Era para ser eterno
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Linda Maddison apenas suspirava na mesa daquele bar lotado. Suas mãos se erguiam instintivamente no ar, cada vez que finalizava um copo.
Bom, era essa a forma que Linda parecia ter para se sentir melhor. E talvez, no fundo, não fosse uma ideia tão ruim assim.
E mais uma vez, seus olhos lacrimejavam só de pensar naquele par de olhos castanhos. Era difícil demais se acostumar com a saudade que lhe atormentava todos os dias.
Mais difícil ainda, era acreditar que ele havia partido. Seu coração fazia questão de lembrar-lhe que seu dono estava ausente toda vez que a mulher fechava ou abria os olhos.
A dor era incondicional. Linda não tinha dúvidas que sua alma poderia se partir facilmente caso pensasse muito sobre o assunto. E de fato, poderia? Não.
Seu interior estava sempre banhado em melancolia e mascarado com uma falsa alegria. Mas como um dia, a mulher mesma leu em algum lugar, nada é eterno. Nada mesmo, nem o amor e muito menos a dor.
Linda amou, incondicionalmente. Amou como se dependesse daquele homem, amou como se ele fosse a coisa mais importante de sua vida, amou sem culpa e se entregou sem medo. Essa era Linda, alguém que acima de tudo, confiou no amor e desejou que ele fosse eterno. Mas será que em algum lugar do mundo existe esse tal de amor eterno? Sim, apenas se olhe no espelho.
Esse sim é o amor pela qual vale a pena lutar. Não concorda?
Somos seres inteiros, não precisamos de nenhuma metade. Nos bastamos para nós mesmos. Quando entender isso, será infinitamente mais feliz.
Esperamos demais de alguém que não tem nada a nos oferecer. E nos contentamos com isso, afinal, não temos ideia do que merecemos.
Acredito que é nisso que a maioria das pessoas acreditam.
Sempre me pareceu engraçado o fato de as pessoas se preocuparem tanto em sempre ter alguém do lado. Não faz sentido, nenhum.
Nós só nos acostumamos com a companhia alheia, não significa que precisamos dela. Afinal, a convivência é um hábito. E hábitos dificilmente são mudados.
Esses eram pensamentos que invadiam a mente de Linda enquanto seus olhos verdes delineados, vidravam-se em sua taça de vinho finalizada.
Por mais que ela sentisse uma falta gigantesca daquele sorriso sedutor, sabia que ficaria bem.
Afinal, ela tinha ela mesma. Só precisava de um pouco de tempo até se acostumar com isso.
E você também precisa, querido leitor. Precisa de tempo e de muuuuuuito amor-próprio. E verá, como de repente ele deixou de fazer falta.
É que você estará ocupada demais, feliz sozinha para pensar em quem não desejou ficar.
E com esses pensamentos, Linda sorriu bobamente, pediu a conta e se postou a caminhar pelas ruas pouco iluminadas daquela região da cidade.
O som alto e a inúmera quantidade de casais se beijando por todo canto, devia ter feito Linda se sentir mal. Mas por algum motivo ela não ficou. Seu sorriso parecia ainda maior, ela estava feliz. Feliz por eles, feliz por não ter gastado tanto naquele bar, feliz por um dia ter sido ela naqueles cantos, e ainda mais feliz por estar sendo uma expectadora desses atos de amor, na melhor companhia possível, ela mesma.
E naquele breve momento, Linda percebeu o quão lindo era aquele sentimento e o quão maravilhoso era senti-lo, de todas as formas possíveis.
Conforme o tempo passava e os cabelos antes ruivos, agora esbranquiçados, denunciavam a sabedoria de uma vida.
O maior prazer da vida de Linda, era se sentar em sua varanda e ver o mundo lá fora se encher de amor.
Sua idade a impediu de fazer muito mais coisas, do que aquele simples gesto observador.
A mulher não havia tido nenhum outro relacionamento em toda sua vida. É que ela amava demais a si própria para dividir sua vida com alguém.
E ali, naquele caixão que estava sendo levado a baixo da terra, Linda soube que havia sido feliz e que não deixava arrependimentos para trás. Antes de seu corpo já sem vida ser completamente enterrado, a idosa desejou com todas as forças que tinha, que aquele par de olhos castanhos fosse feliz, afinal, se ele não tivesse deixado-a, a mesma não teria encontrado seu caminho.
Quando o último punhado de terra foi depositado sobre aquela cova, Linda teve certeza que o mundo precisava ainda mais de amor, e estaria disposta a ensiná-lo com seus livros publicados.
Seu corpo enfim podia descansar, mas suas memórias continuariam eternamente vivas.
Fale com o autor