Errado

1 Como tudo que fazíamos.


Notas iniciais
Eu amo esse casal, simplesmente. Então não podia deixar de escrever sobre ele no dia dos namorados, não acham? ♥
Primeiro de tudo, quero agradecer especialmente cada um dos leitores que se interessarem por isso aqui. E queria dedicar essa fanfic, como sempre, para a minha esposa - que é uma das melhores escritoras e a mulher mais sensacional que já conheci na vida. Carol, ou Shoreline, essa história é para você. Te amo muito mesmo, moça.
Agora, vou comentar um pouco sobre o que vem a seguir.
Não venham falar que é um casal estranho, porque eu sei disso. Fazer o que? Eu acho os dois extremamente sexy juntos. E espero que vocês também considerem um pouco isso.
Acho que, para as dedicatórias, também devo mencionar a minha uke, que shippa L/Mello bem antes de eu pensar sobre o casal. E ela parecia entusiasmada com a fic, então não deixarei de mencioná-la.
Sem mais, aproveitem. Escrevi do fundo do meu coração, com todas as minhas forças [que são poucas, já que estou doente] e aguardo reações boas de vocês.

Mais uma vez, estávamos próximos demais.

Talvez a proximidade não fosse o maior problema.

O que me incomodava, pelo menos, não era isso.

Nunca me incomodei com o fato de tê-lo por perto. Na verdade, sempre achei que deveria agradecer por ter tanta sorte.

Mas eu sabia que isso nos prejudicaria. Que isso te prejudicaria.

Ambos estavam cientes que um romance não era algo certo. Não naquela ocasião. Não entre nós dois.

O problema, em si, não era o amor. Era a situação.

Desde pirralho, minha vida era apenas estudos. Meter a cara nos livros e o punho na cara daquele menininho — ou era uma ovelha? — que me tirava do sério. Que sempre estava na minha frente.

Meu destino era superar o maior detetive do mundo, e não estar ao lado deste.

Esse detalhe parecia não existir quando você decidiu tentar fazer uma amizade com o conhecido loiro nervoso daquela instituição.

Você me despistou de todos os meus objetivos.

Com toda a certeza, não foi uma época ruim para mim. Eu não tinha nenhum amigo além do ruivo.

O erro foi aprofundar esta relação.

[...]

Era uma noite gélida naquela área de Winchester. Foi a primeira vez que consegui vê-lo demonstrar alguma emoção que não fosse a típica face tranquila diante de tudo que se passava em volta.

A neve caia sobre o vidro da janela, que estava fechada para que o frio não aumentasse dentro do cômodo. O moreno tremia levemente.

Eu não estava mais no Wammy's House. Já havia passado muito tempo desde que tinha idade o suficiente para sair dali e ter a minha própria vida.

E até naquela época, minha vida resumia-se em você.

— Não está com frio? — Direcionou o olhar para mim. O tom de sua voz dava a entender, talvez... que estava preocupado com esse tipo de detalhe? Provavelmente não era isso, tentei convencer-me.

— Muito pouco. Eu estou acostumado com isso. — Solto um murmúrio desanimado enquanto quebrava os quadrados do chocolate e os empilhava. Ouço o movimento do moreno ao se levantar para sentar ao meu lado, mesmo que fosse daquele modo estranho e incomum. O que interessava era a sua presença.

Passamos alguns segundos em silêncio. As palavras ainda não se faziam tão necessárias. E também, não havia muito a ser dito.

Aquele tipo de momento com L era algo realmente raro.

Raro para os olhos dos outros, é claro.

Momentos como aquele eram normais em nosso cotidiano.

E mesmo que se repetisse todos os dias, era sempre a mesma euforia interna de tê-lo junto a mim.

Era sempre o mesmo sentimento, cada vez invadindo mais a minha mente e tornando-se, em parte, óbvio.

Eu já tinha percebido.

Você já tinha percebido.

Era por isso que continuávamos ali, em quietude. Pois qualquer fala poderia quebrar totalmente aquele momento.

E como se você pudesse ler os meus pensamentos, e muito provavelmente conseguia mesmo, notei seus lábios curvando-se em um breve sorriso.

Aquele tipo de sorriso que me deixava sem céu ou chão.

— Hey, L. — Comecei, levando um pedaço do doce no qual sou viciado até a boca. — Acho que estou começando a ficar com frio. Você poderia dar um jeito nisso? — Questiono enquanto pousava suavemente uma de minhas mãos por cima da dele. Aquela pergunta, com certeza, havia soado um tanto perversa aos ouvidos do inglês.

— Eu acho que posso tentar. — Não alterou o timbre, desfazendo a distância entre os dois rostos e mordiscando a outra ponta do chocolate com os dentes. E ele desfez o que nos separava em um piscar de olhos.

Mas eu juro, não havia sido a minha intenção tê-lo por cima de meu corpo naquela noite.

[...]

Quem diria que, uma vez na vida, o homem mais esperto do mundo não tinha tanta consciência de seus atos?

Bastou apenas uma provocação para que você perdesse o controle e me deitasse na cama.

Depois de tanto tempo, estava finalmente acontecendo.

Você não tinha noção, ou apenas parecia não dar a mínima para o que estava fazendo comigo.

Eu também não me importei. Era isso que eu queria.

Era isso que nós queríamos esse tempo todo, e nunca tínhamos tomado uma atitude.

Aquilo era errado, com toda a certeza.

Errado, mas nem de longe ruim.

Receber seus toques por todo o meu corpo não chegava nem perto de ser uma sensação desagradável.

Ser beijado pela única pessoa que realmente criei afeição nunca seria um incômodo.

Talvez fosse a melhor coisa que já senti em toda a minha vida.

Talvez?

Com certeza.

Tê-lo por perto era como ser o homem mais feliz do mundo.

Pois, de fato, naquele momento eu era.

Tudo estava sendo perfeito naquela noite. E eu sabia que só iria melhorar.

Até porque, foi naquele quarto, naquele mesmo dia frio que você admitiu pela primeira vez que me amava. E foi naquele dia em que eu finalmente revelei que sentia o mesmo.

[...]

Desde então, as coisas pareciam estar calmas.

Pareciam.

Os casos enviados para L demoravam muito para serem finalizados.

E eu sabia que a culpa disto era minha.

Minha intenção nunca foi afetar o seu trabalho.

Nem interferir em sua vida pessoal.

Porém, eu sabia desde o princípio que, depois que assumíssemos uma relação mais séria, tudo mudaria. E achava que isso não prejudicaria nada.

Percebi que estava me tornando apenas um problema.

Mais um problema, assim como era no orfanato.

Já havia tocado no assunto diversas vezes com o detetive. Ele discordava sempre, falando que eu não estava envolvido em nada disso.

Você beijava a minha testa e dizia que ia ficar tudo bem.

Eu sabia que não ia ficar se as coisas continuassem assim.

[...]

O que tínhamos era errado.

Errado para o seu trabalho, para o público, para o que foi me ensinado a infância toda.

Errado, como todas as coisas em que eu costumava me envolver.

Aquele romance, em si, tinha tudo para dar errado desde o início.

Mas não foi por isso que você decidiria desistir.

Não ia ser por isso que destruiríamos tudo que demoramos para construir.

Como você sempre faz, tentaria dar um jeito.

E seria assim que iríamos viver.

Tendo uma vida errada, uma relação errada.

E que, mesmo cheia de problemas, não deixaria de acontecer.

Notas finais
Eu sei que ficou meio sem sentido [?], mas estou testando um novo modo de escrita e é a minha primeira vez com ela. Então sejam bonzinhos, levando em consideração que minhas primeiras experiências nunca são tão boas. Já escrevi L/Mello antes, mas nunca dessa forma.
Tentei deixar a relação dos dois clara, mas caso não tenham entendido: os dois não poderiam ficar juntos porque Mello distrai o L na conclusão de seus casos. Mas ele não se importou e deixou que as coisas continuassem assim. Por isso ele dizia que a relação era um erro, pois a sua intenção nunca foi prejudicá-lo.
E a parte que insinua lemon foi porque eu não consegui me controlar.
BTW, espero que tenham gostado. Vejo vocês na próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!