Erros de Sempre
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Isabella estava decidida.
Oportunidades como essa não caiam no seu colo todos os dias e ela queria dizer isso literalmente. Há quase 10 anos ela não via aquele homem e teria que estar completamente dormente por dentro e por fora para ignorar o chamado do seu corpo pelo dele. A melhor parte é que ela sentia a reciprocidade em cada gesto dele. Edward podia afirmar odiá-la o quanto quisesse, mas ele não era imune a sua aparência e talvez até mesmo, ao pacote completo.
Cada sussurro e gemido pareciam dizer apenas uma coisa: ele a queria.
Edward a desejava tão ardentemente quando ela precisava dele.
Por que ainda estava pensando sobre isso? Faça, jogue-se, seu coração gritava muito mais alto que a consciência. Edward deveria voltar para a Califórnia em poucos dias, assim como ela retomaria a sua vida em Seattle. Eles nunca tornariam a se encontrar e mesmo que o fizessem, não havia garantias de que ambos quereriam a mesma coisa, então por que não pegar o que ele estava oferecendo agora? Era apenas o seu corpo. Uma transa casual que lhe tiraria o sono mais tarde, mas tratava-se do homem por quem era apaixonada. Teria que ser idiota demais para acabar com o momento e seguir em frente como se nada tivesse acontecido e Isabella estava certa de que havia cometido erros o suficiente na sua vida. Isso não seria mais um.
— Foda-se.
Suas mãos começaram a agir antes que o seu cérebro registrasse os movimentos e começaram a livrar Edward das camisas que vestia. Ele sorriu todo cheio de si para a sua atitude e quando se viu com o peito nu, a puxou para uma espécie de abraço. Os dois riram e gemeram com a sensação das peles se tocando sem nada entre eles. Ele apalpou as laterais dos montes macios enquanto estavam tão fortemente pressionados contra ele, que parecia que os mamilos dela iriam perfura-lo e deu uma longa lambida no pescoço da morena, fazendo-a jogar a cabeça para o lado.
Há quanto tempo ela não era tocada dessa maneira? Não lembrava.
Edward tinha dúvidas se nos últimos anos tinha visto algo tão bonito quanto aquela mulher nua da cintura pra cima, ofegante, excitada e com as bochechas coradas em cima dele. Ele afastou-se dela, deliciado com o seu resmungo e sem muitas dificuldades, os dois foram para o branco de trás, tirando o que sobrou de roupa com pressa. Ansiosos para provarem um do outro e também com medo de que em um momento de sobriedade, desistissem do que estava prestes a acontecer.
— Tão linda... — Ele sussurrou baixo, mas ela conseguiu ouvir e corou enquanto terminava de abaixar o short, ficando apenas com uma calcinha preta — Vem aqui. — Edward chamou, agarrando-a pelo braço e ela caiu em cima do seu corpo. A ereção dele agora estava muito evidente, uma vez que já tinha se livrado das calças e ela estava amando sentir aquela dureza em sua barriga. Era possível que estivesse maior?
O cheiro que estava em Isabella era algo que não havia uma explicação racional. Parecia um afrodisíaco que o afetava mais do que o normal. Ele mal conseguia separar o nariz de sua pele e sempre que saia do seu pescoço, ia direto para os seios, cheirando, beijando e lambendo aqueles doces mamilos sensíveis que endureciam mais a cada mínimo toque de sua língua, obrigando-a a gemer.
Edward deitou o corpo de Isabella com cuidado no banco e ficou por cima dela da forma que pôde no espaço disponível. Seus dedos afoitos encontraram o tecido da calcinha e ele sorriu daquele jeito safado que ela adorava, quando percebeu o quão fino era o pano que a cobria. Não precisando pensar duas vezes, segurou ambos os lados e puxou com as duas mãos ao mesmo tempo, rasgando e livrando-a da única peça que restara.
Ela gritou de susto sentindo sua pele arder quando a calcinha foi puxada daquela forma brusca. Desgraçado. Ele nem sequer pediu! Aquela era uma das mais confortáveis – entre as que não lhe causariam vergonha – que tinha. Se não estivesse com tanto tesão, o teria estapeado. Isabella suspirou tremula no segundo em que os dedos dele assaltaram as suas dobras escorregadias. Ele gemeu junto quando fez carinho no seu clitóris pequeno que parecia inchar a cada toque e sentiu o calor da entrada dela. Pensar em ter aquela maciez e umidade toda em volta do seu pau o fez rosnar como nunca.
— Por favor, Edward — Isabella implorou quando sentiu beijos demorados serem depositados nas suas coxas e no interior das mesmas. Ele levantou a cabeça e por longos segundos se encararam em silencio, ela gostaria de dizer algo mais, mas não sabia o que. Edward a detestava e tê-lo desejando-a novamente parecia um sonho, ela não queria estragar o momento de forma alguma. Não antes de obter alguma coisa — Beije-me aí... — Pediu, arriscando. O incomodo no seu sexo estava ficando insuportável de aguentar. Ele abaixou e beijou a sua intimidade bem distante de onde ela queria e isso a fez bufar alto — Faça alguma coisa ou eu mesmo resolvo, Cullen.
Edward riu pelo nariz quando queria gargalhar de sua impaciência. Ele sempre gostou de fazê-la implorar para gozar, agora não deveria ser diferente, mas além de não terem muito tempo, não tinha certeza se queria colocar a boca em sua buceta. Ele não era um homem fresco, longe disso, mas Isabella simplesmente não era confiável, nunca foi. O que ela andou fazendo por todos esses anos? Com quem e aonde? Não tinha a menor ideia e não pretendia arriscar, pelo menos não ainda. Talvez numa próxima vez experimentassem mais coisas.
Próxima vez. Mas que diabos?
Não haveria nenhuma outra. Provavelmente existia algum imbecil em Seattle esperando para que ela retornasse para casa, com saudades, enquanto ela estava bem aqui em seu carro, aberta... ofegando, toda ansiosa para recebe-lo dentro de si.
Mordeu o interior da bochecha direita quando o ciúme ameaçou surgir. Não, era impossível ser ciúme. Aquilo era raiva mesmo. Raiva por ela ser tão fácil, por ser tão vadia. Por que não o respeitou? Por que não esperou por ele, porra?
Antes que pudesse se controlar, mordeu a coxa dela, fazendo-a gritar de dor e rapidamente expulsou a boxer do corpo. Seu pau latejava para senti-la, apesar de tudo. Ele queria mais do que qualquer coisa, no momento, ser capaz de dizer que eram suas necessidades masculinas o fazendo agir, mas tratava-se dela.
Ela o deixava duro.
Ela o deixava desesperado.
Ela o deixava completamente insano.
— Puta que pariu! Por que você fez isso, seu maluco? — Ela berrou sentindo a perna doer e seus olhos lacrimejarem. Olhou o local da mordida e ficou com mais raiva por ter a certeza de que ficaria marcado por um tempo — Cullen, eu vou... — Ela pretendia ameaça-lo, mas perdeu o ar quando o corpo dele caiu em cima do seu em um abraço possessivo e gostoso. Seus lábios foram para o pescoço dela e a morena derreteu ali mesmo, esquecendo da dor ou do seu comportamento, principalmente quando sentiu o pau de Edward pressionar a sua entrada.
Ambos fecharam os olhos e gemeram alto quando Edward empurrou para dentro dela. A cavidade era tão estreita quanto ele se lembrava e isso simplesmente o enlouqueceu. Rosnou, puxou para fora e sem querer esperar nem mais um segundou, empurrou de volta com força.
E fez de novo. Outra vez e mais uma, adorando sentir como era fácil deslizar cada vez mais para o fundo. O quanto ela estava escorregadia, mas ainda assim apertava o seu pau como um pulso de ferro ao seu redor.
— Para quem você está molhada assim? — Ele perguntou, a voz rouca e o timbre fez a buceta dela contrair ao seu redor, fazendo-o apertar os olhos e buscar ar — Quem, Isabella?
— Oh... v-você.
— Isso, porra, para mim. — Ele lambeu o queixo dela e estocou fundo, para então fazer um movimento com o quadril que a deixou completamente preenchida.
Isabella estava em êxtase. Por que só com ele era assim? Ela poderia gozar só de olhar aquele rosto. Os olhos se fechando, piscando cada vez mais devagar, a boca meio aberta por onde saiam gemidos e a respiração ofegante. O corpo dele magro, tonificado na medida e nos lugares certos, e ainda tinha aquela leve camada de suor fazendo o peitoral livre de pelo, brilhar. Era o inferno de uma visão que só aumentou a inquietação na sua barriga.
Edward olhou para baixo e meteu mais forte, mais rápido, quando percebeu que suas investidas faziam com que os peitos dela se movessem no mesmo ritmo em que a tomava. Ela tinha dificuldades de manter sua atenção em algo além daquelas sensações, mas também o observava constantemente e por pouco ele não sorriu. Seus cabelos eram uma bagunça linda sobre o banco e ela parecia simplesmente perfeita ali com toda a sua brancura.
Ela estava desejosa por um beijo e quando Edward levantou um pouco o corpo, ela o puxou de volta, mas assim que percebeu sua intenção, ele desviou para o pescoço dela. Cheirou a pele dali e aumentou o ritmo das investidas, embriagado com os gemidos e pequenos gritinhos da mulher, sempre que suas pélvis esfregavam uma na outra e ela tinha o clitóris pressionado. Edward estava ansioso para explodir dentro do corpo dela. Isabella choramingou de desespero... estava tão perto. Bastava sentir os lábios dele uma vez e....
— Hmmm. — Gemeu quando o ruivo infiltrou dois dedos em sua boca, forçando-a lamber e chupar.
Ela obedeceu de bom grado, fazendo movimentos similares ao sexo oral, deixando-o maluco para sentir aqueles lábios macios o chupando, assim como o seu sexo estava fazendo agora. Levando-o para dentro, apertando e fazendo com que ele tivesse um tempo difícil em penetra-la. Era tão gostoso que sentia vontade de gritar como nunca fez antes. Seu pau latejou dentro dela e ele soube que não havia o que fazer, estava à beira do orgasmo.
Tirou os dedos da boca avermelhada e colocou-a entre os dois corpos, bem onde estavam ligados. Assistiu, orgulhoso, quando ela arqueou as costas, fazendo barulho ao desprender-se do assento suado, quando seus dedos repletos de saliva acariciaram e beliscaram o nervo sensível dela, exatamente como lembrava que ela gostava.
O corpo de Isabella reagia de forma magnifica. Sua entrega era total e ela deixava para trás toda e qualquer desavença para adora-lo e ter o mesmo de volta. O sexo dela contraiu novamente, bem mais forte, a medida em que ela soltava um grave gemido. Ele urrou com a sensação, empurrando com mais vigor e atacou os peitos dela com beijos, lambidas e mordidas em seus biquinhos deliciosos.
Inferno, ele não queria gozar. Ele não queria parar nem agora nem nunca.
Isabella gritou quando sentiu o mamilo ser chupado, ao mesmo tempo em que o outro era beliscado. Então, as estocadas profundas de Edward que quase começaram a doer. Era simplesmente demais e não pôde negar aos dois, aquele orgasmo alucinante.
Com fascinação, Edward assistiu o corpo dela se contorcer todo de prazer. Do prazer que ele e apenas ele lhe proporcionou e esse impulso no ego, o fez gozar forte a ponto de ver tudo escuro por alguns incríveis segundos.
Ela cobriu o rosto com as mãos e tentou acalmar sua respiração. Suas pernas ainda tremiam levemente e isso a fez rir, atraindo atenção do homem que ainda estava dentro do seu corpo. Ele gemeu baixinho enquanto se movia para alcançar o rosto dela e passou a língua em sua bochecha, extraindo uma nova risada que só morreu quando ele atacou a sua orelha com mais lambidas e mordidas.
Era como um leão.
— Eu havia me perguntando sobre isso uma vez. Agora sei que ainda tem toda a precisão e a velocidade nos movimentos — Isabella falou risonha após alguns minutos, que em silencio, eles acariciaram a pele um do outro, aproveitando o momento de paz — Será que você ainda joga?
Edward que estava descansando a cabeça entre os peitos dela, tencionou inteiro ao ouvi-la mencionar o beisebol. Ele não jogava mais, porque detestava as memórias que o esporte trazia sobre seus últimos treinos e jogos no ensino médio, então o máximo que consegue fazer, é acompanhar alguns times. Além disso, não tinha mais tempo para esse tipo coisa. Sua profissão exigia muito das suas horas diárias e hoje, encontrou hobbies muito mais interessantes.
— Essa foi uma das coisas que deixei para trás quando terminei a escola — Edward respondeu se levantando e imediatamente sentiu a mudança de temperatura no corpo. Ele odiou — Eu tenho 27 anos. Há coisas em que as minhas mãos se encaixam bem melhor do que em um taco de beisebol.
Isabella levantou a cabeça, franzindo o cenho para a mudança no seu tom de voz. Por que ele ficava tão áspero de uma hora para outra? Caramba, não dava para relaxar um pouco? Assistiu calada enquanto ele afastava-se mais e acabava de dar um nó na camisinha recém usada, a qual ela sequer percebeu estar no meio deles.
Edward vestiu a cueca, então a calça e jogou os sapatos para o banco da frente, não se importando em coloca-los agora. Ele saltou para o assento do motorista sem mais nenhuma palavra e suspirando, ela se sentou para começou a procurar as suas próprias roupas. Viu os trapos em que a sua calcinha havia acabado e sentiu um leve formigamento na virilha. Quando ele havia se tornado tão agressivo no sexo?
Balançou a cabeça dissipando aqueles pensamentos quando ele ligou o carro e começou a dirigir. Então com um pulo, se pôs de joelhos e abraçou o pescoço do amante por trás, dando um beijo estalado em sua bochecha, logo em seguida. Edward tencionou quando sentiu os dedos dela passeando pelo seu peitoral ainda nu e o seu pau respondeu no mesmo instante. Isso o aborreceu completamente.
Recebeu o beijo dela no rosto começando a se sentir meio enjoado, por isso se desfez dos braços dela tão rápido quanto foi capaz e concentrou-se em acelerar o carro. Ele sabia que ficaria na merda depois que a tivesse, mas ainda não se arrependia. Levaria o inferno de um tempo para tira-la fora de si, mas ele gostou. E como gostou! Queria poder passar o resto da noite assim, tendo-a em seus braços e ignorando o que os separaram por tanto tempo, mas não podia lhe dar falsas esperanças.
Nada mudou.
— Está tudo bem? — Ela perguntou preocupada, começando a se vestir, vendo que ele estava com pressa de chegar em algum lugar — O que foi?
— Como o que foi, Isabella? Acha que por que transamos, vamos ficar de beijinhos por aí? — Respondeu com um escárnio que fez a expressão dela endurecer. O celular dele começou a tocar naquele momento e foi ignorado até que o automóvel parou no mesmo lugar de antes, em frente a farmácia.
— Olha, eu sei que não somos um casal ou algo assim, mas já que estamos aqui, não deveríamos ao menos conversar sobre o que aconteceu?
— O que tem para falar? Estávamos curiosos, com tesão e já resolvemos o problema. Não vamos fazer disso um grande negócio, ok? — Edward respondeu olhando-a pelo retrovisor. Isabella estava meio boquiaberta, pois esperava um pouco mais de maturidade — Agora sai logo que eu tenho compromisso...
— Como é?
— Saia do carro, por favor.
— Edward! Para de me tratar desse jeito — Ela pediu, tentando controlar a sua raiva — Por que você não me ouve? Eu já tentei me desculpar tanto — Disse com a voz ligeiramente embargada pelo choro contido, mas ele nem piscou — Você vai simplesmente me deixar aqui? Mas nós acabamos de...
— De foder. Eu lembro exatamente do que fizemos, mas agora acabou, certo? Não me venha com ceninha, porque você sab... — Ele foi interrompido pelo som do celular tocando pela terceira vez. Arqueou as sobrancelhas, reprimiu a vontade de bufar para a tela e atendeu no segundo toque — Sim, Kate?... Eu sei que estou meio atrasado, tive um problema com o carro... Já resolvi... Lógico que sim... Isso mesmo, vista aquele vermelho que eu gosto e você vai ficar fantástica.
Isabella terminava de fechar o short pasma com o que ouvia. Ele estava mesmo marcando um encontro com uma mulher minutos depois de ficar com ela? Sua garganta parecia fechada com a vontade de chorar e ela mordeu o lábio para não deixar escapar um soluço. Que bastardo infeliz! Recuperou seus óculos e a sacola no banco da frente e teve dificuldade de abrir a porta, pois suas lágrimas a cegavam completamente.
Ela sabia que não estava em um romance. Ele não ia simplesmente descobrir que ainda a amava só porque ficaram juntos mais uma vez, mas cacete, tinha outra mulher ficando bonita para espera-lo enquanto o cara se servia dela como bem queria. Isso era embaraçoso de tantas formas diferente! E saber que ele estava correndo para ela depois de se satisfazer dentro de si, a deixava enjoada.
— Eu deveria ter desistido de você. Honestamente, eu apenas achei que seriamos capazes de ter uma conversa civilizada e talvez chegar em algum lugar depois de eu te explicar tudo o que aconteceu — Ela disse depois de saltar para fora. Edward finalizou a ligação e a olhou, parecendo fingir interesse — Eu nunca te deixei falar sobre a aposta. Eu não quis ouvir suas explicações e as razões por trás daquela brincadeira de mau gosto e você fez o mesmo comigo quando trai sua confiança, ok, justo o suficiente. Mas não somos mais crianças, Edward. Por que você tem que correr de mim como um garotinho assustado? — Ela balançou a cabeça, cansada e voltou os olhos para ele.
Porque você me apavora, porra.
Edward engoliu em seco, percebendo pela primeira vez que era exatamente o que estava fazendo, correndo para longe para que ela não pudesse machuca-lo outra vez. Era infantil? Não. Era a coisa correta a fazer, certo? Estava sendo um babaca, sabia disso, outras mulheres disseram a mesma coisa dezenas de vezes antes, mas tratava-se de instinto de proteção. Se alguém ia se magoar nessa história de novo, não seria ele. Não ia passar por aquela merda novamente. Nem com ela, nem com ninguém. Nunca mais.
Ele conheceu muitos mentirosos e manipuladores ao longo da vida, dentro e fora do trabalho. Em bares, restaurantes, casas de amigos em comuns e também no tribunal. Sabia perfeitamente quando alguém estava tentando lhe passar a perna, fingindo algo que não sentia ou que não era, e agora olhando nos olhos marejados da menina por quem ele foi profundamente apaixonado um dia, podia afirmar que ela realmente sentia muito pelo o que fez no passado. Mas o que diabos isso mudaria? Por que sentar e conversar, se nada traria os bons tempos do namoro de volta? Sua família voltaria a ser exatamente como foi um dia antes dos dois se envolverem? Ele seria o único a quem ela se entregou? Voltaria a confiar nela?
Inferno, não.
— Como pode ser tão ingênua? — Ele perguntou, sua voz calma e muito fria, a fez parar. Ingênua. Ela odiava essa palavra. Graças a Edward, isso era tudo o que ela ouviu por um longo tempo — Eu não te quero, Isabella. Eu não a quero hoje e nunca vou querer. Será que você entende? Garotos fazem merda, eu pedi perdão pelo erro que cometi, mas você não ficou satisfeita e mostrou-me que podia fazer pior, não foi? Mulheres só ferram comigo uma vez e você teve a sua chance, agora é tarde demais — Ele respirou fundo e soltou o ar, deixando seus olhos se fecharem por um momento e implorando ao seu cérebro que assimilasse aquilo pela última vez. É tarde demais. Tarde demais para qualquer coisa. Precisava mantê-la longe de uma vez por todas — Você não serve para mim. Eu nunca ficaria com alguém que cai na cama de qualquer um.
— Você é um cretino sem coração — Ela rebateu, irritada e profundamente decepcionada. Quem era esse homem e onde estava o rapaz carinhoso e otimista por quem se apaixonou profundamente? Como alguém pode mudar tanto? — Tenha uma péssima vida, Cullen. — Isabella bateu a porta com força e respirou fundo como se estivesse há horas embaixo d’agua.
— Oh, eu já tenho. E adivinha a quem eu devo isso? — Debochou, amargurado.
Ignorando-o, andou para longe. Olhou para dentro da sacola para verificar se estava tudo lá dentro e ouviu quando a porta do carro dele foi aberta outra vez.
— Ei! — Ela virou-se com ódio e encarou o homem que sorria divertido em sua direção, mas ela sabia que aquilo era simplesmente falso. O seu cabelo estava tão bagunçado quanto a própria roupa, mas o idiota continuava muito bonito — Você não esclareceu. Isso foi um presente de boas-vindas à cidade ou você vai me cobrar? Desculpe a minha ignorância, eu não costumo... Porra! — Edward gritou horrorizado quando viu ela se abaixar ao lado da calçada, pegar algo na mão e jogar direto no para-brisa do Mercedes que trincou no mesmo segundo.
Uma pedra.
Ela jogou uma maldita pedra no carro.
— Você não podia deixar isso ir, não é? Você se cresce, porra. Agora corra de volta para casa e tente explicar para a sua namoradinha como você conseguiu esses arranhões nas costas. Idiota. — Isabella riu, adorando a cara de choque dele que nem piscava, olhando para o vidro quebrado com a pedra presa no mesmo.
Isabella 1x1 Edward
Enquanto ela lhe dava as costas e se afastava, Edward respirava tão fundo quanto podia, pois sua vontade, era de ir atrás dela e esgana-la até que sua raiva passasse. Mas que atrevida! Ele tinha um ciúme doentio dos seus carros e esperava que ela fizesse de tudo quando a provocou, menos aquilo. Está bem, foi merecido porque ele fez por onde, mas não era do seu feitio tratar mulheres assim. Apenas estava perturbado demais com a confusão que estava acontecendo dentro de si naquele momento e precisava extravasar aquilo de alguma forma. Fazê-la se afastar dele ao ponto de nem cogitar tentar se aproximar novamente, era a única solução.
Ele precisava machuca-la e lembrar do que porquê de odiá-la tanto, mas admitia que não gostou de ter visto as lágrimas nos olhos dela. Aquela mulher não deveria chorar jamais, por nada nem ninguém, mas infelizmente, ela merecia.
Estava inquieto quando deu partida e pegou a esquerda da estrada, rumo à casa da família, onde estava hospedado com sua acompanhante da vez. Ele a conhecia há um tempo até razoável, mas por trabalharem em um caso juntos naquela época, preferiu manter a relação estritamente profissional e ignorou cada uma das dezenas de investidas da moça, cedendo apenas quando o convite lhe foi feito no início da semana.
Voltar à Forks sozinho da mesma forma como saiu, estava fora de cogitação. Ele sabia o quanto a sua mãe estava emocionada por recebe-lo em casa depois de tantos anos, principalmente em uma data especial como a do aniversário de casamento do irmão mais velho, Emmett. Estavam todos muito animados para celebrar.
Edward manteria uma relação à distância com quase todos, se não fosse por Alice que ligava em quase todos os dias da semana apenas para jogar conversa fora e pela insistência de Esme em visita-lo a cada dois meses. Às vezes, sentia-se ridículo por ainda guardar rancor da sua mãe depois de tudo, pois hoje, compreendia melhor que tudo que ela fez, foi pensando no bem de todos que amava e que jamais esteve contra ele. Mas ainda não era capaz de deixar a sensação de traição ir. Quando tudo aconteceu, as pessoas ficaram do lado dela, quando ele tinha sido fodido. Na época, ficou irado pela garota ter conseguido ludibriar a sua família, mas agora compreendia as atitudes da sua família e ficava irritado por isso.
Deus. Às vezes ele odiava ser racional.
Era tudo mais fácil quando a ignorância prevalecia e a raiva controlava tudo. As coisas pareciam fazer mais sentido e ele não precisava ceder aos fatos. Edward não tinha certeza, mas queria acreditar que se não tivesse se envolvido naquela aposta de merda, nada daquilo teria acontecido. Mas como podia se arrepender de tê-la feito, quando nenhuma outra coisa o teria aproximado de Bella? Preferia mil vezes ter as lembranças boas do que viveram naqueles 6 meses do que nada.
Entrou em casa fazendo uma careta ao lembrar do para-brisa... maldita seja! Sentia a pele de sua nuca pinicar de nervoso ao pensar que já tinha o carro há quase um ano e nada tinha acontecido com ele até hoje. Se ela ainda fosse sua, aquele traseiro estaria vermelho e ardendo naquele exato momento, com certeza. Balançou a cabeça para os lados, tentando impedir o sorriso teimoso de aparecer. Baixinha atrevida. Isabella sempre foi...
— Edward, finalmente! — Parou no meio das escadas quando ouviu a voz manhosa de Kate.
Ela ouviu quando o motor do carro foi desligado e saiu da biblioteca correndo para os braços dele, mas foi recepcionada com frieza. Ela franziu o cenho quando viu sua roupa toda amarrotada, os cabelos rebeldes e aquele cheiro... de onde vinha?
— Nossa, a sua mãe estava me deixando maluca com aquela conversa maluca sobre horta. Eu pareço alguém que se envolve com plantação? — Perguntou, torcendo os lábios. Ela falou em tom de brincadeira, mas Edward sabia melhor e tirou suas mãos de cima dele.
— É jardinagem, Katherine. — Corrigiu.
Este era o passatempo favorito de Esme quando eles viviam sob o clima ameno da Califórnia. Ela possuía um lindo jardim que cuidava como se fosse uma de suas crianças e lembrava de como foi difícil para sua mãe largar tudo que lhe fazia bem para mudar-se pra esse pequeno fim de mundo, para acompanhar o marido. Hoje, ela apenas estudava a respeito, mas estava feliz e satisfeita desde que descobriu que levava jeito para a pintura.
— Sim, claro — A loira sorriu sem graça e colocou alguns fios do cabelo solto, atrás de suas orelhas. Não queria chateá-lo com sua falta de jeito, mas estava com os nervos à flor da pele com a aquela senhora a fazendo se sentir desajeitada e fútil. Não veio até aqui para essa merda — Podemos ir? Já estou pronta.
— Eu desisti de sair.
— O que? — Ela controlou-se para não gritar — Edward, me arrumei toda! Já não basta estarmos nesse buraco chuvoso de cidade, ainda vamos ficar trancados em casa sem fazer nada? Caramba. — Resmungou em um tom enjoativo que ele detestava, mas decidiu ignorar até voltarem de viagem.
— Quem disse que não vamos fazer nada? — Questionou, mais frio impossível. Ele enlaçou a cintura da moça, que arregalou os olhos de surpresa e abriu um sorriso malicioso ao perceber que a noite não estava perdida.
Edward a arrastou escada à cima, tentando bloquear o que ela tagarelava ao seu lado. Seu maxilar estava cerrado e a cada movimento brusco, ele era capaz de sentir o cheiro daquela mulher em suas roupas. Ele precisava tirar Isabella de seu corpo o quanto antes, do seu sistema e da sua vida de uma vez por todas.
*********
Era a terceira vez que Charlie chamava a filha para jantar ou ao menos fazer um lanche, mas continuava sendo ignorado do outro lado da porta. Ela havia chegado tensa horas após sair de casa para buscar os medicamentos que a avoada da sua esposa esquecera de comprar. Respeitando a sua privacidade, deixou que a moça ficasse à vontade antes de insistir em alguma conversa, mas antes mesmo de tentar, ela trancou-se no quarto e não saiu mais. Que bicho a teria mordido?
Desistiu quando percebeu que não teria sucesso e apenas bateu no ombro de Jasper que acabara de chegar perguntando pela amiga. Ele havia tido um encontro excelente com a garota do restaurante e pela primeira vez, queria agradecer a Bella por traze-lo à Forks, uma vez que do contrário, estaria enfurnado em casa dormindo feito um urso e se recuperando dos plantões loucos da última semana. A noite tinha sido muito mais proveitosa do que ele esperava. Sabia que depois de alguma atividade física, o seu corpo estaria recuperado de todo aquele enfado.
Ele bateu na porta avisando que ia entrar e não pedindo permissão. Girou a maçaneta e encontrou o quarto em uma verdadeira penumbra. Isabella estava encolhida na cama vestindo uma calcinha, que poderia ser confundida com um short se não fosse tão indecente para ser usada em público, outro moletom velho e de costas para ele. Jasper tirou os sapatos usando os próprios pés pra isso e caminhou para o lado desocupado da cama, sentou-se no colchão e tirou do rosto dela, os fios escuros de cabelo que cobriam sua face molhada.
— Você quer conversar, bebê? — Perguntou carinhosamente e ela abriu os olhos avermelhados apenas para fita-lo e balançar a cabeça negativamente — Tudo bem. Em uma outra hora, então. Agora me dá um pouco de espaço para que eu possa cuidar de você. — Pediu e sem hesitar, ela afastou-se alguns centímetros para que ele pudesse deitar e abraçar seu corpo. Bella soluçou e deitou o rosto no peitoral de Jasper. Não estava em condições de conversar por mais que quisesse desabafar.
Estava envergonhada até a alma por ter sido tola de achar que conseguiria o perdão de Edward tão fácil. Estava irritada consigo mesma, não por transar com ele como se não houvesse amanhã – seria hipocrisia de sua parte, pois faria de novo se tivesse a chance –, mas por ter ficado cega por tanto tempo. O que no mundo a fez pensar que Edward tinha sido menos prejudicado? Só porque ele errou no passado, não significa que o homem não tinha sentimentos e arrependimentos.
Lembrou-se de como sua mãe tentou abrir seus olhos diversas vezes, afirmando que o garoto merecia uma chance de se explicar e tentar consertar as coisas, por mais que quisesse lhe dar uma surra pelo que tinha feito. Não era segredo para ninguém que sua mãe também havia caído nos encantos do Cullen e até hoje, Isabella sentia uma pequena magoa em relação a isso. Por que Renée foi capaz de perdoar um estranho tão rápido, mas tinha virado as costas para a própria filha, quando foi sua vez de errar? Não sabia.
Mas uma coisa era certa, Edward mudou completamente. E ele deixou claro que a causa, era Isabella e suas atitudes. Será que ele a amava tanto na época, que quando o decepcionou, o estragou para todas as mulheres?
Não no sentido sexual, é claro. Aquele homem estava longe de manter as suas mãos longe de um corpo macio e feminino, mas e quanto aos seus sentimentos? Seu irmão mais velho já estava casado há algum tempo e tudo parecia ir muito bem para ele. Será que sua traição impedia Edward se seguir os mesmos passos? Deus sabe como foi difícil por um tempo, para ela, acreditar nas intenções de um cara novamente, mas conseguiu com um pouco de luta. Será que ele não era feliz por causa do que fez?
Alguns diriam que era exatamente o que ele merecia por ter jogado com ela, por ter sido o causador da sua humilhação, mas caramba... fazia quase 10 anos! Parecia que tudo tinha acontecido há uma vida e não fazia sentido ficar amarrado àquelas lembranças. Era surpreendente que ela tinha sido mais forte, que tinha sido capaz de superar, quando o homem ainda estava claramente preso ao passado. Lamentava profundamente isso. O amava, mesmo que fosse errado. Mesmo que estivesse perdendo o seu tempo esperando por algo que nunca viria, o amava.
Torceria para que um dia, Edward a perdoasse de coração. Desejava que ele fosse capaz de fazer a sua própria felicidade – mesmo que não fosse ao seu lado –, mas era tempo de deixar tudo isso para trás. Ambos levavam vidas diferentes e distantes agora. Ela precisava colocar uma pedra sobre isso e tentar novamente, mais duro, arrancar aquele homem do seu peito, assim como fez do seu corpo durante o banho.
*********
Isabella acordou sentindo calor e um aperto estranho na cintura. Abriu os olhos e piscou com a claridade do quarto... tinha apagado sem mais nem menos na noite passada. Tentou se mover na cama, mas não havia qualquer espaço. Mas o que...? Sentou-se em um pulo e olhou para o amigo na cama ao seu lado, ainda completamente adormecido. Ele tinha as mãos ao redor dela, prendendo-a. Ela quis ficar brava, mas foi só ver uma babinha descendo do canto da boca dele que começou a rir histericamente.
Seu humor estava inacreditavelmente melhor.
Jasper acordou ouvindo a risada dela e sorriu antes mesmo de olha-la. Ele adorava aquele som! E visto que ela adormeceu chorando, isso só podia ser um bom sinal. Espreguiçou-se por quase quinze segundos, sentindo as costas um pouquinho doloridas por dormir à noite toda naquele espaço tão pequeno. Sorte que amanhã já estaria de volta a sua tão confortável cama king size.
— Bom dia.
— Bom dia, bebê. Dormiu bem? — Ele abriu um olho só e sorriu.
— Eu realmente não lembro, mas acho que sim. Obrigada por ficar.
— Estou à disposição, madame. Que tal alguma comida?
— Oh, sim, por favor. Minha barriga está roncando!
Ela empurrou as pernas de Jasper e saiu da cama correndo para o banheiro. Tentando inutilmente esconder a bunda, a qual ele já cansara de ver, com o moletom largo. Ouviu quando ele bateu a porta do quarto e começou a sua higiene de sempre. Quando desceu já vestida para o café da manhã, assustou-se ao ver no relógio que já passava das dez. Renée estava de folga e Charlie anunciou a visita de seu amigo Billy, para mais tarde assistirem ao jogo juntos. Pediu para sua esposa manter as crianças entretidas enquanto isso e foi o que fizeram durante o dia.
Jasper decidiu aproveitar o sol fraco que fazia e foi ao mercado junto de Renée, comprar as carnes para um churrasco, já que Isabella se recusava a sair de casa e quando os dois retornaram, ela já estava com boa parte do almoço adiantado. Cada um ficou encarregado de alguma coisa e o rapaz era o responsável pela churrasqueira, enquanto a amiga temperava e salgava as coisas.
Depois que estava tudo pronto, Renée jogou indiretas para a filha sobre o quão prendado o jovem médico era e que não entendia como naquela idade, o mesmo não tivesse uma mulher. Isabella apenas riu e revirou os olhos. Nada novo.
— Está tudo bem, Charlie. Eu acredito que quando a hora certa chegar, eu saberei reconhecer essa tal mulher que é para mim — Jasper disse, refletindo sobre o que o homem falou a respeito da parceria boa que há entre um casal — Enquanto isso, eu vou trabalhando, me divertindo e tendo a excelente companhia da nossa menina aqui. — Afirmou abraçando a morena pelos ombros, que sorriu envergonhada, mas assentiu em concordância.
Odiava quando os pais começavam com esses comentários constrangedores. Ela concordava com Jasper. Os dois encontrariam a pessoa certa – se essa porcaria realmente existisse – quando fosse a hora e ponto.
Billy chegou a tempo de comer com eles e mesmo que todos já estivessem cheios demais, permaneceram na mesa do jardim, beliscando uma coisa e outra, fazendo companhia ao senhor, pouco mais velho que Charlie. Os dois ficaram amigos rapidamente e na mesma noite em que se conheceram, alguns dias depois que Charlie havia se estabelecido na cidade para viver com a namorada. Ele esteve algumas vezes em Denver após o divórcio, por isso, ele tinha um rosto familiar para Bella. Recordava-se de dormir mais cedo quando o pai trazia amigos para casa, o que era raro, então ela não fazia birra e o obedecia.
— E como vai a sua menina, Billy? — Renée perguntando se servindo de dois dedos a mais de limonada — Eu soube que ela reatou o casamento.
— Não seja fofoqueira, mulher — Charlie a repreendeu, franzindo o cenho para a esposa. O seu amigo não era muito aberto sobre sua vida pessoal e ele certamente não seria assim com ela, com quem não mantinha a melhor das relações desde que ficou ao lado dele, na época da separação — Está cada vez mais parecida com essa gente.
— Charlie, essa gente é minha gente! Você não comece...
— Pai, deixe a mamãe...
— Está tudo bem, vocês dois — Billy riu dos olhares entre eles e balançou as mãos para acalma-los — Sim, ela voltou para o sujeito, mas o meu aviso foi dado. Se eu souber que ele olhou demais para qualquer uma que não seja a minha filha e neta, vou chuta-lo bem onde o sol não bate — Resmungou, fungando — Marcus tem sorte de ser um bom pai e da minha garotinha adora-lo, porque como marido, foi um fracasso desde que o deixei levar a minha Rachel daqui.
— Eu vejo. Espero que ela seja capaz de reconhecer quando a relação estiver insustentável. Oh, Deus, não fazem homens como antigamente — Renée balançou a cabeça, inconformada — Eu sempre digo a Bella para tomar muito cuidado.
— Imagino, Renée. Você deve se deparar com muitos tipos na delegacia. — Jasper concordou e depois, recebeu um forte chute no pé, que só não o machucou por causa do tênis. Ele riu para a amiga.
— Pode ter certeza que sim! O meu coração de mãe fica pequeno ao imaginar que ela pode conhecer e se envolver com qualquer um. A pobre garota ela já sofreu com quem confiávamos e bem embaixo do nosso nariz. Quando eu lembro de quando me mostraram aquele vídeo... ai, Charlie! Ficou louco? — Renée interrompeu a ladainha quando teve a manga de sua blusa puxada pelo marido e só então, percebeu a gafe.
Olhou para a filha, que tinha os lábios formando uma linha fina e puxava o ar com força pelo nariz. Ela tentou se desculpar, porque foi indelicada e realmente falava demais quando estava nervosa sobre algo que não gostava, mas Isabella apenas a cortou com um gesto e fingiu mexer no celular ao mesmo tempo em que TV ligada no volume máximo, lá na sala, anunciou que o jogo estava prestes a começar. Os homens quase suspiraram de alivio ao se levantarem da mesa e ela tratou de juntar toda a louça sua para levar de volta à cozinha.
— Está com saudade da Lola?
Isabella sorriu ao ouvir aquele nome e terminou de lavar o último prato e colocar no escorredor antes de virar para Jasper, que comia uma maçã sentado sobre o balcão da cozinha como se estivesse em casa.
Após o almoço, quando o clima tenso se instalou, cada um buscou algo para fazer e ocupar o seu tempo. Renée começou a limpar tudo o que via pela frente, tomando cuidado para não atrapalhar os rapazes, pois não tinha tempo para fazer nada muito caprichado durante a semana. Seu marido e os convidados, se instalaram na sala e por lá firam durante toda a tarde e Bella, por longas horas ficou zanzando dentro do quarto, pegando de volta alguns pertences do banheiro, assaltando o seu velho armário para levar consigo algumas calças confortáveis que encontrou e passou um tempo na internet.
Ela acessou o Twitter apenas para checar as notícias, mas precisou pular rapidamente o post de Alice com algumas fotos da família reunida na sala onde já esteve inúmeras vezes. Não queria ver o que quer que a amiga tivesse registrado ali. Desejou parabéns a alguns dos aniversariantes que seguia e quando cansada de fuçar, colocou os fones, abriu o aplicativo de música e selecionou algumas que lhe trariam um pouco de paz.
À noite, rolou de rir na cama enquanto Jasper compartilhava com ela, os detalhes do seu encontro com Claire. Ele não a impressionou ao aparecer em sua casa dirigindo um Mitsubishi Mirage, pequeno e feminino, mas soube como contornar a situação e ao deixa-la de volta, a garota quase chorou, apesar dos avisos que recebeu. Experiente com mulheres assim, Jasper certificou-se de privar o seu número em todas as vezes que ligou para ela e assim, evitou que outra stalker ficasse em seu encalço.
Ela escondeu propositalmente o seu encontro com Edward, pois sabia que o homem surtaria quando soubesse que novamente, ela ficou há menos de cinco metros de distância do Cullen e não queria estragar o resto do final de semana. Sabia que ele encheria a sua cabeça sobre como ela “se deixou ser usada” e como “ela caia fácil nos braços dele”, mas bem, não foi isso que aconteceu. Ambos queriam a mesma coisa e agarraram a única chance que tinham. Ele estaria voltando para San Francisco, ela para Seattle e ambos, finalmente depois de tanto tempo, teriam algo bom em que pensar quando lembrassem um do outro.
Os dois amigos se reuniram com os pais de Isabella mais tarde para conferir um filme francês, que uma colega de trabalho de Charlie tinha recomendado e pediram pizza com Coca para o jantar. Passavam das 22, quando ele se despediu de todos e foi dormir após ter outra crise de tosse e tomar sua medicação.
— É claro que sim! Mas eu tenho certeza de que aquela pequena preguiçosa deve estar se divertindo, comendo e descansando pra caramba. — Riu lembrando de sua Lolinha, que sempre ficava meio quieta quando estava pela primeira vez na casa de um estranho, mas bastava ser distraída da maneira certa que até esquecia de que a mãe existia.
— Garoto, ache uma cadeira para você! — Renée ralhou ao entrar na cozinha com uma das sobrancelhas erguidas. Jasper apanhou com um pano de prato velho, causando risos nas duas e depois se despediram para irem descansar.
Ao voltar para a cama, Isabella deu uma olhada no relógio e resmungou. Por que diabos não foi embora no final da tarde? Três horas da manhã era o seu horário de ir dormir em alguns dias de semana, não de levantar para viajar. Virou-se para as malas feitas e então viu as roupas que escolheu, em um cabide, preso à porta.
Tudo certo.
Aconchegou-se nas cobertas depois de ativar o alarme do celular e fechou os olhos, suspirando. Uma chuva fina começou a cair e o som a tranquilizou, levando-a para os seus anos de adolescência onde fazia suas lições de casa naquele mesmo lugar, ouvindo o céu desabar sobre a pequena cidade.
Piscou os olhos quando sentiu mais do que viu, um clarão passar rápido dentro do quarto. Era um relâmpago? Sentou-se rapidamente, confusa e por um breve momento, achou ter ouvido o ronco suave de um Mercedes...
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