Era Uma Vez Um Conto De Fadas
27 Brincando comigo
Notas iniciais
Capitulo 27 — Brincando comigo
POV Annabeth
O sonho começou novamente na clareira iluminada. Corri os olhos por todo o lugar em busca de algo que eu realmente não sabia o que era.
Reconhecia aquele lugar, e muito bem, já estivera nele antes. Era a mesma clareira em que Bianca “aparecera” pra mim logo depois que morreu porem dessa vez ela não estava ali.
Mais a frente, um ramo de tulipas vermelho sangue me chamou a atenção. Instintivamente fui ate ele e fiquei observando sua delicadeza e sua graciosidade por alguns segundos. O lugar estava muito bem iluminado pela luz da lua e uma suave brisa fazia com que as folhas do ramo de tulipas dançassem como se tudo houvesse sido ensaiado.
Momentaneamente esqueci todos os meus problemas. Como se a vida tivesse toda aquela beleza e precisão, e como se os problemas fossem apenas uma chuva de verão que fosse passar em pouco tempo.
Era triste pensar que dentro de alguns momentos novamente eu teria que enfrentar a minha turbulenta vida. Teria que lidar com a morte de Bianca novamente, com a pressão das provas que estavam chegando e com os preparativos do baile do qual eu estava organizando.
Não, eu não queria pensar para o que eu tinha que voltar. Eu queria viver o aqui e o agora, como se o depois pudesse não chegar.
De repente uma voz atrás de mim disse:
– São lindas não? Elas São o símbolo do amor eterno.
Virei-me num pulo e vi mais uma vez minha amiga, ali parada, com seu vestido branco esvoaçante e seu cabelo cor de chocolate arrumado em perfeitas ondas.
Estava linda e radiante como sempre. Trazia em seu rosto um sorriso lindo e seus olhos eram serenos.
–São lindas mesmo. – disse.
Ela sorriu. Depois de uma pequena pausa finalmente eu disse:
–Sinto sua falta.
–Também sinto a sua. – respondeu ela. – mas foi melhor assim.
–Não compreendo como foi melhor. – disse triste.
–Um dia você ira compreender
Apenas assenti, não queria discutir agora.
–Tenho pouco tempo, então vou direto ao ponto.
–Claro continue. – disse calma.
– Annie aceite suas escolhas apenas se tiver certeza delas. Lembre-se que toda escolha tem consequências e que o destino costuma brincar com as pessoas. Quanto ao Percy, já te disse que ele te ama de verdade e que a Reyna foi só um passatempo. Pense no que esta fazendo. De uma chance a ele. De uma chance a você!
–Mas... Como vou fazer isso? Eu nem sei como falar com ele... Não sei nem como marcar um encontro com ele...
–Você sabe aonde o encontrar, ela esta a sua espera. Faça a escolha certa Annie, e aceite-a.
–Ok, mas... – tentei argumentar, mas a imagem dela foi sumindo, e aos poucos a imagem da clareira também.
Acordei assustada com o barulho do celular. Constatei que havia uma mensagem. Era de Thalia.
“você não vai mesmo ir à festa do cabeça de algas?”
Não respondi. Apenas fui em direção ao banheiro tomar um banho, afinal eu tinha tomado a decisão certa.
{...}
Depois de 40 minutos eu estava pronta. Coloquei um vestido preto simples, uma maquiagem também preta e deixei meu cabelo solto*.
Desci as escadas e encontrei minha família toda sentada no sofá assistindo TV.
–Nossa Annie, você esta linda. – disse Ana sorrindo pra mim.
–Obrigada Ana.
–Oh meu deus minha garotinha esta crescendo e desabrochando! Ainda me lembro de quando ela era apenas uma criança e... – começou meu pai
–Papai você não pode apenas dizer que eu estou bonita? – o cortei rindo.
Bob e Matthew gargalharam e Ana reprimiu uma risada.
–Você esta linda querida. – disse meu pai corado.
–Bom eu vou indo, senão vou me atrasar. Ate mais tarde.
–Tchau querida, divirta-se! – disse Ana.
–E juízo! – completou meu pai.
{...}
Parei em frente à casa de Percy, agora lotada de gente. Logo que entrei vi alguns garotos com copos de bebidas na mão, enquanto dançavam na pista de dança. Outros conversavam nos cantos, alguns bebiam no bar montado na sala e outros... Bem... Se pegavam nos cantos. Atravessei toda a casa ate que encontrei todo o pessoal na área da piscina sentado conversando, exceto Thalia e Nico que estavam praticamente se engolindo. Quando me aproximei, Silena se levantou vindo à minha direção para me dar um “abraço de urso”.
–Annie! Achei que você não vinha! – exclamou ela me apertando.
–É, mas decidi vir, sair um pouco. – disse retribuindo o abraço.
Thalia que a essa altura já havia desgrudado de Nico sorriu e disse.
–Viu? Eu sempre tenho razão. Ficar em casa não era uma opção não é mesmo Chase?
Sorri e assenti.
–Bem vocês viram o aniversariante? Eu quero dar os parabéns... – me justifiquei nem sei por quê.
–Ele estava perto do bar a ultima vez que o vi. – disse Nico.
–Ok. – disse e sai.
Quando cheguei perto do bar, Percy estava conversando com alguns amigos. Respirei fundo e segui para o bar.
–Ãhn... com licença será que eu posso roubar o anfitrião alguns minutinhos? – disse sorrindo fraco.
–Annie? – Percy perguntou surpreso.
–Acho que precisamos conversar... Você quer dançar? – convidei.
–Claro. – ele sorriu e me acompanhou.
Percy colocou as mãos na minha cintura e eu passei os braços por seu pescoço, dançando em ritmo de uma balada lenta que tocava no momento.
–Err... Feliz aniversario. – disse envergonhada.
–Obrigada. – disse ele olhando nos meus olhos e com um sorriso bobo nos lábios. – Achei que você não vinha...
–Pois é, andei pensando... E decidi vir. – disse um pimentão de tão vermelha.
– Fico feliz que tenha vindo... Muito feliz.
Sorri e fiquei mais vermelha.
E o silencio se fez presente.
Apenas apoiei a cabeça em seu peito e aproveitei o momento. Parecia que toda a minha agonia desaparecia enquanto ele me abraçava ali.
De repente, Percy quebrou o silencio:
–Vem, quero te mostrar um lugar especial.
O segui sem entender muito bem. Subimos e escada ate um corredor, de onde ele puxou do teto um alçapão que dava acesso a um terraço. O lugar era simplesmente lindo.
–Lembra que no dia em que você veio pra NY e nos conversamos pela primeira vez, você me disse que gostava de olhar as estrelas?
–Sim... -disse perdida no céu estrelado acima de nós.
–Então... O que achou?
–É simplesmente lindo... – disse encantada.
–Annie, você me perdoa? – ele disse baixinho.
–Claro que sim... – disse olhando em seus olhos.
–Serio mesmo? – perguntou ele surpreso.
–Sim. – sorri.
–Caraca que alivio! – disse ele sorrindo e me abraçando.
Nosso abraço foi longo e apertado. Sentia um misto de coisas ao abraça-lo.
Sentia como se o chão tivesse desparecido, senti o ar que eu respirava ficar preenchido com o perfume dele, sentia como se pequenas correntes elétricas passassem por dentro da minha espinha.
E principalmente sentia-me segura.
Quando nos separamos olhei o céu estrelado de NY mais uma vez, me impressionando com a beleza e esplendor que emanava dele.
–Ela me lembra você. – disse ele olhando para o céu.
–Quem? – perguntei distante.
–A lua. Como você ela esta sempre em mudança... Alem de ter uma beleza rara.
Sorri em resposta já que não saberia que palavras usar para agradecer.
O silencio foi se fazendo presente, quando ele agarrou minha cintura e me beijou. O mundo parecia ter desparecido, minha respiração estava descompassada e dentro de mim faíscas pulavam incessantemente.
O beijo começou calmo e doce e foi evoluindo gradativamente. A urgência começou na surgir fazendo com que o ritmo do beijo aumentasse e me fizesse ir às nuvens. Porem uma hora o ar faltou e tivemos que nos separar.
–Eu... Me desculpe. – ele disse envergonhado.
–Tudo bem. — disse olhando para os lados. – é melhor eu ir pra casa...
–Espera! – Percy disse segurando meu braço. – quer dizer... não vai agora eu ainda preciso te dizer uma coisa...
–Esta bem então... Diga.
–Eu... eu... eu te ...
–áah ai estão vocês ! – disse Nico colocando a cabeça pra fora do buraco da escada. –Vem Pers sua mãe ta te chamando pra gente cantar parabéns!
–Ok, eu já estou descendo só me de um minuto.
–Não Percy, tudo bem, eu já estava de saída.
–Mas...
–Adeus. – disse dando um beijo no rosto dele e descendo as escadas.
–Tchau pra você também Nico. – sorri e dei um beijo em sua bochecha também.
–Tchau loira. – ele respondeu sorrindo.
Desci as escadas e mais uma vez atravessei a casa lotada de gente, pensando que o destino só podia estar brincando comigo.
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