Era Uma Vez...
2 Dois
Erick On:
Resolvi ir até o refeitório ver se a tia Lucir tem algum remédio pra essa dor de cabeça que está matando o Patrick.
—Oi, tia Lu, tudo bem? — Entrei lá na cozinha dela sem permissão e dei um abraço que provavelmente lhe quebrou os únicos osso que ainda eram bons.
—Ai, menino, calma! — Ela reclamou. — O que está fazendo aqui? Não tem nada pronto ainda, só no intervalo.
—Não, eu não quero comida, o que eu quero é um remédio para os chifres do Patrick. — Eu disse e ela me olhou assustada.
—Mas o quê? Chifres? Mas como assim chifres? O Patrick ta virando veado? — Ela perguntou espantada.
—Não, ele ta com dor de cabeça, então eu deduzi que deve ser a namorada colocando um par de chifres na cabeça dele. — Expliquei. — Entendeu?
—Não. — Ela continuou me olhando. — Como assim chifres?
—Tia, você tem o remédio pra dor de cabeça?
—Tenho, toma aqui. — Ela disse pegando um comprimido na bolsa e me entregando.
—Obrigado. — Saí e ouvi ela falar "essas crianças de hoje em dia...".
Andei em direção ao bebedouro para pegar um copo d'água, aliás eu não estava pensando em fazer o garoto engolir um comprimido com a saliva.
Quando estava chegando no bebedouro acabei esbarrando numa louca que vinha a uma velocidade absurda em um skate.
—Ai! — Ela gritou ao cair no chão.
—Toma mais cuidado com essa coisa, menina, eu hein! — Falei me levantando, pois havia caído também.
—Se eu encontrar um mísero arranhãozinho no meu filhote você me paga" — Ela falou pegando o skate da mão.
—Sabe que eu tenho uma amiga que também ama skate? — Falei lembrando de uma amiga minha. — E por sinal, ela também chama aquele maldito skate de filhote, na verdade ela se parece muito com você, tipo a cor do cabelo, a franjinha e... — Percebi então que aquela garota com quem eu falava da minha amiga era a minha amiga.
Ignorei o olhar fuzilante dela e parti pro abraço.
—Alíciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! — Pulei nela feliz da vida, aliás ela havia viajado durante as férias e raramente a gente conseguia se falar.
—Ooooooooooooooooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! — Ela gritou de volta me dando um abraço apertado.
Dei um pulo quando lembrei de Patrick.
—Alícia, a gente precisa ir urgente, eu larguei o Patrick sozinha por, sei lá, uns 30 minutos ou mais! — Falei pegando um copo de água no bebedouro e logo em seguida puxei (arranquei) o braço de Alícia e em menos de 2 minutos chegamos na mesa onde Patrick estava do jeito que deixei quando saí. Tive a certeza de que ele estava dormindo.
—Acorda, Patrick! — Gritei e nada. — Acorda, Patrick, a Andressa ta aqui! — Mentir e ele acordou parecendo um louco procurando a namorada.
Parei de rir da cara dele assim que recebi o olhar fuzilante que dizia: para de gracinhas, mano!
—Já viu quem ta aqui? — Eu disse apontando para Alícia, que sorriu quando Patrick a olhou.
—Marrenta! — Patrick falou e abriu os braços à espera de um abraço.
—Hello, playboy! — Alícia respondeu abraçando Patrick, mas não foi um abraço demorado e carinhoso de verdade, foi mais um abraço do tipo "você voltou! Finge que senti sua falta, demônio!". Mas tudo bem, vindo desses dois, até um sorriso já é um pedaço de ouro, porque eles brigam demais, desde pequenos, credo!
—Tudo bem, chega de love, não quero ficar de vela. — Provoquei e recebi olhares fatais dos dois. — Toma aqui, Patrick, um remédio pra sua dor de cabeça.
—Chifres? — Alícia provocou e eu ri.
—Valeu, cara. — Patrick ignorou o comentário de Alícia.
—Gente vamos procurar o resto da turma? Até agora não vi nenhum dos outros. — Alícia.
—Eu também to sentindo falta deles, já era pra terem chegado a um tempo. — Falei.
—É, é uma boa ideia. — Patrick já parecia melhor. — Vamos.
Nos levantamos (menos a Alícia que já estava em pé desde a hora que chegou, sabe-se lá o motivo.) e fomos fazendo um visita em cada canto da escola pra ver se encontrávamos os benditos seres humanos, mas talvez até pra matar a saudade, ver se tinham mudado alguma coisa nesses 2 meses e meio que estávamos de férias.
De repente ouvimos um chamado, que eu tenho certeza, deixou todos que estavam presentes na escola Clarysin completamente surdos!
—Genteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
—Eu conheço esse grito! — Eu, Patrick e Alícia dissemos em coro e sentimos alguém pular na gente.
—Victória, amor, você ta precisando perder uns quilinhos. — Alícia reclamou. — Já sei! Vende a gordura pra um açougue qualquer e com o dinheiro você compra uns ossos novos pra mim. — Alícia falou e nós rimos.
—Okay, agora só falta a mauricinha e o patricinho. — Patrick falou.
—Quê? — Perguntei confuso.
—Mas o quê? Repete que eu não entendi. — Alícia cai na risada e eu acabo rindo com ela. Alguns segundos depois ouvimos a gargalhada da Vic e rimos ainda mais por sabermos que ela só tinha entendido agora.
—Do que os retardados está rindo? Podemos saber? — paramos de rir avistamos Beatrice e Tonny sorrindo pra gente de braços abertos.
Pulamos neles e demos vários abraços e beijos e ouvimos o sinal pra aula tocar.
Enquanto caminhávamos em direção à classe a Tris disse que tinha uma coisa pra falar com a gente, mas que só ia falar no intervalo, com mais tempo.
Fale com o autor