Era Uma Vez Um Conto De Fadas
18 Prazer, sou a Srta. Desastre.
Notas iniciais
Capitulo 18 — Prazer, sou a Srta. Desastre.
POV Annabeth
Cheguei em casa louca pra me atirar na cama e hibernar até o outro dia. Logo que entrei vi Anna correndo de um lado para o outro, com sacolas de compras.
–Mathew, Bob já pro banho! Vocês estão imundos!
–Ok mamãe ! – gritaram os gêmeos do quarto.
–Porque a correria Ana?
–Porque os Jackson vêm jantar aqui em casa hoje a noite querida. – disse Ana com seu melhor sorriso simpático.
Droga, droga, droga e droga! Não quero passar minha noite ao lado do senhor perfeição pura. Ele me deixa nervosa demais, e só atena sabe o quão desastrada e atrapalhada eu fico quanto to nervosa. Sim eu sou atrapalhada ao natural, mas quando to nervosa tudo piora.
–Querida? Annabeth, está me ouvindo?
–Óh, desculpa Ana, o que você disse? – perguntei, indagando quanto tempo fiquei fora do ar.
–Perguntei se tem algo pra vestir.
–Preciso usar aqueles vestidos frufru demais que eu odeio?
–Só se quiser.
–Obvio que não quero. Odeio aquelas coisas.
–Ok, vista o que quiser, só contanto que seja algo apresentável.
–Alguma vez meu gosto já te decepcionou?
–Pensando bem, não. – riu Ana.
–Então ta, vou subir me arrumar pro grande jantar. – sorri pura falsidade.
Subi as escadas me arrastando. Tenho que pensar em alguma “doença” pra me livrar desse jantar.
Entrei no meu quarto e fechei a porta. Parei em frente a cama e me joguei. Parecia uma tabua caindo no chão.
–Drogaaaaaaaaaaaaa! O que eu fiz pra merecer isso? – disse com a voz abafada devido ao fato de que estava com a cara enterrada nas minhas almofadas.
Acho que fiquei uns quinze minuto ali, vegetando com a cara nas almofadas, tentando pensar em uma forma de escapar daquela roubada. Áh que droga, eu sabia o quanto esse jantar era importante pra Ana e não conseguiria mentir pra ela. Eu não tinha escapatória, teria de me arrumar e comparecer ao tal jantar. Me arrastei até o closet e comecei a procurar uma roupa pra vestir. Escolhi uma roupa simples porém apresentável* . Depois disso fui na direção do banheiro e tomei um longo banho. Sai do chuveiro enrolada nas tolhas felpudas [que por um acaso eu gostei muito] peguei minha roupa de cima da cama, me vesti, sequei meu cabelo e os deixei natural , pois eles formavam cachos muito bem definidos. Corri os olhos pelo quarto em busca do meu celular. Assim que o encontrei vi que haviam duas chamadas perdidas do Nico. Um peso na consciência me atingiu. Suspirei e disse em voz alta:
–Vou acabar com isso amanhã. Eu juro. – disse decidida, relembrando da minha conversa com Bianca.
[...]
Desci as escadas e Ana gritou da cozinha:
–Annie, você pode abrir a porta por favor?
–Deixa comigo. – gritei em resposta.
Ta legal Annabeth, respira fundo e seja você mesma. Vai dar tudo certo, vai sim.
Dei um longo suspiro, coloquei meu melhor sorriso no rosto e abri a porta.
–Olá, Annabeth? Querida como você cresceu! – disse uma senhora de trinta e poucos anos, com longos cabelos encaracolados e um sorriso muito bonito. Demorei a raciocinar até me lembrar de que ela era Sally, a mãe de Percy. Ela continuava com o mesmo ar doce e calmo que sempre tivera.
–Sally! – disse sorrindo e a abraçando.
–Querida, como você está linda! – Sally disse toda fofa.
–Obrigada. – disse envergonhada.
–Querida, lembra-se de mim? – disse um senhor alto, charmoso, de cabelos negros e olhos verdes muito parecidos com os de Percy. Olhando bem, ele era muito parecido com Percy em todos os aspectos.
–Tio Poseidon? – sorri e o abracei. Caraca como era bom sentir aquilo denovo. Me sentir confortável e feliz, como se meus problemas não existissem e eu tivesse 9 anos denovo.
–Sally tem razão, como você cresceu! – disse ele. – e está realmente muito bonita.
–Viu pai, eu disse. – disse Percy, que ate então eu não havia notado.
–Áh, olá Percy. Nem tinha te visto ai. – disse e sorri, a sensação de conforto sendo substituída pela de nervosismo.
–E ai. – disse ele sorrindo e me dando um beijo no rosto. Estremeci ao seu toque, e me consciência mais uma vez pesou em relação a Nico.
–Vem, vamos entrando. Anna está na cozinha, preparando o jantar.
–Poseidon, Sally! – disse papai bem entusiasmado. Parece que não era só Anna que se importava com esse jantar.
–Como vão ? e esse é o Percy? Minha nossa como ele cresceu.
Por incrível que pareça, Percy sorriu sem jeito.
–Bom , venha comigo para a sala de jantar.
–Eu vou ajudar Anna com o jantar. Percy querido, você fique com Annabeth, tudo bem?
–Claro mãe.
Eu apenas sorri. Tudo que eu não queria era ficar ás sós com o Sr. Olhos verdes.
–Você está muito bonita hoje. – ele disse do nada.
–Áh, obrigada. – disse envergonhada.
–E a propósito, você é uma ótima atriz. – ele sorriu.
–Você também não é nada mal. – eu ri.
–Mal pude conversar com você depois da nossa apresentação. E depois da aula você saiu correndo.
–Eu tinha que vir pra casa depressa, você sabe, pra ajudar Anna com os preparativos do jantar. — menti.
–Entendo.
Se seguiram alguns segundos de silencio, ate ele dizer:
–Então, nesse fim de semana, meus pais vão viajar, e eu vou ficar com a casa inteira só pra mim. Então os garotos tiveram a ideia de fazer uma festinha. Nada muito grande, só pro pessoal mesmo, e eu ia ficar muito feliz se você fosse.
–Pode ser, eu não vou a uma festa desde... – minha voz morreu. Não gostava de lembrar daquela festa. Aquela cena que Luke armou havia sido repulsiva. Mas não era porque aquele idiota tinha feito de uma festa uma experiência horrível que eu não iria mais a festas, e, além disso, eu queria ir à festa. Mesmo.
–Desde...? – indagou Percy.
–Desde uma festa que não saiu como o planejado lá em são Francisco... mas não quero falar nisso.
–Ok, você que sabe.
–Crianças o jantar está servido. – chamou Anna.
–Bom, vamos jantar.
–Vamos sim.
[...]
–O jantar estava maravilhoso Anna. – disse Poseidon, depois da sobremesa.
–Obrigada. – disse Anna cheia de si.
–Eu ajudo a lavar os pratos.
–Que isso Sally, pode deixar comigo. – disse retirando os pratos.
Levei todos pra cozinha e estava colocando-os na lavadora quando meu celular avisou que eu tinha uma mensagem. Era de Luke e dizia o seguinte:
“Estou com saudades. Você faz falta aqui em são Francisco. Ainda me sinto culpado pelo que te fiz passar, e sinto muito. Amo você, Luke.”
– Áh, vai pro inferno seu cretino! – disse em voz alta.
–Perdão. — disse Percy.
Tomei um susto tão grande, mas tão grande, que dei alguns passos pra trás e esbarrei em uma pilha de pratos. Resultado: meia dúzia de pratos quebrados.
–Qual é a sua, vindo de fininho atrás dos outros? Quer me matar do coração é?
–Desculpa, não foi minha intenção. – ele disse se segurando pra não rir.
–Não tem graça sabia?
–Foi mal. – ele riu dessa vez. – mas então, quem é o cretino?
–Áh, é meu ex. mas vamos esquecer isso.
–Ok então.
–Crianças, ta tudo bem? – gritou Anna da sala de jantar.
–Ta sim, Anna. Só que a Srta. Desastre ataca novamente.
–Senhorita desastre? – perguntou Percy com um sorriso irônico.
–Desastre é meu nome do meio. – disse com cara de tédio.
[...]
Como era de se esperar a Srta. Desastre aqui conseguiu a proeza de se cortar juntando os cacos de vidro.
–AI!
–O que foi? — Perguntou Percy preocupado.
–Eu me cortei.
–Deixa eu ver. – disse Percy tomando minha mão nas suas.
–Vocês tem uma farmacinha, ou algo do tipo?
–Tem uma caixinha de primeiros socorros no meu banheiro.
–Vem, eu faço o curativo.
Subimos as escadas e chegamos ao meu quarto. Dei graças aos deuses que ele estava arrumado.
–O banheiro é por aqui. – disse a Percy , indicando que ele me seguisse.
–Ok, onde fica a farmacinha? – perguntou ele, correndo os olhos pelo banheiro.
–Fica dentro desse armário atrás de você. – disse a ele, indicando o armário com a cabeça.
–Ok, vamos ver o que tem aqui...
Me sentei na bancada da pia, pra ficar da altura de Percy. Ele segurou minha mão machucada e perguntou:
–Você tem uma pinça, ou algo assim? É que tem um pedacinho de vidro ainda ali.
–Tem uma dentro de um vidrinho ai na bancada.
Percy pegou a pinça e disse:
–Ok, agora eu quero que você olhe nos meus olhos.
–Pra que? – eu perguntei meio nervosa. Me perder naqueles olhos não era uma opção viável pra essa noite.
–Só faça o que eu disse.
Decidi obedecer, não que fosse algo torturante olhar aqueles lindos olhos verdes.
–Deu. – disse Percy colocando um pedacinho de vidro ensanguentado dentro de uma vasilha em cima da pia.
–Sabe você tem os olhos do seu pai. – disse sem nem notar.
–Sim, mas o gênero teimoso da minha mãe. – ele disse, enquanto fazia um curativo com gaze e esparadrapo.
–Prontinho. – ele disse e fitou meus olhos. -Você deve ter puxado a sua mãe, não é mesmo?
–Sim puxei á ela.
–E onde ela está?
–Bem, eu perdi minha mãe quando tinha 3 anos de idade...
–Áh, eu sinto muito...
–Que isso. – disse encarando o chão.
De repente Percy segurou meu rosto fazendo-me olhar em seus olho mais uma vez.
–Ela devia ser linda, assim como você. – e foi se aproximando. Já estava a uma proximidade perigosa, quase me beijando, quando Bob entrou no quarto e disse:
–Percy, seus pais tão te chamando pra ir embora.
Virei o rosto e limpei a garganta.
–Vamos descer vou me despedir dos seus pais.
–Ok. – disse ele.
Me despedi da família Jackson, em particular de Percy.
Ele me deu um beijo no rosto e disse:
–Boa noite. Ate amanhã na aula.
–Ate. – respondi.
Depois disso subi pro meu quarto, e me preparei pra dormir. Quando me aproximei da janela pra fecha-la Percy apareceu em frente a ela. Sorriu, abanou e pegou um caderno e escreveu:
“Boa noite, Srta. Desastre. ;) “
Eu sorri e formei com os lábios um “boa noite” , fechei a janela e fui pra cama. Quando deitei a cabeça no travesseiro minha consciência mais uma vez pesou. Então peguei o celular e mandei uma mensagem pro Nico.
“Nico, precisamos conversar, amanhã depois da aula, tudo bem? Annabeth.”
Depois disso coloquei os fones de ouvido, e peguei no sono.
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