Era Uma Vez o Amor
16 Capítulo 16
Notas iniciais
O barulho irritante e insistente do despertador acordou Regina. Ela jogou a mão para o lado no intuito de apertar o botão e calar o aparelho. Logo que conseguiu, respirou fundo ainda de olhos fechados, se espreguiçou e começou a abrir os olhos lentamente, se adaptando a claridade da manhã. Quando se mexeu mais um pouco sentiu algo duro machucar suas costas. Enfiou a mão pra ver o que era. E era seu celular. Havia dormido praticamente em cima dele.
O sorriso bobo logo despontou de seus lábios quando se lembrou o porque do celular estar ali. As mensagens que trocou com Emma antes de dormir.
Nem se lembrava de como havia dormido. Pelo visto tinha pegado no sono rapidamente, já que o celular estava jogado na cama, assim como o livro que ela lia antes de começar a falar com Emma. Riu observando aquilo.
Se ajeitou um pouco na cama e trouxe o aparelho na altura de seus olhos. E no impulso de sentir todas aquelas coisas boas que Emma lhe causava, abriu a caixa de mensagens e começou a lê-las.
Sorria, dava pequenas gargalhadas em certos momentos, sentia o coração acelerar em outros.
Depois de ler todas mensagens e reler algumas outras,finalmente resolveu se levantar. Ficar ali pensando e suspirando por ela era bom,mas o trabalho a chamava.
Levantou, fez sua higiene matinal e então foi acordar Henry. Logo em seguida se arrumou e desceu para preparar o café da manhã.
Estava na bancada da cozinha, com uma xícara de café em uma mão e o celular na outra. Novamente com um sorriso bobo relendo aquelas mensagens. Não poderia explicar a felicidade que aquilo lhe causava, só sabia que estava contente. Reler aquelas mensagens fazia seu coração ficar aquecido, e isso era bom.
– Bom dia, mãe. — Disse entrando na cozinha.
– Bom dia, meu príncipe. — Ela respondeu com entusiasmo, levantando-se para ir até ele e em seguida depositar um beijo carinhoso e estalado na bochecha dele.
– Que foi? — Ele perguntou rindo quando ela se afastou.
– Que foi o que?
– Não sei. Você tá diferente.
– Diferente bom ou diferente ruim? — Ela brincou sorrindo novamente.
– Diferente bom. O que houve?
Ela sorriu abertamente.
– Nada, querido. Eu só estou... feliz.
Nem se lembrava da ultima vez que sentiu isso de verdade. Felicidade de verdade. Mas agora estava sentindo. Estava feliz.
– Agora vamos tomar café, não quero que chegue atrasado na escola de novo. — Ela disse fazendo cócegas nele, arrancando gargalhadas do menino.
Tomaram café entre pequenas conversas e risos. Aquilo fazia tão bem a Regina. Seu coração tão machucado pela vida, parecia se refazer aos poucos.
Quis levar seu filho na escola, mas ele insistiu pra ir de ônibus. Gostava de fazer esse papel de mãe atenciosa que leva e busca o filho na escola, mas sabia o quanto ele gostava de ir sozinho, e por mais que ela não gostasse disso, às vezes fazia a vontade dele.
Viu seu filho subir ao ônibus escolar e se despedir com um tchau. Retribuiu o aceno sentindo seu coração pulsar de felicidade. Amava Henry mais do que tudo.
Assim que o ônibus se foi, pegou sua Mercedes na garagem e se dirigiu para a Prefeitura.
Já na delegacia, Emma estava com o celular na mão. Não conseguia parar de ler aquelas mensagens. Dava risadas enquanto seu coração se apaixonava mais.
Levou um susto quando o telefone da delegacia tocou. Atendeu e era uma senhora reclamando que algumas pessoas pareciam estar rondando sua casa. Um possível assalto. Mas àquela hora da manhã? E em Storybrooke. Parecia impossível. Bom, de qualquer forma precisava checar. A senhora podia estar em perigo.
Foi imediatamente para lá e quando chegou não era nada. Apenas alguns garotos brincando por ali. A velha parecia ser daquelas bem ranzinzas que odeiam barulhos, crianças e qualquer tipo de diversão. Depois de falar com ela, foi embora.
Na volta passou em frente a Prefeitura e seu coração disparou. Que saudade que estava da Prefeita. Sua vontade foi de estacionar a viatura, entrar lá e tomar Regina em beijos.
Ou simplesmente chegar e dar um oi. Sorriu pensando que assim seria mais civilizado. Mas passou direto. Ia parecer muito desesperada se fosse lá àquela hora da manhã. Planejava dar uma escapada pra ver a morena, mas achou melhor deixar para quando fosse almoçar. Assim poderia dar a desculpa de que já estava na rua mesmo. E também não seria assim, tão cedo.
Mas infelizmente Emma teve um dia mais agitado do que esperava. Na hora do almoço só teve tempo mesmo para o que o nome propõe: almoçar. Teve que atender uma outra ocorrência e depois precisou voltar a delegacia. Mas não importava, tinha adiado um pouco, mas quando o expediente acabasse iria ver a morena linda que estava roubando seu coração. Nem que tivesse que ir a casa dela com qualquer desculpa esfarrapada. Sorriu ao pensar nisso.
*****
Passava das quatro da tarde e Regina percebeu que havia deixado em casa um documento do qual iria precisar. Então voltou a mansão para pegá-lo.
Assim que entrou ouviu uma voz vinda do andar de cima. Claro, Henry já tinha chegado da escola. Mas havia uns ruídos estranhos, como se ele estivesse falando com alguém. Chamou por ele, mas ele não respondeu. Então decidiu se aproximar devagar, poderia estar acontecendo algo. Será que alguém estava lá fazendo mal a ele.
Subiu as escadas e se aproximou do quarto de seu filho, a porta estava entreaberta. Seu coração aflito, com medo de estar havendo algo. Mas então ouviu ele dizer.
– Emma, acho que tudo tá dando certo. Hoje minha mãe tava diferente. Parecia que tava de bom humor. Ela ate disse que tava feliz. — A voz dele parecia entusiasmada.
"Emma?"
Emma estava lá com ele?
Foi quando ouviu aqueles ruídos e então o que parecia ser a voz dela respondendo.
– Sério? Ela disse que tava feliz?
– Disse. Acho que ela tá mudando mesmo.
Regina franziu o cenho. Aquele ruído parecia ser de algum tipo de rádio. Quis entrar, mas percebendo que estavam falando dela, resolveu permanecer ali e escutar.
– Muito bom saber que sua mãe tá feliz, garoto. Isso deve ser sinal de que coisas boas estão acontecendo.
– Uhum. — Ele murmurou — E isso é o que você tinha planejado pra Operação Cobra, Emma. Que minha mãe mudasse. Tá dando certo. Acho que agora as coisas tão mudando mesmo.
"Planejado?"
"Operação Cobra?” O que era isso? Do que eles estavam falando?
– É, acho que sim, garoto. — Ouviu de novo a voz dela.
– Acho que a gente tá muito perto agora de quebrar a maldição. — O menino falou animado.
Aquilo foi um baque. Sentiu como se algo tivesse apertado seu coração.
Regina quase caiu sentindo suas pernas bambearem ao ouvir aquilo. Seus olhos arregalaram. A boca ficou seca imediatamente. Sentia palpitações.
Emma ainda apoiava Henry nisso? Ouviu ele dizer que foi planejado. Será que... foi tudo um plano? Pra que ela desviasse seus pensamentos da maldição e então eles pudessem arrumar jeito de quebrá-la? Então Emma acreditava Henry, acreditava na maldição? Então foi tudo armação pra que Regina mudasse e ela tivesse tempo de quebrar a maldição e...
"Não! Não! Isso é loucura!” Regina pensou de imediato. "Emma é racional demais pra acreditar nisso!"
Lembrou-se então do que o Dr. sempre fala. Pra não destruir a imaginação dele. E sabia que Emma concordava com isso.
"Claro, é isso. Emma nunca acreditaria. Só deve estar falando isso pra que ele não fique chateado. Mas de qualquer forma eles vem conversando escondido assim. Falando de mim, planejando mudanças."
Pensava com seu coração um tanto magoado.
– Henry — Regina voltou a prestar atenção quando ouviu a voz de Emma. — Eu sei que isso é importante, mas para um pouco de pensar em maldição, e pensa mais na sua mãe. Na felicidade dela.
Apesar de tudo, Regina não pôde conter um leve sorriso com as palavras que ouviu dela. Emma se importava com sua felicidade.
Mas logo o sorriso se desfez, estava abalada por aquela conversa que acabara de ouvir.
– Eu sei.
– Bom, garoto, agora eu preciso voltar a trabalhar. A gente se fala depois.
– Tá bom. Tchau Emma.
Ela se despediu também e foi nesse exato momento que Regina decidiu adentrar o quarto. Empurrando a porta com certa agressividade, fazendo o menino se assustar e olhar pra ela.
– Henry, posso saber o que está acontecendo aqui?!
– M-Mãe? — Ele arregalou os olhos. Ficou em silêncio com os lábios entreabertos de surpresa.
– Eu te fiz uma pergunta Henry.
– Você chegou cedo. — Ele disse tentando desconversar.
– Responde! — Seu tom foi mais alto. — Que conversa é essa que você tava tendo com Srta. Swan?!
– Tava escutando atrás da porta? – Perguntou tentando mudar o foco do assunto.
– Essa é minha casa e eu fico parada onde eu quiser!! Agora responde o que te perguntei!
Ele engoliu em seco. Como poderia imaginar que sua mãe ia chegar aquela hora e que ia ouvir o que ele e Emma falaram.
– Não era nada demais. — Desviou seu olhar para o livro de contos que estava aberto em sua frente.
– Nada demais?! Vocês estavam falando de mim. Sobre eu mudar. E de uma coisa chamada... Operação Cobra.
O menino sentiu o ar faltar por um momento. Teve medo do que ela poderia fazer. Apertou com força o walkie talkie que ainda estava em sua mão.
– O que é isso na sua mão?
– Nada. — Trouxe o objeto para junto do corpo e tentou cobrir com as duas mãos.
Ela se enfureceu, andou rápido até ele fazendo os saltos baterem com força no chão. Se aproximou e puxou agressivamente o objeto da mão dele.
– Então é com isso que vocês conversam escondido?
– Mãe, me devolve. É meu! — Ele pediu agoniado.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar. E sentou- se na cama de frente pra ele.
– Henry, porque você insiste em me ver como uma pessoa ruim? Isso me magoa.
– Não vejo você como uma pessoa ruim. — Respondeu naturalmente.
– Ah não? — Ela debochou. — Se você vive dizendo pra Deus e o mundo que eu sou uma Rainha Má que destruiu a felicidade de um reino inteiro. E agora escuto você falando com a Emma sobre eu mudar e sei lá o que!! — Retrucou com indignação.
Ele respondeu nada, apenas continuou a olhar pra baixo.
– Agora me diz o que é essa coisa de operação cobra. — Ele permaneceu calado. — Anda, Henry! — Ele tremelicou com o tom dela.
– É... é uma coisa que eu inventei... — Olhou pra ela de relance, engolindo a saliva. — Como espiões... pra descobrir um jeito de quebrar a maldição.
Que droga! Ela não deveria descobrir sobre isso. Mas como ia mentir se ela já tinha ouvido tudo?
Ela fechou completamente o semblante. Seus lábios se comprimiram em raiva. Sentia seu corpo ficando quente.
– Isso é inacreditável! Você insiste em passar sua vida acreditando nessa coisa de maldição que você inventou!! — Esbravejou.
– Eu não inventei! — Se irritou. — É verdade, e você sabe que é! — Gritou.
– Não fala comigo nesse tom, Henry! Eu sou sua mãe!
Ele abaixou a cabeça. Regina respirou fundo mais a vez. Fechou os olhos e deixou o ar sair com força.
– Poxa, nós estávamos tão bem hoje de manhã. — Ela tentou soar calma.
Ele continuou quieto com a cabeça baixa.
– Por que sempre temos que acabar brigando? — Ela continuou, em um tom mais triste agora.
– Porque você vive mentindo pra mim! Você sabe que a maldição é de verdade fica dizendo que não. Faz eu parecer um maluco!
Ela o olhou perplexa. Sentiu-se mal pelo que ele disse. Ele estava certo. Ela mentia. Mas não podia dizer a verdade. Por mais que ele se irritasse, ele era uma criança, um dia ele poderia ver que foi apenas imaginação. Mas se descobrisse a verdade, iria odiá-la de verdade. Isso era o que Regina acreditava.
– Henry, isso... — Ela segurou a capa do livro e o fechou com força na frente dele. — não existe! Você já tá bem grandinho pra continuar acreditando em Papai Noel, coelhinhos da páscoa e em maldições. Isso não existe, Henry! — Ela se alterou. — Você é o único que acredita nisso. E se você se sente... maluco... como disse, é por que você insiste em dizer pra todo mundo coisas sem sentido.
– Para! — Ele gritou. — Você sabe que tudo que eu digo é verdade! Para de mentir.
– Chega, Henry!! Isso é loucura! Já tá na hora de você parar com essa besteira. E tenho certeza que a Emma só concorda com você porque o Dr. Hopper sempre diz pra não destruir a sua imaginação. Mas isso já tá indo longe demais!!
– Não é verdade! Ela acredita! E não é só ela, o August também acredita em mim! — Ele se arrependeu no exato momento em que disse isso. Não devia ter mencionado ele.
– O que? — Perguntou ela com a voz baixa, nitidamente atordoada.
– Deixa pra lá.
– O que aquele estranho tem a ver com isso?! Responde logo, Henry!!
Não ia adiantar fugir do assunto agora. Ela iria perguntar até ele falar mesmo. Então ela melhor responder logo.
– Ele... Ele também acredita na maldição.
Ela ouviu aquilo com os olhos arregalados e uma expressão de incredulidade.
– E o que mais ele disse?!
– Ele disse que o meu livro é real.
Seu coração pareceu ficar pequeno dentro do peito. Será mesmo que aquele homem acreditava? Será que era por isso que ele estava ma cidade? Quem era ele afinal?
– Era só o que faltava! O que é isso agora?! Um complô?!! — Levantou raivosa da cama.
– Poxa, mãe, por que você não para de mentir e assume que eu tô falando a verdade? — Ele disse olhando diretamente nos olhos dela. Ele não foi rude, estava irritado sim, mas havia um certo tom de carinho naquelas palavras.
Mas Regina estava tão furiosa que nem sequer percebeu.
– Chega!! Isso vai acabar agora! — Se aproximou da cama e pegou o livro. — Vou me livrar dessa coisa!!! — E andou para sair do quarto.
– Não!! — Mas Henry foi mais rápido, saiu da cama pelo outro lado e tomou o livro da mão dela, saindo em disparada do quarto.
– Henry, volta aqui!
Mas ele já descia correndo as escadas.
– Henry! — Chamou de novo quando saiu do quarto.
Ele passou pela porta do hall, batendo-a com força.
– Henryyy!!! — Gritou batendo as duas mãos no corrimão da escada, observando-o sair pela porta e sentindo suas entranhas inflamarem em ódio.
O menino pegou a bicicleta que estava jogada no jardim e pedalou com todas as suas forças equilibrando o livro em uma das mãos, sabendo muito bem para onde estava indo.
Regina terminou de descer as escadas e chegou ao jardim a tempo de ver seu sumir no final da rua em cima da bicicleta. Correu até o carro e dirigiu atrás dele. Sua vontade era de colocá-lo a força dentro de carro se fosse preciso. Mas queria saber para onde ele estava indo. Então decidiu segui-lo de longe.
Logo ele chegou ao destino. Largou a bicicleta caída na calçada e entrou correndo na delegacia com o livro em mãos.
A raiva de Regina aumentou ainda mais quando viu onde ele entrou. Ele estava indo falar com Emma, isso a deixava furiosa. Acelerou o carro e estacionou ali. Adentrou o corredor da delegacia com extrema raiva, pisando forte, mais um pouco e seus saltos poderiam furar o chão. Os punhos cerrados. O que sentia era ódio, raiva, mágoa, tristeza, frustração.
Dentro do gabinete, o menino apareceu gritando.
– Emma!! — Entrou correndo.
– Henry?! — Assustada ela imediatamente levantou e foi ma direção dele. — O que aconteceu?!!
– Minha mãe... — Ele respirava com dificuldade, tentando recuperar o fôlego. — Ela quer... ela quer destruir meu livro!
– O que?! Porque? — Perguntou sem entender nada. — Garoto, o que tá acontecendo?
Nesse exato momento a Prefeita entra na sala. Fazendo Henry se virar pra ela assustado quando escutou o barulho dos sapatos.
Emma a olhou. Ela estava com cara de poucos amigos. A loira estava completamente perdida.
– Vamos pra casa agora! — Ordenou olhando pra ele.
– Não! — Ele gritou. — Não vou enquanto você quiser destruir meu livro! — Abraçou o livro contra o corpo e se aproximou mais da mãe biológica.
– Henry, não me faça... — Ela falou entre dentes, com uma expressão furiosa, se aproximando de onde eles estavam.
Mas foi impedida por Emma, que se pôs a frente.
– Regina, calma. O que tá havendo?
– Não se meta, Swan! — Regina esbravejou, fazendo Emma se assustar com o tom dela.
– Emma, não deixa ela fazer isso. — Pediu aflito.
– Ok, será que alguém pode me explicar o que tá acontecendo aqui?
O menino tinha uma expressão assustada, os olhos aflitos, segurando com força seu livro.
– O que está acontecendo? — Regina riu debochada lembrando da conversa que ouviu entre eles. — O que está acontecendo, Srta. Swan, é que meu filho não se cansa de gritar aos quatro ventos que eu sou a vilã do mundo, que eu sou uma rainha má que destruiu a felicidade de sei lá quem!! Eu tô cansada disso!!
Emma a ouviu com a expressão séria. E então se virou para o menino.
– O que você fez, garoto?
Henry a olhou boquiaberto.
– Eu não fiz nada! Ela que quer destruir o meu livro! Como eu vou achar pistas da maldição se ela fizer isso?
Regina revirou os olhos. Já Emma fechou os seus por um momento suspirando.
– Henry, para com isso. Tá magoando sua mãe.
A morena a olhou por um momento.
–Mas, Emma...
– Olha — Ela o cortou. — Vou te contar uma coisa que acho que você já deveria saber. — Ela se aproximou dele e apoiou a mão em seus ombros. Resolveu contar aquilo porque achava que naquele momento Henry precisava enxergar que Regina era uma pessoa comum, com erros e qualidades.
Regina a olhou com o cenho franzido sem entender o que ela ia falar pra ele.
– Lembra daqueles irmãos que ajudamos a encontrar o pai?
– Emma, não! — Regina interpôs assim que a ouviu falar. Realmente não queria que ele soubesse daquilo. Não queria ele achasse que ela tinha feito apenas por crédito.
– Regina, ele precisa saber.
Regina se calou e cruzou os braços olhando pra baixo.
– O que tem eles? — Perguntou confuso.
– Então... O Nicholas ficou doente há uns dois meses. Ele tá internado com pneumonia. — Henry arregalou os olhos. — O pai dele não tinha dinheiro pro tratamento. E, além disso, ainda tinha que pagar o aluguel da casa e da oficina. Mas ele não tava dando conta de tudo porque todo dinheiro que sobrava era só pra comer e comprar os remédios do garoto. Então o Gold decidiu expulsar ele e a filha da casa...
– Que? E onde eles tão? — Interrompeu aflito.
– Calma. — Ela sorriu levemente. — É isso que quero te contar. Ele ia ter que sair da casa, e não teria mais como pagar o tratamento do filho porque teria que mudar os remédios e esses eram mais caros. Mas aí... — Ela deu uma olhada para a mulher, sentindo seu coração apaixonado. — A sua mãe assumiu toda a dívida dele. Pagou o que ele devia ao Gold e vai pagar o tratamento do garoto até ele ficar bom. — Sorriu para ele no final.
Ele parecia incrédulo. Seu coração que já estava disparado, acelerou ainda mais. Será que sua mãe teria mesmo um gesto bonito desses?
Olhou pra ela, que o observava, mas ela desviou quando seus olhos se encontraram.
– Isso é verdade mesmo? — Perguntou ele num fio de voz.
Regina se entristeceu, ele ainda duvidava dela mesmo depois de Emma ter falado.
– Ela já não disse? Por que ela mentiria? — Retrucou ríspida.
Emma ergueu o tronco e disse:
– Viu só? Ela não é tão má assim? — Disse brincando e então sorriu em direção a Regina.
– Bom, garoto, ainda não sei muito bem o que aconteceu, mas acho que você deve um pedido de desculpas a sua mãe. Ela não é má. Pode até ser rígida às vezes, mas ela só quer o melhor pra você.
A morena não pôde deixar de sentir seu coração disparar com as palavras dela, mas permaneceu emburrada, estava com raiva.
– Mãe... desculpa — Ele disse sem olhar pra ela. — Eu não queria te magoar.
– Você nunca quer, Henry. Mas magoa mesmo assim.
Ele abaixou a cabeça. Emma sentiu uma pontada de dor em seu peito com o tom dela.
Regina descruzou os braços e continuou.
– Não vou fazer nada com o seu livro, eu só estava nervosa. Por favor, espera no carro, preciso falar com a Xerife. — Ela parecia exausta. — E não pense em fugir de novo.
– Ele não vai fazer isso. — Emma falou séria na direção dele. — Anda, garoto, obedece sua mãe.
Ele se afastou, segurando o livro em baixo do braço e saiu andando rápido, deixando as duas sozinhas.
Emma a olhou de rabo de olho pensando no que falar. Ainda não tinha entendido o que tinha acontecido pra ocorrer aquela confusão toda.
– Regina, o que acont...?
– Ele disse que o maldito motoqueiro apóia ele nessa coisa de maldição. É verdade? — Nem se importou em interromper o que Emma ia falar.
A loira ficou confusa.
– Quem? O August?
– É. Esse aí mesmo. — Respondeu com uma raiva ainda maior por lembrar que mesmo por um segundo, Emma cogitou a possibilidade de beijá-lo. Aquilo lhe causava ciúmes. E agora ódio pelo que Henry disse.
– Não pode ser.
– Como não pode ser? Você não sabia disso? — Olhou diretamente naqueles olhos verdes agora.
– É claro que não! Deve haver algum engano.
– Henry me disse! Está chamando ele de mentiroso? — Perguntou raivosa.
– Não! Só tô dizendo que ele é uma criança. — Retrucou em tom irritado. — Na cabeça dele as coisas são diferentes da realidade. E o August... O August é um escritor, um aventureiro... Se bobear ele tá mais fora da realidade que o Henry. — Sorriu pra tentar aliviar a tensão. — Talvez ele só quis puxar assunto com ele, ver até onde a imaginação do garoto podia ir. Talvez pensou em usar isso em algum de seus livros.
Regina respirou fundo, sentia-se magoada.
– Cada dia que passa eu tenho mais certeza que todos dessa cidade querem colocar meu filho contra mim. — Falou um tanto triste. — Inclusive você.
Emma arregalou os olhos.
– Eu?! Por que tá dizendo isso?! — Estava incrédula.
– Estou dizendo isso por causa daquele maldito... rádio... ou sei lá o que, que você usa pra conversar escondido com o Henry. — Regina quase gritava de tanta raiva. — E essa... coisa de Operação Cobra. — Pronunciou as palavras em tom enojado.
A Xerife sentiu-se constrangida.
– Olha, Regina, isso...
– Você o incita nessa coisa! Será que não enxerga isso? — Gritou furiosa.
Emma respirou fundo absorvendo as palavras dela.
– Olhando por esse lado... acho que você tem razão. Me desculpa. — Foi sincera. — Mas é que o Archie sempre disse pra não destruir a imaginação dele, então eu...
– Eu sei o que o terapeuta do meu filho sempre diz, Srta. Swan. Você não precisa me lembrar. — Interrompeu ríspida.
Emma se calou. Dessa vez ela tinha uma parcela de culpa na situação. Pelo jeito que Regina falava, devia ter ouvido a conversa deles mais cedo e isso desencadeou aquela confusão toda.
– Você não quer que ele perca a imaginação de criança, mas sou eu que tenho que lidar com a falta de respeito dele. Por que ele me vê como uma vilã — Falou sentindo o coração apertar. Aquilo era verdade, de fato ela era uma vilã. — E você não sabe o quanto me machuca cada vez que meu próprio filho age assim comigo. — Seus olhos arderam. Queria chorar, mas segurou.
Emma viu a dor nos olhos dela. E por um instante sentiu-se um lixo por não ter tentado logo tirar aquelas ideias malucas da cabeça do menino.
– Eu sinto muito. — Foi só o que conseguiu dizer.
– Acho bom você parar de instigar essa imaginação do Henry, Swan. Se não quiser ficar longe dele pra sempre! — Cuspiu as palavras completamente revoltada.
Emma não retrucou, sabia que Regina estava nervosa.
– E diga ao seu amiguinho pra ficar longe do meu filho. Ou eu terei o prazer de expulsá-lo dessa cidade!!
Emma conseguia ver a raiva nas palavras dela, que tão logo falou isso e virou-se para sair.
– Ei — Chamou em tom manso, sendo rápida em segurá-la pela mão e fazendo-a se virar novamente.
Regina não conseguia encará-la com a raiva que estava.
– Tenta ficar calma. — Disse já perto dela, tocando seu rosto agora. — Eu vou falar com o Henry. Você tá certa. — Fez uma pausa pensando no que falar. — Vai ficar tudo bem. — Tentava passar calma em sua voz.
Se aproximando ainda mais, segurou o rosto dela com as duas mãos e depositou um selinho carinhoso em seus lábios.
Regina aceitou o beijo, que não durou mais do que dois segundos, mas nada disse quando ele terminou, apenas se afastou e saiu sem olhar pra trás.
Quando ela saiu, Emma soltou o ar com força, se sentindo um tanto culpada pelo que tinha acontecido. Foi doloroso ver Regina daquele jeito. Precisava ter uma conversa séria com Henry.
Do lado de fora Regina entrou no carro batendo a porta com força.
– Minha bicicleta. — Ele disse.
Regina revirou os olhos e bufou saindo do carro. Pegou a bicicleta do menino e colocou na mala.
Fizeram todo o caminho em silêncio. Henry estava arrependido pelo jeito que falou com ela. O que acontecia era que ficava nervoso toda vez que o assunto era aquele, toda vez que se lembrava quem sua mãe realmente era.
Já Regina estava envolta em seus pensamentos. O que Emma falou sobre August fazia sentido. Afinal quem em sã consciência acreditaria mesmo naquelas histórias?
Seu coração estava apertado, doía. Quando as coisas pareciam estar melhorando, tudo desmoronava de novo. Um nó havia se formado em sua garganta, estava segurando o choro com todas as suas forças.
Assim que entraram na mansão, Regina disse:
– Vá pro seu quarto, Henry. Está de castigo... E pense muito bem antes de falar comigo daquele jeito de novo. Eu sou sua mãe e você me deve respeito. Não vou mais tolerar essas mal criações. — Seu tom era sério, duro.
Ele engoliu em seco, sentindo-se minúsculo diante daquela situação. Não poderia contestar, sabia que estava errado e que tinha agido mal. Depois de tudo que ele Emma haviam combinado, a culpa era em parte sua pelo que tinha acontecido. Sua mãe realmente estava tentando mudar, ele não devia mesmo ter falado daquele jeito com ela. Mas as palavras pareciam ter desaparecido de sua boca, não conseguia pronunciar nada.
Dito isso ela se encaminhou para sair do hall e ele, cabisbaixo, foi para a escada.
Quando havia subido alguns degraus, ele chamou um tanto receoso. Sua voz saiu baixa.
– Mãe?
Ela parou no caminho e respirou fundo.
– Sim. — Respondeu de costas.
– Foi muito legal o que você fez por aquela família... Gostei muito que você ajudou eles.
Ela fechou os olhos e respirou fundo mais uma vez tentando se acalmar.
– Só fiz o que era certo. — Ainda sem olhar pra ele seguiu pelo corredor.
Henry foi para o quarto, enquanto ela se trancou no escritório. Ali sozinha, não precisava mais se segurar, e deixou que uma lagrima caísse, e depois outra e outra.
Sentou-se em sua cadeira e levou a cabeça até as mãos, apoiando os cotovelos na mesa. Estava desesperada, cansada. Casada daquele lugar, daquelas pessoas. E daquela maldição que no fundo não lhe trouxe alegrias. Nada foi como ela esperava. No fim das contas, Rumple tinha razão com o que disse no dia que ela lançou a maldição. Que aquilo iria deixar um buraco em seu coração. E foi verdade.
Mas de fato, indiretamente a maldição lhe trouxe algo bom. Maravilhoso. Henry. Ele era sua felicidade. E mesmo que não totalmente ele preencheu parte daquele buraco.
Embora ele agisse dessa forma rebelde, mesmo que a magoasse as vezes, ele foi o que lhe trouxe vontade de viver novamente, foi o que a tirou da apatia. Quando o segurou nos braços pela primeira vez, quando ele era apenas um bebê, sentiu a emoção de ser mãe.
Durante anos eles foram felizes, ele a amava, trazia presentes da escola, trabalhos de arte dedicados a ela. Os abraços dele eram os mais sinceros. Tudo começou a mudar drasticamente depois que ele ganhou aquele maldito livro das mãos da maldita da Branca de Neve. Mas não importava a rebeldia dele, ou melhor importava, mas ela era mãe e aguentar essas coisas faz parte desse cargo. Ele é apenas uma criança, mas quando crescer um pouco mais, quando o interesse for por outras coisas e não por contos de fadas, isso tudo vai passar, e ele vai voltar a enxergá-la como uma mãe que o ama. Era o que Regina pensava. Não poderia mais viver sem ele, sem aquele sorriso que ela tanto ama. Ele era tudo em sua vida e não podia perdê-lo.
Mas certamente continuar com ele não seria possível se a Salvadora quebrasse a maldição.
As lágrimas banhavam seu rosto sem piedade, fazendo seu coração se apertar de tal forma que a dor era física.
Se a maldição fosse quebrada ela estaria perdida. Com certeza todos iriam querer vingança. Os idiotas dos encantados junto com aqueles malditos sete anões com certeza iriam liderar todos da cidade, e iriam executar a rainha que os trouxe para aquele lugar. E Emma certamente se juntaria a eles. Afinal, por sua culpa, ela cresceu longe de sua família.
Temia por sua integridade física, mas o que mais lhe amedrontava era a possibilidade do ódio de seu filho. E de Emma.
Elas se odiaram no começo, mas agora parecia que tudo estava mudando.
"Emma"
Pensou e imediatamente mais e mais lágrimas caíram de seus olhos.
De um jeito ou de outro, Emma tirou Regina daquela vidinha mórbida em que estava. No começo foi o ódio lhe trazendo emoção, lhe trazendo vida. E agora, aquela paixão impulsionando seu coração.
Com ela... parecia estar completa. Quando a beijava parecia não haver mais aquele buraco em seu coração. Quando esteve nos braços dela naquela noite, fazendo amor, foi como se tivesse encontrado a paz. O vazio já não existia, sentiu-se plena, feliz.
Henry era sua felicidade. E agora Emma parecia fazer parte dessa felicidade. Lhe trazendo alegria, carinho, paixão. Ultimamente, quando Emma a olhava, Regina via ternura nos olhos dela. E aquilo deixava seu coração tão contente. Não suportaria ver ódio nos olhos dela novamente.
Não queria perder ela e Henry por causa do ódio da vingança.
Mas infelizmente ela não poderia ter os dois. Era o que parecia. Não poderia ter Henry e Emma. Ela iria quebrar a maldição e então tudo estaria acabado. Iriam odiá-la e Emma ficaria com Henry. E então ela o perderia para sempre. É claro, isso se a deixassem viva.
Não podia deixar que aquilo acontecesse. Se a maldição fosse quebrada, Henry descobriria que tinha razão e que ela era mesmo uma Rainha Má que acabou com a felicidade de todos. E ele nunca... nunca a perdoaria.
Ou pelo menos isso era o que ela achava.
Seu choro agora se tornara compulsivo. Não conseguia conter as lágrimas que desciam com força por sua face. Soluçava. Seu peito doía.
Sentia-se perdida. Não conseguia achar uma solução. Quantas vezes desejou que Emma fosse embora da cidade. Essa parecia ser a solução mais plausível. Mas desejar isso agora fazia seu coração se afligir em dor. Estava apaixonada por ela. Como desejar que a pessoa por quem você está apaixonada vá para longe?
O que mais lhe angustiava era isso, não saber o que fazer. Precisava pensar em um jeito de impedir que a maldição se quebrasse. Mas o que?
Regina passou o resto do dia trancada em seu escritório. Remoendo sua dor, o choro cessava e logo voltava novamente. Não conseguiu voltar para a Prefeitura, não tinha mais cabeça para trabalhar depois da discussão com seu filho, e todos os pensamentos que isso acarretou.
Não conseguiu comer nada o dia inteiro, permaneceu ali, trancada, entre lágrimas e goles da sua sidra de maçã.
Pouco mais de 6 da noite, Emma resolveu encerrar o expediente. Se acontecesse alguma coisa, poderiam achá-la no celular. Precisava ver Regina, saber como ela estava depois daquilo tudo. Agora percebia o quanto a felicidade dela lhe importava. Porque quando ela estava bem, Emma se sentia bem também. Mas quando ela estava mal, Emma sentia seu coração se quebrar. Chegava a se assustar com isso. Durante toda sua vida não teve ninguém com quem se preocupar, exceto Neal. Mas ele a sacaneou e então ela se fechou para todos. E de repente agora se via se importando com a felicidade de duas pessoas. Henry e Regina. Fora Mary Margaret, que era sua amiga, outra coisa que ela não estava acostumada, amizade. Storybrooke realmente a tinha mudado.
Pegou seu fusca e dirigiu até a Prefeitura. Porém quando chegou encontrou as portas fechadas. Claro, Regina devia estar tão chateada que não voltou para o trabalho.
Pensou em ir até a mansão, mas conhecendo bem a Prefeita, se ela ainda estivesse irritada acabariam brigando feio. Era melhor esperar ela se acalmar e falar com ela no outro dia.
As horas se passaram e logo já era o horário de dormir. Emma já estava deitada, pensando em Regina, pensando em Henry. Sentindo-se desconfortável com aquela situação. Se não continuasse alimentando aquelas histórias da cabeça dele talvez essas brigas pudessem ser evitadas.
Deixou que o ar saísse na forma de um suspiro. Iria falar com ele no dia seguinte. Ainda não sabia como, mas iria tentar encontrar um jeito de ir fazê-lo desacreditar daqueles contos de fadas. Mesmo que isso o magoasse, era preciso. Já estava na hora dele enxergar a realidade.
E também precisava ter uma conversinha com August. Sentiu raiva de pensar nisso. Ele não tinha o direito de dizer, seja lá o que for que ele disse para o garoto, isso só complicou mais as coisas.
Fechou os olhos e a imagem da morena com os olhos marejados e aquela expressão de angústia lhe invadiu a mente. Respirou fundo, soltando o ar devagar. Seu coração estava apertado. Precisava ao menos saber como ela estava.
Pegou o celular e decidiu enviar uma mensagem.
(11:54) Oi. Tá melhor?
Sabia que ela não estava bem, mas não conseguiu pensar em outra coisa pra falar.
Relaxou a cabeça no travesseiro e ficou esperando a resposta dela, segurando o celular na mão, enquanto seus olhos se fixavam no teto escuro do quarto.
Os minutos se passaram e a reposta não veio. Já era 12:08 quando olhou a hora novamente. Resolveu não incomodar mais, ela deveria estar dormindo ou ainda irritada. Falaria com ela no dia seguinte. Guardou o aparelho e se ajeitou para dormir.
Na mansão, Regina estava sentada em sua cama, encarando o visor de seu celular, relendo aquela mensagem, que havia lido assim que ela chegou. Queria responder e ao mesmo tempo não queria. Não sabia o que falar, afinal não estava melhor. E além disso estava irritada, frustrada, chateada porque Emma ficava incentivando aquilo na cabeça de Henry.
Mas afinal, Emma não era culpada, só seguia o conselho do terapeuta. Isso apertava seu peito. Apesar de tudo, a loira sempre tentou ajudar a relação de Henry e Regina. Não podia culpá-la pelo que estava acontecendo.
Respirou com pesar, deixando uma lágrima quente escorrer por sua bochecha. Acordou tão feliz naquela manhã, e agora iria dormir sentindo-se completamente perdida.
*****
Assim que o dia amanheceu e Henry saiu no ônibus escolar, Regina pegou seu carro e seguiu um caminho diferente do da Prefeitura.
O café da manhã fora horrível, completamente diferente do dia anterior, não trocaram nenhuma palavra. O coração dela estava partido.
Parou a Mercedes em frente a loja de antiguidades. Depois de tanto pensar e repensar, procurar um meio de resolver a situação, viu que a única pessoa a quem podia recorrer era seu antigo mestre de magia.
Ela entrou sem cerimônias, abrindo a porta com força e fazendo o sino da porta soar alto.
O homem mais velho olhou para a porta quando ouviu o som e logo esboçou seu costumeiro sorrisinho quando viu quem era.
– Majestade. Que prazer. — Debochou enquanto voltava a olhar para uns papéis no balcão.
– Quero que me diga um jeito da maldição não ser quebrada!
Ele sorriu vendo o desespero no tom dela.
– Está se importando demais com isso, Majestade. Devia relaxar. Não faz bem para o coração.
– É claro que me importo. Já você,você se importa? Não. Se contenta em ficar aí fazendo... – Gesticulou olhando em volta. – Eu sei lá o que, enquanto meu trabalho árduo vai para o espaço.
– Não é só isso, é? – Perguntou enquanto saía detrás do balcão em que estava.
– Não sei do que você está falando. – Cruzou os braços, receosa do porque ele tinha falado como se soubesse de algo a mais.
– Vamos lá, faz bem desabafar.
– Desabafar o que?! Estou falando da maldição! – Retrucou arrogante. É claro, ele não sabia nada sobre ela e Emma.
Ele a olhou com aquele olhar de quando ainda era o Senhor das Trevas, tentando decifrá-la.
– Me diga — Se apoiou com as duas mãos na bengala? — O que essa maldição te trouxe de tão bom pra você ter tanto medo dela ser quebrada?
– Me trouxe o Henry! Isso é óbvio.
– Bom, até onde me lembro você lançou minha maldição das trevas porque queria destruir a felicidade da Branca de Neve e do Príncipe Encantado. Você queria mantê-los separados. Ainda quer isso?
– O que?! É claro que sim!
– Então talvez abdicar de Henry seja o preço para manter a maldição intacta. — Falou indo para trás do outro balcão.
– Como assim?
– Desistindo dele. Talvez permitindo que ele vá embora com a Srta. Swan. Acho que tendo o filho com ela, não seria tão difícil convencê-la a fazer isso.
– Ficou louco?!! Eu nunca ia permitir uma coisa dessas! Henry é meu filho! E ele vai ficar comigo!
– Bom, então conforme-se, querida. Enquanto Emma Swan estiver em Storybrooke, essa maldição tem cem por cento de chance de ser quebrada.
Ela se enfureceu com as palavras dele.
– Não se eu puder impedir. — Seu tom foi desafiante.
Ele riu.
– Ora, ora... Vai ter que ser muito criativa. Porque o meio mais fácil, não sei, acho que seria... matá-la.
O ar faltou para Regina ao ouvir aquilo.
– Mas sabemos as conseqüências em matar a Srta. Swan – ele continuou.
– A maldição será quebrada. – Os dois falaram juntos.
O coração dela pareceu ficar comprimido. Não poderia sequer cogitar essa possibilidade. Não mais.
– Eu não quero matá-la. – Falou num tom apreensivo.
O homem mais velho a olhou interrogativamente.
– Bem, eu não sou burra. – Desviou o olhar. — Porque iria querer que ela morresse se sei que a maldição iria se quebrar? – Tentou se corrigir.
Ele apenas sorriu.
– Quero fazer um novo acordo – Ela disse se aproximando mais do balcão em que ele estava. – Um em que eu possa me livrar... da ameaça da Emma, sem que a maldição seja quebrada.
– Infelizmente pra você, um acordo envolve duas partes interessadas, e eu... estou planejando uma viagem. E além do mais, mesmo que eu quisesse, não seria possível. Mágica... bom, está em falta por aqui.
Regina ardeu em ódio vendo a indiferença dele diante daquilo.
– Por que você quer tanto que essa maldição se quebre?
– Eu não quero falar disse com você. Mas eu vou lhe dar um pequeno conselho... Devia planejar uma viagem. Porque assim que as pessoas acordarem e se lembrarem quem é você e o que fez com elas. – Ele riu – Elas vão querer por sangue. – Terminou de falar desviando o olhar e girando um globo que estava sobre o balcão.
Enquanto Regina ficou muda com uma expressão de pavor e tristeza ao mesmo tempo. Ela já sabia daquilo. É claro que todos iriam querer matá-la quando lembrassem da verdade. Iria perder Henry, e provavelmente a vida.
Mas certamente Regina Mills não queria perder nenhum dos dois.
– Não vou deixar isso acontecer. – Sua voz saiu trêmula.
– Boa sorte. – Sorriu sem olhar pra ela.
Sem condições de dizer mais nada, Regina se retirou dali.
Alguns minutos depois já estava na Prefeitura e andava de um lado pro outro pensando no que fazer. Não podia perder Henry. Não podia deixar que a maldição fosse quebrada e então Emma e Henry a odiassem. Só de pensar naquilo seu peito explodia em dor.
Mas afinal, por que diabos ela tinha que ter se envolvido justamente com ela? Agora seu medo e sua aflição eram muito maiores.
Aquilo havia sido completamente errado. Nunca deveria ter se permitido criar sentimentos pela Salvadora. Agora sentia-se frágil, fraca.
Será que era assim que a Salvadora derrotaria a Rainha Má? Ganhando o coração dela? Será que era assim que a profecia se cumpriria? Fazendo a Rainha Má se apaixonar pela Salvadora, e então tornando-a fraca demais pra lutar contra ela?
Não. Não iria permitir que aquilo acontecesse. Não iria mais se deixar levar, não iria se enfraquecer. Precisava afastar Emma de si. Precisava afastar Emma de uma vez por todas.
Pensar nisso era como sentir seu coração ser esmagado.
Exausta de tanto pensar, recostou seu corpo na mesa, levou as duas mãos ao rosto, passando-as pelos cabelos logo seguida, permaneceu de olhos fechados enquanto respirava longamente.
Foi tirada de seus pensamentos quando ouviu duas batidas na porta e em seguida a pessoa entrou.
Era ela... Emma.
Regina a olhou de súbito, atordoada com a presença repentina dela ali. A loira tinha um sorriso tímido, contido, ainda assim lindo. Foi imediata a sensação de seu coração acelerando, mas ao mesmo tempo Regina sentiu um aperto no peito. Estava perdida diante dela, seus sentimentos conflitavam.
– Oi.
Emma disse e se aproximou, enfiando as mãos nos bolsos da calça. Queria que nada daquilo tivesse acontecido, porque depois dos beijos que deram no escritório e das mensagens que trocaram na outra noite, tudo parecia estar rumando para algo bom entre elas. E tudo que Emma queria era poder desfrutar daquilo e beijá-la sem receios. Mas depois da situação com Henry, sabia que ela estava chateada, portanto as coisas estavam complicadas.
– Como você está?
– Como acha que eu estou? — Desviou o olhar sendo completamente ríspida.
– Uou, também não precisa falar assim. Eu vim em missão se paz.
Ela nada disse, apenas continuou a olhar pro outro lado.
– Como foi com o Henry? — Perguntou agora séria, se aproximando um pouco mais.
– Não conversei mais com ele. Só deixei bem claro que não vou mais tolerar esse tipo de coisa. — Ela respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, fechando os olhos. — Eu não tinha mais nada pra falar. Tô exausta dessa história.
– Eu imagino. — Disse em tom solidário. — Olha, Regina... eu queria me desculpar com você. Sei que tive uma parcela de culpa nisso. Eu devia ter tentado de alguma maneira tirar essas coisas da cabeça dele. Quer dizer, eu tentei, mas ele sempre se irrita, fica triste quando vê que não acredito nessa loucura de maldição. Achei que o Archie tivesse razão em fazer isso de uma maneira que não o deprimisse, mas tô vendo que isso tá passando dos limites.
Regina sorriu sem vontade depois de ouvir as palavras dela.
– Um pouco tarde pra perceber isso, não acha?
Emma suspirou, ela estava certa.
– Eu vou falar com ele. E acho que seria bom falar com o Archie também.
– Não adianta... ele me odeia. — Respondeu pesarosa.
– Isso não é verdade, Regina. Ele te ama. Ele só tá confuso.
– Enquanto você estiver aqui isso nunca vai passar. — Falou sem pensar.
– O que quer dizer? — Franziu as sobrancelhas.
– Nada. Não quis dizer nada. É só que... ele pensa que você é... um tipo de heroína.
– Uma salvadora. — Emma corrigiu ironizando.
– É, isso aí. — Fingiu não saber muito do assunto. — Pra ele você é uma heroína e eu... sou uma vilã.
Emma sentiu a mágoa na voz dela, que tinha uma expressão fechada, triste.
– Eu vou conversar com ele. Isso já foi mesmo longe demais.
Regina estava desconfortável, sua cabeça estava em conflito. Queria olhar naqueles olhos verdes e se deixar sentir tudo que eles transmitiam, queria tocar o corpo dela em um abraço, queria beijar a aquela boca e se perder nela. Mas era um erro, tudo a sua volta estava desmoronando, sua maldição estava enfraquecendo a cada minuto, seu filho a um passo de descobrir a verdade. Emma, mesmo sem saber, a qualquer momento poderia cumprir a profecia. E tudo isso lhe causava medo. Não poderia se entregar mais aquele sentimento, era errado, era fraqueza. Não deveria ter se envolvido com ela. Ela era sua inimiga e de uma hora pra outra poderia derrotá-la, e então Regina perderia Henry pra sempre.
Se deixasse se levar por aquela paixão, ficaria ainda mais enfraquecida. Precisava lutar agora, acabar com isso de uma vez, arrancar aquela paixão de seu coração e voltar a enxergar Emma como sendo quem ela realmente era. O fruto do amor verdadeiro, a Salvadora que ainda na barriga de sua mãe, era gerada para derrotar a Rainha Má.
– Hey, você tá aí? — Disse vendo que Regina parecia estar perdida em pensamentos.
A morena a olhou quando ouviu a voz dela.
– Só estava pensando. — E seus olhos não conseguiram mais desgrudar daqueles verdes quando os encontrou. Sentiu sua barriga gelar. Como Emma lhe causava aquilo apenas com o olhar?
A loira se aproximou, devagar, e ficou bem de frente pra ela. Regina sentiu seu coração acelerar um pouco mais a cada passo que ela dava. Sua respiração já começava a falhar. Ela estava tão perto agora. O cheiro tão gostoso dela invadindo suas narinas.
– Prometo que vai ficar tudo bem. Isso vai passar. É só uma fase. Daqui a pouco ele esquece essa loucura. — Emma disse mansa enquanto se encorajou e tocou a mão dela.
Regina forçou um sorriso. Queria acreditar nas palavras dela. Queria acreditar que tudo ficaria bem e que ela poderia se dar a oportunidade de descobrir mais daquele sentimento por Emma. Mas se a maldição fosse quebrada tudo iria por água a baixo.
Emma continuava a olhar bem fundo naqueles olhos castanhos. Seu coração batia tão forte quando estava perto da Prefeita. Realmente era algo que nunca tinha sentido. Mesmo sem perceber,já estava se jogando de cabeça naquele sentimento. Por mais que houvesse tentado ir com calma naquilo, entender melhor o que sentia, não conseguiu. Aquilo era forte demais e ela não pôde evitar. Apesar de tantas dúvidas e receios, abriu seu coração e se permitiu sentir esse sentimento que lhe arrebatava a alma, principalmente quando estava assim tão perto dela.
Acariciava a mão dela, enquanto com a outra tocou sua face. Acariciou de leve, com seus olhos percorreu cada pedacinho daquele rosto lindo. Por um momento fixou na boca e naquela cicatriz tão charmosa e fofa, e então voltou a encarar os olhos cor de chocolate.
O peito de Regina parecia que ia explodir com aquele olhar e aquele toque delicado em seu rosto e em sua mão.Estava mesmo apaixonada por ela. Porque o simples toque das mãos dela e a maneira como a olhava, lhe causavam arrepios por todo o corpo, fazia sua respiração pesar, o desejo surgir.
Não pôde mais pensar em nada quando Emma tomou seus lábios com os dela.
Sentiu os lábios quentes da loira se misturarem com os seus de forma lenta, carinhosa. Seu peito ficou em chamas. Que vontade estava de sentir aquela boca na sua. Queria resistir, mas não teve forças, aproveitou aquele toque, beijando-a de volta, para então receber a língua dela, que tocou a sua e o beijo foi aprofundado.
Aquele beijo lhe tirava o fôlego, lhe arrebatava a alma. Perdia-se naquela boca tão gostosa. Parecia que a cada vez o beijo de Emma ficava mais gostoso.
A mão que segurava a sua logo estava envolta de sua cintura. Ah e como Regina gostava daquilo, quando Emma a envolvia e segurava seu corpo com força, apertando-a contra si. Subiu suas mãos e segurou os ombros da loira, apertando, puxando-a, e beijando-a com vontade.
Logo Emma sentiu Regina envolver seu pescoço com os braços, e seus corpos ficaram ainda mais grudados. Emma a abraçou forte, acabou soltando um ruído de prazer com todo aquele contato. Sua boca, seu corpo, deixava Emma louca. Beijava a Prefeita com tanta vontade, explorava cada canto daquela boca, degustando seu sabor. Seu coração aquecia, apertava o corpo de Regina, puxando-a para si, o desejo só aumentava. Imagens daquela noite em que fizeram amor, brotavam em sua mente.
Regina já estava perdendo a razão, entorpecida por aquele beijo delicioso. E o cheiro dela era tão bom. A língua de Emma invadia sua boca com desejo, com luxúria. Enroscou uma de suas mãos nos cabelos loiros. Já sentia todo seu corpo responder ao toque dela. E queria se entregar, queria sentir, tê-la tocando seu corpo de novo, estava com saudade.
Mas... ela era... a Salvadora.
"Amor é fraqueza, Regina". Lembrou-se das palavras que sua mãe sempre dizia pra ela. E aquela frase nunca pareceu fazer tanto sentido quanto agora.
Emma. Maldição. Salvadora. Profecia. Ódio. Henry!
As palavras e pensamentos se misturavam e embaralhavam em sua cabeça, junto com o medo e toda tensão que aquilo lhe causava, então num ato de desespero afastou sua boca da dela, saindo do beijo de repente.
– Que foi? — Emma perguntou confusa olhando pra ela, que tinha a cabeça baixa. Emma ainda a abraçava e as mãos de Regina ficaram apoiadas nos ombros dela.
Regina abriu a boca para dizer algo, mas as palavras não saíram, estava com um semblante agoniado.
– Que houve? — Insistiu tocando sua face, vendo que ela nada respondia.
Regina puxou com força o ar pela boca e o soltou da mesma forma.
– Emma... — Ela fazia menção de falar, mas não conseguia.
Se desvencilhou do abraço da loira e se afastou dois passos para trás. Emma apenas a olhava sem entender nada, esperando que a explicação viesse em seguida. Ela estava chateada por causa de Henry, devia ser por isso que agiu assim. Era o que passava pela cabeça confusa da loira.
– Isso... — Seu coração implorava desesperadamente para não pronunciar a próxima frase. Mas sua cabeça insistia que era o certo a se fazer. — Isso entre nós não pode acontecer. — Falou de uma vez, respirando forte em seguida.
Emma juntou as sobrancelhas, sentiu uma palpitação.
– Isso o que? — Seu tom foi sério.
Regina passou a mão pelos cabelos nervosa. Seu coração batia forte, só que era de angustia.
– Isso! Essa... coisa... entre a gente. — Respondeu exasperada.
A loira sentiu seu peito comprimir, como se estivessem lhe impedindo de respirar. Queria acreditar que não tinha ouvido aquilo. Não podia ser. Devia estar entendendo errado.
– Como assim, Regina? O que não pode acontecer? — Teimou em perguntar o que já tinha entendido. Mas por que Regina estava dizendo aquilo? Assim do nada. Depois desse beijo.
– Emma, por favor, não torne isso mais complicado. Você já entendeu. — Proferiu agoniada, sabendo que a loira não era burra.
– É... Acho que sim. Só não tô entendendo o porquê disso. — Exprimiu sentindo sua garganta seca. Regina não podia estar falando sério. Depois de tudo que já tinha acontecido entre elas, ela vinha com isso, sem mais nem menos.
– Porque não é pra acontecer e pronto!
– O que deu em você? A gente tava se beijando agora mesmo.
– Mas não deveríamos estar, Srta. Swan!
Um aperto no peito. Foi o que ambas sentiram com aquela frase.
– E eu posso saber por que não?! — Questionou já cerrando os punhos em sinal de sua irritação.
– Porque... porque eu não quero isso... pra mim. Não quero isso pra mim. — Mentiu para ela e para si mesma.
Para Emma foi como um soco no estômago. Aquilo não podia estar acontecendo. Não depois de finalmente ter aberto seu coração. Não de novo.
– Não quer isso pra você?! — Seu tom já estava alterado. — O que você não quer, Regina?! Me beijar?! Ir pra cama comigo?! — Respirava ofegante pela raiva que já a consumia diante das palavras dela. — Acho que agora é tarde pra isso! — Forçou um sorriso sem vontade.
Regina estava atribulada com tudo aquilo e com o que ela falou, então num ímpeto, vociferou:
– Eu não sou lésbica!!
Esse ponto realmente ainda lhe causava um certo receio. Se envolver com uma mulher era algo totalmente novo, e ainda assustava um pouco. Mas claro que aquele não era o único motivo. Era a maldição. Mas já que obviamente não podia falar disso, então iria fazê-la acreditar que o motivo era o que disse.
A surpresa da frase dela foi ainda mais dolorosa para Emma. Então era isso? Ela estava com vergonha por ter se envolvido com uma mulher.
– Eu sempre me interessei por homens. E isso não vai mudar agora, Emma!
– Olha, Regina. — Emma respirou fundo, ainda que com dificuldade. — Ninguém aqui tá dizendo que você é lésbica, ok? Nós apenas ficamos juntas. Não precisamos criar rótulos pra isso. Pra mim também foi complicado entender. Mas não estamos fazendo nada de errado. — Emma ainda queria amenizar as coisas, apesar da raiva. Estava mesmo gostando daquela mulher arrogante a sua frente e não queria que acabasse assim, antes mesmo de começar.
– Estamos sim!! — Gritou nervosa com seus olhos já marejados, sua angustia crescia a cada minuto. Mas desviou antes que Emma pudesse perceber as lágrimas que queriam se formar. — Eu já disse! Não quero isso. Não vai acontecer mais! — Queria chorar, queria gritar, queria esquecer tudo e dizer que era mentira, que queria ficar com ela. Mas na sua cabeça, isso seria sua derrota, sua destruição.
Foi um baque para a loira. Apertou ainda mais os punhos fechados. Como Regina conseguia fazer isso? Sentia seu corpo quente, a raiva e certa aflição fazendo seu sangue circular rapidamente.
– Que merda você tem na cabeça, Regina?! Depois daquela noite que ficamos juntas, nós nos beijamos no seu escritório. E naquela mesma noite trocamos mensagens! Você disse que tinha gostado... da noite que passamos juntas, dos beijos no escritório. — Sua voz falhou um pouco no final.
– Mas eu gostei. Não disse que não. Foi bom. Mas foi... — Sua cabeça girou pensando naquilo que ia dizer. — foi apenas sexo.
Foi como perceber seu coração se quebrar em mil pedaços com suas próprias palavras. Se tinha algo que aquela noite não foi, era apenas sexo. Foi um sexo incrível sim, mas foi muito mais do que isso. Havia tanta emoção ali.
O ar faltou para a loira. Não acreditava naquilo que acabara de ouvir. Por mais que conhecesse o temperamento frio da morena, não esperava uma atitude baixa assim.
– Então por que me beijou agora mesmo? — Indagou ela com o semblante fechado.
– Eu não disse que não gosto do seu beijo. — Se limitou a responder.
Emma se enraiveceu ainda mais. Regina articulava as palavras de maneira indiferente. Não se importava nem um pouco em ser rude ou maldosa.
– Então é isso, apenas sexo? — Não deixou transparecer a mágoa que havia por trás de sua pergunta.
Porém Regina sentiu o leve tom triste na voz dela. E aquilo partiu seu coração ainda mais. Parecia que jamais havia feito algo tão difícil em toda sua vida. Olhar naqueles olhos verdes tão fascinantes e dizer aquelas coisas tão horríveis era indescritivelmente doloroso. Mas ela não podia fraquejar, a Salvadora não iria derrotar a Rainha Má dessa forma.
Aproveitou o gancho que Emma lhe deu e continuou seu doloroso teatro. Buscou dentro de si seu tom gélido para responder.
– Sim. Nós fizemos sexo e foi gostoso. — Deu um sorrisinho frio. — Mas foi só isso, Swan. E não vai acontecer de novo. Eu só... só queria experimentar. — Concluiu com a pior coisa que poderia dizer.
Emma sentiu seu coração tão pequeno, esmagado. Não era só por Regina não querer mais ficar com ela, era também pelas palavras pérfidas que usava. Ela estava sendo baixa e cruel. Não saberia dizer se sua raiva era maior do que a decepção, ou vice versa. Sentiu vontade de gritar, de xingá-la, de dizer coisas horríveis pra ela. Mas isso não fazia o feitio de Emma, e não se rebaixaria aquele nível.
Continuava a olhar bem dentro daqueles olhos castanhos sentindo uma mistura de fúria e arrependimento dentro de si, arrependimento por ter se permitido sentir aquelas coisas por ela.
Foi a própria Regina quem não conseguiu sustentar mais aquele olhar. Via o ódio e a magoa nos olhos verdes e aquilo doía ainda mais.
– Você é louca. — Emma pronunciou baixo quando a morena desviou o olhar. — Você é uma merda de uma louca! — Exprimiu mais alto. — Eu tinha mesmo razão quando te disse uma vez... — Nesse momento Regina a olhou curiosa. — Você não tem alma! É por isso que todos fogem de você!
Dito isso, se afastou e andou rápido até a saída, batendo a porta com extrema força.
Regina deu alguns passos apressados em direção a porta, querendo ir atrás dela, mas parou no meio do caminho, cerrando com força os punhos para resistir aquele ímpeto de alcançá-la e dizer que tudo que dissera era mentira. Não poderia fazer isso. O que fez foi difícil, mas foi o certo. O amor era uma fraqueza, e Regina Mills não se deixaria enfraquecer por uma paixão boba que não iria pra frente ou que com certeza chegaria ao fim se Emma descobrisse que tudo que Henry dizia era verdade. Afinal, quem conseguiria gostar dela sabendo quem ela realmente era? No fundo Regina se sentia indigna de ser amada. Como se fosse impossível alguém gostar dela de verdade.
Andou cabisbaixa até um sofá que havia ali e deixou seu corpo cair sentado. Aquelas lágrimas que havia segurado minutos atrás, agora já molhavam sua face. Sentia uma pressão no peito, seu estômago revirava em nervosismo. Estava aflita e angustiada. Triste, com raiva. Queria ir atrás dela, queria aquele beijo de novo... Queria ela.
Mas não! Não podia. Com certeza isso era o que a Profecia precisava pra se cumprir. Que ela se esquecesse de quem realmente era e se deixasse levar por aquele sentimento que a deixaria fraca, e então não lutaria mais para manter sua maldição intacta. Não, Regina não iria permitir isso.
Suspirou pesarosa e triste quando se lembrou de que mais uma vez estava desistindo do amor por medo. Assim como fez quando aquela fadinha irritante lhe disse que sua alma gêmea estava dentro daquele bar. E ela não entrou lá por medo. Medo de perder a raiva que sentia de Branca de Neve. E aquela raiva naquele momento era a única coisa que a sustentava. Se a perdesse, seria fraca.
E agora estava mais uma vez desistindo de alguém por medo. A diferença é que dessa vez sua motivação era muito mais forte. Era seu filho.
Apertou os olhos enquanto as lágrimas saiam com mais força. Chorar escondido, era algo que Regina sabia fazer muito bem. Afinal por toda sua vida foi assim. Sempre se fazendo de forte na frente de todos, demonstrando sua pose de ferro, inabalável. Mas quando estava sozinha, o choro era seu único companheiro.
Porém desistir de Emma, afastá-la, não era a única coisa que tinha que fazer, isso não seria suficiente pra maldição não ser quebrada.
"Enquanto Emma Swan estiver em Storybrooke, essa maldição tem cem por cento de chance de ser quebrada."
Lembrou-se das palavras de Gold mais cedo. Ele tinha razão. Enquanto Emma estivesse ali, ela seria uma ameaça. E Regina não poderia viver assim, com aquele medo constante. Precisava arrumar uma maneira de impedir definitivamente o rompimento de sua maldição. E já tinha algo em mente.
Do lado de fora, Emma saía da Prefeitura a passos largos. Enfurecida pelo que tinha acabado de acontecer. Acabou chutando o pneu da viatura com tanta raiva que estava.
– Merda! Merda!!
Exclamou antes de entrar no carro e bater a porta com raiva. Respirou fundo, tentando não perder o fôlego, sua respiração era acelerada pela raiva.
Apoiou a cabeça sobre as mãos no volante. Milhares de pensamentos passavam por sua cabeça. Sentia-se ridícula, uma perfeita idiota.
"Como eu pude ser tão burra?! Me deixar levar por isso de novo. E justo com quem? Regina!"
Sua cabeça dava voltas em tudo que tinha acontecido entre elas, e por mais que pensasse e repensasse, não conseguia achar uma resposta plausível para a atitude de Regina, a não ser a de que ela realmente havia agido com maldade, com intenção de magoá-la mesmo.
"Essa mulher é um demônio. Como eu pude deixar que ela me fizesse de boba assim? Não acredito que fui tão... ingênua... e idiota. Não depois do que passei por causa do Neal. Não depois de ter prometido pra mim mesma que não confiaria mais em ninguém."
Bufou raivosa e então deu vários murros no volante. Socou a direção do carro até sentir seu punho doer.
Quando parou, seus olhos lacrimejavam, de raiva, de Regina e de si mesma. Mas não iria chorar! Quando estava sozinha e grávida na prisão por causa da canalhice de Nael, prometeu duas coisas a si mesma: Que jamais voltaria a confiar em alguém e que nunca iria chorar por outra pessoa.
Já que não tinha conseguido cumprir a primeira, ao menos a segunda iria manter. Não iria chorar feito uma garotinha. Regina não merecia suas lágrimas. Emma agora era uma mulher feita, madura. Não se permitiria ter aquela fraqueza de novo. Limpou as lágrimas antes que pudessem cair. Seu peito doía, mas não iria derramá-las.
"Você não vai chorar, Emma Swan". Repreendeu a si mesma. “Não vai chorar por ela. Não vai chorar por ninguém!"
Apertou com força o volante e respirou fundo, seu semblante fechado. Então deu a partida no carro e finalmente saiu da frente daquele lugar onde lá dentro estava a mulher que acabara de partir seu coração.
*****
Depois que Emma saiu da Prefeitura, Regina ficou ali, sentada naquele sofá. Chorando, sofrendo, pensando em como fazer algo que, mesmo antes de acontecer, estava dilacerando seu coração. Como se livrar da única pessoa que deu carinho a ela além de Henry.
Sabia que só havia um jeito. Apesar de ser difícil, não era impossível. Havia um jeito de fazer funcionar. Só precisava da pessoa certa.
Depois de um longo tempo ali sentada, entre o choro e a dor, mandou um recado chamando a única pessoa que poderia tornar esse plano possível.
Já havia se passado algumas horas desde que tivera aquela discussão com Emma e a loira havia ido embora.
Estava com uma expressão triste olhando pela janela de seu gabinete. O canto dos olhos avermelhados denunciando o quanto já havia chorado.
Seu peito apertou quando ouviu a porta se abrir. A pessoa que estava esperando tinha chegado, agora não havia mais volta. Respirou fundo e sorriu, forçando sua melhor postura altiva e fria, antes de se virar para ele.
– Jefferson... Então recebeu meu recado. – Andou sorrindo até ele.- Como eu poderia perder isso? Você sabe que eu a vi. – O tom dele foi arrogante.
Regina precisava ser convincente, persuasiva, se quisesse que ele a ajudasse. Então iria tocar bem na ferida dele, onde mais doía.
– Deve ser tão doloroso sua filha Paige estando tão perto. – Andou até o pequeno bar no canto.
– Grace! — Ele corrigiu. — O nome dela é Grace! Foi você que mudou. – Virou-se para ela. – O que você quer?
– Sua ajuda. – Respondeu de costas terminando de colocar a bebida no copo.
– E o que a faz pensar que eu não te matarei depois de tudo o que fez?
Ela sorriu pra ele.
– Porque você não é assim. Se quisesse teria feito há 28 anos quando eu te trouxe aqui. – Andou na direção dele segurando os copos. – Porque você sabe que se eu morrer, você nunca terá sua filha de volta. – Enfatizou o “nunca”. – E eu tenho um jeito de nós termos o que queremos. – Ofereceu um copo a ele.
Em resposta ele colocou com desdém uma carta de baralho dentro do copo, olhando seriamente pra ela.
Regina observou aquilo e então irritada e querendo logo ir direto ao ponto, andou e depositou o copo dele com força em sua mesa, fazendo o barulho dos vidros se chocando ecoar alto pelo ambiente. E então pegando uma caixa estranha que estava perto dali. Foi para uma mesa que estava mais ao canto e colocou a caixa sobre ela.
– Meu chapéu. – Ele disse constatando que só podia mesmo estar com ela.
Abriu a caixa e olhou nostalgicamente para o objeto lá dentro. Ela interrompeu o que ele poderia estar pensando se colocando na frente dele, fazendo-o recuar alguns passos.
– Quero que use ele de novo! — Falou autoritária.
– Não posso fazer ele funcionar. Ninguém pode. — Disse lembrando que nem mesmo Emma conseguiu quando ele a sequestrou. — Não aqui. Não sem mágica.
– Pra sua sorte, por acaso eu tenho um pouco. – Fez uma expressão debochada. — Não muito. Mas o suficiente... – Colocou seu próprio copo sobre a mesa e retirou o chapéu da caixa. – Para uma última jornada.
– Pra onde?
– De volta pra nossa terra. – Pareceu entusiasmada. – Onde está a solução para um problema muito delicado... Como me livrar da única pessoa que pode quebrar minha maldição. – Seu semblante ficou serio. Não estava sendo fácil o que estava fazendo.
– Emma. – Ele respondeu como se degustasse o nome dela e riu. – Por que não te deixo fazer exatamente isso? Acabar com essa loucura e ir pra casa.
Regina achou hilário o que ele disse. Precisava lembrá-lo de que ele era um Zé ninguém naquele lugar.
– Para o seu casebre? — Sorriu com ironia. – Ficar vendendo fungos na feira? – Virou-se e guardou o chapéu na caixa. – Por que? Quando poderia ficar aqui na mansão que eu te dei. – Olhou pra ele.
Ele não soube o que responder, apenas colocou as mãos nos bolsos. Ela deu um tapinha no ombro dele percebendo que estava conseguindo persuadi-lo e continuou a falar enquanto se afastava passando por trás dele.
– Meu problema, Jefferson, é o mesmo que o seu... É a família. Nós dois queremos ficar com nossos filhos e nós dois podemos conseguir isso... Se trabalharmos juntos. – Foi persuasiva.
– Por que eu deveria confiar em você? – Perguntou já tentando a aceitar.
– Não deveria. Mas é a única oferta que você tem.
O homem olhou para o lado, pensativo. Para trazê-lo logo para o seu lado, Regina deu sua última cartada.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Quando terminarmos vou acordar sua querida Grace pra ela se lembrar de quem você é.
– Não! – Protestou. E se aproximou dela enquanto falava. – Se lembrar é a pior maldição. Duas vidas na cabeça como eu. – Olhou dentro dos olhos dela. – Eu quero esquecer. Quero que você nos escreva uma nova história. Um novo começo. Aqui. — Falava entre dentes. Odiava a mulher a sua frente.
Regina forçou um sorriso, sabendo que não tinha a mínima ideia de como fazer aquilo já que não tinha magia. E ao mesmo tempo se perguntando como ele era tão burro de acreditar naquilo.
– Bem, meu caro Jefferson, então é isso exatamente que você terá. – Ela saiu da frente dele e andou para perto da mesa onde estava o chapéu. – Oh, depois de cuidarmos da Srta. Swan. – Sentiu a dor e a tristeza a corroer por dentro quando pronunciou isso.
Saíram da Prefeitura e Regina dirigiu com ele até o cemitério. Durante todo o percurso travava uma batalha interior. Queria parar o carro e dizer a ele para ir embora e então correr para a Emma e pedir desculpa por tudo que tinha dito pra ela. Queria voltar atrás. Seu peito estava apertado, doía. Mas se não fizesse aquilo a Profecia se cumpriria e ela estaria totalmente acabada.
Minutos depois estavam adentrando o cofre de Regina.
– Cuidado onde pisa. – Ela pronunciou quando desciam as escadas, enquanto com as mãos tirava algumas teias de aranha do caminho.
– Que lugar é esse?
Ela suspirou, como se a ficha tivesse caído, sentia remorso antes mesmo de fazer o que planejava.
– É onde guardei minha última fração de magia. A única magia nesse mundo está nessas coisas que eu trouxe comigo.
Ele olhou em volta e então pra ela, em seguida colocou seu chapéu no chão. Ficaram atentos esperando o objeto se manifestar e começar a produzir sua magia.
Porém, depois de alguns segundos Regina o olhou interrogativa. O chapeleiro suspirou.
– Ele não gira. Não tá funcionando! — Disse o homem.
– Precisa absorver a magia que está aqui. — Ela andou até a parede, onde havia uns buracos com objetos em cada uma deles. Pegou uma caixa de jóias – Restaram algumas coisas. – Disse abrindo a caixinha e jogando as jóias dentro do chapéu.
Seu coração apertava a cada movimento que fazia. Estava tão aflita que queria chorar. Estava mesmo fazendo aquilo. Planejando fazer aquilo com a pessoa que havia trago de volta para sua vida todas aquelas sensações tão boas.
Guardou a caixa, esperaram um pouco e nada. O chapéu não girava. Jefferson a olhou já percebendo que aquilo era idiotice.
– Não é suficiente. – Pegou a cartola do chão. — Precisa de algo que funcione.
Regina pensou e tirou do bolso de seu casaco o anel que Daniel havia lhe dado há tantos anos atrás. O segurou entre seus dedos. Ali dentro, por causa do resquício de magia, o anel brilhava e refletia sua lembrança, assim o rosto do homem que amou aparecia nele.
– Quem é ele?
Ela esboçou triste um sorriso quase imperceptível.
– Alguém que se foi há tempo.
– Bom, o que ou quem quer que seja, ainda possuiu propriedades mágicas. Deixa eu ver o que eu posso fazer. – Esticou o chapéu indicando para ela jogar o anel ali.
Regina o olhou e abaixou a mão, não conseguia fazer aquilo. Era a única coisa que tinha dele.
– Se você quer seu filho de volta, se quer sua vingança. Dê isso pra mim. – Ordenou com raiva.
Ela o olhou da mesma forma e, com seu coração em pedaços, por Daniel e por Emma, indicou que ele colocasse o chapéu no chão. Ele o fez, e Regina se aproximou da peça olhando tristemente para o anel.
Naquele momento Regina não se deu conta, mas estava se desfazendo da única lembrança que tinha de seu primeiro amor, por causa da Emma.
Jogou o anel no chapéu e então finalmente ele girou.
O que ela sentiu naquele momento foi ambíguo. Estava angustiada pelo que iria fazer com a única pessoa que a tinha enxergado de um jeito bom naquela cidade, porém ao ver o chapéu girar e a magia que fluía dele, sentiu-se emocionada. Aquilo era algo que não contemplava há 28 anos. Magia... estava acontecendo bem diante de seus olhos. Sorriu encantada com aquilo.
Mas de repente seu sorriso se desfez. Aquela magia parecia enfraquecer, nenhum portal se abria através do chapéu.
– O que houve? – Perguntou aflita. – Por que não está abrindo um portal?
Jefferson se abaixou diante da cartola enquanto ela parava de girar.
– A magia não é suficiente. Não dá pra ir a lugar algum. – Levou a mão ao rosto e respirou fundo.
– Então você falhou. – Murmurou com raiva.
– Talvez não! — Ele retrucou. Era sua única chance de ter sua filha de volta. Aquilo tinha que funcionar. — A magia é suficiente pra tocar o outro lado, mas não pra nos levar lá. Pode ser suficiente... pra esticar a mão e pegar algo.
Ela olhou surpresa. E abaixou-se também.
– Eu posso trazer algo de volta?
– Existe um objeto que te ajude? Talvez eu abra... o suficiente, e consiga pegar. Teria que ser pequeno. Algo que eu possa pegar com a mão. Existe algo assim que possa te ajudar?
– Sim. Existe.
Era claro que sim, era exatamente o que ela queria pegar se conseguisse passar pelo portal.
– Então você me oriente ao tempo e lugar onde o objeto existe. – Deu o chapéu pra ela.
– Como? – Perguntou confusa.
– Pense nele. Oriente o chapéu.
Regina fechou os olhos e pensou naquele exato momento em que viu Branca de Neve morder sua maçã envenenada. Aquele momento ainda lhe causava uma certa euforia, lembrava-se de ter sentindo um prazer enorme quando a viu cair dormindo.
Sorrindo, colocou o chapéu de volta ao chão. E então ele começou a girar de novo.
– Excelente. – Jefferson disse. – Parece estar funcionando. O que estamos procurando?
– Uma maçã. – Sorriu como costumava fazer enquanto Rainha Má.
Instantes depois viram a maçã praticamente pular de dentro da cartola. Jefferson a segurou assim que ela saiu.
Regina se emocionou ao vê-la. Era como voltar ao passado. Onde ela tinha magia, poder.
– É isto? – Ele perguntou.
– É! – Pegou a fruta da mão dele. – É, é isto. – Sorriu deslumbrada. Não podia acreditar que magia se fez em sua frente. Aquilo lhe causou euforia, uma certa... alegria sombria.
Mas em meio aquela emoção, ela logo ela se deu conta do porque estava com aquela maçã amaldiçoada em suas mãos. Foi como se seu coração quebrasse em mil pedaços. Fechou os olhos por um momento, criando forças para seguir em frente com aquilo. Mas o que veio a sua cabeça foi aquele par de olhos verdes, aquela boca rosada, aquele corpo forte. A ternura nos olhos dela, o carinho com que foi tocada por ela naquela noite. Sentiu seus olhos umedecerem.
– E a minha filha? Minha Grace? — Jefferson fez sua parte, era hora de Regina fazer a dela.
Voltou à realidade quando ouviu a voz dele. Suspirou tentando espantar aqueles pensamentos.
– Uma coisa de cada vez. O acordo ainda não acabou. Não até eu resolver o próximo enigma.
O homem a sua frente a olhou sem entender e ao mesmo tempo furioso.
Voltando a olhar a maçã em suas mãos, ela se perguntou:
– Como fazer a Salvadora provar meu fruto proibido?
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