Erros de Sempre
20 Capítulo 19
Notas iniciais
Edward encarou a pequena mulher e lhe pediu para repetir a pergunta.
— Eu vi que o senhor está tremendo um pouco. Está tudo bem?
Se não fosse por sua gentileza, ele não teria percebido que suas mãos estavam chacoalhando levemente. Talvez, apenas quando o café no copo descartável finalmente molhasse seus sapatos caros. Não que ele se importasse. Limpando a garganta, ele esfregou o rosto para recuperar a compostura e com um suspiro, ele encarou os bonitos olhos da morena de pele escura, que se apoiava em uma das máquinas de lanche disponíveis, enquanto o observava com curiosidade.
— Sim, obrigado. Eu acho que estou pouco nervoso. — Ele dá uma risada.
Balançando a cabeça em compreensão, ela tirou algumas moedas do bolso e colocou e digitou alguns números. Em seguida, um pacote amarelo foi derrubado e ela se inclinou para a parte inferior da máquina onde suas batatinhas a esperavam. Edward sorveu mais um gole do café, amando o gosto. Ele não sabia que poderia encontrar algo tão gostoso em uma clínica, mas pelo o valor que ele estava pagando para estar ali, fazia todo o sentido que uma infinidade de sabores deliciosos para chá e café estivessem disponíveis. Do contrário, estava sendo roubado.
— É sua primeira vez aqui, eu presumo? — A mulher pergunta, puxando conversa enquanto explora o pacote, fazendo algum barulho. Edward confirma e ela continua — Apenas mantenha a calma. Eu trabalho nesse lugar há quase cinco anos e são poucos os pais que vi sair sem um grande sorriso no rosto. Vai ficar tudo bem.
Ele suspira.
— Eu espero que sim. Obrigado.
Esperando conseguir um pouco mais do que isso, seus ombros caíram ligeiramente. Talvez ele estivesse ali com uma irmã e não a esposa? Bem, ela nunca saberia. Preparando-se para sair, a morena se despede com um sorriso e é correspondida com um balançar de cabeça e isso é a deixa para fazê-la voltar ao trabalho. Mas apesar do pouco dialogo, Edward sentindo um pouco de alivio.
Suas mãos estavam suando e embora quisesse culpar a bebida quente, sabia que se tratava de nervosismo. Ele não ficava dessa forma desde que esteve em frente ao júri pela primeira vez e foi incapaz de parar quieto desde que chegaram ali. Isabella, já não aguentando mais, o mandou procurar algo para comer, porque ele estava atrapalhando enquanto ela respondia um questionário após fazerem o check-in. Pensar em sua namorada e no seu pequeno amendoim, o fez abrir um enorme sorriso involuntário e seu olhar caiu de volta à máquina de comida. Na primeira prateleira havia alguns doces que Isabella definitivamente apreciaria. Puxando a carteira, ele pegou o que precisava e depois de guardá-la, comprou uma barra de Hershey's no sabor chocolate ao leite. Ele tinha lido na internet que algumas mulheres haviam sentindo os seus bebês mexerem após comerem e mesmo que não soubesse se o seu filho estava pronto para tal coisa, não custava tentar.
Quando ele retorna para a área de espera repleta de estrogênio, os outros pais acompanhando suas mulheres, o olham com interesse. Em um escuro e bonito terno de três peças, Edward não parecia se encaixar ali muito bem, principalmente envolto de tantas gravidas e quadros estranhos pendurados nas paredes, onde recém-nascidos adormecidos substituíam os botões de várias espécies de flores. Era estranho, mas as mães pareciam achar doce, então que seja. Ele não reclamaria.
— Você voltou — Isabella diz quando percebe o assento ao seu lado afundar. Edward aprecia o quanto eles são confortáveis, mas isso fica fora da sua mente quando ele vê sua menina sorrir com as bochechas vermelhas de empolgação. Enquanto 90% das pessoas – incluindo as mulheres de barrigas redondas e inchadas – na sala, pareciam nervosas ou entediadas, Isabella estava radiante para a sua primeira consulta — Será que você vai comer isso sozinho?
Ele ri de como ela lambe o lábio inferior e cobiça a barra de chocolate.
— É para você, mas acho que deveria esperar para comer quando estivermos perto de entrar. Talvez vejamos o bebê se mover no ultrassom por causa disso.
— Sério? — Os olhos dela brilham de animação com a possibilidade e ela abaixa a cabeça para olhar a barriga que estava mais visível agora — Mas eu ainda não senti nada...
Edward a assistiu acariciar a si mesma e quando o vestido contornou seu estômago, ele franziu a testa. Aparentemente o seu pequeno amendoim não é mais tão pequeno assim. Ele provavelmente só precisaria de algum incentivo para se mostrar. Quanto tempo mais para descobrir o sexo? Jesus, ele estava tão pronto.
— Bem, de qualquer forma, é seguro comer agora porque nós somos os próximos a entrar. — Soando vitoriosa, ela toma o doce mais feliz que o Frajola ao finalmente agarrar o Piu-piu e desembrulha para quebrar o tablete.
E é claro que ela sequer se preocupa em oferece-lo um pedaço.
— Você entregou o questionário?
— Sim. Alguém veio buscar — Ela balança a cabeça como uma garotinha e coloca a ponta da língua para fora, para lamber o canto dos lábios, o distraindo — Esse lugar é incrível, Edward. Elas não nos deixam fazer qualquer coisa além de sentar e relaxar. Você fez muito bem em nos trazer para cá.
O advogado sorri, satisfeito com a sua aprovação, não se importando que tenha contado com a ajuda de Carlisle para encontrar este lugar.
Isabella queria ligar para Angela e pedir o número do seu médico, mas isso seria muito suspeito e desde que descobriram que agora eram pais, na semana passada, eles têm mantido a gravidez em segredo. Ele sabia que ambos não teriam muita privacidade quando contassem para suas famílias e concordou que os dois precisavam de algum tempo para curtir a novidade, embora seu maior desejo fosse espalhar por toda a maldita cidade que seu filho estava crescendo dentro daquela mulher incrível.
Naquela manhã, Edward precisou ligar para Maggie para fazê-la remarcar todos os seus compromissos, pois não havia nada no mundo que o faria deixar a cama de sua namorada. Eles ficaram por horas ali, dormindo, se amando, conversando, rindo e trocando carícias. Sua menina estava radiante com a sua reação à notícia. Tendo em vista a maneira como ele a tratou ao revê-la em Forks e o seu jeito naturalmente idiota, ele não a culpava por esperar pelo pior, pois se esse deslize tivesse acontecido com outra pessoa... Edward não sabia o que diabos faria.
O desejo de formar sua própria família com crianças de grandes olhos castanhos, tinha sido enterrado no fundo de sua mente quando soube que Isabella tinha dormido com Emmett. Durante muito tempo, Edward sofreu por precisar perder os dois de uma vez, mas então, a raiva substituiu a dor e foi a melhor sensação que ele experimentou em muito tempo. Odiar Isabella era muito mais fácil do que amá-la com os cacos do seu coração e em algum momento, ele se forçou a acreditar que o que aconteceu foi para o bem. Uma mulher capaz de dormir com outro que carrega seu próprio sangue, não era merecedora de carregar seus filhos, certo?
Toda a sua raiva impedia que a inveja viesse à tona, mas com o passar dos meses, Edward percebeu que não havia outra pessoa no mundo com quem ele quisesse algo remotamente parecido. Foi quando ele entendeu que aquilo – casa com cerca branca, varanda, jardim repleto de brinquedos e uma esposa – não era para ele e estava tudo bem. Edward se sairia bem enquanto continuasse ocupado com o trabalho, pois, diversão também não faltaria. Felizmente, havia muitas mulheres tão quebradas quanto ele precisando de companhia e isso bastou nos últimos anos.
Agora, ele finalmente teria de volta a chance que perdeu.
Edward não sabia o que diabos tinha feito de bom ao mundo para ser agraciado com tal presente, mas estava profundamente agradecido pela vida que tinha feito com Isabella. Principalmente porque sempre houve uma vozinha em sua cabeça que afirmava que eles nunca superariam o passado, o fazendo acreditar que ele sempre a veria como a mãe do seu sobrinho morto e isso era o suficiente para suas bolas se recolherem. É claro, Edward seria hipócrita se não assumisse que depois que a euforia passou, ele sentiu um pouco de medo a respeito de tudo. Emmett ficaria feliz por ele? Provavelmente, uma vez que nunca houve sentimentos românticos entre ele e Isabella, mas seu irmão também perdeu seu único filho naquela tarde. O homem seria pego de surpresa, porra. E ele? Seria um bom pai? Edward não entendia nada de bebês, mas inferno, sua vontade de aprender era imensa. Aquela criança não poderia vir em um momento mais inesperado, mas ele acreditava que também era o mais certo. Seu não-tão-pequeno-amendoim calou a voz de uma vez por todas e renovou suas esperanças quanto ao futuro. Agora sim não lhe restavam quaisquer dúvidas sobre a permanência de Isabella em sua vida.
Essa mulher não estava se livrando dele.
— Senhorita Swan?
Edward piscou, saindo para fora de sua mente e encarou uma senhora que segurava uma prancheta, olhando de um lado para o outro entre os casais. Isabella, nervosa, ergueu a mão como se estivesse na sala de aula e revirou os olhos para si mesma antes de se levantar. Seguindo a deixa, ele se inclinou para baixo e apanhou a bolsa do chão enquanto ouvia por alto as instruções que a enfermeira dava.
Seguindo-a por um corredor, Edward enlaçou a cintura da sua namorada, vendo-a tomar uma longa respiração. Bella parecia nervosa pela primeira vez.
— Você está pronta, amor?
— É claro — Ela sorriu pequeno, seus lábios tremendo — Vamos fazer isso.
Sorrindo de volta para encoraja-la, ele beija sua testa demoradamente.
— Os seus pés estão bem? Eu não deveria tê-la deixado sair de saltos.
Isabella ri e rola os olhos ao se recordar dele bloqueando a porta mais cedo, a impedindo de sair de casa com seus sapatos. Ela não estava com inchaço e as tonturas tinham diminuído. Não havia problema em usa-los, mas é claro que Edward não lhe deu ouvidos. Foi preciso um pouco de persuasão sexual para distrai-lo o suficiente e ela ser capaz de correr para fora em sandálias de salto baixo, mas ele ainda não estava satisfeito.
— Eu estou bem. Você sabe como o meu humor anda oscilando. Se algo estiver errado, eu não vou hesitar em reclamar sobre isso. — Isabella promete e ele morde a língua, quase arrependido de ter tocado no assunto.
Sim, bem, a gravidez parecia fantástica sem todos os enjoos terríveis, mas a maneira como a mulher se enfurecia de uma hora para outra, assustava sua merda.
Como ele já esperava, a nova sala era muito aconchegante e bem decorada – perfeita para acalmar os ânimos e diminuir as ansiedades das futuras mamães. Isabella teve a sua temperatura verificada ao chegar lá, a pressão medida, foi pesada e assim como Edward, precisou responder uma série de perguntas sobre seu histórico médico. Quando passaram pelo histórico familiar, foi com muito alivio que a enfermeira esclareceu que, a não ser pela morte por parada cardíaca de um tio-avô distante de Edward, nada parecia alarmante entre os casos de seus parentes para que suspeitassem de algo errado com a saúde do bebê, mas eles podiam solicitar mais alguns testes, se tivessem alguma dúvida ou suspeita.
— Bem, vocês podem esperar aqui — A enfermeira Caitlyn apontou para as poltronas diante da mesa do médico em seu consultório — Srta. Swan, você pode ir trocar de roupa atrás daquela porta. Você encontrará tudo o que precisa lá.
— Certo, obrigada.
— De nada, querida — A mulher grisalha sorriu sem mostrar os dentes e voltou-se para Edward — Acomode-se, por favor, Sr. Cullen. Eu preciso entregar essa papelada, mas o Dr. Wallis deve estar aqui a qualquer minuto, está bem?
Assim que Caitlyn saiu, ele ficou sozinho na sala e se para se distrair, Edward tomou um dos panfletos organizados sob um peso de papel no canto da mesa. Começando a fazer a leitura sobre a segurança de bebês nos automóveis, ele foi pego de surpresa a cada nova informação.
Oh, puta merda.
De acordo com isso, sua Mercedes era uma máquina assassina e se quisesse se locomover com o seu filho, não tinha outra opção além de comprar algo novo. Por que ele não pensou nisso antes? Sacando o celular do bolso de trás, ele rapidamente fez uma pesquisa sobre os veículos mais seguros. Seus olhos se arregalaram quando viu o Volvo no topo da lista. Bem, isso não era o ideal, mas era um bonito carro e com certeza ele podia trabalhar com isso. Inferno, Edward compraria uma minivan se fosse preciso. O bem-estar do seu bebê vinha muito antes de qualquer materialismo.
— O que você está fazendo?
Sua cabeça girou para o lado ao ouvir a voz curiosa de Isabella e seu rosto se partiu em um largo sorriso ao vê-la dentro de um ridículo vestido hospitalar, com uma abertura esquisita na parte da frente. Ele deve ter encarado em silêncio por tempo demais, porque ela riu e completou os passos que faltavam para chegar até ele.
— É suposto que seja assim para que o médico possa me examinar — Com a resposta, ele ergue as sobrancelhas fingindo entender e afasta as pernas para que ela seja capaz de passar e sentar-se em seu colo — Você acha que o Jasper vai ficar chateado por termos escolhido um ginecologista obstetra diferente?
Edward suspira, sabendo que ela estava insegura sobre isso desde que ele recomendou o Dr. Jason Wallis, um velho conhecido de seu pai. Quando eles concordaram em manter aquilo em segredo por mais um tempo, Jasper também tinha ficado de fora. Apesar de ter estado em torno nos últimos dias, ele – muito focado em seus próprios problemas – ainda não suspeitava de nada, o que era bom. Edward não queria ser insensível. O homem é o melhor amigo de sua menina, mas não é da família e assim como seu pai, Esme merecia ser uma das primeiras a saber a boa notícia. Ela provavelmente abandonará Carlisle e se mudará para Seattle.
— Eu não penso assim, babe — Ele responde, tirando alguns fios de cabelo da frente do seu rosto e aproveitando para acariciar a sua bochecha. Isabella usava pouca maquiagem hoje, mas sua pele parecia impecável. Ela sempre foi muito bonita, mas as pessoas tinham razão sobre como a maternidade fazia bem para algumas mulheres — Jasper ainda está envolvido com Alice e se chegasse aos ouvidos dela que ele é seu médico, seria impossível mantê-la calada.
— Acho que você tem razão — Isabella concorda, mas seus olhos não mostram que ela está satisfeita. Ela ainda está preocupada com a reação dele — Eu só não quero magoa-lo, sabe? Desde que nós voltamos, Jasper e eu não temos passado tanto tempo juntos como antes. Eu temo que ele ache que estou lhe escondendo coisas e se sinta deixado de lado quando descobrir que estamos grávidos.
É impossível frear o seu sorriso quando ela diz estamos.
Focando-se em como ela parece terrivelmente culpada, ele segura a parte de trás da sua cabeça e a aproxima para pressionar seus lábios nos dela, distraindo-a por um instante. Gemendo, ela o agarra pela gola da camisa e tenta aprofundar o beijo e embora Edward queira muito ceder, ele sabe que este não é o lugar para se aventurarem e tenta manter a boca fechada, ignorando suas investidas.
— Babe — Edward adverte após empurrar um selinho nela — Eu não sou capaz de imaginar o Jasper chateado com você por qualquer coisa. Ele ficará tão excitado por ser tio que ignorará todo o resto. O contrário de Alice que, com certeza, vai me chutar na bunda e se declarar responsável pelo enxoval apenas para nos enlouquecer.
A verdade a faz gargalhar.
— Oh, Deus, eu estou agradecida por não ser aquela a lidar com a garota.
— Sua espertinha — Edward finge aborrecimento e cutuca seu lado, fazendo-a pular no seu colo e rir novamente — Você não tem que se preocupar com nada disso. Além do mais, eu tenho certeza que conversamos sobre a possibilidade de Jasper tirar umas férias. Sendo assim, ele não seria capaz de acompanha-la nos próximos meses.
— Sim, é mesmo. Eu tinha esquecido completamente — Parecendo finalmente aliviada, ela se aproxima para beija-lo novamente — Obrigada, querido.
— De nada. Você está sentimental, é só isso.
— Eu sei que você gosta quando eu estou sentimental. — Ela resmunga de volta.
— Eu gosto — Ele confirma com um sorriso cheio de malícia — Você fica sensível, maleável e é muito mais fácil tirar a sua calcinha.
— Edward! — Ela guincha e Edward a cala com uma risada e seus lábios.
Os dois estão envolvidos em um beijo romântico quando a porta se abre e médico entra em meio a uma conversa com a enfermeira. Eles param no meio da sala, ao mesmo tempo que Isabella levanta-se abruptamente das pernas do namorado, envergonhada até a morte. A maneira como Caitlyn os observa, a faz querer gemer alto. Era como se a mulher dissesse “tudo bem, nós entendemos, eu estaria na mesma posição se fosse você” com o olhar. Para interromper o silencio constrangedor, Edward limpa a garganta. Ele e se põe atrás da namorada e sorrindo, oferece a mão para se apresentar ao Dr. Wallis.
Jason Wallis é um bonito senhor de 43 anos, ruivo natural e dono do par de olhos negros mais gentis que Isabella já viu. Ela gostou dele instantaneamente quando o homem dispensou suas desculpas pelo comportamento anterior. Ele brincou com Edward por também não ter sido capaz de manter as mãos fora da esposa quando ela estava esperando o primeiro filho deles.
Uma vez estabelecidos, o médico e a enfermeira Caitlyn ouviram o relato do casal sobre terem sido pegos de surpresa e que embora os sintomas vinham incomodando há algum tempo, eles não souberam até semana passada. Enquanto isso, Jason lia os exames antigos e os atuais de Isabella, assim como guarda a informação de que a mesma já tinha sofrido um aborto espontâneo na adolescência.
— Eu sinto muito, Isabella — Ele afirma e parece querer dizer isso — Então este é o seu primeiro desde que o incidente aconteceu?
— Sim. Eu usei proteção religiosamente desde então e veio dando certo, até Edward — Ela dá uma risada envergonhada, mas revira os olhos diante do sorriso quase orgulhoso do namorado — Você pode nos dizer por que?
Jason encosta-se na cadeira e entrelaça os dedos das mãos.
— Eu suponho que vocês saibam que, apesar de serem muito eficientes, nenhum método é cem por cento garantido. Apesar de funcionar perfeitamente bem para a maioria das pessoas, erros podem acontecer. Inclusive com a camisinha.
De repente, algo estala em Edward e ele franze a testa quando isso traz volta uma memória um pouco nublada de uma sexta-feira à noite. Era julho e eles estavam discutindo em um bar? Ele se lembra de coloca-la contra uma parede e... santa mãe de Deus! Como ele pôde ter ignorado isso? A imagem dele tomando Isabella por trás contra uma parede de tijolos o teria deixado duro se não fosse pelo pequeno detalhe no final da brincadeira. Edward não podia enxergar no escuro, mas ele sabia que algo não estava certo quando ele amarrou o preservativo. Nunca havia pingado antes. O filho da puta tinha estourado? Ele teria rasgado sem querer? Inferno, ele precisava falar sobre isso com Isabella. Se ela não estivesse tão malditamente feliz com a gravidez, ele se sentiria culpado por fazer merda.
— ... sangrar no começo.
— O que? — Ao ouvir falar em “sangue”, ele grita e todos se voltam para ele.
Isabella lhe dá um olhar de reprovação, sabendo que ele não estava ouvindo, mas o Dr. Wallis se inclina para frente nos cotovelos e responde:
— Eu estava explicando para a sua namorada, que o que ela afirma ter sido uma menstruação há algum tempo atrás, na verdade foi um pequeno corrimento muito comum no início da gestação. Não há nada para ficar alarmado sobre.
— Você tem certeza? — Parece estupidez duvidar do médico, mas ele precisava perguntar. Ficava nervoso só de pensar que algo pudesse acontecer.
— Sim, eu tenho. De acordo com os exames, Isabella já passou da fase dos sustos e até agora, nada de errado foi encontrado. Ela está muito bem e a gravidez já está avançada. Ent-
— O que quer dizer com avançada? — Isabella o interrompe e embora os ouvidos de Edward fiquem apurados, seu olhar cai sobre a pequena barriga dela.
— Eu estou certo de que você está no quarto mês de gestação.
Edward se envergonha de como ofega e Isabella o encara com os olhos marejados. Ela tira a mão do colo e estende o braço para ele alcança-la. Os dois se seguram enquanto assimilam a novidade.
Quatro fodidos meses no escuro? Como isso é possível?
— Bem, nós temos o que chamamos de “gravidez silenciosa”, mas ainda não é o seu caso, Isabella. Acredite ou não, há algumas mulheres que não sabem que estão gravidas antes do quinto mês e às vezes, chegam ao parto completamente ignorantes sobre a existência da criança — Jason explica, deixando Edward confuso e Isabella estupefata. Aos 17, ela descobriu rapidamente que algo estava acontecendo com seu corpo — Veja você, eu tive uma paciente há cinco anos que antes de vir me ver, sentia essas pequenas palpitações no estômago e estava certa de que eram apenas gazes, mas na verdade, eram os primeiros movimentos do filho.
— Oh, meu Deus!
— Pois é. Geralmente, elas só acham que estão engordando — Jason balança a cabeça levemente e a enfermeira Caitlyn faz uma careta, pensando sobre a falta de cuidado que essas mães tiveram durante a gravidez por não terem a menor ideia — Eu estou muito contente que você tenha feito um teste antes do segundo trimestre. Teria sido muito prejudicial para o bebê se você fizesse uso de algum entorpecente, fumasse ou tivesse problema com álcool, mas vejo que não é o caso, certo?
— De maneira alguma! — Ela afirma com veemência.
— Ela apenas bebe, às vezes — Edward a delata para o médico com uma careta. Os ombros de Isabella despencam ao perceber que ele está certo, mas antes que ela comece a se preocupar, ele aperta sua mão para chamar-lhe atenção — Babe, não é sua culpa. Você estava sendo você mesma. Não tinha como saber — Ela assente minimamente, tentando ver a razão e ele continua para Jason — Foram poucas as vezes nos últimos meses e só houve uma ocasião onde ela realmente exagerou. Você acha que isso pode ser um problema agora ou no futuro?
Jason considera por um momento. Olha os papeis mais uma vez e sorri.
— Eu tenho que examinar o bebê primeiro, mas parece tudo bem. Desde que vocês se comprometam a cortarem os maus hábitos a partir de agora, eu não vejo nenhuma complicação a caminho.
Edward estava prestes a fazer-lhe uma pergunta quando Isabella o interrompe.
— Ele fuma! — A morena aponta para o advogado a encara boquiaberto. Era isso, então? Ela estava se sentindo vingada agora que o dedurou para o médico? Aquela pequena coisinha sorrateira...
— Eu vou parar — Edward afirma com tanta vontade que ela é incapaz de contradize-lo, mas ele não perde seu sussurro de “é melhor que sim” por baixo da respiração. Rolando os olhos, ele vira para Jason que parece estar secretamente se divertindo com a interação dos dois — Eu suponho que você irá nos passar uma lista do que podemos e não podemos fazer, mas agora, qual o próximo passo?
Jason limpa a garganta e dá algumas instruções a Caitlyn, que assente e os deixa imediatamente para seguir as suas ordens.
— Ecografia — Ele responde a Edward — Por norma, são feitas 3 ecografias durante a gravidez. É recomendável que a primeira seja realizada entre a décima e a décima segunda semana, mas estamos bastante atrasados — Ele dá de ombros, tentando não preocupa-los com os exames tardios — Temos um monte para vermos hoje, então se puderem me acompanhar... — Jason levanta e os pais o imitam para segui-lo para a esquerda da espaçosa sala, onde Caitlyn está terminando de ligar vários equipamentos.
Isabella em seu vestidinho esquisito, é guiada para uma espécie maca, mas que parecia bastante confortável. Edward a ajuda a subir, apesar de seus protestos e toma uma cadeira alta ao lado dela. Novamente segurando em sua mão suada, ele tenta passar tranquilidade quando suas pernas estão bambas. A máquina sendo manuseada pela enfermeira parece intimidante, mas o que diabos ele sabe sobre isso? Edward nunca gostou de hospitais. Imaginando a cara que Carlisle faria ao ouvi-lo dizer tal coisa, o fez se contorcer no lugar. Jesus, ele era um frouxo.
— Ei, você está bem? — Ele perguntou para Bella quando ela assobiou assim que Caitlyn esguichou um gel transparente em sua barriga.
Ela abre um sorriso tremulo em resposta.
— Sim, querido, é apenas frio.
Dando espaço para Jason trabalhar, a enfermeira ficou para trás quando ele se sentou na outra cadeira, próxima a Isabella e tirou da máquina, um bastão com a ponta arredondada e ligado a um fio. Edward estava impressionado com como a coisa se assemelhava a um vibrador feminino e que o médico não se atrevesse a tentar colocar aquilo dentro de Isabella ou eles teriam um grande problema aqui!
Edward não confiava totalmente em médicos jovens e de boa aparência.
— Agora além de podermos ver e saber quantos são, nós seremos capazes de datar a gravidez com precisão. Excluir de uma vez a possibilidade de uma gravidez extrauterina e diagnosticar algum tipo de anomalia fetal. — Jason explica e é com alivio que Edward o assiste usar a varinha para espalhar o gel por toda abarriga arredondada de uma Isabella estranhamente quieta.
Olhando para ela, ele a encontra atenta a tudo que surge na tela.
É quando Jason mexe nos botões da máquina que Edward sente o chão ser varrido de seus pés e agradece a Deus por estar sentado.
Um som. O som mais doce que o mundo já viu ecoa entre as paredes.
— Isso é...? — Isabella pergunta, o nó na sua garganta a impedindo de terminar a frase. Ela fecha os olhos por um instante e as lágrimas escorrem.
— Sim, é o batimento cardíaco do bebê — O médico afirma — É bastante forte. Parece muito bom. Agora deem uma olhada bem ali.
Jason aponta para a tela onde uma imagem em preto e branco aparece. Atordoado, Edward não sabe exatamente o que está vendo até que... se mexe. Doce menino Jesus. É seu filho! Isabella chora e embora ele sinta as lágrimas queimando seus olhos, ele é incapaz de piscar diante dos braços e pernas minúsculos empurrando em várias direções. É surreal. Ele desvia o olhar rapidamente para a barriga nua de Isabella e então, volta para tela. Como é possível que ele esteja ali? É tão pequeno. Tão bonito! Edward houve um soluço e só quando Jason olha para trás e sorri, percebe que veio dele. Seu rosto está molhado, mas ele não poderia se importar menos. O aperto em sua mão se torna quase doloroso e sentindo-se apaixonado até o interior dos seus ossos, ele salta fora da cadeira, se inclina para baixo e rouba um beijo de Isabella, ignorando os dois espectadores. Eles choram e riem na boca um do outro e enquanto Caitlyn faz suas anotações, ela não pode deixar de olha-los com admiração. Era lindo de ver quando um bebê era tão querido assim.
— Você consegue sentir alguma coisa, amor? — Edward pergunta, curioso sobre os movimentos do seu filho dentro dela.
— Não. Isso está certo, Dr. Willis? — Ela se vira para o médico, insegura.
— Claro que sim. Ele ainda é muito pequeno, Isabella, é normal que você não o sinta fazer nada — Ele sorri para o suspiro conjunto e todos os três se voltam para assistir a pequena criança. Os pais, completamente fascinados com o bebê que já fazia coisas naquele pequeno espaço — Como eu suspeitava, você está caminhando para o quinto mês e isso nos leva a uma questão. Vocês vão querer que tentemos descobrir o sexo ou preferem uma surpresa?
— Hmm... — Isabella pondera.
— Sim! — E Edward responde ao mesmo tempo. Ela se vira para ele, os olhos estreitos, o deixando saber que ele não é o único a decidir aquilo — Amor, ele próprio já foi uma surpresa. Eu não vou aguentar esperar para saber. Nós precisamos tentar — Bella apenas pisca e ele apela — Você comeu o chocolate!
Jason, ao lado, começa a rir.
— O truque do chocolate — O médico ruivo balança a cabeça para Caitlyn — Eu odeio admitir, mas isso tem funcionando para algumas pacientes.
— Você acha que seremos capazes de ver algo agora?
— É o que você deseja, Isabella? — Jason pergunta olhando diretamente para ela que, novamente, apenas pisca. Ela parece tão... perdida e excitada que na falta de palavras, apenas assente com força — Então muito bem. Eu não tenho certeza se a posição é favorável ou se teremos sorte tão cedo, mas vou tentar.
— Sim, por favor.
Edward levanta os braços e coloca as mãos atrás da cabeça, os dedos entrelaçados. Seus olhos deslizam uma vez e outra no contorno do seu pequeno bebê. O rosto com o minúsculo nariz, a perninha dobrada. Porra. Ele começa a chorar de novo.
Vendo Jason deslizar o bastão para partes diferentes da barriga de Isabella, ele se aproxima para tocar nas áreas onde o gel não está e começa a falar com ela.
— Ei, você aí. Eu sou... o Edward — Algo puxa em seu peito e ele não sabe se é porque parece ridículo se apresentando assim ou porque é a primeira vez que conversa com o seu filho — Você pode me ouvir? Nós estamos te vendo daqui de fora e você parece tão bonito, querido.
— Edward... — Isabella sussurra e agarra em seu antebraço, emocionada com ele.
— Sua mãe e eu estamos ansiosos para colocar um nome em você — Ele continua a falar, fazendo carinho nas costas da mão dela, mas com os olhos na tela, assistindo o bebê se mexer — Você pode abrir suas pernas e ajudar o papai? Se você for um garoto, não precisa ter vergonha. Eu e o Dr. Willis também temos um desses. E se você for uma linda menina, eu te garanto que ele será o único a vê-la assim até que você tenha comemorado o seu trigésimo aniversário.
Sua tentativa de persuasão tem todos na sala rindo.
— Continue, papai, parece que estamos chegando em algum lugar. — Jason incentiva e prossegue com o seu trabalho.
Isabella estava uma verdadeira bagunça chorosa, mas era incapaz de ficar séria diante das promessas de Edward para o bebê deles. Ela havia desistido de vê-lo em uma situação semelhante a essa há muitos anos e agora, parecia inacreditável que os dois estivessem compartilhando um momento tão mágico quanto esse.
Observar pela primeira vez as feições da criança que fizeram.
Ela mal podia acreditar que Jason estava certo sobre estar há quatro meses vivendo com este pequeno anjo. Ela ia ser mãe muito em breve. O pensamento deveria ser assustador, estando desempregada, sem família ao redor e com zero de experiências com recém-nascidos, mas depois que o médico a libertou do medo de uma gravidez de risco e que seu filho está perfeitamente normal, tudo perdeu a importância.
Isabella percebe que seu namorado é um fantástico advogado, quando suas habilidades absurdas de negociação geram resultado e Jason vibra ao ver o bebê movendo-se para exibir o espaço entre as pernas. Seu riso é divertido e ela gosta que ele não seja mais um que apenas faz o seu trabalho, mas se envolve com os pacientes e fica verdadeiramente feliz por eles. Isso alivia o seu peito do aperto que esteve lhe incomodando desde que colocou na cabeça que estava substituindo Jasper por um desconhecido. Edward tinha razão. Ela estava sendo sentimental.
— Muito bem, vamos lá — O Dr. Willis pigarreia e olha para o casal com expectativa — Vocês têm preferência de sexo? O que gostariam?
— Eu não sei...
— Menina.
Os dois respondem ao mesmo tempo e Isabella fica chocada com a resposta de Edward, uma vez que sempre se referiu ao filho como ele. O advogado também parece confuso por um segundo, mas um pequeno e doce sorriso brinca em seus lábios quando ele olha para Isabella e estende a mão para acariciar o seu rosto.
— Eu vi suas fotos de quando era criança. Eu quero uma igual a você.
— Querido — Ela sussurra, o rosto ficando avermelhado e com os olhos piscando com as novas lágrimas — Que tipo de resposta é essa?
— Uma menina de cabelos e grandes olhos escuros. Doce, mas teimosa, que vai me ter enrolado em seu dedo mindinho em segundos e possuir um cheiro tão viciante quanto o seu — Edward pacientemente explica, como se descrevesse um sonho — É o que eu quero, então é melhor você me dar ou nós simplesmente vamos continuar tentando até eu poder segura-la em meus braços.
— Edward Cullen! — Ela arregala os olhos diante da ameaça e o estapeia na mão, fazendo-o rir e se afastar minimamente, mas o olhar determinado em seu rosto a assusta de verdade.
Diabos, ele não está brincando.
— Bem, parece que isso não será necessário.
A interrupção de Jason os tem atentos.
— A garotinha do papai nem sonhou em contraria-lo. Meus parabéns!
Isabella cobre a boca, tentando minimizar o som do seu grito e Edward pula para fora da cadeira, derrubando-a atrás dele. Seus braços se esticam acima da cabeça e suas mãos apertam o cabelo bagunçado com tanta força que ela teme que os tufos comecem a cair no chão. Caitlyn se aproxima para parabenizá-la e Isabella mal é capaz de agradecer através dos soluços. Deus, ela está fazendo uma cena, mas é suposto que eles estejam acostumados a esse tipo de coisa.
— Amor...
Isabella se senta quando está finalmente limpa e é imediatamente presa entre os braços do namorado. Ela aperta os punhos em suas costas quando percebe que ele mantém a parte inferior do corpo afastada para não pressionar a barriga dela. A morena inspira profundamente o seu perfume, que a acalma e alivia o tremor. Segurando em seu rosto, Edward não pronuncia nenhuma palavra. Os olhos de ambos conversam e dizem tudo que estão sentindo no momento e no minuto em que eles têm um pouco de privacidade, Edward a leva em um beijo profundo. Intenso. Ele provavelmente faria amor com ela, se tivesse a chance.
— Você conseguiu. Estou impressionada.
Ele sorriu como se já esperasse por aquilo.
— Eu te disse antes, babe, eu atraio as mulheres — Edward dá de ombros — Ei, do que você está rindo?
— Oh, é bom que se mantenha dizendo isso, Sr. Cullen. Você vai ter um monte trabalho com nós duas.
— Merda — Ele xinga de brincadeira e a puxa para um novo beijo — Eu vou amar cada segundo disso. Cada pedaço de vocês duas.
O resto da consulta foi um verdadeiro borrão para ela. Enquanto Edward permaneceu parecendo um menino em manhã de Natal ao ter seu presente entregue, Isabella estava um pouco ausente. Em sua cabeça, um turbilhão de pensamentos. Caramba, quem diria que saber quem estava dentro dela tornaria as coisas tão reais? Seu coração gaguejou quando o médico lhe deu as medidas da bebê – 10 centímetros e 97 gramas. Tão pequena! Ela sorriu de Edward apertando o nariz e fungando para disfarçar a vontade de chorar e descansou a cabeça em seu ombro, mostrando-lhe que não havia nada de errado com isso.
Isabella ouviu quando Jason lhe prescreveu suplementos vitamínicos e regularizou sua dosagem de ferro, assim como determinou o que estava fora e dentro do seu novo cardápio. O casal deixou o consultório após marcarem a próxima consulta e com a data aproximada do parto em mãos.
Na primavera eles já teriam a sua garota.
*********
— Eu gostaria de ser romântico para usar palavras mais bonitas que estas, mas você precisa saber o quanto eu estou feliz pra caralho — Isabella cai na risada diante da sua euforia e se vira para ele, toda apaixonada — Será que você tinha alguma ideia de que ela estaria assim?
— De jeito nenhum — Ela balança a cabeça e suas mãos caem imediatamente na bolinha que sua barriga é. Ambos estão no carro, em meio ao transito de Seattle há pelo menos quinze minutos — Eu não achei que fôssemos vê-la tão bem e daquele tamanho. Eu tive uma grande surpresa com os dedinhos minúsculos se movendo na altura do nariz. — Isabella continua, se esforçando para não fazer uma voz ridícula ao se recordar das imagens da filha. Não que ela precisasse se esforçar. Sua bolsa está cheia de fotos da ecografia.
Edward sorri ao fazer uma curva, mas hesita por um momento antes de olha-la.
— Você não está desapontada que seja uma ela, certo? Quero dizer, nós realmente não conversamos sobre as possibilidades e não discutimos nada...
— Ei, é claro que não — Isabella responde com doçura, tentando aliviar a sua preocupação — Mas sim, você está certo. Tudo aconteceu tão rápido e eu estava tão empolgada que estávamos grávidos, que em nenhum momento eu me peguei pensando sobre isso – sexo, quantidades. Não que conversamos sobre isso teria feito alguma diferença, não é? — Ela brinca e deita a cabeça no encosto do banco.
Ele suspira e aperta o volante uma única vez.
Seu peito aquecendo com mais uma confirmação de que sua menina estava perfeitamente bem com o que estava acontecendo ali. Edward sabia que o que ele tinha era um grande pensamento de merda, mas uma onda de satisfação o atingia quando ele comparava as duas gestações de Isabella. Na primeira, as circunstâncias não poderiam ter sido piores e por um longo tempo, ela esteve arrasada. O ruivo sabia que a situação catastrófica contribuiu para a sua infelicidade, mas amava vê-la empolgada e tranquila dessa vez – carregando o seu bebê, como deveria ter sido desde o início.
Edward se certificaria que Isabella tivesse todo o conforto e paz de espírito que não teve da primeira vez. Embora não pudesse apagar as marcas emocionais que a perda do primeiro filho deixou em sua mente e coração, ele tentaria sobrecarrega-la com boas experiências sobre sua garotinha. E mesmo que ele respeite profundamente a memória da criança que sequer veio ao mundo, sabe que irá tentar mantê-lo no passado, assim como a maioria de seus fantasmas.
Este está sendo um ano de segundas chances para os dois.
É hora de reparar os erros.
— Isso é bom. Ei, babe, são quatro meses — Ele cantarola — Nós precisamos começar a falar sobre como vamos chama-la. Você gosta de algum nome em especial?
— Nós vamos ver isso, apenas me deixe respirar um pouco, está bem?
Quando se volta para a janela, ela pensa sobre tudo que os envolve.
O namoro não foi convencional. O término foi uma verdadeira bagunça. O reencontro acabou com ambos sujos, suados e furiosos. Agora, pouco tempo após se reconciliarem e voltarem a se relacionarem, ela se encontra muito gravida.
Há muito tempo, ela viu um par de amigas deixarem a universidade para trás com um anel de noivado no dedo. Hoje, uma delas está casada. A outra, continua noiva, mas divide o seu lugar com o companheiro há anos – como numa espécie de teste. Mas aparentemente, seguir a ordem natural não era a coisa de Edward e Bella.
Era assim que era.
Surpreendente.
Repentino.
Intenso.
Tão bom.
Perfeito.
Isabella sabia que não mudaria nada se pudesse.
— Desculpe — Ele pigarreia, tentando frear um pouco a si mesmo — Você está com fome? Eu acho que temos tempo de comer alguma coisa.
Ela nega com a cabeça enquanto o assiste verificar ao redor, a procura de um restaurante para parar, mas há um lugar onde ela precisa estar nesse momento.
— Eu estou sem fome.
Edward a olha por instante como se estivesse prestes a insistir, mas com um aceno rápido, ele faz o retorno e diz que a levará de volta para casa.
— Na verdade, eu estava pensando se você poderia me deixar na agência.
— Por que? O que você vai fazer lá?
— Vou pedir demissão. — Ela diz como se não fosse grande coisa.
— Porra, graças a Deus — Edward murmura após soltar um suspiro e ela estreita as sobrancelhas ao estuda-lo. Por que ele parece tão aliviado em vê-la fora da agência? — Eu pensei que você tinha desistido. Você não atende mais as ligações de Maya ou fala comigo sobre isso.
— O que eu teria para falar, Edward? Não sou capaz de trabalhar para aquele homem novamente. Até cogitei a possibilidade, assim, quem sabe eu não conseguiria algo para nos ajudar a colocá-lo na cadeia, mas... eu não posso.
— Te entendo, babe — Edward para diante do semáforo amarelo — Eu não posso discutir sobre os meus clientes, mas posso afirmar que Jackson não é o tipo de pessoa que quero perto de você. Embora ele saiba que eu o foderia completamente apenas por olhar torto para você, não quero arriscar. Nós temos que pensar nela também, você sabe.
Isabella imediatamente cruza os braços sobre o estômago.
— Ele não vai nos tocar.
O ruivo pragueja, interpretando a ação como uma demonstração de seu medo.
— Ele não vai. Nunca — Edward confirma — Eu vou leva-la e esperar por você.
— O que? Não. Não é preciso. Você tem compromissos. Não se preocupe, eu vou ficar bem. É de dia e há também os funcionários. Nada vai acontecer.
— Eu posso tentar ajudar. Talvez acelerar as coisas para você.
— Não. Vou lidar com isso sozinha.
— Bella...
— Por favor, Edward.
— Mas eu acho que...
— Não! — Ela enfatiza, sentindo seu humor começar a mudar — É o suficiente, Edward. Você precisa dar um passo para trás agora, ok? Não é porque você enfiou um bebê em mim que vai controlar tudo o que eu faço — Boquiaberto, ele tenta responder. Tenta lhe dizer que não é nada como ela está pensando, mas Isabella não parece interessada em ouvi-lo e continua — Apenas me deixe na porcaria do prédio e eu pego um táxi para casa.
Edward morde a língua com força e tenta engolir a sua insegurança antes de irrita-la ainda mais. Sim, ele reconhece que estava sendo idiota por limita-la, mas só estava pensando em sua segurança! O ciúme que ele sentia dela apenas duplicou desde que descobriu esse pequeno serzinho em seu ventre e com isso, o desejo de protege-la de tudo e todos. Mas aparentemente, essa discussão já tinha um ganhador que não era ele e estava disposto a deixar isso de lado dessa vez.
— Tudo bem — Ele diminui a velocidade do carro, assim como modera o tom de voz, tentando manter o clima neutro — Apenas... fique longe dele tanto quanto possível. Não o encontre sozinha — Quando o carro para bem de frente ao edifício, Edward toma uma de suas mãos antes que ela possa abrir a porta e fugir. Ele sabe que não tem muito tempo antes de um dos seguranças vir lhe pedir para sair — Não estou tentando te controlar, Bella, mas preciso saber que as duas estão seguras e eu realmente não me importo com a sua opinião sobre isso.
— Você não acha que está exagerando? Edward, eu vi com os meus próprios olhos o canalha que o Jackson é, mas vamos lá! É horário de almoço. Há centenas de pessoas lá e não existe uma razão para que, de repente, ele queira me atacar.
— Sim, tudo bem, mas...
— Por favor, relaxe! Eu vou manter o celular por perto, mas não me ligue. Eu vou te mandar uma mensagem quando estiver indo embora, ok?
Edward deixa a cabeça dele cair para trás em derrota e suspira forte. Há algum ponto em discutir? Ela vai acabar fazendo o que diabos ela quiser e ele está relativamente atrasado para um encontro. Não há tempo para convence-la do contrário, então Edward está aceitando o que ela está oferecendo.
— Tudo bem. Hoje podemos fazer do seu jeito.
Isabella rola seus olhos e apesar do pequeno estresse, ela se inclina e bica seus lábios nos dele, mas aquilo não basta para ao advogado, que a puxa e pressiona mais forte. A morena suspira em seus lábios, mas não deixa de abrir a boca para receber sua língua e o beijo, infelizmente, termina quando alguém bate no vidro da janela ao lado dela. Nenhum deles tem pressa para se virar, entretanto, sabendo que se trata do segurança dando-lhes um aviso, mas quando o celular de Edward começa a tocar, eles sabem que é hora de se despedirem.
A viagem de elevador é bastante curta.
Alguns conhecidos puxam assunto, mas não parecem cientes da sua ausência de duas semanas. Foram poucos os dias em que Maya não tinha ligado e Isabella parou de atende-la, pois, não sabia o que dizer. Estava indecisa sobre voltar ou se desligar completamente da empresa e sua desculpa de mal-estar por intoxicação alimentar não fazia mais sentido, então decidiu que era hora de tomar uma atitude sobre isso, antes que eles a demitissem por justa causa e as coisas se complicassem.
As meninas do RH estavam surpresas ao vê-la circulando ao redor e mais ainda quando perceberam que ela não estava ali só para uma visita rápida. Embora elas não fossem realmente próximas de Isabella, não mediram palavras para tentar fazê-la desistir da ideia ou no mínimo, explicar porque deixaria seu emprego, mas não tiverem nem uma coisa nem outra e foi com um sorriso triste no rosto que começaram o processo.
Quase uma hora depois, ela se dirigiu seu andar com duas caixas vazias nas mãos.
Seu tempo na agência tinha sido curto, de menos de um ano, mas havia muitos objetos pessoais em sua sala que ela não estava disposta a deixá-los para trás e também tinha as pessoas – aquelas com quem conviveu diariamente por meses e precisava se despedir. Talvez falar com Jackson.
Ela teria coragem? Sabia que não devia nada ao homem.
O único que lhe fez algum favor, foi Harold – o padrasto de Jasper – ao ceder-lhe a vaga e suas habilidades a mantiveram esse tempo todo. Mas... uma carta de recomendação poderia ser necessária no futuro.
— Jesus, garota! Eu estava preocupada com você — Maya gritou assim que lhe avistou de sua pequena mesa e correu até ela. O barulho de seus saltos chamando atenção dos outros. Ignorando as caixas, ela a agarrou em um abraço — Você parece muito bem. Sente-se melhor agora?
— Sim, obrigada — Ela diz, sentindo um pouco de culpa diante da preocupação — Me desculpe não retornar as ligações, tudo está meio louco no momento. Eu espero que as coisas tenham ficado sob controle por aqui...
— Ah, sim! Não se preocupe com isso. Tivemos Elsa cuidando de tudo nos últimos dias. Ela pegou o jeito da coisa e eu me arrisco dizer que vai ficar um pouco desapontada que você está de volta — Maya ri e empurra o ombro dela de brincadeira, mas seu sorriso caí quando Isabella olha para os pés, mudando o peso de um para o outro — Espere aí, você está voltando, certo? Bella...
— Eu sinto muito.
— Sente muito pelo o que?
As duas giram ao ouvirem Miranda.
Ela tem duas resmas de papel ainda fechadas em suas mãos e quando o peso começa a se tornar desconfortável, para a surpresa de todos, Elliot se aproxima e as toma antes de enviar um olhar estranho para Isabella. Todos interpretaram o gesto como cavalheirismo, mas ela sabia que ele só queria ficar por perto para ouvir o que estava acontecendo. Imbecil.
— Bem, obrigada. Agora você — Ela aponta para Isabella — O que diabos você estava dizendo aí para Maya? E é melhor não ser o que eu estou pensando...
— Eu estou supondo que Elsa vai estar por perto por mais tempo do que o esperado. Desculpe, meninas, mas é o que é — A morena encolhe os ombros — Eu estou deixando a agência.
Miranda ofega ao mesmo tempo que Maya prende as duas mãos à cintura, como se estivesse prestes a argumentar, mas era tarde. Já estava feito.
— Bella... — Miranda sussurra, se aproximando para que os outros não ouçam — O que está acontecendo? Você sumiu desde o Halloween e não soubemos quase nada. Então agora você volta e está nos deixando de vez? Fizeram algo para você?
Isabella pisca, surpresa, com a sua conclusão. Por que ela pensaria algo assim?
— Não. Apenas... — Ela suspira e olha em volta, vendo que há mais gente prestando atenção nelas como se não tivessem nada mais importante para fazer. E durante esse pensamento, ela ouve o telefone na mesa de Maya tocar e ela xinga pela interrupção. É claro que, antes de sair, ela deixou claro que estaria tendo uma conversinha com Isabella — Por que não vamos para a minha sala?
— Tudo bem. Vá em frente.
Miranda bate a porta atrás dela e quando volta, seus olhos se arregalam.
Isabella tinha abaixado as caixas e estava de pé com as mãos cruzadas diante dela. Seu vestido justo na parte superior, evidenciando a pequena barriga inchada.
— Ai, meu Deus! Você está gravida!
Sem esperar por uma confirmação, Miranda saltita fazendo seu caminho até ela e a balança em um abraço apertado. A mulher está vibrando e Isabella não pode deixar de rir enquanto aceita suas animadas felicitações. As meninas do andar de cima não perceberam, mas ela sabia que não seria capaz de esconder de Miranda e por sua amiga parecer tão animada por ela, era impossível ficar despontada. Sua ideia inicial, era deixar a família dela e de Edward saberem primeiro, mas de jeito nenhum Miranda estava deixando-a ir embora sem uma explicação razoável.
— Eu não posso acreditar nisso. Querida, parabéns!
— Obrigada. Nós descobrimos semana passada — Isabella riu — Os sintomas... ah, foi uma grande confusão, na verdade.
— Então é por isso que você está partindo? — Miranda faz uma careta adorável e ergue uma sobrancelha escura — Eu admito, não consigo vê-la como mamãe em tempo integral. É isso que você quer?
— Não exatamente — Evasiva, ela escapa e contorna a mesa e começa a juntar todos os pequenos itens que usava para decoração — Eu não posso continuar aqui, mas ela precisa comer, então é claro que farei algo sobre isso. Só não sei quando.
— É uma menina? — Miranda pergunta com a mão sobre o peito como se estivesse sem fôlego. Ela é fodidamente fofa e merda, Isabella sentiria muito a sua falta.
— Sim.
— Oh, o Edward está em apuros — Miranda desata a rir, mas para de repente — Ei, o que quer dizer com não pode continuar aqui?
— Querida, é complicado... — Isabella tenta desconversar — Mas a verdade é que a bebê vai tomar muito do meu tempo agora e talvez eu fique de molho por alguns meses, apenas para ter certeza que tudo saia bem — Ela desvia o olhar, odiando ter que mentir para Miranda. Não é como se alguém como ela estivesse pronta para a encarar verdade — Ela é minha prioridade agora.
— É claro. Eu entendo perfeitamente, mas caramba, Bella, vou sentir tanto a sua falta! — A moça choraminga e então, elas riem juntas. A morena faz um gesto de desdém com a mão e alcança um livro empoeirado — Você vai manter contato, certo?
— Conte com isso.
— Ótimo — Miranda bate palmas — E quer saber de uma coisa? Eu realmente acho que o Jackson te aceitaria de volta após o resguardo. Você deveria tentar falar com ele, porque acredite em mim, querida, o homem não está podendo se dar ao luxo de afastar bons funcionários nesse momento.
Isabella estava começando parou diante do tom de Miranda.
Sarcasmo não era o seu melhor amigo e só era usado quando algo realmente a irritava. O que aconteceu durante a sua ausência?
— E por que não? Estamos com problemas financeiros?
— Ele gostaria! — Lá estava, o sarcasmo de novo — Eu sei que você tem estado afastada, mas pensei que isso já tinha chegado aos seus ouvidos. O Jackson não aparece na empresa desde o início da semana. Ele e a Viola estão se separando.
— Não brinca!
— Bem, talvez eu esteja exagerando, mas o que eu sei é que ela saiu de casa e voltou a viver com a mãe desde que recebeu a carta e quando o boato do conteúdo se espalhou, muitos dos candidatos a empregos aqui, se recusaram a ficar. Você imagina o quão doido é isso? As pessoas estão rejeitando trabalhos na Création7.
A morena não gostou do frio que atravessou a sua espinha com a menção daquela carta. O que havia em seu conteúdo era suficiente para acabar com um casamento de tantos anos? O nome de Chelsea piscou em sua mente, mas ela se recusou a acreditar que a mulher fosse desafiar Jackson. No Halloween, ele foi claro sobre querê-la longe da sua esposa. Será que ela seria tão estupida a esse ponto?
Esperava que não ou o homem a encontraria onde quer que ela estivesse.
— Você por acaso sabia que ele tinha sido denunciado por assédio sexual?
Merda...
— Sim — Ela responde com um suspiro — Edward foi contratado para defende-lo, mas como diabos você sabe sobre isso? A acusação foi retirada.
— Bem, talvez você queira avisar ao Edward que ele pode ser chamado novamente. Viola recebeu uma carta anônima onde alguém acusa o marido de uma série de abusos contra sua ex secretaria.
— Eu não posso acreditar...
— Eu também não pude, mas Louis me disse que eu era muito ingênua — Suas bochechas ficam em um leve tom de rosa — Eu até mesmo o defendi a princípio, mas a maneira como Chelsea desapareceu do meio é bem estranha. Estamos todos preocupados... se não for revelado que tenha sido apenas uma brincadeira de mau gosto, acredito que as coisas vão ficar complicadas para a agência.
Sem saber como responder isso, Isabella apenas balança a cabeça.
— Talvez abandonar o navio agora não seja mesmo uma má ideia.
— Sim. E você parece calma.
— Não é isso, Bella. Eu não quero fazer dinheiro para um cara desse ou correr o risco de... hum, bem, você entendeu! A verdade é que nada foi provado ainda. O que posso fazer? E se tudo for um engano? Eu preciso desse salário, garota.
— É claro que precisa, mas... — Isabella limpa a garganta e umedece os lábios, nervosa e até um pouco animada pela casa estar começando a cair sobre Jackson — Seja cuidadosa, está bem? Não há mal nisso. E não hesite em me chamar se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa. Eu estou gravida, não invalida.
Miranda joga a cabeça para trás e ri. O som melodioso aliviando o assunto.
— Conte com isso — Ela repente suas palavras e alcança uma das caixas empilhadas — Agora que tal alguma uma ajuda para empacotar seus pertences?
— Ah, você apenas leu a minha mente.
Horas mais tarde, a morena estava sentada no chão da cozinha diante da geladeira aberta. A lâmpada interior a banhava com uma luz branca quase azulada enquanto ela usava o cotovelo para afastar o nariz de Lola dos potes de comida. Além desses, havia duas sacolas ao lado de suas pernas, uma que iria direto para o lixo e outra que armazenaria sua doação.
Durante a consulta esta manhã, Isabella tinha ouvido um discurso bem esclarecedor sobre o que deveria estar nas suas refeições durante um longo tempo e antes que acontecesse de ela ceder ou simplesmente esquecer, decidiu se livrar das tentações.
O seu freezer que estava quase vazio, já estava limpo, mas em cada prateleira do refrigerador, ela encontrava um par de coisas que precisava evitar para o bem da sua menina. Assim, Isabella embalou as coisas. Entre elas; o presunto, o salame, alguns vidros de patê e um queijo – que estava lhe dando ânsia de vomito, não porque estava estragado, mas porque ele não parecia mais tão interessante quanto na época em que comprou.
Ela nem gostava mesmo de queijo. Não era um grande sacrifício se livrar dele.
Com a gata em seu encalço, Isabella atravessou a rua deserta. Antes, o bairro residencial era um pouco mais agitado por causa de alguns estudantes que alugavam as casas, mas hoje haviam poucos solteiros na área.
Mesmo com as mãos ocupadas, ela conseguiu bater na porta e Lola não esperou convite quando Jasper apareceu, apenas enfiou-se entre suas pernas e foi a procura de um lugar quente. O loiro bufou para a coisa atrevida e cumprimentou sua amiga, apressando-se em ajuda-la com as sacolas cheias.
— Bem, e o que é isso tudo?
— São para você. Imagino que você ainda não fez as compras e eu não vou precisar disso... por um tempo.
— Oh, está bem. Muito obrigado — Os lábios de Jasper estavam curvados para baixo, formando um enorme ‘C’ deitado enquanto ele retirava item após item e os colocava organizados na mesa da cozinha. Ele não parecia em seu melhor humor, mas Isabella decidiu ignorar sua expressão desagradável e ficou — Espere aí, essa merda não está vencida, não é?
— O que? — Ela ri ao se aproximar e descruza os braços — Estão todos dentro do prazo, seu mal-agradecido. Eu estou apenas começando uma dieta nova.
— Mas eu já disse, Bella, você não precisa se preocupar com o seu peso.
— Eu tenho um bom motivo.
— É claro que tem. — Ele rola seus olhos e começa a guardar os mantimentos.
— Eu estive na agência hoje à tarde — Ela anuncia, mudando de assunto — E pedi demissão.
— Wow! — Ele ergue as sobrancelhas, claramente não esperando por isso — Então você fez mesmo isso. Legal.
— Eu fiz. Não ficará chateado por isso, certo?
— Você é a única desempregada. Por que eu ficaria? — Ele brinca.
— Você me ajudou a consegui-lo e eu amei estar lá, até que eu soube que trabalhava para um filho da puta.
— Nah, você fez bem em sair. Depois do que você me disse, eu fiquei me perguntando se Chelsea foi a primeira. Se vai ser a última... se eu te coloquei em perigo — Jasper admite com um sopro. Ele não podia acreditar em como dois irmãos podiam ser tão diferentes, na aparência e na integridade. Harold jamais prejudicaria um fio do cabelo de uma mulher ou ele certamente não teria permissão para namorar a sua mãe — Eu não teria me perdoado se algo tivesse te acontecido.
Jasper sentia o sangue esquentar em suas veias só de pensar nela sendo machucada em uma situação onde ele a colocou e uma coisa que ele nunca tinha engolido, era fato de seu namorado estar ciente que o homem não era boa gente e não ter feito-a sair de lá o quanto antes. O que diabos ele tinha na cabeça?
— Ei, não fale bobagens — Sentindo o clima mudar, Isabella coloca um sorriso no rosto e se aproxima para abraça-lo meio de lado — Você sabe que eu carrego comigo o spray de pimenta de Renée, certo? Aquele canalha ficaria cego antes de encostar a mão em mim, eu garanto. — Ela ri e o aperta, fazendo seus lábios se contraírem contra a sua vontade.
— Sim, tudo bem. Eu estou feliz que que você esteja fora disso tudo — Jasper se inclina para baixo e beija o topo da cabeça de Isabella antes de solta-la — Agora o que eu não nunca vou entender, é como o Edward pôde trabalhar para um sujeito assim. Quero dizer, é claro que ele não derramou os feijões logo de cara, mas eu tenho certeza que o Cullen sabia de seus podres e mesmo assim, o defendeu.
— Jasper, isso não é justo... — Ela começou a defende-lo, mas seu amigo não lhe deu uma chance.
— Como não? Eu estou ciente que vocês dois não estavam juntos no começo, mas porra, Bella... lutar para que um bosta como aquele fique em liberdade é contribuir para a desgraça da sociedade. Ele se torna tão sujo quanto seu cliente! Enquanto podia evitar que outras mulheres passassem pelo que Chelsea passou, ele...
— Pare! — Ela manda e a firmeza em sua voz o cala mesmo que sua língua estivesse coçando. A verdade é que Jasper tinha aquilo entalado há um bom tempo. Para quantos Jackson’s ele trabalhou? Quantos não receberam justiça por causa das suas habilidades de merda como advogado? — Não é assim e você malditamente não se atreva a trata-lo como um... comparsa daqueles criminosos. Todos têm direito a defesa, Jasper! Independentemente do que fizeram, alguém precisa estar lá para eles, mesmo que não sejam a favor de seus atos.
Desviando o olhar, pois sabia que ela estava certa, Jasper se afasta e, de costas para ela, apoia as mãos no balcão da cozinha. Seus dedos buscando algo para apertar.
— Então é assim que ele faz o dinheiro, não é?
— É claro que sim, Jasper. Você esperava que ele fosse chegar em algum lugar sendo defensor de porta de cadeia? Eu não sou hipócrita, cara. Sei que muitos dos seus clientes não estão com a ficha limpa, mas Edward nunca iria fazer nada de errado.
— Você não sabe droga nenhuma sobre o trabalho dele. Vocês estiveram dez anos longe um do outro, Bella! — Jasper responde, exasperado — O homem é conhecido por todo o maldito país e não é por caridade, mas com certeza por livrar a bunda de milionários imbecis que ignoram a lei.
— Então? — Isabella retruca, o fazendo se virar com os olhos arregalados de surpresa — Ele ou não, sempre haverá alguém, Jasper. Você não pode demonizar um advogado criminal por estar fazendo o que lhe foi ensinado: defender. Edward jamais trairia o seu oficio me contando o que foi confidenciado a ele em sigilo e muito menos colocaria alguém perigoso a solta nas ruas pela quantia que fosse! Ele, no máximo, tentaria diminuir a pena ou faria com que ela fosse aplicada com justiça.
— Eu ainda não concordo. — Ele responde a contra gosto.
— E eu ainda não sei porque você trouxe esse assunto — Ela bufa. Os lados de sua cabeça palpitam e ela passa a massageá-los — Apenas me diga, você se recusaria a prestar socorro a alguém com ferimento de bala? Você iria fazer uma busca em seus antecedentes criminais antes de atende-lo?
— Eu sou obstetra...
— Foda-se, Jasper!
Isabella grita, perdendo a paciência e ele engole.
— Sim, tudo bem. Jesus, mulher! Eu entendi.
— Excelente! E para que fique bem claro, Edward só ficou até o fim com Jackson, para ter certeza que eu estava segura. Naquele momento, eu não tinha ideia de algo estava errado com o homem, mas ele sim e embora estivesse com os lábios selados, se recusou a me deixar sozinha — Os ombros de Jasper caem em derrota com a nova informação. Ele não tinha imaginado que aquela poderia ser a razão de Edward ter seguido com o trabalho. Não é como se o homem estivesse contando moedas para o pão. Ele poderia se demitir quando quisesse — Agora me consiga algo para comer. Todo esse debate de merda me deixou faminta.
Tomando fôlego, o loiro não pode evitar e começa a rir.
Ele a assiste levantar os braços para o alto e se esticar enquanto segue para a sala. Pegando a dica, Jasper vai até o armário e o vasculha para encontrar apenas as coisas que ela trouxe essa noite. Ele pula para a geladeira e sorri meio de lado ao ver um velho sorvete de menta abandonado. Puxando o pote para fora, Jasper alcança uma tigela de plástico e raspa a massa congelada para baixo.
Vai ter que servir, ele pensa e segue o barulho da TV.
— Sorvete? — Isabella guincha sentada no lugar, sua raiva esquecida completamente. Ela estende as mãos e agarra a colher para começar a trabalhar. Quando ele se senta ao seu lado, ela geme de olhos fechados — Cara, você sabe como fazer as pazes com uma garota — A morena elogia de boca cheia, o fazendo rir novamente e assim, Jasper se vira de lado para apoiar o braço do sofá — Mas então, você vai me dizer o que está na sua bunda ou o que?
Isabella é direta. Ela sabe quando algo está o incomodando.
— Por que você pergunta?
Ela engole uma colherada com dificuldade antes de falar.
— Você é o meu melhor amigo, Jasper. É tão protetor quanto um Pastor Alemão, mas o seu showzinho lá atrás me diz que isso tem exatamente a ver comigo.
— Sim, você deve estar certa — Ele solta um risinho sem muito humor e abaixa a cabeça para olhar para seu colo, onde ele brinca com o controle remoto — Eu estava estressando e um pouco ansioso, apenas procurando um motivo para discutir. Acabei descontando em vocês. Eu sinto muito, Bella.
— Oh, pare! Eu te disse, nós já fizemos as pazes, garoto. Eu não posso ficar brava com ninguém que me oferece doces. Agora, cuspa isso de uma vez. O que há de errado?
Jasper hesita um pouco e observa Isabella com o braço apoiado pelo cotovelo no encosto do sofá, olhando com um profundo interesse, embora parecesse querer tirar uma soneca também. Rindo, o homem balança a cabeça e resolve se abrir.
— Nada de errado, Bella, apenas estou sobrecarregado com o trabalho. As pessoas parecem hibernarem por todo o ano e só decidem fazer alguma coisa, quando os feriados se aproximam — Ele observa um sutil rubor se espalhar pelo rosto dela — Ah, sim e também tem a Alice.
— Oh, meu Deus, vocês voltaram?
— Alice é uma constante dor na minha bunda, Bella, então a resposta é não.
O rosto da morena desmorona imediatamente.
— Eu pensei que vocês estavam se encontrando?
— E é verdade. Estivemos dançando em torno um do outro nos últimos tempos, mas não tomei nenhuma decisão — Jasper balança a cabeça, parecendo incrédulo, quase inconformado e um pequeno “v” se forma entre suas sobrancelhas — Eu não entendo como de dia, a mulher é uma profissional malditamente boa no que faz e à noite, ela volta a ser a adolescente infantil e mimada com quem você estudou.
— Eu te disse que eles eram prato cheio, amigo.
— Eles são, mas não estou desistindo agora. Eu não sentei, me comportei e puxei o saco do Emmett no último encontro em sua casa a troco de nada. Vou fazer Alice vai fazer ceder, acredite em mim.
— Eu faço — Isabella ri e se levanta, novamente esticando os membros superiores e bocejando alto, ignorando sua boa educação — Você já tem um plano?
— Bem...
Coçando a parte de trás do pescoço, Jasper a segue até a porta e abre para ela, enquanto a observa pegar Lola de cima da sua roupa de trabalho. Maldita coisa peluda. Como se lesse sua mente, Isabella estapeia a sua cabeça ao passar por ele, o fazendo soltar um sonoro “au’ que irrita Lola e a faz gritar um ameaçador “ffff” de volta ao mostrar seus dentes.
— Só ignore-a — Isabella diz docemente enquanto acaricia o pelo da gata em seus braços — Agora, o que você dizia?
— Eu estou pensando em leva-la para o Texas.
— Para Valeria? — Ela pergunta, chocada.
Jasper nunca tinha levado uma mulher para casa antes. Nem mesmo ela.
— Sim. No próximo mês. Eu acho que nos faria bem ficar longe de tudo por uns dias para focarmos em nós mesmos. Na nossa relação.
— Isso soa incrível, Jasper. Tenho certeza que vai funcionar muito bem.
— Eu espero, bebê — Ele sorri calorosamente pela primeira vez no dia e a pega pelos ombros – quando vê que Lola foi abaixada no chão –, puxando-a para um demorado beijo na testa — E obrigada pelas coisas. Elas vão me poupar de uma ida necessária ao mercado.
Acenando com a cabeça como se dissesse “às ordens”, Isabella se vira para a rua e ouve a porta fechar-se atrás dela. Lola mia, sentada no meio-fio, esperando por ela para atravessar e em seu primeiro passo, ela sente o seu bolso da frente se mexendo. Um zumbido ecoa na noite e Isabella cantarola pela nova mensagem.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ela puxa o celular e ao deslizar o dedo na tela, encontra o nome de Edward.
De: Edward Cullen +(630-723-5017)
Hora: 20:38 p.m.
“Ei, o que você costuma fazer na Ação de Graças? Minha mãe apenas me ligou para nos intimar a comparecer em seu jantar. Parece uma boa oportunidade para contarmos a eles! Deixe-me saber o que você acha, babe.
P.S.: Eu esqueci o meu casaco aí? Eu estou com frio.”
Isabella engancha a chave na fechadura e começa a rir da sua pequena insinuação e seu sorriso só cresce com a imagem incrível de ambas as famílias sendo pegas de surpresa com a notícia. Há anos não sabia o que era passar datas assim com seus pais e com o acréscimo dos Cullen, só tornaria o dia ainda mais especial. Sim, seria perfeito.
Ela digita rapidamente uma resposta.
Para: Edward Cullen +(630-723-5017)
Hora: 20:41 p.m.
“Estou dentro. Deus me livre contrariar a Sra. Cullen.
P.S.: Venha para casa. Eu vou aquece-lo essa noite.”
Seu pulso acelera diante do convite e mais ansiosa do que nunca, ela sorri e corre para dentro para esperar o seu amor – o pai da sua filha.
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