Era novamente uma vez
22 Capítulo 22 - Atrás de que
Notas iniciais
– Testes de balística! – disse quase gritando de empolgação Frost assim que viu Jane entrar na sala dos detetives
– Bom dia pra você também, garoto! – resmungou Jane indo em direção ao café
O detetive mais novo levantou de sua mesa com uma pasta na mão ignorando o mau humor da outra:
– Testes de balística! – disse quase gritando de empolgação Frost assim que viu Jane entrar na sala dos detetives
– Bom dia pra você também, garoto! – resmungou Jane indo em direção ao café
O detetive mais novo levantou de sua mesa com uma pasta na mão ignorando o mau humor da outra:
– Bom dia, Rizzoli! Consegui abrir os arquivos do pen drive e como disse: são resultados de teste de balística. Dá só uma olhada nesses que imprimi!
Jane esticou a mão e levou a pasta juntamente com o café até sua mesa. Sentou-se e começou a folhear os documentos com a testa franzida.
– Caramba... Tem muitos tipos de calibre aqui. Quantas armas foram testadas até chegar nesse material?
– Bem, disso infelizmente não encontrei nenhum registro, mas já mandei alguns exemplares destes para o laboratório para a Stra. Isles nos dizer se detecta alguma anormalidade.
Jane balançou a cabeça em positivo:
– E sobre o dono da mão? Acharam alguma coisa?
– O sargento Jones e uma equipe saíram agora pouco atrás de uma pista. Parece que um chefe de cartel se encaixa no perfil e eles iam aproveitar o momento de intervenção após meses de reconhecimento para ter certeza. Na pior das hipóteses eles voltam com mais alguns traficantes presos e muito material apreendido.
– E você não foi com eles por que? – questionou Jane se reclinando em sua cadeira e tomando um longo gole de café
– Bem... – começou Frost inseguro – Eu estava trabalhando nisso, né? – disse aprontando para a pasta
Jane abriu um sorriso e se levantou:
– Parece que tirando a parte dos mortos, você gosta mesmo é de trabalhar para a homicídios não é? A boa notícia é que está num bom caminho. Na minha opinião, você tem se saído muito bem, garoto. Almoce com a gente hoje, aliás! Não vai ter nenhum conhecido do seu setor por ai mesmo.
Frost abriu um sorriso meio tímido e abobado e acompanhou com o olhar Jane se dirigindo com a pasta para o elevador.
Já na porta dos laboratórios Jane observou Anabelle concentrada num microscópio em meio a vários papéis iguais ao que ela carregava e pedaços de metal. Entrou tentando não fazer muito barulho para não assustar a analista.
– Bom dia!
– Bom dia, detetive Rizzoli, como vai? – respondeu a outra sem tirar os olhos da lente a sua frente
– Eu vou bem... – disse Jane de maneira automática e de repente observando o vidro ao seu lado que dava para o necrotério. Viu Maura lá dentro analisando um cadáver e teve certeza de que este era o sentimento mais estranho que ela poderia ter no mundo mas estava realmente pensando no quanto aquela mulher ali do outro lado era bonita. Tudo nela era bonito: o cabelo, os olhos, a postura, sua serenidade trabalhando por mais que fosse com uma coisa nojenta e o próprio fato dela não se importar com isso era bonito. Jane se sentiu segurando um suspiro quando ouviu a voz da moça ao seu lado que já nem se lembrava estar lá:
– E você?
– E eu, o que? – perguntou a detetive avoada ainda admirando Maura pelo outro lado do vidro
– É a continuação da sua frase. – respondeu Tinker se afastando do microscópio para encarar a morena dando um sorriso sapeca — Sabe, quando uma pessoa pergunta se você está bem, você responde que sim e complementa com “e você?” por mais que no fundo você nem se interesse pela vida do outro, mas é questão de educação mesmo.
– Claro, desculpe! – se corrigiu Jane virando para olhar a outra – Eu me distrai aqui em pensamentos!
– Eu notei. Mas sinceramente detetive vou ter que te decepcionar, não consegui nada de extraordinário até agora. Estou usando amostras antigas e testes já realizados para estabelecer qualquer tipo de padrão e até agora tudo bate. Me parecem resultados de armas normais em bom estado, apenas isso.
Jane pareceu ter um estalo do nada:
– Lhe ajudaria se fosse uma amostra nova?
– Bem... – a outra pensou um tempo – Não sei afirmar. Acredito que não vai fazer muita diferença mas qual sua ideia?
Logo Jane estava dentro do necrotério com um ar de criança animada:
– Bom dia, Dra. Isles!
– Olá, detetive Rizzoli! – respondeu a outra levando o cadáver de volta à gaveta na geladeira e despindo suas luvas
– Vejo que já finalizou um serviço por hoje, ótimo!
– Ótimo mesmo, não que ainda não tenha muito mais, mas creio não ter entendido o entusiasmo no comentário...
– Por que isso quer dizer que com certeza você tem uns minutinhos agora.
– Sim, eu tenho. – disse Maura realmente intrigada com a detetive
– Então... você gosta de atirar?
– Atirar? Com armas de fogo, você diz?
Jane levantou as sobrancelhas sugestivamente e em poucos minutos ambas estavam no stand de tiros do precinto. Maura parecia muito mais feliz do que alguns minutos atrás.
– Isto é realmente fascinante! Perigoso, porém fascinante!
– Sim! – disse Jane rindo enquanto corrigia a postura de Maura ajustando sua mira no alvo – Melhor do que o cinema que te prometi.
Maura deu uma salva de disparos antes de retrucar de maneira bem humorada:
– Para o seu azar, minha memória é muito boa detetive, vou cobrar esse cinema ainda!
Jane riu dando a última sequencia de disparos que havia separado para as duas e encarando os alvos:
– Ficaria ofendida se você não cobrasse!
Maura foi a frente puxando a morena que era mais alta pelo braço um pouco mais pra baixo e instintivamente lhe deu um beijo na bochecha. Jane ficou surpresa por o quanto natural pareceu aquele momento e segurou por um instante a mão de Maura na sua lhe acariciando os dedos. A loira sorriu e logo depois se afastou tirando os equipamentos de proteção:
– Obrigada por isto! Foi realmente divertido. Gosto de estar com você, Jane.
– Eu também gosto de estar com você, Maur... – Jane fez uma pausa apertando os olhos meio insegura – Eu posso te chamar assim?
A legista apertou com carinho a mão de Jane olhando com encanto para seus olhos escuros:
– Sempre que quiser.
Jane sorriu e Maura ficou admirando as covinhas que formavam em seu rosto. Aquilo era totalmente estranho para ela: estar num ambiente nada confortável com pessoas atirando, barulho e ainda assim admirando a beleza de uma mulher a sua frente como se fosse a única coisa importante naquela hora.
– Estive pensando... Nós poderíamos jantar novamente, não acha? – a detetive não pareceu esboçar nenhuma emoção apenas encarava a loira com curiosidade — Quem sabe tomar um vinho na minha casa depois e ver um filme que não seja um documentário já que você não gosta, é claro!
A morena abriu um sorriso ainda maior. Sua vontade era mesmo a de puxar a doutora para perto de si e beijá-la naquele instante, mesmo porque estava mais do que obvio que era isso que era estava querendo também, mas ao invés disso ela manteve a postura e aproveitou para jogar um pouco:
– Você está me chamando para sair, Dra. Isles? Eu não sei se posso aceitar... Sabe, sou uma detetive bastante ocupada!
Maura arregalou os olhos demorando como sempre para entender o humor da outra até que se deu conta e disparou:
– Oh, é mesmo? Eu sou legista chefe de um Estado e costumo ter uma agenda bem apertada, então assim que a senhorita tiver disponibilidade por favor me avise que tentarei encaixar para o próximo mês, com sorte!
As duas passaram um momento rindo e Jane não resistiu a puxar a outra para pelo menos um abraço. Maura a apertou contra si aproveitando o breve momento da troca de calor e logo pegaram o material que acabaram de produzir a fim de levar para a prima da doutora no laboratório se separando na sequencia, mas com a certeza de algo muito melhor marcado para próximo.
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Jane, Korsak e Frost almoçavam no Dirty Robber. O mais velho não havia conseguido nada de útil nos hospitais, sua esperança era a lista de materiais e equipamentos que havia solicitado para verificar se eles não deram por falta de nada nos últimos tempos.
– Ele com certeza não fazia aqueles procedimentos no local de trabalho, seria arriscado demais, mas para abastecer uma clínica ilegal ele só pode ter tirado de um dos hospitais, certo? – perguntava ele aos demais que concordavam sem hesitar
Logo Emma entrou no local passando por uma provocante garçonete de vestido curto que abriu um sorriso enorme ao vê-la:
– Emma, quanto tempo!
– Hei, Rubi! Como você está?
– Estou bem, gata e você? Nunca mais veio me visitar, só vejo seus amigos agora... – disse a outra já do lado da mesa que os detetives estavam sentados
– Ela agora é uma moça “direita” Rubi! Nem almoçar mais direito com a plebe ela almoça! – começou Jane com seu deboche
– Huummm claro que fico feliz por você, mas só pra constar: quando quiser voltar a ser uma menina má meu turno continua o mesmo ok? Agora vou lá buscar os pedidos de vocês na cozinha, com licença!
Todos na mesa riram, menos Frost, ele realmente não conseguia acreditar no quanto aquela moça era liberal e isso ao mesmo tempo assustava e excitava ele.
– Então, quais as novidades? – disse Jane tomando um gole de suco
– Demos sorte: o Dr. Whale realmente foi na cutelaria. – todos os detetives se calaram encarando Emma com o máximo de atenção possível – Viu jogos de faca para cozinha alegando querer presentear a esposa imaginária, mas não levou nada. Ao invés disso ele atravessou a rua, entrou numa loja de produtos para RPG e coisas de nerd que só sei que existem por causa do meu irmão e comprou um “objeto colecionável geek com funções tecnológicas”, segundo a descrição que o rapaz da loja me deu.
– Que seria? – interveio Frost realmente curioso
Emma apenas tirou o celular do bolso revelando a todos uma foto de algo já conhecido:
– Uma faca torta, com escritos em élfico com abertura para pendrive, claro... — disse Jane balançando a cabeça em frustração – Precisamos achar esse cara, ele agora me parece mais suspeito do que tudo!
– Frost, talvez você possa nos ajudar com isso. – disse Korsak entre uma garfada e outra de seu prato – Não achamos nenhum vestígio do cara para poder rastrear, mas talvez você tenha algum meio de descobrir, não acha? Você sabe realmente bastante sobre essas coisas.
– Claro! Farei o possível senhor. – disse o rapaz emocionado com o voto de confiança
Logo Jane e ele atualizaram os dois sobre os testes de balística e Jane afirmou que em pouco tempo “a outra Isles” talvez trouxesse resultados mais animadores do que os atuais. Terminaram o almoço conversando sobre temas mais amenos, coisa que provavelmente não teriam mais tempo para realizar ao longo daquele dia.
Mal retornaram à delegacia Frost já deu de cara com um mau humoradíssimo sargento Killian de colete a prova de balas na entrada:
– Ei, por onde você estava?! Mudou de departamento sem autorização é? A gente acabou de fechar um dos 5 maiores cartéis de Boston e você nem pra estar presente??
– Ei, Killian, o que é isso? – interveio Korsak vendo que Jane e Emma já estavam indo para cima do homem – O detetive Frost tem prestado serviços essenciais à nossa investigação e parabéns pelo feito, mas poxa, todos trabalhamos duro pelo mesmo motivo, sem rivalidade!
Killian apenas balançou a cabeça enquanto andava até o corredor lateral das salas de identificação sendo seguido pelos outros detetives:
– Eu só estou morto de fome, não liguem para a minha falta de humor e boa vontade agora. E a propósito, eu também acabei de prestar um serviço essencial para as investigações de vocês está bem?
O homem abriu uma das portas entrando numa sala com vidro blindado e pegando uma foto do homem dos vídeos que Emma havia lhe dado, apoiou ela no vidro e depois apontou para o outro lado onde havia um sujeito sem uma mão algemado pelos braços:
– Achei o par perfeito de vocês, doçuras?
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