Notas iniciais
~Retomando...

"Ela me ensinou a tocar piano, e me ensinou o significado de perder alguém"

O curioso caso de Benjamin Button

Capitulo 22 — Férias de verão II

Acordei na manhã seguinte com a chuva batendo na minha janela, ótimo, provavelmente nosso voo seria adiado graças ao mau tempo. Levantei-me e caminhei em direção a janela. Sentei-me em uma espécie de sofá e fiquei admirando as pequenas gotas de chuva caírem lentamente uma a uma. Fiquei alguns instantes ali observando o mal tempo ate ouvir uma discussão vinda do quarto de Percy:

–Porque eu ficaria em casa?

–Percy, é especial pro seu pai meu anjo. O que custa a você viajar amanhã? Creio que seus amigos não vão se importar.

–Não mamãe, eu vou hoje com meus amigos. Em todos os momentos importantes da minha vida papai estava “ocupado” demais pra presenciar, tudo por causa desse trabalho idiota. O que o faz pensar que eu vou ficar em casa fazendo um teatro idiota apenas pra agradar aquele velho gordo que o papai venera, eu nem sei porque?

–Ele é sócio do seu pai, e pra ele é importante agrada-lo. Mas se você não quer, não vou lhe forçar.

–Obrigado mãe. Você é demais.

Logo em seguida ouvi o som da porta. Não sabia que Percy se importava tanto com a ausência do pai, afinal, pelo que me lembro, ele sempre foi assim, meio ausente. Porem, agora que paro pra pensar, deve ser difícil conviver sem o pai por perto. Ele devia agradecer a mãe que tem, tia Sally é muito legal e super compreensiva. “A mãe que tem...” Não senti as lagrimas descerem. A falta que minha mãe fazia era uma parte constante de mim, era inevitável. Porem com o tempo, passei a aprender a conviver com esse vazio. Estava perdida em meio as lembranças quando papai entrou no quarto.

–Querida, você tem visita.

Virei rápido para vê-lo. Com um tom preocupado ele veio em minha direção.

–O que foi que você está chorando querida? – disse ele enquanto me envolvia em um abraço protetor.

–Sinto saudades dela papai.

Ele não disse nada por um tempo. Após alguns segundos de silencio, seguido de um suspiro ele disse:

–Eu também querida, porem não podemos fazer nada.

Apenas assenti com a cabeça, e já ia enxugando as lagrimas quando alguém entrou no quarto.

–Hey posso entrar? – disse Percy.

Fiquei meio sem reação e um pouco envergonhada pelo fato de estar de pijamas e toda escabelada*.

–Entrei em mau hora? – ele perguntou.

–óh não. – disse papai. – vou deixar vocês a sós.

–Você estava chorando ? – perguntou.

–É, estava. Mas não é nada. – disse sentando-me novamente.

Ele sentou-se do meu lado e disse:

–Pode confiar em mim. – e colocou a mãe em cima da minha.

–Sinto falta da minha mãe.

–Eu sinto muito. – ele disse baixinho.

Fiquei de cabeça baixa por um tempo, ate que Percy me surpreendeu com um abraço apertado.

Retribui o abraço, e quando nos soltamos ele disse:

–Não quero ver você chorando. Quero ver aquele seu sorriso lindo.

Sorri e fiquei corada.

–Eu vi sua briga com sua mãe... – disse meio envergonhada, porem achei melhor contar a ele.

–Viu é?

–é... Sinto muito.

–Não é nada...

–E o seu pai?

–Gritou e disse que eu tinha que ter mais responsabilidades, que logo eu assumiria os negócios da familia, e que seria bom eu estar presente nesse jantar...

–E você?

–Disse que viajaria hoje com meus amigos ele querendo ou não, peguei minhas malas e vim pra cá.

Depois de um tempo de silencio passei um braço sobre seu ombro e disse:

–Vai ficar tudo bem... Eu sei que vai.

Ele sorriu e disse:

–Bom, eu acho melhor você ir se vestir, ou vamos nos atrasar.

–é mesmo. – eu disse indo em direção ao banheiro.

Em questão de 20 minutos eu já estava pronta. Coloquei uma roupa* (que eu pelo menos achava) estilosa e desci as escadas com minha mala. Na metade da escada Percy me ajudou.

–Estamos muito atrasados?

–Não, mas é melhor irmos logo. Thalia já me mandou duas mensagens, e nao queremos deixa-la irritada.

Apenas sorri, e sai pela porta.

[...]

Quando chegamos ao aeroporto a chuva já havia cessado. Entramos, fizemos o check in e fomos pro salão de embarque, onde Thalia, Silena e Nico já nos esperavam.

Quando nos aproximamos thalia disse:

–Poxa, já era hora do casalzinho se dignar a aparecer! Quase perdemos o voo por causa de vocês!

–Primeiro: Oi pra você também thalia. Segundo: Nos atrasamos por causa do mal tempo. — mentiu Percy. Tava mais do que na cara que nos atrasamos por minha causa.

–E terceiro: Não somos um casal. — completei.

Percy me pareceu um pouco desapontado. Thalia nos olhou, sorriu com desdém e disse:

–Ainda.

Revirei os olhos e fui cumprimentar Nico. Quando o abracei, notei uma garota branca de cabelos castanhos, muito bonita, sentada logo atrás dele.

–Annie, essa e a Reyna*, filha de um amigo do trabalho do meu pai.

Já não gostei muito de Reyna logo de cara, mas como diz o ditado nunca julgue um livro pela capa, então afastei os pensamentos negativos da minha mente, afinal a garota podia ser legal, ate que se prove o contrario.

–Oi Reyna. Prazer, Annabeth.

–O prazer é meu.

–Bom gente vamos embarcar logo, ou vamos perder o voo. — disse Silena.

–Vamos sim. — eu disse.

Entramos no avião, e ficamos distribuídos da seguinte forma:

Eu e Silena, Thalia e Nico, Piper e Leo e por ultimo e mais desagradável Percy e Reyna.

Piper e Léo escolheram as ultimas poltronas, Percy e a garota com quem não fui com a fuça na poltrona em frente a eles, eu e Silena na frente de Percy e companhia desagradável e Thalia e Nico a nossa frente.

Na primeira hora de voo foi tudo tranquilo, ate porque fui conversando com Silena. Ela me contou que também não gostava muito de Reyna.

–Ela se acha superior, olha todos de cima, e acha que todos devem servi-la.

–Então porque a convidou pra vir conosco? — indaguei.

–Porque meu pai impôs como condição pra emprestar o chalé pra gente. Ele esta entrando em um novo negocio com a empresa do pai de Reyna, e parece que ela e meio antissocial sabe ? Ai ele disse que ficaria bem, se eu e ela fossemos amigas. Apesar de contrariada eu achei que não era uma condição tão horrível.

–E não é, ela não parece ser tão ruim assim. — menti.

–Sei... Mas e me conta o que foi esse atraso seu e do Percy ein? Conte-me tudo, agora Chase!

Eu ri e contei tudo pra ela. Apesar de Silena ser toda espevitada, ela era uma ótima amiga e sabia guardar segredo.

Conversamos por um longo tempo, ate que pegamos no sono. Quando eu acordei, ainda era de madrugada, e estava tudo escuro. Um enjoo insuportável tomou conta de mim e parecia que minha cabeça ia explodir. Peguei minha nécessaire da minha bolsa e fui no banheiro tomar um remédio pra enjoo. Quando estava saindo do banheiro não pude deixar de escutar a conversa de Percy e Reyna. Pra mim ela não estava parecendo nada antissocial. Bufei, revirei os olhos e me escondi no pequeno corredor que dava acesso ao banheiro e fiquei escutando a conversa:

–Serio, adorei seus olhos. — disse Reyna, rindo. estava cada vez gostando menos dessa garota.

–Muito obrigado, adorei seu sorriso. — Percy disse todo simpático.

Ah que ódio! Garota assanhada. Fiquei ouvindo a conversa deles por um tempo, e já estava me dando náuseas de tanta simpatia quando uma voz efusiva disse:

–Posso ajudar?

As atenções de todo nosso corredor se viraram pra mim.

Arregalei os olhos e disse:

–Ahn... Eu so estava... Ahn... Procurando meu... Delineador que caiu da minha nécessaire quando sai do banheiro. Mas já achei ele, olha so. — apontei o delineador em minha mão que nem uma retardada. — Bom vou voltar pra minha poltrona porque eu estou morrendo de sono. — fingi um bocejo e corri de volta pra minha poltrona sem nem olhar para o lado, roxa de vergonha.

A hora que me sentei na poltrona, peguei um livro e fingi estar lendo, porque ainda podia sentir as atenções de todos sobre mim. Assim que senti que ninguém mais me olhava enfiei a cara no livro, com muita vergonha e muita raiva. Fiquei em silencio um tempo, porque por mais que meu enjoo tivesse passado, minha cabeça ainda ameaçava explodir, ate que comecei a ouvir ruídos estranhos. Olhei pra todos os lados (ate pra trás, vai que a assanhada já estivesse se passado demais u,u), mas quando olho pra frente estão Thalia e Nico no maior amasso. Ri baixinho e pensei comigo, que eles jamais esqueceriam essa viagem.

Nem percebi quando peguei no sono. Acordei com um raio de sol pegando no meu rosto.

–Bom dia dorminhoca! — disse Silena. — E a proposito, nos já vamos pousar.

–Hum... Bom dia Silena. — eu disse meio tonta pelo efeito do remédio. Logo a lembrança do meu mico veio a minha mente e torci para ser so um sonho, ou uma alucinação causada pelo remédio.

O avião pousou e desembarcamos em são Francisco. Sentir o ar do meu lugar era muito bom. Thalia se aproximou e disse confirmando as minhas suspeitas:

–Da próxima vez, tenta ser mais discreta. — Bom não foi um sonho. Em resposta eu disse baixinho pra só ela ouvir:

–Você e o Di Ângelo também. Não pense que eu não vi.

Thalia apenas arregalou os olhos. Sai e a deixei me olhando estupefata. Assim que chegamos ao salão de embarque pude avistar Clarisse, Cris, e Bianca. Estranhei Ethan não estar junto, afinal ele e Bianca não se desgrudavam.

Quando me aproximei notei que a aparência de Bianca estava horrível. Ela estava pálida, com olheiras profundas e tinha um ar cansado. Mas ainda assim era minha melhor amiga que estava ali. Quando cheguei mais perto ela e Clarisse me esmagaram em um abraço grupal.

–Annie que saudade! — disse Bianca com uma voz cansada.

–Eu também estava com muitas saudades meninas.

–Bom essas devem ser as famosas Clarisse e Bianca. — disse Silena.

–Ah sim me perdoem. Pessoal essas são Clarisse, Cris, namorado de Clarisse e Bianca. — Alguma coisa me dizia para não comentar nada sobre Ethan agora. Então apenas fiquei quieta.

Fiz as apresentações, tudo direitinho. Enquanto estávamos indo em direção aos táxis, disse a Clarisse e a Bianca:

–Meninas tenho tantas coisas pra lhes contar!

Clarisse me olhou, sorriu meio desanimada, passou seu olhar a Bianca e com uma cara preocupada me disse:

–Nós também.

Bianca apenas seguiu de cabeça baixa, rumo ao táxi.

Isso começou e me preocupar. Entramos nos táxis e seguimos rumo ao tal chalé do pai de Silena. Porem, alguma coisa me dizia que minha melhor amiga não estava nada bem.