Era Uma Vez o Amor
18 Capítulo 18
Notas iniciais
– Então, o que houve pra você vir me procurar aqui?
– Eu vim... Vim pedir pra você ficar.
*****
Regina estava em seu escritório. Henry havia acabado de chegar dizendo que Emma já havia dito pra ele que iria embora. Como sempre, ele a tratou mal, a culpou.
Estava sentada em uma poltrona com um copo de sua bebida favorita na mão. Sua sidra de maçã era sua única companheira naquele momento. Sentia-se vazia e destruída. A ideia de Emma ir embora de Storybrooke lhe parecia ser sua vitória finalmente. Mas então por que sentia-se tão derrotada?
A resposta era óbvia. Embora não quisesse aceitar. Mas a verdade era que ficar longe dela era algo que lhe doía agora. Emma foi a única pessoa que a desafiou naquela cidade. Emma a fez sentir viva. Primeiro pelo ódio e depois... pela paixão.
De todas as formas, foi Emma quem lhe trouxe de volta a sensação de vitalidade. Se não fosse Emma, Henry não existiria. E ele era tudo que ela mais amava. E a loira foi quem a fez sentir vontade de lutar novamente, de desafiar, até mesmo de destruir. Emma despertava nela aquele sentimento de ódio que sentia antes por Branca de Neve. E isso era o que Regina conhecia. Não teve tempo para conhecer a fundo o amor. Tudo que conheceu foi o ódio. E isso era o que a mantinha viva.
E quando Emma chegou na cidade trouxe isso de volta para a vida da Prefeita, que estava tão sem graça.
Mas de repente aquilo foi mudando. E aquele ódio tão intenso pareceu ir dando lugar a outro tipo de sentimento. Ume bem confuso, complicado e muito forte.
Sentia-se atraída, queria estar perto dela mesmo que fosse apenas para brigar, para irritar. Aquilo era o que movia seus dias.
E então todos aqueles beijos, aquela loucura toda. O desejo que só crescia, a atração que só aumentava. Os sentimentos que se embaralhavam. De repente aquele ódio passou a dar lugar a uma sensação de satisfação por estar perto dela. Sentia falta dela. Queria vê-la, ouvir sua voz, beijá-la.
E então... passaram uma noite juntas. Fizeram sexo... fizeram amor. E ali Regina percebeu. Estava apaixonada por Emma Swan.
Apaixonada por uma mulher.
Apaixonada pela mulher que meses antes quis destruir. Pela mulher que deveria odiar pra sempre.
De repente, sem que pudesse conter, controlar, tudo havia mudado. Emma Swan chegou desestruturando tudo. Abalando todas as suas estruturas. Fazendo-a sentir uma confusão inexplicável. E ao mesmo tempo, algo tão gostoso.
Quando a beijava, quando a abraçava, quando fizeram amor, parecia poder tocar o céu. Jamais havia sentido algo tão intenso e maravilhoso.
E agora que havia descoberto esse sentimento tão forte, como iria viver sem isso? Como iria viver sem Emma Swan?
Desistiu de dar a torta amaldiçoada pra ela porque percebeu que já não era capaz de passar seus dias sem olhar pra ela, sem ouvir sua voz. Então agora com ela indo embora, como seria?
“Isso vai ser o melhor. Ela ir embora. É assim que tem que ser”.
Mas a cada vez que tentava se convencer disso, seu coração se quebrava mais. Deu um grande gole na bebida. Seu rosto já estava molhado pelas lágrimas. Era tudo que sabia fazer agora. Chorar.
Se perguntava se algum dia encontraria a felicidade. Porque sua vida era uma sucessão de derrotas e tristezas. A única vez em que venceu foi quando lançou a maldição.
Mas de que adiantou isso? Realmente lhe trouxe felicidade? Não. Sabia que não. Sentia satisfação pela sua vingança, mas felicidade... não.
Sua felicidade veio quando adotou Henry. E pensou que o vazio que sentia iria passar. Mas ainda assim algo lhe faltava.
E não sabia o que era, até se sentir apaixonada por Emma. Na noite que passaram juntas poderia dizer que sentiu-se completa. E no dia seguinte, quando passearam no parque, ela, Emma e Henry, por mais que estivesse muito nervosa e envergonhada, sentiu uma felicidade que nunca havia sentido. Tinha seu filho e... Emma. Foi como se nada mais lhe faltasse.
“Como vai ser agora que ela não vai tá mais aqui?”
“O que você fez comigo? Mas que droga, Swan!!”
“Eu tinha que te odiar, te destruir. Então por que eu só quero você perto de mim? Isso não faz sentido algum. Que peça foi essa que o destino me pregou?”
Respirou fundo, deixando seu corpo relaxar na poltrona. Queria levantar pra pegar outro copo de bebida, mas não teve forças. Largou o copo no chão mesmo, ao lado do móvel.
E em meio a tantos pensamentos confusos, ao cansaço e ao efeito da bebida, acabou adormecendo ali.
Acordou horas depois com uma tremenda dor de cabeça, estava escuro, já havia anoitecido. Levantou-se meio tonta, caminhou até o interruptor e acendeu a luz. Já passava das sete da noite. Sua cabeça estava zonza, havia bebido mais do que devia.
Saiu do escritório e foi até a cozinha, tomou um analgésico e então caminhou para o andar de cima. Não havia sinal de Henry pela casa, então ele devia estar no quarto.
Deu duas batidas na porta e entrou. Ele estava sentado na cama com o livro aberto a sua frente. Aquele maldito livro! Ele a olhou quando a viu abrir a porta.
– Vou preparar o jantar. Daqui a pouco eu te chamo.
– Não to com fome. – Falou secamente desviando o olhar para o livro.
Regina sentiu a frieza daquelas palavras. Aquilo a feriu mais.
– Mas tem que comer, Henry.
– Mas eu não quero. Não to com fome.
A mãe não tinha forças pra discutir ou para obrigá-lo, mesmo sabendo que seria o certo.
– Tudo bem então. Qualquer coisa você me chama.
Fechou a porta novamente e saiu do quarto dele. Andou desolada para seu quarto. Não sabia como reverter aquela situação. Tudo estava desmoronando. Achou que se afastar de Emma seria o melhor, mas estava sendo tão ruim que começava a duvidar disso.
Era como se quando Emma estava perto, a alegria lhe alcançasse. Mas quando estava longe da loira, tudo virava trevas.
“Salvadora” Pensou tirando suas roupas, precisava de um banho.
A água quente escorreu por seu corpo. Confundindo-se com suas lágrimas. Por que tudo tinha que ser sempre tão difícil e doloroso pra ela?
Ficou ali longos minutos, deixando a água lavar seu corpo, seus pensamentos completamente embaralhados.
Quando saiu do banho não sentia fome alguma. Já que Henry não queria jantar, então nem faria nada. Colocou sua camisola e se deitou. Sentia-se pesada, cansada, sem rumo.
Impressionante como nos poucos dias em que estava se entendendo com Emma tudo parecia estar bem, caminhar para algo bom. Henry estava feliz, estavam se dando melhor, já não se sentia tão solitária. Ela e Emma estavam vivendo algo que não sabia dizer o nome, mas que era gostoso de sentir. Naqueles dias, sentia uma felicidade que há muito não sentia. E Emma estava presente nisso tudo.
Mas agora que havia decidido afastá-la, tudo estava indo de mal a pior. Ficando em ruínas. Henry estava com raiva dela. Emma com certeza a estava odiando. E por dentro havia aquele vazio que já conhecia bem, mas que agora parecia tão mais profundo.
Tentou procurar uma posição confortável na cama, mas conforto era algo que parecia ter fugido dela. Tudo que conseguia sentir era tristeza e trevas.
Tão diferente dos dias em que estava se dando bem com ela.
“Era como se quando ela tava perto eu me sentisse feliz. E agora que ela vai pra longe só sinto tristeza”.
“Mas não era pra ser assim. Era pra eu estar feliz. Eu estou vencendo finalmente”.
“Mas vencendo pra que? Se só sinto o desprezo do meu filho. E esse vazio que não passa”.
“Tudo estava tão diferente naquele dia que fomos ao parque, e quando trocamos aquelas mensagens”.
“Ela é a Salvadora. Será... que isso se aplica a mim também? Será que ela veio pra... pra me salvar também?” Perguntou-se sentindo seu coração dar uma acelerada e um frio em sua barriga.
“Não. Isso é impossível”. Sorriu desolada e melancólica. “Eu sou a Rainha Má. A única coisa que ela pode fazer comigo é me destruir”.
Sentiu o choro querer se formar novamente. Estava sofrendo.
“Mas... e se...” Algo dentro dela lutava para se libertar. “E se ela fizer parte da minha felicidade?” Assustou-se com esse pensamento.
“Não posso negar que me senti feliz com ela. Mas isso é fraqueza!”
“Mas se isso é fraqueza, então porque eu não me sinto forte agora?”
“Ao contrário, eu me senti forte... e feliz... quando ela estava perto de mim. Quando Henry não estava com raiva. Quando o via alegre. Tudo parecia bem quando ela estava perto. E agora que eu a afastei, agora que ela decidiu ir embora, tudo parece estar se tornando trevas outra vez”. Pensava angustiada.
“Eu devia estar feliz que ela vai embora. Devia estar comemorando minha vitória. Mas não estou. Estou aqui sofrendo. E sofrendo por ela?” Indignou-se. Não queria se sentir daquele jeito.
“Meu Deus, isso quer dizer que estou mesmo apaixonada por ela”.
“E se ela for embora... e eu nunca mais tiver a chance de sentir isso?” Sentiu seu peito gelar. Era medo.
“Eu devia me sentir forte agora que ela vai pra longe. Mas me sinto tão fraca e derrotada”.
“Emma”
“Será que você faz parte do meu destino?”
Permaneceu ali remoendo aqueles pensamentos, ainda estava levemente sob o efeito da bebida, e então adormeceu.
*****
Haviam se passado dois dias desde que Emma dissera que iria embora de Storybrooke. E naqueles dois dias, Regina só conseguiu pensar nela e na ausência dela. No que isso iria causar para Henry. E para ela mesma.
Chorou todas as noites, sofreu. Quis tirar aquilo de dentro dela, mas parecia impossível. Não podia mais negar ou lutar, estava apaixonada. E a ideia de ficar longe da loira agora lhe parecia insuportável.
Seu peito doía. Sua cabeça latejava. A saudade apertava a cada segundo. Passava longos minutos lembrando-se dos beijos, das carícias, do sexo incrível que fizeram. Do jeito como Emma a olhava, da voz, do cheiro. E principalmente de como sentia-se bem perto dela, apesar de toda a confusão em sua cabeça.
“E agora, como vou ficar sem ela?”
Era manhã, estava em casa. Naqueles dias praticamente não trabalhou, não tinha ânimo. Estava sentada no sofá da sala. Não queria mais beber. Já havia bebido demais durante aqueles dois dias. Estava apenas sentada, pensando. Remoendo um pensamento que vinha lhe torturando desde a noite anterior.
“E se... eu pedisse pra ela ficar? Será que ela me desculparia e mudaria de ideia?”
Fechou os olhos lembrando-se da última vez que se beijaram. Foi na Prefeitura, no dia em que Regina mentiu dizendo que não queria mais que aquilo acontecesse.
“Eu não devia ter feito aquilo”. Admitiu finalmente. “Foi um erro. Achei que afastá-la seria o melhor, quis me livrar dela. Mas com isso eu apenas sofri. Fiz Henry sofrer. E... acho que fiz ela sofrer também”.
“Será que ela estava apaixonada por mim também?” Esboçou um leve sorriso. “Mas alguém seria capaz de se apaixonar por mim?” Seu sorriso sumiu. “Mas ela não era indiferente, ela parecia sentir algo. O olhar dela, o jeito. Parecia ser mais do que apenas atração”.
“Será que era?” Indagou-se receosa.
“Não quero que ela vá embora”. Admitiu pra si mesma, suspirando pesarosa. “Não sei se sei viver sem ela mais”.
“Mas se ela ficar... a maldição... vai se quebrar”. Um arrepio subiu por sua espinha.
“Mas essa droga de maldição não está me trazendo nada de bom. Só dor, solidão”.
“Se... ela estivesse apaixonada por mim também, eu estaria deixando de viver isso por causa dessa maldição que só me isola e me faz sofrer”.
“E talvez... se ela sentisse algo desse tipo por mim também, não me odiasse caso quebrasse a maldição. Talvez ela ficasse do meu lado. Afinal, apesar de tudo, ela foi a única que acreditou que eu poderia mudar”.
Um certo fio de esperança começou a surgir dentro dela. Será que era possível que Emma gostasse dela e não a odiasse?
Só havia um jeito de saber. Pedindo pra ela ficar.
“Mas... e se ela disser não?”
“Bom, é o máximo que pode acontecer, né”.
Começou a sentir uma ansiedade incontrolável tomar conta de seu corpo. Será que deveria fazer isso? Precisaria reunir toda sua coragem. Tinha medo. Não tinha certeza se era isso mesmo que devia fazer. Talvez deixar Emma ir fosse o melhor.
Mas... ficar sem ela. Parecia tão ruim.
Ficou tanto tempo ali pensando e repensando, que nem percebeu a hora passar. Já estava de tarde. E ouviu a porta principal se abrindo.
– Oi, mãe. – Cumprimentou se aproximando dela.
– Oi, querido. – Tentou sorrir, mas parecia tão difícil.
– Mãe, eu queria te pedir uma coisa. – Murmurou.
Regina estreitou as sobrancelhas.
– O que é?
– É que a Emma vai embora depois de amanhã. – Regina gelou ao ouvir aquilo. – E ela quer que eu vá de manhã me despedir dela antes de ir pra escola. Mas ela disse pra eu falar com você, porque ela não queria que eu fosse escondido e isso desse mais problemas. Eu posso ir? Por favor!
Regina ficou desnorteada, seu olhar se tornou vago. Emma iria mesmo embora.
– Mãe? Eu posso ir? – Insistiu.
– Hã... claro, filho. – Respondeu atordoada.
– Obrigado. – O menino respondeu e então subiu as escadas.
“Depois de amanhã”. Seu olhar aflito encarava um ponto vago na sala. “Ela vai embora”. Seu coração disparou. De medo. De ansiedade.
“Não! Não posso deixar ela ir. Não posso perder a única pessoa que me enxergou de um jeito diferente. E não posso deixar que Henry sofra mais. Ela precisa ficar aqui”.
Levantou-se de supetão!
E de repente parou. Milhares de pensamentos vieram a sua mente. E eles envolviam a maldição. Envolviam a felicidade de Henry, a sua felicidade.
“Mas que droga! Com maldição ou sem maldição, o lugar dela é aqui!”
Sem pensar mais, pegou as chaves do carro e saiu de casa. Estava tão aflita que esqueceu de avisar Henry que iria sair.
Quando já estava dentro do carro ligou pra ele. Mas não disse pra onde estava indo. Não queria criar falsas expectativas nele. Disse apenas que precisou sair.
Dirigiu nervosa, precisava segurar firme o volante para não perder a direção.
Será que estava fazendo a coisa certa? Pedir pra Emma ficar era como assinar o contrato de quebra da maldição.
Mas deixá-la ir embora... era assinar o contrato de sua própria infelicidade.
Passou em frente a delegacia e o fusca de Emma não estava lá. Ela provavelmente estava em casa.
Suas mãos tremiam e seu estômago embrulhava. Não sabia o que iria dizer quando chegasse lá. Não sabia qual seria a reação dela. Não sabia sequer se devia mesmo fazer aquilo. Estava deixando suas emoções a guiarem.
Chegou finalmente ao prédio dela. Respirou fundo várias vezes antes de descer do carro. Por um minuto pensou em ir embora, deixar aquela ideia pra lá. Mas simplesmente não conseguiu. Pensar em voltar pra casa e não tentar fazer nada pra impedir Emma de ir embora, a fez sentir uma aflição enorme. Aquilo era a prova de que devia mesmo pedir pra ela ficar. Porque ficar sem ela, agora tinha certeza, só lhe traria aflição e dor.
Subiu as escadas do prédio com suas pernas bambas, a boca estava seca, suas mãos suavam. Parou em frente a porta do apartamento dela. O medo a fazia querer correr dali. Mas algo muito mais forte parecia gritar dentro de si que deveria lutar e não deixar ela ir.
Levantou a mão para apertar a campainha. E hesitou. Fechou os olhos, respirou forte. E finalmente tocou. Seu coração vindo na boca.
Segundos depois a porta se abriu. E viu a responsável por toda a sua desgraça. Como desprezava aquela mulher. Buscou forças dentro de si para dizer:
– Boa tarde, srta. Blanchard
– Boa tarde, Prefeita. Em que posso ajudá-la?
– A srta. Swan está? – Tentou esconder seu nervosimo.
– Está. Eu vou chamar...
– Mary, você viu aquela minha blusa que...?
Era ela. Emma vinha descendo pelas escadas. Tão linda, e aquela voz. O coração de Regina disparou de um jeito diferente.
– Emma, eu já ia te chamar. A Prefeita Mills quer falar com você.
As duas se encaravam. Regina tinha seu coração acelerado desde a hora que decidiu ir ali. E agora vendo a loira de perto depois de todos aqueles dias, era como se apaixonar mais um pouco. Sentia a saudade gritar dentro de si.
Emma estava séria, parada no meio da escada olhando pra ela.
– Pode entrar, Regina. — Foi Emma quem falou.
A morena respirou fundo e passou pela professora, que logo em seguida falou:
– Bom, vou deixar vocês a vontade pra conversarem. — Fez menção de sair já que o apartamento era pequeno e queria dar privacidade às duas.
– Não precisa, Mary. Você acabou de chegar, tá cansada. Ela e eu conversamos aqui em cima.
Direcionou seu olhar para a Prefeita, dando a entender que era pra ela subir. Regina desviou o olhar para o chão e, um tanto desconsertada, andou em direção a escada.
Assim que ela deu o primeiro passo, Emma deu meia volta e subiu as escadas novamente, entrando em seu quarto.
Mary Margaret fechou a porta da sala e observou Regina subir, com seus saltos fazendo um barulho vir da escada a cada degrau que ela subia.
Alguns segundos depois de Emma entrar no quarto, Regina entrou também. Seu coração arrebentando seu peito. Suas mãos estavam suando e parecia haver um nó em sua garganta.
Emma estava de costas, mexendo numa mala que estava aberta sobre a cama. E quando percebeu que Regina tinha entrado no quarto, perguntou:
– Então, o que houve pra você vir me procurar aqui?
Emma não a encarava, estava dobrando uma roupa para colocar dentro da mala.
Regina respirou fundo. Precisava reunir toda sua força e coragem para dizer o que tinha ido fazer ali. Seu coração palpitava, sua respiração falhava.
– Eu vim... – Pigarreou. Não havia uma gota de saliva em sua boca. Respirou fundo mais uma vez. – Vim pedir pra você ficar.
Emma imediatamente paralisou. Parecia não ter ouvido direito. Seu coração pareceu parar de bater. Com muito esforço, virou-se para ela.
– O que? – Foi apenas um fio de voz.
Regina estava tão nervosa.
– Posso fechar a porta? – Murmurou.
Emma não tinha reação. E diante do silêncio dela, Regina tomou a liberdade e então fechou a porta. Quando se voltou pra ela novamente, ficou alguns segundos em silêncio. Não sabia como fazer aquilo. Mas Emma esperava uma resposta. Engoliu a saliva, buscou o ar e começou a falar.
– Emma... eu sei que nos desentendemos. Mas não gostaria que fosse embora assim. – Fez uma pausa buscando as palavras. — Você não precisa ir. – Deu um passo a frente.
Ouvi-la pronunciando seu primeiro nome era o suficiente para fazer todo seu corpo arrepiar. Respirou fundo tentando achar seu auto controle. O que Regina queria com isso agora?
– E por que eu não iria? – Perguntou tentando fingir desinteresse e voltou a ficar de costas mexendo nas roupas.
– Porque... bom... – E agora? O que dizer? – Acho que não deveria ser assim. Você está indo embora por causa das nossas brigas. E... acho que isso poderia... que deveria terminar. E além do mais... Henry vai sofrer muito se você for.
Então era isso! Era pelo Henry.
– É por causa do Henry? Relaxa. — Seu tom foi meio debochado, mas não foi intencional — Ele é só uma criança, daqui a pouco ele entende.
– Não é só por causa do Henry! — Falou de um vez. E Emma sentiu o corpo tensionar.
Parou de fazer o que estava fazendo e virou para ficar de frente para ela novamente.
– Então é por quê? — Tentou parecer despretensiosa, mas no fundo seu nervosismo e ansiedade a corroendo por dentro. Tinha uma blusa em suas mãos, a qual apertava o tecido com força.
Regina engoliu em seco. Não sabia como falar. Não era boa com isso. E estava nervosa demais.
– Não vai, Emma. — Disse dando um passo a frente. Soou como uma súplica.
Tinha o coração em mãos. Parece que nunca tinha sentido ele bater tão forte. Mas não era uma coisa boa, ele estava tomado de um desespero. Medo que ela fosse embora.
Emma tentou respirar fundo, ofegante como sempre.
– Regina, não tô entendendo — Realmente estava confusa. Por que Regina estava fazendo aquilo? Queria manter a razão, mas seu coração esperançoso insistia em se deixar levar. Estava com medo de baixar a guarda e se ferrar de novo. — Se não é pelo Henry, então por que quer que eu fique?
– Por que... — Regina baixou o olhar. Como iria dizer tudo que estava engasgado, tudo que estava sentindo. Era tão difícil, parecia impossível. Mas se não fizesse nada Emma iria embora. A única pessoa que a enxergou de uma maneira diferente mesmo com tantas coisas ruins.
– Por que o que? — Perguntou a loira já sentindo a irritação e o nervoso aumentar.
Regina levantou o olhar e seus castanhos encontraram os esmeraldas a sua frente. Engoliu a saliva que se formara, seus olhos grudados, coração batendo forte.
– Por isso! — Se aproximou dela e, em um movimento rápido, a beijou.
Obviamente Emma não esperava, assustou-se. Mas aquela sensação gostosa do contato dos lábios dela falou mais alto. Acabou enfraquecendo e fechando seus olhos.
Regina segurou seu rosto com as duas mãos e movia seus lábios sobre os dela de um jeito desesperado, mas os lábios da loira estavam estáticos. Era um ato exasperado. E Emma não correspondia, isso angustiou a morena.
Porém quando pensou em se afastar, sentiu a boca da loira se mover junto a sua. Um arrepio percorreu toda sua pele. Sua barriga gelou e seu peito queimou. Ainda mais quando sentiu as mãos de Emma tocarem sua cintura.
Emma definitivamente não esperava aquele beijo. Não esperava aquela atitude de Regina. E talvez a surpresa, junto com a saudade que sentia, foram o que a impediram de resistir. E antes que pudesse raciocinar algo, suas mãos pousaram na cintura da morena, e sua boca correspondeu a dela.
Seus lábios se misturaram em uma carícia um tanto urgente. Ambas tinham sede daquele beijo. Fazia já tanto tempo que não se beijavam, a saudade gritava forte demais. E logo Regina abriu espaço na boca da outra com sua língua.
Beijaram-se profundamente. As línguas se tocaram disparando eletricidade pelo corpo delas. Regina passou sua mão na nuca da outra e segurou os cabelos loiros, quase ditando o ritmo daquele beijo, que Emma correspondia com extrema vontade.
A loira estava entregue, tomada pela emoção, e então abraçou a morena, envolvendo completamente a cintura dela com seus braços. Seus corpos grudaram e Regina suspirou, sentindo seu coração derreter. Que saudade estava daquele beijo doce, daquela boca macia e gostosa, daqueles braços fortes a apertando daquela forma.
O cheiro de Regina deixava Emma enlouquecida, sem nenhum resquício de sanidade. Seu coração batia como louco, fazia seu peito queimar, suas pernas bambearem. E sua boca desejar mais e mais do gosto maravilhoso daquela boca carnuda.
Mas a confusão começou a se fazer presente novamente na cabeça dela. O que aquele beijo significava? Por que Regina estava ali? O que ela queria lhe pedindo pra ficar?
Todas essas coisas pulsaram na mente dela e então, quase que bruscamente, empurrou Regina pela cintura. Mas não se afastaram totalmente.
Se olharam. Havia um misto de tantos sentimentos naquele olhar. Para Regina era paixão, saudade, medo, ansiedade. Para Emma era confusão, raiva, frustração, desejo.
– É por causa disso que quer que eu fique? — Emma perguntou com a voz pesada, a respiração num ritmo acelerado.
Regina apenas fez que sim com a cabeça.
– Mas se esse é um dos motivos pelo qual eu quero ir embora. – Acabou confessando.
– Você quer fugir? — Sussurrou.
– Fugir? Não. – Falou indignada — Só não quero me deixar levar por algo que você mesma deixou bem claro que não ia mais acontecer.
Por algum motivo elas ainda continuavam próximas. Regina com as mãos apoiadas nos ombros dela, enquanto Emma segurava sua cintura.
– Eu... – Procurava pelas palavras. — Me desculpa... Eu não fui sincera quando falei aquelas coisas.
Emma riu sem vontade ao ouvir aquilo.
– É claro que não. — Disse sarcástica. — Porque você é incapaz de ser sincera em alguma coisa.
Dito isso, Emma se desvencilhou dos braços da morena e saiu daquele contato, voltando a ficar de costas e mexer nas suas roupas.
Regina ficou ali estática, com os olhos surpresos com o que ela disse.
Desviou o olhar pra baixo já com as lágrimas se formando. Sentiu seu coração se quebrar. Estava provando do seu próprio veneno.
Mas não era hora pra se martirizar ou se sentir a pessoa mais infeliz do mundo. Aquele beijo tão intenso era a prova de que Emma ainda sentia algo. E era a isso que devia se apegar com todas as forças. Precisava lutar. Lutar pra não perder a única pessoa que a fez se sentir completa e feliz depois de mais de três décadas.
Fechou os olhos e buscou o ar com força, abrindo-os em seguida. Ela ainda estava perto da loira.
– Emma...
– Você ainda tá aí? — Interrompeu. — Vai embora, por favor. — Pediu em tom baixo. Sua voz estava embargada. Se odiava por ser tão transparente na frente dela.
Regina que, tinha a mão erguida para tocá-la, recuou com o que ela disse. Sua expressão se contorceu um pouco em tristeza. Contudo ela não podia se deixar levar, tinha que ir até o fim com o que foi fazer ali.
Continuou o que pretendia e levou sua mão ao braço dela.
– Olha pra mim, por favor. — Pediu. Puxando de leve pra que ela se virasse.
A mão de Regina na pele nua de seu braço pareceu pegar fogo, uma onda quente se espalhou por todo seu corpo. E imediatamente todos os pelos de sua pele branca se arrepiaram. Não teve forças para resistir, e como Regina pediu, virou-se.
Regina buscou seus olhos e respirou fundo antes de falar. Buscava a coragem dentro de si. Era tão difícil demonstrar seus sentimentos.
– Sei que deve estar me odiando agora pela coisas que falei naquele dia. Eu fui uma... completa idiota. Mas foi porque eu estava com medo. Eu...
– Chega! — Cortou em um tom mais alto.
– Pelo menos me escuta... Por favor.
– Acho que já escutei tudo que tinha pra escutar de você naquele dia. Aqui não é hora, nem lugar pra conversarmos sobre isso. — Não queria que Mary Margaret acabasse ouvindo alguma coisa.
– Tem razão. Aqui não é lugar. Vamos conversar em outro lugar então... Na Prefeitura. – Falava aflita.
Emma a encarou tentando decifrar aquele olhar.
– Por que tá insistindo nisso?
– Porque... – Era hora de ser completamente sincera. Se realmente queria que Emma ficasse, então bastava de mentiras. – Não quero perder você. – Murmurou.
O coração de Emma ardeu e bateu muito forte. Desviou o olhar, porque se continuasse olhando dentro daqueles castanhos se perderia neles e não conseguiria mais ser forte. E com certeza Regina estava tramando alguma coisa, não podia ser tão burra de novo. Já tinha sido uma vez.
– Vai embora, Regina.
– Tudo bem. Eu vou. Mas... por favor, Emma. Venha até a Prefeitura pra terminarmos essa conversa. Eu vou pra lá agora mesmo. E vou te esperar. Por favor.
Emma não olhou pra ela, mas engoliu em seco. Aquela atitude de Regina estava mexendo com ela. Por que ela estava fazendo aquilo? O que ela pretendia?
Como Emma não disse mais nada, nem ao menos virou-se, Regina se afastou e deixou o quarto. Sabia que não seria fácil mesmo. Emma estava com raiva. E era teimosa, Regina sabia. Saiu de lá com mais medo do que chegou. Mas iria esperá-la. E se ela não fosse, iria atrás dela de novo.
Passou pela sala sem nem olhar para Mary. Ela mesma abriu a porta e saiu.
Assim que a Prefeita bateu a porta, Mary Margaret subiu as escadas.
– O que ela queria? – Perguntou entrando no quarto da amiga.
Emma corou.
– Falar sobre o Henry. Nada demais. – Tentou parecer tranquila, mas por dentro estava tremendo.
– Achei que ela tinha vindo brigar. Que bom que não. – Riu.
– Uhum. – A cabeça de Emma viajava no que havia acabado de acontecer. Precisava entender aquilo. – Er, eu vou dar uma saída. Tenho que ver umas coisas na delegacia. Daqui a pouco to de volta. – Disse já pegando sua jaqueta vermelha na cadeira.
– Tudo bem. – Respondeu sem entender muito bem o jeito dela. Parecia nervosa.
Emma saiu atordoada. Entrou em seu fusca e dirigiu. Passou em frente a Prefeitura. Regina disse que estaria lá esperando por ela. E de fato, a Mercedes estava parada ali.
Contudo, Emma não parou. Não sabia se queria falar com ela. Regina não merecia. Quem ela achava que era? Pensando que simplesmente iria lá, lhe pediria pra ficar e ela iria aceitar assim.
Aquela atitude dela não fazia sentido. O que ela estaria tramando?
Emma dirigiu pela cidade, pensando no que fazer. Por fim decidiu ir até lá. Mas não para ouvir. E sim para falar. Era sua vez de dizer tudo que estava engasgado desde o dia que Regina lhe disse que ela não tinha sido mais do que uma experiência.
Estacionou o fusca e respirou fundo algumas vezes antes de sair. Estava com raiva. Odiava aquele jeito de Regina. Sempre fazendo o que quer sem se importar com o sentimento dos outros.
Subiu as escadas da Prefeitura pensando em desistir e voltar. Mas precisava fazer aquilo. Dar uma basta naquela maluquice de uma vez por todas. Seja lá o que Regina estava tramando, Emma não iria cair.
Puxou o ar com força e então deu duas batidas rápidas na porta e a abriu.
Regina estava sentada em sua cadeira, e pareceu assustada quando Emma entrou daquele jeito.
Sim, a morena assustou-se pela maneira brusca como a outra entrou, mas seu coração de certa forma se alegrou por vê-la ali.
– Emma, que bom que veio. – Disse levantando-se e dando a volta na mesa.
Estava angustiada. Nem ela mesma sabia ao certo ainda o que estava fazendo. Pedindo assim pra Emma ficar. Aquilo era uma loucura. Se a Salvadora ficasse ali, tudo estaria condenado.
Sua cabeça dava voltas nesses pensamentos. Mas já não conseguia enxergar ela apenas como a Salvadora. Quando pensava nela, e olhando pra ela nesse momento, só conseguia ver a pessoa por quem estava apaixonada.
Já não aguentava estar longe dela. Sim, tudo aquilo era loucura, era arriscado. Mas era o que estava fazendo ela se sentir viva novamente. E se Emma fosse embora, o que restaria? Uma vida vazia no meio de pessoas que a odeiam, com uma maldição que ninguém sequer sabe que existe, com Henry infeliz, a culpando por toda sua desgraça. Será que aquilo era mesmo o seu final feliz? Porque pensando bem desse jeito, não se parecia em nada com um.
– Bom, eu to aqui. O que você quer me dizer afinal? – Emma a tirou daqueles pensamentos.
O coração de Regina palpitou, queimou em seu peito acelerado. Estava extremamente nervosa. As palavras estavam desconexas em sua mente. Era como se não conseguisse formular nenhuma frase que fizesse sentido.
– E então? – Mas uma vez a loira a capturou dos pensamentos, falando de forma impaciente.
Regina buscou com força o ar que parecia não chegar a seus pulmões e finalmente conseguiu falar.
– Não quero que você vá embora.
– Isso você já me disse. Eu quero saber o porquê dessa coisa agora.
Emma falava irritada, sem paciência, nervosa. E ainda se sentia idiota por ter ido ali.
– Porque... – Pigarreou – Desde o dia que você me disse que iria embora eu tenho pensando muito. E... eu percebi que... sei lá, eu não estou... preparada pra ficar longe de você. – Nem ela mesma acreditou que havia dito aquilo. Mas disse. E apesar do nervosismo e ansiedade terem aumentado, sentiu-se um tanto leve.
Emma parecia congelada, sua expressão era indecifrável, o que angustiava mais a Prefeita.
Por que? Por que Regina estava dizendo essas coisas, fazendo aquilo? O que ela estava tramando? Emma só conseguia enxergar algo de ruim por trás daquela atitude dela. Havia aprendido da pior forma que não deveria esperar nada de bom vindo dela.
Cerrou seus punhos com raiva. Regina não iria mais brincar com ela. Uma vez, uma única vez se deixou levar por ela e foi seu maior erro. Esqueceu-se de que havia aprendido a não confiar em ninguém. Mas não iria acontecer de novo.
– Pronto? Já terminou seu teatrinho? – Perguntou com indiferença.
Um frio subiu pela espinha de Regina.
– Não é nem um teatrinho. – Disse com nojo daquela palavra. – Estou sendo sincera.
– Sincera? Você? – Debochou. – Desde quando você sabe o significado dessa palavra?
Emma estava sendo dura. E era exatamente isso que queria. Mostrar pra Regina que ela era forte.
– Para de falar assim, Swan. – Regina se irritou com aquele jeito irônico da outra. – Me deixa falar. Eu...
– A gente não tem nada pra falar. – interrompeu. – A não ser que seja sobre o Henry!
– Me escuta, Emma! – Angustiou-se e seu tom saiu um tanto alterado.
– Escutar o que?! – Retrucou exaltada. – Se tudo que sai da sua boca ou é mentira ou é algo pra destruir alguém. Não, eu não tenho que escutar nada. Você não merece. Tudo que você fala e faz é maldade. – Estava alterada, não conseguia mais conter a mágoa e a raiva.
Aquelas palavras doeram. Talvez fosse melhor desistir daquela ideia louca mesmo e deixar Emma ir embora de uma vez. Foi o que Regina pensou.
Mas não era isso que gritava dentro dela. Não era isso que seu coração pedia.
Se aproximou um pouco da loira.
– Emma, me deixa falar! Me dá uma chance. — Sussurrou.
– Eu te dei uma chance, Regina! — Quase gritou. – E você quebrou meu coração! – Confessou sem conseguir se controlar.
Regina arregalou os olhos. “ Quebrou meu coração”. Aquilo ecoou por sua mente. Não esperava ouvir algo assim. Mas aquilo afinal queria dizer que Emma sentia algo. Porém não teve tempo de pensar muito. Emma continuou a falar.
– Mesmo depois das coisas horríveis que você fez comigo quando eu cheguei em Storybrooke... eu te enxerguei de um jeito diferente do que todo mundo enxerga. E eu te dei uma chance. Mas você sempre retribui querendo me ferrar. Armando pra cima de mim. Tentando me afastar do Henry. E por fim... – Hesitou um pouco. – Me dizendo todas aquelas coisas sem necessidade aqui. Na boa, você podia simplesmente dizer que não ia rolar mais nada. – Ironizou de um jeito nervoso. – Não precisava falar daquele jeito tão estúpido. – Colocou toda sua mágoa pra fora.
Regina sentiu seu peito arder em dor ao ouvir aquilo.
– E agora você vem com essa historinha de pedir pra eu ficar. Você é doida! Afinal não era isso que você queria? Que você sempre quis. Que eu fosse embora? — Ela tinha um tom meio debochado. — Então agora pode ficar feliz, Madame Prefeita. Eu vou embora pra sempre! Mas nem sequer pense... — Ela se aproximou, ficando cara a cara com Regina. — Em afastar meu filho de mim. Posso não ter direitos sobre ele, mas eu sou a mãe biológica. E você sabe muito bem que ele não hesitaria em dizer diante de um juiz que gostaria de ficar comigo. Então não arrisque! — Falou com raiva. Havia fúria nos olhos dela, Regina podia ver. Mas também sentia mágoa em sua voz.
Os punhos da loira estavam cerrados e sua voz embargada e ofegante pela raiva. Ela falava entre dentes encarando Regina bem de perto.
– Não sei que plano maquiavélico você pretende pedindo pra eu ficar aqui, mas não vai dar certo. Já tomei minha decisão. Seja lá a maldade que você quer com isso, não vai conseguir. Eu vou embora!! Mas, mais uma vez repito... — Ela mergulhou furiosa seu olhar mais ainda naqueles castanhos. — Nem pense em afastar meu filho de mim. Porque aí sim eu arranco ele de você! Nem que seja à força!
Regina sentiu a saliva descer com dificuldade por sua garganta. Estava quase que em posição de defesa diante dela. Onde estava a Regina de ar superior que sempre rebatia a altura? Havia se escondido em algum lugar. Fugido daquela loira linda e daqueles olhos verdes que faiscavam ódio.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Emma andou alguns passos ainda virada pra Regina, então deu meia volta e saiu, batendo a porta com força.
Regina chegou a sobressaltar com o barulho da porta. Viu a raiva transbordar nos olhos de Emma. Pensou em ir atrás dela. Mas pra que? Ela estava enfurecida. E Regina abalada. Foi tola ao pensar por um segundo sequer que ela iria simplesmente deixar tudo pra lá e ficar. Não havia mais o que fazer. Emma a odiava.
“Acho que estou mesmo ficando louca”. Pensou ao se jogar sentada no sofá que havia ali. Sentia-se desolada e constrangida. Havia deixado de lado todo seu orgulho, todo seu medo, sua preocupação, e arriscado tudo para pedir para Emma não ir embora. E agora estava sentindo vergonha de si mesma.
“Isso é loucura, to buscando minha própria derrota”.
“Mas... e que vitória eu tenho agora? Minha vida é simplesmente um lixo. Não tenho... amor”. Lembrou-se daquela maldita fada que um dia lhe disse que o que ela precisava era amor.
Emma jamais iria desculpá-la. Não era só pelas coisas horríveis que havia dito naquele dia. Era por tudo. Porque Regina foi um demônio na vida dela. E ainda assim, Emma lhe deu a oportunidade de se mostrar diferente.
“E o que eu fiz? Dei a ela mais um motivo pra me odiar. Como se fossem poucos os que ela já tinha.”
Não, Regina não iria atrás dela. Aquilo não tinha jeito. Cometeu muitos erros com a loira e agora estava pagando por eles. Não iria adiantar ir atrás dela.
Quando Emma deixou a Prefeitura, finalmente conseguiu respirar direito. Porque lá parecia que todo seu ar estava preso. Sua cabeça doía. E seu peito também. Se odiava por um dia ter olhado diferente pra Regina. Aquilo foi sua perdição, seu maior erro.
Estava confusa porque ela havia pedido-lhe pra ficar. Lá no fundo queria acreditar naquilo. Mas não. Já havia sofrido decepções suficientes na vida. Pessoas mentem e ferem. Em toda sua vida foi assim. E não iria mais baixar a guarda.
*****
Era o dia seguinte e aquele seria seu último dia em Storybrooke. Estava ansiosa, e quanto mais se aproximava do momento de ir embora, mas sentia que seu coração se tornava pequeno.
Havia ido à lanchonete da Vovó para almoçar. E quem sabe espairecer um pouco. Porém mal havia tocado na comida. Seu estômago parecia embrulhado todo o tempo.
Não parava de pensar no que Regina havia feito no dia anterior. Qual seria o real motivo daquilo? Não fazia sentido aquela atitude. Praticamente não havia dormido toda a noite pensando nisso.
E aquele beijo em seu quarto. Tinha sido tão intenso, tão gostoso. Sentiu o coração acelerar com a lembrança. Suspirou forte passando as mãos pelo rosto.
– Você vai embora mesmo?
Abriu os olhos e era Ruby.
– Vou, Ruby. – Disse sem emoção.
– Mas Emma. Você vai embora por causa da Regina? Mas e o Henry, como ele vai ficar? – Sentou-se na cadeira de frente pra ela.
– Não é por causa da Regina. – Respondeu como se estivesse se defendendo. – Quer dizer, é, mas... é porque não dá mais pra viver assim. Nossa, essa mulher transformou minha vida num inferno. E a do Henry junto. Ele não merece passar por isso. Crescer no meio de todas essas brigas.
– Poxa, eu vou sentir sua falta.
Emma sorriu.
– Eu também vou. E da lasanha da sua Vó também. – Riram. – Mas, olha, sempre que eu vir visitar o Henry, eu vou passar pra ver vocês.
– Emma, um dia você deixa eu te visitar em Boston? Ai, tenho tanta vontade de conhecer outros lugares. – Disse sonhadora.
– É claro. Você não precisa nem perguntar isso. Pode me visitar sempre que quiser. E aí eu te mostro algumas coisas legais por lá.
– Tá bom! – Sorriu largamente.
Foi quando ouviram o som do sino da porta e o olhar de Emma mudou. A garçonete logo olhou na direção e viu Regina sentando-se numa mesa perto da porta.
Ruby olhou para Emma e então levantou-se para atender a Prefeita.
Foi somente nesse momento que Regina se deu conta da presença de Emma ali. E foi como um furacão lhe atingindo. Seu peito disparou e sua boca ficou seca. Sentiu aquele costumeiro frio na barriga. Por alguns segundos seu olhar permaneceu vidrado no dela, mas logo desviou sentindo-se desconsertada.
Durante aqueles dias praticamente não havia saído de casa, não trabalhava. Precisava espairecer um pouco e decidiu ir almoçar na lanchonete. Mas era impressionante como o destino sempre parecia colocar ela onde Emma estava.
Fez seu pedido e logo Ruby trouxe. Enquanto comia, desejava profundamente que um buraco se abrisse e pudesse sumir nele. Ah, como queria sua magia agora. Com certeza iria desaparecer dali em sua fumaça roxa.
Se bem, que isso seria bem ridículo. Seria o mesmo que sair correndo dali, e foi exatamente o que sentiu vontade de fazer quando avistou Emma. Mas isso seria absurdamente patético.
Estava com vergonha pelo que tinha feito no dia anterior. Emma devia estar achando ela uma idiota.
Do lugar em que estava, Emma tinha uma visão perfeita de Regina, que estava com suas pernas cruzadas, naquela pose majestosa que só ela parecia ter. Não queria fazer isso, mas seus olhos pareciam ter vida própria e sempre acabavam pousando naquelas pernas. Emma tinha o peito acelerado.
Era algo tão louco. Em que momento aquilo havia acontecido? Perguntava-se sempre. Há apenas alguns meses jamais tinha olhado pra uma mulher desse jeito. Naquela época odiava Regina. E agora estava ali, se perdendo naquela beleza e na saudade.
Foi nesse momento que, perdida em pensamentos, se deu conta de que Regina também a olhava. Desviou o olhar imediatamente, mas provavelmente não tão rápido para que Regina não percebesse.
Bufou e levantou-se. Precisava sair dali, precisava sair de perto dela. Foi até o balcão para pagar a conta. Regina a observava, sentia-se um bicho acuado. Jamais havia se sentido tão insegura.
Quando Emma estava se dirigindo à porta, parou de frente para Regina. Nem ela mesma sabia porque tinha feito aquilo. Era como se simplesmente não pudesse sair dali sem ao menos escutar a voz dela.
– Já pensou em alguém pra ficar como Xerife? Porque que eu saiba ninguém se candidatou até agora. – Falou a primeira coisa que veio a mente. E que bom que algo veio, porque se não iria ficar ali parada como uma retardada.
Regina estava imóvel. Suas mãos começaram a suar e suas pernas a tremer.
– Er, ainda não.
– Bom, então é melhor se apressar. Eu vou embora amanhã e alguém tem que ficar no meu lugar quando eu não estiver aqui.
– Você já vai amanhã mesmo? – Não conseguiu esconder a ansiedade.
– Sim — Se encararam por alguns segundos sem dizer nada. — Boa tarde. — E saiu da lanchonete.
Regina ficou olhando a porta se fechar, era tão angustiante o que sentia. Num impulso levantou e foi atrás dela.
– Emma!! — Chamou enquanto descia correndo os degraus da entrada.
A loira já estava na calçada e virou instintivamente. Quando Regina chegou perto dela, falou:
– É isso mesmo que você quer fazer?
– Como se você se importasse. – Retrucou entendendo ao que ela se referia.
– Por mais que você não acredite, eu me importo.
– Nisso você tem razão, eu não acredito.
– Você nem ao menos me deixou falar ontem, explicar...
– Talvez porque tudo que você fala seja mentira.
Foi um tapa sem mão. Regina desviou o olhar para baixo por um segundo e então voltou a encará-la.
– As coisas que eu fiz desde que você chegou aqui, fizeram você me enxergar assim, não é? – Seu tom foi melancólico.
– Olha, finalmente algo em que concordamos. – Ironizou. – Eu tenho mais o que fazer. Passar bem. — Deu as costas para ir embora.
Mas Regina a segurou pela mão, fazendo Emma arrepiar e imediatamente se virar novamente.
– Não vai embora da cidade, Emma... Não vai! — Sussurrou bem próxima.
A loira estremeceu. Por que Regina estava fazendo aquilo? Estavam na frente da lanchonete. Pessoas passavam pela rua. Porque ela estava agindo assim, pegando sua mão na frente de quem quisesse ver, sem se importar com nada?
– Por que tá fazendo isso? — Foi sua vez de sussurrar.
– Porque não posso ficar longe de você. Não vou conseguir. Não é possível que você não veja! Eu posso ser o que for, uma pessoa ruim. Mas você me conhece melhor do que qualquer pessoa nessa cidade, Emma. Não é possível que você não enxergue que dessa vez eu estou sendo sincera! – Falou um tanto exasperada.
A olhou profundamente nos olhos. E Emma fraquejou, parecia ver sinceridade ali. O olhar dela, a forma como falava. A mão dela estava quente e apertava a sua, seu olhar parecia suplicante, verdadeiro.
Seu coração já estava fora de controle. E se... Se ela estivesse mesmo sendo sincera?
Nesse momento um carro passou e o barulho a fez sair daquele transe.
– Eu tenho que ir. — Desvencilhou sua mão da dela e se afastou sem olhar pra trás.
Atravessou a rua, sob o olhar triste da morena. Que viu Emma entrar no fusca e sair do local.
Era melhor se conformar de que havia perdido. Talvez Emma não sentisse mais nada mesmo por ela.
*****
Era noite daquele mesmo dia. Emma já estava deitada. As luzes apagadas enquanto seu olhar fitava o teto escuro.
Em um canto do quarto estava a mala já completamente pronta. Aquela seria a última noite que passaria em Storybrooke. E pensar nisso não a deixava dormir.
Esteve naquela cidade apenas durante alguns meses, e ainda assim ir embora era como se estivesse deixando toda uma vida para trás.
Não havia dúvidas de que queria ficar ali. Mas uma parte dentro de si pedia desesperadamente para fugir.
Fugir daquilo que estava lhe machucando. E foi assim que Emma sempre viveu, ou melhor, sobreviveu. Fugindo quando algo lhe feria. Simplesmente ia pra outro lugar.
Mas não era tão simples agora. Sentia-se enraizada naquele lugar. Presa a Henry, a Mary Margaret... e a Regina.
Se remexeu na cama, respirando forte e irritada. Não aguentava mais pensar nela o tempo todo. Fechou seus olhos por um momento, respirou fundo. E sua cabeça viajou até aquela tarde.
"Por que ela tá insistindo pra eu ficar?"
Sua mente repetia essa pergunta inúmeras vezes. E ainda assim não conseguia achar nenhuma resposta.
"Ela sempre quis que eu fosse embora. Então por que isso de repente?"
"Aquele olhar dela hoje a tarde parecia... tão sincero".
Seu coração acelerando.
"E se ela estiver sendo sincera? Se realmente fez aquilo antes porque tava com medo? E se... se ela estiver mesmo gostando de mim?"
Sentiu o frio em sua barriga, o arrepio em sua espinha. O coração disparar incontrolável, queimando em seu peito.
"Não!” Repreendeu-se.
"Chega de ser idiota. Não vou cair nessa de novo. Ela tá mentindo... Como sempre".
O problema é que depois da atitude de Regina, Emma não sabia mais se acreditava em seus próprios pensamentos. Ou se estava apenas tentando a todo custo se convencer de que Regina estava tramando algo.
Ficou ali remoendo isso. Aquela aflição destruindo seu peito sem piedade. A dor de ter que ir embora. Como seria no momento que tivesse que se despedir de Henry? Isso machucava. Machucava muito.
E pra completar, Regina não saía da sua cabeça um minuto sequer.
"E se... se ela tiver dizendo a verdade?"
Cada vez que esse "e se” aparecia em sua mente seu coração pulava, como se quisesse sair do peito.
"Que outro motivo ela teria pra pedir pra eu ficar?"
"Será que ela tá dizendo a verdade?"
Seu coração gritava desesperado pra que acreditasse naquilo. Mas ao mesmo tempo o medo e as experiências que teve com ela faziam-na ficar extremamente insegura.
– Ahhhg — Bufou passando as duas mãos pelo rosto. — Você tá me deixando maluca! — Disse em voz alta, referindo-se à morena.
A lembrança do beijo que trocaram ali no dia anterior atormentava sua cabeça. Tinha sido tão bom, tão gostoso. Regina parecia tão entregue, seu beijo era tão intenso, tão... sincero.
"Deus... Será que ela tá sendo sincera?"
Estremeceu, arrepiou. Queria acreditar nisso. Todo seu ser queria acreditar em Regina.
"Não, Emma. Você não pode” Dizia a si mesma. "Não pode cair nessa de novo. Chega!"
"Amanhã eu vou embora e isso vai passar".
Mas no fundo já não sabia se acreditava mesmo que Regina mentia.
*****
– Henry? O que tá fazendo aqui, filho? — Regina se espantou quando viu Henry sentado na cozinha. Já se aproximava de meia noite.
– Não tava conseguindo dormir. — Respondeu cabisbaixo, com a cabeça apoiada nas mãos. Seus cotovelos estavam sobre o balcão.
– Por que não? Tá se sentindo mal? — Indagou preocupada, se aproximando dele.
Ele a olhou de relance, e então deu um longo suspiro. Parecia tão desanimado.
– Por causa da Emma. Porque ela vai embora amanhã.
Regina sentiu a voz dele embargar nessa frase. E isso fez seu coração quebrar em mil pedaços.
Relutou um pouco antes de se aproximar dele, sentia-se insegura.
– Você ainda tá com raiva de mim?
– Só tô chateado.
Queria dizer que pediu pra ela ficar. Mas quando dissesse que a resposta da loira foi não, com certeza isso doeria nele mais do que já estava doendo.
– Eu sinto muito, Henry. Eu não queria que ela fosse embora. — Disse sincera.
O menino a olhou um tanto intrigado.
– Mas você sempre quis que ela fosse.
Ela o olhou sentida.
– Mas agora é diferente. Poxa... será que você não consegue enxergar nem um pouquinho que eu mudei, Henry? — Perguntou dolorida. Parecia que não importava seu esforço, ele sempre iria afastá-la.
Ele afastou a cabeça das mãos e olhou pra ela. Sentiu que ela estava triste.
– Mas ela tá indo embora porque vocês brigaram. — Tentou argumentar.
– Não é só por causa disso, Henry. São... Coisas de adulto. E eu tentei pedir desculpas pra ela... Mas ela nem quis me ouvir. — Desviou o olhar.
– Você pediu? — Ficou surpreso.
– Pedi. Eu estou tentando mudar de verdade. Por que é tão difícil acreditar?!
– Porque você é a Rainha Má! E é sempre você que briga.
Ela o olhou sentindo seu peito se desmanchar em tristeza. Soltou um longo suspiro.
– Eu te amo, Henry. Mas você me magoa tanto falando assim comigo. Às vezes parece que não importa tudo que eu fiz por você, todo o amor que te dei, nada adianta, porque você não me ama nem um pouco. — Concluiu desviando o olhar, com seus olhos marejando.
– Isso não é verdade! — Respondeu rápido.
Regina o olhou surpresa.
– Eu só fico com raiva porque você nunca diz a verdade.
– Do que está falando?
– Você sabe que tudo que eu digo é verdade. Você disse que tá mudando. Então por que não conta a verdade e ajuda a Emma a quebrar a maldição? — Ele falava um tanto irritado.
Aquelas palavras foram um choque para Regina. Sentiu imediatamente suas pernas fraquejarem.
– E se tudo fosse verdade... você me odiaria. — Afirmou num impulso.
O menino arregalou os olhos. Será que ela estava admitindo pra ele?
– Não... Não odiaria! Só queria que você parasse de mentir.
O coração dela acelerou. Será mesmo que ele não iria odiá-la? Seria possível contar toda a verdade a ele?
Uma euforia tomou conta de si por um momento.
Não! Não podia contar. Ele era apenas uma criança. Nem devia saber completamente o que estava falando. É claro que se soubesse toda a verdade, e ainda mais que ela mentiu pra ele todo o tempo, ele se revoltaria contra a ela.
– Chega, por favor, Henry. — Murmurou olhando pra baixo. — Nada disso é verdade. Eu sinto muito, mas já é hora de você parar de acreditar nisso. — Sentiu-se tão mal por estar mentindo novamente.
O menino desviou o olhar.
– Volta pro seu quarto. Já tá muito tarde. Você precisa dormir.
Ele se levantou e saiu pisando forte, sem nem dar mais uma palavra com Regina. O acompanhou com o olhar, até que ele sumiu pela porta da cozinha.
Foi a vez dela sentar-se e suspirar longamente. Triste, machucada.
Além do desprezo de seu filho, ainda havia aquela insistente agonia pela partida de Emma.
Apesar de toda a circunstância e de tudo que a permanência dela em Storybrooke significava, Regina queria tanto que ela ficasse. Estava apaixonada por ela, e já não negava mais.
Como iria ficar sem ela? Até mesmo das brigas ela iria sentir falta.
Sorriu fraco, melancólica.
Mas não havia mais o que fazer. Duas vezes havia tentado se redimir, pediu, praticamente implorou pra ela ficar. E não adiantou. Emma já havia tomado a decisão. Não podia fazer mais nada. Além de conformar-se em ficar sem a pessoa que havia conseguido fazê-la sorrir sinceramente depois de tanto tempo.
*****
O dia amanheceu. E era chegado o momento de Emma partir. Estava extremamente exausta. Praticamente não tinha dormido toda a noite. Seu coração parecia pesado. Sentia-se amarrada. E ainda assim tinha que ir.
– E o Henry? — Mary perguntou enquanto Emma vestia sua jaqueta.
– Ele disse que vinha. Ele tem que vir. Não posso ir embora sem me despedir dele.
Emma partiria cedo, ainda era quase 8 da manhã. Tinha combinado com Henry de falar com ele antes dele e Mary Margaret irem pra escola.
– Ele tá chateado. Você sabe. — A amiga falou.
– Eu sei. Mas não posso fazer nada. Ficar aqui só vai piorar as coisas.
– Emma, a verdade é que você quer fugir! – Afirmou convicta.
– Isso é o que é melhor pra ele! — Retrucou com insatisfação.
– E fugir é o que é melhor pra ele?
– Mary, se eu ficar aqui ele sempre vai sofrer. A Regina... Ela é... Difícil demais. — Falava um tanto afobada. — E eu não aguento mais isso.
– Então você tá fugindo da Regina? — Indagou se aproximando dela.
Emma a olhou um pouco assustada. E então desviou o olhar indo até a geladeira.
– Eu não tô fugindo de nada. Só não quero que ele cresça no meio dessas brigas.
Era verdade. Mas sim, estava fugindo. Era como sabia sobreviver. Nunca havia aprendido outro modo.
– Ficar longe de você não vai ser o melhor pro Henry. — Mary Margaret insistia.
– Por enquanto acho que é sim. Depois vemos como fica. — Concluiu bebendo da água que havia pegado.
– Mas, Emma...
Foi interrompida pelo som da campainha.
– É ele! — Emma foi correndo abrir a porta. — Achei que você não vinha mais, garoto. — Forçou um sorriso.
Mas ele se lançou nela em um abraço, enquanto se consumia em um choro desesperado.
Aquilo partiu o coração de ambas as mulheres ali.
– Não fica assim. — Emma falou baixinho, afagando seus cabelos.
– Como eu vou ficar aqui sem você, Emma? — Falava entre soluços.
– Você não vai ficar sem mim. Eu disse que vamos nos ver sempre.
– Eu sei, mas não é a mesma coisa.
– Eu sei que não. — Murmurou e se afastou um pouco para olhá-lo. — Mas por enquanto precisa ser assim. — Encarou os olhos dele — Só por enquanto. Tá bem? Confia em mim. — Enxugava as lágrimas dele com os polegares.
– Eu confio. — Murmurou encarando-a.
Mary se aproximou dos dois.
– Vai ficar tudo bem, Henry. — A morena sorriu passando a mão pelas costas dele.
– Vocês acham isso. Mas a Regina... agora ela conseguiu o que ela queria. A Emma vai embora e não vai quebrar a maldição. Ninguém vai ter o final feliz de volta. Nem você, Branca de Neve. — Falou olhando diretamente pra ela.
As duas mulheres se entreolharam. Emma já não sabia mais mesmo o que dizer sobre aquele assunto.
– Eu vou ter meu final feliz, Henry. — Mary falou sorrindo. — Em algum momento. Sabe por quê? — Ela se inclinou e envolveu o rosto dele com as mãos. — Porque no final tudo dá certo. — Riu, fazendo Emma sorrir também.
– É, garoto. — Bagunçou o cabelo dele. — Vai ficar tudo bem. — O encarou séria agora. Mas não tinha tanta certeza de sua própria frase.
Eles se abraçaram mais uma vez.
– Agora eu preciso ir. — A voz de Emma saiu meio embargada. — E vocês tem que ir pra escola. — Segurou o choro.
– Verdade. Vamos nos atrasar. – Mary disse olhando pra ele.
– Entao vamos descendo. — Emma pegou sua mala e os três seguiram até a entrada do prédio.
Assim que chegaram na calçada, Emma instintivamente olhou em volta na rua. Não queria admitir, mas no fundo tinha esperanças de que Regina estaria ali. Mas ela não estava.
Melhor assim.
Respirou fundo e virou-se para Henry e Mary Margaret. O olhar dela dizia que era a hora. O coração apertado no peito, fazendo-a sentir vontade de chorar. Mas não podia na frente do filho. Tinha que passar força pra ele. Quando pensou em dizer algo, ele se aproximou.
– Emma, não vai. – Suplicou com a voz chorosa. O que partiu ainda mais o coração dela. Imediatamente lembrou-se do dia que ele nasceu, do dia em que desistiu dele, que o deixou sozinho. Era impossível não comparar as situações.
– Eu tenho que ir, garoto. Isso é o melhor pra você.
– O melhor pra mim é você aqui!
Emma e Mary se entreolharam.
– Procura entender, Henry. A Emma só quer o seu bem. – A amiga interveio.
– Isso mesmo. E eu não vou te deixar sozinho nunca! E, olha, assim que eu ajeitar as coisas em Boston, eu prometo que venho te ver. O mais rápido possível. Tá bom?
Ele não ficou satisfeito, mas não tinha mais o que fazer.
– Tá bom. – Respondeu desanimando.
Emma sorriu pra ele. Estava usando toda sua força pra segurar o choro. Ela diminuiu o espaço entre eles e o abraçou.
– Se cuida, garoto. – Apertou o corpo dele contra o seu, como se quisesse torná-lo parte dela.
Quando o soltou, se dirigiu à amiga e a abraçou também.
– Boa sorte, Emma! – Disse no abraço.
– Obrigada.
Se afastaram e Emma caminhou até a porta do fusca. Deu uma última olhada para o filho. E lançando-lhe um sorriu, entrou no veículo. Olhou pela janela e viu Mary abraçar o ombro do menino, que tinha o rosto choroso.
Estava sentindo a mesma dor que sentiu há dez anos. Será que era justo fazer isso com ele por causa do que houve com Regina?
Mas sim. Não era só por isso afinal. Era por tudo. Henry nunca seria uma criança feliz enquanto vivesse mergulhado nas brigas delas.
Respirou longamente, ligou o carro, segurou o volante. Olhou para os dois do lado de fora. Então buzinou rapidamente e arrancou com carro.
Assim que se afastou, não pôde mais conter, olhava-os pelo retrovisor, ficando cada vez menores, e as lágrimas desceram sem pedir. Chorou aquela dor que massacrava seu peito.
Estava a caminho de uma nova vida. Ou melhor, da mesma vida de antes. Sozinha, sem família, sem amigos. Sem nada além de sua solidão e amargura.
Foi dirigindo, e de repente as construções foram dando lugar as árvores. E logo estava na estrada. O lugar vazio, apenas árvores de cada lado e pista a sua frente.
Era isso. Era o fim. O fim de sua vida em Storybrooke. Pouquíssimos meses e ainda assim parecia que havia sido uma vida inteira naquele lugar.
Sua mente viajava em tantos acontecimentos enquanto tentava se concentrar na direção. Seu peito apertava, pois a cada minuto se afastava mais do lugar onde estava seu filho e... Regina.
Apertou o volante e forçou o pé no acelerador. Já que estava indo embora, melhor ir rápido... Antes que acabasse desistindo.
Distraída em meio a tantos pensamentos, viu de repente aparecer no retrovisor o reflexo de um carro. Estava longe.
Não daria importância pra aquilo se não estivesse quase no limite da cidade. Quem poderia estar saindo também?
Bom, apesar da curiosidade, não era problema dela.
O carro se aproximava, parecia vir em alta velocidade. E quando olhou melhor, percebeu... Aquele carro... Era o de Regina.
“Regina?!... Mas o que ela tá fazendo aqui?”
Seu coração acelerou no mesmo instante. Tudo que havia acontecido nos últimos dias voltou a martelar com força em sua mente. Regina pedindo pra ela ficar, aquele olhar que parecia tão sincero, o beijo que trocaram em seu quarto, tão intenso.
Por que ela estava ali? Será que...?
Emma sacudiu a cabeça, desnorteada.
“Não! O que ela quer agora? Será que tá vindo mesmo atrás de mim?!”
“Talvez nem seja isso. Talvez esteja saindo da cidade por outro motivo”. Uma pontada de insegurança batendo.
“Mas agora...? Justo na hora que eu to indo embora. Coincidência demais”.
Emma fechou ainda mais o semblante e acelerou mais seu fusca. Seja lá o que Regina quisesse não daria ouvidos pra ela.
Seguiam os dois carros por aquela estrada, em alta velocidade, já distantes da cidade. Faltava alguns metros para cruzar a placa de saída.
Emma começou a ouvir o som alto da buzina do carro atrás do seu. Sim, Regina queria que ela parasse, agora tinha certeza. Seu coração apertava, queria parar. Mas sua razão dizia pra seguir em frente. Estava com medo... Medo do que sentia por ela.
Dentro do Mercedes Regina dizia em voz alta enquanto buzinava sem parar:
– Para essa lata velha, Swan! Deixa de ser idiota!
Quando acordou naquele dia se deu conta de que estava desistindo muito facilmente. Emma iria partir se não fizesse nada. Não podia desistir assim, só porque levou um não antes. Tinha que tentar mais uma vez.
Sabia que Emma ainda sentia algo. Aquele beijo tão intenso no quarto dela foi a prova disso. Ela estava com raiva, talvez a odiando. Mas ainda assim sentia algo. E Regina não iria desistir desse fio de esperança. Não podia perder Henry. Mas agora tinha certeza... também não podia perder a Emma.
Estava desesperada. A pessoa que havia lhe trago o sorriso de novo estava indo embora. E esse sorriso tinha vindo de duas formas, primeiro porque Henry veio dela. E segundo, com essa paixão que arrebatou seu coração.
A maldição nunca havia dado isso a ela. Pelo contrario, foi só vazio e dor. Se a maldição tivesse que ser quebrada, que se quebrasse então. Tinha medo disso? Claro que sim! Morria de medo! Mas tinha ainda mais medo de nunca mais na vida sentir o que sentiu nos braços daquela mulher.
E sabia que Emma estava indo embora porque estava farta do jeito arrogante com que a tratava. Pelo jeito com que brigaram depois de algo tão incrível ter acontecido entre elas. Por todas as coisas horríveis que disse naquele dia na Prefeitura. Precisava ao menos ter a chance de consertar isso. Por Emma, por ela e por Henry.
Conseguiu emparelhar seu carro com o dela. Estavam lado a lado. Se entreolharam por um segundo pelas janelas que estavam abertas.
Emma tinha o rosto completamente fechado. Mas no fundo seu coração batendo desesperado. Por que Regina estava fazendo aquilo? Só podia haver uma explicação. Mas...
– Emma, para o carro!!! – Regina gritou.
Emma bambeou. Sim, queria parar. Mas ceder assim? Não podia. Depois de tudo que Regina fez.
Mas a maneira como ela vinha agindo nos últimos dias, pedindo pra ela ficar, confundia Emma.
Regina viu que ela não iria parar, então acelerou mais, ultrapassou. E mais a frente jogou sua Mercedes na frente do fusca, parando inclinada na frente de Emma. Obrigando a loira a frear bruscamente. Do contrário iriam colidir.
Emma pisou com força no freio. O barulho dos pneus arrastando pelo asfalto poderia ser ouvido de longe. O fusca parou a menos de um metro de distância do Mercedes.
Quando parou, Emma respirava forte, ofegante, assustada.
Saiu do carro enfurecida. No mesmo momento em que Regina já ia saindo.
– Ficou maluca?! Quer matar a gente?!! – Gritava já do lado de fora do carro. – Você tá louca?!
– Sim!! Sim, eu tô louca!! – Gritou também enquanto andava se aproximando dela. – Louca por você!!!
Emma gelou. Aquelas palavras a deixaram sem reação. Sentiu seu corpo inteiro se arrepiar.
– Tô louca por você, Emma!! – Repetiu no mesmo tom. – E não é possível que você não esteja vendo isso!!! – Gritou sentindo lágrimas se formarem em seus olhos.
Emma permanecia estática diante dela, com os olhos assustados pelo que tinha acabado de ouvir. Não sabia dizer ao certo se seu coração batia rápido demais ou devagar demais, porque por um momento ele pareceu ter parado.
Seus olhares se sustentaram por segundos que pareceram horas. Até que Emma desviou.
– O que eu to vendo é que você adora brincar com os sentimentos dos outros. – Acabou soltando meio sem pensar. – Primeiro você diz uma coisa. Depois diz outra. Aí de repente muda de ideia de novo. Você nunca sabe o que quer, Regina! – Esbravejou voltando a encará-la.
– Eu quero você! – Retrucou rápido. Seu coração batia aflito, desesperado. Sua voz saiu um tanto embargada.
Emma estagnou de novo. Sentiu aquelas borboletas voarem em seu estômago. O olhar de Regina parecia tão sincero. Por quê?
– Por que tá fazendo isso? – Perguntou confusa e irritada, em um tom que parecia cansado de tudo aquilo.
Regina engoliu a saliva que se formara. Estava nervosa demais.
– Emma... – Chamou em um tom mais calmo se aproximando dela. – Naquela... naquela noite... que passamos juntas... – Sua voz era quase sussurrada. Sentiu suas entranhas queimarem e seu rosto corou. Com Emma não foi diferente, visto que ela desviou o olhar. – Você disse pra mim que seu coração só batia forte daquele jeito quando estava comigo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A loira sentiu vergonha, tinha se exposto no momento que disse aquilo. Pra depois Regina massacrar seu coração.
– Você pegou minha mão e colocou sobre seu coração e me disse isso. Você lembra disso? – Perguntou se aproximando mais.
Mas Emma recuou um passo. E Regina parou onde estava. Ainda assim estavam próximas.
– Você lembra? – Repetiu. Sentia suas pernas bambearem. Queria tanto beijar Emma naquele momento. A saudade era tão grande.
Sentia-se pequena, seu coração parecia apertado no peito. Desde que Daniel morrera ela jamais havia demonstrado esse tipo de sentimento pra alguém de novo. Aquilo era difícil.
– Porque tá falando disso agora? É passado! – Respondeu arrogante.
– Pra mim não é passado. E algo me diz... algo me faz sentir... que pra você também não é.
Emma respirou fundo, como sempre ofegante. Estava fraquejando diante dela. Regina ali tão perto era uma tentação. E seu coração gritava alto dentro dela pra que esquecesse tudo e a beijasse imediatamente.
– E eu estou falando disso... – Regina continuou. – Porque esse é o motivo de eu estar aqui fazendo isso. – Emma a encarou confusa. – Porque meu coração só bate forte como está batendo agora quando eu estou com você. – Concluiu baixo, mas confiante. Apesar do choro que tentava segurar.
Emma olhou fundo naqueles olhos castanhos. Regina nunca havia agido assim.
A Prefeita esperou que ela dissesse algo. Queria que ela dissesse, porque estava nervosa demais pra aguentar aquilo em silêncio. Mas a loira não disse nada. E se aquele silêncio continuasse, se Emma não acreditasse, de nada adiantaria se expor assim. Tinha que ser sincera. Completamente sincera.
Arriscou dar um pequeno passo, e dessa vez Emma não recuou. Sua boca estava seca, seu coração martelava seu peito. Precisava dizer. Tinha que dizer. Emma precisava saber.
– Eu... – Começou a falar, mas sua voz pareceu sumir. Buscou o ar e respirou fundo. – Eu estou apaixonada por você.
Nossa, foi como liberar uma magia fortíssima. Todo seu corpo pareceu entrar em chamas. Seu coração batendo feito louco. Suas mãos suando, sua boca seca. Não foi fácil revelar aquilo. Mas foi bom.
Emma estremeceu, e sua boca se abriu levemente. Seu peito queimou. “Apaixonada”. A palavra ecoou em sua cabeça. O coração já acelerado ficou completamente descompassado. O que Regina estava dizendo? E por quê? Não! Era mentira dela.
– Você tá mentindo. – Olhou pro lado.
Regina se irritou.
– Droga, Swan! Por que eu estaria mentindo?! – Indagou nervosa.
– Porque tudo que você diz é mentira! – Voltou a olhar pra ela.
– Eu não to mentindo! Eu tô apaixonada por você! – Esbravejou chegando mais perto.
– Para com isso!! – Emma gritou.
Regina precisava mostrar. Então em um movimento rápido segurou o rosto da loira com as duas mãos e a puxou, colando com força seus lábios nos dela.
Emma sentiu aquelas mãos ansiosas segurarem seu rosto e aquela boca quente tocar a sua. Não esperava aquilo, se assustou por um momento. Todo seu corpo tremeu.
Assustada, Emma desgrudou suas bocas tão rápido quanto Regina a tocou. E seus olhos se encontraram ansiosos. Regina respirava forte. Olhava para a loira intensamente. Os olhares se cruzavam, alternavam entre olhos e bocas. As mãos quentes de Regina estavam no rosto dela.
Emma travava uma luta interna. Mas não aguentava mais. Não depois de sentir o toque dos lábios dela nos seus.
E então... acabou cedendo a tudo aquilo. E foi sua vez de segurar Regina rapidamente. Uma de suas mãos a puxou pela cintura, enquanto a outra embrenhou nos cabelos pretos e puxou seu rosto, beijando-a.
Quando Emma a segurou daquela forma, Regina sentiu que seu corpo poderia se desfazer ali, tamanha era a emoção que sentiu.
O beijo foi intenso, foi carregado de uma mágoa que Emma depositou nele. Poderia até dizer que foi cheio de raiva. Emma a beijava com força, sua língua entrou ávida na boca de Regina. Não havia carinho, era apenas o desejo.
Virou rapidamente o corpo da morena e a empurrou com força contra a lateral do fusca, o que fez Regina sentir dor, mas não importava, não interromperia aquele beijo por nada no mundo.
As mãos de Regina abraçavam Emma, apertavam suas costas. Quase não podia acreditar que Emma a estava beijando, suas pernas tremiam e ela teve medo de cair, por sorte estava apoiada no carro.
O beijo era rápido, Emma apertava com força sua cintura, agarrava seus cabelos. A beijava com voracidade. Como se quisesse naquele beijo mostrar toda a frustração que sentia. Seu corpo estava quente. Aquele beijo tirava seu juízo, a boca de Regina era tão gostosa. Seu coração batia tão forte. O cheiro dela impregnava seu ser, fazendo sentir mais e mais vontade de não sair de perto dela.
E aos poucos, a paixão, o carinho que sentia pela morena foi tomando conta dela. E daquele beijo.
Seus movimentos foram ficando mais calmos, pouco a pouco. A mão que estava na cintura subiu até o rosto dela. Suspirava, respirava forte. Aquela raiva pareceu ir desaparecendo, e o beijo foi acalmando.
Regina percebeu o toque de Emma mudar. E adorou aquilo. Emma estava degustando sua boca daquele jeito que Regina amava. Com paixão, com desejo, mas com carinho!
E que beijo delicioso. Emma segurava o rosto dela, acariciava. As línguas se misturavam intensamente. Era um beijo carregado de emoções. Os lábios se moldavam um no outro perfeitamente. Aquilo desencadeava ondas de calor pelo corpo das duas. Regina a abraçou mais forte e suspirou. Não conseguia mais conter o prazer que o beijo dela lhe dava.
O sentimento de saudade invadia Emma, e ela não queria desgrudar dali, daquela boca, daquele corpo.
Se beijavam devagar agora, degustando lentamente seus lábios e línguas. Sentindo o gosto de suas bocas. Desfrutando de todas as sensações que aquilo causava.
Mas quando o ar realmente se fez necessário, foi Emma quem interrompeu o beijo. Mas não abriu os olhos, continuava a segurar o rosto da morena, e respirava extremamente ofegante.
Regina sentia uma leve dor em suas costas pela maneira como Emma a empurrou no carro, mas não tinha importância. O gosto do beijo dela estava em sua boca e isso era tudo que importava. Sorriu levemente ainda de olhos fechados, sentindo seu coração pulsar.
Abriu os olhos quase no mesmo momento que Emma, e se maravilhou com o brilho daqueles verdes. Não conseguia parar de sorrir.
Emma a encarava séria. Respirou fundo. Seu coração extremamente acelerado. E não podia negar... batendo feliz por causa daquele beijo. Estava confusa.
– Isso é loucura! – Pronunciou finalmente retirando suas mãos do rosto de Regina e se afastando, andando alguns passos.
– A melhor loucura da minha vida. – Regina confirmou sorrindo, enquanto se afastava do fusca.
Do jeito que ela falou, a loira não resistiu e acabou deixando escapar um leve riso nervoso. Mas então virou de costas, parecia transtornada. Colocou as duas mãos na cintura e olhou pro céu, puxando todo ar que pôde. O dia estava claro, não conseguiu sustentar seu olhar por muito tempo ali, então logo voltou a olhar pra frente, soltando o ar de um jeito audível.
Regina percebeu o quanto ela parecia atormentada. Devia estar completamente confusa e não era pra menos. Mas Regina tinha certeza, sentiu naquele beijo, que ela não era indiferente. Que ainda sentia algo. Sentiu o carinho como ela a beijou. Agora mais do que nunca, não iria desistir. Não sabia mais viver sem aquela loira.
– Acredita em mim. – Pediu se aproximando dela que continuava de costas.
Emma apenas olhou pro lado, não virou, não a encarou, não disse nada.
– Pensa bem, tudo que eu sempre quis foi ter o Henry só pra mim. Se você fosse embora eu iria ganhar. Então por que diabos eu pediria pra você ficar?
Emma permaneceu calada. O que ela dizia fazia sentido.
– Que motivos eu teria pra querer que você ficasse? Me diz um! Só um motivo. – Se aproximou mais. Emma não respondeu. – Eu não to planejando nada... maquiavélico. Só quero que você fique... comigo... e com o Henry. – Concluiu em tom manso. Seu coração explodia no peito. De ansiedade, de paixão, de medo dela não mudar de ideia.
Emma ouviu tudo aquilo e soltou o ar com força.
– Às vezes acho que você é maluca de verdade. – Virou-se novamente pra ela nesse momento, mas não a encarou. – Nunca dá pra saber o que esperar de você. É impossível – Falava devagar. Parecia mais calma. Na verdade menos irritada, porque calma ela não estava. Regina a olhava enquanto ela falava, estava séria agora. – De repente você vem, diz todas essas coisas, pede pra eu ficar. Mas e todas aquelas coisas que você me disse naquele dia na Prefeitura? Você deixou tão claro que só queria experimentar e que nada mais ia acontecer. – Foi um pouco debochada nessa parte. — Não dá pra entender você. Eu não sei o que pensar.
Regina sentiu a aflição tomar conta de si.
– Emma, nada daquilo que eu disse era verdade. E eu sei... – Interrompeu Emma que ia falar algo – Isso soa muito ruim, eu sei. Mas aquilo foi o meu medo falando mais alto do que tudo. – A encarou. – Emma você ficaria surpresa se soubesse há quantos anos eu não sinto algo assim. Isso... me assustou! A única vez que me apaixonei na vida eu sofri demais. Tive muito medo de sofrer de novo. – Confessou com lágrimas nos olhos. – E... você é uma mulher, isso tudo foi tão diferente e confuso. Eu me apavorei. – Não estava apenas tentando fazer Emma ficar, estava abrindo seu coração por si própria, porque já não aguentava mais o peso de tudo aquilo. – E além de tudo isso... você é a mãe biológica do Henry. Tive medo de algo acontecer e você tirá-lo de mim. – Não pôde mais segurar, e com toda aquela mistura de emoções dentro de si, a maneira que seu corpo encontrou para extravasar foi o choro. E uma lágrima quente acabou escorrendo pelo seu rosto.
É claro que não estava dizendo toda a verdade, não podia falar sobre o medo da maldição ser quebrada. Mas tudo que estava falando não era nenhuma mentira. Era a mais pura verdade.
– Eu te prometi que nunca ia fazer nada pra tirar ele de você. – Emma murmurou olhando pra ela, que tinha o olhar pra baixo. Tudo que ela disse mexeu com Emma, e ainda por cima ela estava chorando, parecia quebrada. Emma a conhecia... Ela estava sendo sincera.
– Eu sei, mas... eu não sei lidar com as minhas emoções, com os meus medos. – Voltou a encará-la. – Achei que fugir do que eu sentia seria a melhor opção. – Seu coração estava abalado, parecia querer se quebrar. Tudo que queria naquele momento era que Emma acreditasse nela.
A loira sentiu seu estômago revirar com tantos sentimentos juntos. Ainda estava com raiva, mas Regina estava ali na sua frente, abrindo o coração, se expondo. Quis abraçá-la, confortá-la. Mas não faria. Era orgulhosa.
– E agora de repente todo esse medo passou? Como num passe de mágica. – Foi irônica.
– Não! É claro que não passou! Eu ainda to morrendo de medo. – Emma a olhou surpresa, não esperava que ela dissesse aquilo. – Mas eu tenho mais medo... de acordar todos os dias e... e saber que não vou mais te ver. Meu maior medo agora é ficar sem você. – Confessou olhando profundamente dentro daqueles verdes a sua frente.
A loira ficou sem reação, com seu peito aquecido, seu coração batendo descontrolado. Desviou o olhar. Se continuasse a olhar nos olhos dela, iria simplesmente abraçá-la e beijá-la. Era o que mais queria. Mas ainda se sentia confusa. Será que Regina merecia sua confiança depois de tudo?
– E por que tá com esse medo? De ficar sem mim? – Perguntou sem olhar pra ela. Seu coração ansioso.
– Eu já disse. – Se aproximou mais. – Porque to apaixonada por você. – Sussurrou próxima a ela.
Emma fechou os olhos, não conseguiu conter a emoção. Logo os abriu e encarou o nada. Regina relutou por um momento, teve medo da reação dela, mas se permitiu tocar seu rosto. Com a mão esquerda tocou de leve o lado direito do rosto dela, estava quente. Emma não recuou, não repulsou o toque.
Delicadamente Regina foi virando o rosto dela até seus olhos se encontrarem.
– Eu não sei como, mas você me conhece melhor do que qualquer pessoa. — Fez uma pausa. – Olha nos meus olhos. Você sabe que não tô mentindo. – Sua voz saía embargada pelo excesso de emoções.
Assim como ela pediu, Emma encarou intensamente os olhos chocolate, mas não disse nada. E apesar da ansiedade e aflição que Regina sentia, naquele momento Emma não precisava dizer nada, ela podia ver nos olhos verdes o que ela estava sentindo.
Se atreveu a se aproximar ainda mais. Levou sua outra mão ao rosto dela, segurando-o delicadamente. Seu olhar desceu e ela encarou aquela boca rosada. Ansiava beijá-la, senti-la. E acima de tudo, mostrar pra Emma seus sentimentos.
Encarou mais uma vez as esmeraldas que brilhavam tão intensamente. O olhar de Regina era aflito. Devagar aproximou seu rosto do dela, queria ter certeza que Emma não iria fugir.
E então tocou de maneira doce os lábios dela.
Teve certeza que Emma não iria recusar o beijo quando sentiu as mãos dela pousarem delicadamente em sua cintura. Todo seu corpo se arrepiou. Seus lábios se tocaram devagar, como se estivessem se reconhecendo. Se moldavam, se completavam. Mas o coração ansioso pedia por mais, e Regina adentrou delicadamente a boca de Emma com sua língua.
Emma estremeceu quando sentiu a língua quente de Regina tocar a sua. Ah como sentiu saudade daquela boca, daquele gosto adocicado. Beijá-la era maravilhoso. Não podia mais resistir, era impossível controlar todo aquele sentimento avassalador. Sua mente já não raciocinava direito, eram suas emoções que a controlavam agora.
Envolveu completamente o corpo de Regina em um abraço terno, e suspirou sentindo o êxtase que o beijo dela lhe causava. Todo o corpo da morena respondeu aquele abraço e ao suspiro que ouviu escapar de Emma. Ficou encantada com a maneira como a loira a beijava. Era tão delicado, tão cheio de ternura. E ainda assim era tão apaixonado. Regina não conseguiu conter e sorriu em meio ao beijo. Ali sem dúvidas era o melhor lugar do mundo, nos braços daquela mulher.
Aos poucos o beijo foi tomando proporções mais intensas, o desejo e a saudade começava a consumir seus corpos. Regina enfiou sua mão nos cabelos loiros e intensificou o beijo. Suas línguas se misturaram com ansiedade, com avidez. Suspiravam, se apertavam. Os corpos estavam tão grudados que podiam sentir o coração da outra bater. E ambos batiam completamente acelerados.
Aquilo era mesmo uma loucura, estavam literalmente no meio da estrada, ao redor só havia árvores e mais árvores, era praticamente o meio do nada, e elas só queriam se beijar e se beijar. E para elas realmente não havia nada em volta, ali só existia elas duas. Porque sempre que se beijavam o universo parecia sumir. E tudo que sentiam era uma a outra e todas aquelas emoções misturadas.
O beijo foi ficando lento novamente. Pouco a pouco só os lábios foram se tocando. E devagar as bocas se separaram.
Regina tinha agora absoluta certeza que nunca tinha sentido isso. Nem mesmo com Daniel. Com ele foi um amor muito verdadeiro, mas imaturo, inocente, poderia dizer até infantil. Porém com Emma era algo avassalador, era louco, era intenso, era como sair da Terra e viajar todo o universo em um único beijo.
Regina ainda tinha medo de admitir para si mesma. Contudo só havia uma explicação para isso tudo: Amor.
Se entreolharam, mergulharam seus olhares. Emma viu os castanhos brilharem de um jeito que nunca tinha visto. Adorava aqueles olhos, aquele olhar intenso. Seu coração queimava só de olhar pra ela.
Regina tinha um leve sorriso. Emocionada com o beijo de segundos atrás. Acariciou o rosto da loira. A pele branca estava ruborizada e quente. Os olhos verdes brilhavam ainda mais intensamente devido à luz do sol que batia sobre eles. Deus, como ela era linda!
Uma leve brisa passou pela estrada naquele momento, bagunçando um pouco os cabelos loiros. E incrivelmente deixando-a ainda mais linda. Era como se Regina se apaixonasse mais a cada segundo.
Ali naquele momento, diante dela, depois daquele beijo, com tudo que estava sentindo, Regina teve absoluta certeza que jamais em sua vida queria sair de perto dela.
Não sabia porque o destino tinha feito isso com ela, porque a fez se apaixonar por uma mulher e justo pela filha da Branca de Neve. Mas isso já nem importava mais. Queria Emma... e sabia que a queria pra sempre.
Mas ainda precisava de uma resposta. Tinha pedido pra ela ficar. Se beijaram. Agora precisava saber o que ela havia decidido.
– Emma... – Pronunciou receosa. – Eu preciso que você fale alguma coisa. Quer dizer, que me dê uma resposta. – A ansiedade voltou com tudo.
A loira respirou fundo, parecia pensar no que dizer. Ainda estavam próximas, suas mãos ainda repousavam na cintura de Regina. E as mãos dela ainda estavam em seu rosto.
– O que te faz pensar que eu sinto alguma coisa por você? – Disse a primeira coisa que lhe veio na cabeça.
E ao contrário do que parecia óbvio, isso não abalou Regina, e ela respondeu.
– Depois desse beijo, você acha que eu ainda tenho alguma dúvida? – Sorriu.
Emma desviou o olhar. Estava séria.
Aquilo sim mexeu com a morena. Aquele olhar estranho, vago.
– Você não sente? – Indagou tentando esconder sua aflição.
– Eu não sei. – Mentiu. E finalmente quebrou aquele contato, se afastando um pouco dela.
A respiração de Regina falhou e seu peito apertou.
– As coisas não são assim. – Emma continuou. – Não é só você vir aqui, dizer... que tá apaixonada por mim. Pedir pra eu ficar e tudo fica bem. – Parecia um tanto irritada. – Eu não confio em você, Regina. Você sempre muda de ideia sobre tudo. E você... me magoou. – Confessou encarando-a.
– Eu sei. – As últimas palavras a feriram. – Mas se... eu te magoei... é porque você sentia algo, não é?
“Burra”. Emma se repreendeu. “Pra que fui falar isso?” Odiava se expor, mas com Regina não conseguia controlar.
– Emma, eu realmente sinto muito. Eu sou uma idiota. Eu simplesmente não sei lidar com as emoções.
– É, você é uma idiota.
Regina sorriu.
– Eu sou. Tive medo de sofrer e acabei sofrendo mais ainda longe de você. – Seu coração estava completamente aberto. Simplesmente confessava tudo. – Mas eu quero... eu gostaria... de consertar isso. De... recomeçar o que tava começando entre a gente. – Se aproximou dela, Emma não a encarava. – Se você deixar.
Tudo que ela dizia fazia Emma se sentir ainda mais confusa e ainda mais apaixonada. Dentro de si algo gritava pra dizer que sim. Mas sua cabeça tão traumatizada pela vida insistia em fazê-la desconfiar.
– Eu não sei. – Respondeu. – Eu to confusa. Preciso pensar.
– É claro, eu entendo. Vamos voltar pra cidade. E você pens...
– Não! – Cortou.
Regina a olhou sentindo o medo crescer.
– Eu agora preciso ficar sozinha. Pra pensar.
– Eu sei, mas... o que isso tem a ver com voltar pra cidade? – Estava nervosa. – Você ainda vai embora? – Sua voz parecia sumir.
– Eu disse que vou pensar. E em Storybrooke não vou conseguir fazer isso com clareza. Preciso de um tempo. Eu vou pensar e depois nós conversamos.
– Depois? Quando?
– Eu não sei! Depois. – Dizia séria, demonstrando uma confiança que na verdade não estava sentindo.
Regina tremeu por dentro. Queria implorar pra ela não fazer isso. Mas não podia. Emma merecia seu espaço.
Mas e se ela não voltasse?
– Hoje ainda! – Regina exprimiu aflita. — Eu vou te esperar na Prefeitura. Vou estar lá o dia todo. Esperando você. E se... se você não aparecer... eu vou entender que decidiu mesmo ir embora.
Regina tinha um olhar tão quebrado agora. Emma queria tanto abraçá-la, se perder no carinho dela. Mas não. Como poderia confiar nela assim, de uma hora pra outra? Precisava pensar em tudo aquilo. Precisava ter certeza. E se não tivesse... iria embora.
– Ok. – Respondeu.
E foi para o fusca, entrando nele sob o olhar triste de Regina, que abaixou a cabeça e caminhou até seu carro também.
Entrou, ligou e manobrou o veículo, tirando-o da frente do de Emma, dando passagem a ela. Seus carros ficaram parados lado a lado e se olharam brevemente pela janela. Regina estava buscando forças dentro de si para aguentar a ansiedade que havia se formado. Olhou pra frente e deu a partida, fazendo seu carro andar pela estrada na direção de Storybrooke.
Quando estava alguns metros a frente, viu pelo retrovisor o fusca de Emma se afastar, indo em direção ao limite da cidade.
Será que aquilo era o fim? E se Emma decidisse não voltar?
Tentou espantar aquele pensamento e dirigiu para a Prefeitura. Onde iria esperar por ela. Se aproximava das 10 horas da manhã e esperaria por ela o dia todo. Teria que aguentar a ansiedade e apenas torcer pra ela aparecer.
Quando Emma atravessou o limite da cidade, sentiu como um solavanco empurrando seu corpo, um tontura, seus olhos se fecharam. Teve que frear o carro bruscamente.
“De novo isso?” Se perguntou quando parou o carro. Foi a mesma coisa que sentiu da primeira vez que tentou sair de Storybrooke. Mas daquela vez estava bêbada, portanto atribuiu aquilo a bebida.
Mas dessa vez estava sóbria. “Que estranho”. Bom devia ser algum mal estar.
“Ainda bem que dessa vez não tinha nenhum lobo”. Zombou da situação da outra vez.
Deu a partida no carro novamente e dirigiu sem saber pra onde. Antes tinha um rumo, Boston. Mas agora, depois do que havia acontecido minutos atrás, já não sabia mais.
Depois de alguns minutos dirigindo, avistou um restaurante de beira de estrada. Nada poderia ser melhor. Um lugar pra sentar, beber e pensar. Estacionou o carro e entrou no estabelecimento. O lugar não era lá essas coisas, mas até que não era de todo mal.
Se aproximou do balcão e pediu ao garçom uma dose de whisky, logo se encaminhou para uma mesa.
“Ela vai me deixar maluca”. Pensou assim que se sentou. “Mas ela tava sendo sincera. Eu sei que tava”. Seu coração acelerou de novo. “Mas como eu posso ceder assim? Só porque ela foi me procurar. Mesmo que ela tenha sido sincera, ela não merece isso”.
– Mas alguma coisa, moça? – Seus pensamentos foram interrompidos pelo garçom que trouxe sua bebida.
– Não, só isso por enquanto. Obrigada.
Deu o primeiro gole na bebida, sentiu o gosto forte em sua boca, e a garganta queimar. Fechou seus olhos para respirar fundo. Aqueles beijos não saíam de sua mente.
“Ela sempre me infernizou. Fez coisas contra mim. E depois de eu ter visto nela alguém que poderia mudar, ela brincou comigo. Não, ela não merece que eu acredite nela, que confie”. Pensava com raiva.
“Mas... se era eu mesma que sempre dizia pro Henry que ela podia mudar. Dizia pra ele dar uma chance pra ela. E agora eu mesma não vou fazer isso?” Jamais havia se sentido tão confusa.
“O que vai acontecer se eu resolver voltar? Será que... vamos ficar juntas?” Esse pensamento a assustou. Relacionamentos de qualquer tipo a amedrontavam. E se sofresse? Se saísse ferida como foi com Neal? Aliás, já estava ferida.
Antes era tão fácil fugir desse tipo de coisa, não deixar ninguém entrar em sua vida. Mas agora... agora era tão diferente. Com Regina era tudo diferente. Porque estava apaixonada.
“Tô apaixonada, mas que droga!” Deu um murro na mesa. Chamando a atenção do garçom e dos poucos clientes que estavam ali. Mas nem se importou, seu pensamento estava longe.
Virou todo o conteúdo do copo, bebendo de uma vez. E logo em seguida pediu outra dose.
“Deus, o que eu faço?” Não queria ceder por causa do seu orgulho, pela raiva. Mas no fundo queria tanto parar de lutar contra o que estava sentindo.
Começou a beber o segundo copo, com toda aquela confusão dentro de si. Talvez fosse melhor mesmo ir embora de vez. Fugir.
Como sempre fazia.
*****
Já passava das 6 da noite. O dia já havia dado lugar à escuridão, todas as luzes já estavam acesas. E Regina ainda estava na Prefeitura. Esperando por Emma. Que pelo visto... não viria mais.
Havia passado todo o dia ali, não saíra pra nada. Quando viu que estava ficando tarde, avisou a Henry que iria demorar a chegar em casa. Não tinha comido nada. E mesmo que quisesse não conseguiria. A ansiedade lhe atacava com força, embrulhava seu estômago.
A todo momento olhava pela janela ou na porta, na esperança de que a loira estivesse vindo. Mas nada dela.
O dia todo foi essa aflição. Já havia se passado horas demais. Ainda era dez e pouca da manhã quando chegou ali. E agora já estava escuro. Tinha que se conformar que ela não iria vir.
Andava de um lado para o outro com um copo de sidra na mão. Um de muitos que já havia tomado na tentativa de se acalmar. Mas parece que estava fazendo o efeito contrário.
Olhou no relógio mais uma vez. Eram 6:23 da noite. Havia deixado as portas do gabinete abertas para que pudesse ver quando Emma chegasse e assim não corresse o risco dela ir ali, mas desistir na porta.
Sentia um nó na garganta, o choro se formar, seus olhos umedecerem. Andou até a frente de sua mesa, tomou o último gole de sidra que havia no copo e o depositou ali. Apoiou suas duas mãos no móvel. Fechou os olhos, respirou forte. Seu coração estava tão apertado, doía.
“Ela não vem”. Pensou angustiada. “É isso. Acabou. Tá na cara que ela decidiu ir embora. Fui tola de achar que ela mudaria de ideia. Afinal... eu não mereço mesmo”. Sentiu seu rosto molhar, estava chorando. Seu coração se quebrando... mais uma vez.
Soltou o ar com força pela boca e acabou dizendo em voz alta para si mesma.
– Ela não vem.
E mais lágrimas rolaram por sua face.
– Falando sozinha, Madame Prefeita?
A voz atrás de si a assustou e virou-se imediatamente.
Era ela. Era Emma.
– Emma! – Disse surpresa, sem conseguir evitar o sorriso que se formou em meio as lágrimas. Seu coração imediatamente tomou um ritmo diferente.
– Nossa, é tão ruim assim me ver? – Brincou quando viu que ela estava chorando. Na verdade estava tensa, nervosa. E queria se descontrair.
Deu alguns passos, adentrando a sala.
Regina riu com o que ela disse. E com as costas da mão secou as lágrimas.
– Eu achei que você não viria. – Confessou com a voz embargada.
– Eu também achei.
A morena a olhou confusa e a viu desviar o olhar e respirar com força, para logo fechar as portas que estavam atrás de si e passar a chave. Voltando-se novamente para a Prefeita, disse séria:
– Pra ninguém incomodar.
Regina tensionou, Emma estava tão séria agora. Puxou o ar com força tentando se acalmar. Queria perguntar o que ela havida decido, estava angustiada. Mas achou melhor esperar a loira falar.
– Achei que você não ia tá aqui mais. – Emma disse meio sem jeito, dando alguns passos a frente.
– Eu disse que ia esperar o dia todo. – Emma a encarou em silêncio. – Mas então por isso veio tão tarde? Porque esperava não me encontrar mais. – Foi um tanto irônica.
Emma sorriu.
– É claro que não. Se eu não quisesse te encontrar eu simplesmente não vinha. Eu só demorei um pouco pra decidir.
– Um pouco? – Arqueou a sobrancelha. Emma lhe lançou um olhar de repreensão. – Tudo bem. O que importa é que você está aqui. – Não conseguia conter a emoção. – E se veio é porque... quer me dizer alguma coisa. – Quase sussurrou no final.
Ainda estava parada perto da mesa, e Emma permanecia a alguns metros dela.
– Sim. – Respondeu. Por um breve momento desviou o olhar para o chão. Pensava no que falar, por onde começar. Seu peito acelerado e ansioso, o sangue circulando rápido demais, fazendo seu corpo ficar quente pelo nervosismo. – Olha, Regina, isso não tá sendo nada fácil. Vir aqui... foi... bem complicado. Muito complicado. Na verdade eu não queria vir. Eu achei que você não merecia, depois de tudo que aconteceu. – Ia falando de uma vez antes que perdesse o fôlego. – Eu tava com raiva, tava irritada... com esse seu jeito de sempre mudar de ideia toda hora. Eu não queria confiar em você. Porque isso sempre foi algo perigoso. Achei que você não merecia que eu te desculpasse. Porque na minha cabeça, o jeito estúpido que você falou comigo naquele dia acabou juntando com tudo de ruim que você já tinha feito contra mim. E a minha raiva tava enorme. – Sua voz saia ofegante. Ora encarava Regina e ora desviava. — Eu realmente quis ir embora... Mas...
Regina ouvia tudo calada, não se atreveria a interrompê-la. Sentia uma angustia enorme. As coisas que ela estava falando lhe doíam. Será que tinha ido ali apenas pra isso? Pra dizer que não a desculparia, que nada iria mudar.
Mas Emma havia parado de falar repentinamente e isso a deixou ainda mais aflita.
– Mas? – Instigou.
– Mas aí eu lembrei de uma coisa... Me lembrei que já passei por algo assim antes.
Regina juntou as sobrancelhas em sinal de que não havia entendido o que ela disse.
– Quando eu era adolescente... – Emma continuou. – Uma pessoa fez parte da minha vida. E eu achei que nós seríamos... melhores amigas. Mas ela mentiu pra mim e eu a afastei por causa disso. Ela me pediu pra perdoar ela, mas eu nunca perdoei. – Sentiu seu peito apertar lembrando disso. Da garota que poderia ter sido sua única amiga. – Demorou, mas eu percebi que era um erro. E me arrependi... Mas já era tarde. O dano já estava feito. – Fez uma pausa e olhou bem dentro dos olhos de Regina, que a encarava em silêncio. – Eu não quero cometer o mesmo erro de novo, Regina.
Deu alguns passos a frente, chegando perto da morena. Regina sentiu seus músculos retesarem. Era sempre assim quando ela chegava perto, sua respiração ficava entrecortada e seu corpo estremecia.
– Não quero me arrepender de novo de ter deixado alguém... importante... sair da minha vida porque eu fui orgulhosa demais. – Concluiu quando estava bem perto dela.
Regina esboçou um leve sorriso.
– E isso quer dizer que... você vai ficar? – Murmurou tentando conter sua inquietação.
– Isso quer dizer que... – Se aproximou ainda mais. Diminuiu praticamente todo espaço que ainda havia entre elas. E tocou sua mão devagar, fazendo Regina desviar surpresa o olhar para aquele contato. – Eu resolvi te dar uma chance de me mostrar que tava sendo sincera. – Concluiu um tanto ansiosa. Ainda estava confusa, mas sabia que Regina havia sido sincera. Só queria saber se podia mesmo confiar nela.
Regina a olhou novamente. O olhar da loira tinha um brilho tão intenso, mas parecia em conflito.
– Eu estou sendo sincera. Do contrário eu teria deixado você ir embora e o Henry finalmente seria praticamente só meu, Swan. Eu não teria nenhum motivo pra pedir tantas vezes pra você ficar se eu não estivesse... apaixonada. Acredita em mim. – Sussurrou apertando a mão de Emma.
A loira suspirou. Estava cedendo. Seu peito parecia explodir. Estava completamente apaixonada por ela também, mas ainda não se sentia segura pra confessar.
Estavam tão próximas, sentia aquele leve cheiro de maçã que vinha dela, aquele cheiro que lhe entorpecia a mente, que lhe tirava o juízo, que fazia seu corpo inteiro queimar.
Seu olhar, que encarava os castanhos, desceu para a boca vermelha a sua frente. Sentiu sua própria boca salivar com a visão daqueles lábios carnudos, perfeitos, com aquela cicatriz que lhes davam um ar ainda mais sexy.
– Eu quero muito te beijar agora. – Emma disse meio sem pensar, em tom de desejo, sem conseguir desviar o olhar daquela boca.
Regina sorriu.
– Então beija.
Emma não hesitou mais, entrelaçou seus dedos nos de Regina, e sua outra mão foi até a nuca dela, puxando-a para grudar suas bocas.
Seus corpos se tocaram, Regina imediatamente usou seu outro braço para abraçá-la. Emma parecia sedenta daquele beijo, pois em um segundo sua língua já estava lá explorando cada canto da boca da morena.
E Regina correspondeu da mesma forma, a beijou com intensidade, oferecendo a ela todo seu desejo. Colocando naquele beijo toda sua saudade, sua paixão.
Os corações foram acelerando. Mais e mais e mais, até tomarem um ritmo completamente descontrolado. Aquele calor que já conheciam começou a subir por seus corpos, fazendo suas peles se arrepiarem. Emma soltou a mão dela e a puxou com força pela cintura, querendo grudar ainda mais seu corpo no dela.
Emma não queria mais separar seu corpo do dela. A desejava, estava morrendo de saudade, queria senti-la mais e mais. Porém ainda havia algo a ser dito. Então foi diminuindo a velocidade do beijo e com um selinho o finalizou.
Seus olhos cheios de desejo se encontraram.
– Eu achei que você tinha ido embora. Quando vi seu carro se afastar pra longe da cidade hoje de manhã, senti medo. As horas foram passando e passando e nada de você aparecer. Pensei mesmo que tivesse ido. E agora de repente to tão feliz que você vai ficar. – Riu emocionada.
– Bom... na verdade... – Emma hesitou por um momento e se afastou dela alguns centímetros. – Isso é um teste.
– O que? – Perguntou espantada.
– Eu ainda não sei se vou mesmo ficar, se isso vai dar certo, se as coisas vão ficar bem – Falava de uma vez. – Então eu decidi ficar por uma semana. – Regina ficou atordoada. – Me dá uma semana pra pensar melhor em tudo isso. Ou melhor, eu te dou uma semana pra me mostrar que tá mesmo falando a verdade. E que não vai mudar de ideia de novo da noite pro dia, como sempre faz.
– Mas...
– Se não for assim, eu vou embora agora mesmo, Regina. – Disse séria. A morena não ousou continuar o que queria falar. – Eu ainda tô com o pé atrás. Você tem que admitir que não é a pessoa mais confiável do mundo, né – Foi um tanto debochada. – E eu ainda tô confusa, sei lá, eu só quero ter certeza. E entender o que é isso que tá acontecendo entre a gente. – Fez uma pausa pra buscar ar. – E, além disso, eu não quero que o Henry sofra mais por causa dos nossos erros. Precisamos ter certeza do que estamos fazendo. – Completou e encarou Regina, como que esperasse por uma resposta dela.
A morena desviou o olhar. E soltou todo o ar com força. O sorriso já não existia mais.
– Tudo bem. – Falou finalmente. – Você tem razão. Eu entendo. Será como você quer então, Srta. Swan. – Voltou a encará-la. Não havia animo em sua voz. – Mas nessa uma semana... nós vamos... quer dizer... como nós vamos ficar? Digo... ahh, eu não sou boa com essas coisas. Mas acho que você entendeu, não é?
Emma riu.
– Me diz você, Senhora Prefeita. – Voltou a se aproximar. — Afinal foi você que pediu pra eu ficar. O que tem em mente? – Perguntou um tanto travessa, fazendo Regina sorrir levemente.
– Bom... eu posso começar tentando te mostrar que não vou mudar de ideia. Eu tenho sete dias então, certo? Humm, acho que posso pensar em algumas coisas. – Brincou, mas na realidade por dentro estava meio atordoada.
– Isso seria bom. Muito bom. – Respondeu e sem que Regina pudesse esperar, a beijou novamente.
Com a investida intensa de Emma, a morena acabou dando alguns passos para trás e seu corpo bateu na mesa. A loira logo segurou o rosto dela com as duas mãos, puxando-a mais para aquele beijo. E tudo que Regina conseguia fazer era se entregar. Abraçou a cintura da loira e grudou seu corpo no dela.
Seus lábios se misturavam e suas línguas se tocavam completamente cheias de desejo. Regina apertou as costas dela, estava extasiada, era como se quisesse se fundir a ela. Como era possível que a cada beijo aquilo ficasse mais forte? Mas era o que acontecia. Para ambas. A cada beijo a paixão só aumentava, o desejo só crescia.
Mesmo que não soubessem ou que simplesmente ainda não admitissem, se amavam. Esse sentimento já havia as tomado por completo. E não havia mais volta.
Suspiravam entorpecidas. Seus beijos eram como flutuar, como perder o chão, o rumo, era como viajar todo o espaço em um segundo. Jamais haviam sentido sensação tão forte e inexplicável.
Emma desceu suas mãos e abraçou Regina, enquanto ela, fazendo o contrário, subiu seus braços e enlaçou o pescoço dela. As mãos da loira, que já não conseguia controlar seus instintos, começaram a passear pelo corpo dela. Na cintura, nas costas, na barriga. Emma estava morrendo de saudade daquele corpo. Sentia suas entranhas queimarem, seu peito arder. Não demorou muito para começar a sentir uma pressão entre suas pernas.
E para a morena não era diferente. As mãos da outra tocando seu corpo lhe causavam um calor quase insuportável. Sua vontade era de se livrar completamente de suas roupas e sentir a pele de Emma contra a sua. Estava louca por aquela mulher. A queria de novo, como a teve naquela noite. O desejo já a estava tomando por completo, e sentia sua excitação crescer.
Emma ofegou quando suas mãos foram até o quadril da Prefeita e apertou. Estavam as duas ficando totalmente loucas de desejo. A saudade e a paixão eram mais fortes do que tudo naquele momento.
Mas então de repente, sem prévio aviso, Emma interrompeu o beijo bruscamente. O que chegou até a assustar Regina, que a olhou sem entender nada.
– O que foi? – Perguntou ofegante.
– Se estamos começando algo, eu quero ir com calma. – Falava também ofegante. Regina a olhou confusa. — Amanhã à noite. Você e eu. Um encontro. O que acha? — Falou de uma vez. Sorrindo um tanto envergonhada.
Regina sorriu também.
– Um encontro? — Perguntou como se não acreditasse. Emma fez que sim com a cabeça. — Nossa, eu nem consigo me lembrar da última vez que tive um encontro. – Sorriu olhando pro nada, como se tentasse recordar.
– Nem com o Graham? – Emma perguntou.
– Com ele muito menos. Não tinha essa coisa entre a gente. Com ele era só... – Parou de falar imediatamente, olhando rapidamente para ela. Se arrependendo no mesmo instante do que havia pensado pronunciar.
– Só sexo? Eu sei, pode falar. – Pereceu irritada.
E Regina não perderia a oportunidade de provocar.
– Está com ciúmes, Srta. Swan?
– Fala sério, né. Claro que não. – Sim, estava com ciúmes.
– Uhum. Agora eu só não sei se é ciúme de mim ou dele.
– Óbvio que não é dele. Cada ideia.
– Ah, então admite que tá com ciúmes e que é de mim. – Sorriu largo.
Emma sorriu envergonhada e desviou o olhar.
– Tá, vamos deixar esse assunto pra lá. – A loira pronunciou.
Regina tocou o rosto dela e delicadamente fez com que voltasse a olhá-la.
– Não precisa ter ciúme. – Disse séria. – Isso que eu sinto por você é algo que há muito tempo eu não sentia por ninguém. Aliás... eu acho que nunca senti. – Olhou profundamente dentro daqueles olhos verdes tão lindos. Pegou a mão de Emma e a levou sobre a altura de seu coração. – Sente? Como bate rápido e forte. – Sua voz era quase um sussurro, seu tom era apaixonado. – É só por você, Emma. – Estava completamente exposta, havia entregue definitivamente seu coração a ela.
Emma sentia o coração dela bater acelerado sob sua mão. Era emocionante sentir aquilo. Regina havia acabado de fazer o mesmo que ela tinha feito na noite em que ficaram juntas.
Emma sorriu pra ela, que sorriu também.
– Então quer dizer que estamos começando algo? – Regina perguntou sorrindo.
– Acho que sim. – Respondeu encabulada. Sorriram uma pra outra novamente. — Mas e então, qual é sua resposta? – Emma indagou.
– Que resposta? – Retrucou confusa.
– Do encontro que eu te chamei, ué.
– Ah tá. – Riu. – Deixa eu ver. Eu preciso pensar. – Fez uma cara de que estava decidindo. – O que você acha, Swan? É claro que a resposta é sim.
Emma riu sentindo uma felicidade que há muito não sentia.
– Mas pra onde pretende me levar? – Perguntou meio desconfiada.
– Bom... eu não sei. – Deu uma risada. – Eu meio que tive a ideia agora, sabe. Então, eu vou pensar e te falo.
Regina sorriu negativamente, achando graça do jeito dela.
– Mas, Emma. – Ficou séria. – Você disse amanhã à noite. Não pode ser tarde. Porque não posso deixar o Henry sozinho.
– É mesmo, você tem razão. Então a gente vai cedo pra voltar cedo. Deixa eu ver, a gente pode se encontrar as sete da noite e... as dez nós voltamos.
– Mas isso já é muito tarde. – Disse preocupada.
– Que tarde, Regina. Pelo amor de Deus, o Henry já tem dez anos. O que acha que ele vai fazer? Colocar fogo na casa? – Regina deu uma risada. – O garoto é esperto, sabe se cuidar.
– Tudo bem, então. – Se conformou.
– Ok. Então nos vemos amanhã as sete. Agora vamos embora.
– Mas já? Você acabou de chegar. – Disse num tom manhoso que Emma jamais imaginou ver nela.
Aquilo foi fofo demais. Emma teve que se controlar pra não agarrá-la de novo. Realmente queria ir com calma.
– Sim. O Henry tá sozinho em casa, Prefeita. Lembra? – Brincou, jogando com as próprias palavras de Regina.
A morena semicerrou os olhos, vendo que ela estava provocando. Mas não queria forçar Emma. Respeitaria o espaço dela.
– Tudo bem, Xerife. – Andou até uma poltrona próxima onde estava sua bolsa e a pegou. – Só vou te deixar ir embora porque você me chamou pra um encontro. Se não eu te prenderia aqui.
– Ah, é? – Riu.
– É.
– Isso seria interessante. – Respondeu num tom malicioso que nem ela mesma esperava.
Regina corou e ficou sem reação, acabou desviando o olhar.
– Vamos então? – Regina perguntou meio envergonhada.
– Vamos.
Quando Regina passou por ela para abrir a porta, Emma chamou.
– Ah, Regina, quero te pedir uma coisa.
A morena se virou pra ela.
– O que?
– Não diz pro Henry que eu não fui embora.
– Por que não? – Ficou confusa.
– Porque é o que eu disse, não sabemos como vai ser isso. E não quero que ele sofra mais. Depois dessa semana, se eu decidir ficar, eu conto pra ele.
Regina tentou ignorar o fato de que ela mencionou na frase que ainda poderia ir embora.
– Emma, aqui não é Boston. Essa cidade é minúscula. Uma hora ele vai saber que você está aqui.
– Eu sei, mas... não hoje. Olha, deixa passar pelo menos amanhã. Vamos ver como vai ser esse encontro, ok? E aí de repente depois eu faço uma surpresa pra ele.
– Tudo bem.
Emma Sorriu levemente.
– Vamos. – Foi Emma quem falou.
– Sim.
Abriu a porta e deu passagem a loira. Pra logo trancar o gabinete.
Desceram as escadas lado a lado, mas em silêncio. Quando chegaram na porta principal, antes que pudessem sair, Regina segurou a mão dela, fazendo-a se virar.
– Até amanhã. – Era mais uma súplica do que uma afirmação.
– Até amanhã. – Emma respondeu.
E Regina sorriu. Aproximou-se e depositou um selinho nos lábios da loira. Todo seu corpo arrepiou apenas por sentir seus lábios unidos.
Se afastaram e saíram do lugar. Emma se encaminhou para seu fusca que estava parado ali na frente. Antes de entrar no veículo, deu uma última olhada para a morena, que andava em direção a sua Mercedes.
Sem dizer nada, Emma entrou no carro e deu a partida, saindo do local. Deixando Regina esperançosa e ansiosa para o encontro do dia seguinte.
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