Capitulo 55 – Doubt.

“No quinto faltam quatro

E eu aposto que os presentes

Já tão vindo em rosa ou azul”

20 semanas

—Eu nem acredito que vou conseguir estar junto quando soubermos se é menina ou menino! — Thalia dizia empolgada, ao telefone.

Ela cumprira a promessa que me fez e já estava de passagem marcada para São Francisco.

Dessa vez ela viria mais cedo, na quinta-feira, pois na sexta pela manhã iríamos ao consultório médico fazer o ultrassom para sabermos o sexo do bebê.

Já havíamos tentando duas vezes e nas duas o danadinho estava de pernas fechadas e não conseguimos ver.

Então quando disse que tentaria mais uma vez, Thalia decidiu marcar sua viagem mensal mais cedo e ir a consulta comigo.

Isso era ótimo, pois Thommy não havia conseguido sair do trabalho para ir comigo e realmente não queria ir sozinha.

Agora já era perceptível que não andava mais sozinha.

Minha barriga despontava nas roupas e onde eu ia as pessoas me olhavam com aquele olhar de "que fofo, você está grávida".

Os enjoos haviam melhorado, mas eu continuava tendo crises de azia.

—Você vem sozinha? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

—Sim. — ela suspirou. — Nico tem que trabalhar.

Assenti com a cabeça, mesmo ela não podendo ver.

—Ele ainda está chateado. — ela disse baixinho. — Diz que se fosse com ele, gostaria que contassem que ele ia ser pai.

Mordi o lábio, nervosa.

—Eu sei disso. — suspirei. — Mas tenho meus motivos. Você sabe o quanto tudo isso ia ser difícil.

—Mas Annie, você não está dando a chance nem de ele tentar. Você não sabe se ele não se mudaria pelo filho.

—Não quero que ele faça isso Thalia. Não vou... — me corrigi. — vamos ser um peso na vida dele. Não quero que ele se mude, e quando meu filho fizer seis anos ele acorde e decida que o motivo de ele ser infeliz aqui é meu pequeno.

Thalia ficou em silêncio.

—É melhor para nós. Todos nós.

—Mas você não acha que o bebê merece um pai que o ame?

—E ele vai ter. Se depender do Thommy, ele vai ter o pai mais amável de todos os tempos.

—Aí amiga... — ela soltou pensativa.- As vezes quero discordar de você, mas seus argumentos são bons.

Sorri sem graça.

—Só o mantenha de boca fechada. Tenho certeza que depois que o pequeno nascer ele vai se ocupar babando nele e vai esquecer isso.

Minha amiga gargalhou.

—Isso eu tenho certeza. Estou levando uma porrada de presentes porque toda vez que Nico sai fazer compras ele volta com alguma coisa para o bebê. E ele tem certeza que é menino.

Comecei a rir.

—Sabe que eu também?

[...]

Thalia chegou na quinta — feira à noite e não estava brincando quando disse que estava trazendo um monte de presentes.

—Isso é coisa demais! — disse surpresa.

—Se acostume. Seu filho vai ser mimado.

Revirei os olhos.

Estávamos sentadas no sofá com um monte de roupinhas e sapatinhos na volta, esperando Thommy chegar.

—Podíamos pedir pizza. — soltei. — Estou com desejo.

Ela riu e botou a mão na minha barriga.

—E como está nosso garotão?

—Agitado. Ele não para.

Desde que fechei cinco meses o bebê se mexia cada vez mais.

— Espera aí, já tem certeza que é menino? — perguntei.

—Sim, todo mundo diz isso então fui na onda. Acho que teremos carrinhos e dinossauros espalhados por aqui.

Gargalhei.

—Eu também achava, mas nos últimos dias tenho tido alguns sinais. Acho que é menina.

—Sinais?

—É.

—Exemplo? — ela arqueou uma sobrancelha para mim.

—Tipo essa semana. Estava com muito desejo daqueles pirulitos sortidos sabe? Que vem com luz? Então comprei um, e segui na rua pensando distraída no teste e que queria saber logo se era menino ou menina. Quando abri o pirulito ele era rosa. Interpretei isso como um sinal.

Thalia começou a rir.

—Isso é um sinal para você?

Bufei.

—É sim. To sentindo aqui dentro. — apontei para o peito.

Ela riu mais ainda.

—Certo. Vamos apostar?

A olhei descrente.

—Você quer ganhar dinheiro em cima do meu filho? Que feio...

—Vamos lá! Estou apostando com seu sinal.

—Tudo bem. Aposto cinquenta dólares que é menina. — disse confiante.

—Cinquenta pratas?! — ela disse surpresa. — Tudo bem, vamos apostar alto. Cinquenta dólares que seu sinal está errado e é um menino.

—Apostado. — pisquei para ela.

[...]

Estávamos no consultório do médico.

Eu estava deitada na maca, com a barriga de fora, esperando o doutor.

Thalia passou a mão na minha barriga.

—É tão redondinha... Será que a minha ficaria assim?

Lancei-lhe um olhar malicioso.

—Pretende ter um?

Ela arregalou os olhos para mim.

—Não! Quer dizer, não agora... Só fiz uma pergunta! — disse revirando os olhos.

—Ei, se acalma. Só estava te provocando.

Thalia cruzou os braços e não falou mais nada.

O Dr. entrou na sala.

—Pois bem mamãe, aqui diz que é seu terceiro ultrassom para definir o sexo.

—Sim. Meu pequeno não quer se mostrar. — eu sorri.

—Certo. Vamos ver se hoje ele decide mostrar a que veio.

Thalia segurou minha mão e o doutor passou o gel na minha barriga.

Ele começou o exame.

—Hum... — ele disse. — olha, acho que hoje ele irá colaborar.

Minha amiga apertou de leve a mão que segurava.

—Aqui! — ele disse e apertou em um botão, pausando a imagem. — querem saber agora?

—Sim! — dissemos as duas juntas.

—Bom, prepare os laços e vestidos. É uma menina.

—Ha! — soltei. — Ganhei cinquenta pratas!

Thalia fechou a cara e revirou os olhos.

—Esquece isso! — ela disse. — Vamos ter uma menina!

Uma euforia tomou conta de mim.

Eu ia ter uma menina.

Minha menina.

[...]

“No sétimo eu já tenho lencinhos com meu nome”

28 semanas

—Thalia vem esse fim de semana? — Thommy perguntou.

—Sim. Ela quer fazer minhas fotos de gestante.

—Aí! Amo essas coisas.

Sorri.

Eu estava animada para as fotos.

Minha barriga estava cada vez maior e difícil de carregar.

—E então? Já decidiu o nome?

—Ainda não. Quer dizer, tenho meu favorito, mas estou chamando ela assim na minha mente para ver se é esse mesmo.

Meu amigo e eu estávamos decidindo o nome da minha pequena. Eu tinha algumas ideias, mas tinha um favorito em mente já há algum tempo.

—É o nome misterioso?

—Sim.

—Aí você vai me matar de curiosidade!

[...]

POV Percy

Já fazia sete meses desde que falei com Annabeth pela última vez e não conseguia tirar ela da cabeça.

Ficava sondando com Nico quando ela ia vir a Nova York de novo, mas ele sempre desconversava.

Tentei procurá-la nas redes sociais, mas ela já não estava mais entre meus amigos do Facebook e tinha tornado seu Instagram privado.

Tentei no do seu melhor amigo, mas o encontrei na mesma situação.

Rolei pelo feed do Instagram, frustrado com minhas descobertas quando vi uma foto de Thalia em um avião com a legenda "Rumo a São Francisco".

—Outra vez? — perguntei para o nada.

Já tinha percebido que ela viajava para lá pelo menos uma vez por mês.

Talvez Annabeth não quisesse mesmo voltar.

Suspirei e mandei uma mensagem para Nico.

"Sozinho em casa?"

Em seguida ele respondeu.

"Sim. Como sabe?"

"Vi a foto da Thalia no Instagram."

"Ah."

Precisava descobrir mais coisas, e sem ela por perto as chances de ele dizer alguma coisa eram maiores.

"Quer assistir o jogo aqui? Tenho cerveja na geladeira."

"Demorou"

Depois de alguns minutos ouvi batidas na porta.

—Entra! — gritei do sofá.

Nico entrou e se jogou ao meu lado.

—E aí cara. — eu cumprimentei. — Acho que sua esposa está fugindo de você. Já tá ruim assim?

—Cala boca, idiota. — ele disse pegando uma cerveja do fardo em cima da mesa de centro. — ela está com um projeto com a Annabeth.

Não aguentei a curiosidade.

—É? Que projeto?

—Ela está fazendo as fotos da Annabeth e...

De repente ele parou de falar.

—Que dizer, as fotos dos projetos da Annabeth. Para o trabalho. — ele emendou.

Achei estranho.

Não tinham fotógrafos em São Francisco?

—Nossa que trabalho. Thalia viaja até lá todo mês para fazer fotos?

—É. — ele disse nervoso. — é que os negócios crescem todo mês.

Nico parecia estranho e distraído.

Não quis insistir, mas senti que tinha algo errado.

Algumas horas se passaram e depois de termos pedido pizza e o Jogo ter acabado, decidimos por um filme de terror.

Durante o filme, Nico não parava de mexer no celular e nas poucas vezes que bisbilhotei vi que trocava mensagens com Thalia.

Em uma delas, ele recebeu uma foto da esposa com Thommy e Annabeth. Era uma selfie onde os três estavam abraçados.

Annabeth estava bem maquiada, os cabelos estavam mais compridos e caiam pelos ombros em ondas.

Estava cada dia mais bonita.

Nico notou que eu olhava e afastou o celular do meu campo de visão.

Depois disso não consegui ver mais nada.

[...]

Já passava da meia noite e Nico tinha pegado no sono no meu sofá.

Comecei a recolher as garrafas de cerveja e a caixa de pizza, aos poucos.

Fui até a cozinha e joguei tudo no lixo.

Quando voltei para a sala, notei o celular dele acender em cima da mesinha de centro.

Peguei o aparelho e chequei a mensagem.

Era da Thalia novamente, porém não conseguia ver o conteúdo, pois o celular estava bloqueado com senha.

Não contendo a curiosidade, tentei por a senha mais óbvia e imediatamente a tela se desbloqueou.

—É sério? — disse baixinho. — o aniversário da Thalia?

Revirei os olhos e conferi a mensagem.

Era uma foto, muito bem editada onde Annabeth aparecia em cima de uma cama, sentada sob os joelhos. Ela usava algo semelhante a uma camisola rosa, cheia de babados.

A foto era linda, mas o que mais me chamou a atenção era a barriga perfeitamente redonda que ela segurava na foto.

Franzi o cenho e senti a garganta fechar.

Subi a conversa um pouco mais, e a mensagem que ela enviara antes da foto dizia "Annie ficou linda nas fotos. Não vejo a hora da nossa garotinha nascer"

Fiquei em choque.

—Que porra é essa? — disse mais alto do que deveria.

Nico acordou, esfregou os olhos e me olhou confuso.

—O que foi...?

A pergunta morreu quando ele me viu com o aparelho na mão.

—Que porra é essa?! — repeti mostrando a foto no celular.

Nico o tirou da minha mão.

—Deu para ler minhas mensagens que nem uma velha fofoqueira é?

Ele parecia nervoso.

—Nico me explica que foto é essa!

—Eu nem sei que foto é! Você viu primeiro lembra?

—Olha a porra da foto!

Meu melhor amigo baixou os olhos para o celular e em seguida passou às mãos pelos cabelos.

—Merda! — ele resmungou baixinho.

—Me diz que não é a Annabeth na foto. — disse entredentes.

Eu estava puto da vida.

—Cara, só esquece o que viu. — ele disse tentando me acalmar.

—Porra nenhuma! Quando ia me contar? Ela já está casada também?

Nico pareceu surpreso.

—O que? Não seja ridículo.

Respirei fundo tentando controlar a raiva.

—É daquele babaca? Você me disse que ele era gay.

—E gay não faz filho? — ele disse sarcástico.

Isso só estava me deixando mais puto da vida.

—É dele? — repeti irritado.

—Cara, isso é coisa da Annabeth, não posso sair falando por aí.

—Ótimo. — disse furioso. — Vou perguntar para ela então.

Peguei meu celular do bolso.

—Não fode! — Nico disse tentando pegar o aparelho da minha mão. — Se a Thalia souber que te contei ela me mata!

—Cara todo mundo sabia menos eu! Quanto tempo iam me fazer de trouxa? E eu aqui esperando ela voltar pra Nova York. Ela tá grávida! Grávida porra!

Nico engoliu em seco.

Me joguei no sofá e pus as mãos na cabeça.

— A barriga dela já está grande. — disse meio engasgado. — ela está de quantos meses?

—Sete.

Respirei fundo tentando me acalmar.

Eles formariam a família perfeita.

Travei o maxilar mais uma vez.

—É uma menina. — Nico disse de repente, chamando minha atenção.

Fechei os olhos.

Eu queria ter uma menina. Era para ser nossa menina.

E agora ela ia ter a nossa menina com outro cara.

Mordi a parte de dentro da bochecha com força.

—Desejo toda a felicidade do mundo para a nova família dela. — disse me levantando e entrando no quarto, batendo a porta com força.

Não ligava se tinha sido rude.

Minha Annabeth tinha uma família agora.

E não era comigo

Notas finais
*Os trechos antes da contagem das semanas (meses) pertencem a música 9 meses da cantora Bárbara Dias. Espero que tenham gostado. Cambio, desligo.