Era novamente uma vez

14 Capítulos 14 – Desacordos


Notas iniciais
Manifestações rolando pelo Brasil e eu fazendo o que? Escrevendo esta fic amada só pra postar um capítulo fresquinho pra vcs começarem bem a semana! Hahahaha Espero que gostem, tá até bem maiorzinho este!

Se havia um pensamento que poderia estar juntando Jane, Maura, Regina e Emma naquele instante este pensamento seria algo nada delicado e bastante surpreso provavelmente começado por “Mas que porra está acontecendo aqui?!” Seguido de: “O que foi que eu fiz?” – por Jane; “O que foi que ela fez?” – por Maura e Regina e “O que foi que elas fizeram?” – por Emma que, convenhamos, de todas era a única que tinha razões para estar realmente nervosa e insatisfeita na história.

Carro da Jane

Jane continuou beijando Maura que ainda tensa não deixava de corresponder aos lábios da morena até que o ar se fizesse necessário para as duas. Se separaram olhando confusas e assustadas uma para a outra. Jane podia sentir seu coração palpitando e tinha certeza que pelo tanto que a outra estava vermelha e ofegava também estava tão nervosa e envergonhada quanto ela. “Mas que droga, eu tenho o que agora? 14 anos?” – mentalizava Jane para si mesma tentando manter o controle.

– Jane... Eu... – começou Maura mas parou para observar os olhos bem abertos da morena a sua frente, os cachos batendo no rosto e a mão que antes estava em sua nuca agora se afastar com calma e se deixar ficar apoiada em sua coxa quase que de maneira automática de tão natural. Ela não conseguia racionalizar nada naquele momento por mais que quisesse, então apenas balançou a cabeça para si mesma como se afastasse qualquer outro pensamento e puxou Jane para si pelo colarinho da camisa a beijando com tanta intensidade quanto a morena havia feito anteriormente, notando o pequeno sorriso que se formara nos lábios da outra por poucos segundos antes de estarem colados nos seus mais uma vez.

Dirty Robber

Tinkerbell beijava Regina da maneira mais quente que conseguia desconcertando a morena que por instinto correspondia e tentava fazer ainda melhor, afinal, assim era Regina Mills, competitiva até quando não sabia ao certo o que estava acontecendo. Quando enfim se separaram, Tinker trocou de lugar com Regina ficando de frente para o grupo que segurava seu amigo, a empurrando para cair sentada numa cadeira enquanto alguns homens assobiavam ela desabotoou alguns botões da camisa deixando uma parte dos seios aparecerem num sutiã rendado escuro contrastando com sua pela clara. Regina também seguiu o olhar de todos tentando prever o que a loirinha faria a seguir e quando a viu vindo novamente para a beijar fez menção em se afastar, mas entendeu a tempo o bizarro plano da outra para desviar a atenção do grupo para seu amigo e sussurrou no ouvido dela:

– Fale pra ele chegar mais perto...

Tinker abriu um meio sorriso em agradecimento e apenas levantou o olhar chamando com um dedo o líder do grupo lhe dando uma piscada safado ao final. Regina não pode deixar de abrir um risinho cínico, fazia tempo que ela não se dava ao luxo de participar de algo tão inesperadamente ousado pensando bem. O homem estava bastante embasbacado com as duas mas ainda segurava com força Will pela roupa. Foi a frente puxando o rapaz junto e esperou para o que a outra faria a seguir. Tinkerbell então colocou um pé na cadeira entre as pernas de Regina que usava uma calça social de cetim e se aproximou ameaçando beijá-la mas não o fez. Ao invés disso ficou parada apenas encarando a morena visivelmente gerando tensão entre todos, Regina logo se adiantou, abrindo mais um botão da camisa da loira, lançando olhares de luxúria para ela e deslizando devagar as mãos pela perna apoiada entre as duas. Por um momento Tinker rezou para não se presa porque sim, ela estava fazendo um strip-tease num bar local e não queria nem imaginar a cara de ódio da prima quando tivesse que ir pagar sua fiança na Delegacia ao lado, que por sinal era seu novo local de trabalho, mas ao mesmo tempo pensava que isso não ia acontecer porque estava com a procuradora geral da cidade, o que no fim das contas só deixava tudo ainda mais estranho.

Agora todos os homens da gangue pareciam hipnotizados pelas duas e subitamente um barulho muito alto de porta batendo foi ouvido e uma Emma Swan furiosa gritava da entrada:

– Na boa, que porcaria é essa que está acontecendo aqui?! Regina, você e sua nova amiguinha querem ir presas por atentado ao pudor, por acaso?!

Todos olharam na direção da detetive loira e o líder do grupo acabou por soltar Will sem perceber, o rapaz pegou uma garrafa da mesa de trás e bateu na cabeça do homem no mesmo instante que olhou para Tinkerbell que apontava para trás dele:

– Tem uma saída pela cozinha, corre!!

O rapaz saiu pulando por cima de tudo e de todos de maneira desesperada enquanto a gangue reagia e gritava, alguns indo acudir o líder outros já correndo atrás de Will. Regina olhou com um ar sarcástico para Emma:

– Parabéns, Swan, agora você tem um grupo inteiro para prender por desordem pública!

Emma acompanhava a movimentação de todos no bar e bufando empunhou a arma e saiu novamente do estabelecimento para correr atrás deles não sem antes encarar a morena com ar feroz do tipo que diz: “não pense que escapou, mais tarde a gente conversa sobre isso!”

Tinkerbell já abotoava novamente a camisa olhando assustada em volta quando Regina se levantou da cadeira de maneira determinada e disse:

– Vamos!

A analista ainda ia falar mais alguma coisa quando a morena simplesmente saiu andando dando a entender que ela deveria segui-la. Do lado de fora do bar já ela não se conteve:

– Olha, desculpa! Eu sei que o que eu fiz foi muito louco mas o Will realmente não ia conseguir sair dessa sozinho e...

– Não pedi para que me explicasse nada, Anabelle. Agora vamos ao laboratório para você me mostrar o que descobriu sobre o caso!

Dito isso Regina saiu caminhando em passos firmes na frente. A loirinha assustada foi atrás dela e caminharam em silêncio de volta até a Delegacia.

–X-X-X-

Maura e Jane agora se entregavam mais as carícias e se beijavam com mais urgência, esquentando aos poucos o clima entre elas tornando o local que estavam mais desconfortável. Jane agora estava praticamente em cima de Maura que lhe puxava com força pela cintura mais para perto enquanto a morena acariciava sua pernas brincando com a barra da saia da outra. Se separaram de um beijo para respirar mas Jane apenas desceu pelo queixo da outra indo em direção ao seu pescoço. Maura fechou os olhos e subitamente empurrou de leve a outra para longe pelos ombros. Jane levantou os olhos confusa e a outra ajeitando os cabelos tentava formular o que dizer:

– Eu acho melhor pararmos por aqui...

A detetive soltou uma respiração forte indo um pouco para trás e voltando a se sentar melhor em seu próprio banco:

– Ok, desculpa se eu tava indo rápido demais...

– Não, não que eu não estivesse gostando, é que... – Maura estava sem graça e não conseguia encarar Jane nos olhos então arrumava sua roupa que nem estava tão desarrumada assim incansavelmente – O parar por aqui que eu quis dizer é parar mesmo.

– Que? Como assim?

– Nós trabalhamos juntas e eu não acho que seja profissional mantermos alguma relação fora desse ciclo porque honestamente pode nos trazer muitos problemas.

– Pera... Da onde você tirou isso? – perguntou Jane franzindo a testa

– Estatísticas dizem que as pessoas passam perto de um terço da vida dormindo. Sendo assim, oito das 24 horas do dia passamos fazendo esta atividade e nas dezesseis horas que restam permanecemos cerca de doze horas no trabalho e somente quatro fora dele. O que quer dizer que de segunda a sexta, pessoas que trabalham ficam três horas na empresa para cada um hora apenas fora dele. – começou a outra – É muito tempo de convivência o que naturalmente acaba gerando ligações fortes que podem evoluir para envolvimentos físicos e/ou amorosos, no entanto uma média de 70% das pessoas que fizeram isso afirmam que não foi uma boa decisão pois afetaram suas carreiras e o próprios relacionamento interpessoal em si com o outro colega.

Jane ficou perplexa com a boca semi-aberta olhando para a legista, levou um tempo para processar e dizer com o tom mais irônico que conseguiu:

– Really?? Então por essas suas estatísticas você nunca deveria trabalhar com a sua prima nem eu com a minha melhor amiga certo? Por que afinal isso atrapalha na “relação interpessoal com o colega”!!

Maura suspirou encarando a morena novamente:

– Relações construídas anteriormente ao ambiente de trabalho tem mais chances de sucesso porque...

– Eu não te conheci no trabalho! – interrompeu Jane meio nervosa deixando a outra estática um tempo – Você simplesmente me deixou sozinha na balada e nos reencontramos no trabalho mas se for levar ao pé da letra eu não te conheci nele!

– Sobre aquele dia... Eu não queria ter ido embora daquele jeito.

– Não queria? Não é o que está parecendo já que na segunda vez que a gente tenta algo você vem com essa história toda de “olha, não é que não esteja bom mas é que não vai dar certo e blá, blá, blá”...

Maura observava Jane bufar a balançar a cabeça inconformada, depois destravou as portas do carro e se jogou para trás com força:

– Desculpe o inconveniente, dou-to-ra! Nos vemos amanhã no trabalho!

– Jane, me desculpe...

A morena não respondeu nada nem virou o rosto apenas olhava para a frente de maneira fixa com a cara fechada. Maura abriu a porta do carro e saiu andando devagar até sua porta. Ficou olhando a outra que dava partida no carro e saia cantando pneu pela sua rua sem olhar para trás. A legista procurou pelas chaves, entrou na casa e bateu a própria cabeça contra a porta segurando um choro: “Maura, sua idiota, por que sempre tem que estragar tudo??”

–X-X-X-

Emma havia corrido por detrás do bar até a rua que acessava a entrada dos fundos. Quando os rapazes da gangue que foram por ali atrás de Will a viram com a arma em punho gritando para eles pararem mudaram de direção entrando no carro de um dos caras que já tinha dado a volta e levava o líder desmaiado lá dentro. A detetive parou e observou o carro correndo, tentou memorizar a placa quando ouviu uma lata de lixo caindo, avistou Will que tinha se escondido num beco correndo de novo e saiu em disparada atrás dele. O rapaz escalou desesperadamente uma cerca e quando parou para respirar sentiu um cano de pistola em sua têmpora:

– Ok, garoto, chega de correr!

– Como foi que você fez isso??

– Pelo visto eu conheço melhor essas ruas do que você...

– Ok, ok...vamos conversar, policial!

– Detetive!

– Detetive, claro, porque eu não poderia estar mais fodido não é mesmo? – respondeu o outro numa ironia triste

– Quem é você e que merda estava acontecendo naquele bar?

– Eu sou apenas um cara que não segue a maneira mais ortodoxa do mundo pra ganhar dinheiro mas tenho bons amigos que tentam me ajudar em momentos como o que você presenciou hoje...

– Em outras palavras: você é um ladrão que trabalha com comparsas?

– Não são comparsas! São pessoas que gostam muito de mim e me apoiam quando preciso!

– Ah, mas negar que é ladrão então você não nega?

– Escuta, senhorita detetive, você vai me prender ou não? Por que que me lembre você não tem motivos pra isso, eu estava apenas fugindo de um grupo que queria me bater sem um motivo claro. Isso não configura um crime!

– Estava causando desordem, isso é crime!

– Crime é você ter interrompido o que a Tinker e a sua namorada estavam fazendo, aquilo estava realmente se tornando interessante de assistir!

Emma baixou a arma dando uma chave de braço no rapaz que urrou de dor.

– Da onde você conhece a Regina?

– Que Regina?? Sua namorada chama Regina? Eu não sabia, ela apareceu do nada lá, eu só sou amigo da Tinkerbell!

– Tinkerbell é a Anabelle? – o rapaz balançou a cabeça em positivo – E da onde você conhece ela então?

– De Londres! Morávamos lá, somos amigos há muito tempo, mas a prima dela que é tipo uma irmã mais velha não é muito minha fã então ficamos meio afastados nos últimos anos, ainda mais depois que me mudei pra Boston, nos reencontramos hoje!

Emma ainda segurava o homem pensando sobre o que ele falou quando o outro começou a gemer longamente:

– É só isso que tenho pra dizer, por favor não quebra o meu braço, eu juro que nunca mais nem olho para a sua namorada!

A loira o soltou encarando com seriedade:

– Eu não tenho realmente motivos para prender você... Ainda! Mas tenha certeza que ficarei de olho! Agora some da minha frente antes que eu mude de ideia!

O rapaz não precisou ouvir duas vezes e já estava longe quando se virou curioso:

– Ei, espera, mas da onde você conhece a Tinker?

– Ela não te contou com o que trabalha?

– Não. Quer dizer, só que conseguiu um emprego aqui junto com a prima que eu sei que é médica. Como ela é bióloga achei que era em algum hospital...

– Da próxima vez que se encontrarem pede pra ela te explicar então! – respondeu Emma virando de costas e indo embora de volta para a rua do Dirty.

De volta a porta do bar viu que a confusão já havia se dissipado e não avistava mais Regina ou Anabelle. Pegou o celular mas lembrou que o mesmo estava sem bateria. Baixou o aparelho com raiva e saiu andando dando de cara com o carro de Regina parado logo à frente. Queria falar com a procuradora, entender o que tinha acontecido, mas e se ela ainda estivesse com a analista? Não estava disposta a ver a cara daquela loira oferecida tão cedo. Não ia esperar ao lado do carro também, vai que as duas viessem juntas até ele? Estariam elas tendo um caso? Não, aquela Isles aguada não fazia o tipo da sua morena. Se fosse Maura ela até poderia considerar mas... Maura? Isso a fez lembrar de Jane e o jantar com a legista, caramba, será que tudo tinha dado certo? Ela agora estava em dúvida se ia direto para casa, será que Jane teria convidado a outra para ir até lá conhecer? De tanto pensar viu que já tinha andando vários quarteirões e pegava o caminho do centro para sua antiga residência. Ela gostava de ir até o centro quando se sentia confusa, dava uma certa sensação de conforto estar no ambiente que ela viveu tanto tempo desde que se mudara pra Boston. Olhava de longe onde antes havia seu prédio e agora um grande empreendimento que terminava de ser erguido quando sentiu alguém esbarrar nela:

– Desculpe, moça!

– Tá tudo bem, Gio...

– Emma? – falou o italiano alto virando de frente, o rapaz era atrapalhado e estava de costas fechando sua oficina quando bateu nela – Minha querida, como vai? Puxa, você continua gostosa!

Emma riu e deu um tapinha no braço do outro:

– Estou bem e você?

– É...mais ou menos. Tinha um encontro hoje, mas quando falei o lugar que tinha escolhido a menina desistiu! – Emma ergueu as sobrancelhas esperando algo absurdo ser disparado da boca do outro que já estava acostumada a ser assim – Sabe, quem é que não gosta de campeonato de Monster Truck??

Emma não aguentou e se pôs a gargalhar, o rapaz pareceu confuso:

– Ué, você e a Jane gostam, não gostam? Aliás, quer ir comigo? Ainda tenho o ingresso dela e ia tentar vender lá na entrada...

– Ah, sabe de uma coisa, Giovanni? – falou Emma assim que parou de rir e refletindo um instante – Vamos sim!

–X-X-X-

Jane após rodar muitos quilômetros enfurecida e frustrada parou em frente a um bar bem longe de qualquer lugar conhecido, não queria ver muito menos falar com ninguém apenas tomar alguma coisa muito forte para ver se diminuía sua irritação já que não conseguiria dormir pensando na besteira que ouviu da boca da loira e muito menos sabendo que teria que encontra-la e agir profissionalmente com ela no outro dia. Pediu o drink mais forte da casa, sem se importar realmente do que era feito. Ele vinha com fogo era lindo, mas Jane simplesmente o tomou de uma só vez sem fazer careta sentindo a garganta queimar. Era isso que ela precisava, sentiu o efeito da junção das bebidas agir em seu corpo e ela aos poucos começar a relaxar. Um garçom parou do seu lado e pôs uma taça de champagne na sua frente. Ela ficou confusa:

– Ei, eu não pedi isso, amigo!

– Eu sei, foi aquela moça ali que pediu para entregar pra você!

Jane olhou na direção que o garçom apontou e viu uma ruiva escultural sentada numa mesa sozinha. Ela usava um vestido preto curto com um decote generoso que só valorizava os seios fartos. Ela sorria de um jeito malicioso para a detetive enquanto brincava com os cachos no cabelo. Jane pensou por um tempo e se surpreendeu ao perceber que cogitava rejeitar a bebida. Que Rizzoli era essa que deixaria passar uma oportunidade de ouro dessas em nome de uma pessoa que não a correspondia? Ela não queria nem pensar se estava se apaixonando por Maura, a loira não merecia esses sentimentos dela, desde que se conheceram só a fazia de idiota. Se levantou decidida e sentou na mesa em frente à ruiva. Estendeu a taça a frente brindando com a outra que ergueu a sua:

– Boa noite, estranha!

Notas finais
Ok, ok, eu já contratei seguranças e tô treinando meu pastor alemão pra cuidar da casa pq sei que muita gente vai me odiar pelo desenrolar todo que estou dando mas fazer o que? Muito obrigada por acompanharem a fic! Beijãooo a todas!