Era Uma Vez o Amor
22 Capítulo 22
Notas iniciais
[...]
... Deitou a cabeça no ombro dela e logo sentiu Emma abraçá-la. Fechou os olhos com a sensação gostosa daquele contato. Passou uma perna por cima das dela, e se aconchegou mais naquele corpo quente e forte. Como era bom estar ali aconchegada naquele abraço. Respirou fundo e deixou seu corpo relaxar.
Depois de alguns segundos, ouviu a voz suave e sonolenta da loira sussurrar:
— Boa noite, Prefeita.
Regina sorriu de olhos fechados.
— Boa noite, Xerife.
E ali abraçadas, ambas sentindo a sensação maravilhosa e reconfortante de estarem nos braços uma da outra, adormeceram.
*****
O quarto já estava mais iluminado. Pequenos feixes de luz passavam pela fresta da cortina, exibindo timidamente o sol que começava a se expor. Era a luz da manhã.
Regina se remexeu sonolenta na cama e lentamente abriu os olhos, ainda se acostumando com a claridade que começava a invadir o seu quarto. Sentiu o calor de outro corpo colado no seu e por um breve momento sentiu-se confusa. Mas quando seus olhos se adaptaram a luz, ela olhou à sua frente e viu Emma ali. A loira estava de costas e Regina a abraçava por trás, de conchinha, aconchegada ao corpo dela. Sorriu levemente. Com as lembranças vindo à sua mente, fazendo-a recordar da noite anterior.
O calor que emanava do corpo dela aquecia o seu, o cheiro dos seus cabelos penetrava suas narinas invadindo sua alma, fazendo seu coração que batia em um ritmo calmo pelo ainda despertar do sono, bater acelerado naquela manhã. Naquela fração de segundos foi como se um filme passasse por sua cabeça. Todos os acontecimentos da noite anterior borbulharam em sua mente.
Sorriu involuntariamente mais uma vez ao vê-la ali, ao senti-la. Deitada em sua cama, grudada a seu próprio corpo. Foi quase que automático, se aconchegou mais ao corpo dela e a apertou. Seu coração disparou mais uma vez. Aspirou voluntariamente o cheiro das madeixas douradas, da pele branca. Em meio ao silêncio da manhã, pôde ouvir sua respiração calma pelo sono tranquilo.
Mal podia crer que àquilo era verdade. Será que não estava sonhando? Apertou o corpo da outra mais forte mais uma vez para ter certeza. Não podia ser sonho. Aquilo era real. Tão real quanto a paixão que consumia seu peito.
Devagar para não acordá-la, ergueu um pouco seu tronco e apoiou o cotovelo na cama, só para observá-la dormir. Seu rosto estava leve, sereno. Tão linda. Regina mais uma vez sorriu. Emocionada, com seu coração aquecido. Seus sorrisos eram tão soltos perto dela.
Não pôde se conter em levar seu rosto a curva do pescoço dela e aspirar o cheiro gostoso de sua pele. Seus olhos se fecharam automaticamente, sua pele se arrepiou com aquele cheiro tão gostoso. A apertou mais forte e selou aquele momento com um leve beijo naquela região.
Talvez Regina não tenha percebido a intensidade com que depositou aquele beijo ou a maneira como a puxou para perto de si quando fez aquilo, mas Emma se remexeu um pouco e Regina temeu por tê-la acordado. Todavia já era tarde, a loira soltou um resmungo sonolento e falou baixo:
— Regina? — Seus olhos ainda fechados. Seu tom meio desorientado, rapidamente se perguntando se tinha mesmo dormido com Regina ou se havia apenas sonhado.
Aquele som de voz de sono penetrou todo o ser de Regina causando nela uma emoção que não saberia explicar.
— Sim? — Responde quase que inaudível.
E quando aquela voz levemente rouca penetrou seus ouvidos Emma teve certeza de que não havia sonhado. Sorriu contidamente.
— Me diz que já não ta na hora de levantar. – Suplicou num leve tom de choramingo, ainda tinha os olhos fechados.
Regina riu do jeito dela. Se inclinando olhou para trás para observar o relógio na cabeceira. Ele marcava 6:17 da manhã. Voltou a sua posição e a abraçou de novo.
— Ainda está cedo. Pode dormir mais um pouco. — Sua voz era tão mansa, tão apaixonada.
— Hmm... Tá bom. — Um leve sorriso brotou em seu rosto. Estava morrendo de sono e queria muito dormir mais um pouco. Chegou mais para trás numa busca de se aconchegar mais no corpo da morena. — Mas só se você ficar aqui comigo.
O riso de Regina foi solto mais uma vez. Ficaria ali a eternidade inteira se fosse possível. Chegou a assustar-se com esse pensamento e com a intensidade de tudo que estava sentindo por ela.
— Está bem. — Sem hesitar consentiu e depositou um novo beijo no pescoço dela.
As duas se aconchegaram mais e logo pegaram no sono novamente. Emma dormiu profundamente, mas Regina apenas cochilou e depois de alguns minutos logo estava acordada de novo, sendo despertada, ou melhor, sendo impedida de dormir profundamente pela luz daquela manhã que teimava em se mostrar imponente, invadindo o quarto com mais intensidade agora. E além disso estava preocupada em perder a hora. Emma deveria ir antes de Henry acordar.
Havia se passado apenas meia hora, e ficou ali ainda alguns minutos se permitindo curtir aquele momento tão inusitado em que estava abraçada ao corpo da Salvadora em sua cama sentindo o coração quente batendo apaixonado.
Depois de mais alguns minutos o relógio agora marcava 7:05. Ainda sentia um pouco de sono, seu corpo estava cansado pela noite intensa que teve, mas precisava se levantar. Porém não sem antes depositar um beijo leve no ombro da outra.
Com cuidado foi saindo daquele contato e se afastou. Sentando-se na cama ficou a observá-la. Aquela loira tinha mesmo o poder de lhe arrancar sorrisos. Levou a ponta de seus dedos até os cabelos dela. Emma estava virada de frente para ela agora. Alguns fios dourados caiam por seu rosto e Regina delicadamente os tirou. Não se conteve em acariciar o rosto dela, passou delicadamente as costas dos dedos pela bochecha, sentiu a pele macia. Seu coração mais uma vez se aqueceu. Como ela era linda. E assim dormindo tranquilamente nem parecia ser tão irritante. Regina riu com esse pensamento.
Relutante entre ter que se levantar e a vontade de ficar ali com ela, finalmente deixou a cama e foi tomar um banho.
No chuveiro, enquanto sentia a água escorrer pelo seu corpo, pensou em tudo que havia acontecido até ali. Tinha odiado tanto Emma quando ela chegou à cidade, com toda aquela pose de mãe biológica do Henry. E ainda mais quando soube que ela era a Salvadora. Sentiu medo, raiva. Quis matá-la, quis mandá-la para o mais longe possível. E agora ela estava ali... dormindo em sua cama, depois de terem feito amor a noite toda. Acabou sorrindo com a ironia em tudo isso.
Mas como seria agora? O que fariam depois de terem se entendido? Será que aquilo era o começo de um relacionamento? Será que a loira queria algo desse tipo com ela? Será que ela mesma queria? E Henry? E a maldição?
Todas essas perguntas começaram a explodir em sua mente, o que a fez bufar no chuveiro balançando a cabeça como se quisesse fazer evaporar aqueles pensamentos. Ficou lá por longos minutos, deixando que a água quente passasse por seu corpo e levasse com ela todas as dúvidas e medos.
Quando saiu do banho e terminou de enxugar seu corpo e escovar os dentes, pôs-se parada à porta do banheiro e mirou aquela mulher deitada em sua cama. Seu corpo forte de pele tão branca estava jogado pelo colchão, deitada de bruços, com o edredom enroscado em suas pernas. Regina riu da cena. Seus longos cabelos dourados enfeitando o travesseiro. Pôde observar que havia algumas marcas em suas costas. Alguns pontos estavam levemente avermelhados, rastros de unhas percorrendo a pele branca. Isso lhe arrancou mais um sorriso. Lembrando-se que na noite passada tinha apertado e arranhado as costas da loira muitas vezes. Emma a tinha deixado simplesmente doida de prazer. Observar aquilo nas costas dela lhe causou um friozinho na barriga. Mirá-la dormindo em sua cama fazia seu coração ficar quente.
Puxou o ar que pareceu lhe faltar para poder respirar fundo. Quando foi que começou a nutrir tamanha intensidade de sentimentos por aquela mulher?
Aquela mulher que agora parecia representar duas possibilidades em sua vida: Sua destruição ou sua salvação. Mas afinal não havia mais o que fazer agora. Quando já havia feito sua escolha na noite anterior, naquele carro, logo após o encontro, em meio aquelas lágrimas. Quando disse "seu lugar é aqui". Escolheu Emma. Desistiu da maldição e escolheu Emma. Só não sabia se havia escolhido sua salvação... ou sua destruição.
Saiu daquele transe momentâneo causado pela admiração naquela bela loira deitada em sua cama, e lembrou-se de que tinha que se vestir. Nesse momento se deu conta das roupas das duas jogadas pelo chão do quarto e por cima da cama. Sorriu com um friozinho na barriga a mirar a cena. Aquele era o resultado do desejo extremo que estavam sentindo na noite passada. Suas roupas simplesmente foram jogadas por todos os cantos do quarto.
Era gostoso observar aquela cena, mas não podia deixar tudo bagunçado daquela forma. Uma por uma foi pegando as peças e ajeitando tudo. As roupas de Emma colocou dobradas sobre uma poltrona. E então finalmente foi se vestir.
Caminhou até seu guarda-roupa. Sabia que estava na hora dela levantar, a hora estava passando e ela precisava ir embora antes que Henry acordasse, mas alheia a sua racionalidade tentou fazer o mínimo de barulho para não despertá-la. Ela estava tão linda adormecida daquele jeito. Regina só queria prolongar aquela cena o máximo que pudesse.
Passando alguns cabides logo escolheu uma roupa. Vestiu-se com uma camisa branca de seda sem mangas e uma saia de cor bordô. Linda como sempre. Era sábado e Regina pretendia ficar em casa, todavia mesmo em casa não deixava de se vestir impecável. Além do mais queria que Emma a admirasse quando acordasse. Esse pensamento a fez sorrir como uma boba.
Após se vestir, abandonou por alguns minutos a dona de seu coração e foi até o quarto de Henry. Abriu a porta devagar. Ele estava dormindo tranquilamente. Sorriu a mirá-lo.
Antes havia apenas uma pessoa nesse mundo com quem Regina se importava. Ou pelo menos que se importava de um jeito bom. E essa pessoa estava bem ali à sua frente. Durante 10 anos foi assim. Henry era seu tudo. E isso de forma alguma havia mudado. Ele ainda era tudo pra ela. Seu bem mais precioso. No entanto de repente, sem ao menos pedir permissão, outra pessoa invade sua vida, se tornando importante.
E agora a pessoa mais importante de sua vida – seu filho — estava ali dormindo diante de seus olhos. E a outra estava dormindo na sua cama. Regina já não tinha mais nenhuma dúvida do quanto Emma tinha importância para ela. Realmente depois de Henry, ela era a única pessoa que importava. Nem sabia explicar como e quando isso havia acontecido. Como aquele ódio tinha se transformado em afeto. Em tão pouco tempo a loira passou de inimiga a uma pessoa que ela necessitava ter em sua vida.
Fechou a porta do quarto do filho devagar e voltou para o seu. Emma ainda dormia tão serenamente. E a observando assim percebeu o quanto realmente era parecida com Henry. Os dois tinham a mesma expressão enquanto dormiam. Sorriu ao perceber isso. Era incrível, nunca imaginou que um dia ela estaria dormindo em sua cama e muito menos que estaria sorrindo ao perceber aquela semelhança entre ela e seu filho.
Não queria ter que acordá-la, ela estava tão linda. Só queria ficar ali a olhando. Poderia olhá-la por horas e horas. Mas já passava das 8h da manhã e ela precisa ir embora. Regina se sentou na cama e respirou fundo antes de chamá-la, pronunciando baixo:
— Emma.
Esperou que ela respondesse, mas ela nem se mexeu.
— Emma. — Chamou um pouco mais alto, tocando seu braço.
E nada.
— Emma! — Aumentou o tom de voz, a sacudindo um pouco.
A loira apenas resmungou e se virou para o outro lado.
— Acorda, já está tarde! — Sacode o braço dela novamente.
— Deixa eu dormir mais um pouquinho – Finalmente falou algo. Com a voz sonolenta.
— Já está ficando tarde, você tem que levantar. — Esperou que ela respondesse, mas ela ficou quieta. — Emma!!
— Só mais cinco minutos.
Regina já estava se irritando e revirou os olhos com aquele pedido tão infantil.
— Deixa de ser criança e levanta!
— Eu já disse, só mais cinco minutos. — Sua voz quase não saiu e ela cobriu a cabeça com o lençol.
Já irritada Regina levantou, deu a volta até o pé da cama, segurou o lençol e o puxou com força, descobrindo bruscamente a loira. E exibindo seu corpo ainda nu.
— HEY!! — Emma exclama assustada, finalmente abrindo os olhos e dando um sobressalto.
A visão do corpo desnudo à sua frente fez com que Regina fraquejasse por um segundo. E sua vontade foi de se jogar naquela cama e desfrutar daquele corpo belo e forte mais uma vez. Mas infelizmente ela precisava ir embora. Respirou fundo para falar...
— Nem mais cinco minutos, nem menos cinco minutos, Swan! – Diz um tanto ríspida enquanto andava até a janela e abria as cortinas, deixando a luz do sol invadir totalmente o quarto. O que fez os olhos de Emma arderem um pouco. — Você precisa levantar agora. Daqui a pouco o Henry vai acordar. E você tem que ir embora antes disso.
— Hmm... – Bocejou. Processando aquela informação. — Ok... tem razão. — Concorda sonolenta. E sentando-se, puxou de volta o lençol para cobrir seu corpo, prendendo-o em baixo dos braços.
Quando Regina se virou novamente para ela, a viu sentada na cama, e esfregando os olhos com as duas mãos. Foi impossível não sorrir. Aquilo era exatamente o que Henry fazia quando acordava. Achou graça daquele gesto tão familiar.
— Posso te dizer uma coisa? – Sua voz saiu mais mansa agora, enquanto aproximava-se novamente da cama.
Emma a olha consentindo.
— Isso que você acabou de fazer... esfregar os olhos assim... é igual o que o Henry faz quando acorda. — Senta-se na beirada da cama de frente para ela.
O que ela disse arrancou um sorriso de Emma.
— Vocês são muito parecidos. — Sorri também, tocando-lhe carinhosamente o rosto.
Os olhos de Emma brilharam, sentiu uma felicidade inexplicável. Ouvir Regina falar assim sobre ela e Henry era algo que jamais imaginou. E aquelas palavras invadiram seu ser de uma forma inimaginavelmente boa e confortante.
— Bom dia. — Regina fala. Arrancando um riso da outra.
— Bom dia. – Retribui docemente.
Regina continuou a mirar aquelas esmeraldas que brilhavam tão lindas e intensamente pela luz da manhã que entrava no quarto com toda força agora após as cortinas abertas. Seu coração estava acelerado. Mas afinal, sempre estava acelerado perto dela. Fosse pela raiva, pelo medo, pela irritação, pela paixão... Emma Swan sempre lhe causava batimentos rápidos e respirações desreguladas. Era inegável, estava totalmente apaixonada por aquela loira linda. Mesmo que tentasse esconder, não conseguiria. Seu olhar enfeitiçado a denunciava. Seu sorriso contido e bobo demonstrava. Aproximou-se dela sem nada dizer, e alternando o olhar entre seus olhos verdes e sua boca rosada, a beijou.
Foi um beijo terno, cheio de carinho. Seus lábios deslizaram e suas línguas logo se encontraram delicadamente. O suficiente para disparar arrepios pela pele e fazer o coração apressar, surgindo aquela sensação gostosa de borboletas no estômago.
Quando o beijo cessou, elas se entreolharam. Emma tinha um leve sorriso, o verde de seus olhos reluzindo forte. Regina a admirava. E aquela carinha de sono deu a ela um toque tão fofo que inexplicavelmente, a vontade que Regina teve foi de atacá-la com mordidas. Mas se conteve. O que era aquela vontade doida afinal? O que Emma iria pensar?
— No que você tá pensando? — Emma pergunta quando a vê desviar o olhar parecendo desconcertada.
— Nada demais. — Regina corou. — Só estava pensando no quanto isso tudo parece irreal. Você aqui... Nós. – Riu como se parecesse loucura.
E Emma admirou aquele sorriso, aquele rosto. Regina não usava maquiagem nesse momento, seu rosto estava no tom verdadeiro, livre de qualquer pintura, seus lábios na cor natural. E Emma internamente se perguntou se era possível que aquela mulher ficasse ainda mais bela. Porque ela estava simplesmente linda naquele tom natural.
— Parece irreal mesmo. – Concorda quando consegue se desfazer daquele transe por admirá-la. — Há dois dias eu tava indo embora de Storybrooke... e agora tô aqui com você.
— Sim. Parece um sonho. Não sei se realmente estou acordada. — A morena ri brincando.
E Emma riu com ela. Nunca imaginou ver a Prefeita toda poderosa falando daquele jeito. Com aquele tom descontraído, o semblante leve. Seu coração se derreteu.
Aquilo foi muito fofo, mas ela não poderia perder a chance. E então...
— Emma!!! — Regina esbravejou surpresa levando sua mão ao braço.
A loira havia dado um pequeno beliscão no braço dela.
— Você disse que não sabia se realmente tava acordada, que parecia sonho. Então eu te belisquei pra ver se você tá acordada mesmo. – Se explicou segurando a gargalhada, com um sorriso travesso. Era a mesma cara que Henry fazia quando aprontava algo.
Regina a encarou indignada.
— Você vai pagar por isso, Swan! — E retribuiu com um tapa no braço dela.
— Hey! — Exclama também levando a mão ao local e fingindo estar indignada. — Eu te dou um beliscãozinho de nada e você me dá um tapão desses. Doeu, ta. – Exagerou. E sem perceber ela fez uma carinha de emburrada que fez o coração de Regina ficar quente.
Se segurou para não agarrá-la.
— Deixa de ser dramática. — Desviou o olhar logo se levantando da cama — E levanta porque já já o Henry vai...
Não conseguiu terminar sua frase. Emma a puxou pelo braço fazendo ela cair sentada na cama novamente.
Um tanto surpresa, encarou a loira. Que se aproximou um pouco mais e tocou seu rosto.
— Você não tá sonhando não. — Emma fala. E Regina a olha como quem ouve o óbvio, fazendo a loira rir. — Ontem a noite foi perfeito.
E ouvir aquilo fez tudo dentro de Regina se revirar. Seu coração disparou como louco e ficou quente, seu corpo arrepiou, seu estômago gelou. E as palavras faltaram. Tudo que conseguiu fazer foi sorrir um tanto encabulada.
Realmente para Emma parecia que alguém havia trocado as Reginas de lugar. Riu internamente com esse pensamento. Porque aquela Regina ali na sua frente nada tinha a ver com a Prefeita que conheceu há meses atrás. Bom, a não ser pela altivez e imponência. Mas essa era uma Regina doce que jamais imaginou ver. Como aquela mulher tão fria e arrogante podia ser tão encantadora?
— Foi muito bom mesmo. — Finalmente conseguiu responder. Colocando uma mecha de seu próprio cabelo atrás da orelha, nitidamente tímida. — Que bom que você resolveu ficar. Digo, na cidade. Que bom que não foi embora. Eu amei o encontro. Mesmo você tendo me levado pro píer pra me fazer dançar sem música...
— Aquilo foi legal. Admita. — Emma retrucou antes que ela terminasse.
Regina soltou uma risada.
— Foi muito legal. Eu estou brincando. — Tocou o rosto dela, fazendo Emma sorrir — E eu adorei. O encontro, a dança, você ter vindo aqui...
— Termos jogado videogame. — Interrompe de novo.
— Vocês jogaram, né. Eu não joguei nada. Não sirvo pra essas tecnologias.
— Ah que isso, você foi bem.
— Uhum, conta outra, Swan.
— Vai continuar me chamando de Swan? Achei que já tínhamos esclarecido isso. — Inesperadamente disse se referindo ao que haviam falado sobre isso durante a noite.
Regina sorri erguendo uma sobrancelha.
— Se me lembro bem, você disse que já não ligava.
— Não, não! Não distorça as coisas. Eu disse que não ligo tanto pro "Srta. Swan". É diferente.
— É tudo a mesma coisa... Srta. Swan. — Provocou pronunciando lentamente o tratamento.
— Mas acho que já passamos desse também, Madame Prefeita.
A morena riu mais alto.
— Hmm... do que quer que eu te chame? De... E-m-m-a? — Pronuncia como que se deliciasse com cada letra do nome. E isso fez Emma se arrepiar.
— Sim. – Rapidamente desviou o olhar para sua boca.
— Está bem então... Emma. — Falou da mesma forma levemente sensual e a loira mordeu o lábio inferior sem perceber. – Emma... – Repete se aproximando provocativa, vendo o efeito que causava nela ao falar seu nome daquele jeito.
Quando a loira encarou seu olhar, Regina capturou seus lábios. E não foi um beijo terno como o de antes. Foi um beijo mais desejoso, mais ousado. Tomou a boca da outra com paixão. E prontamente foi correspondida. Emma apertou a cintura dela e a beijou com a mesma vontade. Suas línguas agora se chocando com desejo.
E durante aquele beijo, a morena não podia deixar de pensar que por trás daquele lençol que cobria a mulher à sua frente, ela estava nua. Com esse pensamento junto às sensações gostosas do beijo e a vontade que sentia de estar em contato com o corpo dela mais uma vez, Regina ousou ainda mais. E, levando suas mãos até o edredom que cobria o corpo da loira, o puxou para baixo, revelando seus seios e barriga. Sem cortar o beijo elevou suas mãos até os seios nus. E os acariciou, para em seguida apertá-los, fazendo Emma ofegar no beijo ao sentir o toque quente e atrevido das mãos dela. E a própria Regina suspirar ao sentir o volume gostoso daqueles seios.
O beijo foi tomando uma proporção mais forte. Emma levou uma das mãos até a nunca da outra, embrenhando nos cabelos negros enquanto sua outra mão apertava firme a cintura dela. As respirações ficando descompassadas. O corpo começando a ficar quente. Já se ouviam vários suspiros escapando do beijo, enquanto a morena não parava de apertar os seios da outra.
Precisavam parar, do contrário iriam continuar aquilo em plena luz do dia com Henry prestes a acordar a qualquer momento.
— É melhor você levantar! — Regina diz de súbito, com a voz ofegante quando interrompeu o beijo. — Daqui a pouco o Henry vai acordar. – A fala saía com dificuldade.
— É... é melhor mesmo. — Sua voz igualmente afetada. Sabia que era melhor parar ou não iria conseguir mais.
Levantando-se finalmente da cama, Emma foi em direção a sua roupa, que Regina havia colocado devidamente dobrada sobre a poltrona. Os olhos castanhos acompanharam-na, admirando seu corpo despido. Quando Emma ficou levemente de costas enquanto se aproximava da poltrona, o olhar de Regina percorreu todo aquele belo corpo, de cima a baixo. Passando pelos cabelos, bunda, pernas, tudo fazendo seu peito, que ainda estava afetado pelo beijo, bater ainda mais rápido.
Observava Emma ajeitar os cabelos em frente ao enorme espelho que há em seu quarto, ela já se encontrava totalmente vestida agora. Regina ainda estava sentada na cama e a mirava discretamente. Tão linda. Aqueles longos cabelos loiros caindo pelos ombros dela, o corpo lindo que estava marcado por aquela roupa justa. Quis abraçá-la, beijar-lhe o pescoço, dizer o quanto seu coração batia forte apenas por olhar pra ela. Como era possível estar tão apaixonada por alguém que há meses atrás odiava? Quando ia se levantar para ir até ela, viu Emma a fitar pelo reflexo no espelho. Sentiu-se encabulada e desviou o olhar.
— Eu queria escovar os dentes.
— O que? — Regina pergunta como se saísse de um transe, tornando a olhar para ela.
— Escovar os dentes. — Respondeu se aproximando — Eu queria muito. — Sorriu um pouco desconcertada.
— Pode usar o banheiro. — Apontando para a porta do banheiro em seu quarto ela se levantou — Acho que tenho uma escova de dentes fechada aqui. Deixa eu ver.
Foi até o armário do banheiro e lá encontrou a escova lacrada.
— Aqui. — Entregou para a loira que já estava na porta do banheiro.
— Obrigada. – Quando Emma pegou o objeto riu olhando para ele.
— O que foi?
— Nada, é que... É engraçado... Apenas um encontro e já estamos juntando as escovas de dente? – Lançou um sorriso zombeteiro pra ela.
Regina ficou totalmente desconcertada com o que ela disse, mas não deixou transparecer.
— Tem certeza que está na profissão certa, Xerife? Você deveria ser comediante. — Retruca debochada. — Faça o que tem que fazer e anda logo. — Ordenou passando por ela e saindo do banheiro.
Emma ri mais uma vez e entra no cômodo.
Se demorou um pouco lá dentro, mais do que o normal para apenas se escovar os dentes e urinar. Mas o fato é que naquele breve momento em que ficou sozinha dentro do banheiro da suíte da Prefeita, sua mente inevitavelmente viajou. Em todos os acontecimentos das últimas semanas, mas em especial nos últimos dois dias. Em que pretendia ir embora de Storybrooke, Regina pedindo para ela ficar, o encontro, o momento com Henry, o sexo... Tudo isso passava por sua mente como cenas de um filme.
Estava se sentindo leve nessa manhã, a noite havia sido realmente incrível, maravilhosa. E sobretudo a morena estava se mostrando tão diferente e realmente disposta àquilo tudo. Ela estava se mostrando realmente apaixonada. E Emma não conseguia resistir a tudo isso. Visto que também estava apaixonada.
Mas no fundo, ainda sentia-se um tanto desconfiada. Havia sofrido demais em sua vida, o amor não foi muito bom para com ela. Tinha sofrido demais na única vez em sua vida em que realmente esteve apaixonada por alguém, e agora o medo de sofrer novamente insistia em bater à porta. Ainda mais se tratando de Regina.
Observava seu reflexo no espelho enquanto tudo isso deixava sua mente um tanto confusa. E um leve suspiro frustrado escapou. Mas em contrapartida sabia que Regina não estava mentindo, sabia que ela estava sendo sincera. De alguma forma inexplicável ela conhecia bem a morena. Tudo que precisava — e queria – agora era confiar. Entretanto essa era a parte mais difícil para Emma: confiar.
Balançou sua cabeça como se quisesse espantar para bem longe aquelas dúvidas. Não queria se sentir mal, melancólica ou irritada depois daquela noite incrível. Abaixou sua cabeça e jogou água em seu rosto, passando as mãos vagarosamente pelo mesmo, suspirando forte, tentando expulsar de sua mente aqueles pensamentos intrusos que nada convinham agora.
Quando finalmente saiu do banheiro, viu Regina na frente do espelho se maquiando. Já estava sobre seus saltos e estava passando seu batom vermelho. Sem dúvidas aquilo era a marca registrada dela. "Meu Deus, como essa mulher é linda!". Pensou. E isso lhe deu uma pontada de irritação. Porque ela mexia tanto consigo? Porque tinha que estar tão apaixonada assim? Sentou-se na cama e continuou mirando-a. Ela agora arrumava os cabelos. Passou seu olhar por todo o corpo da Prefeita. E seu corpo se arrepiava só de olhar para ela.
Regina percebeu pelo espelho que Emma a fitava, mas logo viu a loira abaixar o olhar com uma expressão estranha. Parecia pensativa, longe dali.
— O que foi?
— Han?
— Está tudo bem? – Regina indaga um tanto apreensiva.
— Sim. Por quê? – Lança-lhe um sorriso curioso.
— Nada. Você só me pareceu... preocupada. Acho que foi impressão minha.
Emma estava deixando transparecer a pequena confusão que havia se instalado em sua cabeça de repente. E não queria isso.
— Ah não. Eu só tô cansada. A noite foi longa. – Com um sorriso maroto ela disfarçou.
Fazendo a morena rir do que ela disse.
— Foi sim. – Se encaminhou até ela. Fazendo o barulho de seus saltos soarem pelo quarto enquanto tocavam o chão. – E maravilhosa. – Concluiu quando sentou-se também na cama, de frente para ela.
Que poder essa mulher tinha sobre Emma. Que não pôde deixar de sentir um frio em sua barriga e um leve arrepio quando a viu se aproximar. Como ela ficava linda e sexy naquelas roupas sociais e naqueles saltos. Seu coração disparou quando a ouviu falar daquele jeito. E tudo que conseguiu fazer foi sorrir. Sentia-se desarmada quando Regina chegava perto e falava daquela forma.
— Eu adorei. – A morena tocou sua mão, continuando a falar. – Cada minuto... Cada segundo.
Emma mirou aquele toque em sua mão. E nesse momento Regina inicia um leve carinho com o polegar, fazendo a Xerife arrepiar novamente. Então seus olhares se encontraram. E os castanhos à sua frente tinham um brilho tão lindo, radiante. Havia um sorriso discreto, porém feliz em seu lábios agora vermelhos pelo batom.
Um suspiro quase imperceptível escapou da loira. Um suspiro resignado. E sentia como se o peso do medo e da desconfiança estivesse querendo deixar de uma vez por todas os seus ombros. Como se todo aquele medo estivesse perdendo a batalha para a paixão. A Prefeita, que um dia fora tão prepotente, tão arrogante, e que há semanas atrás estava lhe dizendo coisas tão dolorosas, agora não parava de se mostrar tão doce e tão... apaixonada. Seu coração bateu forte. Cada palavra e gesto de Regina a encantavam mais. Era como se a cada momento seu coração temeroso se apaixonasse mais um pouco.
— Eu também adorei. – Sua voz saiu baixa. Estava afetada por aquele toque em sua mão, aquele olhar, aquelas palavras, aquele sorriso.
Regina sorriu. Sentir a mão de Emma entre a sua e observar aquelas íris verdes assim tão de perto, tão entregues, lhe causava uma emoção inexplicável. Sentia seu peito aquecer. Ainda lhe assustava toda aquela intensidade de sentimentos. Assustava muito. Tinha medo de sofrer, medo de tudo acabar se destruindo e por fim Emma a odiar. Mas simplesmente não conseguia resistir. Só conseguia se entregar ao que estava sentindo. Era como se fosse tragada cada vez mais fundo por aquela paixão insana que havia tomado seu coração.
— Nossa noite aqui... – A morena falou, olhando rapidamente de relance para o colchão. – Foi incrível.
— Não podia ter sido melhor. – Emma afirma sem conseguir resistir. Fazendo a morena sorrir ainda mais.
— Mesmo?
— Sim... Mesmo. – Sorri de volta pra ela.
— Não se arrependeu de ter voltado e me deixado saber que não conseguiu ir nem até a metade do caminho? – Provoca com um sorriso implicante. Afinal não seria uma conversa entre elas se não houvesse algum tipo de provocação e implicância.
— Nem um pouco. – Afirma com segurança. – A noite foi boa demais para arrependimentos.
Regina não esperava por aquela resposta tão firme. Isso a alegrou ainda mais.
— Foi boa demais mesmo... Você é boa no que faz, Xerife. – Seu tom saiu atraente, fazendo a outra rir levemente.
— Te digo o mesmo, Prefeita.
Regina ri daquelas afirmações que faziam sem dizer com todas as palavras.
— Aliás... – Emma continua – Acho que era melhor a gente ter ficado no quarto que ficamos da outra vez.
— Por quê? – Pergunta juntando as sobrancelhas.
— Porque fizemos muito barulho. Acho que o Henry deve ter ouvido tudo lá do quarto dele.
Regina a encara estática e envergonhada. Não esperava ouvir tal coisa. Mas já deveria saber que de Emma devia esperar tudo.
— Emma, você diz cada coisa. – Seu sorriso foi constrangido.
— É sério. Acho que você não percebeu porque você tava ocupada demais... fazendo barulhos. E bem, eu também. – Riu de si mesma, e Regina a encarava perplexa — Mas parando pra pensar agora, acho que foi bem alto o que aconteceu aqui. Se o garoto ouviu ele vai ficar traumatizado.
Regina estava boquiaberta, pasma com o que ela dizia. Aquela loira realmente não cansava de ser descarada.
— Você quer deixar de ser idiota! – Exclamou séria.
E Emma gargalhou, sem conseguir segurar mais.
— Você é muito idiota, Swan.
— Você já disse isso. – Ainda dava risadas. Fazendo Regina revirar os olhos meio impaciente.
E como ela ficava linda com aquela carinha de irritada. Emma não sabia explicar como aquilo que tanto a irritava antes, agora parecia tão fofo. Não pôde resistir e segurou o rosto da morena com as duas mãos, puxando-a rapidamente para um selinho um tanto demorado. Que fez o coração de ambas ficar quente.
— Acho que tava tão gostoso que não conseguimos nos controlar. – Seu lábios ainda roçavam nos dela, fazendo Regina arrepiar com o que ela disse. — Da próxima vez melhor a gente ficar no quarto de hóspedes. – Disse rindo quando se afastaram.
E Regina acabou rindo também, balançando a cabeça negativamente. Emma a irritava, a fazia rir, a deixava mais apaixonada, tudo ao mesmo tempo.
— Vai haver uma próxima vez então. – Regina diz. Foi mais uma afirmação do que uma pergunta.
Emma se surpreendeu. Desviou o olhar desconcertada percebendo o que havia falado, e lembrando-se que da outra vez que ficaram juntas ela foi quem havia feito essa pergunta para Regina.
— Se você quiser. – Tornou a olhá-la. Não sabia bem o que responder.
Regina revira os olhos novamente, mas dessa vez sorrindo, demonstrando que era óbvio que queria.
— Eu quero muitas próximas vezes. – Enfatiza rindo. Sentindo um friozinho em sua barriga ao se imaginar fazendo amor com ela outras vezes.
E Emma sorri enfeitiçada, desfrutando de cada batida descompassada de seu coração apaixonado, sentindo-se hipnotizada por aqueles olhos cor de chocolate, aquele cheiro que lhe invadia, aquele sorriso lindo. Poderia não ter confessado ainda que também estava apaixonada, mas isso estava simplesmente estampado em seus olhos. Não conseguia conter seu olhar de admiração e seus sorrisos bobos perto dela.
— Adoro seu sorriso. – Regina declara de repente, percebendo o sorriso lindo que havia se formado nos lábios rosados à sua frente.
Emma sorri ainda mais largo, desviando o olhar brevemente, um tanto encabulada. E Regina pôde perceber o leve rubor que se formou em sua face. A pele tão branca dela logo a denunciava quando ficava vermelha.
— E ele fica ainda mais lindo quando você tá assim com vergonha. – Cutucou rindo dela. – Nunca imaginei ver a Xerife toda marrenta com essa carinha vermelha de vergonha.
Emma solta um riso desconcertado.
— Tem muitos lados de mim que você não conhece, Prefeita.
— Mas quero conhecer... – Não hesita em responder. – Se você deixar.
Nem a própria Regina se reconhecia. Confessando aquelas coisas para ela. Simplesmente não conseguia resistir, não conseguia segurar toda aquela emoção que sentia, e as palavras acabavam saindo e revelando o que se passava dentro dela, revelando suas vontades. Vontades que ela mesma estava descobrindo ter.
A Xerife a encara absorvendo aquelas palavras, observando a sinceridade no olhar dela. Regina Mills, a Prefeita toda poderosa, a dama de ferro daquela cidade, realmente estava lhe dizendo todas aquelas coisas?
— Sério, quem é você? E o que você fez com a Prefeita? – Repetiu a mesma pergunta boba que havia feito na noite anterior, no encontro. Fazendo a mais velha soltar uma risada alta e gostosa. – Porque eu nunca imaginei você me dizendo essas coisas.
— Não fui eu que fiz... foi você. Fez eu me apaixonar dessa forma. – O coração da loira dispara mais. – Eu também nunca me imaginei te dizendo essas coisas. Mas você está mudando tudo em mim, Emma. – Termina fitando profundamente as íris esmeralda.
O coração da mais nova pulava, parecia querer sair de seu peito. Tudo que Regina falou, e a forma como falou, seu nome sendo pronunciado naquela frase... Emma não pôde resistir a tantas emoções gostosas juntas. E aproximando-se repentinamente, mergulhou sua boca nos lábios dela em um beijo profundo.
Regina não esperava aquele beijo súbito, mas correspondeu de imediato. Emma segurava seu rosto com uma mão enquanto sentiu a outra ir até sua cintura e apertar. O beijo era lento, porém intenso, cheio de vontade. E disparava nelas arrepios e ondas de calor.
— Você vai borrar o meu batom. – Regina advertiu brincando, sorrindo em meio ao beijo.
— Eu não me importo. — Continua a beijá-la.
— Vai manchar sua boca. – Seus lábios se tocando enquanto fala.
— Eu sei, mas eu realmente não me importo. – Reafirma contra os lábios dela.
E aprofundam o beijo novamente. Regina estava apenas brincando. Praticamente todas as vezes que já haviam se beijado ela estava usando batom e isso nunca importou. Queria apenas brincar com a loira.
O beijo foi ficando mais forte, mais desejoso. Emma agora a segurava pela nuca, a apertava e puxava pela cintura, suas línguas se tocavam sedentas, molhadas deslizavam pela outra, disparando faíscas em seus corpos.
Bastava tocar a boca de Regina para que todo o corpo de Emma entrasse em chamas. Como era possível desejar tanto assim alguém? Como era possível estar tão apaixonada assim? Desejava aquela mulher como jamais desejou outra pessoa na vida. Esse sentimento tão forte a assustava, mas nesse momento tudo que queria era desfrutar mais e mais daquela boca gostosa.
A mão que estava na nuca dela desceu também para a cintura, e involuntariamente começou a querer trazê-la mais para si. Apertando-a, puxando-a. Regina agora apertava o ombro dela com uma mão e segurava sua nuca com a outra. Erguia seu tronco em busca de tentar ter mais contato com ela pela forma como estavam sentadas. Emma acariciou uma de suas pernas, levemente puxando-a.
Aquele beijo estava se tornando ávido demais. Muito mais do que esperavam quando ele se iniciou. O calor já crescia dentro delas, os corações apaixonados já pulavam como loucos, a vontade de não parar aquele contato gostoso aumentava. Suas bocas agora se encaixavam ligeiramente afoitas, num beijo mais acentuado, as respirações já começavam a acelerar, os corpos tentavam se tocar.
Emma foi puxando-a, trazendo-a mais para si, apertando-a, enquanto suas bocas se degustavam com total desejo. Até que, com força, deu um jeito de puxá-la totalmente, fazendo-a se sentar de frente em seu colo, deixando-a com os joelhos na cama, com uma perna de cada lado de suas coxas.
Regina arfou quando o beijo foi cortado pelo movimento um tanto brusco. Se encararam por alguns segundos, seus corações saltavam de paixão. E logo retomaram o beijo. Da mesma forma de antes, intenso, forte, apaixonado.
Emma a abraçou, envolvendo totalmente sua cintura e puxando-a ainda mais para si, grudando totalmente seus corpos já quentes. Estava descobrindo adorar aquela posição: Regina sentada em seu colo.
Beijavam-se sedentas daquilo. A excitação já crescia. Ainda mais naquela posição em que inevitavelmente havia tanto atrito em seus sexos. A saia apertada de Regina havia subido pela forma como estava sentada e suas coxas ficaram quase que totalmente a mostra. Emma logo começou a percorrer uma mão por uma das coxas dela. Alisando, apertando, passando suas unhas. E Regina ofegava no beijo. O toque de Emma era bom demais. O beijo, a força com que a segurava, sua mão quente passeando por sua coxa. Seu coração e seu corpo enlouqueciam cada vez mais.
Entorpecida por aquele beijo e aqueles toques, a excitação que já invadia seu ser, Regina por instinto começou a movimentar-se levemente no colo de Emma, num rebolado sensual. E a loira gemeu abafado em meio ao beijo com aquela sensação gostosa. Apertou ainda mais a mulher em seu colo e sua boca desviou para o pescoço dela. Já o enchendo de beijos assim que encontrou a pele cheirosa. Regina enfiou uma das mãos nos cabelos longos, acompanhado os movimentos que ela fazia em seu pescoço.
Aquilo se tornava cada vez mais intenso, mais fervoroso. Já estavam as duas excitadas, com os corações apressados, os corpos cálidos, os sexos pulsantes de desejo. Não era preciso muito para que ficassem cheias de tesão uma com a outra. Estavam tão apaixonadas que o mínimo de toques já lhes disparava o mais intenso desejo.
A mão sedenta da loira foi ao seio de Regina por cima da blusa, o acariciou e logo o apertou. Estava viciada naquilo. Regina gemeu, agarrando ainda mais os cabelos loiros, seus movimentos no colo dela estavam mais excitados, rebolava buscando contato em seu sexo.
Emma já queria arrancar as roupas de Regina e as suas, jogá-la naquela cama e possuí-la novamente, sua intimidade já estava molhada, podia sentir, seu corpo já clamava pelo da morena.
Contudo Regina sabia que infelizmente precisavam parar. Já haviam se demorado demais. Estava realmente com medo de seu filho acordar. Mas como parar aquilo? Como cessar aquela coisa tão gostosa?
— Emma... – Chamou com os olhos fechados. Seu tom inevitavelmente saiu gemido.
Estava tentando dizer que precisavam parar, mas Emma pensou que ela estava apenas gemendo seu nome e isso a atiçou ainda mais. Apertou-a mais forte e intensificou os beijos em seu pescoço, dando mordidas, e agarrando com avidez o seio dela. Fazendo Regina gemer novamente.
— Emma... – Regina tenta de novo. – Precisamos... parar... – Sua voz saía com extrema dificuldade.
— Eu não quero parar. – Responde arfante contra a pele do pescoço dela.
Regina mordeu o lábio quando sentiu aquele hálito quente bater em sua pele e ouviu a voz dela afetada pelo desejo.
— Eu também não quero... mas... precisamos... – Não conseguia fazer com que seu tom não saísse desejoso. Seus olhos ainda estavam fechados e ela ainda segurava os cabelos dela e se movia sobre seu colo.
Emma não responde nada dessa vez, apenas continua o que estava fazendo.
— Emma... por favor... – Pedia sussurrando, porque estava impossível parar seus próprios movimentos enquanto a loira não parasse de beijar seu pescoço e apertar seu seio daquela forma. Mas Regina não estava percebendo que cada vez que dizia o nome dela daquele jeito, Emma só se excitava mais.
E então buscando juízo com o pouco de sanidade que ainda lhe restava, ela tomou coragem para cortar aquele contato que estava tão gostoso.
— Para. – Pediu se afastando. Seu tom não foi rude, ao contrário, foi manso e afetado. Não queria parar.
Levantou-se do colo dela rapidamente, antes que aqueles olhos verdes a mirando com desejo fizessem-na mudar de ideia. Precisavam parar. De pé manteve seu corpo curvado e encostou suas testas, fazendo com que as duas fechassem os olhos. Emma ainda segurava o contorno de sua cintura.
— Eu queria muito, muito continuar com isso. — E como queria. Segurava o rosto dela entre suas mãos. – Mas você precisa ir.
Emma sorriu frustrada e soltou um suspiro forte, ela tinha razão. Mas Regina a fazia perder o juízo.
— Tem razão, me desculpa. – Levanta os braços rindo, em sinal de rendição. Desencostando suas testas.
— Você não precisa pedir desculpas... Eu adoro quando você me pega assim. – Revela de repente, com uma coragem que nem ela mesma saberia explicar de onde surgiu, a fitando profundamente. E fazendo Emma ficar séria, sentindo seu coração pulsar ainda mais pela forma como ela havia dito aquilo. – Adoro quando você demonstra toda a vontade que está de mim. Quando consigo ver o quanto você me deseja. – Seu tom era baixo e um tanto sensual.
— Se continuar falando desse jeito eu vou esquecer que daqui a pouco o Henry vai acordar. – Emma diz fazendo Regina rir.
E a morena deposita um selinho carinhoso nos lábios rosados, para então erguer o dorso finalmente, ficando ereta. Abaixa sua saia, ajeitando-a até a posição normal. E logo a loira, que ainda estava sentada, a abraça pela cintura, colando seus corpos, e olhando para cima para encarar seus olhos, diz sorrindo:
— Acho que preciso de um banho frio.
A risada alta de Regina soa pelo ambiente, então segura o rosto dela para grudar seus lábios em um beijo selado novamente, dessa vez um tanto mais demorado.
— Eu também.
As duas riem. Contentes e apaixonadas, apesar de frustradas por terem tido que encerrar aquele momento íntimo.
Delicadamente Regina limpa com seus polegares as leves marcas que seu batom havia deixado na boca da outra. E Emma sorri encantada com o gesto carinhoso dela, e logo faz o mesmo, ergue sua mão e retira do contorno dos lábios da outra algumas marcas que haviam ali.
— Você tá linda. – Emma diz de súbito. Fazendo um sorriso lindo e enfeitiçado despontar nos lábios da morena, que lembrou-se de que naquela manhã escolheu aquelas roupas querendo que ela a admirasse.
— Obrigada.
Se encararam em silêncio por alguns segundos. Com seus corações acelerados, os olhares apaixonados, o leve sorriso bobo nos lábios.
— Ok... hora de ir. – Emma fala finalmente. Não queria ir.
— Sim.
E Regina se afasta para que a loira pudesse se levantar. Seu coração aperta levemente. Sentiu uma pontada de insegurança. Mas ela tinha que ir.
Se fitaram brevemente quando Emma já estava de pé. Havia tanto descrito em seus olhares, tantos sentimentos. Um leve sorriso despontou nos lábios da loira, e Regina retribuiu da mesma forma, para então abrir a porta e finalmente saírem do quarto.
Quando passaram em frente a porta do quarto de Henry, Regina percebeu que a outra olhava para o local, então falou sussurrando:
— Ele está bem. Dormindo como um anjo. – Lembra-se da imagem de seu filho dormindo e sorri. – E tenho certeza de que ele não ouviu nada, sua idiota. – Sua risada foi inevitável. Arrancando uma risada da loira também, que se segurou para não rir tão alto.
Desceram pela escada de mãos dadas. E foi algo tão natural.
— Você quer comer alguma coisa antes de ir? — Regina pergunta educadamente quando chegam ao hall de entrada.
— Não, obrigada. Eu como em casa. Tô com um pouco de fome, mas é melhor não arriscar demorar.
— Tem razão.
— Bom... vou indo. – Fala um tanto sem vontade quando já estavam próximas da porta.
— Sim.
No fundo Regina não queria deixá-la ir. Não era só insegurança. Era como... Saudade antecipada. Seria possível?
— Eu adorei a noite. – Foi Emma quem disse de repente, segurando com as duas mãos o rosto da outra.
O sorriso de Regina não poderia ser mais largo e emocionado. Ouvi-la dizer aquilo daquela forma tão espontânea levou seu coração apaixonado às alturas mais uma vez.
Emma sentiu uma vontade imensa de dizer aquilo. Seu coração estava feliz e leve como há muito não ficava. Sentia a necessidade de demonstrar.
— Eu também. – Sua voz e sorriso emocionados não só pela frase, como também pelo gesto carinhoso da outra segurando seu rosto. – Espero repetir outras vezes.
Emma riu e sem nada dizer depositou um selinho nos lábios dela. Foi mais demorado de que tencionava, quando sua boca tocava a de Regina parecia haver imãs que grudavam a sua ali. Automaticamente as mãos da Prefeita foram ao entorno da cintura dela quando os lábios de Emma se moveram sobre os seus.
O beijo foi apenas um roçar de lábios, alguns selinhos molhados. E logo cessou.
— Eu também espero. – Finalmente disse quando suas testas estavam coladas e seus olhos fechados. Tirando mais um sorriso encantado de Regina.
O coração de ambas estava quente. Nem uma das duas jamais havia se sentido tão apaixonada antes, estavam percebendo isso.
— Até depois. – Desfizeram o contato entre seus corpos.
— Até depois, Emma. – Despediu incerta. Emma já havia dito que não iria mais embora, contudo seu coração tão inseguro ainda sentia medo.
Mas logo aqueles pensamentos de insegurança se esvaíram quando viu o sorriso lindo de Emma se formar à sua frente. Seu coração se aqueceu com aquele sorriso dela. A loira sorriu quando ouviu seu primeiro nome sendo pronunciado.
E por fim, sem vontade alguma de fazer aquilo, Regina gira a maçaneta da porta abrindo-a.
Seus olhares se encontraram mais uma vez, se prenderam por alguns segundos, até que finalmente Emma se virou e saiu. Sendo acompanhada pelo olhar de Regina até chegar em seu fusca. Antes de entrar no veículo a loira lançou um último sorriso para ela, e novamente o coração da morena ficou quente, retribuindo o sorriso de despedida. Quando viu o carro se afastar pela rua, enfim fechou a porta e se escorou na mesma. Com um sorriso bobo e um coração totalmente apaixonado.
Não havia se passado nem 10 minutos que Emma tinha saído e Henry aparece de supetão na cozinha. Regina chegou a gelar. Será que ele tinha visto ou ouvido algo?
— Querido?! – Sua voz ansiosa. — De pé já tão cedo. O que houve?! — Estava apreensiva.
— Nada. O sono passou e eu levantei logo. — Respondeu esfregando os olhos. Do mesmo jeito que Emma havia feito mais cedo.
Aquilo arrancou um sorriso de Regina. Como aquele gesto era fofo, tanto em Henry quanto em Emma. E a mãe se acalmou percebendo que ele não tinha visto nada.
— Mãe, a Emma vai mesmo ficar na cidade? Ela não vai embora mais?! — Disparou ansioso quando sentou-se ao balcão.
— Sim, querido. – Riu do jeito dele. — Ela não vai mais embora.
— Sabe... na hora que eu acordei eu achei que tinha sonhado. Mas depois vi que não.
Ela riu lembrando-se da conversa que tinha tido com Emma e do pequeno beliscão que ela lhe deu. "Aquela loira petulante".
— Não sonhou não, príncipe. — Passou a mão pelos cabelos dele e depositou um copo de suco à sua frente. — Ela não vai mais. Eu disse que iria convencer ela a ficar. E além do mais, aquela loira irritante não sabe mais viver longe dessa cidade. – Um sorriso discreto se formou em seus lábios lembrando que na noite anterior quando chegaram em sua casa, Emma tinha dito que havia coisas naquela cidade que ela já não sabia mais viver sem, e estava se referindo a ela e Henry.
Porém, apesar de discreto, aquele sorrisinho não passou despercebido aos olhos astutos do menino, que a olhou intrigado.
— E você tá rindo enquanto diz isso? Vocês duas tão muito estranhas. Que que tá acontecendo?
Um frio subiu pela espinha dela.
— Como assim? Não está acontecendo nada. – Tenta esconder o nervosismo que se formara.
— Mas você tá estranha...
— Não tem “mas”, Henry! – O interrompe com seu tom rígido – Eu não estou estranha... E eu não estava sorrindo. — Era melhor cortar logo aquela conversa. – Bebe seu suco!
— Hmm, sei. – Resmungou desconfiado enquanto levava o copo à boca.
"A quem você puxou tão esperto assim? A Emma ou a mim?". Pensou mirando-o.
*****
Emma passou pela porta de seu apartamento distraída. Totalmente absorta em seus pensamentos que se resumiam em Regina e Henry. Um sorriso bobo estava estampado em seu rosto. Já estava prestes a subir as escadas quando...
— Posso saber onde você estava, Emma Swan?
Deu um pulo virando para trás e encontrando Mary Margaret parada de pé no meio da sala, com os braços cruzados contra o peito e uma cara de poucos amigos.
— Nossa, nem te vi aí, você me assustou. Aliás, o que tá fazendo aí parada?
— Não posso ficar parada na minha sala? Não foge do assunto. — Respondeu um tanto ríspida.
— Uou! Calma. — Disse rindo e levantando as mãos. — Que foi? Acordou com o pé esquerdo hoje?
— Emma, onde você estava? Você me deixou preocupada. Saiu dizendo que ia resolver uma coisa e não voltou pra casa. Te liguei várias vezes quando vi que já estava de madrugada e você não chegava, mas você não atendeu. E só foi chegar agora de manhã. — Apesar de estar irritada sua voz denotava a preocupação que havia sentido.
— Você me ligou? — Tirou o celular da bolsa para constatar. — Nossa, desculpa eu não ouvi. — Na verdade tinha esquecido o celular no fusca quando voltou para a casa de Regina. — Mas olha, tá tudo bem. Eu tô viva como você tá vendo. — Riu para descontrair.
— Não tem graça Emma, eu fiquei muito preocupada.
— Ok, desculpa. Não foi pra tanto. Só dormi fora e esqueci de avisar. Mas o que é isso, afinal? Virou minha mãe agora? — Riu. – Não vai me dizer que você resolveu acreditar nas histórias loucas do Henry e achar que é minha mãe mesmo? — Tornou a rir debochada.
Mary não soube porquê, mas sentiu seu coração apertar um pouco quando ouviu aquilo. E nesse momento viu que estava mesmo agindo como uma mãe. Suspirou um tanto envergonhada e se aproximou de onde a amiga estava.
— Me desculpa, não quis te controlar. Mas é que fiquei preocupada. Onde você estava? Você saiu daqui toda bonita ontem. Você não disse nada e eu não perguntei porque pensei que você fosse me contar quando chegasse.
Emma ficou muda alguns segundos sem saber o que dizer.
— Eu fui resolver uma coisa, eu disse. Não foi nada demais. A noite acabou se estendendo e eu resolvi não vir pra casa. Só isso. Tá tudo bem, ok? — Sorriu e virou-se para subir. Queria fugir daquele olhar inquisidor.
— Emma! — Mary a segurou pelo braço. — Já chega disso. Já tem tempos que você tá estranha assim. Você me enrola, foge do assunto. Daí você quis ir embora da cidade, e no mesmo dia resolve voltar. De repente some a noite. O que está acontecendo? Tem a ver com aquela pessoa que você me disse que estava gostando? Você vai me contar agora! — Disse firme.
A loira engoliu a saliva em seco, era raro ver Mary assim com aquele tom tão firme e decidido. "E agora?" Pensou.
— Afinal sou sua amiga ou não sou?
Emma suspirou fundo, encarando o chão por um momento.
— Você tem razão, me desculpa. — Tornou a olhá-la. Mary Margaret estava sendo tão boa amiga desde que chegara a Storybrooke, não era justo continuar mentindo e omitindo. — Eu vou te contar.
— Ok, pode começar.
— Eu posso pelo menos tomar um banho antes? Trocar essa roupa? Tomar café? — Seu riso foi meio nervoso.
— Está bem. Eu espero.
Emma subiu com o coração em mãos. E agora o que iria fazer? Não que precisasse dar satisfação de algo para ela, mas ela já tinha percebido que algo estava diferente fazia tempo. E ela vinha sendo uma amiga tão boa, a acolheu em sua casa, cuidava dela. Realmente não era justo fazer Mary de boba. Mas como iria contar algo assim? Pelo menos teria um tempo durante o banho para talvez inventar uma desculpa.
Quando desceu não viu Mary na cozinha. Deu uma olhada pelo pequeno apartamento e viu que ela não estava. Havia demorado um pouco no banho – perdida em seus pensamentos em Regina — e talvez Mary tivesse desistido e decidido sair.
Respirou aliviada e foi até a cozinha, precisava comer algo. Pegou algumas coisas e sentou-se ao balcão. Enquanto comia, sua mente começou a viajar. E rapidamente seu pensamento foi até a noite com Regina. Um sorriso bobo logo despontou. Sentiu aquele friozinho gostoso na barriga ao se lembrar dos momentos com ela. O encontro, aquele sexo incrível. Tocou delicadamente seus lábios com a ponta dos dedos, lembrando-se do momento em que sentiu o sexo dela em sua boca. Seus olhos se fecharam e mais um sorriso despontou, recordando daquele sabor gostoso. Como seu coração batia rápido apenas por pensar nela.
Era inútil continuar tentando lutar contra aquilo. Era inútil tentar não se entregar. Porque simplesmente não conseguia mais. A cada minuto que passava, a cada momento junto dela, a cada pensamento, sentia aquele sentimento aumentar mais e mais dentro de si. A cada momento se apaixonava mais por ela.
Aquela insegurança insistia em bater à porta, os muros em seu coração insistiam em querer ficar erguidos. Tinha sim medo de confiar em Regina novamente e se enganar de novo. Mas apesar disso, estranhamente sentia-se leve. Serena. Como se pudesse simplesmente fechar seus olhos, respirar bem fundo e deixar que todo aquele escudo que havia construído durante toda sua vida fosse destruído. Podia deixar que aqueles muros em volta do seu coração caíssem. E era exatamente isso que queria fazer. Sentia uma necessidade urgente de se entregar. E se entregar àquela mulher que havia roubado seu coração. Já não queria mais lutar. Queria confiar em Regina... E, quem sabe, ser feliz.
Tudo que a morena havia demonstrando, sabia que não era mentira. Apesar do medo e da insegurança, no fundo ela sempre sabia quando Regina estava mentindo. E dessa vez ela não estava. E a prova disso foi ela ter pedido para que fosse dizer ao Henry que havia ficado na cidade.
A Regina de antes teria feito uma festa por ela ter ido embora. Mas ao contrário disso, ela lhe pediu para ficar, e quis que Henry soubesse disso. Aquelas lágrimas no carro quando Regina pediu para que ela fosse vê-lo foram sinceras, Emma sabia disso.
"Henry". A imagem de seu filho a fez sorrir mais uma vez. Como tinha sido bom aquele momento que passaram juntos. Não saberia explicar em palavras a imensa felicidade que lhe invadiu quando viu a alegria nos olhos dele ao saber que ela tinha desistido de ir embora. Sentiu vontade de apertá-lo em seu abraço e protegê-lo de tudo. E nunca mais o soltar.
Aquele momento entre eles três havia sido bom demais. Poderia dizer que foi... Perfeito.
Seus pensamentos foram interrompidos com o barulho da porta. Era Mary voltando. Emma imediatamente engoliu a saliva com seu coração disparado. Sabia que ela iria retomar aquela conversa. Um frio lhe percorreu a espinha. Ainda não sabia o que iria falar.
— Oi — Mary cumprimenta quando entrou.
— Hey.
— Você tava demorando. Então eu resolvi ir até o mercado comprar algumas coisas pra preparar o almoço.
— Eu não demorei tanto assim. Você foi bem rápido. – Disse rindo. “Podia ter demorado bem mais”. Pensou sentindo o nervosismo se formar.
— Ah, eram só algumas verduras e legumes. – Colocou a sacola em cima da pia.
— Tá certo. Então acho que vou deixar você preparar o almoço e vou descansar um pouco — Levantou-se enquanto falava. Queria literalmente fugir dali.
— Nada disso! Não pense que esqueci da nossa conversa!
Emma suspirou abaixando a cabeça e riu.
— Droga! Eu estava contando com isso. — Falou ainda rindo.
Mary a olhou intrigada.
— O que pode ser tão sério assim pra você fazer tanto rodeio esse tempo todo pra me contar? — Cruza seus braços e a encara tentando entender.
Emma a olhou sem saber o que dizer. Não sabia se estava pronta para contar aquilo. Porém ao mesmo tempo não queria mais mentir e esconder aquilo da amiga.
— Você não confia em mim? — Seu semblante ficou um pouco desanimado.
E Emma sentiu-se mal com aquilo. Não saberia responder essa pergunta. Não sabia se conseguia confiar verdadeiramente em alguém. Mas Mary Margaret havia sido tão boa amiga desde o começo. Mal sabia quem era ela e pagou sua fiança, ofereceu sua casa. Esse tempo todo esteve ao seu lado. Nos seus desabafos, nas suas frustrações, nas suas brigas com Regina. Mary merecia saber a verdade. E de fato ela já não aguentava mais esconder aquilo.
Respirou bem fundo antes de dizer:
— Tudo bem. Eu vou te contar. Senta aí.
*****
— Você não vai pra Prefeitura hoje? — Henry perguntou vendo que já era quase 11h da manhã e sua mãe não saía de casa.
— Não, querido. Hoje é sábado. — Responde naturalmente levando mais um gole do café à boca. Sem desgrudar os olhos do jornal, mas na verdade não prestava atenção em nenhuma palavra dali, só conseguia pensar na noite com a loira.
— Você sempre vai trabalhar nos sábados.
Aquilo era bem verdade. Estava sempre trabalhando e trabalhando. Talvez não tivesse dedicado tanto tempo para realmente dar carinho ao seu filho durante todos esses anos. Sempre se considerou uma ótima mãe, e de fato era. Sempre cuidou de tudo com muito rigor. Horários cronometrados, regras e mais regras. Nunca lhe faltou uma boa educação. Nunca lhe deixou faltar nada. E deu a ele amor. Mas de fato, talvez tivesse se preocupado mais com obrigações e regras do que com carinho em si.
A verdade era que, apesar de fazer tudo por ele e fazer tudo para agradá-lo desde a adoção, Regina não sabia como amar muito bem. Amar era algo difícil para ela. Achava que amar era prender as pessoas em si com toda força. E estava descobrindo, da pior forma, que não era.
Sempre perdia as pessoas que amava. Fosse pela maldade dos outros – como a maldade de sua mãe quando matou Daniel – ou pela sua própria maldade e egoísmo – como foi com seu pai. E tinha medo de perder Henry também.
Mas o fato era que Regina não sabia direito expressar esse sentimento tão sublime que é o amor. Sua insegurança e medo de perder a faziam agir de forma errada muitas vezes. Agora ela conseguia enxergar isso. E pior, agora podia ver que havia agido tantas e tantas vezes com seu filho da mesma forma que sua mãe havia agido com ela. Mesmo sendo a última coisa que queria, acabara se tornando uma mãe igual a Cora.
Queria se redimir, queria mostrar para seu filho que realmente o amava. Que apesar de tudo, de todos seus erros com ele, tudo que fez foi por esse amor. Esse amor que era maior que tudo em sua vida. Maior até mesmo do que sua vingança.
— Eu sei. — Sorriu para ele quando respondeu — Mas hoje quero ficar com você. – Estavam sentados no sofá da sala e Henry lia uma história em quadrinhos.
— Podemos chamar a Emma pra vir aqui hoje? – Pergunta parecendo não dar muita importância ao que ela havia dito.
E isso apertou um pouco o coração da mãe e de imediato uma leve irritação subiu.
— Você não gosta mesmo de passar um minuto sequer sozinho comigo? – Sua voz saiu um tanto magoada.
E o menino a encarou receoso.
— Não, não é isso. É que tô com medo dela mudar de ideia e ir embora.
Regina respirou fundo, soltando todo o ar com força para tentar espantar aquela mágoa que havia se formado repentinamente com a indiferença dele.
— Ela já esteve aqui ontem, Henry. E ela deve estar cansada. Ela não vai mudar de ideia, você não precisa se preocupar. – Tentou convencê-lo, mas ela mesma também sentia aquele medo ainda.
— Hum... tudo bem. – Encolheu os ombros voltando a olhar para seu gibi. Percebeu pelo tom ríspido dela que havia chateado sua mãe.
Não que Regina não quisesse ter Emma em sua casa de novo naquele dia, ela havia acabado de ir embora e já sentia saudade. Mas ficara magoada. Henry sempre parecia preferir Emma a ela. Sempre preferia estar com a mulher que o abandonou do que com ela que o acolheu e fez de tudo por ele.
Fechou seus olhos respirando fundo e sorvendo um grande gole do café. Não queria que aqueles pensamentos ruins voltassem, não queria sentir aquele ciúme doentio de novo.
— Mãe, desculpa. Eu não queria te chatear. – Pediu de repente.
E Regina imediatamente voltou seu olhar para ele parecendo incrédula. O olhar dele estava baixo, parecia estar desconcertado e arrependido.
A mãe suspirou, tentando desviar para bem longe aqueles pensamentos que tentavam vir à tona. E de fato, aquele pedido de desculpas lhe comoveu. Então acariciou as costas dele.
— Tudo bem, querido. Eu entendo. – Ele a encarou surpreso. E ela segurou seu rostinho com uma mão. – Eu só queria que você gostasse tanto de estar comigo assim como gosta de estar com ela.
O silêncio se formou, o menino não sabia o que dizer. Mas Regina sabia que aquilo era resultado da forma como o tratou durante tanto tempo, principalmente depois que Emma apareceu em suas vidas. Agora ela sabia que vinha agindo errado. E realmente queria consertar as coisas, ser uma mãe melhor. E quem sabe... uma amiga para ele.
— Deixa a Emma descansar hoje e amanhã chamamos ela pra passear, está bem?
— De verdade?! – Ele não conseguiu esconder seu entusiasmo.
Apesar da pontada de ciúmes que aquilo lhe causou novamente, era bom ver a alegria no rosto de seu filho. Ela o amava tanto.
— Verdade, príncipe. – Lhe sorriu. – Agora que tal aproveitar um pouco o dia comigo? Eu também sinto sua falta, sabia? – Tentou soar brincalhona, mas havia total verdade contida naquelas frases.
— Tá bem, mãe. – E ele sorriu lindamente, fazendo aquela expressão doce com a boca. Aquele sorriso que aquecia o coração de Regina. Aquele sorriso que era sua razão de viver.
******
— Eh... Então... — Emma não sabia por onde começar. Procurava as palavras.
— Está me deixando nervosa.
— Certeza que você não está mais do que eu. – Um riso nervoso.
— O que pode ser tão ruim assim?
— Não, não é que seja ruim. É que... Não sei como falar. — Passou a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo.
— Tem a ver com o homem por quem você está apaixonada, não é?
Emma ficou estática. Não imaginou que ela iria perguntar isso assim. Sentiu todo seu corpo gelar.
— Bom... Sim... — Gaguejou — Quer dizer... Mais ou menos.
— Como assim mais ou menos? Não estou entendendo. Emma, fala de uma vez! E afinal quem é ele?!
A loira suspirou, soltando o ar com força. Seu coração batia rápido demais. Como de costume já estava ofegante devido ao nervosismo. Realmente não sabia como falar. Contudo, ao mesmo tempo que não queria dizer, queria colocar aquilo pra fora. Estava confusa.
— É que... Não é... ele. – Enfatizou e fez uma pausa sentindo toda ansiedade pelo que ia revelar. — É ela.
Mary Margaret a encarou sem entender.
— Ela? Como assim?
Emma suspirou novamente. Estava desconfortável tendo que falar daquilo. Mas já não queria mais esconder ou mentir para sua amiga.
— Não é um homem, Mary Margaret... É uma mulher. — Declarou finalmente.
A professora a encarou estarrecida. Seus olhos piscavam rapidamente. Era como se a informação tivesse se embaralhado em sua cabeça. Depois de alguns segundos de choque e susto em sua mente, conseguiu dizer:
— U-Uma mulher...? – A loira fez que sim com a cabeça. – Então... você está apaixonada... por uma mulher? – Seu tom absolutamente surpreso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Isso. – Foi só o que conseguiu responder diante de tal revelação constrangedora.
A amiga permaneceu encarando-a em silêncio. Que para Emma, diante daquele olhar indecifrável, pareceram horas. O que será que ela estava pensando? Emma nunca se importou com o que pensavam ou deixavam de pensar sobre ela, mas nesse momento temeu que a amiga pudesse estar julgando-a. E estranhamente pela primeira vez na vida aquilo a incomodou.
— Não vai dizer nada? – A ansiedade fez com que perguntasse.
— Ahn... E-Emma, eu... Minha nossa! Juro que por essa eu não esperava. – Desviou seu olhar para algum ponto na mesa, sentindo-se desconcertada.
Estava um tanto confusa diante daquilo. É claro que conhecia Emma apenas há poucos meses e não sabia tudo sobre ela, mas jamais havia imaginado que a amiga se interessava por mulheres. Sentiu seu rosto quente, havia corado. Não estava acostumada com essas coisas. Para ela foi uma informação surpreendente.
— Mary Margaret, eu que te conto isso e é você que fica com vergonha? – Implicou rindo, ao perceber que a amiga estava com as bochechas vermelhas. Queria quebrar aquela tensão.
Isso fez a professora se sentir ainda mais constrangida.
— Me desculpe, Emma, eu... é que não estou acostumada com isso... quero dizer, eu não esperava que fosse isso... – Disparou a falar de uma vez — Estou surpresa... eu não sabia que você gostava, digo... que se interessava por mulheres. Você nunca tinha me dito nada. – Concluiu voltando a olhar pra ela.
— Então... eu nunca te falei nada... porque eu também não sabia.
A amiga estreitou as sobrancelhas sem entender.
— Eu nunca tinha me interessado por mulheres antes. Isso foi... muito novo pra mim também. – Encarou o copo em suas mãos pensando em tudo que havia acontecido até ali com Regina. – Foi algo que simplesmente aconteceu de repente. E foi bem estranho pra mim no começo. Na verdade ainda é. – Riu – Mas estou sabendo lidar melhor agora. – Respirou fundo voltando a olhá-la – Me desculpa por não ter te contado antes. Eu não sabia como dizer. – Foi sincera. – Você me perguntou sobre isso tantas vezes. Mas eu tava muito, muito confusa. E com um pouco de vergonha também. E... eu não sou boa em desabafar, em ter esse tipo de conversa. Nunca tive ninguém antes com quem fazer isso... Eu não sei fazer isso direito. É meio difícil pra mim.
A mulher de cabelos curtos a fitava absorvendo todas aquelas informações. Pôde ver a sinceridade nos olhos e na voz da amiga. E sentiu o peso de suas palavras naquelas últimas frases. Emma devia ter se sentido muito solitária em sua vida.
— Tudo bem... Eu entendo. – Pôs sua mão sobre a dela em um gesto solidário. E lhe ofereceu um sorriso compreensivo, que logo foi retribuído.
— Espero que isso não mude nada entre a gente. – Emma estava um tanto receosa. Nunca a amizade de alguém havia sido tão importante.
— É claro que não! Não se preocupe com isso. Somos amigas. Eu estou surpresa sim, mas eu não vou te julgar ou deixar de gostar de você por... suas preferências. Eu só quero que você seja feliz. – Novamente lhe ofereceu seu sorriso amistoso. – Nada vai mudar entre a gente. Independente de você gostar de homem ou de mulher. – Riu no final. Fazendo a amiga rir também.
— Que bom. Fico aliviada. – Sorriu sentindo o peso da tensão diminuir.
— Então... é sério mesmo? Quero dizer, apaixonada eu já sei que você está. Aliás eu já sabia disso bem antes de você saber. Você ficava aí tentando negar, tentando esconder, mas estava na sua cara. – Riram. Emma estava sentindo-se mais leve. – Mas... é sério o que está acontecendo entre vocês?
— Acho que sim. – Respondeu de súbito, mas por um segundo pôs-se a pensar. — Quer dizer, ainda não sei realmente. Não sei se o que tá acontecendo é algo sério. Mas... o que eu tô sentindo é bem sério sim. – Confessou.
Mary sorriu levemente ao ver Emma confessar aquilo. Sabia o quanto ela se fechava para o amor. E vê-la falar assim a deixou feliz.
— E... ela sente o mesmo? – Foi estranho dizer “ela”. Teria que se acostumar com isso.
— Bom... ela me disse que sim. Disse que tá apaixonada por mim. – Um sorriso encabulado, com seu rosto corando.
— Ah, Emma... Isso é ótimo! – Apesar de ainda estar digerindo toda aquela informação, estava realmente feliz pela amiga. – Nada melhor do que um amor correspondido. – Sua mente viajou até David nesse momento e seu peito doeu.
— Ei, calma aí! – Repreendeu apressada — “Amor” é uma palavra muito forte. Não é pra tanto.
— Ah ok, vamos entrar na fase da negação de novo.
Emma acaba soltando uma gargalhada com o jeito que ela falou.
— Não é isso. É só que... acho que é muito cedo pra pensar nisso. – Não teve certeza de suas próprias palavras.
— Sei. Está bem então. – A amiga sorria já sabendo o que Emma apenas queria negar. – E quem é ela? – Indagou de repente.
Emma sentiu absolutamente todo seu corpo gelar. E o nervosismo que havia acalmado, imediatamente retornar. Contar a Mary Margaret que estava interessada em uma mulher havia sido difícil, mas o pior era dizer quem era essa mulher.
Engoliu em seco tentando buscar as palavras. Como dizer para ela quem era? Sabia o quanto a amiga tinha razões para não gostar da mulher.
— O que foi? – Percebeu que ela havia ficado meio tensa.
— Nada. Nada. – Balançou a cabeça querendo espantar seus pensamentos. Não fazia a mínima ideia do que ela iria dizer quando soubesse quem era. Seu coração já batia apreensivo de novo. – Só estava pensando que poderíamos parar essa conversa por aqui. – Riu constrangida e nervosamente com sua voz meio ofegante.
— Que?! Claro que não! Quero saber quem é ela. Você demorou tanto pra me contar isso, agora vai falar tudo. E já me falou a parte mais difícil, já me disse que está interessada em uma mulher. Agora é só dizer quem é. – Riu como se aquilo fosse fácil.
“Com certeza eu não falei a parte mais difícil”. Emma pensou.
— Ok. Tem razão. – Encarou a mesa pesando como iria dizer.
— Então... quem é a mulher que roubou seu coração? – Ironizou sem nem imaginar.
Os olhos verdes encararam a mesa por alguns longos segundos. Seu coração batendo apressado pela ansiedade. O nervosismo e apreensão tomando totalmente conta de si. Até que finalmente, em um fio de coragem, revelou:
— É a Regina.
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