Erros de Sempre
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Isabella lambeu os lábios, repentinamente secos, e olhou para o namorado, mas este não estava prestando atenção nela. No momento, Edward era todo sobre o outro homem, com o interesse e a sutileza – ou a falta dela – de um adolescente ao estudar uma serpente na área dos répteis do zoológico. Sua curiosidade estava finalmente sendo sanada, mas ela não podia estar mais incomodada com isso. Dominic havia estendido a mão na direção dele, para um cumprimento e o sorriso em seus lábios estava retirando 5 anos de suas costas – o deixando mais jovem, simpático e descontraído. Edward, entretanto, não parecia tão satisfeito assim. O que ele estaria pensando? Não era o que ele esperava? Talvez a aparência de Dominic tenha o deixado incomodado. Não, impossível. Edward era um desses homens que não tinha muito do que reclamar sobre como ele parecia e maneira como os olhos femininos cresceram em cima dele, assim que passaram pela porta, só lhe dava mais crédito para falar. Nic era bom, mas seu namorado de adolescência tinha muito mais a seu favor do que seus desconcertantes olhos verdes e rosto bonito.
Não havia nada com o que se preocupar.
Mas e se ele estivesse pensando sobre os dois juntos, juntos?
Só a ideia a fazia sentir toda a coisa Frozen acontecendo em sua barriga.
Isabella nunca tinha dado quaisquer indícios de que alguma coisa havia acontecido entre seu amigo e ela, porque era mais confortável dessa maneira. A morena não gostava de falsas moralistas e não fingia que sua vida sexual não foi ativa por todos os períodos que lhe foi conveniente, mas falar sobre seus antigos parceiros com o seu atual – e naturalmente ciumento – namorado, era desnecessário e desconcertante. Ela mesma teve que aprender a se controlar, quando perguntava a Edward sobre as últimas mulheres que estiveram em sua vida, antes de mudar para Seattle. Depois de obter as sinceras respostas, sua vontade era de estapeá-lo, só para depois, agarra-lo na frente de cada uma delas e as deixar saber que o homem havia sido tomado por tempo indeterminado. Entretanto, nada disso era realmente uma opção, mas bisbilhotar seu celular, poderia ser.
Ela o tinha pego para fazer uma ligação e após termina-la, achou que não haveria mal e para a sua surpresa, bem como alivio instantâneo, não havia nenhum dos nomes mencionados, registrados em seus contatos. Percebendo que Edward havia se desligado daquelas pessoas, ela sentiu-se um pouco esquisita por invadir a sua privacidade. Vendo como se comportava diante de algumas tolices, Isabella não queria que Edward tivesse razões para ficar inseguro. A relação dos dois era monogâmica e nada que algum deles tenha feito no passado, mudaria isso. Por tanto, ela preferiu evitar que certas informações chegassem até ele, porque afinal de contas, um caso de uma noite só não era realmente grande coisa. Certo?
— É bom te conhecer, homem — Dominic disse, parecendo empolgado com o encontro e bateu com a mão livre, na lateral esquerda de Edward. Os olhos do advogado foram do seu ombro até o rosto do Diretor Executivo e sua sobrancelha se arqueou, enquanto no rosto, ele tinha aquela expressão de “esse cara tem que estar brincando comigo”. Contrariando o seu estado de espírito, Isabella sentiu seus lábios contraírem para rir dos dois — Eu ouço coisas muito boas sobre você há um longo tempo. Fiquei contente de saber que vocês dois estão finalmente juntos.
Isabella sorriu docemente para Dominic quando ele se virou para piscar.
— Finalmente? — Edward pergunta, olhando entre os dois e o sorriso da morena murcha rapidamente. Ela busca os olhos de Dominic, para pedir-lhe – de alguma maneira – para ter cuidado, mas ela já o perdeu.
— Sim, bem, não era realmente segredo que a Isabella tinha fortes sentimentos por você e nós conversamos um par de vezes sobre isso — A explicação parece agradar a Edward e ele continua — Jackson também é só elogios para você.
— Sim, foi bom trabalhar com ele — Afirma Edward, embora não quisesse realmente dizer aquilo e se recriminava por isso. Seu curso e a vida, o ensinou que nunca deveria rejeitar cliente com bases no que haviam feito. Ele tinha que ser como um padre, acolhendo todos os fiéis arrependidos e absolvendo-os de seus pecados — Sobre o que vocês estavam falando?
— Não muito, realmente — Isabella responde, forçando as pernas a se mexerem enquanto ela ia em sua direção. Quando o alcança, ela abraça a sua cintura e olha para os dois copos longos, repletos de um liquido esverdeado que expulsa uma fumaça branca, que ele segura — Isso é para mim?
Edward olha para baixo e assente, empurrando para a sua mão.
— Ei, Patrick, onde está o seu machado?
Dominic está visivelmente brincando, mas para a sua surpresa, Edward responde.
— O cara do absorvente pegou emprestado — Eles riem juntos quando veem o sujeito usando o acessório para enforcar o amigo, enquanto outro registra o momento com a câmera do celular — Eu não sabia que vocês cuidavam da publicidade da Always e levavam o serviço tão a sério.
— Cara.
Dominic ri como de boca aberta como um idiota.
Uma nova onda de risos bate sobre os dois quando o cara do absorvente tenta flertar descaradamente com uma mulher fantasiada de Carrie White. Seu longo vestido de baile está completamente revisto de vermelho, assim como seus braços, cabelos e rosto. Ela é uma réplica quase perfeita da Sissy Spacek após o baile. Vendo os dois por um ângulo particularmente babaca... até que eles combinavam. Isabella esconde um sorriso, mas ainda assim o belisca no braço quando os rapazes voltam a fazer piadas sem graças sobre os artigos de higiene femininas.
Mostrando estar muito mais à vontade na presença de Dominic do que ela esperava, ele se inclina e após deixar um beijo em sua testa, desliza os lábios por seu rosto até encontrar a sua boca, apenas para brincar com ela e provoca-la. Mas Isabella não o deixou ir tão facilmente e deslizou a língua para dentro de sua boca, o fazendo franzir com desejo e beija-la de volta com a mesma intensidade, esquecendo-se por um momento de onde e com quem estava.
Um pigarro os interrompeu.
— Então, parabéns pelo sucesso no caso da... Lucy? — Dominic pronuncia o nome com dúvida, apertando os olhos, mas o advogado balança em confirmação — Os Yang detestam esse tipo de publicidade e lembro de tê-la visto em um par de jornais locais. Temi que eles abrissem mão da pobre mulher.
Muito pelo contrário, Edward pensou.
Os valores dos seus honorários foram dobrados para que ele resolvesse o caso da professora pega portando drogas na escola em que leciona. Seus avôs são de uma família antiga e conhecida, mas sempre por beneficiar a cidade e nunca algo como isso. Lucy tinha sido insistente sobre assumir a culpa, mesmo após ter revelado ser inocente. Ela acreditava que o conteúdo encontrado em sua bolsa, pertencia a um de seus alunos favoritos, porém, o mais problemático. O garoto havia ficado órfão recentemente e enquanto sua tia não efetuava a mudança de outro estado para Washington, ele estava se virando como podia para manter o irmão mais novo. Segundo a professora, seu começo de vida não tinha sido agradável e ela não queria piorar as coisas devido a uma única atitude desesperada. Embora Edward soubesse como era tomar decisões precipitadas, ele não estava sendo pago para ajudar a ambos, por isso, ele localizou o aluno.
Após conversarem algumas vezes durante a semana, o ruivo conseguiu que o garoto confessasse a quem as drogas verdadeiramente pertenciam. Ninguém estava pulando de alegria com o arranjo feito, uma vez que o menino mais novo seria levado até que a tia deles tomasse alguma providencia legal para mantê-lo, mas o acordo que ele chegou com o advogado de defesa – alegando que, por causa da quantidade, os entorpecentes eram para seu próprio uso e não para a comercialização – foi bastante satisfatório, dentro do possível e deixou Lucy aliviada, assim como seus avôs aos esclarecerem o mal-entendido.
— Obrigado, mas...
— Isso nem de longe foi o seu melhor momento, sim, eu sei — Dominic sacudiu os ombros, fazendo o ruivo endireitar a coluna, surpreso. Ele havia pesquisado a seu respeito ou as notícias apenas corriam por aí? — Você é muito jovem e faz um bom trabalho. Isso chama a atenção das pessoas, estão a sua reputação o persegue. De qualquer forma, eu fico satisfeito que as coisas acabaram bem para ambos.
— Eu também — Isabella concorda, subindo a mão da barriga para o peitoral de Edward, onde ela acaricia e novamente, toma a sua atenção. Ambos sorriem um para o outro com carinho e admiração — E ele merece o reconhecimento. Meu coração fica pequeno quando o telefone toca nas horas mais inusitadas e o leva para longe de mim, mas são ossos do oficio, não é?
Ela faz uma careta para demonstrar a sua insatisfação.
— Sim, você nunca sabe quando as pessoas vão precisar de ajuda.
— Meu herói! — Bella brinca e cai na risada com Dominic, mas seu namorado apenas sorri, obviamente não concordando e balança a cabeça para os lados, antes de empurrar o nariz dela com a ponta do dedo.
— Eu espero que nunca dessa forma — O alerta faz o sorriso dela diminuir até transforma-se em um beicinho — O seu tempo de causar problemas já passou. Eu não estou indo buscar a sua bunda na delegacia no meio da noite.
— Oh, você não é divertido.
Seu beicinho cresceu exageradamente com a queixa e assim, ele não pode resistir. Edward a puxou pelo quadril, segurou o lado do seu rosto e pressionou um beijo em sua boca, fazendo-a suspirar de prazer em seus lábios. Bella tentou aprofundar o beijo e, embora ele quisesse marca-la na frente dos homens que enviavam olhares nada educados em sua direção constantemente, seus planos eram outros.
— Eu pensei ter te mostrando como posso ser divertido — Ele ri do seu rosto avermelhando e piscando, voltou-se para o homem que os encarava muito ciente de tudo e sem qualquer indicação de constrangimento — Diga-nos. O que o pessoal está fazendo por aqui, além de beber?
— Comer — Dominic bufou, lembrando de um grupo de caras que quase derrubaram os encarregados de trazem a comida, quando finalmente chegaram no terraço carregando as panelas e vasilhas. Seus olhos arregalaram-se quando ele se lembrou de lago mais e ele estalou seus dedos — A minha acompanhante estava ansiosa para assistir à competição de dança. Acredito que esteja prestes a começar. Acredito que vai nos render boas risadas. Será que soa bem para vocês?
— Sim, nós deveríamos dar uma olhada. — Edward concordou, agora olhando para Bella que saltitava animada com a ideia. Ele não tinha a menor intenção de participar, mas se ela quisesse... ficaria feliz em assisti-la mexer aquele corpo.
— Tudo bem. Estamos logo atrás de você.
Ela afirma e Dominic lidera o caminho, indo direto em sua direta.
Eles passam por entre pequenos grupos de pessoas tentando conversar através da música e erguem os copos acima de suas cabeças, apenas no caso. Edward está na frente dela, segurando firmemente em sua mão e abrindo espaço para que ninguém a machuque. Ela fica impressionada que, apesar de estarem no terraço do prédio e não haver nenhuma cobertura sobre eles, os decoradores conseguiram manter o ambiente aquecido o suficiente. O espaço era muito grande e ela já havia contado duas grandes luminárias, parecidas com um caldeirão de onde saiam chamas e uma pequena fogueira, longe de tudo que era inflamável, mas decorada com cruzes e placas onde eles pediam claramente para não queimarem as bruxas. Sim, certo.
Eles chegaram onde o DJ estava se organizando em uma pequena cabine. Ao lado, na parede, uma TV de 36” estava posicionada e muda, mostrando uma grande tela preta. Toda a área estava iluminada por uma estranha luz esverdeada, deixando um cara fantasiado de zumbi particularmente assustador. Isabella tropeçou ao vê-lo virar o pescoço para o lado e ter um espasmo. Edward, agora atrás dela, abraçou seu corpo e pôs um braço protetor sobre a sua barriga – protegendo de uma possível queda e também dos sustos. Ele sussurrou que o rapaz estava atuando, porque se divertia com as reações das pessoas e Bella encolheu-se, envergonhada da sua bobagem. Vendo mais pessoas chegando e formando uma meia lua com seus corpos um ao lado do outro, eles notaram que haviam se perdido de Dominic, mas apenas uma olhada ao redor foi o suficiente para localiza-lo.
Ele estava alguns metros distante, ao lado de uma mulher jovem e pequena, que parecia bonita mesmo com toda a distância. Bella não a reconheceu a princípio. Não parecia com ninguém que já tenha encontrado nos corredores da agência, mas quando ela virou o seu rosto, ficou estupidamente óbvio quem era a acompanhante.
Mia.
— Puta merda.
Isabella nunca a viu nem mesmo por fotografia, mas os traços de parisiense estavam em sua expressão contrariada e no cabelo loiro, curto na altura do queixo como o seu amigo havia descrito uma vez. Ela era menor do que havia imaginado e parecia uma adolescente ao lado dele, mas a maneira possessiva como ela segurava a sua roupa preta e empurrava os punhos contra o abdômen de Dominic, lhe dizia que ela não estava para brincaria. Essa noite, Mia era claramente uma dançarina de cabaré dos anos 20. Seu vestido era curto, branco e cheio de detalhes na saia – feito com um material brilhoso que balançava – e usava um cachecol de plumas pretas. Um colar longo de pérolas estava pendurado em seu pescoço. A maquiagem era pesada, mas dava vida a personagem e seus lábios avermelhados pareciam manter a atenção de Dominic presa enquanto ela reclamava de alguma coisa.
— Você a conhece? — Edward abaixou-se para perguntar.
Ele estava quase descansando o queixo no ombro dela e o seu hálito quente soprando em sua orelha deu-lhe um branco por alguns segundos, até que o DJ bateu no microfone uma vez para testa-lo e anunciou que a competição estava prestes a começar. Os convidados aplaudiram em aprovação.
— Ele visita essa mulher a cada viagem que faz para fora do país.
— E por que parece que você não gosta muito dela?
Isabella se xingou mentalmente ao perceber que ele havia lhe interpretado mal. Ela realmente tinha soado como alguém que foi rejeitada, que estava morrendo de inveja da outra.
— Porque ela tem usado ele há anos. Mia não quer assumi-lo, mas quer mantê-lo. Isso é errado, Edward. O homem cruza o Atlântico por ela, caramba!
Ele riu com a sua veemência.
— Você acha que os dois estão apaixonados?
Suspirando, ela precisou admitir.
— Eles são apaixonados há um longo tempo.
— Hmm — Ele vibra com a garganta, roçando a ponta do nariz na bochecha morna e arrastando-se para o seu pescoço sensível — Assim como nós.
Seu coração deu um salto com a admissão e o braço que ele tinha em sua barriga, endureceu, prendendo-a mais forte. Em silencio, ela o acariciou ali, correndo a mão para cima e para baixo, até que Edward relaxou sob o seu toque – voltando a toca-la no pescoço como antes, possivelmente agradecido que ela não tivesse explodido em um monte de perguntas. Esse não era o lugar para tal coisa.
Isabella gemeu baixinho e levou uma mão até a parte de trás da cabeça dele, para segurar o seu cabelo. Ela adorava senti-lo fungar contra sua pele, roubando o cheiro de pitangas que que ele tanto e estranhamente, adorava.
— Você sabe, mesmo que o meu pai sendo contra o nosso relacionamento, fosse o nosso único empecilho, eu tenho certeza que não teríamos ficando longe.
Beijando atrás de sua orelha, ele riu novamente.
— Sim, eu teria o ignorado e mantido você de qualquer forma.
Exatamente como aqueles dois deveriam fazer.
As pessoas tornavam suas vidas desnecessariamente complicadas.
Ela odiava ver casais como Jasper e Alice, tão apegados um ao outro, mas afastados, correndo o risco de matar o sentimento entre eles por causa dos péssimos hábitos. Dominic gostava de bancar o galã, flertar, sair com um par de garotas e dar ordens por aí, mas tem tanto medo de perder a Mia de uma vez, que acaba concordando com tudo que ela propõe. Sem falar na pobre Angela, que não sabe o que fazer com Stella, Benjamin e seu bebê que está para chegar nos próximos meses. Do ponto de vista de estranhos, tudo parecia muito simples, mas ela nunca trocaria estar novamente com Edward para vivenciar qualquer uma dessas situações. Ela estava satisfeita com a maneira com tudo estava acontecendo com eles.
— Ei, onde você está, babe? — O ruivo pressionou o seu quadril contra ela.
Ela saiu de seus devaneios sentindo Edward duro, empurrando em seu bumbum.
— Bem aqui com você.
Rindo, ela empurrou de volta, arrancando um rosnado baixo do namorado que, jogou a cabeça para trás e tentou recuperar o bom senso, uma vez que sua vontade era de arrasta-la para um canto escuro e subir novamente o seu vestidinho apertado.
A batida da música foi a única coisa que impediu Isabella de envergonhar a si mesma, quando Edward mordeu e chupou o lóbulo da sua orelha. Ela tinha tido um orgasmo há menos de uma hora ou algo assim, mas seus toques a deixavam quente e ansiando por outro e mais outro. Dessa vez, acompanhada por ele.
— Podem se aproximar, pessoal! Continuem vindo — A voz do DJ, novamente, a desconcentra e quando seus olhos se abrem, ela é grata pela fraca iluminação colorida. Seu rosto esquenta quando Edward a abraça mais apertado e sua poderosa ereção segue cutucando acima de sua bunda — Aqui eu tenho os videoclipes mais épicos, prontos para serem apreciados. Aqueles mesmos, cujas danças todo mundo sabe um passo aqui e um movimento ali. Será que nós já temos algum grupo formado para participar? Vamos lá, organizem-se!
Algumas pessoas gritaram que sim e outras pularam, acenando com as mãos para serem vistos. O DJ levantou o polegar e rapidamente, rabiscou algo no papel.
— Nessa primeira rodada, eu quero dois grupos para disputar e dançar a coreografia mais clássica de todos os tempos do grande rei, Michael Jackson, é isso aí. Quem está disposto a enfrentar o desafio?
Eles assistiram 7 homens e 1 mulher, abrirem caminho até o centro onde a dança improvisada aconteceria. Eles se organizaram e separaram, quatro foram para um lado e três, com a garota, para o lado oposto. Os rapazes sacudiram os braços e começaram a se aquecer, como se estivessem prestes a encarar um treino.
— Ótimo! Aqui está a coisa, mesmo que até a minha filha mais nova seja capaz de reproduzir esses passos, vocês terão auxilio — O DJ explica, os fazendo rir — O vídeo correspondente a música estará passando bem aqui e servirá para todos, porque vocês, pessoal, serão o júri. Com base nas palmas e no entusiasmo, eu saberei quem são os vencedores e eles receberão um brinde pela vitória, além de ganharem o privilégio de escolher a próxima música para o desafio de dupla.
— Isso parece legal.
Isabella sorriu enquanto girava dentro dos braços do namorado e se colocava de frente para ele. O ruivo sorriu de volta, concordando e ela colocou-se na ponta dos pés para beija-los. Quando os lábios deles se encontraram, gritos e assovios soaram altos ao redor, mas não tinha nada a ver com eles – as batidas familiares de Thriller foram ouvidas através das grandes caixas de som.
O DJ anunciou os nomes dos dois primeiros grupos a competirem.
Enquanto Edward assistia atento aos Foragidos – aqueles vestidos em roupas de prisioneiro – dançando, ela observava o resto da festa rolando por cima do seu ombro. Havia muitas pessoas mascaradas, de modo que ela não conseguia reconhecer apenas pelo físico, mas seu chefe, Jackson, foi impossível de ignorar. Ele estava com mais dois executivos “fodões”, a surpreendendo por se dignarem a comparecer à festa, pois, eram conhecidos por nunca se misturarem com os empregados. Eles sacudiam os copos de cerveja enquanto falavam alto, fazendo o liquido virar para fora do plástico vermelho e espalhar pelo chão. Os homens pareciam altos demais para seque notar.
— Você está perdendo toda a brincadeira, Bella — Edward alerta e seus olhos correm para o seu rosto. Os dele estavam molhados e brilhantes. Ela sorriu apenas por saber que ele estava tendo um bom tempo — Por que não tenta participar?
— Oh, não fale isso alto! — Ela ralha, batendo em seu peito com a mão, o fazendo se encolher dramaticamente, fingindo sentir dor — Elliot está bem ali e se ele te ouvir, vai tentar me fazer dançar algo ridículo como Spice Girls ou Beyoncé.
— Ah, ela não é tão ruim assim — Isabella estava prestes golpeá-lo novamente quando percebeu que aquilo não tinha vindo dele. Girando, ela encontrou uma Miranda meio descabelada, dentro de uma fantasia de Mulher Maravilha, mas com cores mais vibrantes. Ela arregalou os olhos com a quantidade de pele que a amiga estava mostrando pela primeira vez — Ei, vocês. Estão se divertindo?
Edward a soltou e assistiu as duas morenas se abraçarem.
Enquanto as duas se elogiavam, ele procurou por Dominic, mas este estava longe de ser encontrado. Apesar da conversa acalorada rolando, acreditava que ele deveria ter ido mostrar seus próprios movimentos à sua loira dançarina.
Balançando o copo vazio de um lado para o outro, ele chamou atenção de uma mulher com batom preto e rosto coberto de cicatrizes falsas, carregando uma bandeja com outras bebidas. Ele conseguiu dois drinks para as garotas e agarrou uma garrafa de Corona Extra para si, agradecendo a garçonete – que o observava com interesse puramente sexual – com um aceno educado e voltando-se às apresentações. Pegando a dica, ela escondeu uma mexa do cabelo atrás da orelha e deu meia volta, sendo engolida pelo mar de pessoas.
A festa estava aumentando.
— Os doces da sua amiga não duraram mais que dez minutos — Isabella arregala os olhos e diante da notícia, sua barriga se manifesta soltando um grunhido — Oh, pobrezinha! Você está com fome, não é? Nós podemos dar um jeito nisso.
Ouvindo a conversa, Edward se chuta mentalmente por não ter percebido que a hora estava passando e a puxa delicadamente pelo braço, tomando o coquetel das suas mãos, ignorando o “ei” de protesto dela.
— Por que você não me disse nada?
— Eu não percebi que estava faminta até agora... devolva-me.
— Eu acho que não — Ele determina e entrega a taça ao primeiro sujeito que passa ao seu lado, empurrando o cara para voltar ao seu caminho após dar-lhe dois tapinhas nas costas — Você não vai beber de estômago vazio.
— Pare! Não tem álcool nisso, Edward — Rolando os olhos, ela bufa. O som alto ao seu lado, repentinamente, começou a lhe incomodar muito e talvez eles estivessem certos. Ela precisava de um pouco de comida ou o seu mau humor só iria piorar — Tudo bem, vamos dar uma volta e encontrar alguma coisa?
— Claro, babe — Ele concorda e beija a sua testa. Involuntariamente, Isabella derrete e fecha os olhos quando ele se aproxima de seu ouvido — Agora eu me arrependo de não ter te deixado vir como Diana. Você teria ficado tão gostosa.
Ofegando, ela o golpeia várias vezes de brincadeira, tentando parecer brava por ele ter reparado em Miranda, mas quando Edward segura seus pulsos e toma seus lábios em um beijo exigente, que a paralisa e obriga sua amiga a olhar para o outro lado, ela para de lutar contra ela e deixa a sua língua serpentear na dele novamente.
Ao solta-la, ele aponta com a cabeça para o outro lado.
— Vamos.
— S-sim.
Ela deixa que Edward tome a frente e segura em seu braço, enquanto mantém um aperto firme na mão de Miranda, que está logo atrás dos dois. Ele se aproxima da mesa mais próxima. Os pratos estão quase vazios, mas ele consegue montar um repleto de aperitivos e ao entregar-lhe, a promete um jantar decente quando voltarem para casa. Isabella não poderia se importar menos; ela devorou uma fatia de pizza com fantasminhas formados por queijo derretido e não hesitou em mergulhar as salsinhas – que se pareciam com dedos de cadáveres – na guacamole para come-los. Miranda estava o tempo todo fazendo sons de vomito, enquanto a assistia se alimentar e a maneira como o ruivo a olhava e sorvia goles pesados de sua bebida, deixava claro que eles não estariam se beijando muito em breve.
— Eles deveriam nos dar folga amanhã. Eu não sei se serei capaz de levantar da cama às 5 novamente. — Miranda queixou-se ao apoiar-se no parapeito do terraço.
— E por que tão cedo?
— O meu pai comprou essa casa realmente barata e agora, ele está vendo em primeira mão o porquê de o preço ter sido tão razoável — Elas riram da má sorte do homem — Ele está reparando a garagem e como vivemos próximos, eu cuido do seu café da manhã antes de vir para o trabalho. Elliot não gosta disso, mas...
— É o seu pai.
— Sim, ele é. Tem sido muito agradável tê-lo por perto novamente e... — Miranda interrompeu sua frase ao olhar para as duas mulheres vulgares que participavam de uma competição estupida sobre quem bebia a cerveja, que vinha descendo por uma mangueira até a boca delas, mais rápido — Você pode acreditar nisso?
Ela apontou com o queixo na direção delas e Isabella quase engasgou quando viu Nadia e Makenna. As duas pareciam ter acabado de sair de um Sex Shop. Embora ambas estivessem de princesas, suas fantasias de Branca de Neve e Ariel, eram tão pequenas e vulgares que as faziam parecer atrizes de filmes adultos.
— Você precisava ter visto a cara delas quando Louis disse que estava comigo, logo que se aproximaram dele — Miranda confidenciou, rindo de puro deleite. Ela imaginava que não foram muitas as vezes em sua vida que ela foi preferida no lugar das altas e peitudas — Ele não estava chateado que eu o exibisse por aí como meu homem. Então eu fiz. — Ela confessa, amassando o rosto em uma careta.
Isabella ri.
— Tudo bem, eu não estou julgando.
As duas conversam até que Isabella decide que seu namorado já teve o suficiente de intervalo e se despede da amiga, após ajudá-la a encontrar Louis. Ela o encontra no meio do caminho e geme em apreço quando o homem enlaça a sua cintura e a arrasta para a pista de dança improvisada. Passando os braços ao redor do seu pescoço, Isabella o salpicou com beijo, quando percebeu que ele não cheirava a cigarros, embora eles tenham se separado para que ele pudesse fumar e tomar um ar, tendo certeza que estaria sóbrio para dirigir para casa mais tarde. Monster do Kanye West tinha acabado de começar a tocar e algumas pessoas gritaram, jogando as mãos para cima. Conquistada pela letra, ela vira e as mãos de Edward caem para os lados do seu quadril, segurando e sentindo-a balançar junto com a batida.
Mexendo nos grampos atrás de sua cabeça, o ruivo solta sua longa cabeleira marrom e mal é capaz de se conter sobre como ela ficava ainda mais sensual dançando de costas para ele. Mais pessoas se juntam a eles, até que ambos precisam ficar realmente colados ou sair – mas Isabella não estava pronta para isso ainda. O suor escorria pela sua nuca, mas interromper a mão de Edward, de continuar serpenteando pelo seu corpo parecia um sacrilégio. Sabendo que o jogo de luzes montado, estava deixando todos tontos e cegos, ela não se importou quando os dedos impertinentes dele passaram sobre seu busto e brincaram com seus mamilos, até as pontas endurecerem a marcarem o tecido. Edward usava qualquer oportunidade para brincar com ela e ignorando o gosto salgado de sua pele, ele traçou uma linha em seu pescoço usando a língua e ela rebolou contra a sua ereção para revidar a provocação.
— Ok, prioridades primeiro, eu vou comer teu cérebro. Então, eu vou aparecer de dente de ouro, porque é isso que os filhas das putas dos monstros fazem!
As mulheres cantaram juntas na parte da rapper Nicki Minaj e os rapazes riram, uivando e assoviando entre os dedos. Em meio as provocações, beijos e toques cheios de provocação, eles dançaram mais três músicas e depois de hidrata-la com bastante água, Edward propôs que eles fossem embora.
Cansada, ela concordou e se deixou ser guiada até o elevador.
Quando as portas se abriram, Edward a guiou para dentro e a manteve encostada ao espelho, enquanto a caixa de aço ficava menor a cada novo ocupante. Ele a segurava discretamente, deixando os marmanjos alterados pelo álcool saberem que a morena estava acompanhada e protegendo-a dos movimentos bruscos que todos faziam ao falar e alto, por sinal. Os homens, principalmente, gritavam uns com os outros, mesmo que menos de dez centímetros os separassem e Isabella fez uma careta para se impedir de rir ao vê-los quase cuspindo, tamanha embriagues.
Porém, a vontade sumiu quando ela se deu conta que algo faltava.
— Mas que... merda! — Ela xingou e empurrou Edward para que pudesse falar — Por favor? Você, sim, você pode apertar no 11?
A garota sonolenta, próxima ao painel, acenou e empurrou o botão que os levaria para o décimo primeiro andar, mesmo que todos tenham gritado para ela não fazer. Os caras começaram a resmungar que precisavam ir ao banheiro, outros tinham que estar em casa e enquanto o elevador descia, foram enumerando as razões mais ridículas para não pararem por causa de uma única pessoa.
— Ei, o que aconteceu? — Edward soava preocupado e isso a fez desfazer a carranca em seu rosto antes de olhar para cima — Está tudo bem?
— Sim, eu acho. Apenas acabei de perceber que passei a noite inteira sem a minha bolsa. Provavelmente deixei na sala quando nós... bem, você sabe.
A coloração do seu rosto mudou, fazendo o advogado abrir um lento sorriso malicioso. Algumas ideias divertidas e sujas começaram a se formar em sua cabeça... a noite não era uma criança, afinal de contas?
— O que esse olhar quer dizer?
Edward riu.
— Eu estava pensando que além de resgatar as suas coisas, nós poderíamos terminar o que começamos — Ele acariciou a pele do braço dela com as pontas dos dedos, amando como ela sempre era macia sob o seu toque — O que acha?
Empurrando um ombro para cima, tentando afastar a mão dele, Isabella ignorou o arrepio que sentiu e como seus peitos, de repente, pareceram pesados e carentes por ele.
— Essa não é uma boa ideia — Ele não perdeu o sorriso com a decisão dela, mas parecia prestes a usar seus métodos covardes para convence-la, quando já esperando por isso, Isabella o empurrou devagar — Estou cansada. Os meus pés estão doendo e eu realmente prefiro que você me coloque no clima, quando eu estiver limpa e confortável na minha cama.
Ele suspirou com o balde de água fria sobre suas fantasias, mas concordou ao notar que ela realmente parecia esgotada. As necessidades da sua menina sempre viriam em primeiro lugar, mesmo que suas bolas corressem o risco de cair.
— Você quer que eu te acompanhe?
O elevador tinha parado e os dois separaram as pessoas para passarem.
— Não precisa, querido, o andar está completamente vazio — Ela prometeu com um sorriso — Desça e pegue o carro. Eu vou estar na calçada em um instante.
Com um aceno, Edward recuou e observou as portas se fecharem no mesmo instante, deixando-a para trás. Estalando os dedos, ele engoliu o desconforto de deixa-la sozinha e longe dos seus olhos, mas seguiu lembrando a si mesmo que seria coisa rápida e logo ambos estariam indo para casa juntos.
*********
Virando as coisas em cima da mesa, Isabella procurava a sua bolsa como se ela fosse um grampo, capaz de se perder entre os papeis. Olhando em volta, ela verificou as cadeiras, a estante e o pequeno aparador, para não encontrar nada. Seu mau-humor começou a retornar quando pensou na possibilidade de tê-la perdido em outro lugar. Seus documentos estavam lá, bem como suas chaves e celular.
Merda.
Ela estava prestes a sair quando piscou em sua mente.
Isabella queria se estapear e usando o telefone, ligo upara si mesma. Ela esperou a chamada ser completada e então, se esforçou para escutar algo na sala. Seu suspiro foi audível quando o grosseiro som da vibração do aparelho foi ouvido. Dando a volta na mesa, ela encontrou a bolsa caída no chão, próximo os pés da cadeira na qual ela se sentava diariamente. Abrindo, ela verificou rapidamente se tudo continuava lá e ao confirmar, vestiu o sobretudo e pendurou a alça no ombro.
Seu caminho foi interrompido por um fraco choramingo.
— O que...
Sua voz morreu quando seus ouvidos registraram um farfalhar de roupas.
O barulho vinha da sala de Jackson e isso não fazia sentido, pois a última vez que o viu, ele estava no terraço enchendo a cara de cerveja com os outros, mas o seguinte gemido abafado por algo confirmou suas suspeitas.
Havia alguém lá.
Se aproximando devagar, ela teve cuidado para que seus saltos não fizessem barulho. A porta estava fechada quando ela colocou a sua orelha contra a madeira, tentando ouvir. Conseguindo captar alguns ruídos de agonia, Isabella começou a ficar verdadeiramente preocupada. De início, ela imaginou que alguns dos rapazes pensou que seria engraçado comer alguém no lugar do seu chefe, mas quem quer que fosse, não parecia estar feliz ali – descartando por completo a possibilidade.
Girando a maçaneta tão lentamente quando possível, Isabella prendeu a respiração quando uma risada rouca e masculina chegou até ela. Sua mão congelou no lugar quando ficou nítido de que um homem e uma mulher estavam do outro lado e ela, chorava baixinho. Seu coração deu um solavanco e algo nos cabelos em sua nuca se arrepiando, a deixaram saber que aquilo não era nada bom.
Ela não deveria estar ali.
— Você fez isso de novo...
Ele riu com desdém.
— Eu não sei porque diabos você está aí chorando como uma criança — O homem respondeu, pigarreando para limpar a garganta — Apesar de todos os problemas que me causou, fui bem mais gentil do que da outra vez.
— Eu estou machucada! — A moça constata e Isabella não sabe ao certo se continua ouvindo os dois ou vai embora, mas algo apertando dentro de si a fazia querer ficar. Só um pouco mais — Você não precisava ter feito isso. Eu teria...
— Você teria lutado como naquele dia.
Ela pulou, dando um passo para trás com o barulho alto.
Soava como um punho forte se chocando com algo mais denso.
— Eu só lhe dei o que você queria.
— Não, eu não te queria!
— Cala a boca, porra! — Ele gritou quando a ouviu gemer em discordância.
Depois, o silencio foi quase absoluto.
Isabella cobriu a boca e o nariz, tendo que disfarçar a sua respiração acelerada.
— Você acha que eu sou estúpido? Você desfilava ao redor com suas roupas compostas e apertadas, fazendo qualquer homem de sangue quente dessa agência, se perguntar o que você escondia por baixo de tanto pano — Ele acusou e através da sua ideia machista de mau comportamento e provocação, Isabella já entendeu tudo antes mesmo de ele continuar — Sempre solícita e disposta a tudo. Ficando até mais tarde, fazendo horas extras, passando mais tempo comigo do que a minha própria mulher.
— Do que você está falando? Eu só estava fazendo o meu trabalho, Jackson! Você é um maldito estuprador.
Espere, o que?
Oh, não. Porra, não...
— Eu vou me certificar de que você arda no inferno por isso.
— O que, vai me denunciar para a polícia outra vez? — Jackson perguntou e riu ainda mais alto, como se tivesse ouvido a piada do ano — Sua cadela estupida, você deveria ser grata por ainda ter duas pernas para ir e vir! O que eu fiz com a sua casa foi apenas um aviso, mas você ainda teve a audácia de vir até aqui, não é?
Bile subiu pela garganta de Isabella.
A voz de Jackson foi ficando mais clara a cada nova palavra e não havia mais dúvidas sobre a identidade daquele homem. Era o seu chefe e ela apenas o tinha ouvido abusar de uma moça! Seu estômago começou a dar voltas. Ela nunca tinha sentido um mal-estar tão forte causado por outra pessoa e suas pernas pareciam pesar quilos! Era impossível mover-se para longe daquele horror.
— Eu sei que você tem mantido um olho em mim — A mulher retruca e com as mãos tremendo, Isabella empurra a porta poucos centímetros para dentro. Ela abaixa e tenta não ser vista enquanto espreita — Eu fui demitida novamente.
— E o que a sua incompetência tem a ver comigo?
— Não é só uma maldita coincidência que eu não consiga parar em um emprego! Tem que haver seu dedo imundo nisso e eu — ahh! — A moça gritou quando os olhos de Isabella pegaram um movimento na sala. Jackson, que estava de frente para a janela, voltou-se para a moça de vestido amarrotado encostada à mesa e envolveu suas mãos ao redor do pescoço dela, sufocando-a — Eu s-sinto mu-i-to.
— Veja bem como você fala comigo — Ele alerta e aperta em sua garganta com mais força, fazendo a mulher engasgar. Assustada, Isabella tentou pegar o telefone e ligar para a polícia, mas a única coisa que conseguiu foi derrubar a bolsa no chão com suas mãos ansiosas. Quando o baque foi ouvido, parecia que o tempo tinha parado. Ela não sabia o que diabos Jackson faria se a encontrasse ouvindo tudo aquilo, mas não podia ser nada agradável. Os segundos se passaram e seus olhos cheios de lágrimas, finalmente transbordaram quando o ouviu novamente — Você brincou comigo uma vez e tentou me foder, mas eu não vou ser punido por pegar algo que estava me sendo oferecido — Ele sussurra furiosamente — Não tente me pegar, porque não vai ser nada bonito quando eu for atrás de você. Ouviu bem?
Isabella colocou o rosto de volta a fresta que abriu e viu a mulher de cabeça baixa, acenar freneticamente antes de tossir algumas vezes. Dando-lhe um empurrão, Jackson a deixou para se equilibrar e ao mudar sua posição, a luz fraca do abajur finalmente foi capaz de ilumina-la. A morena pensou que seu peito doeria quando visse o rosto avermelhado e transtornado dela, mas a surpresa de reconhece-la a anestesiou.
Sua mente viajou de volta à ocasião onde precisou supervisionar uma Lauren, a garota que estava dando problemas por se insinuar para os clientes. Ela lembra com perfeição que, naquela tarde, uma moça chamou sua atenção por sua aparência abatida e agora, a mesma mulher de cabelos castanhos arruivados e olhos tristes estava bem diante dela.
Era Chelsea.
— Você tem 15 segundos para dar o fora daqui, antes que eu me arrependa e dê um jeito de sumir com a porra do seu corpo — A ameaça a faz saltar para longe. Isabella podia ver em sua expressão o quanto ela estava frustrava e furiosa. Calada, ela parecia estar ao ponto de explodir — Chegue perto de mim, da minha esposa ou de uma DP novamente e você vai encontrar os seus pais mais cedo do que esperava.
— Você não p-pode fazer i-i-sso, Jackson — Isabella viu quando ela tomou uma longa respiração antes de falar. Apesar da iluminação ser mínima, as mãos tremendo e sacudindo eram fáceis de ser vista até no escuro. Chelsea estava em seu ponto de ruptura — Eu sei coisas sobre você.
Diante de sua ousadia, Jackson rosnou.
— Você não está se ajudando, porra.
— E você, aparentemente, esqueceu que eu estive presente em alguns dos seus encontros com Jason Diaz — Ela ri, mas é de nervoso e o homem para por alguns segundos, antes de tomar uma longa respiração e expulsa-la de uma só vez — Naquela época, eu tinha medo de você e era paga para ficar quieta, mas agora? De que maneira você ainda pode me machucar? Oh, não, espere! A pergunta certa, é: o que o seu irmão faria se recebesse uma ligação minha, para falar sobre Diaz e Brown? Eu tenho certeza que ele voaria do Texas para jogar a sua bunda na cadeia.
— Cadela, eu estou avisando, eu vou arrancar a sua língua fora!
Isabella tropeçou para trás com o grito de ódio do Jackson. Os ombros da ruiva saltaram, mas desafiadoramente, ela não se moveu do lugar ou abaixou a cabeça.
O que essa mulher estava fazendo, pelo amor de Deus?
— Eu não me importo — Ela admitiu e deu-lhe as costas, olhando em volta da sala sem realmente parar para ver nada. Ela deveria conhecer tudo aquilo com a palma de sua mão — Acha que a minha vida tem muito valor agora? Graças a você, eu estou vivendo no escuro e não, não quero dizer isso metaforicamente — Chelsea deu uma risada amarga e até um pouco histérica — Eu não tenho sido capaz de pagar a eletricidade e até mesmo comprar a minha comida. Eu estou sobrevivendo, Jackson e quando engulo o meu orgulho para lhe pedir misericórdia, o que você faz é tomar-me aqui contra minha vontade DE NOVO?
A ruiva agarrou a luminária de chão e não hesitou em jogar contra Jackson, que surpreso, precisou ser rápido ao se encolher contra a estante. Presa à tomada, a luminária não foi muito longe para atingi-lo, mas desmontou-se ao cair no chão. A lâmpada quebrou com um ruído e assim, a escuridão no cômodo aumentou. Agora eles só tinham a lua no céu e Isabella orou para que eles não percebessem que parte da porta tinha sido aberta. Ela estaria em apuros como Chelsea.
— Já chega! Eu não vou tolerar a sua merda — Recuperado da surpresa do ataque, Jackson tentou se aproximar, mas ela esquivou-se rapidamente — Eu não queria te machucar, Chelsea, mas você precisa aprender o seu lugar.
O estômago de Isabella parecia querer entrar em erupção ao imaginar por quantas vezes a pobre mulher foi submetida às coisas mais nojentas. Ela deveria ter sua cota de erros e más decisões, mas ninguém deveria ser explorado dessa maneira.
Era errado em tantos níveis.
— O meu lugar... — Chelsea repete. Agora é impossível ver seu rosto, mas sua voz fazia parecer que ela estava reflexiva sobre algo — Tudo o que eu queria era ter o meu lugar nessa agência, mas eu não passava de outra secretaria estupida que cuidava para que as suas roupas fossem limpas e encobria a sua merda, não é? Alguém com pernas boas o suficiente para mantê-lo entretido durante as reuniões.
Jackson teve a cara de pau de rir.
— Seu porco nojento.
— Te disse para você ter cuidado com essa língua, caralho — Jackson avançou e dessa vez, não errou. Ele empurrou Chelsea e o som da sua cabeça batendo na parede fez Isabella gritar, mas o som de agonia que a própria mulher fez, soou ainda mais alto — Eu sei muito bem como fazê-la calar a boca, mas não estou pronto para arriscar. Você parece bem arisca depois do trato que eu te dei mais cedo — Ele riu novamente e Chelsea grunhiu, tentando se libertar do aperto contra o seu corpo — Veja bem, querida, você está abusando da sorte. Uma mulher bonita como você teria muitas chances fora daqui e eu tentei fazê-la ir, mas você me tenta, com todas essas ameaças, a ter seu sangue nas minhas mãos, não é?
— Eu...
— Quieta! É a minha vez de falar. Eu vou dar-lhe um último aviso, Chelsea — Ele sussurra. Isabella é incapaz de vê-los, pois teria que escancarar a porta para isso. A morena abaixou-se para apanhar a bolsa caída no chão e ao abraça-la contra si, procurando algum apoio no objeto inanimado, ela se questionou sobre chamar ou não, a polícia. Isso ajudaria ou só pioraria as coisas? Jackson decidiu isso por ela — Se você sabe o que é bom para você, quando eu te soltar, você vai voltar para a sua casa e permanecer lá até que eu entre em contato. Porque eu vou, querida. E então, nós vamos... negociar, sobre o que aconteceu nessa sala. Estamos entendidos?
Um longo momento de silencio e som de corpos se chocando, foi o necessário para alertar Isabella de que deveria dar o fora dali e rápido.
A morena deslizou para o corredor mais próximo, amaldiçoando em voz baixa quando seu pé esbarrou em uma lata de lixo que, graças a Deus, estava vazia e era leve o suficiente para não fazer muito barulho ao rolar para longe. Ela encostou-se a parede e ficou imóvel enquanto ouvia os sons de luta na sala de Jackson, até que ele gritou de dor e o barulho de passos aumentou.
— Fode-se, Jackson! Isso tudo é besteira e eu não me importo. Sei que você virá para mim, mas acredite nas minhas palavras. Não importa o que você faça, eu vou arrasta-lo para a desgraça junto comigo.
Seu coração batia forte contra o seu peito enquanto ela, tentando se fundir com a parede em suas costas, assistia a Chelsea correr para o elevador, chamando-o furiosamente como se ela pudesse apressa-lo ao apertar no botão muitas vezes.
Isabella entendia o seu desespero. Ela não tinha sido ferida ou ameaçada e estava lutando para manter os aperitivos onde estavam.
Quando o elevador abriu e Chelsea se jogou dentro dele, a vibração do seu celular foi sentida em sua barriga. Assustada, ela pressionou a mão no peito e ao alcança-lo, precisou recusar a chamada de Edward.
Ela tinha demorado demais.
Ele deveria estar severamente preocupado.
Mas mesmo que estar com ele fosse a coisa pela qual ela mais ansiava no momento, sua segurança dependia do seu silencio e foi pensando nisso, que ela deslizou na direção da saída mais próxima.
As escadas.
Agarrando no corrimão, ela desceu os degraus sentindo suas pernas falhando, mas voltar lá para cima seria arriscar demais o seu pescoço. Sua cabeça estava embaralhada, seu corpo se sentia doente e os olhos estavam nublados de lágrimas não derramadas, mas ela ainda pensava logicamente e sabia que se esperasse até que Jackson saísse, Edward subiria novamente para procura-la.
Ele não podia vê-la assim. Ainda não.
Isabella começou a chorar quando viu o namorado encostado ao capô do carro, encarando o celular com o cenho franzido. Atento, ele a ouviu chegando assim que seus saltos bateram contra os batentes da calçada e o choque no seu rosto bonito, era explicito quando a viu naquele estado. Correndo para ela, Edward a pegou em segundos e a tomou em um forte abraço, soltando apenas quando ouviu seu soluço.
Ele afastou-se o suficiente para dar uma boa olhada.
— O que aconteceu? Você se machucou?
Se ele fosse um cachorro, suas orelhas estariam de pé e em alerta, enquanto a tocava inteira, a procura de machucados.
— Ed... — Ela engasgou.
— Alguém tocou em você?
A voz dele ficava mais alta com a preocupação evidente, mas sendo incapaz de falar, ela apenas balançou a cabeça várias vezes, negando e o empurrou para fora do caminho. Ela queria chegar ao carro. Queria sair desse lugar o quanto antes e, entendendo a sua necessidade de fuga, Edward abriu a porta para ela – que quase voou para dentro, trancando-se rapidamente como se algo a perseguisse. Confuso e com um mau pressentimento, Edward encarou as portas do edifício por alguns instantes, mas ninguém saiu de lá. Quando ele ergueu sua cabeça para cima, olhando na direção do topo, onde dezenas de pessoas se divertiam, Isabella tocou a buzina para chama-lo.
Sua pressa muito óbvia.
— Isabella? — Ele chamou, mas foi ignorado. A morena tinha a testa pressionada na janela, enquanto via a cidade passando por ela — Por favor, babe, me diga o que aconteceu.
Mais silencio e o punho fechado de Edward, atingiu o volante. Ele arrependeu-se imediatamente quando a viu encolher diante do seu gesto. Se alguém tivesse tocado em um fio de seu cabelo... Cristo, ele perderia a maldita cabeça.
— Querida — Ele tentou mais uma vez e aproveitando que estavam parados em um semáforo, tentou toca-la em sua perna. Isabella enrijeceu por um momento, mas quando e acariciou o lugar, deixando-a se acostumar novamente com o seu toque, ela relaxou e soltou um suspiro tremulo — Eu preciso que você fale comigo.
Fungando, ela lentamente virou o rosto molhado para Edward e respondeu.
— Eu fiz uma coisa ruim...
Durante o caminho de volta para casa, Isabella, em meio a soluços, contou-lhe em detalhes tudo que viu e ouviu momentos antes. Com o relato, os nós dos dedos de Edward estavam brancos do forte aperto no volante, mesmo quando ele tinha a mão direita entrelaçada na dela, por tanto tempo quanto era possível, para apoia-la e encoraja-la. Interiormente, o seu intestino estava revirando, mas sua fachada não revelava seus sentimentos, exceto pelo quanto ele sentia que ela tivesse passado por tal experiência. A morena ia ficando mais calma e confiante a medida em que se distanciavam e o choro silencioso já tinha parado ao entrarem em sua rua.
— Olhe para mim, Bella — Edward pediu quando estacionou o carro. Quando ela obedeceu, ele se livrou do cinto de segurança e fez o mesmo com o dela, feliz que agora podia realmente toca-la. Ele respirou o seu hálito quando Bella suspirou ao ser puxada em sua direção e meio tortos, eles se abraçaram, cruzando o espaço entre os dois bancos por cima do console — Eu preciso que você entenda que nada do que aconteceu foi sua culpa, está bem? Chelsea está em uma situação realmente triste, mas não havia nada que pudesse ter feito para ajudá-la.
— Como não, Edward? — Contrariada, ela empurrou o corpo dele para trás, pelos seus ombros — Eu estava procurando a porcaria do meu telefone enquanto uma mulher era estuprada ali ao lado! — Edward ia silencia-la ao colocar seu polegar sobre os seus lábios, pois, sua voz parecia muito mais alta com os vidros fechados e a quietude da noite, mas ela o bateu para longe — Eu deveria ter ouvido. Eu deveria ter chamado a polícia quanto tive a chance.
— Amor, não, você não pode se culpar por isso — Depois da noite agitada, ele não estava com paciência para teimosia, mas a sua menina estava fragilizada pelo que presenciou, então precisava acalma-la antes de exigir que ela visse a razão — Quando você se deu conta, o pior já tinha passado. Jackson é um homem terrível e mesmo que você tivesse chamado alguém, ele teria dado um jeito de virar a mesa e, além de não ser punido, ele saberia que você foi a única a tentar prejudica-lo.
Isabella engoliu com dificuldade.
Se ela empurrasse o medo e o sentimento de impotência para o lado, podia aceitar que ele estava certo. Seu chefe conseguiu dar fim a denúncia de assédio sexual, afinal de contas. Ele fez Chelsea passar necessidade e continuar em silencio por meses! O quão mais persuasivo esse homem era capaz de ser?
Mas ficar quieta diante de sua crueldade, não era uma opção.
— Tudo bem. Eu posso concordar com isso — Um sorriso pequeno apareceu em seu rosto ao ver o alivio na expressão do namorado — Podemos entrar agora? Lola deve estar com fome e eu estou realmente, realmente precisando de um banho.
Balançando de acordo, ele pulou para fora do carro, mas Isabella não o esperou para a abrir para ela. A morena estava na porta de entrada muito antes dele, brigando com as chaves antes de finalmente conseguir abri-la. Lola gritou quando a mãe entrou em seu campo de visão e ergueu-se nas patas traseiras, olhando curiosamente para a bolsa de Isabella como se algo de seu interesse pudesse estar lá. Ela estava certa, a gata parecia faminta e conversando entre murmúrios e miados, as duas seguiram para a cozinha, assim que Isabella chutou os sapatos.
Ficando para trás, Edward limpou seus pés no tapete e entrou. Quando estava prestes a tranca-los, ele viu Jasper em roupas bastante informais, subir em sua calçada e caminhar até sua casa, segurando duas brancas sacolas plásticas – uma em cada mão. Sentindo ser observado, ele virou e procurou o que lhe incomodava, até encontra-lo com um arquear de sobrancelhas. Erguendo o braço, o loiro acenou com a mão, mas a simpatia morreu quando viu a expressão nada calorosa do homem ao olha-lo de volta. Certo de que não havia feito nada de errado para deixa-lo irritado, ele imaginou que algo não estava bem com Isabella e assim, gesticulou para que Edward soubesse que ele estava chegando.
Com um aceno, a advogado simplesmente bateu a porta atrás de si.
— Ei — Edward chamou e curvou a mão na cintura de Bella, ao alcança-la no corredor. Parando de andar, ela girou e o deixou embrulha-la em seus braços — Você está indo para o seu banho?
— Sim, eu tenho a banheira enchendo. Você quer vir?
Ele sorriu para a pergunta educada, pois, ela claramente não queria companhia no momento. Ele teria sorte se dormissem na mesma cama esta noite. Obviamente, Edward não estava indo embora, mas entenderia se ela colocasse algum espaço entre eles. Depois do que presenciou essa noite, ele também não buscaria qualquer intimidade com ninguém – apenas pensar em toma-la depois de ouvi-la ter, praticamente, um ataque de pânico dentro carro e vomitar na estrada, o deixava doente.
Ele jamais abusaria da sua fragilidade.
Às vezes, Isabella precisaria de um amigo para ajudá-la, um namorado para ama-la e um amante, para satisfazer seus desejos e fantasias, mas hoje à noite ele seria nada mais que um pai. Um que zela, cuida e protege. Ele seria amaldiçoado se permitisse que mais uma lágrima derramasse pelo seu bonito rosto novamente.
— Jasper está vindo.
— Oh, então...
— Não se preocupe com isso, babe. Eu cuido dele, agora vá. Se limpe e depois venha nos encontrar, está bem? — Depois de hesitar por um instante, o cansaço fala mais alto e ela segue na direção do quarto.
Ouvindo uma batida na sala, ele faz o seu caminho de volta ao cômodo, mas é parado por Lola se enrolando entre as suas pernas. Sabendo que ela não o deixaria seguir sem pelo menos, fazê-lo tropeçar meia dúzia de vezes, o ruivo se agacha para pega-la e relutantemente sorri, ao vê-la subir toda animada e satisfeita.
No sofá, ele encontra Jasper puxando e rasgando uma das folhas da planta artificial que Isabella mantinha na mesa de centro. A coisa estava velha e acabada, mas ela faria o homem sentir, se fosse pego estragando-a ainda mais.
Ao perceber que não estava mais sozinho, o loiro levantou-se num salto e enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça jeans, aproximando-se de Edward.
— O que aconteceu, cara? A festa correu bem, a Isabella está bem? Ou...
— A festa foi boa. — Edward responde com um suspiro, quanto à namorada, ele não sabia como responder sem mentir. Ela estava bem fisicamente e parecia estar se recuperando do susto, mas ele não imaginava o que estava passando em sua cabeça. Eles não tiverem tempo para conversar, mas Edward a conhecia. Isabella tinha tomado as dores de Chelsea e não ia deixar isso ir tão facilmente.
— Então, o que diabos mordeu a sua bunda? — A voz de Jasper endureceu, avisando que não estava para brincadeira e então, ele empalideceu — Merda. Oh, merda... foi Alice? Aconteceu alguma coisa com ela?
Surpreso pela sua suposição, ele piscou e balançou a cabeça, afirmando que não. Os ombros de Jasper caíram em alivio no mesmo instante. Ele custou a gostar da relação que o homem mantinha com a sua irmã, principalmente por causa do seu histórico amoroso, mas como poderia julga-lo? Jasper era solteiro e estava aproveitando a vida, assim como ele fez por anos na Califórnia. Agora, vendo suas reações sobre Alice, ele tinha certeza de que a caçula dos Cullen o tinha pegado de jeito e quase sentia pena do coitado no momento. Sua irmã podia ser... difícil.
— Foi a Isabella.
— Fale.
Quando os longos minutos da narração de Edward finalmente chegaram ao fim, Jasper afundou de volta ao sofá como uma âncora. O advogado tomou a poltrona para si e, começando a sentir os efeitos da agitação do dia em seus músculos, estalou o pescoço após se livrar do paletó.
Curvando-se para frente, o loiro cobriu o rosto com as mãos.
Ele respeitou o silencio de Jasper enquanto o mesmo digeria a história.
Ninguém de boa índole recebia a notícia de que uma mulher – principalmente, uma “conhecida” – foi violentada e ficaria bem com isso. Na hora, ele não sabia se ficava mais perturbado com o acontecimento ou com o fato de que, por muito pouco, sua menina não viu a coisa toda acontecer.
Quase tão indefesa quanto a própria Chelsea.
Incapaz de ajudar e sair dali em segurança.
Imagina-la com medo, o deixava furioso e embora ele quisesse ir pessoalmente ensinar a Jackson a não se impor sobre uma mulher frágil e sozinha, seus anos na área criminal o tinha feito encarar as coisas com frieza e inteligência. Em sua carreira, Edward ouviu e viu coisas que lhe deram pesadelos quando mais jovem, mas agora, não o faziam piscar. Ele tinha aprendido a controlar a si mesmo e agradecia a Deus, por Bella ter sido esperta o suficiente esta noite. Seu peito esfriava só em pensar no que seria feito para silenciar as duas.
Não.
— Isso é muito fodido. — Jasper finalmente falou. A voz morta e resignada.
— Sim. E só vai ficar pior.
— Do que diabos você está falando?
— Sua amiga — Pronunciando como se fosse obvio, Edward apertou os lados de sua cabeça dolorida com as pontas dos dedos — Ela vai querer fazer alguma coisa. Ela se sente muito culpada por ter deixado Chelsea ir embora sem lhe prestar socorro.
— Chelsea cavou a sua própria cova ao desistir de levar o processo contra Jackson adiante e agora, o ameaçando — Jasper esclareceu e embora Edward concordasse, ele sabia que a sua menina ignoraria os fatos — Olha, eu sinto muito por ela, realmente, mas você não pode deixar que a Bella chegue perto dessa mulher.
— Agora, isso não cabe a nenhum de vocês dois. — As cabeças de ambos giraram na direção da voz irritadiça e encontraram sua dona, encostada à parede, de camisola, cabelos molhados e soltos, com os braços cruzados embaixo dos peitos.
— Isabella...
— Não venha com “Isabella” para cima de mim — Retrucando, ela se aproximou dos homens. O loiro suspirou, sabendo que dificilmente ganharia a briga, mas também não estava cedendo ainda — Por que você contou para ele?
Sua atenção voltou-se para Edward.
— Porque Jasper foi o único a lhe conseguir um emprego naquele lugar e sua mãe, está morando com o irmão de Jackson — A resposta estava na ponta da língua e a desarmou. A fúria em seus olhos perdeu a intensidade — Se alguém pode entrar em contato com Harold e rápido, é ele. Você vai precisar da ajuda do homem.
Fazendo sinal de pare com a mão, Jasper foi rápido em discordar.
— Eu não vou fazer isso. Ele é irmão do cara, porra. Se essa mulher não tiver como provar os abusos que sofreu na mão de Jackson, é a palavra dele contra dela e nós vamos ser pegos no meio do fogo cruzado — Ele apontou para Isabella — Você pode até mesmo perder o seu emprego na agência.
Fazendo uma careta, ela deu de ombros.
— Eu realmente não pretendo voltar para lá.
O suspiro aliviado de Edward preencheu o pequeno momento de silêncio e, ela revirou os olhos enquanto se aproximava do namorado e tirava Lola de cima dele. A pequena criatura ficava pendurada em seu ombro, como um papagaio, por quanto tempo ele deixasse. Murmurando um “vem cá”, ele a puxa para o seu colo e a acomoda entre seus braços, beijando as costas expostas. O aperto em sua cintura confirma que ele está apoiando a sua decisão em largar o trabalho.
— Eu não vou ser capaz de agir normalmente diante de Jackson. Se eu o vir sorrindo para mim mais uma vez, sou capaz de fazer uma cena — Encostando-se no peito de Edward, ela se lembrou das vezes em que seu chefe, de repente, começou a ficar simpático demais. Isabella tinha flagrado alguns olhares dele para certas funcionárias, mas nunca foi algo explicito ao ponto de deixa-las desconfortáveis ou sequer perceberem. Com ela, logo que os serviços de Edward para ele foram encerrados, não foi muito diferente. Elogios e convites para almoço surgiram e só pararam quando ela deixou todos saberem sobre o seu relacionamento com o advogado. A postura de Jackson mudou completamente. Agora, ela sabe porquê — Eu preciso ajudar a Chelsea, Jasper. Ela não tem mais ninguém e seu estado é preocupante. Ela não parecia saudável e depois de hoje...
— Então, chame a polícia — Ele implorou — Denuncie, como as pessoas normais fazem. Você não precisa se envolver pessoalmente. E não me dê esse olhar, Bella. Esse cara usou a secretaria dele, repetidamente, como se ela fosse uma boneca de pano e deixou a mulher para passar fome. Isso é sádico e nem assim, você percebe que não é absurdo que eu te queira longe dessa sujeira toda?
— Eu não vou me arriscar — Ela jurou. A verdade é que Isabella estava cansada de toda aquela conversa que não iria leva-los a lugar algum. Jasper sabia melhor do que ninguém que ela faria o que achava certo e ponto final. Embora abalada e triste pela outra mulher, ela não era tão frágil ao ponto de ser estupida — Eu estava nervosa, assustada e por um momento, realmente achei que ele fosse me pegar a qualquer instante, mas fui capaz de encontrar a saída após alguns lances de escada. Eu tinha que pegar o elevador em outro lugar ou ele o ouviria chegando e saindo. Se Jackson estava confiante de que esteve sozinho com Chelsea o tempo todo, ficaria óbvio que havia mais alguém ali. Isso, provavelmente, levantaria suspeitas quando eu decidisse sair da empresa.
Diante disso, Jasper não tinha o que questionar.
Virando-se para trás, ela encarou Edward antes de perguntar.
— Eu fiz bem, não fiz?
Rindo sobre como ela parecia infantil ao querer sua aprovação, ele assentiu.
— Sim, querida, você foi perfeita. Eu estou muito orgulhoso.
Corando, Isabella voltou-se para o amigo que, com um aceno rígido, finalmente concordou e levantou-se do sofá para agachar-se na frente da poltrona onde ela estava. Segurando em suas mãos, Jasper as beijou e sorriu minimamente.
— Eu não estou feliz com isso, Bella, mas estou com você — Sensível pelo dia agitado e confuso, seus olhos ficaram turvos com as lágrimas se acumulando. Ela tinha sorte em ter esses homens em sua vida — Mas isso é o suficiente por hoje. Vá descansar e tente desviar a sua atenção das coisas ruins. Amanhã, nós chegaremos a algum lugar com toda essa história e veremos sobre essa mulher.
Conversar depois soava bem.
— Obrigada.
Isabella inclinou-se para beijar o rosto de Jasper, mas seus lábios mal o tocaram e ela já tinha o seu corpo puxado para trás. Edward respirou fundo em sua nuca e ela quis rir do seu ciúme absurdo. Percebendo, Jasper bufou e pulou para cima, se endireitando antes desejar-lhes boa noite. Os dois se levantaram enquanto se despediam do amigo e vizinho, mas apenas o ruivo foi até a porta para tranca-la.
Isabella foi para a cozinha e tirou um copo do armário, ao mesmo tempo em que mantinha a geladeira aberta com o pé. Ela tomou um gole do seu suco. O liquido frio realmente fazia bem ao seu estômago e minimizava a sua fome, assim, ela empurrou um pouco mais para a sua garganta.
— Merda, babe, eu sinto muito — Edward se desculpou ao encostar-se na pequena ilha. Ele coçou os olhos e quando descobriu o rosto, sua carranca o fez parecer um menininho sonolento. A imagem fez Isabella sorrir. Ele era tão bonito — Eu ia preparar a comida quando ele apareceu, mas tenho certeza que posso arranjar-lhe alguma coisa. Apenas me dei-
— Não. Eu estou bem.
— Bella...
— É sério — Sorrindo um pouco, ela colocou o copo sobre a pia e o abraçou, se colocando na ponta dos pés para beija-lo no queixo — Vamos para cama? Eu prometo comer tudo e qualquer coisa que você fizer para o café da manhã, mas agora vamos... apenas deitar.
Inclinando-se para baixo, ele tomou sua boca e sem usar a língua, a beijou com muito carinho e cuidado, enquanto a deixava empurra-lo para fora da cozinha. Antes de sair, Isabella pegou o pacote de ração de Lola e levou junto com eles. Os miados não foram capazes de atrapalhar o casal trocando caricias delicadas, apenas porque gostavam de ter as mãos um no outro. Quando chegaram no quarto, ele começou a se despir para um banho rápido e ela cuidou para que sua gatinha gananciosa tivesse alimento para seus lanches noturnos.
Quando Edward retornou, ele vestia uma calça de pijama e tinha o peito nu. Ele aproximou-se da cama onde ela estava deitada de lado, de frente para ele, mas com o olhar muito longe. Ela soltou um pequeno choramingo quando ele finalmente se deitou e como um ímã, Isabella deslizou na cama até ficar colada em seu corpo. De bom grado, ele ofereceu o seu peito como travesseiro. Ele adorava sentir o cheiro do seu cabelo recém lavado e ver sua pequena mão espalmada em sua barriga, além do calor que o aquecia por toda a madrugada.
— Você tem certeza que não me quer na sala?
— O que? — Levantando a cabeça, ela o olhou por um segundo e então, realização brilhou em seu rosto — Oh! Não, de jeito nenhum. Por favor, fique.
Edward ficou feliz por ela não ter se fechado.
— Eu sinto muito que a noite não tenha acabado como gostaríamos.
— Está tudo bem, Edward. Juntos, estamos construindo uma porção de boas memórias e eu prometo, ano que vem, quando eu me lembrar dessa data... eu só vou pensar no quão bem eu me senti a cada vez que estive assim com você.
— Você é absolutamente incrível — Sorrindo, ele foi para frente e roubou um selinho rápido, fazendo a rir — Agora, deite-se. Eu vou segurar você o tempo todo. — Lendo a verdade em sua expressão, ela relaxou e voltou a sua posição anterior, mas passou a perna por cima dele. Quando sentiu seu polegar desenhando círculos preguiçosos em suas costas, ela fechou os olhos e amoleceu com a calmaria do momento.
Era disso que ela precisava em sua vida.
Carinho.
Segurança.
Amor.
Sim, ela era amada... de um jeito bem singular, mas era.
Ele não sabia quanto tempo tinha se passado, mas acordou de um cochilo com o seu nome sendo chamado.
— Eu preciso que ele seja preso, Edward. Eu preciso dele atrás das grades.
Piscando o sono, ele hesitou por um momento antes de suspirar.
— O que você quiser, babe. O que você quiser.
Era uma promessa.
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