Mentiras. Saudades. Arrependimento. Culpa.
'Você sabe como me machucou. Seu mentiroso... Não me procure mais. Eu cansei.
Cresça Takanori.'
Doía, por mais que ela estivesse certa. Fora um grande idiota, apenas brincando com seus sentimentos. Estava trancado em casa à dias, não tinha forças, nem coragem.


O que percebi apenas depois de te machucar
Eu estava procurando pelo número de defeitos em você
Quando deveríamos estar olhando um para o outro

Olhou o novamente o bilhete, já manchado de lágrimas. Mordeu o lábio inferior amaçando o pequeno papel. Nunca pensou que ficaria assim por alguém, tudo havia perdido o sentindo, não tinha motivos para sorrir... Motivos que nunca ligou.

Nossos dias foram enterrados em pequenas mentiras, para podermos lutar contra as dúvidas
Nossos corações sabem o significado de perder um ao outro
Esse segundo inverno continua parado.

Sua personalidade mudara, não era mais aquele homem que não ligava para os sentimentos alheios, agora tudo que lhe restava era a solidão, e o arrependimento.

- Yumi... — Disse baixo ao ouvir seu celular tocar, ainda com alguma esperança, se apoiou no sofá, se levantando com dificuldade. Apanhou o objeto atendendo-o com a voz trêmula.

- Ruki?! Eu estava tão preocupado! — Ouviu a voz de seu melhor amigo, segurando o choro. — O quê houve?!
- E-Ela...Me deixou... Uruha... — Desabou novamente no chão, deixando algumas gotas rolarem por seu rosto.
- Ruki...Sinto muito...Mas... — Cortou seu amigo, já sabendo o quê iria dizer.
- Eu sei...Fui um idiota...Nunca dei valor a ela, sempre brinquei com seus sentimentos... Eu só... Queria voltar ao tempo e mudar tudo... Eu...Perdi minha razão.. — Disse fraco, se encolhendo, estava sentindo uma dor que nunca havia sentido.
- ...Eu não sei o que dizer... Você não pode ficar assim... — Tentava acalmar seu amigo, mas nunca esteve em uma situação assim.
- Eu posso, Uruha... Eu quero mais uma chance...Mudar tudo... Poder faze-la sorrir. — Desabafou, se entregando ao choro.
- Ruki... — Uruha não queria ver seu amigo sofrer mais. Suspirou resolvendo tomar alguma atitude. — Eu vou te ajudar...
- Ajudar? Não existe um jeito de me ajudar...Eu não quero mais. — Foi cortado pelo outro, assim que percebeu a intenção do menor.
- Não pense em se matar! — Gritou do outro lado da linha, bufando em seguida. — Eu vou te ajudar... Não faça nenhuma besteira. — Desligou o telefone, deixando o assustado.

Envolvidos em solidão, os dias encharcaram a nós dois
Nós estavamos continuamente em busca de entendimento, eu posso sentir isso profundamente mais uma vez

Sem entender o amigo, o loiro voltou a se deitar no chão, lembrando-se de sua amada. Queria ir atrás dela... Mas tinha medo. Apenas queria seu sorriso, seu jeito doce, sentir seus lábios de novo. Passou o resto do dia assim... Deitado, se lamentando.
Percebeu a noite cair, se levantando, e indo tomar um banho, talvez melhoraria um pouco...Ou não... Por mais que tentasse não pensar em sua dor, ela não o deixava em paz.

As pequenas mentiras mudaram suas formas e se dissolveram numa pequena brisa branca
Para não esquecermos o significado de perdermos um ao outro, não importa quantas vezes meu coração for esfaqueado

No dia seguinte, resolveu encarar o espelho, estava pior, piorava a cada dia... Sentou-se no chão, abraçando seus joelhos. Iria acabar com aquilo, se levantou com dificuldade indo até a cozinha e pegando uma faca que via pela frente. Não queria que fosse assim, mas não aguentava mais. Precisava dela.
Sentou-se no sofá, apontando a parte afiada do objeto para seu pulso, respirou fundo, apertando-a contra sua pele, queria desistir, mas era tarde, já via um pouco de sangue escorrer.

Eu deixo esse ‘adeus’ bem aqui e sigo adiante
Não te perderei mais uma vez

Assustou-se ao ver a porta ser aberta bruscamente, olhando seu amigo, e...Ela... Deixou a faca cair, sentindo novamente aquela dor.
- Taka! — A mulher foi até o loiro abraçando-o com força. — O quê você estava pensando em fazer?! — Gritou deixando as lágrimas rolarem por seu rosto pálido.
- Mas que droga, Ruki! — Uruha bufou, colocando um pano no pulso do amigo. — Eu falei para você não fazer nada!
- Eu...Não aguento... — Disse baixo. — Eu preciso de você, Yumi...Mais uma vez... — Abraçou a jovem, se entregando as lágrimas. — Não tinha percebido como você me vazia falta...Eu fui tolo, nojento, desprezível, e com isso, eu descobri que não sei mais viver sem você... Sem seu sorriso, ou seu jeito... Eu me torno um nada, vazio... Eu não quero mais me sentir assim... Dói...Muito.. — Dizia pausadamente.
- Taka... Quando o Uruha me contou...Eu não aguentei...Por mais que você me machucasse, você sempre foi a pessoa que mais me entendeu... Eu não queria.... — A mulher colocou as mãos sobre o rosto do loiro, vendo sua face abatida.
- Então...Por favor...
- Eu não quero mais sofrer... E não quero mais que você sofra... — Sorriu fraco, abraçando o loiro.
- Obrigado... — Apertou-a com força, apesar do pulso ainda doer. Agora sua dor iria acabar. O amigo vendo ambos, sorriu aliviado.

Para que pudessemos nos assegurar de nosso amor, ambos tivemos que ver tristeza
Mesmo se nós acabarmos desaparecendo amanhã, tudo bem não chorar mais

Notas finais
Os trechos em itálico são da música 'PLEDGE', rs.
Dedico a fic pra Mah, sempre me obrigando a escrever coisas heteros, pro @Konayuki_-nii, e pra Laísa. <3 Amo vocês. <33333333
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!