulo e as primeiras impressões sobre os personagens. Se já suspeitam de algo, enfim... qualquer coisa. Até logo ♥