Era como se todo o final feliz que haviam planejado, tivesse desmoronando. Branca de Neve e o seu tão amado Príncipe Encantado estavam agora numa importante reunião, já era a décima só naquela semana.

Os problemas do reino não eram nada simples e a tendência era piorar. A floresta encantada estava num colapso, com as árvores secando e adquirindo uma cor negra. Estavam na primavera, mais tudo aparentava estar num tenebroso outono. E ninguém sabia explicar o porquê.

– Vocês sabem o que acho, deve ser coisa daquela Rainha Má. Ela está solta por aí, ainda busca vingança. Deveríamos ir atrás dela e atirá-la no calabouço! – um dos anões, a qual Branca reconheceu por ser o Zangado, resmungou.

– Não Zangado... – ela abanava a cabeça, tentando tirar qualquer possibilidade de dúvida da cabeça. – Não acho que foi ela. Não é a cara dela fazer esse tipo de coisa sem deixar bem claro que foi ela. Vocês sabem... ela precisa que todos a temam. E não vai conseguir fazer isso se escondendo.

– Ainda assim... – o anão resmunga, mas é cortado pelo Príncipe Encantado.

– Ainda assim não devemos acusar ninguém sem provas.

– Certo, mas o que falamos para os aldeões? Os habitantes do reino querem respostas! Eles estão se revoltando e não sabemos mais o que fazer para acalmá-los. – Chapeuzinho Vermelho comenta.

Sim, a população estava revoltada e isso não era uma grande surpresa. Os problemas estavam atingindo até a economia do reino! Qualquer um se revoltaria numa situação dessas.

– Quanto a isso eu tenho uma sugestão. – Grilo, que até então só observava, pronuncia.

– E qual seria Grilo? – Branca pergunta com um traço nítido de esperança na voz. Para ela era extremamente terrível ver todo o reino caindo em ruinas.

– Uma Seleção com o herdeiro de vocês, Aaron. – um silêncio cai sobre a sala após o pequeno ser dar sua sugestão. Uma Seleção... era uma ideia maluca para o mundo dos contos de fadas. Onde o verdadeiro amor sempre era o guia de todos.

E Branca não queria admitir, mas era uma ótima ideia. Ela só esperava que seu filho realmente encontrasse um amor verdadeiro.

– § -

Aaron acordara cedo está manhã. Como já era rotina, ele se preparou para a caça. Fazia isso desde os quinze anos, quando se perdeu na floresta encantada. Mas ainda bem que acabou encontrando Hunter, ele era filho de um caçador, e se surpreendeu ao encontrar o príncipe nas redondezas. Os dois logo descobriram uma grande amizade, que é levada até hoje.

Então Aaron foi até o estábulo, onde pegou Snow; um cavalo tão branco, que o príncipe considerou o chamar de Albino. Mas os olhos azuis como uma tempestade, o fez nomear o cavalo de Snow.

Ele cavalgou até a clareira no centro da floresta, hoje em dia não se perdia mais. Ele logo avistou Hunter, parado afiando a ponta de uma flecha.

– Eu estava considerando que você não viria. Mijaria nas calças só de pensar em enfrentar um lobo. – o amigo o recepciona com um sorriso zombeteiro.

– Você ainda pensa isso Hunter. Garanto que pego o lobo mais rápido que você! – o príncipe não tinha tanta certeza, mas não gostava de demonstrar medo.

– Certo, então vamos logo antes que sua coragem vá para o ralo. – o caçador colocou a flecha na aljava e juntamente com o arco, pôs nas costas. Aaron também vira preparado; com seu arco e flechas e a espada banhada a prata, que fora presente do pai.

Os garotos seguiram silenciosamente pela floresta. Eles já estavam acostumados a nunca falar nada, já que espantava a presa. Ainda mais hoje, quando eles caçariam um lobo. Eles o viram apenas uma vez, de relance. Estavam na floresta treinando a mira, apenas uma forma de passar o tempo. Quando o uivo foi audível, e o lobo passou correndo. Hunter disse que não descansaria até o encontrar.

Agora eles haviam descoberto a toca do lobo e estavam a caminho de lá. Assim que chegaram lá, Hunter colocou o dedo indicador sobre os lábios, avisando para Aaron fazer silêncio. O príncipe rolou os olhos; ele não seria estúpido a ponto de chamar a atenção do lobo e estragar o plano.

Ao entrarem na toca se depararam com a criatura dormindo. Ele tinha o pelo num tom castanhos avermelhado e era duas vezes o tamanho dos garotos; que eram definitivamente bem altos.

A respiração lenta do lobo era acompanhada pelos passos silenciosos de Hunter.

– Vamos atacar com ele dormindo? – o príncipe sussurrou.

– Melhor do que ele pular em cima de nós acordado. Agora faça silêncio!

Hunter ajeitou a flecha no arco e puxou a corda, estava pronto para atirar. Quando os olhos do lobo abriram.