Era Uma Vez o Amor
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Galeraaaaa, a fic ganhou mais 3 recomendações o/ Nossa, que felicidade!!!!! =D Foram as leitoras Angel, MaaC e Raffe que fizeram essa proeza linda ♥ Gente, obrigada por cada palavra de carinho pela fic, pela força. Cada vez que a fic recebe uma recomendação eu fico com os olhinhos brilhando *---* Esse cap vai dedicado especialmente pra vcs três!!! ♥ Angel ♥ MaaC ♥ Raffe ♥
Bom, só pra relembrar, Emma chamou Regina pra um encontro. Então vamos ver como vai ser isso =D
Um OBS.: O lugar do encontro é o mesmo que a Emma teve o encontro com o (chato) Hook em OUAT. Se vcs quiserem dar uma olhada lá pra ver o ambiente :)
E agora chega de falar. Boa leitura!!!
*******************************************************
Regina dirigia em direção à mansão. Apesar da ansiedade que ainda lhe batia, estava mais serena. Havia acabado de se despedir de Emma na Prefeitura com a promessa de um encontro no dia seguinte.
Sorriu bobamente ao pensar nisso. Seu peito ainda estava acelerado, sua boca ainda queimava pelos beijos dela. Apertava o volante com força como se quisesse ter certeza de que aquilo era real, que não era sonho. Emma havia mesmo voltado? Era o que passava por sua cabeça. Sim, ela tinha voltado. E prometeu lhe dar uma chance.
Sentia em seu peito novamente uma felicidade lhe invadir. O olhar da loira, o jeito como a beijou, o fato de ter voltado, de ter dito que não queria perder alguém importante por orgulho, tudo isso se misturava na cabeça de Regina. Mas de um jeito bom. Se pudesse não teria saído de perto dela. Ainda estaria lá, naquele abraço, se perdendo nos beijos dela.
Nem se quer prestou atenção ao caminho. Quando percebeu já estava na rua de casa. Estacionou o carro na garagem e entrou na mansão.
Estava silencioso. Henry devia estar no quarto. Queria correr e dizer pra ele que Emma não tinha ido embora. Podia imaginar o sorriso que se formaria no rostinho dele. E aquele sorriso era sua razão de viver.
Mas Emma pediu pra não contar. Teria que fingir que tudo estava do mesmo jeito.
A porta do quarto dele estava fechada. Hesitou um pouco antes de bater, sabia que ele estava chateado.
Finalmente tomou coragem e deu duas batidas. Não quis entrar sem a permissão dele, então esperou. Porém não obteve resposta.
– Henry? — Chamou sem muita coragem na voz.
Era estranho ele não responder, resolveu entrar. O viu deitado na cama, virado para o lado da janela. O quarto estava totalmente escuro.
Se aproximou e pôde perceber que ele estava dormindo. Acendeu a luz do abajur e sentou-se na beirada da cama.
Assim mais de perto, percebeu que o rosto dele estava vermelho e os olhos inchados. Ele esteve chorando. Aquilo lhe partiu o coração. Ele devia ter passado horas ali chorando.
Passou levemente a mão pelos cabelos dele. Não sabia se o acordava ou não. Mas provavelmente ele nem havia comido. E ainda estava com a roupa que havia saído de manhã.
– Henry. — Sussurrou. — Henry. — Chamou mais alto.
Ele se remexeu e aos poucos foi abrindo os olhos.
– Mãe? — Pronunciou sonolento e meio atordoado.
Regina sorriu.
– Já cheguei, querido. — Acariciou mais uma vez os cabelos dele.
– Que horas são? — Perguntou se espreguiçando.
– Já passa das sete. Você comeu alguma coisa?
– Não. Deitei aqui e acabei pegando no sono. — Ele tinha uma voz manhosa de sono.
– Por que não se levanta e toma um banho, enquanto eu preparo algo pra você comer? — Sorriu pra ele.
– Não tô com fome. — Sua expressão foi triste.
E o coração da mãe apertou.
– Você tem que comer, filho.
– Tô triste, não quero comer.
– Não fica assim, querido... Tudo vai se resolver.
– Não vai não! A Emma foi embora. Ela me abandonou de novo.
Regina se surpreendeu ao ouvir isso dele. Justo dele que sempre a defendia com fervor. O espaço em seu peito pareceu ficar pequeno para seu coração.
"Droga, Swan". Pensou com um tanto de raiva por não poder contar a ele. Queria dizer que ela estava na cidade. Mas não podia trair a confiança da loira. Não de novo.
– Ela não te abandonou. Ela só... Achou que assim fosse melhor pra você. — Falou um tanto vacilante, tentando consolá-lo.
– É sempre isso que vocês duas pensam. Fazem as coisas dizendo que é pro meu bem. Mas no final eu sempre fico triste.
Regina engoliu a saliva com dificuldade, pode sentir a mágoa na voz dele.
– Sinto muito.
– Não, você não sente! — Olhou pra ela. — E por que tá defendendo a Emma? Você conseguiu o que queria!
Regina respirou fundo. Estava começando a sentir raiva da loira. Porque por causa dessa ideia estúpida de não contar nada, Henry estava ali acusando-a.
– Eu não queria que ela fosse. Eu te disse que pedi pra ela ficar, mas... ela disse não. E agora chega desse assunto, Henry! — Disse ríspida quando percebeu que ele iria falar algo. — Desculpa, você me deixa nervosa. Olha, talvez a Emma mude de ideia e volte. — Tentou sorrir.
Ele achou estranho ouvir Regina chamando ela de Emma. Não era a primeira vez que acontecia.
– Você acha?
Ela sorriu.
– Acho. E... — Segurou a mão dele. — Prometo que vou fazer de tudo pra que isso aconteça. — Afirmou o encarando com firmeza.
– Por quê?! — Estava surpreso. Ouvir aquilo de Regina não fazia sentido.
– Porque quero te ver feliz.
O coração do menino acelerou. Havia algo diferente em sua mãe que ele não sabia explicar.
– Mas... e você? E a maldição?!
– Ai para com isso, Henry! — Era irritante ouvir sobre a maldição o tempo todo. Queria tanto esquecer que ela realmente existia.
– E mesmo que essa maldição existisse mesmo, o que mais me importa agora é a sua felicidade. E a minha. E se isso depende da Emma, então eu vou fazer de tudo pra ter ela aqui. — Falou completamente sincera.
– Tá falando sério, mãe? — Perguntou sorrindo.
– Claro que sim, meu pequeno príncipe. — Envolveu o rosto dele com as duas mãos e observou por alguns segundos. O amava tanto que chegava a doer. — Tudo que mais me importa nesse mundo é te ver feliz... Sinto muito se demorei tanto pra perceber que ela também faz parte dessa felicidade. Não quero mais te ver sofrer, filho. E não quero mais sofrer também.
Regina parecia tão sincera. Ele sorriu e então de repente a abraçou.
Ela não esperava. Há quanto tempo não sabia o que era sentir um abraço de seu filho. Depois de algum tempo o ouviu dizer.
– Mas mãe, e se ela não quiser voltar?
"Ela já está aqui". Pensou.
– Ela vai, Henry. Nem que eu tenha que ir lá e trazer ela pelos cabelos. — Brincou, fazendo-o soltar uma risada. E aquele era o som que ela mais amava no mundo.
– Brigado, mãe. — A apertou mais no abraço.
– Eu te amo. Tudo que eu quero é a sua felicidade. Eu juro.
Ficaram durante alguns segundos abraçados em silêncio.
– Agora vai tomar um banho enquanto eu faço o mesmo. E depois vou preparar nosso jantar. — Depositou um beijo no topo de sua cabeça e levantou da cama.
– Tá bom.
Foi para o seu quarto, sentia seu corpo cansado. O dia tinha sido tenso. Passou todo ele na Prefeitura, não havia comido nada desde o café da manhã.
Tirou sua roupa, sua vontade era de relaxar na banheira, mas precisava preparar o jantar, então não podia demorar. Era melhor tomar uma chuveirada rápida.
Mas o pouco que ficava sozinha era suficiente pra sua mente viajar até Emma. Sentia seu corpo ficando quente. E não era só pela água morna. Era pelas sensações que a loira lhe causava. Seus olhos estavam fechados enquanto a água caía por sua pele nua. Lembrava daqueles beijos, que apesar de recentes, pareciam ter sido há séculos. Por que já sentia a saudade dominá-la novamente.
Mordeu o lábio inferior quanto pensou na maneira como ela a beijou. O beijo de Emma havia sido tão intenso, parecia tão cheio de saudade. O coração de Regina estava acelerado agora exatamente como naquele momento.
Enquanto a água quente caía em seu corpo, começou a deslizar as mãos pela pele no intuito de retirar o sabonete. Porém aquele tão simples gesto, acabou tornando-se sensual. Pois seu corpo estava inflamado. Aqueles beijos na Prefeitura a tinham excitado. E agora com os pensamentos tudo estava reacendendo. Pôde sentir o calor entre suas pernas. Estava excitando-se novamente.
Era incrível o poder que Emma tinha sobre ela. Bastavam apenas pensamentos, lembranças. A própria Regina se surpreendia com isso.
Seu coração começou a tomar um ritmo descontrolado, sua pele querendo vencer a barreira da água e arrepiar-se.
Suas próprias mãos em seu corpo a faziam imaginar as mãos de Emma. Passeando, tocando sua pele desnuda. Como foi naquela noite. Começou a lembrar-se daquele momento. Os dois corpos nus se tocando, pele contra pele, as mãos que acariciavam, apalpavam, as bocas que se perdiam uma na outra. O som dos gemidos da loira foram como a lembrança de uma música tocando em sua cabeça.
Precisava ouvir aquilo de novo. Precisava ser possuída por ela de novo. Queria desesperadamente fazer amor com ela outra vez.
Abriu os olhos e suspirou, sentia seu corpo em chamas. A saudade e a esperança de que poderia estar com ele novamente faziam o desejo crescer em seu corpo. Sua mão foi descendo sua por sua barriga. A cada centímetro seu coração palpitava com o pensamento que havia lhe ocorrido.
Estava hesitante, como se estivesse constrangida consigo mesma pelo que queria fazer. Mas já não aguentava, precisava acalmar aquela vontade de alguma forma.
Continuou, desceu sua mão direita lentamente por seu ventre. E seus olhos novamente se fecharam quando seus dedos pousaram sobre sua intimidade. Um arrepio subiu por sua espinha.
Seu corpo estava molhado, ainda assim podia sentir a viscosidade de sua excitação.
Deslizou sua mão por aquela região de seu corpo, ficando cada vez mais excitada. Estremeceu quando apertou. Trouxe seus dedos um pouco para cima e respirou forte quando a ponta deles tocou o centro de seu prazer.
A imagem da loira a tocando imediatamente surgiu em sua mente. E foi isso que Regina começou a imaginar, que era a mão dela ali lhe tocando.
Com os olhos fechados lembrou-se do olhar intenso de Emma sobre ela na noite em que fizeram amor. E aquele olhar a fazia sentir ainda mais tesão. Começou a massagear seu clitóris, de um jeito delicado, lentamente, ofegando de prazer.
Sua mão esquerda estava livre e ela a levou sobre seu seio esquerdo, o envolvendo e apertando. Seus lábios entreabriram para que pudesse soltar um gemido baixo.
Seu ritmo cardíaco já estava fora de controle e o calor havia tomado conta de si. O tesão aflorava por todo seu corpo. Queria Emma ali. Queria sentir a pele nua dela contra a sua. Queria... tocar o sexo dela de novo.
Todos esses pensamentos a inflamavam mais, e aumentou os movimentos de sua mão. Movimentos antes lentos, agora eram mais rápidos. Apertava seu próprio seio, desejando que fosse Emma que o estivesse fazendo. Queria a mão dela possuindo seu sexo. Gemeu mais alto ao imaginar isso. Seus olhos fechados, os lábios entreabertos. A expressão se contorcendo em prazer. Seus dedos se moviam rápido tocando seu clitóris. Apertava, massageava, seu tesão crescendo e crescendo.
A mão que estava em seu peito, apoiou na parede. E entreabriu mais suas pernas. Seus movimentos se tornaram mais desesperados. Querendo loucamente saciar aquela vontade.
Seu clitóris era tocado com extremo desejo, movimentos cada vez mais e mais rápidos. Pensava na loira, em seus beijos, sua boca gostosa, seu corpo forte, sua pele cheirosa, seus gemidos tão gostosos de ouvir, no desejo que demonstrou naquela noite. Nos beijos de mais cedo na Prefeitura. Via a imagem da loira povoar sua mente. A imaginava ali, segurando seu corpo e tocando seu sexo com aqueles movimentos rápidos.
Gemia, ofegava, suspirava. Começou a sentir aquela onda forte de prazer a invadir. E sem demorar, o orgasmo tomou conta de seu corpo. Gemeu frequente, seus dedos que estavam livres se contraíram, como se quisesse apertar a parede.
Estremeceu, a onda de prazer fluiu por todo seu corpo. Diminuindo seus movimentos pouco a pouco, até que parou. Suas pernas bambearam, e então apoiou todo o corpo na parede para não cair.
Estava ofegante, seu corpo tremia. Havia acabado de se masturbar pensando em Emma. Sentiu um pontada de constrangimento ao pensar nisso.
Fios de cabelo estavam grudados na pele molhada de seu rosto. Passou a mão para retirar. Respirou fundo na tentativa de controlar seus batimentos.
E então de repente, ali encostada na parede, um leve sorriso despontou de seus lábios. Jamais imaginou fazer algo assim pensando na Salvadora.
Lembrou-se de que estava feliz. Emma estava na cidade, iam se encontrar no dia seguinte. Ainda que sua mente traiçoeira e pessimista quisesse insistir que algo iria dar errado, confiava na loira. Isso era algo novo pra ela, mas sim, confiava em Emma. Sabia que no dia seguinte ela estaria nesse encontro.
E Regina não iria estragar as coisas de novo. Iria mostrar pra ela que estava sendo sincera, como ela havia pedido.
Seu corpo ainda se recuperava do orgasmo, terminou seu banho sentindo-se mais leve.
Colocou logo sua camisola e um robe longo por cima, assim que terminasse de jantar pretendia deitar-se, estava exausta pelo dia longo.
O jantar ficou pronto e logo ela e o filho estavam à mesa comendo. Foi a maior parte do tempo em silêncio. Apesar do momento bom que tiveram naquela hora, o menino ainda estava triste. E olhando pra ele daquele jeito, Regina só desejava conseguir convencer Emma a ficar de vez, mostrar pra ela que a queria ali junto dela. E de Henry.
*****
Emma estava chegando no apartamento de Mary Margaret. Estava ansiosa. Como iria encarar a amiga? O que iria dizer?
Porém essa preocupação era mínima perto do que sentia em seu coração. Havia acabado de estar com Regina na Prefeitura. O que tomava conta de sua mente agora eram aqueles beijos. E o olhar da morena, tão sincero. Algumas vezes Emma chegava mesmo a acreditar que tinha o superpoder de saber quando as pessoas estão mentindo. Porque, pelo menos com Regina, isso sempre parecia aflorar. E olhando naqueles olhos castanhos Emma viu medo, viu angustia, mas principalmente viu sinceridade.
Foi difícil tomar a decisão de voltar quando estava tão perto de ir embora. Mas naquele momento na estrada, viu, ouviu e sentiu coisas que jamais imaginou. Regina disse estar apaixonada e seu olhar dizia que era verdade.
Ela estava ali, exposta, confessando seus sentimentos. E Emma sabia... Ela não estava mentindo. Foi a isso que se apegou para voltar. Sabia que não era a mesma situação, mas não queria cometer o mesmo erro que cometeu com sua amiga Lily.
Foi intransigente, orgulhosa. E quando percebeu seu erro, era tarde demais. Lily havia errado sim. E muito. Mas pediu perdão. E Emma, por orgulho acima de tudo, a expulsou de sua vida.
Não poderia fazer o mesmo com Regina. Porque por ela... estava apaixonada. Regina errou sim. Muito e muitas vezes. Mas com a mesma intensidade que havia errado, ela teve a dignidade de ir até ela e reconhecer seu erro. E acima de tudo expressar algo que, Emma sabia, para Regina era extremamente difícil... Seus sentimentos.
Sabia que ela falara a verdade, por isso não foi embora. Mas queria ter certeza de que podia confiar. Afinal a Prefeita era sempre tão volúvel. Se dentro dessa semana ela sentisse que Regina estava mudando de ideia mais uma vez, que apenas havia sido impulsiva, então iria embora de vez.
Parou em frente ao prédio. Sentia-se um tanto envergonhada. Naquela mesma manhã estava se despedindo da amiga e agora estava de volta. E com que motivo?
Precisava pensar rápido em algo. Já havia subido as escadas e estava parada de frente a porta. Já que não tinha mais a chave, precisava tocar a campainha. Respirou fundo para tomar coragem, e assim o fez.
Passava das sete da noite, Mary com certeza estava em casa. Logo ouviu o barulho da chave girando na fechadura e seu coração acelerou.
– Emma??!! — Sua expressão foi de pura surpresa. Talvez espanto.
– Oi. — Respondeu sorrindo timidamente.
– Que houve?? Você voltou?! Pensei que já estava em Boston!! — Dizia afobada.
– Vou explicar. Mas antes... posso entrar?
Mary estava tão espantada que nem percebeu que fazia tantas perguntas ainda parada ali na porta.
– Sim, sim. Entra. — Deu passagem a ela, que trazia a mala, e logo fechou a porta.
A loira olhou sem graça para a amiga.
–Er... então... Será que eu posso ficar aqui... De novo?
A professora piscou algumas vezes sem entender nada. Andou até a Emma e a puxou pela mão para que se sentassem à mesa, ficando lado a lado nas cadeiras
– Emma pelo amor de Deus, o que houve? Por que voltou? O que aconteceu em Boston? — Apertava a mão da amiga enquanto tinha uma expressão preocupada.
– Não cheguei a ir pra Boston, Mary Margaret.
– O que?
– Eu... Parei no meio do caminho, num restaurante de beira de estrada e... — Não queria mencionar Regina e o ocorrido. — Fiquei lá pensando se essa minha atitude era o certo a se fazer. E aí... eu resolvi voltar.
Mary Margaret olhou pra ela em silêncio tentando absorver aquela história.
– Emma, espera. Isso tá estranho. Você saiu daqui hoje de manhã convicta de que isso era o melhor. Nem mesmo Henry te convenceu. E aí assim de repente você decide voltar. — A encarou no fundo dos olhos. — O que você tá me escondendo?
Emma gelou. Não se sentia pronta para falar sobre Regina. Aquilo ainda era algo muito novo. E além do mais não sabia como as coisas iriam ficar.
Por outro lado não queria mentir pra amiga.
– Bom, é que... — Se remexeu no sofá. — Na verdade, a Regina... ela me pediu pra ficar.
Mary arregalou os olhos, completamente surpresa com o que acabara de ouvir.
– C-Como assim Regina pediu pra você ficar?
– Pedindo ué. — Percebeu que a amiga queria uma resposta concreta. Suspirou como se estivesse se conformando. – Então, naquele dia que ela veio aqui, lembra? — Mary fez que sim. — Ela pediu pra eu ficar. Mas eu achei que ela tava tramando algo e então não dei importância. Apesar disso ter ficado na minha cabeça. Só que hoje quando eu já tava na estrada, perto do limite da cidade, ela apareceu com o carro, me seguindo. Me obrigou a parar. E então... Nós... Conversamos. Ela insistiu pra eu ficar. Disse que... o Henry ia sofrer muito. Disse que não queria mais brigar. Essas coisas. — Não era a total verdade. Mas também não era mentira.
– E você, o que disse?!
– Eu fiquei confusa. Disse que precisava pensar. Então... ela veio pra cidade e eu fui embora. E parei no restaurante que te falei. Fiquei lá um tempão. Bebi, pensei, repensei. Almocei por lá. Depois passei o resto do dia dentro do fusca. Até que decidi voltar e dar uma chance a Regina. — Sentiu o peito acelerar ao falar isso.
A morena pareceu processar tudo aquilo.
– Nossa, que história louca... Emma, sei que quer acreditar que a Regina pode mudar pelo Henry. Mas não acha que pode ta tramando alguma coisa?
– Pensei isso no começo. Mas depois... vi sinceridade nos olhos dela, Mary.
A amiga lhe sorriu solidária.
– Mas de qualquer forma eu dei a ela o prazo de uma semana — Viu Mary estreitar as sobrancelhas. — Uma semana pra ela cumprir o que disse. Se nessa semana eu vir que é só fingimento, eu vou embora de uma vez. — Seu coração apertou. Desejava mais que tudo que Regina lhe demonstrasse o contrário. — Eu até pedi pra ela não contar ainda pro Henry que eu tô aqui. Quero ver como as coisas ficam primeiro. Por isso te peço a mesma coisa. Não conta pra ele amanhã na escola, tá?
– Emma, Storybrooke é uma cidade pequena. Ele vai saber a qualquer momento.
– É, Regina disse a mesma coisa. — Acabou rindo bobamente ao pensar nela. — Mas eu quero ver pelo menos como fica amanhã. — Disse sem pensar.
– Por quê? O que tem amanhã?
Emma sentiu os músculos retesarem.
– Quis dizer que amanhã vai ser o primeiro dia, né. Desse prazo. Quero ver como a Regina vai se portar.
–Hum, entendi.
– Mas bom, eu posso ficar aqui de novo ou não? — Disse um tanto animada.
– Claro que pode! — Sem aviso Mary Margaret a abraçou. — Fiquei feliz que voltou. Tomara que tudo dê certo e você não vá embora mais. Gosto muito de você, Emma.
A loira sorriu.
– Também gosto muito de você. — Deu um leve aperto no abraço. — Bom, agora eu preciso tomar um banho e relaxar. — Saindo do abraço, levantou do sofá.
– Eu tava preparando o jantar.
– Huum, ótimo. Tô morrendo de fome. — Passou a mão pela barriga e fez uma careta. Arrancando um riso da amiga.
– Então vai logo lá, enquanto eu termino aqui. – Levantou-se também e foi para a cozinha.
Chagando no andar de cima, Emma foi para seu quarto, acendeu a luz, largou a mala ainda próxima à porta e se jogou na cama.
Barriga pra cima, pernas pra fora, olhar no teto. Soltou um longo suspiro e um leve sorriso se formou, fazendo um frio passar por sua barriga ao pensar em Regina.
O que não saía de sua cabeça era o olhar suplicante da morena no momento em que estavam na estrada. Quando ela lhe pedia para ficar.
“Será que agi como uma boba? Regina já mentiu pra mim tantas vezes”.
Remexeu-se na cama e seu sorriso se escondeu. O coração deu uma palpitada. Era o medo e a insegurança querendo vir à tona.
“Não. Ela tem razão. Ela pode ter errado muito, pode não ser a melhor pessoa do mundo, mas eu conheço ela”.
“Tudo que ela me disse é verdade”.
“Apaixonada por mim”. O sorriso bobo se fez presente novamente, trazendo aquelas borboletas que insistiam em voar no seu estômago cada vez que pensava na Prefeita.
“Ai, Regina, o que você fez comigo?” Fechou os olhos e passou a mão pela testa.
Estava ansiosa pra vê-la de novo, conversar melhor com ela, ouvir o que ela teria a dizer sobre tudo isso. Enfim, saber se poderia mesmo confiar nela. Dessa vez sim iria cumprir o que estava prometendo para si mesma e não iria se jogar tão fácil nisso tudo. Precisava confiar, ter certeza de que Regina não iria voltar a trás.
Não suportaria se entregar e se machucar de novo. Como foi com Neal e como foi com a própria Regina. Porque antes de tudo isso acontecer, estava se entregando. Mas dessa vez não. Iria ter calma. Se Regina a queria, teria que ter paciência.
Mas será mesmo que conseguiria ir com calma? Era fácil pensar assim, contudo agir provavelmente seria bem mais difícil. Emma sabia bem o poder que a outra mulher tinha sobre ela. Bastava olhar pra si agora pra saber disso. Estava em Storybrooke e não em Boston. Devido a Regina.
Soltou um longo suspiro enquanto erguia seu tronco e ficava sentada na cama. Estava séria agora. “Espero não ter tomado a decisão errada, Regina”. Pensou como se falasse com ela, antes de se levantar e ir para o banheiro.
Tomou um banho rápido e desceu para comer. Durante o jantar, Mary Margaret continuou lhe fazendo perguntas. Era como se soubesse que faltava alguma peça na história que Emma contou. Mas a loira ainda não estava pronta para se abrir com ela sobre seus sentimentos. Nunca foi boa com isso. E ainda mais se tratando de uma mulher e sendo essa mulher Regina.
Quando acabou de comer, Emma conversou um pouco mais com a amiga e então subiu para o quarto e deitou-se. Estava exausta. E com dor nas costas por ter passado todo o dia sentada dentro do fusca.
Esticou o corpo na cama e relaxou. Não estava exatamente com sono, mas estava cansada.
Logo, seus pensamentos viajaram até aquela mulher linda de cabelos negros que agora dominava sua mente. Como seria o encontro de amanhã? Estava começando a bater uma ansiedade.
Será que havia feito o certo não indo embora? Dando uma chance a Regina. Será que ela merecia depois de tudo?
Tantas coisas ruins começaram a passar por sua cabeça. Regina armou contra ela tantas vezes. Foi literalmente uma pessoa ruim, usando de qualquer artifício pra prejudicá-la.
Remexeu-se na cama, abriu os olhos e soltou o ar com força. Era por essa pessoa que estava apaixonada? Por uma mulher que tantas vezes foi cruel. Começava a sentir uma pontada de raiva de si por ter desistido de partir. Sentia-se uma tremenda idiota agora. Era como se Regina a manipulasse e fizesse o que bem queria.
“Ah, que droga! Eu devia ter ido embora!”
“Ela armou pra eu ser presa, me prejudicou em tudo, quis afastar o Henry de mim a qualquer custo, e agora eu to aqui só por que ela pediu?!”
“Que inferno, Emma, sua idiota! Quando você vai aprender a lição? Já não basta o Neal, tenho que deixar a Regina me manipular e me machucar também?!”
Ficou ali durante longos minutos remoendo isso. Sentindo-se uma grande otária.
“Mas... eu disse tantas vezes pro Henry dar uma chance a ela porque ela podia mudar. Que ela amava ele, mas que todo mundo comete erros. E agora eu não vou seguir meu próprio conselho?”
“Não, não posso agir assim. Não depois de tudo que aconteceu hoje. Realmente ela não teria nenhum motivo pra me impedir de ir se não fosse verdade tudo que disse.”
“E afinal... ninguém é perfeito. Eu também não fui nenhuma santinha”. Recordou como era sua vida anos atrás. Teve que roubar, enganar. Fez coisas de que não se orgulhava. Mas também não se arrependia, pois foi a única maneira que encontrou para sobreviver.
“E além de tudo isso... abandonei meu próprio filho. E mesmo assim ele me perdoou e me deu uma chance”.
“Regina errou muito também. E por quê? Por medo de perder o filho”.
“Talvez eu não seja tão diferente dela. Apenas agimos errado por motivos diferentes”.
“O medo pode levar qualquer um ao extremo”.
O quarto estava silencioso e ela em meio a tantos pensamentos. Assustou-se quando ouviu o alerta de mensagem de seu celular.
Apesar de ter saído meio abafado, ela ouviu. O celular ainda estava no bolso da jaqueta. E a jaqueta estava jogada numa cadeira, junto com a blusa e a calça.
Pensou em ignorar. Estava com preguiça de levantar. Mas imediatamente sua mente voou até Regina e seu coração acelerou. Será que era ela?
Bom, aquela hora... quem mais poderia ser?
Levantou e pegou o celular, ansiosa, torcendo pra que fosse ela. Olhou o visor e este indicava: Nova mensagem de Regina Mills.
Sorriu encarando o aparelho. Correu para a cama e deitou, cobriu-se, aconchegou e então abriu a mensagem.
(10:36) Olá, senhorita Swan.
Emma riu. Não havia nada demais escrito ali, mas quando se tratava de Regina, tudo em Emma entrava em euforia. Sentiu-se realmente uma boba agora, pois há minutos atrás estava praticamente se arrependendo de ter voltado, e agora sentia alegria por causa de uma simples mensagem.
Do outro lado daquela tela, lá na mansão 108, Regina esperava ansiosa por uma resposta. Com seu coração acelerado, olhando fixamente pra tela do celular em suas mãos. Assim como Emma, também já estava deitada, tinha apenas a luz do abajur iluminando o quarto.
Sorriu quando viu o visor acender e indicar que uma nova mensagem havia chegado. Abriu imediatamente.
(10:37) Ola, senhora prefeita
Regina estava insegura, só queria ter certeza que Emma não iria mudar de ideia no dia seguinte e ir embora. Falar com ela era como ter certeza de que ela estava ali. Quis ligar, mas não teve coragem.
Ficou olhando aquela frase no celular e se perguntando o que responder. Afinal ela havia puxado a conversa, mas não sabia muito bem o que falar.
Digitou e apagou alguma vezes, nervosa. Até que enviou:
(10:39) Eu estava pensando em você e quis te dar boa noite. Bom, então, boa noite.
Na verdade, não queria apenas dar boa noite, só que não sabia direito o que falar.
(10:40) Ja vai dormir?
Emma perguntou, ignorando o “boa noite” que ela havia dado.
(10:41) Acho que sim. Estou cansada. O dia foi longo.
Emma leu e lembrou que Regina havia ficado o dia inteiro na Prefeitura esperando por ela. Sem saber se ela iria mesmo aparecer. E quando chegou, ela estava chorando. Seu coração apertou e ao mesmo tempo ficou feliz ao lembrar disso. Porque havia sido uma prova de que a morena realmente se importava.
(10:43) Verdade. O dia foi longo mesmo. Entao vai descansar, amanha a gente se fala
Emma também não sabia muito bem o que falar. Estava um tanto nervosa e não queria demonstrar o que realmente estava sentindo.
Regina engoliu a saliva com dificuldade ao perceber o tom seco daquela mensagem. Isso fez seu peito apertar. Mas também não podia esperar que Emma estivesse toda cheia de carinhos. Isso era óbvio. Ela estava magoada, com raiva. E era Regina que deveria convencê-la de que poderia confiar nela.
Ficou pensando no que dizer. Realmente era péssima com essa coisa de gostar de alguém.
(10:45) Além do boa noite, eu também queria dizer que estou feliz por você não ter ido embora. Por ter decidido me dar uma chance.
Nem sequer se lembrava da última vez que havia se mostrado tão exposta com seus sentimentos. Provavelmente havia sido com Daniel. E naquela época ainda era uma menininha inocente. Agora era tão mais difícil agir assim, precisava lutar contra o próprio escudo que havia criado todos esses anos.
Seu coração acelerado esperando ansiosamente que ela respondesse.
Emma leu e releu aquilo com o semblante sério. Queria muito acreditar nisso. E acreditava de fato. Mas ainda não confiava. Apesar de confuso, eram duas coisas bem diferentes. Respirou fundo e digitou a próxima mensagem.
Regina já estava aflita porque ela não respondia, quando finalmente a mensagem chegou.
(10:48) Espero q eu nao me arrependa disso
Pelo visto seria mesmo difícil. Mas já esperava, a loira era teimosa.
(10:48) Não vai se arrepender. Eu juro!
Emma sorriu levemente ao ler aquela resposta. Tinha o coração acelerado. Regina parecia mesmo disposta a tudo aquilo. Pela atitude dela hoje cedo, pelo olhar, por ter sido ela a enviar uma mensagem e por esse “eu juro”.
Não queria demonstrar totalmente seus sentimentos até confiar nela, mas também não conseguia não demonstrar nada.
(10:50) Ja avisou pro henry q vai sair amanha a noite?
Os olhos castanhos brilharam ao ler aquilo. Sorriu largamente. Então Emma não havia mudado de ideia. Seu coração bateu ainda mais forte.
(10:50) O encontro ainda está de pé então?
(10:51) É claro q sim. Pq?
A felicidade invadindo cada vez mais o coração de Regina.
(10:52) Não sei. Só fiquei com medo de você desistir.
Foi sincera.
Emma achava engraçado o jeito como Regina escrevia tudo certinho nas mensagens.
(10:53) Eu te dei minha palavra e vc pode confiar
A morena sentiu a indireta naquela frase. Achou melhor se fazer de desentendida pra não ficar um clima chato. Tomou coragem para perguntar o que queria. Sorriu nervosa enquanto digitava a mensagem.
(10:55) Emma, eu não quero ser chata, mas é que estou curiosa. Você já pensou onde vamos?
Emma pensou um pouco. Na realidade ainda não tinha cogitado sobre o lugar.
(10:57) Bom entao, acho q na lanchonete da vovo =)
Regina semicerrou os olhos para ler de novo, porque não acreditou no que estava escrito. Foi o suficiente para seu semblante fechar e sentir uma certa irritação tomar conta de si.
(10:58) Lanchonete da vovó? Sério?
Emma ficou confusa com aquela resposta.
(10:58) Sim. Pq?
Regina respirou fundo buscando sua calma. Emma só podia estar de brincadeira.
(10:59) Você tá brincando, não é Swan?
O que tinha dado nela? Era o que Emma pensava. Mudou assim repentinamente.
(11:00) Nao. Qual o problema com a lanchonete?
Regina revirou os olhos quando leu.
(11:01) Ah nenhum. Só o fato de ser o lugar mais comum da cidade e irmos lá praticamente todo dia.
Emma riu. Então Regina estava irritada porque queria um lugar mais... especial? Era o que estava parecendo aos olhos de Emma.
(11:02) rsrsrs. Desculpa senhora prefeita. Eu nao planejei com antecedencia. Foi meio em cima da hr sabe
(11:03) Certo, Swan. Mas por favor, eu não quero ter um encontro naquela lanchonete. Vamos fazer assim, eu escolho o lugar, está bem?
Regina como sempre querendo comandar a situação e fazer tudo do jeito dela. Foi o que Emma pensou.
(11:05) Ate onde me lembro fui eu q te chamei pro encontro. Se vc escolher o lugar vai parecer q é vc q tá me levando
(11:06) E até onde me lembro você me deu uma semana pra mostrar que eu não vou mudar de ideia. Então considere isso como parte do trato. Ainda vai ser você a me levar, eu só vou escolher o lugar.
Emma no fundo achou aquilo tão fofo. Em um único dia estava conhecendo um lado daquela mulher que nunca imaginou ver. Mas iria fingir um pouco de indignação.
(11:07) Hum, e q lugar seria esse madame prefeita, posso saber?
(11:07) Bom, eu tenho um em mente. Mas vou ver direito e amanhã te falo. Está bem?
O coração da Prefeita não parava de bater forte. Era uma mistura de alegria com ansiedade. Mal conseguia acreditar que ela não tinha partido.
Com Emma não era tão diferente. A emoção que sentia apenas por falar com ela por mensagens lhe consumia o peito. Como era possível que o que sentisse fosse assim tão forte? Estava com tanto medo de se entregar. No fundo de sua alma desejava como uma garotinha amedrontada que Regina não lhe ferisse de novo.
(11:08) Ta certo entao
Respondeu tentando parecer indiferente.
Regina sabia que não iria ser fácil romper essa barreira que Emma havia criado. Ela estava fria, diferente da outra vez que trocaram mensagens. E não era pra menos. Mas estava disposta a lutar, sabia que Emma valia a pena. E havia lhe dado uma chance depois de tudo. Isso queria dizer muito.
A ameaça iminente da maldição ainda pairava por sua cabeça, lhe causa medo, gelava sua espinha. Mas no momento em que se viu prestes a perder a presença da loira, foi como se a maldição tivesse ido pra segundo plano. Não sabia o que iria fazer se ela realmente se quebrasse, só que nesse momento estava tão apaixonada por ela que era só nisso que conseguia pensar. E na felicidade de Henry.
Antes que pudesse responder, recebeu uma nova mensagem da loira.
(11:10) Bem, agr eu vou dormir. Como vc disse o dia foi longo e to cansada
Sentia Emma tão apática naquelas mensagens. Mas a loira já havia lhe dado a chance, agora cabia a ela mudar essa situação. Estava apostando todas as suas fichas nesse encontro.
(11:11) Está bem, eu também vou. Boa noite. E durma bem. Até amanhã.
(11:11) Boa noite pra vc tbm. Ate amanha
Foi só o que Emma disse. Regina esperou que ela se despedisse com um beijo em outra mensagem, mas não aconteceu. E sendo assim, também ficou quieta. Depositou o celular na mesinha de cabeceira, apagou a luz do abajur e se acomodou para dormir.
Permaneceu alguns minutos ainda com os olhos abertos, pensando nela. Pensando em tudo que tinha acontecido até ali desde que se conheceram. Será que Emma a odiava?
Mas se odiasse, por que resolveu ficar e lhe dar uma chance? Não, Emma não a odiava. Estava apenas magoada e com raiva.
Fechou seus olhos, soltando o ar de seus pulmões, desejando que a noite passasse correndo. E o dia voando. Pra que pudesse estar logo com ela nesse encontro.
No pequeno quarto do apartamento, Emma fitava o teto escuro, um braço dobrado sob a cabeça. Ainda se perguntava se tinha tomado a decisão certa. Mas aquilo era apenas seu orgulho falando alto demais. Porque no fundo sabia que tinha feito a coisa certa sim. Regina merecia uma segunda chance. Assim como Henry deu-lhe uma também, a perdoando por tê-lo abandonado.
Estava mais do que ansiosa pra esse encontro. Queria estar com ela, sentia saudade já. Só queria que Regina cumprisse tudo que lhe disse e não agisse como uma pessoa ruim novamente.
*****
Ao contrário do que Emma imaginou, o dia havia passado mais rápido do que esperava. Já se passava das três da tarde. Esteve todo o dia no apartamento e estava entediada. Mesmo assim a hora pareceu voar.
Regina havia ficado de lhe informar sobre o local, mas até agora não havia dado sinal de vida. Já estava nervosa. Estava mesmo com um pé atrás. Parecia que de uma hora pra outra a morena ia simplesmente mudar de ideia. E o fato dela não ter “aparecido” ainda, lhe causava essa sensação.
Sentiu vontade de ir para a delegacia. Lá – apesar de ser um tédio também às vezes – pelo menos sempre acabava encontrando algo para se distrair. Mas havia abandonado o posto de Xerife.
Estava sentada na cozinha quando ouviu o barulho da chave na porta.
– Oi. – Mary Margaret cumprimentou.
– Oi. – Respondeu desanimada.
– Que foi? – Mary perguntou percebendo.
– Que foi o que?
– Você parece chateada.
Emma suspirou.
– Só to entediada. – “E ansiosa por causa da Regina”. Mas não ia falar isso.
– Por que você não foi pra delegacia?
– Porque não sou mais a Xerife.
– Mas se vai ficar na cidade, é claro que vai continuar a ser a Xerife. Você e a Prefeita não conversaram sobre isso ontem?
– Não. – Emma se remexeu um tanto desconfortável. – E também não sei se vou mesmo ficar.
– Emma, eu tava pensando. – Andou até ela e sentou-se também. – Sobre o que você disse que a Regina fez. Acho que ela não teria nenhum motivo mesmo pra pedir pra você ficar se não tivesse boas intenções. Apesar de eu não confiar nela, acho que dessa vez ela agiu de boa fé. E além do mais... Henry precisa de você...
Emma percebeu que a amiga ficou hesitante, como se quisesse falar algo a mais.
– Que foi?
Mary Margaret respirou bem fundo e olhou pra ela.
– Ele tava tão triste na aula hoje. Quase achei que seria preciso chamar a Prefeita pra buscar ele. Porque ele parecia até doente.
Foi como se seu coração tivesse ficado tão pequeno que já não batia. O que Mary disse causou um profundo aperto em seu peito.
– Sei que quando você pensou em ir embora você só tava querendo o melhor pra ele. Mas realmente acho que o melhor pra ele é você ficar aqui, junto com ele. Mesmo que se conheçam há pouco tempo, ele já te ama muito.
Emma olhou pra baixo sem saber o que dizer. Ela tinha toda razão. Quando decidiu ir embora, realmente pensou em Henry, queria que ele não tivesse mais que conviver com todos aqueles desentendimentos entre suas duas mães. Mas no fundo estava tentando fugir de sua situação com Regina. Era apenas esse jeito que Emma conseguia sobreviver às emoções ruins: fugindo. Quando já não se sentia bem em um lugar, ia pra outro.
– Você disse que deu uma semana pra ver como ficam as coisas com ela. Mas pensa um pouco você também. Seu filho precisa de você, Emma.
Desviando o olhar pra baixo mais uma vez, Emma expirou forte.
– Você tá certa. Mas preciso ver se ela também tá disposta a isso. A conviver civilizadamente. Porque quem mais sofre com essas brigas todas é ele.
– Eu sei. Vamos torcer pra ela agir como uma pessoa normal. – Riu.
– É, vamos. – Esboçou um sorriso.
– Você almoçou? – Perguntou se levantando.
– Sim. Eu pensei em comer no Da Vovó, mas me virei por aqui mesmo.
Um barulho se fez presente, chamando a atenção das duas mulheres. Era o celular de Emma que tocava sobre a mesa. A loira imediatamente olhou pra ele e o pegou. No visor: Regina Mills.
Sentiu uma onda quente atravessar seu corpo, disparando seu coração.
– Me dá licença rapidinho, Mary. – Falou levantando da mesa com certa pressa. – Oi. – Atendeu um tanto exasperada, já subindo as escadas. Mary Margaret apenas a observou curiosa, Emma estava agindo estranho.
– Oi, Srta. Swan. – Regina respondeu do outro lado da linha.
– Oi. – Emma disse de novo, de um jeito menos nervoso, deitando em sua cama.
– Bom, como eu havia te dito, liguei pra informar o local de mais tarde. É um restaurante do outro lado da cidade. – Regina ia falando tudo de uma vez. Sentia o nervosismo a flor da pele, mas tentava não demonstrar. Estava sentada em sua cadeira na Prefeitura, tentando manter sua altivez. – Bom, não combinamos direito como seria. Na verdade não combinamos nada. Prefere que eu te passe o endereço e nos encontramos lá ou você... passa lá em casa pra me buscar?
Emma achou legal, um restaurante, em se tratando de uma escolha da Prefeita, ele deveria ser um tanto chic. Bem, ela tinha que admitir, era bem mais elegante pra um primeiro encontro do que a lanchonete da Vovó.
– Então, não prefiro nenhum dos dois. – Regina ouviu sem entender. – Acho melhor nos encontrarmos na Prefeitura. Se eu te encontrar na sua casa o Henry vai ver e... enfim, eu te expliquei. E, bom, preferia que a gente fosse junto. – Disse meio sem pensar. Regina sorriu do outro lado. – Assim você vai me mostrando o caminho. – Tentou se consertar. Mas obviamente era pretexto, afinal a morena poderia muito bem lhe passar o endereço.
– Está bem, Swan. – Disse sorrindo, escondendo que havia percebido o embaraço da outra. – Fiz reservas pra nós às sete horas. Então podemos nos encontrar aqui as 6:40. O que acha?
– Tá ótimo. – Disse tentando não se mostrar muito ansiosa.
Ambas estavam nervosas e ansiavam por aquele momento, porém a todo custo tentavam não deixar a outra perceber.
– Então, está bem. – Regina pronunciou, vendo o silêncio que começara a se formar. Aquilo a deixou um tanto aflita. Como seria esse encontro se Emma estava tão indiferente?
– Ok. Te vejo aí na Prefeitura 6:40.
– Ok. Até mais tarde. Tchau. – Despediu Regina.
– Tchau.
Quando desligaram, Regina deu uma respirada forte enquanto depositava o telefone na mesa. Estava receosa sobre o que podia esperar desse encontro. Não era nada boa com essa coisa de sentimento, a única vez que havia tido um encontro foi com Daniel, e mesmo assim eram fugas às escondidas. E Emma estava tão diferente de como demonstrara na Prefeitura no dia anterior.
Emma, jogada na cama, refletia sobre tudo que estava acontecendo. Mais tarde estaria num encontro com Regina. Sentia sua respiração ofegante, precisava controlar aquele nervosismo.
Apesar de tudo, lá no fundo, aquela pontada de alegria insistia em lhe cutucar. E pensar nela e na outra mulher em um momento assim só delas, a fez esboçar um pequeno sorriso.
*****
Estava anoitecendo, Regina estava se arrumando para o encontro. Saiu do banho, passou seus cremes hidratantes, queria sentir sua pele macia e cheirosa. E agora estava num dilema: Que roupa usar?
Parada em frente ao guarda-roupa apenas de calcinha e sutiã, olhava suas roupas e nenhuma parecia ser boa o suficiente. Já estava impaciente, alguns vestidos estavam jogadas sobre a cama. Não conseguia escolher. Queria ficar linda, queria que Emma a achasse bonita.
E então, passando as mãos pelos cabides, se deparou com aquele vestido vermelho. O vestido que Emma e Henry haviam comprado pra ela há algum tempo.
Regina retirou o cabide do suporte, sentou-se na cama segurando o vestido e o olhando, lembrando-se do ocorrido. Quando sofreu o acidente de carro foi Emma quem a ajudou. E achando que a loira só havia feito aquilo por obrigação, Regina deu dinheiro a ela como gratificação.
Mas Emma não quis. E fez a coisa mais surpreendente que a Prefeita poderia esperar. Foi com Henry em uma loja e usou o dinheiro para comprar presentes pra ela.
Eram o vestido que Regina segurava, um casaco e um par de sapatos de saltos. A mulher sorriu. Era o traje perfeito para aquela ocasião. Será que Emma iria reconhecer as roupas quando a visse usando? Foi a pergunta que passou pela cabeça dela.
Colocou o vestido cor de sangue. O tecido era leve, parecia deslizar no corpo. Tinha alças finas e um decote bem sugestivo, então Regina precisou trocar o conjunto de lingerie que estava usando por um com um sutiã meia taça sem alças.
Decida a roupa, foi para a maquiagem. Como era noite, tratou de realçar bem seus olhos. Cuidou de cada detalhe. E o toque final que não poderia faltar... Seu batom vermelho. Que aliás, estava combinando com o vestido.
A cada passo que dava, cada coisa que fazia, seu coração disparava. Sentia seu corpo quente a todo instante. Era a ansiedade, o nervosismo, talvez até um pouquinho de vergonha. E muita, muita insegurança.
Mas claro que Regina Mills não iria se deixar transparecer insegura. No dia anterior havia sim se exposto, aberto seu coração e demonstrado seus sentimentos. Mas também não era por causa disso que agora precisava agir como uma coitadinha implorando amor na frente de Emma. Ao contrário, Emma se atraiu por ela do jeito que ela é. Altiva e imponente. E era assim que continuaria sendo. Mesmo que por dentro todo seu ser gritasse medo.
Terminou a maquiagem e ajeitou os cabelos. De repente um leve sorriso despontou de seus lábios avermelhados ao pensar que estava se arrumando para Emma. Queria ficar bonita pra ela. Queria que a loira a olhasse e a desejasse.
Andou até a cama e logo sentou para calçar o par de sapatos preto. Era impressionante como um salto fazia toda diferença para Regina, com eles sentia-se poderosa, eles lhe davam um ar majestoso. O casaco preto, que também fazia parte do conjunto de presentes, estava sobre a cama, e assim que se levantou, o vestiu.
Colocou um par de brincos e então retirou da sua caixa de jóias o toque que faltava. O colar que Henry havia dado a ela junto com aquelas roupas.
Abriu o estojo se lembrando do momento em que ele mostrou o presente pra ela naquele dia. Como aquilo a emocionou. Foi até a frente do espelho para colocar a peça em seu pescoço. Assim que prendeu o fecho do colar, passou os dedos pelo pingente, olhando-o pelo seu reflexo no espelho. Era um pingente de coroa. Lembrou que Henry comentou no dia que havia escolhido a coroa porque ela era uma rainha. Sorriu. Apesar dele a considerar, ou melhor, saber que ela era a Rainha Má, ele ainda achava especial o fato dela ter sido uma Rainha?
Se perguntava isso enquanto admirava a jóia em seu pescoço. Olhou-se de cima a baixo no espelho e gostou do que viu. Estava deslumbrante, e sabia disso.
E por último, é claro, não podia faltar seu perfume. Escolheu seu favorito. Aquele que continha uma leve essência de maçã.
Agora sim estava pronta. Andou até o espelho de novo e deu uma última olhada, passou a mão pelos cabelos, depois pelas roupas como se quisesse ajeitar. Mas provavelmente seria impossível ficar mais linda do que já estava. Pegou sua bolsa e saiu do quarto.
Henry estava no quarto dele, cabisbaixo. Regina sabia que ele estava sofrendo, e torcia pra que Emma deixasse de ser cabeça dura e resolve logo ficar. Ele precisava dela, tinha que admitir. Apesar de isso ainda lhe causar um certo desconforto, sabia que a felicidade de seu filho dependia de Emma também. E ela queria Emma. Iria lutar contra esse ciúme que sentia do filho.
Bateu de leve na porta e adentrou o quarto dele.
– Já estou indo, querido.
Ele estava sentando na cama, como sempre com aquele livro aberto diante de si. Parecia que procurava encontrar respostas ali. Aquilo causava um certo calafrio em Regina.
– Tá bom. – Respondeu desanimado sem olhar pra ela.
– Você lembra de tudo que te falei? Ficar dentro de casa, não abrir a porta pra ninguém e me ligar se qualquer coisa acontecer. – Informou por talvez a vigésima vez naquele dia.
– Eu sei. Você disse isso um monte de vezes. – Ele estava indiferente, não dava importância se ela ia sair ou não.
– A pizza tá na geladeira, é só esquentar no microondas quando quiser comer.
– Você já disse isso também.
– Eu sei. Mas sou sua mãe, me preocupo.
Ele não deu bola para o que ela falou. Ela suspirou parada onde estava, e então andou até ele. Sentou-se na beirada da cama, ao seu lado. O livro estava aberto justamente numa página onde mostrava ela vestida com seus trajes de Rainha. Era a imagem do dia em que interrompeu o casamento da Branca de Neve com o Príncipe Encantando para anunciar que tiraria a felicidade de todos eles. Sentiu um arrepio subindo por sua espinha. Como era possível que aquele livro existisse? Sempre se perguntava isso.
Ele não esboçou nenhuma reação, foi como se ela nem estivesse ali. O menino estava apático.
– Acha que ela poderia mudar? – Regina perguntou de repente.
– Ela quem? – Olhou pra ela, confuso.
– A Rainha Má do seu livro. – A boca ficou seca. – Acha que ela poderia mudar... e ser... boa? – O encarou. Seu olhar direcionado a ele suplicava por uma chance.
Henry a observou, parecia analisá-la.
– Não sei... Talvez sim. Acho que todo mundo consegue mudar se quiser. Acho que se você tentasse de verdade ia conseguir. – Olhou fundo nos olhos dela. Como se mostrasse que havia entendido que ela se referia a ela própria quando fez a pergunta. A mãe sentiu uma palpitação e engoliu o pouco de saliva com dificuldade – A Emma me fez acreditar que você podia mudar... Mas agora nada disso importa mais. – Fez uma pausa e olhou pro livro de novo. – Ela foi embora e você venceu. Todo mundo vai ficar preso nessa maldição pra sempre.
– Henry, por que você adora me ferir falando essas coisas? E eu te disse que vou fazer a Emma ficar aqui.
– Eu não gosto de te ferir, só to cansado dessas mentiras todas! – Retrucou áspero – E não sei se acredito que a Emma vai querer voltar. Ela foi embora por causa de você!
Regina bufou irritada e levantou-se da cama. Ela é que estava cansada de tudo aquilo. E não queria discutir com ele justo nesse momento. E além do mais estava tentando mudar, precisava entender o lado dele também. Deu uma longa respirada e disse:
– Bom, eu já vou. Comporte-se e lembre-se do que eu disse. – Se inclinou e beijou cabeça dele. – Às dez eu estou de volta.
Ele nada respondeu, e ela já irritada deu as costas e saiu. Procurou tirar aquilo de sua cabeça. Estava contente porque teria um encontro e tinha que sair tudo certo.
Logo estava dirigindo em direção à Prefeitura. Extremamente nervosa, seu coração de jeito nenhum parava de bater ansioso. Sentia suas mãos suarem. Precisava controlar essa insegurança. Logo estaria com ela.
Emma estava parada em frente a Prefeitura, esperando pela morena. Havia chegado as 6:44. Achou que Regina já estaria lá, mas não. Então, como a Prefeitura estava fechada, tinha que esperar do lado de fora.
Em pé, recostada na lateral do fusca, Emma já olhava constantemente o relógio. Tinham marcado 6:40, Emma ainda chegou quatro minutos atrasada, e agora já eram 6:55 e nada de Regina aparecer. Estava começando a se irritar. Será que ela tinha desistido?
Foi só pensar isso, viu o carro de Regina estacionar logo atrás do seu. Seu peito disparou de um jeito diferente. A morena saiu do carro e nossa... Estava linda! Emma sentiu a boca secar de imediato, suas mãos começaram a suar.
– Desculpe, estou atrasada. – Regina disse com um sorriso constrangido ao se aproximar.
– Tudo bem. – Escondeu o estado de ansiedade que estava ao achar que ela não iria mais.
Foi só nesse momento que Regina parou para observar a loira. Seus lábios se entreabriram quando a olhou de cima a baixo sem conseguir controlar. Ela estava... simplesmente... Perfeita.
Jamais havia visto Emma desse jeito. A loira usava uma calça preta colada ao corpo, um casaco vermelho que se ajustava a cintura e ia até o meio das coxas, um par de botas pretas de cano curto e saltos altos e finos. O ondulado costumeiro de seu cabelo não estava lá, eles estavam bem mais lisos. E para a surpresa total de Regina, ela estava maquiada. Era uma maquiagem leve, mas que havia realçado totalmente a beleza de seu rosto.
Regina mexeu os lábios algumas vezes, mas não conseguia falar. Estava literalmente sem palavras. Quando conseguiu formar uma frase na mente, saiu meio afobada.
– Nossa... Você está... Linda! – Sorriu sem jeito voltando a encará-la.
Emma corou, sentiu seu corpo quente com aquele elogio.
– Gostou? – Perguntou meio sem pensar. Estava encabulada com o jeito que Regina a tinha olhado.
– Gostei muito. – O sorriso estampado em seu rosto. Emma estava deslumbrante.
Emma, então, reparou nas roupas da mulher a sua frente. E rapidamente constatou que eram as roupas que ela havia escolhido junto a Henry naquela ocasião. E como ela ficava incrivelmente perfeita nelas.
– Você também está muito bonita. – Disse procurando parecer um tanto indiferente, tentando não demonstrar toda a emoção que sentia dentro de si naquele momento.
Ambas tinham o coração acelerado, as mãos suando, aquele friozinho na barriga. Depois que Emma pronunciou aquilo, um breve silêncio se formou enquanto seus olhares invadiam uma ao outro.
– Bom, então vamos? — Foi Emma quem sugeriu, andando até a porta do fusca e, prestes a abri-la, Regina se pronunciou.
– Aí? – Perguntou apontando levemente para o veículo amarelo.
– Lógico. Onde mais seria?
– No meu.
– Ah, não! Você já escolheu o lugar. Vamos no meu carro. – Deu ênfase ao “meu”.
– Carro? – Riu debochada. Emma arqueou a sobrancelha indignada. – Emma, eu não vou... nisso! – Pronunciou com um tanto de nojo.
Emma ficou incrédula. E irritada com a arrogância dela.
– Isso... – Enfatizou apontando pro carro. – Se chama fusca. E aliás, isso... – enfatizou novamente. – já salvou sua vida uma vez. Ou já se esqueceu?
– Não, eu não me esqueci. Mas isso não quer dizer que eu tenha que morrer de amores por essa coisa.
Emma cruzou os braços no peito e fez uma expressão irritada, como quem pergunta “e então?”.
– Vamos no Mercedes. – Regina disse colocando uma mão na cintura.
A loira ia retrucar, mas no lugar disso teve uma ideia muito melhor, que sabia que ia irritar a mulher.
– Tudo bem. – Sorriu. – Vamos no seu então... Mas eu dirijo. – Sua expressão se tornou quase maléfica.
– Isso não! É o meu carro, eu dirijo!
A loira revirou os olhos.
– Ai, meu deus, por que você tem que ser sempre assim? Tem que discutir por tudo.
– Não estou discutindo, só to falando o óbvio. Já decidimos que vamos no Mercedes. Então eu dirijo.
– E eu já disse que só vamos no Mercedes se eu dirigir.
– Olha só...
– Se não for assim, eu não vou a lugar nenhum! – Emma a interrompeu e recostou na porta do fusca. – E aí não vai ter encontro nem nada. – Falou desafiante, com os braços cruzados, olhando pra ela.
Regina fez silêncio e lhe lançou um olhar irritado. Tinha que ceder.
– Ah, tá bom, Swan! Você dirige! – Concordou revoltada, revirando os olhos. Andou até Emma com raiva, batendo seus saltos no chão. Estendeu a mão para entregar a chave a ela.
Quando Emma abriu a mão pra pegar, ela a depositou com força.
– Anda logo! – Regina ordenou já andando até o Mercedes.
E Emma sorriu vitoriosa.
Entraram no carro da Prefeita, e Emma no fundo se sentia uma criança com um brinquedo novo. Sempre teve vontade de dirigir o carro dela. Ajustou o banco, os espelhos, colocou o cinto. Regina a observava, a loira tinha um sorrisinho contido, como se não quisesse sorrir, mas não aguentasse.
– É longe o restaurante?
– Nada nessa cidade é longe. – Regina respondeu insatisfeita.
– Vai me dizendo o caminho.
– Uhum.
– Ahhg!! – Emma grunhiu com irritação quando deu a partida no carro.
– O que foi? – Perguntou Regina assustada e confusa.
– Ah, é difícil dirigir com esses saltos. – O carro já finalmente em movimento.
Regina riu dela.
– Devia ter me deixado dirigir, Srta. Swan. – Provocou com um toque de soberba.
– E perder a chance de dirigir esse carro? Nem pensar. – Regina voltou a olhar pra frente sorrindo. – E além do mais eu que tenho que te levar, fui eu que chamei.
– É, você tem razão. — A morena concordou.
– É o que?! – Perguntou fingindo não ter entendido.
– O que o que?
– O que você disse.
– Que você tem razão. Sobre me levar.
– Nossa! Esse dia vai entrar pra história. Regina Mills dizendo que eu tenho razão. É acontecimento extraordinário. – Emma precisava quebrar aquela sensação dentro de si, aquele medo, vergonha. E o único jeito que conhecia era o que fazia antes... Provocando ela.
Regina revirou os olhos, mas riu.
– Não acostume. – Respondeu fingindo seriedade.
Seu coração batia tão acelerado. Ali, sentada a seu lado, conseguia sentir o cheiro dela. E como adorava aquele cheiro. Fazia-lhe sentir vontade de abraçá-la, só pra chegar mais perto e aspirar aquele aroma gostoso. Era quase como se a cada nova vez que estava perto dela, se apaixonasse mais um pouco. Porque o que sentia por estar perto dela novamente agora era ainda mais forte do que o que havia sentido no dia anterior. Como isso era possível? Esse encontro precisava dar certo.
Foram a maior parte do caminho em silêncio, com exceção apenas dos momentos em que Regina lhe dava as coordenadas para chegar ao local. Estavam ambas encabuladas e nervosas. Regina com aquela insegurança que tentava esconder. E Emma com aquele medo de que tudo não passasse de um capricho da Prefeita.
Não demorou muito e chegaram ao restaurante. Ao descerem do veículo, Emma entregou a chave para Regina guardar na bolsa.
Quando entraram Emma observou o lugar com um certo brilho nos olhos. Era bem bonito. Não era tão grande, porém aconchegante. O ambiente era agradável e tocava uma música suave. Quadros de vários estilos decoravam as paredes do lugar. As toalhas das mesas tinham detalhes em xadrez, com branco e vermelho. Cada mesa possuía uma vela, dando um toque ainda mais romântico ao lugar.
Regina percebeu como Emma observava o lugar com um olhar admirado. Sentiu um friozinho na barriga ao ver ela daquele jeito.
– E então, Srta. Swan, o que acha?
– Já gostei que não é no Da Vovó.
Regina riu do que era óbvio.
– Bom, era você que queria ir lá.
– Desculpa se não tenho tão bom gosto quanto você, Madame Prefeita. – Dizia debochada enquanto se encaminhavam para uma das mesas.
– Não se preocupe, eu tenho bom gosto suficiente por nós duas. – Respondeu séria, contudo, um tanto sarcástica.
Quando entraram, alguns olhares se direcionaram a elas. Era de se esperar. Afinal eram a Prefeita e a Xerife entrando juntas em um restaurante. Emma cumprimentou um ou outro conhecido com um aceno de cabeça, enquanto Regina não fez a menor questão. Desprezava aquelas pessoas tanto quanto era desprezada por elas.
Ambas retiraram seus casacos e depositaram no encosto das cadeiras onde se sentaram. Uma de cada lado da mesa, de frente pra outra. Regina viu que a loira usava uma blusa preta bem justa. Era comprida e ia até abaixo da cintura pegando uma parte das coxas. Não era decotada, se alongava até próximo o pescoço, mas realçou as formas dela. Estava linda com aquela blusa.
Logo o garçom trouxe o cardápio pra elas. O silêncio tomou conta das duas enquanto olhavam o objeto de escolha em suas mãos. Ambas nervosas e um tanto constrangidas.
– Ficou tudo bem com o Henry? – Emma perguntou de repente capturando a atenção da outra. – Quer dizer, dele ficar sozinho.
– Eu espero que sim. – Respondeu voltando a olhar a lista de comidas. – Disse pra ele me ligar se qualquer coisa acontecer.
– Aposto que você deixou uma lista enorme de regras a seguir. – Afirmou com um sorrisinho de canto.
Regina a olhou calada. Não tinha literalmente deixado uma lista, porém realmente deu várias instruções a Henry. Emma a encarou como quem diz “sabia”.
– Relaxa, não vai acontecer nada. Ele foi sozinho pra Boston. Acha que não sobrevive três horinhas sozinho? Além do mais ele fica sozinho todos os dias quando você tá na Prefeitura.
– Mas não à noite. – Retrucou.
– Dá no mesmo. Ele é um garoto esperto, sabe se cuidar.
Regina suspirou e seu olhar ficou vago, embora fingisse olhar pro cardápio.
– Que foi? – Emma percebeu.
Regina relutou um instante, mas falou.
– Eu fiquei preocupada porque ele tá muito triste. Por achar que você foi embora. E ele tá com raiva de mim. Me culpando por isso. Você sabe como ele é. Tenho medo dele fazer alguma besteira, dele fugir. – Desabafou com um olhar preocupado.
Emma pôde sentir realmente o medo na voz dela. Desviou o olhar, pensativa.
– A Mary Margaret me disse que ele tava bem triste.
– Pois é. E me acusando de ter a culpa de tudo. – Respirou fundo, começava a se irritar. – E eu não podia falar nada, porque você não quis que eu contasse.
Emma sentiu um aperto no peito. Henry devia estar desprezando a mãe. Tudo bem que Regina não era santinha na história, ao contrário. Contudo Emma se comovia por saber que ele a tratou mal. Afinal sabia o quanto ela o amava.
– Não é melhor dizer logo pra ele que você tá aqui?
– Ainda não sei se vou ficar. – Disse mais dura do que gostaria.
– Tá certo. – Regina desviou o olhar para o menu novamente.
A loira pôde perceber que ela ficou sentida.
– Vamos ver pelo menos como vai ser hoje, tá bem? Depois nós vemos como fica.
Regina não sabia se havia sido apenas modo de dizer, mas gostou de ouvir aquele “nós”.
– Tá bem. – Sorriu levemente.
Se entreolharam por breves segundos.
– Bom, vamos pedir então? – Emma pronunciou animada. – Pensei em começarmos com um vinho antes de jantar. O que acha? – A encarou.
– Gosto da ideia. – Sorriu discretamente.
Aquele sorriso doce que de vez em quando aparecia no rosto daquela morena, e que aquecia o coração da loira.
– Ótimo. Posso escolher? – Emma perguntou.
Regina arqueou uma sobrancelha.
– Que foi? Acha que não sei escolher um vinho também?
– Bom, considerando que é a pessoa que queria ter um encontro naquela lanchonete.
– Não é tão ruim lá, vai. – Regina fez cara de indignada. E Emma quis cutucar mais. – É um lugar bem legal. – Sorriu travessa.
– Sim, mas não pra um encontro romântico. – Disse irritada, meio sem pensar.
Emma riu percebendo que ela corou ao dizer aquilo. Regina se atrapalhou com as palavras e não sabia mais o que dizer, estava envergonhada.
– Você quer escolher logo esse vinho?! – Regina disse nervosa.
– Ah, quer dizer que agora eu posso escolher então? Obrigada.
Percorreu a lista de vinhos com o olhar e sorriu quando encontrou o que queria. Com um aceno de mão o garçom se aproximou da mesa e Emma lhe indicou o vinho apenas apontando para o nome dele.
– Qual você pediu? – Regina perguntou assim que o garçom se afastou.
– Você vai ver.
Um breve silêncio se formou. E então dessa vez foi Regina quem decidiu tomar coragem e quebrá-lo.
– Queria te perguntar uma coisa.
– O que? – Indagou Emma.
– Então... você disse que ontem encontrou um restaurante na estrada e ficou por lá pensando. Mas... você chegou lá de manhã e só apareceu na Prefeitura à noite. Você ficou lá o dia todo bebendo? – Fez cara de pasma. O que fez Emma rir.
– Não. – Respondeu rindo. – Eu passei a manhã lá e almocei por lá também. Mas depois saí e fiquei dentro do fusca a tarde toda. Inclusive to com uma dor nas costas até agora. – Se remexeu na cadeira como se quisesse ficar mais confortável.
– Ah sim, entendi. – Regina sorriu do jeito que ela pronunciou a última frase. – Eu achei mesmo que você não ia aparecer. Que... tinha ido embora de vez.
– Eu cheguei a ligar o carro algumas vezes com esse intuito... Mas não tive coragem de ir. – Por que estava dizendo aquilo? Não deveria deixar ela saber dessas coisas.
– Que bom que não conseguiu. – Disse Regina sentindo o coração acelerar.
Emma ficou séria. Regina percebeu que ela iria falar algo, porém nesse momento o garçom retornou e ela se calou.
O rapaz trazia uma garrafa do vinho tinto Barefoot Cabernet Sauvignon. E logo serviu duas taças a elas, retirando-se em seguida, deixando a garrafa na mesa.
– Um brinde? – Perguntou Emma levantando sua taça.
– Claro.
Tocaram de leve as taças fazendo soar o leve barulho do vidro se chocando.
– Bom, vamos ver agora se você tem bom gosto mesmo, Swan.
Emma riu em vitória antecipada. Ambas provaram um gole da bebida.
– Huum, nossa! É delicioso. – Regina admitiu
– Viu só? Eu disse. Você me subestima, Madame Prefeita.
Regina riu, e enquanto a loira bebia mais um gole do vinho, ela perguntou:
– Mas... a que brindamos? – Parecia um pergunta boba, mas ela queria saber.
– Não sei. Diz você. A que você brindaria nesse momento?
Com o semblante sério Regina pareceu pensar.
– Bom... Eu poderia brindar justamente por esse momento. Por estarmos aqui... Juntas. Por você ter me chamado pra um encontro – Sorriu emocionada com seu coração batendo forte. — Por você ter ficado.
O coração de Emma aqueceu ao ouvir tudo aquilo. E o jeito que ela falou, apesar de tímido, parecia tão apaixonado. Mas não podia se render tão fácil assim. Como iria encarar a si mesma se deixasse se levar tão fácil assim depois de tudo que Regina fez?
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Eu já disse que ainda não decidi se vou ficar. Então não acho que esse seja um motivo. – Era como se quisesse punir Regina, mostrar que ela não poderia sair por cima assim depois de tudo que fizera.
Viu aquele sorriso doce sumir dos lábios vermelhos e ela desviar o olhar para baixo. Foi o suficiente para apertar seu coração. Era tão confuso, queria sentir raiva de Regina e ao mesmo tempo queria esquecer tudo e simplesmente abraçá-la. Lhe doía ver aquele semblante desgostoso dela.
– Mas... Podemos brindar... por uma segunda chance. – Chamou a atenção de Regina ao falar isso, e lhe sorriu quando ela a olhou. – Por um... recomeço. – Levantou novamente sua taça, esperando pelo toque da outra.
Aquelas palavras fizeram o coração da morena bater forte, algo como esperança crescendo dentro de si. Sorriu emocionada.
– E então? – Emma questionou ainda com a taça no ar.
Regina nem percebeu que ficou sem reação ao se emocionar. Pegou novamente sua taça e a ergueu também.
– A um recomeço. – Brindaram novamente e sorriram uma pra outra.
Os olhares não desgrudaram quando tomaram novamente do vinho.
– Realmente é muito gostoso esse vinho. – Reforçou a Prefeita.
– Uhum, eu adoro. Ele é fabricado na Califórnia com um tipo de uva que dá o nome do vinho, a Cabernet Sauvignon. – Regina sorriu ao ouvi-la tentar pronunciar aquele nome que, ela deduziu, devia ser francês. – Ela é conhecida como “rainha das uvas”... – Parando de falar de repente, Emma deu uma risada.
– Que foi?
– Percebi uma coisa engraçada agora. Henry insiste em dizer que você é uma rainha. E eu acabei de escolher um vinho feito com a rainha das uvas. Que coincidência, não acha?
As duas acabaram sorrindo da comparação que ela fez.
– Mas eu sou uma Rainha Má. – Falou em descuido. Pigarreou sentindo um calor subir em constrangimento. – Quer dizer, o Henry acha que eu sou.
– Bom, não deixa de ser uma Rainha. – Riu e bebeu mais um gole. O sorriso despontou de novo dos lábios da morena. – Então, como eu ia falando. Esse vinho é feito com esse tipo de uva e tem um leve toque de frutas chamadas de frutas negras, como por exemplo, framboesa, amora e ameixa. Que é pra dar esse aroma gostoso.
A morena sentia-se maravilhada ouvindo tudo aquilo, sentindo o timbre gostoso da voz dela adentrar seus ouvidos.
– Como sabe tudo isso, Srta. Swan? – Indagou provocativa, dando um gole no vinho e olhando pra ela.
– Eu sei de algumas coisas, Senhora Prefeita. Você que deduziu que eu não sei de nada. Só por que não sou chic assim como você?
Isso fez Regina rir. Estava tão divertido ali com ela.
– Eu imagino que você saiba bastante coisa. Sua vida foi tão cheia de... aventuras.
– É. E a maior parte delas foi enquanto fugia do sistema e da polícia.
Regina sorriu negativamente daquilo.
– Acho que isso não é algo apropriado para se falar no meio de um encontro. – Ironizou
– Não quando se está com alguém normal. Mas quando se está com alguém que mandou te investigar e sabe tudo da sua vida, não tem problema. – Foi a vez de Emma implicar.
Corando e sorrindo constrangida, Regina desviou o olhar.
– Emma, me desculpa por isso, eu... Agi muito mal fazendo isso. – A seriedade tomou conta de seu rosto agora.
– É, agiu sim. Mas... eu entendo. – Regina a olhou surpresa. – Você tava com medo de eu tirar o Henry de você. E achou que fazendo isso e colocando ele contra mim ia resolver o problema. – Respirou fundo para admitir. – Prefiro acreditar que foi o seu medo que te levou a agir assim e não... maldade.
O ar faltou para Regina por um breve momento. As palavras fugiram. Por que na verdade havia sido um pouco dos dois que Emma disse. Mas havia sido sim desencadeado pelo medo.
– Sinto muito. Eu quero... tentar consertar isso tudo. – Olhou fundo naqueles olhos verdes.
Emma pôde sentir a intensidade daquele olhar, e mais uma vez teve certeza de que ela falava a verdade. Seu peito acelerou, fazendo um calor lhe invadir.
– Tudo bem. De qualquer forma acho que por isso você já tá pagando. Afinal isso teve o efeito contrário pra você, só aproximou ainda mais o Henry de mim.
– Verdade. – Suspirou. – Era tudo que eu menos queria antes. Mas agora... hoje eu vejo que meu filho não consegue mais ser feliz sem você. Aliás, acho que ele nunca foi feliz quando você não tava aqui. – Baixou o olhar um tanto melancólica. – Mesmo com todo o amor que dei a ele, sempre faltou algo. Eu nunca fui suficiente.
Aquilo doeu em Emma. Era impressionante como não suportava ver aquele olhar triste. Sentia necessidade de deixá-la bem. Estava mesmo apaixonada por ela.
– Não é exatamente assim. Ele só... se sentia sufocado demais. Você era bem mandona. – Riu tentando descontrair. – Você disse que quer consertar as coisas. Então, conserta isso também. Muda com ele, tenta ser... mais mãe e menos carrasca. – Sabia que havia sido um tanto dura no final, mas Regina precisava ouvir a verdade.
– Eu sei. Eu vou fazer isso. – Levou a taça à boca para beber mais um pouco.
– Agora, ainda sobre o trabalho de espionagem que você fez comigo... – Emma brincou, queria descontrair, não estava afim de falar de coisas ruins. – Olha, foi tão bem feito, que por um pouco você não descobriu até quem eram meus pais.
Regina engasgou com o vinho ao ouvir aquilo. Levou a mão à boca na tentativa de conter o acesso de tosse.
– Tudo bem? – Emma perguntou.
– Sim. – Puxou o ar com força. – Eu só... me engasguei... Desculpa. – Corou sentindo o nervosismo. Já sabia muito bem quem eram os pais dela.
A loira riu dela.
– Bom, vamos pedir a comida? – Cogitou a loira.
–Sim, vamos sim. – Respondeu ainda exaltada.
Os pedidos foram feitos. Para Regina uma salada e para Emma rolinhos de queijo grelhado.
– Você come como uma criança. – Implicou Regina, rindo quando os pratos chegaram.
– Uhum. E você come como um coelho. – Retrucou ao observar todas aquelas folhas e legumes no prato da outra.
Ouviu Regina gargalhar. E sem conseguir evitar, riu também. Era gostoso ouvir a risada da morena. Fazia seu coração acelerar.
Em outros tempos ou se fosse outra pessoa, Regina iria odiá-la simplesmente por dizer aquilo. Mas agora era tão diferente. Com ela era tudo diferente. Era tão leve e agradável ficar perto dela. E por isso acabou gargalhando do comentário idiota que ela fez. Era bom estar com ela. Sentia seu coração quentinho.
Comiam falando frases soltas, conversando amenidades. Emma observava discretamente a outra mulher. Ela era tão sofisticada em tudo que fazia. Até mesmo comer uma simples salada era algo majestoso vindo dela.
Depois de alguns minutos, quando já quase terminavam de comer, Emma disse:
– Agora eu que queria te perguntar uma coisa.
– Pode perguntar.
– Então... ontem na Prefeitura você me chamou de Xerife. Se eu decidir ficar mesmo... eu ainda vou ser a Xerife? – Sorriu sem graça.
Aquele jeitinho dela foi tão fofo aos olhos de Regina. Mas permaneceu séria, apenas com seu coração tamborilando por aquela mulher, respondeu:
– Só não vai ser se não quiser, Srta. Swan. – Respondeu levando mais uma garfada de sua salada à boca.
– Ok. – Sorriu e voltou a comer.
– Você ainda está pensando mesmo em talvez ir embora? – Encarou-a com intensa emoção na voz.
Emma levantou o olhar até o dela.
– Sim. Mas depende de como vão ficar as coisas. – Fingiu indiferença, porém seu coração havia acelerado com o que ela disse.
– Ainda não acredita em mim? – Perguntou séria. – Mesmo agora, aqui junto comigo, ainda não acredita? – Seu tom saiu um tanto exasperado.
Emma soltou um longo suspiro.
– Eu acredito, eu só... não sei se confio.
– Você acha mesmo que tô tramando alguma coisa? Por Deus, o que eu poderia estar tramando?! – Se exaltou e seu tom saiu irritado.
– Calma, Regina! Eu não disse que tá tramando algo. Só preciso entender essa sua mudança repentina. Vai que do mesmo jeito que você me diz essas coisas agora, você muda depois de repente. – Tentava segurar, mas acabava confessando.
– Mas... Estamos aqui... juntas. Estamos tendo um encontro. – Sorriu. – Ontem eu fui atrás de você, eu expus meus sentimentos. Você viu que fiquei o dia todo esperando por você. E quando você chegou eu estava... chorando. – Sentia seu coração apertado. Parecia que em dado momento toda sua altivez acabava sumindo por causa da outra. – Não é suficiente pra ver que quero isso e não vou mudar de ideia? – A loira permaneceu em silêncio. – Isso que você está sentindo... é... medo de se magoar? – Perguntou receosa dela se irritar.
Emma desviou o olhar, incapaz de negar.
– Emma... – Tomou coragem e tocou a mão da outra em cima da mesa. Fazendo Emma desviar o olhar surpresa para aquele contato. – Eu não vou mudar de ideia. Eu... quero ficar com você. – Sussurrou.
Levou o coração da loira as alturas.
– Você já mudou de ideia antes.
– Eu sei, mas... antes era diferente. Eu estava com muito medo do que estava sentindo e fiz besteira. Mas agora sei o que quero. – Apertou a mão dela em baixo da sua.
– É isso que me assusta. Há duas semanas atrás você tava me dizendo que fui só uma experiência. E agora tá aqui dizendo tudo isso. Se dizendo... apaixonada. Como isso é possível? – Não queria ser tão transparente na frente dela, mas às vezes não conseguia conter e acabou confessando.
Regina respirou fundo.
– Acho que às vezes precisamos passar por certas situações pra enxergarmos o que estava bem diante de nós o tempo todo. – Emma a olhou sem entender. – Eu achei que isso era loucura e que podia simplesmente deixar esse sentimento pra lá que ele iria sumir. Mas quando me vi diante da possibilidade de você ir embora, de não te ter mais aqui por perto... Eu vi que não seria simples assim.
– E então resolveu ir atrás de mim. E se não adiantasse? E se eu não... sentisse nada por você?
– Eu precisava tentar. Se você fosse embora e eu não fizesse nada pra impedir, eu nunca iria me perdoar por esse erro. Eu já cometi muitos erros na minha vida, não podia cometer mais esse. Uma vez minha mãe me disse que a única pessoa que poderia ficar no caminho da minha felicidade era eu mesma. E eu to tão cansada de ficar no caminho da minha própria felicidade. Eu não vou mais fazer isso. – Sorriu docemente, apertando carinhosamente a mão da outra.
Emma sentiu seu coração aquecer com aquelas palavras, aquele toque em sua mão, aquele olhar. Queria beijá-la. Precisava beijá-la.
– Sinto muito por ter te dito aquelas coisas... por ter te magoado. – Regina continuou. – Não sabe como me sinto mal cada vez que lembro disso.
Aqueles olhos chocolate pareciam implorar uma chance. Sua voz. O toque singelo de sua mão. Emma estava se apaixonando mais naquele encontro. Desviou seu olhar e observou suas mãos unidas, a de Regina sobre a sua.
– Não tem vergonha de segurar minha mão aqui? – Perguntou de repente, sem nem pensar direito.
– Vergonha por quê?
– Não sei. Estamos num local público. Tá cheio de gente conhecida aqui.
– Não me importo com nenhuma dessas pessoas. – Fez uma pausa e a olhou bem fundo nos olhos. – As únicas pessoas que me importam nessa cidade são meu filho... e agora... você. – Sorriu um tanto tímida.
Tanto o que disse quanto aquele sorriso fizeram Emma arrepiar. Com todo aquele gesto de Regina, todas as coisas ruins pareciam estar sumindo da mente da loira.
– E além do mais não estamos fazendo nada demais. – Continuou Regina.
– E se saem por aí falando que viram a gente juntas e você segurando minha mão e isso chega aos ouvidos do Henry? – Indagou curiosa.
– Eles não teriam coragem. – Esboçou aquele sorrisinho superior. – Isso seria a mesma coisa que me desafiar e ninguém aqui tem coragem de fazer isso. – Falou em um tom altivo e desafiador.
– Ok então. – Emma riu e com sua mão livre pegou a taça e deu um gole no vinho.
– Sabe... – Foi a vez de Regina desviar seu olhar para suas mãos. Não queria desfazer aquele contato, e acariciou de leve a pele lisa da mão dela. Causando em si própria um frio na barriga. – Isso foi uma das coisas que me fez te olhar diferente. – Emma a olhou como se perguntasse “como assim”. – Todos nessa cidade tem medo de mim. Ninguém ousa ir contra mim em nada. Eu falo, eles obedecem. Eu achava que gostava disso. E durante um tempo eu gostei. Mas depois... isso ficou chato, sem graça. E aí você chegou. E você não tinha medo de mim. Não importava o que eu fazia, você retribuía com uma provocação ainda maior. Como quando você cortou minha macieira. – Emma riu e Regina sorriu também. – Você me desafiava, não abaixava a cabeça pra mim. Nossa, como você me deixava com raiva! Mas... eu não queria admitir, mas no fundo... eu admirava isso em você. Sua ousadia, sua petulância. Você me irritava, mas me fazia sentir viva.
Regina estava com sua alma aberta diante dela. Todo aquele sentimento forte ainda a assustava. E também tinha a ameaça da quebra da maldição. Mas ali, perto dela, tudo que queria era desfrutar daquilo que sentia. Seu coração queimava, batendo tão acelerado.
Por um momento Emma não soube o que dizer. Absorveu aquelas palavras. Regina dizendo que ela a fez sentir viva. Foi gostoso ouvir aquilo. De repente desejou que não estivessem mais ali naquele restaurante, cercadas de pessoas, e sim sozinhas, pra que pudesse chegar perto e beijá-la. Porque era o que seu corpo pedia agora, um beijo daquela morena linda.
– Então tá explicado porque você nunca queria parar de brigar. – Resolveu brincar pra descontrair seu próprio nervosismo.
Regina riu. E se encararam em silêncio. Ambas sentiam todas aquelas emoções tomarem seus corpos. Era o peito acelerado, quente, pele arrepiada, frio no estômago, mãos suando. E vontade enorme de sentir o gosto da boca da outra.
A morena desceu seu olhar para os lábios da loira. Ela usava um batom em tom de goiaba, o que realçou o rosado de seus lábios, deixando-os ainda mais lindos e convidativos. Instintivamente passou a língua por seus próprios lábios, querendo sentir aquela boca. Esse gesto não passou despercebido aos olhos de Emma, e isso fez uma onda quente subir por seu corpo. Estava morrendo de vontade de tomar aquela boca vermelha.
– Melhor terminarmos de comer. – Emma disse. Porque se continuasse observando aquela mulher iria esquecer do mundo e corria o risco de agarrá-la ali mesmo.
– Sim. – Concordou e finalmente quebrou o contato entre suas mãos.
Terminaram o jantar praticamente em silêncio. Mas trocavam olhares, pequenos sorrisos. Tímidos, mas apaixonados. Naquele momento palavras pareciam mesmo não serem necessárias. Apenas saber que a outra estava ali era suficiente para sentirem-se contentes.
Emma relutava em admitir, mas sabia que sua ideia de talvez ir embora de vez estava indo por água abaixo. Porque ali com Regina, sentia-se tão bem que no fundo desejava com toda força não perder isso. Regina parecia mesmo mudada e sincera. Estava doce. Continuava com seu ar superior de sempre, mas tinha algo de suave, de afetivo em cada gesto seu. E isso estava encantando Emma.
No fundo do restaurante havia um espaço livre, onde não tinham mesas. E Emma não tinha entendido pra que ele servia até ver um casal ir até lá e começar a dançar ao som da música suave que tocava.
– Quer dançar? – Nem ela mesma acreditou no que perguntou.
– O que?! – Regina arregalou os olhos, assustada.
– Dançar. Você quer?
– Eu... Eu, é... – Pigarreou, se embaralhou com as palavras. Era como se nunca tivesse sentido tanta vergonha na vida. Estava corada. Olhou rapidamente pra trás na direção da pista de dança. – Ninguém tá dançando.
– Ah claro, aquelas duas pessoas são imagens na minha mente.
– Quis dizer que não tem quase ninguém. Só eles dois.
– E daí?
Regina a olhou incrédula.
– Mas, Emma... com todas essas pessoas olhando? – Seu olhar suplicava para ela desistir daquela ideia maluca.
– Ué, não foi você mesma que disse que não se importava com essas pessoas?
– É diferente. Eu... Emma, tem muita gente aqui.
É claro que ela estava com vergonha, a loira percebeu. E a própria Emma também estava.
– Relaxa, eu só perguntei se você queria dançar, não disse que precisava ser aqui.
A morena estreitou as sobrancelhas com olhar curioso.
– Como assim?
Emma riu da ideia que estava tendo. E não respondeu a outra a mulher. Fez um aceno para o garçom. E quando o rapaz se aproximou ela pediu a conta.
Logo ele trazia o papel informando o valor, o qual Emma pegou. E Regina foi logo pegando sua bolsa, abrindo-a e retirando a carteira.
– O que está fazendo? – Emma perguntou indignada.
– Pegando o cartão de crédito. – Respondeu com a carteira em mãos.
– Nem pensar! Regina, fui eu que te chamei pra um encontro. Eu pago!
– Mas... Me deixa pagar minha parte pelo menos.
– Mas é óbvio que não! Nossa, assim você me ofende! Você é minha convidada. Guarda isso aí!
– Desculpa, não queria te ofender. – Guardou a carteira.
– Tudo bem.
Esperaram o garçom fazer a transação com o cartão de Emma.
– O que você quis dizer com “não precisa ser aqui”? – Indagou a Prefeita.
– Você vai ver. Mas primeiro me responde a pergunta. Você quer dançar?
Com olhar confuso, Regina permaneceu em silêncio. Fazendo Emma arquear a sobrancelha em busca da resposta. E relutante, ela respondeu:
– Quero, Swan! – Sorriu conformada.
– Ótimo. Vamos então.
Levantaram-se, pegaram seus casacos na cadeira e saíram. Do lado de fora ambas vestiram o agasalho e caminharam até o carro. Ao entrarem, Regina perguntou:
– Pra onde vamos? – Sabia que não iriam embora ainda porque Emma havia falado sobre dançar.
– Nossa, mas que curiosa. Não pode esperar pra ver? – Perguntou quando deu a partida.
– Gosto de saber pra onde estão me levando, Srta. Swan.
– Dessa vez então você vai ficar na curiosidade até chegar. Relaxa aí, são só alguns minutos.
Regina revirou os olhos e suspirou frustrada, voltando a olhar pra frente. Emma riu do jeito dela.
Olhando no relógio, a morena viu que já eram 8:57 da noite. Às 10 tinha que estar em casa. Não havia nenhuma ligação do filho. Será que ele estava bem? Queria logo estar com ele pra se tranquilizar. Mas ao mesmo tempo queria tanto que aqueles minutos não passassem. Porque não queria sair de perto da mulher ao seu lado. Nessas poucas horas estava vendo o quando era maravilhoso estar com ela.
Como Emma prometeu, foram só alguns minutos mesmo, foram em silêncio e logo ela estava estacionando em frente ao cais da cidade.
Regina observou com olhar confuso, mas não teve chance de perguntar nada porque a outra logo estava saindo do carro. Saiu também e olhou em volta ainda sem acreditar. Aquele era o lugar que Emma havia pensado?
– O que estamos fazendo aqui?
– Vamos dançar ué.
Regina riu descrente.
– Swan, você ficou louca? Bebeu vinho de mais?!
– Não, por quê? Vem. – E sem nem esperar Regina responder, pegou a mão dela e a puxou para que andassem.
Foi um gesto natural. Ela não pensou antes de fazer isso, simplesmente fez, e quando deu por si estava segurando a mão dela. O que para Regina foi suficiente pra trazer aquelas borboletas a seu estômago.
Depois disso Regina não teve condições de questionar mais nada. Seu coração batia forte ali sendo guiada por ela, sentindo o calor daquela mão macia.
Foram andando pelo cais assim de mãos dadas. Estava silencioso aquela hora. Já não havia ninguém, apenas alguns barcos ancorados ali. Chegaram ao píer, e caminharam por aquela passarela de madeira que avançava na água, os saltos de ambas produzindo barulho ao se chocarem com a madeira do chão da estrutura.
Foram até quase no final daquela construção comprida, chegando quase na ponta. Era quieto ali, ouvia-se apenas o som discreto das águas se mexendo e quando batiam nos barcos ancorados ao longe. Além de algumas luzes do cais que iluminava até ali, estava a luz da lua, que dava uma coloração bonita àquelas águas.
Emma parou e se virou para a outra mulher e seus lábios tracejaram um sorriso tímido.
– É aqui que vamos dançar? – Regina perguntou debochada.
– O que acha? – Indagou ainda sorrindo.
– Acho que você tá brincando com a minha cara, Srta. Swan. – Cruzou os braços no peito e ficou séria.
– Mas por quê?
– Preciso responder?! Aqui não é lugar pra dançar. Porque se você não percebeu, estamos num cais, aqui não tem música! – Afirmou o óbvio num tom meio zangado.
– Ah para de reclamar, ó... escuta... – Chegou perto da morena.
– Escutar o que? – Sua voz quase falhou devido a proximidade dela.
– O barulho da água... vai ser nossa música. – Riu travessa.
Emma tomou coragem e foi descruzando os braços da outra com suas mãos, chegou mais perto, aquela aproximação fazendo ambas sentirem o corpo quente e o coração apressar as batidas. Apoiou a mão direita na cintura dela, e com a outra levantou a mão direita dela, ficando em posição de dança. Ou quase.
Regina sorriu achando graça daquilo que estavam fazendo. Levemente constrangida, mas iria entrar na brincadeira.
– Então vamos dançar ao som das águas? – Disse sarcasticamente.
– E sob a luz da lua. – Riu zombeteira. Arrancando uma risada da outra também. – Mas antes eu tenho que te contar um segredo. – Sua voz saía meio embargada por estar tão perto dela. – Eu não sei dançar muito bem.
Regina gargalhou. Por que era tudo tão divertido com ela? Até as coisas mais idiotas que ela dizia.
– Mas acho que dois pra lá, dois pra cá funciona. – Emma continuou.
E deu o primeiro passo, sendo acompanhada pela morena.
Era algo engraçado, davam passos como se acompanhassem uma música. Emma era meio desengonçada, mas Regina acabava a guiando. Apesar de nunca ter gostado muito, afinal sempre preferiu os cavalos, Regina sabia dançar muito bem desde pequena, graças aos bailes que teve que participar por obrigação de sua mãe.
Seus olhares não desgrudavam em nenhum momento. Eles diziam tanto. Tantas coisas que suas bocas ainda não eram capazes de dizer.
Regina desejou intimamente que o tempo parasse ali. Emma era tão incrível, fazia coisas inusitadas, que irritavam e ao mesmo tempo encantavam. Era assim que a morena se sentia, encantada. Cada vez mais fascinada por ela. Perto dela era tão fácil deixar todos os medos de lado, e apenas se entregar, se deixar levar por todas aquelas emoções que bombardeavam seu corpo.
Depois de alguns minutos nessa dança incomum, a loira mencionou:
– Viu? Não foi tão difícil assim.
– E você não dança tão mal assim.
– Sei que não é verdade, mas agradeço assim mesmo.
Regina riu. Nem se lembrava da última vez que havia dado tantos sorrisos em uma única noite.
– Uma dança sem música, ao som das águas e à luz do luar... Não sabia que era romântica assim, Srta. Swan.
– Nem eu sabia.
O riso se fez de novo na Prefeita.
O semblante de Emma ficou sério e ela olhou fundo nos olhos castanhos a sua frente, que estavam mais escuros agora por causa da noite. Já não aguentava mais, estava tentando ir com calma, não demonstrar os sentimentos que gritavam dentro de si, contudo já não resistia.
Respirou fundo e sua mão que estava apoiada na cintura dela, levou até suas costas, soltou a mão dela e fez o mesmo com seu outro braço, envolvendo o corpo da mulher a sua frente.
As pernas de Regina bambearam. Aquela atitude da loira era o que Regina precisava para perder o receio que estava e se entregar aquele momento. Aproveitou que seus corpos estavam praticamente colados, e descansou seu queixo no ombro dela. Foi imediato o calor que preencheu seu corpo.
Emma desfrutou da mesma onda quente. Regina a fazia sentir coisas que pensou jamais sentir de novo, que, por medo, não queria sentir de novo. Mas agora a morena chegara em sua vida e, sem permissão, despertou todos esses sentimentos.
O cheiro dela era tão bom. Aquele leve aroma adocicado de maçã. Como se quisesse senti-lo melhor, a abraçou mais apertado soltando um suspiro, e aproximou seu rosto da curva do pescoço dela, aspirando aquele cheiro delicioso que entorpecia sua mente.
Foi tão bom sentir Emma a abraçando assim, Regina estava emocionada. Todo seu ser gritava pra nunca mais deixar Emma Swan sair de perto de si. Não sabia como seria isso, Salvadora e Rainha Má, não sabia como seria se ela quebrasse a maldição. Tinha medo de perder essa felicidade que estava crescendo em seu coração. Tinha medo de perder seu filho. Tinha medo de Emma a odiar caso soubesse a verdade. Mas ainda assim não queira mais estar longe dela, não podia! Seu corpo e sua alma, pediam por ela desesperadamente.
Ficaram ali abraçadas, ambas de olhos fechados, sentindo todas aquelas sensações tão boas, que as duas haviam aprisionando por medo de sofrer. Porém agora elas vinham à tona com tanta força que era impossível segurar.
Passado-se alguns minutos nesse abraço que aquecia seus corações, Emma falou:
– Bem... Nada mal esse encontro. — Se afastou um pouco do abraço para poder olhá-la. Permaneceu apenas com suas mãos segurando a cintura dela, e Regina com as mãos em seus ombros. – Durante algumas horas... você conseguiu me fazer esquecer algumas coisas ruins.
Um sorriso emocionado surgiu nos lábios de Regina.
– Consegui? – Perguntou um tanto extasiada.
– Sim.
– Você também me fez esquecer muitas coisas ruins essa noite. Você não sabe quantas! – Disse enfática. – Espero que da próxima vez seja assim também.
– Próxima vez? Não lembro de ter chamado. – Emma contestou com um sorrisinho de canto.
– Porque é a minha vez de chamar. – Regina ficou séria. – Quer sair comigo de novo?
Foi a vez de Emma esconder o sorriso, enquanto sentia o coração, que já estava disparado, bater ainda mais forte. Aquele calor no peito lhe subiu. Não esperava que ela fosse dizer algo assim. Abriu a boca como se fosse dizer algo, contudo não conseguiu e desviou o olhar.
Regina segurou o rosto dela com uma mão e virou delicadamente para que a olhasse. Encarou intensamente aqueles verdes que estavam com um brilho tão bonito à luz do luar.
– Diz que sim. – Pediu num sussurro.
Como resistir àquilo? Emma cedeu a aquele olhar, aquela voz, aquele pedido.
– Eu quero. – Sussurrou também.
O sorriso se fez no rosto da morena. E Emma sorriu timidamente pra ela também.
Com o polegar, Regina fez carinho na bochecha dela. Apesar da brisa fria que passava, o rosto dela estava ligeiramente quente. Traçou com os olhos um caminho pelos traços daquele rosto lindo. Encarou sua boca rosada, queria sentir seu sabor. E voltou a fitar os olhos dela, percebeu que a loira também olhava para sua boca, e logo seus olhares cruzaram novamente. Intensos, cheios de desejo.
Foram se aproximando lentamente. Olhando-se profundamente, diminuindo os centímetros que distanciavam seus rostos. Cada vez mais perto, até que seus olhos se fecharam e suas bocas se encontraram.
O frio daquela noite pareceu sumir, porque o que sentiram foi como uma chama lhes consumindo. Seus lábios se tocavam docemente, deslizando uns sobre os outros. E logo suas línguas se encontraram de forma lenta e sensual. Não havia pressa, estavam degustando vagarosamente daquilo que seus corpos pediram o tempo inteiro.
Era como se não quisessem que aquele beijo acabasse. Se fosse possível, parariam o tempo, eternizariam aquelas sensações que lhes entorpeciam nesse momento.
Era tão gostoso sentir suas línguas se tocando, suas bocas tinham um encaixe perfeito. Pareciam mesmo terem sido feitas uma pra outra. E o gosto que experimentavam era tão bom.
A cada beijo que trocavam parecia surgir uma emoção nova, e com esse não foi diferente. Era como experimentar algo diferente e intenso a cada novo beijo.
Regina levou a mão que antes estava no rosto dela até sua nuca, a puxando para mais perto. Enquanto Emma a apertava mais forte naquele abraço. Os corações pareciam brigar com vontade de arrebentar aquele espaço que parecia pequeno para batidas tão descontroladas. A pele estava arrepiada e não era de frio.
Mas logo aquele beijo lento foi cessando, e aos poucos terminou.
Sorriram tímidas uma pra outra.
– Bom, então acho que é aqui que o encontro termina. – Foi Emma quem falou.
– O que? – O sorriso sumiu e a surpresa tomou conta de seu semblante.
– Dizem que o beijo sempre acontece no final do encontro. – Sorriu para mostrar que era uma brincadeira.
A morena sorriu aliviada.
– Não precisa ser o final do nosso... Bom, até pode acabar em um beijo. – Enlaçou o pescoço dela. – Mas não precisa ser nesse beijo.
Emma soltou um riso, e logo sua boca foi capturada por aquela boca vermelha mais uma vez. Beijaram-se rapidamente, apenas seus lábios se tocaram. E no fim Regina deu alguns selinhos nela. Era gostoso fazer isso naquela boca macia.
Quando se afastaram sorriram. Já era algo natural fazer isso. Emma sentia seu coração leve. Parecia que aquele receio de confiar em Regina estava esvaindo aos poucos. Isso causava um certo medo, mas era algo tão bom de sentir que não tinha como lutar contra.
Ergueu sua mão esquerda e tocou o rosto da morena. Acariciou. Regina sorria encantada com a loira linda que estava a sua frente e que estava lhe fazendo carinho. Como era gostoso isso.
Emma observou apaixonada cada parte do rosto lindo daquela mulher. Seus traços eram perfeitos, tudo em sua face combinava. Até mesmo aquela cicatriz no lábio superior.
Se atreveu a tocá-la com a ponta de seu polegar. Aquela lasquinha era tão fofa que dava vontade de morder.
– Como conseguiu essa cicatriz? – Perguntou de repente, pegando Regina de surpresa.
– Er... – Emma percebeu que a mulher havia se atrapalhado para falar. – É uma longa história. – Sorriu constrangida.
– Hum. Me conta.
Regina pigarreou e desviou o olhar.
– Fica pra uma outra hora. É longa mesmo. – Voltou a encará-la, sorria sem graça.
Emma semicerrou os olhos como se estivesse analisando-a. Estava nítido que Regina não queria contar. Era melhor deixar pra lá, poderia ser uma história realmente ruim e não queria chatear a outra.
– Tá bom então.
Regina quase respirou aliviada. Como iria contar aquilo pra ela? Não tinha como.
– É bonita. – A loira pronunciou tirando ela de seus pensamentos.
– O que é bonita? – Perguntou confusa.
– Sua cicatriz ué. De que estamos falando? – Riu.
– Você ficou louca?
– Por que você tem mania de sempre me perguntar isso? – Fingiu indignação.
– Emma! É uma cicatriz! Não é pra ser bonita.
– Mas a sua é.
A morena riu.
– Só você que acha isso.
– Ah, até parece né, vai dizer que ninguém nunca falou isso?
– Pra falar a verdade acho que você é a primeira. Não me lembro de mais ninguém ter dito isso.
– Nossa. – Expressou surpresa. — Bom, então eu só posso concluir que essas pessoas eram cegas.
O tom de seriedade com que ela disse aquilo fez Regina soltar uma gargalhada.
– Você é engraçada, Emma Swan.
– E você é linda, Regina Mills.
Odiava ser tão transparente assim, mas com Regina não conseguia controlar. Era mais forte do que sua vontade. Aquele sentimento transbordava de si.
Regina sorriu embriagada de emoção ao ouvir aquilo. Emma encarou aqueles lábios vermelhos que pareciam chamar por ela, e segurando a nuca de Regina a puxou para beijá-la.
Um beijo mais urgente dessa vez. Sua língua sedenta logo invadiu a boca da outra, se misturando com a dela. A envolveu firme pela cintura, colando seus corpos, enquanto sua mão embrenhava no cabelo dela.
E como Regina adorava quando Emma lhe beijava assim, com tanta vontade, demonstrando tanto desejo. Correspondeu ao beijo dela da mesma forma, com volúpia.
Se apertaram no abraço, sentindo seus corpos roçando, e aquilo aflorava tantas vontades, tanta saudade. O beijo era profundo, sedento, suas respirações começaram a ficar desreguladas, enquanto suspiros escapavam abafados.
O peito queimava, enquanto a barriga gelava, os cheiros invadindo seus sentidos tornando tudo ainda mais prazeroso.
Emma estava tão tomada pelo desejo de beijar aquela mulher, queria não parar nunca aquele beijo. Seu coração pulsava tão forte, era uma mistura de alegria com desespero. Sabia que já não conseguia ficar longe dela. Estava completamente apaixonada. E Regina parecia mesmo mudada e sincera. Era tão bom beijar aquela boca macia e carnuda, o gosto dela era maravilhoso. Sem dúvida ela tinha o melhor beijo do mundo.
Aquele fogo já começava a subir pelo corpo da morena, que já sentia a excitação crescer em si. Aquela loira realmente tinha o poder de mexer com tudo nela, lhe causava sensações tão intensas apenas com um beijo.
Emma foi acalmando o beijo aos pouquinhos, e antes de terminar segurou o rosto de Regina com as duas mãos e pressionou um beijo selado sem seus lábios.
Sorriram quando seus olhos se cruzaram novamente.
– Tô adorando esse encontro. – A morena falou baixinho. – Tinha tanto tempo que não me sentia assim.
– Assim como?
– Assim... feliz. – Tocou novamente o rosto dela, a observava com um olhar enfeitiçado.
– Também tô gostando muito. E aliás, gostei muito da sua roupa. – Sorriu zombeteira.
– Você... lembra, né? – Perguntou com insegurança na voz.
– Do que? – Fingiu não entender.
O sorriso da morena fechou.
– Da roupa. Eu... achei que se lembrasse. – Desviou o olhar com pesar, afinal tinha colocado aquela roupa especialmente pra ela.
– Eu tô brincando, é lógico que eu lembro. – Trouxe o rosto dela na direção de seus olhos novamente. – Você e sua ideia ridícula de me dar dinheiro. Pelo menos serviu pra isso. – Riu. – Você tá linda demais com essa roupa. – Sussurrou.
– Não tanto quanto você.
Emma arqueou uma sobrancelha, surpresa ao ouvir aquilo.
– Quem é você e o que fez com a Regina? – Zombou.
A morena revirou os olhos.
– É sério, Swan. Nunca tinha visto você assim... tão bem arrumada. Está muito linda.
– Que bom que gostou. – Tentou parecer indiferente, porém no fundo se sentindo emocionada com aquele elogio.
– Gostei muito. – Sorriu pra ela.
Aquele olhar era tão doce. Como aquela mulher sempre tão prepotente, arrogante, fria, podia ter um olhar assim? Tão lindo, tão apaixonante. Era impossível resistir aquela emoção, e Emma a abraçou novamente, apertando-a em seus braços. Levou seu rosto ao pescoço dela e absorveu aquele cheiro delicioso. Plantou um beijinho ali.
Regina sorriu de olhos fechados. Como era gostoso sentir a boca quente dela na pele de seu pescoço. Sem dúvidas ali era o seu lugar. Sim, nos braços daquela mulher. Poderia ser a maior loucura de todos os reinos, mas era essa loucura que estava lhe trazendo de volta a alegria.
Abrindo os olhos passou o olhar pelo relógio.
– Meu Deus, Emma, já são 10:05!
– Que que tem? – Perguntou espantada saindo do abraço para olhar pra ela.
– Prometi ao Henry que estaria em casa às 10.
– Ah, calma. São só cinco minutinhos.
– Mas até eu chegar, já vai estar mais tarde. – Expressou um semblante pesaroso. – Melhor irmos.
– Ah, o garoto consegue se cuidar mais alguns minutos. – Não queria ir embora.
– Emma. – Fez uma voz manhosa, mostrando que precisavam ir. Embora o que mais queria era ficar com ela.
– Tá bom. – Emma respondeu revirando os olhos, fingindo estar irritada. – Vamos. – E pegou a mão da outra, passando por ela para que andassem.
Mas Regina a puxou fazendo com que se virasse novamente.
– Obrigada por essa noite. Eu amei.
Emma sorriu e se aproximou. E mais uma vez beijaram-se. De um jeito calmo, delicado.
E afastando-se, andaram de mãos dadas mais uma vez, só que dessa vez seus dedos estavam entrelaçados. Regina desviou o olhar para suas mãos enquanto andavam e observar a maneira como estava unidas aqueceu seu coração.
Atravessaram o cais e chegaram ao carro. Emma em um gesto espontâneo, abriu a porta para Regina.
– Obrigada, cavalheira. – A morena brincou com a palavra.
– De nada, bela dama. – E deu a volta no carro para entrar também. Enquanto Regina fechava a porta rindo.
Durante o trajeto de volta a Prefeitura, Regina se atreveu a depositar sua mão na perna dela. E Emma, quando não precisava passar a marcha, repousava sua mão sobre a dela. E assim seguiram até chegar.
– Bom, então é isso. – Emma disse quando estacionou o Mercedes. Era o fim do encontro.
A morena desviou o olhar por um instante como se tomasse coragem pra falar algo.
– Emma, ontem na Prefeitura você disse que se tudo desse certo nesse encontro, talvez você fizesse uma surpresa pro Henry e dissesse que está aqui. O que acha de fazer essa surpresa agora?
A loira ficou sem saber o que dizer, e de repente pareceu que ia negar, mas Regina a interrompeu antes mesmo de falar.
– Eu não vou aguentar ver ele daquele jeito de novo. Ainda mais depois de chegar dessa noite tão boa. – Segurou a mão dela e buscou o ar pensando em todo peso que carregava aquilo que iria pronunciar. – Seu lugar é aqui... Sei que fiz muitas coisas pelas quais você deve ter raiva de mim. Que fui... uma pessoa ruim. Mas eu realmente quero consertar tudo isso. Eu quero mudar. – Seus olhos lacrimejaram. – Por mim, pelo Henry... e por você. – Apertou a mão dela.
Estava definitivamente naquele momento, ao dizer “seu lugar é aqui”, escolhendo a Salvadora em vez de sua preciosa maldição.
Tinha o olhar suplicante, os olhos úmidos, o coração desesperado. Queria que ela desistisse daquela ideia de talvez ir embora. Mais uma vez estava expondo todas as suas emoções pra ela.
Diante daquilo Emma sentiu toda a sinceridade dela, e não conseguiu dizer nada, apenas se inclinou no banco e a beijou.
O beijo lento, carregado de emoções. Regina não conseguiu conter, e uma lágrima acabou escorrendo, misturando-se ao sabor do beijo. Emma a beijava com tanto carinho.
Afastaram suas bocas e ficaram de olhos fechados com suas testas coladas. Coração descompassado.
Emma conseguia sentir aquele peso da mágoa saindo de suas costas a cada atitude dela. Diferente de Neal que a abandonou para ser presa e sumiu sem nem querer saber dela depois, Regina havia pedido desculpas e estava tentando se redimir.
– Tudo bem. – Se afastou para olhá-la. – Eu vou. – Sorriu e limpou o rastro daquela lágrima no rosto dela com seu polegar.
– Sério? – Sorriu abertamente em meio a novas lágrimas que queriam se formar. Tinha chorado na frente dela, mas ao invés de sentir vergonha, sentiu certo alivio.
– Claro que sim. – E deu um selinho nela antes de sair do Mercedes para ir para o fusca. De qualquer forma precisava ir nele para quando fosse embora da casa de Regina.
A morena foi para o banco do motorista e ambas seguiram para a mansão. Regina na frente e atrás Emma no fusca.
Entraram pelo caminho de carros que levava a garagem. Regina parou seu carro fora da garagem, e Emma estacionou o fusca logo atrás do dela.
Saíram dos veículos e caminharam até a porta. Quando chegaram na varanda, Regina viu que Emma tinha o semblante fechado.
– Mudou de ideia?
– Não. Só to nervosa. – Soltou um riso ansioso.
– Vai ficar tudo bem. – Se aproximou. – Ele vai adorar saber que você tá aqui. – Sorriu e segurou o rosto dela entre as mãos, fitando seus olhos e logo sua boca. Deu um selinho demorado nela. Não conseguia ficar perto dela sem querer beijá-la.
Emma respirou fundo e então entraram. Regina pediu baixinho para que ela ficasse perto da porta, não queria que Henry a visse logo. Era pra ser surpresa.
– Boa noite, querido. — Cumprimentou se aproximando do portal da sala. Emma ficou parada no hall, a escada a escondia.
– Oi. — Murmurou desanimado sem nem desgrudar os olhos do videogame.
– Você ficou bem? Aconteceu alguma coisa? — Mesmo vendo que ele estava bem, precisava perguntar.
Emma sorriu revirando os olhos, que mãe mais preocupada Regina era.
– Tá tudo bem. Comi a pizza e fiquei aqui jogando. — Respondeu logo tudo que sabia que a mãe iria perguntar.
– Que bom. — Ela sorriu sentindo seu coração bater ansioso por ver a reação que ele teria quando soubesse que Emma estava ali em sua casa.
– Tenho uma surpresa pra você.
O menino a olhou curioso.
– O que é?
A morena olhou na direção onde Emma estava escondida e fez sinal pra que ela aparecesse. E assim a loira fez, saiu detrás da escada e entrou no campo de visão de Henry.
– Hey, garoto.
E vendo ela aparecer de repente ali, o menino exclamou:
– Emma!!!
Fale com o autor