Notas iniciais
Pessoal que (ainda) acompanha essa história: Gostaria de esclarecer que comecei a escrever a era uma vez quando tinha por volta de 15 anos. Atualmente tenho 22. Ao longo desse tempo a história foi crescendo comigo, e acompanhou a minha jornada de amadurecimento. Os capítulos iniciais (acredito que até o fim do primeiro arco da história) são aqueles que escrevi mais jovem, com a escrita mais cotidiana daquela época e muitas situações da história eu baseei em situações da minha própria vivência. Tenho certeza que vocês vão notar a diferença da escrita conforme passaram esse 7 anos. Gostaria de avisar também que as postagens serão mais frequentes. Obrigada por continuarem aqui. Boa leitura.

“E por mais uns anos, você vai fazer planos

Pensando se eles servem pra mim.”

9 meses – Bárbara Dias

Capitulo 58 – Aos oito meses e meio.

POV Annabeth

Acordei no meio da noite com uma forte pontada na barriga.

Instantaneamente, quando me dei conta do que tinha me acordado, o pânico bateu.

Respirei fundo e tentei conversar com a barriga.

—Ei, filha. O que tá acontecendo?

Esperei o pequeno bebê se mexer como sempre fazia, mas não houve movimento nenhum.

Meu coração começou a acelerar.

Tentei mais uma vez.

—Bia, mexe pra mamãe, por favor. — pedi baixinho.

Dessa vez houve um movimento quase imperceptível seguido de mais uma pontada de dor.

—Aí! — gemi sem fôlego.

Alguma coisa estava errada.

Saí do quarto, tentando não fazer barulho, mas no meio do caminho mais uma pontada me atingiu.

Apoiei a mão na parede e respirei fundo.

Notei a luz da cozinha ligada e ouvi passos vindos do cômodo.

—Annie? — Thommy chamou ao sair na porta.

Ele carregava uma xícara fumegante nas mãos, mas a largou imediatamente em cima do balcão.

—O que houve? Você está pálida!

Ele se aproximou e senti mais uma pontada, dessa vez nas costas.

—Tem alguma coisa errada. — disse nervosa. — Acordei com pontadas dolorosas na barriga.

Gemi com mais uma pontada.

—Certo, pronto-socorro, agora! Consegue se vestir?

—Acho que sim. — disse baixinho.

—Certo, faça isso. Vou pegar suas coisas e vamos para o hospital.

Assenti com a cabeça e segui pelo corredor, mas na metade dele, a porta do quarto de hóspedes abriu e Thalia nos encarou descabelada.

—O que houve? — perguntou preocupada.

—Annie está com dor e... — Thommy começou, mas ele foi interrompido pelo som de água caindo no chão.

Arregalei os olhos e olhei pra baixo.

No chão, abaixo de mim uma poça d’água se formava.

—Ah, meu Deus! Sua bolsa estourou! — Thalia gritou.

—Isso responde sua pergunta. — meu amigo disse.

—Eu ainda não fechei o nono mês! Estou só na metade do oitavo! Minha bolsa não devia estourar! — disse em pânico.

—Mas estourou meu amor. Bianca é apressada como a mãe e quer vir ao mundo um mês antes! Agora vá trocar de roupa e vamos para o hospital!

—Mas eu não arrumei a mala da maternidade ainda! Achei que teria tempo!

—Eu arrumo! — Thalia disse rápido. — Vi você falar sobre tudo que precisaria, e tem a lista da maternidade, certo? Eu arrumo tudo e vou pra lá o mais rápido que puder!

—Você vai fotografar tudo lembra? Aí! — gemi com mais uma pontada, que agora eu sabia que eram contrações.

—Aí, é mesmo! DEUS! — ela gritou.

Thommy tomou a frente.

—Thalia, acorde o preguiçoso do seu marido e levem a Annie para o hospital. — ele disse autoritário. – Não ouse perder uma foto sequer desse momento!

Ela assentiu com a cabeça e sumiu dentro do quarto.

—Annie, eu sei como você quer a mala de trás pra frente. Vou arrumar ela correndo e vou pra lá em seguida. Pode fazer isso sem mim?

—Acho que sim. Não sei! Eu tô com medo. — choraminguei.

—Não tenha. O que está acontecendo é lindo e você vai trazer a nossa vidinha pra esse mundo. Nosso bebê quer te conhecer o mais rápido possível. Sei que pode fazer isso.

—Sim. — disse com os olhos cheios de lágrimas.

—Certo. Agora se vista pra matar e vá para o hospital parir! Prometo que chego antes da peridural.

Comecei a rir de nervosismo, mas parei quando senti mais uma contração.

—Cassete! Isso dói! — disse cerrando os dentes.

— Vai se vestir pra conhecer sua filha!

Andei o mais rápido que minha barriga de oito meses em pleno trabalho de parto me permitiu.

Quando terminei de me vestir Thalia veio ao meu quarto com Nico atrás.

—A Bia vai nascer? — ele disse apreensivo.

—Parece que sim.

Ele e Thalia me apoiaram, um de cada lado e fomos seguindo pra porta.

—Annie, longe de mim querer te incomodar nesse momento — Nico começou. — Mas e o Percy?

Mais uma contração veio.

—Porra! — gritei e segurei a barriga.

Os dois me olharam de olhos arregalados.

—Esqueci-me dele — gemi.

—Eu aviso. Podemos mudar o local do encontro certo? — ele riu nervoso.

—Tenho certeza que sim.

—Vocês já estão no hospital?! — Thommy gritou de dentro do apartamento.

—Certo, vamos logo. — Thalia disse.

—A Bia vai nascer! — Nico disse eufórico.

Eu ri e saí do apartamento.

[...]

POV Percy

Não me dei conta de quando peguei no sono, mas fui acordado pelo meu celular tocando insistentemente.

Atendi o aparelho ainda meio grogue, então não vi quem era antes de atender a chamada.

—Alô? — disse sonolento.

—Percy? — a voz de Nico disse do outro lado da linha.

Imediatamente fiquei alerta.

—Nico? O que houve? — perguntei preocupado.

—Então, que horas sai seu voo mesmo?

—As oito. Por quê? — disse apreensivo.

Ele suspirou antes de continuar.

—Vamos ter que mudar o local do encontro, só isso.

Comecei a ficar mais tranquilo.

—Certo, onde vai ser?

—No Califórnia Pacific Medical Center.

Finalmente assimilei o que ele tinha dito.

—Espera, isso é um hospital?

—Sim. — Nico disse nervoso.

—Porque um hospital? — disse desesperado.

—Annie entrou em trabalho de parto antes da hora. Estamos no hospital com ela, então ela pediu pra avisar que não vai poder ir ao encontro de vocês.

Senti o estômago embrulhar.

Ela estava com pouco mais de oito meses pelas minhas contas. Como podia já estar em trabalho de parto?

—Nico me explica isso direito! Ela está bem? O bebê está bem?

—Parece que sim, ela passou por alguns exames quando chegou. — ouvi um grito ao fundo.

—Essa é a Annabeth? — perguntei em pânico.

—Sim. Cara, isso parece doer.

Comecei a ficar sem fôlego.

—Nico, o que eu faço!? — gritei.

—Só venha pra cá ok? O quanto antes.

—Mas meu voo só sai às oito! Não vou aguentar esperar!

—Eu sinto muito cara, de verdade, mas acho mesmo que você devia vir pra cá o quanto antes.

Senti um estalo. Annabeth ainda não tinha confirmado que a bebê que esperava era minha filha. Porque eu deveria estar presente em seu nascimento?

—Por quê? — disse apreensivo.

—Você sabe por que cara.

Senti uma onda de felicidade me atravessar.

—Nico me diz, por favor, cara. Eu preciso ter certeza. — disse baixinho

—Você sabe que é sua. Vem pra cá!

—Meu Deus, minha filha vai nascer... — disse com a voz embargada.

—Vem pra cá! — Nico gritou mais uma vez.

—Tá! — eu pulei da cama. — Vou para o aeroporto ver o que consigo. Eu vou ser pai! — gritei.

—Você vai ser pai! — ele gritou de volta, antes de desligar o telefone.

Finalmente minha ficha caiu.

—Eu vou ser pai. — disse em voz alta. — Preciso correr!

[...]

POV Annabeth

—Alguém tira isso de mim!! — eu berrei, depois de mais uma contração.

Assim como chegou, ela foi embora.

—Isso dói pra caralho. — gemi chorosa. — Desculpa filha, mas a mamãe está com muita dor. – passei a mão na barriga, agora dura.

Thalia me encarava com cara de pena.

—Não tenho nem noção de como deve ser a dor, mas parece horrível.

— E é. — disse cansada.

Poucos minutos se passaram até o monitor voltar apitar indicando mais uma contração.

—Aí!!! De novo não! Meu deus, meu Deus, meu Deus! — gritei e agarrei a mão de Thalia.

—Aí minha mão... — ela gemeu baixinho. — Bia, nasce logo, antes que sua mãe quebre a mão da sua madrinha!

A contração acabou e uma enfermeira entrou no quarto.

—Senhorita Chase, vamos ver como anda o progresso da sua dilatação.

—Sim, por favor. — eu pedi.

Ela se aproximou e realizou o exame de toque.

— Certo... Estamos com seis centímetros, mamãe. A partir de agora você já pode pedir a analgesia.

—Eu quero! Agora, por favor — choraminguei.

Ela riu.

—Vou pedir ao anestesista pra vir aqui em breve. — ela se aproximou e segurou minha mão. — falta pouco, mais quatro cm e sua pequena vai estar aqui.

Assenti com a cabeça e suspirei.

Ela mal saiu da sala e veio mais uma contração.

—Cadê o anestesista!?! — gritei, travando o maxilar pela dor.

Quando ela passou, Thommy entrou pela porta do quarto, com as malas na mão e esbaforido.

—A Bia já nasceu? Eu perdi?

—Ainda não, mas Annabeth certamente está sentindo muita dor. — Thalia disse esticando os dedos e fazendo careta.

—Desculpa.

Thommy se aproximou e beijou minha testa.

—Como você está docinho?

—Isso dói Thommy, muito.

—Mais que depilação? — ele fez piada.

—Depilação é um spa relaxante perto disso.

Ele sorriu pra mim e agarrou minha mão.

—Nossa bonequinha logo, logo estará aqui e fará tudo valer a pena.

Balancei com a cabeça e sorri.

A calmaria durou pouco, pois mais uma contração chegou.

—Deus! — respirei sofregamente.

Nico voltou pra sala, com uma cara esquisita.

—Tudo bem? — perguntei a ele.

—Melhor que você, com certeza. — Ele riu sem graça.

Sorri de volta.

—Avisei o Percy. — ele disse rápido.

Olhei para o teto e suspirei.

—Acho que ele já deve ter sacado não é?

Ele concordou com a cabeça.

—Certo. Ele te perguntou algo?

Ele engoliu em seco antes de continuar.

—Perguntou se era dele. Disse que precisava ter certeza.

— E? — incitei nervosa.

Ele me olhou culpado.

—E você confirmou. — afirmei.

—Desculpa Annie! Mas você tinha que ver o cara, ele estava eufórico com a ideia de ser pai. Está vindo pra cá, o mais rápido que pode. Não duvido que venha a pé se não conseguir adiantar o voo.

—Tudo bem. — sorri sem graça, fazendo sinal pra ele se aproximar. Quando ele chegou perto, peguei sua mão. — afinal, o chamei aqui pra isso né? Mas a Bia decidiu que ia contar por mim.

Mais uma contração chegou e apertei sua mão com toda minha força.

Urrei e cravei as unhas o mais forte que pude em sua mão.

—Aí, aí, aí! — ele gemeu.

A contração passou e ele soltou a mão.

—Você é bem forte pro seu tamanho né?

Sorri sem graça e o anestesista entrou no quarto.

—Meu Deus! — disse a ele — Acho que nunca fiquei tão feliz de ver alguém.

Ele riu.

—Vamos acabar com essa dor, senhorita Chase.

—Vamos, por favor!

[...]

POV Percy

Em cerca de 20 minutos eu já estava no aeroporto.

Como já tinha deixado tudo arrumado para partir na manhã seguinte, precisei apenas pegar minha mochila e trocar de roupa para sair de casa.

Quando cheguei ao aeroporto, o local estava relativamente vazio, pois ainda era de madrugada.

Corri para o balcão da companhia aérea, onde duas moças pareciam superconcentradas em algo no computador.

Quando me aproximei, uma delas que parecia ter mais ou menos minha idade sorriu e perguntou se podia me ajudar, enquanto a outra apenas levantou os olhos com cara de tédio.

Me dirigi a mais nova ao falar.

—Boa noite. — sorri nervoso. — eu tenho uma passagem em um voo pra São Francisco às oito da manhã, mas precisava adiantar para o próximo voo que sair. É uma emergência.

A moça mais velha resfolegou em desdém.

—Como se fosse só você que tivesse uma emergência. — ela revirou os olhos. — Os voos pra São Francisco estão todos lotados. Inclusive o que você está. Não tem como.

Senti o peito murchar.

—Moça, por favor, veja o que pode fazer por mim! Vou perder o nascimento da minha filha. — gemi.

—Pois então que tivesse se programado melhor, papai. Os voos estão lotados, vai ter que esperar.

A moça carrancuda fechou a cara e saiu por uma porta lateral.

A mais jovem me olhou com pena.

—Desculpe a Marge. Ela está pra se aposentar e está me treinando pra ficar no lugar dela. — ela olhou para os lados. — O turno da noite deixou ela meio resmungona.

Ela deu uma risadinha, que tentei acompanhar, mas estava preocupado demais.

—Você vai ser pai? — ela perguntou complacente.

—Sim. — disse baixinho. — De uma menina. Minha... Namorada está grávida de oito meses e mora em São Francisco. Ela me ligou avisando que entrou em trabalho de parto antes da hora. Sei que provavelmente não vou chegar a tempo de vê-la nascer, mas queria chegar lá o quanto antes.

A moça me olhou com pena mais uma vez, olhou ao redor e se aproximou falando baixinho.

—Vou ver o que consigo fazer por você. Sei que sua namorada precisa de você agora. Me passe a sua passagem e seus documentos, vou tentar encaixa-lo no próximo voo que sai em 30 minutos.

Senti uma onda de alívio me percorrer.

—Muito obrigada! Você é um anjo!

Ela sorriu e passou a atenção para o computador.

Depois de uns 10 minutos ela abriu um largo sorriso.

—Consegui um lugar! Porém o senhor terá de pagar uma taxa de adiantamento. Ela não é muito cara, mas é um valor a mais.

—Sem problemas! — sorri.

Entreguei meu cartão de crédito a ela e efetuei o pagamento.

—Certo senhor Jackson. Seu voo sai em 20 minutos. Como não há bagagem, você pode se dirigir direto para o portão C e embarcar. Já realizei o seu check in. Boa viagem!

—Obrigado, obrigado, obrigado!— disse eufórico.

—Não por isso! Acho que morreria se meu marido não visse nossa filha nascer. Mande lembranças para sua namorada!

Acenei de longe, já correndo para o portão C.

Alguns minutos mais tarde, já dentro do avião, senti a adrenalina de todos os acontecimentos dessa madrugada.

Em cerca de 24 horas eu tinha descoberto que tinha uma filha e que ela iria nascer dentro de algumas horas.

Em cinco horas, eu a veria pela primeira vez.

Só de pensar que em breve um serzinho teria meu sobrenome e me chamaria de papai eu me sentia extasiado.

Mandei uma mensagem para Nico avisando que tinha conseguido adiantar o voo e que em breve estaria em São Francisco. Pedi também atualizações e que se possível eles filmassem e fotografassem quando a nenê nascesse.

Quando o avião decolou, fiz um pedido silencioso para que essas cinco horas passassem o mais rápido possível para que eu chegasse até as minhas garotas.

Notas finais
Encontrou algum erro nesse capítulo? Me avise por MP. Câmbio, desligo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.