Notas iniciais
Quero agradecer muitoooo a quem leu o primeiro capítulo. Aos que favoritaram e aos que estão acompanhando. E aos que comentaram. Muito obrigada pela força. Estou muito feliz mesmo! Espero que gostem desse segundo capítulo. Boa leitura!

Naquela noite, Emma dormiu como uma pedra. Já Regina não teve a mesma sorte. Saboreou o gosto amargo da insônia. Se revirou na cama... pensando em Emma. E pior é que não entedia porque pensava nela daquele jeito, e isso a angustiou demais. Dormiu mal e acordou pior ainda. Irritada, mal-humorada, com raiva de tudo. Mas conseguiu sorrir quando viu Henry entrando na cozinha, já pronto para a escola.

–- Oi, mãe

–- Bom dia, querido. Seu café já está ali na mesa.

Tomaram café, e Regina o levou para a escola. Disse a ele que tinha muita coisa pra resolver no escritório e não iria buscá-lo, mas que era pra ele ir direto pra casa. Ou seja, não era pra ele se encontrar com Emma.

–- Tchau, mãe -- disse e se inclinou no banco do carro para depositar um beijo na bochecha de sua mãe. Regina fechou os olhos e sorriu.

–- Tchau, meu amor. Boa aula.

Henry saiu do carro e caminhou até a escola. Regina acompanhou o menino com o olhar. Ela o amava. De um jeito torto talvez, mas o amava. Quando o menino desapareceu pelo portão da escola, ela ligou seu carro e foi para o gabinete. O dia seria cheio, afinal na tarde anterior não conseguiu se concentrar no trabalho depois que a xerife invadiu seu escritório.

***

Emma entrou no Da Vovó na hora do almoço. Cumprimentou Ruby e pediu sua comida. Quando se virou para sentar, avistou um ser humano pequeno, de cabelos lisos, sentado de costas numa mesa logo à frente.

–- Ei, garoto!

–- Emma! -- Ele se virou surpreso e logo abriu um grande sorriso.

–- O que faz aqui? Não devia estar na escola? -- Falou enquanto sentava-se na cadeira de frente pra ele. Henry como de costume estava com seu livro aberto na mesa.

–- Saí mais cedo hoje -- Falou sorrindo.

–- Sei. E por que tá sozinho? Cadê sua guarda-costas? -- Falou irônica. Henry gargalhou.

–- Ela não podia ir me buscar hoje, disse que eu podia voltar sozinho.

Emma arqueou a sobrancelha e indagou:

–- Aposto que ela disse pra você ir direto pra casa -- lançou um sorriso cínico. Henry riu sem graça.

–- É... então... -- Emma riu.

–- Tudo bem garoto. Mas é melhor não deixar sua mãe preocupada. Ela pode ligar pra saber se você tá lá.

–- Mas eu queria ficar um pouco com você, Emma. A gente tem que conversar sobre a operação cobra -- diminuiu o tom da voz, olhando de rabo de olho para os lados -- Precisamos encontrar um jeito de quebrar a maldição e devolver os finais felizes.

Emma suspirou, mas sem deixar o garoto perceber que ela já estava exausta daquela história de contos de fadas.

–- Eu sei, Henry. Mas agora você tem que ir pra casa.-- Fez uma breve pausa -- Se sua mãe souber que está aqui comigo e não em casa, vai ser muito mais difícil de a gente resolver a operação cobra. -- usou esse artifício para que o garoto entendesse que precisava ir, embora ela quisesse muito ficar com ele.

–- Tá bem, Emma. Você tem razão. Vou indo -- levantou-se, deu a volta na mesa e deu um abraço de supetão em Emma. Ela correspondeu meio sem jeito.

–- Quer que eu te leve?

–- Não precisa. Vou sozinho. O único perigo em Storybrooke é a Rainha Má. -- Emma ficou quieta, sabia que ele estava falando de Regina. Henry pegou seu livro e se foi.

Poucos minutos depois Emma já estava almoçando. O sino da porta soava o tempo inteiro. Pessoas entrando e saindo. Estava com a cabeça baixa, olhando pra comida quando:

–- Uma lasanha e um suco de maçã, Ruby.

A voz altiva, imponente. Um arrepio subiu a espinha de Emma. Era ela.

Levantou a cabeça e avistou Regina já caminhando para se sentar numa mesa um pouco a frente da dela. Estava com um terninho cinza e uma blusa branca de seda. Estava... linda.

Regina estava retirando seu paletó, quando viu a loira sentada mais a frente. Seu semblante mudou de mau humor para espanto, foi o que Emma pode perceber.

Regina lançou um meio sorriso com os olhos semicerrados em sinal de desagrado. Emma apenas balançou a cabeça. "Que bom que o Henry já foi" pensou Emma. Do contrário, mais uma confusão estaria armada.

Ruby se aproximou da mesa da prefeita e depositou o prato com lasanha e o copo com suco. Emma observou Regina começar a saborear seu almoço. Era tão delicada em seus movimentos, tinha uma postura tão elegante, como se tivesse sido educada a vida inteira para ter uma perfeita etiqueta. A maneira como levava o garfo a boca, o movimento que sua boca fazia enquanto mastigava, era tudo tão bem feito, de uma elegância digna da realeza. Emma não percebeu naquele momento, mas olhava encantada para Regina. Ela parecia... uma rainha.

Emma desviou o olhar quando percebeu que Regina a olhou. Piscou várias vezes e desviou os olhos desconcertada. Voltou a olhar para sua comida e tentou se concentrar em outra coisa. Mas seu instinto falava mais alto que sua razão, não conseguia se segurar. E logo estava mirando a prefeita novamente.

***

Regina entrou tão distraída na lanchonete, como sempre sem perceber a presença de certos "plebeus". Ia sentar-se em seu lugar favorito no balcão, mas alguma coisa a fez mudar de ideia. Decidiu pegar uma mesa. Estava retirando seu paletó quando avistou a algumas mesas a sua frente a razão de seu tormento. "Maldita Emma Swan! Parece estar em todos os lugares". Pensou isso enquanto exibia um sorriso falso e uma expressão de desagrado. Logo Ruby trouxe seu almoço.

Enquanto comia a deliciosa lasanha da Vovó, sentia aquele estranho e desconhecido arrepio em sua nuca. Estava incomodada com a presença da senhorita Swan, mas novamente não por ela ser a salvadora ou por ser filha de quem era, mas simplesmente por que estava ali com aquelas madeixas loiras brilhantes, o olhar verde esmeralda e aquele irritante casaco velho. Já estava segurando a vários minutos a vontade de olhar para ela.

Não resistiu mais, levantou o olhar lentamente, e qual não foi sua surpresa quando encontrou os olhos de Emma em sua direção. As duas desviaram o olhar imediatamente. O coração de Regina acelerou no mesmo instante, sentiu a boca seca, e bebeu um grande gole de seu suco. "Por que ela tinha que ter aparecido nessa cidade? Desde que ela chegou tudo está mudando. Por quê? Por quê?!" Regina se perguntava. "Por que ela tem que ser tão petulante, tão cara de pau a ponto de ficar em Storybrooke, quando eu deixei bem claro que a queria longe? E mesmo depois de tudo que fiz não foi suficiente para amedrontá-la. Poucas pessoas tiveram a ousadia de me desafiar na vida. Por que ela tem que ser assim tão corajosa? Tão irritante, tão..." Nesse momento Regina a observa, discretamente, mais uma vez. Seu rosto perfeito, seus cabelos, as mãos que pareciam ser tão fortes e os olhos, é claro, hipnotizavam Regina. "Tão... tão linda!".

Assustou-se com esse pensamento e balançou a cabeça numa tentativa de afastá-lo. Voltou a comer, já nem prestava mais atenção no sabor da famosa lasanha. Sua mente estava ocupada produzindo outras sensações que não envolviam sabor de comida.

A troca de olhares continuou, mas sempre desviavam quando a outra olhava. Quem as observasse poderia dizer que estavam flertando. O tempo pareceu parar quando mais uma vez os olhares se encontraram, só que dessa vez, como se fossem imãs, não conseguiram se desgrudar. Com uma coragem inconsciente, sustentaram o olhar, um invadindo o outro. Aqueles verdes iluminando a escuridão dos olhos a sua frente. Um turbilhão de sensações estranhas e novas borbulhando dentro delas.

–- Que prazer, xerife Swan -- foram tiradas daquele momento por um certa voz. Era nada mais, nada menos que o homem mais misterioso da cidade.

Emma olhou e viu o homem parado ao lado de sua mesa.

–- Olá, Gold. -- Emma disse meio confusa. Ainda extasiada pelo momento anterior.

–- Então vejo que decidiu mesmo ficar em Storybrooke. -- Disse com seu sorriso que sempre parecia saber algo a mais.

–- Pois é, pelo menos por enquanto -- Tomou um gole de cerveja -- Mas quem sabe eu não decida ficar pra sempre -- involuntariamente olhou pelo canto do olho para Regina, que os observava de sua mesa.

–- Ótimo saber, Emma. Ter você aqui -- Deu um pequeno passo a frente apoiando-se em sua bengala -- muda tudo, querida. -- Sorriu mais uma vez misteriosamente. Emma sorriu amarelo, tentando entender o que ele quis dizer. -- Bom, tenha um ótimo dia... xerife Swan -- Virou-se e caminhou até o balcão, enquanto lançava um olhar para Regina.

Regina terminou seu almoço, levantou-se e caminhou em direção a mesa de Emma, que estava com a cabeça baixa olhando para a comida. A loira escutou o salto batendo no chão, o som se aproximando. Olhou na direção do som e contemplou as belas pernas morenas. Seu olhar traçou um caminho perigoso, desde os charmosos sapatos de grife, subindo pelas pernas, a saia um pouco acima do joelho colada no corpo, a cintura fina, o colo perfeito, a boca carnuda e avermelhada, até chegar aos olhos. Os olhos que lembravam chocolate.

–- Espero que só porque agora é xerife, não esteja pensando em ficar aqui pra sempre, senhorita Swan -- Emma foi tirada daquele momento de admiração pela voz de Regina.

–- Agora deu pra ouvir conversas dos outros, senhora prefeita? -- Emma não ficava por baixo. Se o jogo de Regina era provocar, então ela também sabia jogá-lo. -- O povo me elegeu xefire, tenho o direito de ficar o tempo que eu quiser.

Regina esboçou seu costumeiro sorrisinho no canto da boca. Aquele sorrisinho que diz: eu sou superior.

–- Aquela eleição foi uma fraude, senhorita Swan, sabe disso.

–- Pode até ser, mas os votos não foram. E eu venci -- sorriu pra ela.

–- Sim, venceu. Graças ao seu amigo Gold -- Falou com desprezo olhando por cima do ombro na direção dele, que estava no balcão. -- Já te disse uma vez, você não tem um grande amigo no Sr. Gold, mas ele pode ser um excelente inimigo -- Falou num tom ameaçador. Aquele sorriso não saia de sua boca, um sorrisinho debochado -- Aproveite sua estadia aqui, querida... enquanto ela durar. – Virou-se e saiu.

Enquanto ela caminhava até a porta, Emma aproveitou, inconscientemente, para olhar o corpo da prefeita. Aquela saia justa deixava suas pernas e quadris extremamente sexy. "Mas o que que é isso?" Emma se perguntou sorrindo confusa e passando as mãos nos cabelos.

Ela não tinha nenhum tipo de preconceito com mulheres que gostam de mulheres. Mas o que não entendia era que em toda sua vida, em todos os lugares que viveu, nunca havia sentido isso. E agora estaria sentindo pela mulher que simplesmente infernizou sua vida desde que chegara a Storybrooke? Não podia ser.

Regina voltou para seu gabinete divagando sobre o que acontecera minutos atrás. Aquela troca de olhares entre elas. Que coisa mais inusitada, estranha e sem cabimento. Quase se sentiu uma adolescente de novo naquele momento, flertando, o coração batendo forte. Lembrou-se de quando fazia isso com Daniel durante as aulas de montaria. Sorriu com esse pensamento longínquo. Depois que ele morreu, ela nunca mais havia feito isso com ninguém. Com Graham? Não, muito menos com ele. Nunca teve esse jogo de olhares. Ele simplesmente fazia o que ela queria. Era seu "animal de estimação", como ela mesma o havia chamado quando arrancou o coração dele na Floresta Encantada.

Espera aí! "Flertando"? "Jogo de olhares"? Isso era coisa da sua cabeça. Por que achar que Emma Swan estava flertando com ela? E por que achar que ela mesma estava fazendo isso com a loira?

Distraída em meio a esses pensamentos, a hora passou rápido.
Chegou em casa as 6 em ponto. Chamou por Henry. Não obteve resposta. Chamou mais alto enquanto subia as escadas. Nada de resposta mais uma vez. Entrou no quarto dele, acendeu as luzes, estava vazio. Desceu as escadas chamando por ele. Nada. É obvio que não estava em casa. O sangue correu mais rápido por suas veias. Raiva. Henry nunca a obedecia.

De volta a sala pegou o celular na bolsa e ligou pra ele. Chamou, chamou, chamou. Nada dele atender. Esperou um pouco, ligou de novo. Nada. Já estava furiosa, andando de um lado para o outro na sala, a mão apertando com força o celular. Já havia passado vários minutos e não conseguia falar com ele. Um pensamento lhe veio e a raiva aumentou. Trouxe o celular até a altura dos olhos e procurou um nome na agenda. Emma Swan. Chamou, alguns toques e ela atendeu.

***

Emma estava na delegacia quando seu celular tocou. Pegou desinteressada. Mas seu coração deu um pulo quando olhou o visor: Regina. Respirou fundo, colocou em prática seu melhor jeito seguro de si e atendeu.

–- Madame prefeita, a que devo a honra de sua ligação -- Disse debochada.

–- Você está com ele? -- A voz soou raivosa do outro lado da linha.

–- Vai ter que ser mais específica, prefeita. Ele quem?

Regina revirou os olhos, andando em sua sala.

–- Henry, Swan! Henry -- A voz irritada -- Você está com ele? Traga-o pra mim agora -- Disse autoritária.

–- Não estou com ele, Regina. O que houve?

Regina suspirou impaciente do outro lado da linha.

–- Eu disse pra ele ficar em casa. E quando chego aqui ele não está. E também não atende o celular. Se você estiver com ele e estiver mentindo, Swan, eu vou... -- Não conseguiu terminar a frase, Emma a interrompeu.

–- Já disse que não estou com ele! E por que você age como se ele tivesse desaparecido ou algo assim. Ele deve ter saído pra dar uma volta. Sabe como ele é.

–- Swan, você está louca?! Onde ele iria dar uma volta a essa hora? Já está de noite... escuro -- Nessa última frase Emma percebeu preocupação na voz de Regina. O que ela disse fazia algum sentido.

–- Eu vou procurá-lo. Se acalma. Se eu o encontrar antes de você, te ligo. E você faça o mesmo.

Desligaram. Emma pegou as chaves de seu fusca e saiu para procurá-lo. E Regina fez o mesmo.

Algum tempo depois Emma já havia rodado toda cidade e nem sinal do Henry. Já era quase 8 da noite, em meio a várias ligações desesperadas — e arrogantes — de Regina e a noite que avançava sem piedade, Emma começava a ficar realmente preocupada. Até mesmo à praia ela tinha ido procurar, mesmo sabendo que o castelo de madeira não existia mais. Mas não estava lá. Onde ele estaria? Será que estava bem?

Só havia um lugar onde ainda não tinha ido. E já vinha martelando ele em sua mente há alguns minutos. Mas não podia estar lá, era no meio da floresta. Mas não tinha jeito, melhor esperar que estivesse lá do que em lugar nenhum. Dirigiu até a floresta. Saiu do carro e caminhou até a ponte do pedágio. O coração quase na boca de preocupação. De longe avistou o garoto. Debruçado na mureta da velha ponte. "Ai, graças a Deus" Emma pensou apoiando seu braço direito numa árvore e soltando o ar pela boca, como se o tivesse segurado durante horas.

–- Henry!! -- Ela gritou. Ele virou a cabeça na direção dela, mas não esboçou nenhuma reação. Voltou a olhar para frente. Emma se aproximou dele.

–- Garoto, o que faz aqui? -- Perguntou confusa e exasperada -- A essa hora da noite!

–- Nada. Só pensando -- disse olhando para o lago embaixo e jogando uma pedrinha na água.

–- Você faz ideia do quanto me deixou preocupada? E sua mãe então nem se fala. Vem, vamos embora.

–- Eu não quero voltar pra lá. Não sou feliz naquela casa -- falou cabisbaixo. Emma fez uma expressão de como quem diz "ai, problemas". Apoiou-se na mureta da ponte ao lado dele, que jogou mais uma pedrinha no lago.

–- Não fala assim garoto. Você tem tudo. E sua mãe cuida bem de você.

–- Eu sei... mas será que ela me ama?

–- É claro que ela te ama, Henry. Você não imagina como ela está preocupada -- fez uma pausa e olhou em volta -- Por que você veio aqui?

–- Por que me lembra coisas boas -- Emma o olhou sem entender. Ele percebeu -- Foi aqui que a Mary Margaret acordou o David. Com um beijo de amor verdadeiro -- concluiu sorrindo. Emma também sorriu solidária.

Fez-se silêncio.

–- Bom, garoto. De qualquer forma você não devia estar aqui. É perigoso pra uma criança ficar aqui sozinho. Até pra um adulto é perigoso. Vamos embora. Sua mãe deve tá quase enfartando.

–- Eu já disse que o único perigo aqui é a Rainha, a minha mãe. Todos os outros são só pessoas amaldiçoadas por ela.

Emma suspirou.

–- Eu sei, Henry. Mas aqui em Storybrooke eles são pessoas comuns. Você viu o que fizeram na Lanchonete da Vovó. Tem que tomar cuidado... Agora vem, vamos embora.

Caminharam até o fusca. As mãos unidas. Emma sentindo o calor daquela mão pequena entre as suas. Uma sensação desconhecida. Tão boa.

Henry sentia-se tão seguro ao lado de Emma. Como se ela pudesse protegê-lo de qualquer perigo. Não era apenas sua mãe, era sua salvadora.

Chegaram ao fusca e ela pediu para o menino esperar dentro do carro. Tinha que avisar Regina e não queria que ele ouvisse a conversa.

–- Você encontrou meu filho?! -- A morena perguntou nervosa do outro lado da linha.

–- Calma. Eu encontrei ele. Tá tudo bem. Vou levar ele pra sua casa.

–- Onde ele estava? -- A voz mudou de nervoso para frieza. E raiva. Emma sentiu receio em dizer, mas era preciso.

–- Na ponte do pedágio -- fechou os olhos e encolheu-se um pouco, como quem já espera uma pancada.

–- O que?!!!! O que ele estava fazendo lá?!!!

–- Calma, Regina! Acho que ele queria sair um pouco, se distrair. Olha só, ele é um garoto muito solitário. E você obriga ele a ficar sozinho dentro de casa. Isso não faz bem pra ele.

–- E o que você sabe sobre ele?! O que sabe sobre filhos? -- Regina falou com desprezo. Uma fina corrente de dor atingiu o coração de Emma.

–- Na verdade não sei nada. Mas sei muito sobre ser solitária. -- Fez uma pausa -- Você deveria dar um desconto, Regina. Deixar o garoto respirar.

–- Pare de dizer besteiras e leve meu filho imediatamente pra minha casa. Estou voltando pra lá também. -- Desligou na cara da loira. Emma revirou os olhos.

Estacionou na frente da mansão. Quando estava na varanda, a porta se abriu. Regina já os tinha visto pela janela. Henry entrou. E Emna entrou atrás, sem ser convidada.

–- Oh, Henry! Meu Deus! Por que você fez isso de novo? Eu quase morri do coração! -- abraçou o menino, que estava quieto. Voltou a olhar pra ele, acariciando seu rosto com as duas mãos. Ao mesmo tempo em que chorava e sorria de alívio. Emma olhando aquela cena teve certeza, é claro que Regina o amava.

A morena olhou para Emma, que sorriu solidária para ela. Voltou a olhar o menino. Fechou a cara e disse:

–- Você está de castigo por tempo indeterminado. -- Disse autoritária.

Emma colocou as mãos na cintura e abaixou a cabeça balançando negativamente.

–- Mas mãe...

–- Sem mas, Henry. Você desobedeceu uma ordem minha. E isso não se faz. Agora vá pro seu quarto e só saia quando eu mandar.

Emma estava incrédula. Mas será possível? Regina não tinha ouvido nada do que ela falou no telefone? Claro que Henry tinha que ser disciplinado. Mas assim ela só o afastava ainda mais dela. Esse era um momento pra conversar, compreender. E depois pensar no que fazer.

O garoto subiu as escadas correndo. Quando ouviu o som alto da porta batendo, Emma pensou em argumentar com Regina, mas...

–- Obrigada

–- Oi? -- Emma perguntou como se não tivesse entendido o que ela pronunciou.

–- Obrigada... por encontrá-lo. Por trazê-lo de volta pra mim -- Regina Mills estava agradecendo a ela? Difícil de acreditar. Emma tinha um sorriso tímido no rosto. Não pôde deixar de se encantar com essa atitude da morena.

–- Embora tudo isso seja culpa sua.

–- O que?!! -- Tá de brincadeira. Emma quase riu. Regina era bipolar. Só pode.

–- Tudo isso é culpa sua, senhorita Swan. Antes de você chegar na vida dele, antes dele te procurar naquele maldito site, nós vivíamos bem -- falou amargurada.

–- Viviam mesmo, Regina? Não foi o que me pareceu quando cheguei aqui. Não foi o que ouvi das pessoas.

–- Não me importam as fofocas dos outros -- disse irritada -- Emma, ele é meu filho!

Emma sentiu um frio na barriga ao ouvir seu primeiro nome sendo pronunciado por aquela boca vermelha. As sensações estranhas estavam voltando. Melhor ir embora.

–- Eu sei, Regina. Ele é seu filho. Meu trabalho... de xerife... já terminou por hoje. -- Sentiu vontade de dizer "de mãe" em vez de "de xerife".

Antes de fechar a porta olhou novamente pra Regina e disse:

–- Você já parou pra pensar porque ele gosta de ficar perto de mim? -- A morena a olhou intrigada. -- Talvez seja porque ele vê em mim uma amiga. E não uma carrasca. --
Bateu a porta e foi embora. Deixando ali uma Regina dolorida por aquelas palavras e pela indiferença de Henry.

***

No dia seguinte pela manhã, após deixar Henry na escola, Regina entra furiosa na loja de Gold. Abriu a porta com força e bateu da mesma forma.

–- Por favor, não quebre o sino da minha porta – Disse o homem com um ar calmo.

–- Foi você, não é?! – Falou em tom de raiva – Você planejou isso! Desde o começo!

–- Não sei do que está falando.

–- É claro que sabe! Emma Swan! Você queria que ela viesse pra cá. Quando procurou o Henry pra mim você tinha tudo em mente! Sabia de quem ele era filho!

–- O que supostamente eu planejei, prefeita? – Disse enquanto mexia em um de seus artefatos antigos, observando, limpando. Sem dar muita importância para Regina.

–- Pare de se fazer de idiota, Gold!! Você queria que ela estivesse aqui! Mas pra que? Para quebrar a maldição? – Fez uma pausa -- E agora ela está aqui mudando tudo! Andando por aí pra cima e pra baixo como se fosse a dona da cidade, mexendo com a cabeça do meu filho, querendo roubá-lo de mim! Enfraquecendo minha maldição! Atormentando meus pensamentos, dia e noite, meus sonhos!!! – Suspirou com raiva, por um segundo perdeu o controle, nessa última frase já não falava mais de Henry ou da maldição, e sim de seus pensamentos confusos sobre Emma. Arrependeu-se no mesmo segundo em que disse isso.

–- É melhor se acalmar, querida. Acho que está se deixando levar pelas emoções – Fez uma pausa, continuava sorrindo misteriosamente – Será que até nisso Emma Swan está tocando? Nos seus... sentimentos.

Regina respirou fundo. Seu autocontrole voltando ao normal. Sorriu aquele seu sorrisinho cínico e se aproximou de Gold.

–- Quando você criou a maldição, disse que iríamos para uma terra sem magia. Por que, Gold? O que você tinha, ou melhor, o que você tem em mente?

Ele sorriu abertamente para ela.

–- Eu não vou te dizer.

–- Não se engane. – Continuava sorrindo cinicamente -- Lancei essa maldição para nunca ser quebrada. E assim vai continuar. Não sei quais são seus planos, mas não vou permitir que as coisas mudem por aqui. Você estará preso na minha maldição para sempre, Rumpelstiltskin – Pronunciou o nome com desprezo.

–- Boa sorte com isso, Majestade – Enfatizou o tratamento.

Ela já estava abrindo a porta quando ele falou isso, não se virou para ele. Apenas ouviu e saiu.

***

Emma chegou à delegacia atrasada. Caminhava rápido pelo corredor. E quase caiu pra trás quando entrou em sua sala e avistou Regina sentada em sua mesa. As pernas cruzadas, a saia curta deixava suas coxas à mostra, os braços apoiados na mesa, o decote sugestivo de sua blusa, como sempre coberta por um terninho. Seu coração acelerou. E não foi só pelo susto. Seus olhos imediatamente, involuntariamente, se depositaram nas coxas da bela morena. Emma sentiu sua boca salivar com aquela visão. Rapidamente voltou o olhar para o rosto de Regina, que estava lá com aquele sorrisinho que tanto irritava Emma. Tanto irritava quanto encantava.

–- O que... O que faz aqui?? A essa hora da manhã– Perguntou desconcertada.

–- Parabéns, senhorita Swan. Você está conseguindo.

–- Do que está falando? Conseguindo o que?

–- Tirar meu filho de mim. – Disse levantando-se da mesa -- Essa atitude de – Ela fez uma pausa como se estivesse procurando a palavra certa – delinquente, que ele está tendo ultimamente, ele só pode ter puxado de você.

O sangue de Emma ferveu. Fechou o punho com força para segurar a vontade que sentiu de acertar a cara da prefeita.

–- Não vou permitir que venha aqui no meu trabalho pra me insultar, Regina!!

–- E eu não vou permitir que influencie meu filho contra mim – Emma a olhou interrogativa – Acha que não sei que você o apóia nessa história louca de contos de fadas?

–- Eu não o apóio, Regina. Só acho que não é certo destruir a imaginação dele. O próprio Dr. Hooper me falou isso. Deve existir outro jeito de ele parar de acreditar nisso.

–- É a ultima vez que vou dizer isso, Swan – Aproximou-se de Emma – Afaste-se do meu filho.

–- Ou o que, Regina?! – Agora a loira se aproximava mais de Regina – Vai me mandar pra cadeia? Vai armar pra mim de novo? Henry já sabe tudo o que você fez, fazer algo contra mim só iria te prejudicar mais. Então o que vai fazer, madame prefeita?

Nesse momento sem que pudesse perceber Emma havia se aproximado ainda mais de Regina. Estavam tão próximas que já quase não havia espaço entre elas. Podiam sentir o calor da respiração uma da outra. Respirações essas que estavam alteradas pela raiva.

Mas aquela proximidade estava trazendo a tona outras emoções. Aquelas que eram tão estranhas para as duas. Emoções incompreensíveis. Os olhos estavam grudados. Pareciam pegar fogo. Regina pode sentir o cheiro de Emma. Era um cheiro que se pudesse ser traduzido em uma palavra, seria: Força. Sem que pudesse controlar, seu olhar pousou nos lábios rosados da loira. Sentiu seu coração queimar no peito.

Emma também estava desnorteada com aquela proximidade. Sentia um arrepio e o coração quase saindo pela boca. Já não era mais raiva. Era aquela sensação que a invadia quando sentia o perfume de Regina. Parecia que seus rostos estavam se aproximando mais.

Recuperando seu fôlego e o pouco de bom senso que lhe restava naquele momento, Regina disse:

–- Não me desafie, senhorita Swan. Para ter meu filho comigo eu sou capaz de tudo – A voz saiu baixa, como se estivesse se esforçando para falar. Afastou-se e foi embora.

Quando ela saiu Emma respirou fundo, recostou-se na mesa. Passou a mão na testa, pequenas gotículas de suor haviam se formado. Estava nervosa, as pernas bambas. Não sabia nem o que pensar. Não sabia se estava com raiva pelas coisas que Regina disse ou nervosa pela proximidade de segundos atrás. Ou se era tudo junto. Mas sabia de uma coisa, a presença de Regina mexia com ela. Mexia com Emma de todas as formas.

Notas finais
E aí, pessoal? O que acharam? Esse eye-sex nessa proximidade delas no final merece comentários? rsrs Me deixem saber o que acharam!!! Please :)