Era novamente uma vez
3 Capítulo 3 – Sem querer
Notas iniciais
– Vou ao banheiro! – gritou Tinkerbell visivelmente alterada depois de mais algumas doses de bebida que tomaram para Maura que levantou um dedo pensando em sugerir ir junto, mas desistindo assumindo para si mesma que estava curtindo demais o som para querer sair da pista.
Após alguns minutos dançando sozinha, a loira que estava de olhos fechados sentindo seu corpo girar pelas batidas e pelo álcool no sangue sentiu que esbarrou em alguma coisa abrindo os olhos e se deparando com uma morena que esticava o braço para longe do corpo, com o copo transbordando pela mão devido ao impacto.
– Oh! Desculpa! Tá tudo bem?
– Relaxa, loirinha, tá tudo bem sim! – respondeu Jane que só podia estar bêbada pra estar tão bem humorada após alguém esbarrar nela e ainda fazê-la derrubar metade de sua bebida.
– Caramba...Eu sou muito desastrada mesmo! Quer que eu pague outra pra você?
– Nãaoo, magina!
– Tem certeza?
Jane riu balançando a cabeça em positivo e fitando a loira a sua frente um instante, ela achou ela muito bonita e extremamente gentil agindo daquele jeito preocupado, resolveu puxar assunto:
– Qual seu nome?
– Maura e o seu?
– Jane! Prazer!
– Eu não costumo gostar muito de baladas, mas esta aqui está muito boa! – comentou a loira.
– É, eu também não, mas costumo dizer que onde tem álcool e boa companhia sempre fica muito bom!
Maura riu e Jane tomou um gole de sua bebida a direcionando para a outra depois:
– Quer?
– Não, obrigada, acho que já bebi o suficiente hoje.
– Está certo... Bom, acho que eu te atrapalhei ai, você estava tão concentrada dançando!
– Nossa, claro que não. Eu nem sei dançar direito.
– Com certeza sabe mil vezes mais do que eu, não tenho o menor ritmo.
– Impossível, todo mundo tem!
Jane riu fazendo uma careta engraçada, Maura viu as covinhas que formavam em seu rosto e achou a combinação com os cabelos cacheados rebeldes muito marcante.
– Você está sozinha?
– Não exatamente, estou com duas amigas, mas me perdi delas na minha última visita ao bar, e você?
– Com minha prima. Ela foi ao banheiro, agora. Vem, fica aqui dançando comigo então!
– Sério que você quer ver o quanto eu danço mal? Tá bom!
As duas riram e ficaram dançando animadamente num canto da pista.
–X-X-X-
– Aquele cara ali não para de olhar pra você! – disse Emma observando um rapaz parado próximo dela e de Regina
– Eu vi, mas não estou interessada. – disse Regina prendendo os cabelos suados enquanto Emma admirava seu corpo depois virava o rosto de volta pro rapaz.
– Ele até que é bonito.
– Pode ir lá! – comentou Regina arrumando a camisa de Emma
– Não disse que quero pegar ele, mesmo porque ele está interessado em você! – resmungou Emma em tom brincalhão passando uma mão pelas costas de Regina a trazendo mais para perto.
– Ahh...está com ciúmes então?
– Ciúmes, eu? Deixa de ser convencida, Re!
Regina riu passando os braços pelo pescoço de Emma e começando a dançar de forma mais sensual colada nela.
– Então tudo bem se eu for dançar assim ali com ele?
Emma não respondeu, apenas suspirou alto apertando mais a morena contra seu corpo. Regina continuou conduzindo a dança encarando a loira nos olhos de forma penetrante. Após alguns minutos percebeu que a outra encarava sua boca e descia um pouco mais a mão que estava em suas costas.
– Em, querida, eu te deixo louca não deixo? – sussurrou ela no ouvido de Emma beijando seu pescoço que logo ficou arrepiado.
– Você é muito má, sabia disso? – sussurrou Emma de volta segurando Regina pela cintura e capturando seus lábios com força fazendo a outra sorrir entre eles antes de aprofundar mais o beijo.
–X-X-X-
– Eu disse que eu era um desastre! – falava Jane com uma mão apoiada na parede enquanto Maura encostada nela se segurava no braço de Jane com uma mão e com a outra massageava um pé.
– É, acho que você não leva muito jeito afinal...
As duas riram, Jane fez sinal em se afastar:
– Vou buscar gelo pra você.
– Não, não precisa! – disse Maura segurando com mais força no braço de Jane – Eu estou bem, foi só uma colisão abrupta de membros inferiores.
– Foi o que?! – falou Jane de maneira confusa.
– Um pisão no pé... – corrigiu Maura ficando vermelha e se sentindo tonta de ter usado termos tão complicados naquela situação.
– Aahh... claro.
Jane ainda parecia confusa e Maura sem graça pediu um gole da bebida dela. Acabou virando o copo que não tinha muita coisa e o devolveu. Jane se livrou do objeto e aproveitando a mão livre a levou até o ombro de Maura fazendo um carinho leve:
– Você tem um jeito engraçado.
– “Engraçado” é uma palavra traiçoeira, não sei se isto foi um elogio... – disse Maura olhando Jane nos olhos retirando a mão que segurava no braço apoiado na parede e tocando timidamente a barriga da morena.
– Sem dúvida foi um elogio! – sussurrou Jane aproximando seu rosto do da loira devagar.
Maura prendeu a respiração um instante, aquela proximidade com a morena havia a deixado agitada e seu coração disparou quando seus lábios tocaram os dela. Jane por sua vez achou que não era efeito da bebida, mas nunca havia se sentido assim com alguém antes, tinha urgência em beijar aquela mulher que acabara de conhecer, mas não por uma noite, queria de fato conhecer melhor aquela loirinha atrapalhada e se não estivesse alcoolizada teria enorme receio em a beijar, mas foi em frente.
–X-X-X-
– Vamos pra casa? – perguntou Emma em tom de sofrimento após alguns minutos se agarrando com Regina na pista.
– Tem certeza? – perguntou a morena mordendo o lábio inferior da outra e lhe lançando um olhar malicioso
– Vamos agora antes que eu arranque sua roupa aqui mesmo!
Regina riu se afastando da loira um instante e procurando o caminho para o caixa, depois segurou na mão de Emma e seguiu em frente com a loira grudada a suas costas. Estavam na fila, Emma deslizava as mãos pela cintura de Regina enquanto lhe beijava o pescoço com vontade, a morena segurou a mão dela a apertando um pouco:
– Querida, e a Jane?
– O que tem ela?
– Ela não vai ficar preocupada se não nos achar mais?
– Ela mora com a gente, Re! Se não nos achar aqui, vai nos achar em casa, relaxa...
A outra ficou em silêncio até que a loira parou de lhe beijar e se afastou bufando, ela ficaria com a consciência pesada se acontecesse algo com a amiga.
– Já volto, vou procurar ela.
Emma deu uma volta e logo avistou Jane beijando Maura contra a parede. Sorriu e voltou para a fila pegando seu celular, digitou uma mensagem para a morena: “Eu e a Re fomos embora, divirta-se ai com a loirinha!”. Regina abriu um sorriso ao ver a outra voltando:
– Achou ela?
– Aham, parece que não éramos só nós que estávamos ocupadas... Mandei uma mensagem avisando que saímos.
Regina sorriu novamente virando de costas para Emma e colando seu corpo no dela, discretamente pegou a mão da loira que estava em sua cintura e guiou até sua bunda. Emma a apertou e deslizou pelo vestido preto impecável da morena e mordiscando sua nuca. Pagaram rapidamente e saíram em busca de um táxi. No caminho Emma pegou novamente o celular mandando outra mensagem para Jane: “Eu odeio admitir que você estava certa, então me diga em qual quarto você achou que ia acabar que vamos pro outro! Hahaha”
–X-X-X-
Jane e Maura se separaram do beijo e ficaram sorrindo meio abobadas uma para outra. Maura acariciou o rosto de Jane que cobriu a mão dela com a sua e deu um beijo leve. Maura deslizou a mão para trás da nuca de Jane a trazendo novamente para perto e se beijaram novamente, tão intenso quanto o primeiro, tão ao mesmo tempo urgente e controlado. Uma mistura de sensações que ambas estavam adorando ter. Após se separarem novamente, foram um pouco mais relutantes e a respiração estava mais pesada. Maura ajeitou os cabelos sem saber ao certo o que falar. Jane percebeu o incômodo da loira e olhou em volta procurando algo pra dizer:
– Você quer uma água?
– Água? Sim... sim, a água é a principal fonte de transporte de substancias em nosso corpo e responsável pelo controle da temperatura corporal, perdemos cerca de 2 litros de água por dia de nossos organismos em condições normais e devemos repor no mínimo essa quantidade diariamente para manter uma boa saúde física e mental.
Jane abriu a boca espantada com a enciclopédia que a outra havia soltado que novamente franziu o rosto em tom de vergonha e se corrigiu:
– Isto é, sim, eu quero água, por favor!
A morena balançou a cabeça e foi se afastando devagar, não sem antes olhar pra trás e abrir um sorriso ao ver a loira com ar preocupado olhando as próprias mãos tendo certeza de que a outra não voltaria mais ali após aquela demonstração bizarra de conhecimento. Jane achou aquilo tão fofo que não se conteve e voltou dando um selinho apertado em Maura que se assustou, depois ouviu a detetive sussurrar em seu ouvido:
– Você tem uma boca Google deliciosa, eu já volto!
Maura abriu um sorriso enorme, podia nem ter falado quase nada com aquela morena, mas ela definitivamente a fazia se sentir especial. Acompanhou a outra sumir na multidão do caminho do bar e suspirou baixinho até que um segurança com cabelo rastafári parasse ao seu lado:
– Você é a Maura Isles?
– Sim. – respondeu Maura ressabiada – Por que?
– Você está acompanhada de uma moça loira, um pouco mais baixa que você, vestindo uma saia verde, que atende por Tinkerbell?
– Aham, aconteceu alguma coisa? – perguntou Maura agora realmente assustada.
O segurança soltou um suspiro e logo apontou um caminho:
– Então é você mesma. Ela caiu no banheiro, bateu o rosto. Nada de mais, já foi atendida no ambulatório e disse que estava com você. Acho melhor leva-la pra casa, moça! Me acompanhe!
Maura ainda titubeou por um instante procurando Jane na multidão, não queria sair sem falar com a morena, mas também não podia deixar sua prima sozinha no estado que estava.
Enquanto isso no bar, Jane esperava as duas águas que havia pedido e resolveu olhar o celular. Viu a mensagem de Emma e gargalhou sozinha. Depois respondeu: “Obrigada, divirtam-se também e... no seu quarto, Em!”
–X-X-X-
Emma e Regina já haviam chegado em casa, a morena se livrara dos saltos e arrancado com pressa a camisa lisa de Emma a jogando pela sala, elas se beijavam com fervor. A loira pôs a outra sentada no encosto do sofá e levantava seu vestido até a altura das coxas as apertando. Regina abriu o cinto de Emma e estava abrindo o zíper de sua calça quando a loira a interrompeu:
– Espera, vamos pro quarto, vai que a Jane chega com alguém.
– Tem razão, qual quarto?
Emma sentiu o celular vibrar na mesma hora no bolso e o pegou lendo a mensagem de Jane. Abriu um sorriso brincalhão o guardando de volta:
– No seu, minha rainha!
Regina pulou do sofá guiando a outra pela mão até o andar de cima para a maior suíte da casa. Bateu a porta já desabotoando o vestido e o deixando pelo chão.
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