Notas iniciais
Como prometido, o 4º capítulo já tá aqui! Espero que não me abandonem por causa da demora. Vou tentar postar sempre 1 capítulo por semana. Boa leitura

Já era noite daquele mesmo dia. Regina e Henry haviam acabado de jantar. Como estava sendo de costume ultimamente, os dois jantaram calados. A relação entre eles estava cada dia pior.

Já passava das dez da noite, Henry já havia subido para dormir e Regina estava na sala, mais uma vez acompanhada de sua sidra de maçã. Estava inquieta. Sabia que se deitasse não conseguiria dormir. A cabeça estava cheia. Tantos problemas.

Seu coração ansiava por alguém pra conversar, mas Regina não tinha ninguém. A única pessoa em sua vida era Henry. E ele também estava se afastando.

Poderia esperar até o amanhecer e ir ao consultório do Dr. Hopper. Mas não era isso que queria. Que alguém a escutasse porque ela estava pagando. Queria que alguém a escutasse porque se importava com ela, porque queria ajudá-la a se sentir bem. Mas essa pessoa não existia. E Regina sabia muito bem disso. Sabia que estava sozinha.

Já estava nervosa com todas aquelas preocupações. A indiferença de Henry, o medo da chance dele amar mais sua mãe biológica do que a ela. A presença de Emma Swan... a ausência de Emma Swan.

Não tinha visto Emma durante toda aquela semana. E por que isso a incomodava tanto? Devia deixá-la feliz. Se isso fosse há uns meses atrás, seria a maior alegria de Regina. Ficar longe daquela mulher irritante. Mas agora... agora era diferente. Tudo muito diferente. Regina sentia um vazio maior do que o normal. Como se algo naquela semana não estivesse no seu devido lugar. Como se algo estivesse faltando.

Storybrooke é tão pequena, e mesmo assim Emma parecia ter desaparecido. Como se tivesse se enfiado em algum buraco onde ninguém encontrasse. Como era possível que não tivesse a encontrado em nenhum lugar naquela semana. Nem na lanchonete, nem rodando pela cidade. Regina chegou até a desejar que ela fosse procurar Henry na escola, só pra ter um motivo de brigar com ela e assim estar perto.

“Mas o que que é isso? O que tá acontecendo comigo?” Pensava sem entender nada. Estava sentindo falta de Emma. E isso não tinha cabimento. Não podia aceitar isso.

Precisava se distrair, precisava sair. Mas aonde ir? Não queria ir a um lugar onde as pessoas a olhariam com desprezo ou com medo. E em todos os lugares de Storybrooke era isso que iria encontrar.

Decidiu dar uma volta com seu carro. Mas não iria parar em nenhum lugar. Subiu até o quarto de Henry, abriu a porta devagar, ele estava dormindo como um anjo. Quis entrar e beijá-lo, mas não queria acordá-lo. Saiu do quarto de Henry e foi para o dela. Colocou um casaco e saiu.

Passou mais uma vez pelo quarto de Henry para confirmar que ele estava dormindo. Não iria demorar, só queria espairecer um pouco. Não tinha perigo ele ficar alguns minutos sozinho.

Pegou seu carro e começou a rodar pelas ruas da cidade. Observava os lugares. As lojas fechadas, ruas vazias. Passou em frente ao Da Vovó, algumas pessoas conversavam e comiam lá dentro. Passou também em frente a Toca do Coelho e viu carros e alguns bêbados ali em frente.

Observava tudo. Todo o lugar que ela havia construído. Todas as pessoas que ela havia criado. Sim, ela criara todas aquelas pessoas. Seus corpos eram reais, mas suas lembranças, suas identidades, suas vidas nada mais eram do que criações da mente de Regina. Eles eram o que ela queria que eles fossem. Eram como marionetes nas mãos dela.

Além da própria Regina, apenas mais três pessoas era “reais” em Storybrooke. Rumpelstiltskin, Henry e Emma.

Sua cabeça estava rodando. Talvez pelos milhares de pensamentos, talvez pelo leve grau de embriaguez devido à sidra de maçã.

Passou em frente a delegacia, que já estava fechada, com certeza já havia um tempo, devido a hora. “Emma”. Pronunciou o nome em sua mente. E imediatamente lhe veio a imagem da mulher loira de cabelos compridos e ondulados, com aquele casaco vermelho que mais parecia um uniforme de tanto que usava ele. “Mas afinal por que ela gosta tanto daquele casaco?”. Se perguntou irritada.

Lembrou-se da primeira vez que a viu, naquela noite na porta de sua casa no dia em que Henry a trouxe. Ela estava com aquele casaco. Regina a olhou de cima a baixo naquele noite. Seu coração deu um pulo naquele momento, mas foi principalmente por saber quem ela era: a mãe biológica de Henry. Lembrou-se do sorriso tímido que ela deu quando disse “oi”. Parecia tanto com o sorriso de Henry.

Nesse momento, dentro de seu carro, sem perceber de fato, Regina sorriu docemente com a lembrança daquele sorriso de Emma.

“Ah, Emma Swan. Você tem que ir embora daqui”. Pensava enquanto continuava dirigindo seu carro. Já havia rodado quase toda a cidade. “Não posso permitir que continue mudando tudo por aqui. Principalmente não posso permitir que meu filho goste mais de você do que de mim”. Regina falava em sua mente como se falasse diretamente com Emma. “Você tem que ir embora! Tem que ir embora porque você representa a minha destruição”. Suspirou. “Tem que ir embora porque... não sei conviver com você! Não quero”. Um misto de raiva e dor se acumulava no peito de Regina. “Não sei lidar com você, com a sua ousadia, petulância... Não sei lidar com esses pensamentos... que tenho com você. Afinal de contas por que você não sai da minha cabeça?” Regina queria desesperadamente achar uma explicação para aquilo. Não era só sobre a maldição, sabia disso. Não podia ser o que estava achando que era. Não podia estar nutrindo esse tipo de sentimento por Emma Swan. “Não sei por que te acho tão... bonita. Você é uma mulher! Que merda de sensação é essa que tenho quando você me olha?!” Perguntou-se exasperada. “Aqueles olhos verdes.” Lembrou-se do olhar penetrante da loira. “Não sei por que tem horas que te odeio tanto, e em outras te odeio mais por não estar perto de mim justamente pra me irritar. Isso não faz o menor sentido”. Suspirou pesarosa e irritada mais uma vez. “Você vai me deixar maluca, Emma Swan”.

Estava tão distraída em seus pensamentos e meio entorpecida pela bebida, que nem percebeu a presença de um pequeno gambá na pista. Quando se deu conta já estava quase em cima do animal. Desviou com o susto, girando o volante com pressa. De repente sentiu uma forte pressão na cabeça e então tudo ficou escuro.

***

Emma saiu da delegacia já passava das nove da noite. Havia trabalhado até tarde, mas não porque Storybrooke era um lugar agitado e cheio de crimes. Muito pelo contrário, aquela cidade era tão quieta que até um monge se sentiria entediado. Nada acontecia. A única agitação foi quando Kathryn sumiu.

Mas Emma havia ficado até tarde pelo simples fato de que não queria ir pra casa. Sua cabeça estava cheia. Queria se distrair, então ficou até tarde revisando casos arquivados pra ver se ocupava sua mente.

Não sabia o que falar para Mary Margaret. Tinha prometido a David que iria ajudar, mas a verdade é que não fazia a mínima ideia de como conseguir isso. Queria muito ajudar, sentia que tinha que fazer isso. Que tinha de alguma forma fazer com que Mary e David ficassem juntos. Eles pareciam realmente apaixonados.

Lembrou-se das histórias loucas de Henry. Mary era Branca de Neve e David era o Príncipe Encantado. “É claro, por isso eles se amam”. Sorriu balançando a cabeça negativamente enquanto pensava isso. Mas tinha que confessar que essa coincidência era bem estranha. Se tivesse um pouco menos de sanidade e um pouco mais de fé em histórias de amor, diria que Henry estava certo. “Que loucura. Tô precisando mesmo descansar”.

Apagou tudo, fechou a delegacia e foi embora. Entrou em seu fusca. Ficou alguns segundos parada, olhando pro nada. Como se pensasse no que fazer. Definitivamente não queria ir pra casa.

Ligou o rádio, deu a partida no carro e simplesmente se deixou guiar pela música. Pensou em dar uma passada no Da Vovó, mas já estava tão cansada de sempre ir lá. Adorava o lugar, mas estava querendo se distrair, fazer algo diferente.

Alguns minutos depois parou o fusca numa rua do lado da Toca do Coelho. Já tinha alguns carros parados em frente, portanto não tinha vaga. Seu carro era tão pequeno que praticamente ficou escondido entre dois carros. Ficou pensando em quanta imprudência havia ali. Todos aqueles carros daquelas pessoas que estavam lá enchendo a cara e que depois iriam dirigir bêbadas. Mas não pensou muito nisso, seu expediente havia acabado. Queria se distrair.

Já era quase dez da noite quando Emma entrou no estabelecimento. Se dirigiu até o balcão. Sentou-se num banco.

– Xerife, Swan. A que devo a honra? – O atendente disse.

– Só conhecendo o lugar – Disse olhando para uma mesa de sinuca.

– O que vai querer? – Ele perguntou enxugando um copo.

Emma não queria encher a cara como os outros estavam fazendo. Mas um copinho de cerveja não faria tão mal. Além do mais quem poderia pará-la por dirigir bêbada? Ela mesma? Sorriu ao pensar nisso.

– Uma cerveja.

– É pra já.

Ficou ali tomando sua cerveja e observando o lugar. Sua cabeça parecia que ia explodir de tanta coisa que pensava ao mesmo tempo. Sentia uma angústia. Uma melancolia.

Durante toda a sua vida sentiu-se assim, mas com o passar dos anos foi aprendendo a lidar com isso. Foi construindo barreiras. Principalmente depois que Neil a abandonou. Emma se fechou pra tudo e todos depois daquilo.

E depois que chegara a Storybrooke já não se sentia tão sozinha como antes. Era como se ali realmente fosse o seu lugar, pois apesar de tudo, aquele era o lugar onde tinha se sentido menos infeliz desde que nasceu. Ali tinha encontrado Mary Margaret, que era como uma família. Apesar de se conhecerem a meses apenas, sabia que Mary gostava dela de verdade. E ela também gostava de Mary, e faria tudo para ver a amiga feliz.

Mas o principal é que em Storybrooke ela tinha aquele que agora era a pessoa mais importante da sua vida: Henry. Cada vez que olhava nos olhos do menino se perguntava como pode ter tido coragem de abandoná-lo. Mas se convencia de que tinha sido o melhor pra ele. Não tinha nada a oferecer quando ele nasceu. Foi o melhor que pode fazer por ele. Dar a sua melhor chance.

A saudade que estava sentindo de Henry era quase insuportável. Queria tanto vê-lo, mas não era possível. Sabia que ele estava de castigo, afinal estava junto quando Regina deu a sentença. E sabia de todas as regras do castigo através de Mary, a quem Henry havia contado tudo na escola.

Tinha plena consciência que se quebrasse as regras do castigo Henry estaria frito. Então não podia arriscar procurá-lo. Porque com certeza a maior regra do castigo era ele não poder vê-la nem pintada de ouro.

Desde que tinha encontrado o garoto parecia que aquele vazio estava de alguma forma sendo preenchido. Naquela cidade não se sentia tão sozinha quanto sentiu toda sua vida. Tinha Mary e Henry.

Mas ainda assim sentia aquele buraco no peito que nada conseguia tapar, nem mesmo Henry. Era algo que não sabia decifrar. Algo que parecia ter sido preenchido apenas quando estava com Neil.

Especialmente naquela semana Emma sentia-se ainda mais melancólica. Toda aquela sensação que parecia ter se amenizado nos últimos meses, agora tinha voltado. Aquele estado latente de tristeza e solidão. E uma angústia que não sabia explicar. Como se algo estivesse faltando.

Pensava tanto em Henry. E junto com ele vinha em sua mente Regina. Uma semana que não a via, e estranhamente parecia muito mais do que isso. Parecia que não a via há séculos. “Meu Deus, não vai dizer que tô com saudade da Regina?”. Isso explicaria a vontade louca que sentiu de entrar na Prefeitura sem motivo pra falar com ela hoje cedo.

Apesar de sua razão achar que era melhor assim, ter Regina longe. Algo dentro dela clamava pela presença da morena. Pois desde aquele dia na delegacia, naquele dia em que ficaram tão próximas, Emma não conseguia mais tirá-la da cabeça.

Mas a xerife insistia em pensar que era apenas vontade de ter alguém em sua vida. Emma Swan sempre foi uma mulher sozinha. Sempre teve relacionamentos rápidos com todo mundo. Até mesmo com Neil. Mary, Henry e, a contra gosto, Regina foram a coisa mais próxima de uma relação que ela já teve com alguém. Já havia perdido tanta coisa em sua vida, que não queria perder mais nada.

Mas por que fazer questão de ter em sua vida uma mulher que havia feito de tudo para infernizá-la. Ela tentava e tentava, mas não achava explicação inteligente para aquilo.

Por que Regina não podia ser mais sociável? Ela era mãe adotiva de Henry, por que ela não podia ser uma mulher mais calma, mais bondosa. Menos arrogante. E assim todas aquelas brigas não aconteceriam. “Não seria tão divertido”. Pensou sorrindo. “Ai, to ficando doida mesmo! Uma hora eu reclamo por que ela quer acabar com a minha vida. E na outra reclamo porque se não fosse assim não seria divertido. Que loucura é essa?”

Era melhor ir pra casa mesmo. Ficar ali não tava adiantando de nada. Quando fez menção de se levantar, ouviu uma voz ao seu lado.

– Uau, a ilustre xerife por aqui – Era Leroy. Como seu tom debochado.

Ela apenas olhou pra ele e deu uma golada no segundo copo de cerveja que havia pedido há alguns minutos.

– E então, xerife, como vão as investigações do incêndio na Vovó? – Perguntou sorrindo malicioso.

– Continuam... Mas pena que o principal suspeito ta conseguindo se safar por que a prefeita não me deixa fazer o meu trabalho direito. – Sorriu de volta para ele.

Ele deu uma leve gargalhada.

– Espero que consiga pegar esse cara – Saiu de perto dela sorrindo.

Emma bufou de raiva. Tinha certeza que tinha sido ele, mas Regina sempre contrariando suas ordens mandou retirar a viatura que Emma tinha colocado na frente da casa dele.

Já bastava daquele lugar. Ir ali só a fez pensar mais ainda nas coisas que não queria. Já passava das dez e meia. Pagou a conta e saiu do bar. Entrou em seu fusca e foi em direção ao seu apartamento.

No caminho sua mente continuava vagando por todos aqueles pensamentos. Regina nunca havia sido tão presente em sua mente quanto agora que estava ausente.

Ainda distraída em seus devaneios, avistou mais a frente o que parecia ser um carro. Metade na rua e metade na calçada. Dava pra ver que tinha batido no poste. Ao se aproximar, reconheceu o carro. Seu coração apertou. Sabia que era o carro de Regina, mas não queria acreditar.

Parou o carro um pouco atrás do carro a sua frente. Desceu com o coração na boca. Será que ela estava lá dentro? Enquanto caminhava até o carro escuro a sua frente, sentia a respiração falhar.

Quando chegou ao lado do motorista, observou a janela aberta. E viu que de fato ela estava lá. Sentiu uma pressão comprimindo seu peito quando percebeu que Regina estava desacordada, com a cabeça sobre o volante.

Emma sentiu o nervosismo tomar conta dela. Não sabia o que fazer. O mais sensato seria ligar para o hospital. Mas seu cérebro não estava funcionando muito bem com a visão de Regina desacordada dentro de um carro batido. Então a primeira coisa que veio em sua mente foi...

– Regina! – Chamou inclinando o corpo próximo a janela – Regina! – Chamou mais uma vez e nada. Como o vidro estava aberto, Emma passou a mão sobre a cabeça dela, mexendo em seus cabelos, pode sentir a maciez deles. – Regina, acorda!! – Disse a sacudindo um pouco. – Regina, por Deus! Acorda! – Disse atordoada. Sentia um aperto tão grande no peito que até parecia que tinha esquecido de respirar.

– Hmmm – Regina resmungou. Parecia um gemido de dor.

Emma sorriu por ver que ela estava viva. E sem perceber, continuava com a mão nos cabelos dela.

– Você está bem? – Era nítido o nervosismo em sua voz.

– Ai – Regina levantou a cabeça. Ainda não tinha aberto os olhos, mas os apertou ainda mais e gemeu de dor, levando a mão à parte da frente da cabeça. E recostando no encosto do banco.

Nesse momento Emma percebeu um rastro de sangue escorrendo de sua testa.

– Meu Deus, você tá sangrando!! – Disse exasperada.

Emma puxou o pino pelo lado de dentro e abriu a porta.

– Emma? — Regina estava tão surpresa que nem percebeu que a chamou pelo primeiro nome — O que aconteceu? – Regina perguntou a olhando levemente agora, mas ainda com a mão na cabeça e uma expressão de dor.

– Não sei direito. Eu estava passando e vi seu carro aqui. Você bateu nesse poste. Mas espero que você é quem possa dizer como foi isso.

Regina ficou em silêncio por alguns segundos. Olhou para o poste, para o capu de seu carro que estava amassado e logo em seguida observou em sua mão o sangue que vinha de sua testa.

– Eu não tenho que te dizer nada, senhorita Swan. Vou pra casa. – Ela fez menção de que ia puxar a porta. Mas Emma segurou com força.

– Você ta louca?! Você acabou de bater com o carro, ta sagrando!! Você tem que ir pro hospital.

– Eu estou bem – Disse tentando montar sua pose toda poderosa, mas era nítido seu estado de dor.

– Não tá não! Deve tá é delirando pela pancada na cabeça. Vou chamar uma ambulância – Emma retirou o celular do bolso.

– Eu não vou ficar aqui no meio da noite esperando uma ambulância chegar, Swan. Já disse que estou bem – A Regina de sempre. Autoritária e arrogante até quando sofre um acidente.

– Então eu te levo pro hospital!

– Não preciso de você – Regina disse com desprezo.

– Então vai andando, se você quiser! – Emma se irritou. Era incrível como Regina tinha o poder de fazer isso com ela. — Mas esse seu carrinho de luxo não vai conseguir sair daqui. Então ou chama a ambulância ou eu te levo. O que vai ser?

– Não preciso de nenhuma das duas opções. É só um cortezinho na cabeça, Swan. Pelo amor de Deus. Vou pra casa andando mesmo.

– Regina, você é doida ou que?! Pra que essa pose de orgulhosa? Você sofreu um acidente! Para com esse joguinho de “eu não preciso de ninguém” e me deixa ajudar logo. – Emma se inclinou para ajudá-la a sair do carro.

– Não! – Regina disse exasperada quando Emma tocou seu braço.

Emma afastou-se já sem paciência. Se ela queria ser teimosa assim, então dane-se.

– Ai, ai... Aiii!!! – Regina gemeu alto de dor quando tentou se mexer no banco para sair do carro.

Emma aproximou-se de novo. Seu coração acelerou.

– O que foi? – Perguntou preocupada.

– Não sei. Minha perna tá doendo muito. Aiii – Regina dizia com voz de profunda dor.

– Tá vendo. Você tá mal. Vou ligar pro hospital.

– Até chegarem aqui eu já morri de dor. Nessa cidade tudo funciona na velocidade de uma lesma.

– Então eu vou te levar – Regina tentou argumentar algo – Shhh, cala a boca. Eu vou te levar e pronto. Que droga! Teimosia. – Fez uma pausa – Mesmo achando que pode ser perigoso mover você.

– Se vai me levar, faça logo, Swan. Eu to com dor aqui.

Emma acabou sorrindo e disse:

– Você é louca, sabia? Não sabe o que quer!

Regina permaneceu séria, mas riu por dentro ao observar a carinha que a loira fez.

– Eu vou passar meu braço por baixo da sua perna. Vai doer, mas faz um esforço pra tentar se mover um pouco – Emma se agachou e passou o braço esquerdo por baixo das pernas de Regina. Puxando levemente para fora do carro.

– Aiii, ai...

– Vem aqui – Emma pegou o braço direito de Regina e o passou em volta de seus próprios ombros – Se apóia em mim, vou te levantar.

Regina sentiu o corpo estremecer com aquele contato. O corpo de Emma tão próximo ao seu. Por um segundo se esqueceu da dor.

– Vamos lá. Consegue andar apoiada em mim? – Emma perguntou.

Regina tentou, mas não conseguiu.

– Ai, não dá. Não consigo.

– Então só tem um jeito. Espera aqui. Cuidado pra não cair – Emma afastou-se e correu em direção ao seu carro.

Abriu a porta do lado do carona, ajustou o banco para trás para que ficasse espaçoso. E voltou correndo para Regina. Inclinou o corpo perto dela e disse...

– Vou te levar no colo.

– Que?! – Regina arregalou os olhos.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Emma já estava com ela em seu colo.

– Passa os braços em volta do meu pescoço pra não ter risco de você cair. — Ao falar isso, seus olhos se encontraram. E o mundo pareceu parar de girar. As duas sentiram o coração ir nas alturas. Regina não teve forças para argumentar. E de fato não queria argumentar. Obedeceu, enlaçando seus braços em volta do pescoço da loira.

Emma pareceu sair daquele transe causado pelo olhar de Regina e começou a caminhar em direção ao seu fusca. Apesar do momento ser tenso. A sensação de ter Regina em seus braços foi indescritível. Sentir o calor do corpo dela no seu. Seus braços em volta de seu pescoço. O cheiro dela tão próximo. Emma estava quase perdendo a noção do que tinha que fazer.

Regina não desviava o olhar de Emma enquanto ela andava a carregando em seu colo. Emma era tão forte. Regina não pode evitar, sentiu-se protegida nos braços da loira. Ela a segurava com tanto cuidado e força que Regina desejou nunca mais ter que sair dali.

Emma aproximou-se do carro e com cuidado agachou-se para colocar Regina sentada no banco do carona.

– Segura firma, eu vou sentar você.

Com todo cuidado conseguiu depositar Regina em segurança. Exceto por uns resmungos ou outros de dor.

– Tudo bem? – Emma perguntou

– Sim

– Vou trancar o seu carro.

– E vai deixar ele aí?

– Quer que eu faça o que? Carregue na minha cabeça? – Sorriu. Regina revirou os olhos irritada. – Só deixar trancado. Amanhã bem cedo manda o guincho vir buscar e leva pro mecânico.

Emma trancou o carro de Regina e logo voltou e sentou-se no banco do motorista em seu fusca.

Quando deu a partida, Regina disse...

– Não sei o que é pior, morrer de dor ou ter que andar nessa sua lata velha... Acho que o pior é andar nessa sua lata velha morrendo de dor.

– É, e é essa lata velha que ta te tirando de uma furada. Se eu não tivesse passado por ali, sabe-se lá Deus o que teria acontecido. Você tava desmaiada.

Regina estava morrendo de dor, estava forçando o máximo para provocar Emma. Tinha que manter a pose. Mas a dor estava insuportável.

Porém mesmo com toda dor do mundo, a presença de Emma estava preenchendo seu ser. Nem ela mesma sabia que poderia ficar tão feliz ao ver alguém. Não era momento pra se questionar, só queria aproveitar aquela sensação.

Podia sentir o cheiro da loira, e como era bom. Emma estava cuidando dela. Se preocupando. A quanto tempo ninguém se preocupava com ela.

– Tudo bem aí? – Emma perguntou olhando de relance para Regina.

– É claro que não, senhorita Swan. Eu estou morrendo de dor. — Disse em tom arrogante, mas no fundo seu coração estava calmo. A presença dela estava deixando tudo mais fácil.

– Nossa! Você precisa ser tão arrogante sempre? Até depois de um acidente você é assim, meu Deus! – Emma disse irritada.

Aquilo era como um jogo para elas. E embora se irritassem, era um jogo que ambas haviam sentido falta. Regina virou-se para janela, para que Emma não percebesse o leve sorriso que se formou em seus lábios. Sem mesmo entender direito porque, desejou que o hospital fosse a quilômetros de distância dali, para que não tivesse que se afastar da companhia da loira tão cedo.

Porém, alguns poucos minutos depois estavam no hospital. Emma desceu do carro e foi até um enfermeiro e pediu uma cadeira de rodas. Disse que era para a prefeita, então foi atendida imediatamente.

O enfermeiro pegou Regina e a sentou na cadeira. E Regina desejou que Emma tivesse feito aquilo. Queria sentir os braços fortes de Emma de novo. Se irritou e descontou no enfermeiro, dizendo que ele a tinha machucado.

Quando Regina estava fora do carro, num ambiente mais claro, foi que Emma pode perceber a quantidade de sangue no rosto dela. Sentiu um frio na barriga. Podia ser sério. E a perna podia estar quebrada. Talvez tenha sido um erro ter movido ela do local do acidente.

Foi atrás de Regina com o enfermeiro durante todo o corredor. Estava muito preocupada. Quando se aproximaram da sala, Dr. Whale disse para ela esperar do lado de fora. Foi imediato, os olhares delas se cruzaram, como uma súplica para não se afastarem.

Regina foi colocada numa maca. Uma enfermeira examinou seu ferimento na testa. E Dr. Whale imediatamente pediu um raio-X da cabeça e da perna. Regina olhou para fora e viu Emma lá, olhando pra ela. Aquilo confortou de tal forma seu coração, que jamais saberia explicar com palavras aquela sensação.

Nesse momento uma enfermeira virou seu rosto para o lado para limpar seu ferimento, antes de encaminhá-la para o raios-X. Apesar de ter sangrado muito, não era profundo. Foi o que a enfermeira disse para o doutor. Não precisaria levar ponto. “Ainda bem”. Pensou Regina.

Virou-se novamente para Emma. Mas ela não estava mais lá. A expressão de Regina mudou. Esticou levemente o corpo, movendo a cabeça, procurando-a. Mas nada dela. Regina ficou cabisbaixa.

Um enfermeiro moveu a maca de Regina, levando para a sala de raio-X. Ao sair do quarto, Regina olhou para o corredor. Emma não estava lá.

Minutos depois já estava voltando do raio-X, mas uma vez procurou inutilmente pela loira. Ao chegar no quarto de novo, Regina deitou-se. Já estava com o curativo na cabeça e aguardando o resultado do raio-X.

Então se lembrou o porque de depois que Daniel morreu, não se deixou levar mais por emoções baratas, como amizade ou qualquer coisa do tido. Porque era isso que elas causavam: decepção. E era isso que estava sentindo agora.

Seu coração apertado. Emma havia ido embora. Não estava preocupada com ela, apenas cumprindo um dever. Isso doeu profundamente. Por alguns momentos se deixou levar por aquelas emoções perto de Emma Swan. E agora estava constatando o quanto estava errada.

Durante aquela semana havia sentido falta de Emma. Depois do que sentiu com ela a carregando no colo e dentro do carro, já não tinha dúvidas disso. E foi idiota de se deixar levar por isso tão rápido. Se odiou por isso.

***

Emma ficou para trás e da janela de vidro pode ver Regina sendo colocada numa cama. Uma enfermeira começou a examinar seu ferimento na testa. O coração de Emma batida desesperado. Aparentemente Regina estava relativamente bem, mas nunca se sabe. Podia estar com hemorragia interna ou algo do tipo.

Estava tão preocupada que ela mesma se assustou com tamanha preocupação com Regina. vê com dor a incomodou demais. Ela estava aflita.

Nesse momento seu celular tocou, ela até se assustou. Mary Margaret era o que dizia o visor. Olhou a hora, já passava de onze da noite. Atendeu.

– Oi, Mary – Tentou disfarçar a voz preocupada.

– Emma, onde você está? Já é tarde e você não deu notícias, achei que tivesse acontecido algo.

– Tá tudo bem. Eu só... tive que resolver um caso de emergência. Depois te explico. Ok?

– Ok. Está tudo bem mesmo, né?

– Sim, Mary – Emma sorriu.

– Tá bem. Deixei comida pra você na geladeira, quando chegar é só esquentar no microondas.

– Tá bem, obrigada.

Despediram-se e desligaram. Emma sorria. Era engraçado como Mary se preocupada com ela. Era uma preocupação de mãe.

Lembrou-se mais uma vez das histórias de Henry. Segundo ele, Mary era mesmo sua mãe. Aquelas coincidências ia deixar ela maluca. Sacudiu a cabeça e caminhou de volta para a frente do quarto de Regina.

Mas quando chegou lá ela já não estava. O enfermeiro disse que já tinha ido para o raio-X e que iria demorar.

Emma esperou um pouco do lado de fora do quarto. E então resolvei ir até a cantina do hospital tomar um chocolate quente. Ficou por lá fazendo hora. Algum tempo depois decidiu voltar para ver se Regina já tinha saído do raio-X.

Ao olhar pela janela do quarto Regina estava lá. Com um curativo na testa e Whale estava fazendo alguma coisa na sua perna. Regina parecia irritada, como sempre. Emma riu, só precisava vê-la, saber que ela estava bem, que não tinha sido nada grave. Aparentemente não, mas tinha que ter certeza.

Dentro do quarto Regina conversava com Whale.

– Tem certeza que não quebrou nada, Whale? – Disse com seu tom superior.

– Tenho, prefeita. – Disse ainda terminando de colocar a bota imobilizadora em sua perna direita.

– Mas é que está doendo muito.

– Como eu disse, Regina, você deslocou um dedo e torceu o tornozelo. Por isso essa dor forte. Mas não é nada grave. Com a bota e os remédios que eu vou receitar, daqui a uns dois dias você já deve estar melhor.

Regina observava distraída o que ele estava fazendo.

– E então, como está a paciente? – Emma entra de supetão no quarto.

Regina se assustou. Quando viu Emma seu coração quase saiu pela boca. Sentiu um friozinho na barriga. Quis sorrir, mas se segurou.

– Ela está bem, não foi nada grave. Só um deslocamento em um dedo e uma torção no tornozelo... Bom, já terminei aqui. Vou receitar os remédios.

Emma sentiu um alivio tão grande. Foi como tirar um elefante das costas. Saber que Regina estava bem era a melhor coisa que poderia escutar. Olhou para Regina que observava a bota. Vendo-a naquele estado, a loira sentiu uma vontade avassaladora de abraçá-la. Apertá-la em seus braços mais uma vez, como fez quando estava com ela no colo, levando-a para seu carro.

Mas não podia fazer isso. Não podia simplesmente abraçá-la. Seria insano. Regina acharia que ela está louca.

Emma não podia mais negar que sentiu falta de Regina durante aquela semana. Pois agora que estava perto dela, sentia como se algo estivesse voltando pro lugar.

Regina não podia acreditar que Emma ainda estava. Tinha certeza que ela tinha ido embora. Olhava para a bota, para disfarçar. Estava feliz e envergonhada ao mesmo tempo. Felicidade enorme foi a que sentiu quando Emma entrou no quarto.

Então ela não tinha a deixado para trás, ainda estava ali. E só podia estar ali por ela.

– Aqui estão os remédios. – Disse Whale – Compre amanhã bem cedo. E você vai ter que pegar muletas.

– Que? Isso não!! – Regina disse revoltada.

– É claro, Regina. Como você vai andar com essa bota? – Foi Emma quem disse.

– Quieta, Swan – Não conseguia deixar de ser arrogante com Emma, mesmo que quisesse – Eu não vou andar com essas coisas.

– É preciso, Regina. Eu vou buscar. E então você já pode ir. – Ele saiu do quarto. Deixando as duas sozinhas lá.

Formou-se um silêncio constrangedor. Então Emma disse...

– Como tá se sentindo?

– Melhor agora. Não tá doendo tanto quanto estava.

– Que bom – Emma aproximou-se. Que vontade que sentiu de sentar-se perto dela e acariciar seus cabelos. Mas é claro que se conteve. Não podia simplesmente fazer coisas sem cabimento – Então deixa eu te ajudar a levantar pra eu te levar pra casa. – Disse aproximando-se ainda mais dela.

– Que?!

– Que o que? – Emma perguntou.

– Como assim me levar pra casa?

– Como assim o que? Eu te levar ué.

– Não precisa se incomodar, senhorita Swan. Posso pedir a um dos seguranças do hospital pra me levar.

– Eu te levo, Regina. Eu te trouxe, então eu te levo. – Emma torceu para Regina deixar, queria muito passar mais um tempo com ela. Não sabia o que era aquilo que estava sentindo. Só sabia que precisava sentir um pouco mais daquilo que Regina estava passando pra ela.

E aquilo era tudo que Regina queria ouvir, que a loira insistisse para levá-la.

– Está bem, xerife Swan.

Logo Whale chegou com as muletas e Regina fez cara feia. Mas não tinha jeito. Emma pegou as muletas. Quis desesperadamente carregar Regina em seu colo como fez naquela hora, mas seria uma loucura fazer isso sabendo que estavam no hospital e tinha a cadeira de rodas pra isso.

Emma foi empurrando a cadeira até o carro, Regina estava sentindo-se protegida. Embora muito confusa. Emma abriu a porta de trás e colocou as muletas. Logo em seguida abriu a porta do carona. E nesse momento aproveitou para pegar Regina no colo e a colocar sentada no banco.

Mas uma vez as mãos fortes de Emma segurando seu corpo. Regina estremeceu, seu coração acelerou de imediato.

Fizeram todo o caminho em silêncio.

– Obrigada, Senhorita Swan – Regina disse envergonhada quando Emma parou em frente a mansão.

– Vou te levar lá dentro, não me agradeça ainda.

– Mas...

– Sem mas, você não tem como ir sozinha.

Saiu do fusca e deu a volta. Abriu a porta do carona e ajudou Regina a sair.

– Vou pegar as muletas, aí te ajudo a entrar em casa. Assim você já vai treinando.

– Não, Emma. Não vou usar isso agora.

A loira sorriu. Regina a chamou de Emma.

– O que foi? – Regina perguntou vendo o sorriso dela.

– Nada... Você tem que treinar, Regina.

– Não, Swan. Se você não quer ajudar então também não atrapalha.

– Regina, deixa de ser teimosa. Depois que eu for embora como você vai fazer?

Regina bufou, mas assentiu. Emma a ajudou a se equilibrar nas muletas e entrou com ela. Sentou-a numa poltrona.

– Você tem quarto aqui em baixo? Porque não vai dar pra subir né.

– Tenho sim.

– Te levo até lá.

– Não, xerife. Quero que me faça outro favor. – Emma a olhou intrigada. Regina continuou. – Eu saí e deixei o Henry dormindo. Não vou ter como subir pra ver como ele está. Você... Pode...?

– Claro que sim. O quarto dele é?

– O primeiro

– Ok. Vou ver como ele está e já volto.

Regina se odiou por aquilo. Entregar esse momento com Henry de bandeja para ela. Toda aquela sensação boa que estava sentindo perto de Emma ainda não era maior do que o ciúme que sentia de Henry. Mas a sua preocupação falava mais alto.

Emma abriu a porta devagar e viu seu filho dormindo profundamente. Disse que iria apenas ver se ele estava bem. Não resistiu a vontade de chegar mais perto, tamanha era a saudade. Aproximou-e devagar. Acariciou de leve seus cabelos para não acordá-lo. E depositou um beijo em sua cabeça.

Regina já estava agoniada, parecia que Emma estava lá a séculos. Já estava quase ligando para o celular dela, quando ela desceu as escadas.

– Ele ta bem. Tá dormindo. Nem deve ter visto que você saiu.

– Ok. – Regina disse sentindo aquele misto de emoções.

– Precisa de mais alguma coisa? Quer ajuda pra trocar de roupa?

– É claro que não, Swan – A morena respondeu com a bochecha corada.

– Bem, então vou indo. Qualquer coisa, só me ligar. Tchau – Virou-se para sair.

– Senhorita Swan – Ela virou de volta – Obrigada... por... me ajudar.

– Sem problemas – Sorriu lindamente. Regina sentiu um friozinho na barriga ao ver aquele sorriso. – Boa noite, Regina. Fechou a porta e saiu.

Regina deixou o corpo relaxar na poltrona. O coração estava batendo descompassado. Ainda sentia os toques dos braços de Emma sem seu corpo. Estava confusa. Extremamente confusa. Mas uma coisa tinha admitido: havia sim sentido a falta de Emma. Isso ficou nítido pra ela quando estava no carro indo pro hospital e se sentiu tão bem por ter a loira ali.

Mas afinal o que estava sentindo por ela? Que tipos de sentimentos era aqueles?

Não sabia o que era. Mas sabia que durante aquelas poucas horas que passou perto dela, em seu colo, no carro, no hospital e os poucos minutos em sua casa, fizeram ela se sentir bem. Naqueles momentos perto de Emma tudo pareceu se encaixar.

Notas finais
E aí, você que leu, o que achou?? Tá legal? Tá ruim? Comente por favor. Os comentários são o que dão força pro autor continuar. É bem rápido pra comentar e não custa nem 1 centavo ;) Bjoss!