Era novamente uma vez

12 Capítulo 12 – Segredos profundos


Notas iniciais
Olá pessoal! Mais um capítulo, espero que gostem!!

Jane, Maura, Frost e Anabelle aguardaram tensos pela chegada dos outros detetives que logo apareceram com a misteriosa caixa em mãos. Korsak a colocou com cuidado sobre a mesa do laboratório retirando a tampa. Os 4 que não estavam junto na hora da descoberta fizeram cara de espanto e Frost engasgou indo pra trás e desviando o olhar tentando se manter firme, Killian logo notou:

– Ahh, não! Não vai me dizer que você tem nojinho de corpos, né, Frost? Que tipo de detetive é esse que passa mal só de ver uma mão humana podre numa caixa?

– Deixa ele, Killian, agora não é hora pra isso... – interrompeu Jane – Onde vocês acharam essa porra?

– Nos limites do terreno do Gold. – respondeu Emma rapidamente – Num tronco de uma árvore no meio de uma trilha pra ser mais exata.

– Não tinha mais nada lá?

– E você queria mais? Não basta uma mão em decomposição e essa adaga esquisita, toda torta ai?

Maura já havia se colocado à frente e parecia farejar a mão:

– Estranho... Está em estado avançado de decomposição mas o odor não corresponde ao mesmo estágio.

– O que está querendo dizer, doutora? – perguntou Korsak confuso

– Que ao que aparenta esta mão foi conservada depois de decepada e não entrou em decomposição imediata.

– Conservada como? Congelada? – arriscou Jane apreensiva

– Isso eu não posso afirmar detetive, não trabalho...

– ...com suposições, já sabemos! – falaram Emma e Jane ao mesmo tempo revirando os olhos

– Farei uma análise criteriosa agora, Anabelle, pode nos dizer algo sobre esta arma?

Anabelle havia retirado a peça de dentro da caixa e a estudava com cuidado:

– Ainda não. Nunca vi uma dessas antes mas deve ser réplica de algum modelo muito antigo, a julgar pela lâmina e as gravações no cabo é um trabalho artesanal, pode ser que seja muito fácil ou impossível de rastrear. Vou pesquisar mais a fundo!

Todos os detetives se olharam e acenaram para as duas mulheres do laboratório, nada poderiam fazer ali senão esperar. Voltaram para sua sala e lá ficaram discutindo hipóteses e mais hipóteses até a noite.

– Espera, as drogas vocês falaram que estava onde mesmo? – questionou Jane com as pernas esticadas sobre sua mesa e virando mais um copo de café

– Enterrada num dos jardins. – respondeu Frost

– E o dinheiro?

– Na biblioteca.

– E quem garante que uma coisa está relacionada com a outra?

– Como assim? – indignou-se Killian – Nós somos da Narcóticos, Jane, temos certeza que o valor correspondia a quantidade levando em conta o peso e qualidade da droga encontrada.

– Certo, mas uma coisa não estava junto com a outra e se esse dinheiro tivesse outra origem ou até mesmo destino independente do pó?

– Uma coincidência? É nisso que está pensando? – disse Emma na mesa da frente imitando a pose de Jane e também tomando café

– Coincidência ou algo mais elaborado como incriminar o Senador.

– O Senador está morto. – interrompeu Korsak – se for pensar por este caminho eu apostaria mais numa tentativa de acobertar algo mais sério, provavelmente envolvendo aquela caixinha macabra que achamos.

– Estão sugerindo o que exatamente? – disse Killian se levantando da onde estava e dando um bocejo – Que toda a parte envolvendo drogas não passa de uma distração para atrapalhar a investigação?

Os três detetives acenaram que sim com a cabeça, e o Sargento continuou:

– Ah, sério, vocês da Homicídios acham que o mundo gira em torno do umbigo de vocês, só pode! Que assassino “gênio” é esse que estamos procurando então capaz de elaborar tudo isso?

– Na verdade não temos como saber, é algo a ser considerado mesmo... – refletiu Frost em voz alta levando um tapa na cabeça subitamente do chefe

– Garoto, hoje você não tem direito a opinar mais nada, está bem? E olha, já passamos da hora de encerrar o expediente, se vamos seguir nessa linha ótimo, estou cansado demais para discutir, só me digam o que fazer logo!

– Vamos interrogar novamente os funcionários da casa. – sugeriu Emma firmemente – Só que agora vocês vão junto pois perguntaremos das drogas, vamos ver o que sai!

– Excelente ideia, Emma! – elogiou Korsak – E o Killian tem razão, está tarde, não temos mais nada a fazer aqui, chega por hoje!

Todos pegaram suas coisas e se arrumaram para sair. Jane e Emma chegaram ao hall do prédio batendo de cara com Maura e Anabelle que faziam o caminho do café para o elevador, ambas de bolsas aparentemente prontas para saírem também.

– Boa noite! – disse Maura polidamente – Os resultados de alguns exames ainda não estão prontos, e não achamos nada de conclusivo ainda na mão ou na arma que trouxeram detetives...

– É, a gente imaginou. – disse Emma com calma – Já estamos indo e pelo visto vocês também. Boa noite! Amanhã teremos muito trabalho a fazer!

As quatro acenaram umas para as outras e assim que as detetives continuaram andando Jane se virou chamando a legista. Ela e a prima olharam para a morena que por um instante pareceu perdida:

– Hei...é...você... – Maura deu uma inspirada profunda e fez um olhar de clara reprovação olhando rapidamente em volta e para as pessoas que estavam com elas como se alertasse Jane para não falar “nada de mais” na frente de Anabelle e Emma que procurou uma desculpa rápida – ...você”S” querem uma carona?

– Não, obrigada, estamos de carro também! – respondeu a legista o mais rápido possível

– Ahh, ok então. – terminou Jane visivelmente decepcionada

– Não vão descer ao estacionamento também, detetives? – disse Tinkerbell ignorando o ar de desespero da prima ao seu lado

– Não, a gente paro o carro na rua mesmo... – respondeu Emma com naturalidade vendo a cara de espanto se formar na cara das duas cientistas

– Mas vocês não recebem multa por isso?

– Sempre! – a voz sedosa e firme de Regina surgia atrás das 4 que logo se viraram para encarar a bela morena – Mas ao que parece elas “acham” que são da polícia e podem resolver tudo...

Jane e Emma reviraram os olhos enquanto Tinkerbell e Maura soltaram um riso divertido.

– Vocês devem ser a nova legista e a nova analista, não? – disse a morena fitando as duas figuras loiras paradas logo adiante – Regina Mills, procuradora geral!

– Muito prazer, Dra. Maura Isles! – disse Maura esticando a mão a frente e a prima repetiu o gesto.

– Certo, vejo que todas já estão de saída. Na verdade eu só estou aqui porque estava em reunião até agora pouco com o Sargento de vocês e ele me deu uma carona já que hoje estou no rodízio, achei que devia buscar minhas meninas para jantar, por que sabe, né? Se deixar as crianças sozinhas só comem besteira...

– “Minhas meninas”? – repetiu Maura confusa

– Sim. – respondeu Regina olhando para Jane e Emma que novamente reviraram os olhos mas dessa vez esboçando um sorriso – O que acham de nos acompanhar?

– Como assim, Re? – perguntou Jane assustada

– Ué, pensei de irmos naquele restaurante na próxima quadra que tem um buffet de massas ótimo e estou convidando nossas novas colegas de trabalho para irem junto, alguma objeção quanto a isso, detetive Rizzoli?

Jane sem graça balançou a cabeça fazendo um não enquanto Emma se divertia vendo a cara da amiga e logo entrou na brincadeira:

– Ótima ideia! Venham com a gente, vão adorar o lugar.

Tinkerbell já balançava a cabeça animada confirmando mas olhou para a prima que parecia bastante receosa.

– Bem...é que comer massa no período da noite não é algo muito saudável. Quer dizer, considerando o tempo que o organismo humano leva para processar os carboidratos comer coisas pesadas neste período podem afetar o sono e até mesmo o estado físico geral no dia seguinte. A quantidade de sangue necessária para oxigenar o...

– Lá tem um buffet de saladas incrível também! – cortou Emma já sem paciência para a longa explicação científica de Maura que já tinha presumido que viria a seguir

As duas loiras se olharam e Maura parecia não ter mais nada plausível para argumentar contrariamente e acabou cedendo. Foram todas para fora da delegacia a pé até o tal restaurante praticamente em silêncio. Comeram e conversaram animadamente sobre assuntos bobos como a própria comida, o tempo etc. Não era hora de falarem de trabalho ali. Entre uma taça de vinho e outra Regina disparou:

– Então vocês são de Londres não é? Uma bela cidade... O que estão achando de Boston?

– Ah, é um lugar bacana! – respondeu Tinkerbell sorrindo – Ainda estamos nos adaptando mas temos gostado muito.

– Já conheceram a cidade? Além, claro da delegacia e a rua de vocês?

– Mais ou menos... – respondeu a outra franzindo o nariz para a prima – É meio difícil convencer esta daqui de sair de casa mas fomos numa balada muito boa sexta-feira.

– Oh, é mesmo? – perguntou Regina estranhamente interessada demais – E como chama?

– Não lembro direito... Era alguma coisa Rose, fica mais para o lado Sul.

The Great Rose? Sim, é ótima, estávamos lá também neste dia! Que coincidência... Será que não nos trombamos em nenhum momento?

Jane cuspiu o resto do vinho que havia em sua taça tentando tossir disfarçadamente e olhando de maneira assassina para Regina e Emma depois, enquanto Maura também incomodada reagia:

– Não me surpreende você não lembrar de muita coisa desse dia, Anabelle! – e logo mudando de assunto – A comida daqui é mesmo maravilhosa, mas está ficando tarde, acho melhor pedirmos a conta.

Logo todas acertaram suas contas e se despediram na rua cada uma seguindo em direção aonde haviam deixado seus respectivos carros. Foi só entrarem no carro e Jane se ajeitar no banco do motorista para sem nem olhar as duas amigas diretamente sair despejando:

– Filhas da puta!! Emma, você contou pra Re, não foi?

– Contei o quê, Janie? – perguntou Emma inocentemente

– Ahhh para com isso! Do nada ela resolve chamar pra jantar duas pessoas que ela nunca viu, puxa assunto sobre a balada e ainda solta aquela indireta fudida?!

Emma e Regina não se aguentaram e se puseram a gargalhar no carro, Jane bufava sozinha pisando fundo nos pedais para descontar sua raiva.

– Janie, querida, eu só estava tentando ajudar! Em me falou sim, e eu achei um absurdo sua lerdeza em não ir tirar satisfações com a loira. Ela é bem sofisticada e simpática, por sinal, bem melhor que as vagabundas que você geralmente arranja!

Jane ainda soltou mais alguns xingamentos às amigas que sequer reclamaram pois riam ainda mais cada vez que a morena abria a boca.

–X-X-X-

Maura e Tinker chegaram em casa e sem falar muita coisa deram uma geral na casa, fizeram a higiene e foram se deitar. Passado algum tempo Maura percebeu que estava inquieta demais para dormir, se levantou e foi até o quarto da prima:

– Tinkerbell? Está acordada?

– Hum...mais ou menos Maur... – respondeu a outra sonolenta – Tá tudo bem?

– É, eu não sei exatamente. – respondeu a mais velha com sinceridade. – Tinker, se eu te contar uma coisa você promete que não vai me julgar?

– Te julgar? Tá doida, Maur, por que eu faria isso? – respondeu a loira de cabelos cacheados agora mais acordada e se sentando na cama convidando a outra a compartilhar um espacinho com ela

– Aquilo que você falou mais cedo sobre parecer que eu estou apaixonada pela detetive Rizzoli, bem... e se eu te contar que nós nos beijamos naquela balada que você estava conversando agora no jantar com a procuradora?

– Você... pera! Calma... – Tinker agora arregalava os olhos e tentava se convencer que aquela conversa era real e não um sonho muito esquisito – Você beijou uma mulher?!

– Você prometeu que não ia me julgar!

– Não estou julgando estou só perguntando pra confirmar se ouvi direito! Quero dizer, você, Maura Isles, a que poderia ter sido duquesa em Londres, toda preocupada com a moral e bons costumes que vive me retaliando por causa das minhas atitudes “indecentes” está me dizendo que agora com quase 40 anos de idade resolveu se aventurar por ai??

– Não foi uma coisa de caso pensado!! – respondeu a outra inconformada – Eu simplesmente estava lá e ela apareceu, nós...eu não sei explicar tivemos aquela coisa de, como se diz quando duas pessoas se encontram e mesmo sem se conhecer direito parece que mexem uma com a outra?

– Rolou uma química?

– Isso! Isso mesmo. E quando menos percebi estávamos nos beijando e se não fosse por você ter caído de bêbada e se machucado eu ainda teria ficado com ela muito tempo, mas fui embora sem nem dar tchau e tenho certeza que ela odiou isso!

– Mas você explicou pra ela isso?

– Ainda não, mas pelo jeito que ela agiu quando me viu na delegacia deixou claro que havia odiado, só no final da tarde ela fez algumas menções a colocarmos tudo às claras e agora eu não sei o que fazer!

– Como assim? Fala pra ela ué, que não foi culpa sua e pronto.

– Não Tinker, a questão é que eu não quero apenas pedir desculpas eu quero...eu quero beijar ela de novo. – Maura confessou a última parte bem baixinho desviando o olhar para a escrivaninha no quarto da prima – Mas eu sei que não devo.

– Não deve, por que? Se é isso que você quer, ou acha que quer pelo menos...

– Nós trabalhamos juntas agora. E como vai ser? Vamos ficar trocando beijos aqui e ali ou pior, se isso evoluir, vamos ter um relacionamento? Mulheres já são menos respeitadas do que homens nas carreiras que temos, assumir uma posição de conduta sexual que apesar de todo o avanço da sociedade ainda é um tema tabu que sofre preconceito e é incompreendida por grande parte das pessoas pode me botar em risco. Vou arriscar colocar meu recente posto na cidade a prova por uma... curiosidade, experiência, eu nem sei direito como chamar?

Tinkerbell fez um minuto de silêncio observando a prima olhar inquieta para outro lado, depois calmamente levou sua mão ao rosto de Maura girando seu queixo, a fazendo encarar ela e falou num tom sério olhando no fundo dos olhos da outra:

– Maura, e se chamar Amor? Você vai fugir dele?

Notas finais
" to be contine..." hahahahaha Bessooosss