Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
8 A Beautiful Lie - Leiam as notas iniciais
Notas iniciais
"É uma linda mentira
É uma perfeita negação
Tão linda mentira para se acreditar
Tão linda,linda mentira, que me faz
É hora de esquecer o passado
Passar uma borracha no que aconteceu
Esconda-se atrás de um rosto vazio" — A Beautiful Lie — 30 Seconds To Mars
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Ino caminhava apreensiva e apressada por entre as ruas escuras e desertas. Por que Sai escolhera aquele local? Ela nem conhecia muito, pedira para o táxi deixá-la no endereço que Sai havia lhe dado e após chegar lá, pôs-se a caminhar. Ao longe, Ino avistou uma placa alta, num tom vermelho chamativo. Automaticamente pensou em Gaara. Estranhou o pensamento e sacudiu a cabeça para afastá-lo. A placa dizia “Red Angel Bar”. Era ali. Sai disse que a esperaria ali. Ao chegar à porta, que era de madeira, Ino adentrou ao lugar. Tudo vazio, porém Ino podia escutar uma música dançante vindo do andar de cima. Mais a frente, tinha uma escada a qual Ino não subiu. Parou ao pé da escada e pegou o celular em sua bolsa, discando o numero rapidamente.
— Já estou aqui Sai. – Disse Ino num visível mau-humor.
— Nossa, que empolgação.— Disse Sai sarcástico do outro lado da linha.
— Não tenho uma vida toda pra te esperar, Sai — Disse Ino rispidamente.
— Correção. Você não tem uma vida, minha querida. Senão não viria buscar o que veio. Já estou descendo. Espere ai.
Dito isso, Sai desligou e Ino sentou-se no primeiro degrau da escada. Após dez minutos do contato feito por celular, Sai finalmente apareceu, descendo as escadas calmamente. Ino levantou-se prontamente, ficando frente a frente com Sai quando este terminou de descer os últimos lances de escada.
— Está linda— Disse Sai ao vê-la com um sobretudo que lhe cobria quase todo o corpo, porém a deixava sensual. Sai logo sorriu com um daqueles sorrisos que Ino achava exagerado.
— Obrigada. Trouxe o que eu pedi? — Disse Ino impaciente.
— Claro que consegui minha rainha, mas terá um preço – Disse Sai aproximando-se mais de Ino, que se manteve estática.
— Eu sei, eu trouxe dinheiro— Disse Ino rispidamente.
— Não estou falando do valor da heroína. Estou falando do meu preço. Eu me arrisco muito pra conseguir isso aqui, minha bela. Quero uma recompensa por isso. Quero que seja minha... Acompanhante. – Disse Sai sorrindo cinicamente.
— Como assim acompanhante? — Disse Ino arqueando uma sobrancelha.
— Isso que ouviu. Quero que seja minha, que fique comigo. – Disse Sai simplesmente.
— Está maluco se acha que vou me deitar com você. Não seja tão estúpido— Ino praticamente cuspiu as palavras.
— Ei ei ei, calma loira. Não precisa ser tão hostil. Em nenhum momento eu falei em sexo. Eu disse que quero que seja minha acompanhante. Eu gosto de curtir a noite, freqüentar as mais badaladas festas daqui e ter a companhia de uma bela mulher é sempre bom. – Disse Sai olhando Ino dos pés a cabeça, o que fez a loira sentir-se constrangida.
— Então, seu preço é apenas eu sair contigo? Nada mais?— Disse Ino cruzando os braços.
— Isso. Somente isso, prometo. Ah não ser que, no fim da noite, você queria estender o compromisso por mais tempo, aí eu não vou me opor— Disse Sai sorrindo malicioso.
— Tudo bem, eu aceito. Mas serei somente sua acompanhante e nada mais que isso. Não quero que me toque em momento algum, fui clara?— Disse Ino extremamente séria.
— Perfeitamente — Disse Sai fingindo inocência.
— Ótimo. Agora me entregue às ampolas. – Ino retirou algumas notas de dinheiro da bolsa e a entregou a Sai, para em seguida pegar as ampolas de heroína e guardá-la dentro da bolsa. – Bom, eu já vou. Obrigada pelo... Favor.
Ino virou-se de costas para Sai e caminhou-se para a porta quando sentiu seu braço ser segurado e ela ser virada para frente bruscamente, encontrando seus olhos aos de Sai.
— O que está fazendo? — Disse a loira irritada, puxando o braço com força para soltar-se do contato. Não gostava de Sai tão perto. Ele exalava perigo.
— Temos um acordo. A noite só começou. Quero que comece a cumpri-lo agora. — Disse Sai seriamente. Ino ainda não o tinha visto tão serio e aquela seriedade até que dava certo charme a ele. Sai era um cara bonito, pensou Ino. Os olhos tão negros quanto o cabelo eram um contraste com a pele muito branca, até pálida, mas tinha sua beleza.
— Ta. Tudo bem, já que temos esse acordo ridículo — Disse Ino soltando o braço da mão de Sai.
— Essa é a minha garota— Disse Sai, estendendo um braço para Ino – Vamos então?
Ino ficou pensativa alguns segundos e logo após segurou no braço de Sai, que sorriu de canto e saiu com ela daquele lugar. Caminharam um pouco pela rua escura e logo chegaram a um carro preto e esportivo estacionado. Sai abriu a porta para Ino.
— Entre— Disse ele. Não era um pedido.
— Aonde vamos?— Disse Ino apreensiva, porém não deixando transparecer.
— Não achou que eu ficaria naquele lixo que estávamos agora a pouco né? Ali é só um local de... Negócios. Vamos ao Midnight Sun.
— Não tenho idade pra entrar ali. – Disse Ino seca.
— Querida... Você está comigo. Pode entrar em qualquer lugar— Disse Sai com um sorriso debochado.
Ino olhou para dentro do carro apreensiva. De todo modo, Sai ainda era um estranho. A idéia de entrar no carro com ele não lhe agradava nenhum pouco. Sai percebeu o desconforto da garota, visto que essa corria os olhos do carro para a extensa rua, como se cogitasse sair correndo noite adentro.
— Ino, eu não vou fazer nada com você. Não precisa ter esse medo todo de mim— Disse ele sério.
— E-eu não to com medo— Disse Ino tentando parecer segura. Bateu-se mentalmente por ter gaguejado.
— Claro, sua mão tremendo e seu tom de voz mostram muita firmeza — Disse Sai irônico, deixando Ino irritada. Num rompante, Sai colocou uma das mãos dentro do smoking que vestia e dele retirou uma arma o que fez Ino se afastar imediatamente.
— AI MEU DEUS— Disse a loira com os olhos arregalados.
— Shii... Fala baixo Ino, estamos em uma via pública — Disse Sai quase num sussurro – Tome, pegue minha pistola. Se está tão apreensiva em ficar presa num carro comigo, fique com a pistola. Qualquer coisa pode atirar em mim— Disse Sai com a pistola estendida e um sorriso enorme.
Ele era um louco, constatou Ino, que por sinal não se mexia. Seus olhos estavam cravados na pequena pistola que Sai lhe estendia. A loira parecia em choque. Por que ele tinha uma arma? Ele era só um colega de escola, que provavelmente tinha a mesma idade que ela e que por ventura conseguia drogas. Na verdade, como ele conseguia as drogas? E por que a arma? Milhões de perguntas passavam na mente da loira que nada disse.
— Vamos Ino, eu não tenho a noite toda. Pegue logo a pistola ou entre no carro sem ela— Disse Sai aproximando-se de Ino. Ao chegar bem perto, ele retirou uma mecha de cabelo da loira e a colocou atrás da orelha — Eu não sou um maníaco psicopata que estupra as mulheres com quem sai. E essa arma, antes que pergunte, é só por proteção. Eu sou um negociante Ino. O que tem ai na sua bolsa não é algo fácil de obter.
Sai era astuto. Pensava rápido e tinha uma boa conversa. Para ele não era difícil compreender os pensamentos de Ino naquele momento e ele sabia exatamente como agir para acalma-la. Ele segurou a mão de Ino e colocou a pistola sobre ela, guiando a loira que estava estática na direção do carro. Ino segurou a pistola com força e entrou no carro sem dizer uma palavra. Sai deu a volta pela frente do carro e logo adentrou o veiculo, seguindo para o bar mais badalado da cidade.
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— Teme, conseguiu as identidades?— Perguntou Naruto curioso e ansioso.
— Claro que consegui Dobe, eu sou um gênio — Dizia Sasuke com um sorriso debochado no rosto. – Não tenho culpa se vocês são uns bebês.— Disse apontando para o restante do grupo.
Sakura atirou uma almofada na cara do namorado que segurou antes mesmo que o atingisse.
— Somos só um ano mais novos que vocês. Eu estou quase perto dos dezoito ta.— Disse Sakura fazendo bico.
— É agora sobre pra mim, pro Sasuke e pro Gaara sermos babás de vocês. Que ridículo— Disse Neji fingindo descontentamento.
— Muito engraçado Hyuuga, você deveria ser comediante – Disse Tenten .
— Vamos logo, vocês conversam demais — Disse Gaara, levantando-se e pegando as chaves do carro.
— E para onde vamos, meninos?— Disse Hinata sendo abraçada pela cintura por Naruto.
— Para o Midnight Sun. Eu sempre quis entrar ali. Ainda bem que o meu amorzinho conseguiu as identidades — Disse Sakura radiante.
— Na verdade não é uma identidade falsa, é um cartão de autorização do dono do lugar, para os seguranças meio que fazerem vista grossa com vocês — Disse Sasuke apontando para Naruto, Sakura, Hinata e Tenten.
— Dá pra ser ou ta difícil?— Disse Gaara já na porta esperando os outros.
— Cara como você ta mal humorado. Ta precisando de uma mulher — Disse Naruto sob um olhar mortal de Gaara.
— Alguém conseguiu falar com a Ino? – Disse Tenten.
— Não. Eu liguei pra ela umas mil vezes e nada— Disse Sakura.
— Pena, queria que ela fosse com a gente. Ela tava tão tristinha né.
— Na verdade ela sempre foi assim, só que nesses últimos dias têm sido pior. – Disse Hinata olhando automaticamente para Gaara, que revirou os olhos e apertou o passo rumo ao seu carro.
Gaara adentrou o seu carro e deu partida. Tenten entrou no de Neji que também deu partida. Sakura, Naruto e Hinata entraram no de Sasuke e seguiram para o bar.
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O bar Midnight Sun era freqüentado pela mais alta elite de jovens da cidade. Era muito bem decorado e havia uma mini boate e palco para shows. A segurança do local era impecável. Sai estacionou na porta do bar, desligou o carro e virou-se para Ino, que se mantivera calada durante todo o trajeto.
— Mais calma ?— Disse Sai sorrindo de canto.
— Acho... Acho que sim. Vamos logo— Disse Ino mencionado abrir a porta do carro.
— Antes me devolva minha arma, Ino. Não posso andar sem ela. – Disse Sai estendendo a mão. Ino entregou-lhe a pistola e Sai guardou-a no bolso interno do smoking.
Saíram do carro e Sai entregou as chaves do carro ao manobrista do bar. Ao chegarem à entrada, Sai apresentou um cartão para o segurança, que logo abriu espaço para Sai entrar, sem nem questionar a presença da loira com ele, nem pedir identificações. Ao entrarem, Ino olhou atenta para todos os detalhes do bar. O lugar era realmente muito bonito e as pessoas que lá estavam também. A loira nunca tinha entrado num lugar como aquele e olhava tudo como uma criança descobrindo o mundo. Sai a olhava de canto, com um sorriso.
— Gostou loira?
— É, parece legal— Disse Ino num meio sorriso.
— Venha, vamos para a nossa mesa.
Caminharam em direção a uma mesa reservada e exclusiva. Sai sentou-se no amplo sofá que rodeava a mesa, acompanhado por Ino. Logo um garçom apareceu para atendê-los.
— Desejam alguma bebida?— Disse o homem cortês.
— Um Château d’Yquem, safra 1811, pode ser? – Disse Sai, virando-se para Ino.
— Hum... tudo bem — Disse a loira, dando de ombros.
Logo o garçom retirou-se deixando os dois sentados. Sai era um rapaz inteligente e gabava-se disso. Gostava de exibir seus diversos conhecimentos e esbanjar o dinheiro que conseguia de diversas formas, nem todas corretas, obviamente. Ele olhava para Ino sem desviar. Ino, mesmo não olhando para Sai, percebeu os olhos do outro sobre si e sentiu-se incomodada.
— O que tanto olha?— Disse Ino constrangida.
— Nada. Só tentando entender o que leva uma garota tão linda como você a se injetar— Disse Sai num tom serio.
— Isso não é da sua conta. Não faz parte do nosso acordo você saber os meus motivos.— Disse Ino ríspida.
— Ei, calma. Não precisa ser tão grossa. Não pedi que me contasse nada, até porque eu não me importo, o que também não significa que eu não fique...curioso.
— Ótimo.
Nesse momento, o garçom retorna a mesa com o vinho caríssimo, servindo-o e se retirando tão silencioso quanto chegara. Ino bebe o vinho de uma única vez, fazendo uma careta ao sentir o liquido esquentar e queimar sua garganta. A Yamanaka sentiu sua cabeça girar por um momento. Sai a olhava com uma clara expressão de divertimento.
— É melhor ir com calma, isso não é nenhum vinho de mesa vagabundo.
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— Caaara, foi tão fácil entrar aqui. Ninguém sabe que somos menores— Disse Naruto empolgado.
— Isso Dobe, fala mais alto que a boate inteira ainda não escutou— Disse Sasuke, dando um tapa na cabeça de Naruto.
— Cala a boca, Teme— Disse Naruto massageando o local do tapa.
O grupo seguiu para a mesa reservada por Sasuke e sentaram-se em casais. Logo o garçom apareceu e anotou o pedido de todos, que eram drinks simples. Apesar das bebidas, eles não se excediam, porque o real divertimento de cada um era a companhia um do outro, a bebida era apenas secundária. Após muita conversa, risadas e bebidas, eles pareciam mais leves.
— Quando vai se desculpar com a Ino?— Disse Naruto, virando-se para o amigo e falando num tom que só ele poderia ouvir.
— Eu não tenho que me desculpar por nada — Disse Gaara seriamente, com o olhar perdido na pista de dança.
— Você sabe o que fez. Gaara, eu te conheço o suficiente pra saber que sua atitude com ela o incomodou. Você precisa se desculpar.
— Eu sei, eu sei. Mas aquela garota é irritante e petulante— Disse Gaara bebendo seu uísque num só gole, já vendo a sua última discussão com Ino voltando a sua mente.
Flash Back On – Gaara
Era sexta – feira e a escola estava em polvorosa. O inferno. O caos. Tsunade havia feito, naquela fatídica manhã de sexta, uma reunião geral com todos os alunos de ensino médio da sua escola. Os investimentos feito pelos pais dos alunos era alto, a escola era cara e eles exigiam mais atividades e foi para isso que tsunade havia reunido os estudantes. Todos acomodavam-se no grande auditório da escola, agitados e ansiosos, já que sua diretora dificilmente dava as caras, deixando todo trabalho pesado para a vice.
Tenten, Neji, Gaara, Naruto, Ino, Sasuke, Sakura e Hinata estavam sentados no meio do auditório e esperavam impacientes pelo aviso. Haviam perdido todo o intervalo por conta daquilo. Mesmo saindo da banda, Ino ainda andava com eles, porém sentiu a amiga isolando-se cada vez mais e fazia o possível para mantê-la por perto, mesmo contra a vontade da Yamanaka. Esta, por sua vez, sentava-se o mais longe possível de Gaara. Se ele queria que ela sentisse raiva, pois bem, havia conseguido. O comportamento anormal dele em relação a ela gerara o efeito de raiva mutua, e para a sanidade dos dois, os amigos sempre os colocava em pontos extremos, bem afastados um do outro.
Tsunade subiu ao palco do auditório e com sua sonora voz, pediu silêncio para o burburinho que estava no local, o que foi prontamente atendido, já que todos ali tinham certo medo da diretora e sua cara de brava.
— Alunos e alunas da Saint Pierre-Eton, serei breve. Devido a algumas reinvindicações dos pais, venho comunicar que a partir de segunda, todos os alunos do ensino médio terão atividades extras no período da tarde, integralmente. É só.
Silencio. Todos os alunos ficaram em extremo silencio, não por não terem o que dizer, mas sim por estarem absorvendo a noticia. Quando Tsunade desceu do palco, um enorme estrondo de vozes foi ouvido. O inferno. O caos. TODOS os alunos reclamavam inúmeras objeções, ao mesmo tempo. Levantaram-se e caminharam para fora do auditório, aos montes, reclamando que não iriam aceitar e o quanto era injusto. Tsunade limitou-se a revirar os olhos e sair pela porta traseira do auditório, pouco se importando com o desgosto dos alunos.
— Isso só pode ser brincadeira— Disse Naruto sem acreditar.
— Querem tirar nosso tempo livre, isso não existe— Disse Sakura batendo o pé e sendo acompanhada por um Sasuke carrancudo.
— E os ensaios? Como fica? — Disse Neji franzindo o cenho.
— Eu não vou ficar aqui durante a tarde, pode apostar. Tenho umas coisas pra fazer. Encontro vocês na sala — Disse Gaara visivelmente irritado, saindo e sumindo na massa de alunos
Chateados e cheios de reclamações, o grupo seguiu para o cantinho onde passavam o intervalo, visto que ainda faltavam 20 minutos para terminar. Ino furtivamente foi diminuindo os passos, a fim de se afastar do grupo, o que conseguiu, visto que todos estavam ocupados demais reclamando das novas medidas da escola. A loira caminhou para o interior dos prédios da escola, queria silêncio, e já que todos os alunos estavam na área externa, os corredores estariam vazios. Ino colocou seus fones de ouvido bem alto e caminhava com a mente longe, quase encostando-se à parede do corredor. Seus pés a guiaram até a sala de aula de música do seu pavilhão. Com os fones ainda extremamente altos, ela permitiu-se cantarolar baixinho uma parte da música e adentrou a sala de música, com certeza ninguém a incomodaria ali, já que sexta não usavam aquela sala. Após entrar, Ino fechou a porta e retirou os fones de ouvido, o que permitiu com que ela ouvisse e visse que além dela, havia mais alguém na sala.
A loira de cara reconheceu aqueles cabelos. Gaara estava sentado num canto da sala, de costas para a porta. Ele tocava uma música no violão e cantava baixo. Parecia não notar a presença de Ino na ampla sala e ela logo descobriu o porque. Ele estava usando grande fones, o que provavelmente havia abafado o barulho da porta. O primeiro pensamento de Ino foi voltar e sair da sala, porém seus pés não fizeram isso, pelo contrario, ela caminhou incerta na direção do ruivo. Aproximando-se mais, ela pôde vê-lo de olhos fechados, tocando e cantando uma música que ela conhecia bem. A melodia era triste, porém ela gostava bastante daquela música e por um momento percebeu que gostava de ouvi-la na voz rouca de Gaara.
So, so you think you can tell
(Então, então você acha que consegue distinguir)
Heaven from hell?
(O paraíso do inferno?)
Blue skies from pain?
(Céus azuis da dor?)
Can you tell a green field
(Você consegue distinguir um campo esverdeado)
From a cold steel rail?
(De um trilho de aço gelado?)
A smile from a veil?
(Um sorriso de uma máscara?)
Do you think you can tell?
(Você acha que consegue distinguir?)
Ino sentou-se um pouco afastada e ficou quieta. Seus instintos gritavam para que saísse dali, mas seu corpo não te obedecia em nada, então manteve-se em silêncio. Estranhamente queria conhecer um pouco mais do rapaz. Ela não sabia explicar, mas podia sentir nele tanto sofrimento quanto tinha nela. Quando percebeu isso, deu-se conta que tinham algo em comum.
Did they get you to trade
(Eles fizeram você trocar)
Your heroes for ghosts?
(Os seus heróis por fantasmas?)
Hot ashes for trees?
(Cinzas quentes por árvores?)
Hot air for a cool breeze?
(O ar quente por uma brisa fria?)
Cold comfort for change?
(O conforto do frio por mudanças?)
Did you exchange
(Você trocou)
A walk on part in the war
(Um papel de figurante na Guerra)
For a lead role in a cage?
(Por um papel principal numa cela?)
No momento seguinte, Ino não soube quando, mas já estava cantando junto com Gaara, porém este estava tão absorto que nem sequer podia ouvi-la. Ino cantou junto, também fechando os olhos e se entregando aquele estranho momento.
How I wish
(Como eu queria)
How I wish you were here
(Como eu queria que você estivesse aqui)
We're just two lost souls
(Nós somos apenas duas almas perdidas)
Swimming in a fish bowl
(Nadando num aquário)
Year after year
(Ano após ano)
Running over the same old ground
(Correndo sobre o mesmo velho chão)
What have we found?
(O que nós encontramos?)
The same old fears
(Os mesmos velhos medos)
Wish you were here
(Eu queria que você estivesse aqui)
Ino abriu os olhos de repente e percebeu que já não havia mais música. Será que ela havia imaginado tudo aquilo? Estaria ficando louca? Seu choque de realidade veio ao perceber um par de olhos verdes a olhando muito de perto. Ino acordou de seu transe. Eles ficaram olhando-se por um tempo. Gaara sério e Ino desconcertada. Diante do silêncio dele, Ino começou a levantar-se e Gaara também se levantou-se, sem parar de olhá-la.
— O que tava fazendo? — Disse o ruivo num tom de voz baixo e contido.
— Bom... eu queria um pouco de paz ... e encontrei quando entrei aqui. — Disse Ino franzindo o cenho pelo que tinha acabado de dizer.
— Eu já te pedi para me deixar em paz, por que é tão dificil? — Dizia o ruivo com a voz um tanto trêmula.
— O que te faz achar que estava procurando por você? Eu só entrei na sala e coincidentemente você estava aqui...e sei lá, eu não ia sair só porque você tava aqui. Você não é o dono da escola – Disse Ino cruzando os braços e fazendo um bico até infantil.
— Fica longe de mim... eu já avisei...eu já disse que não quero contato algum com você. – Disse Gaara avançando sobre Ino e segurando seu braço com força. Ele tremia. Estava novamente perdendo seu controle.
Ino nunca entendia a reação que despertava em Gaara e obviamente a resposta dela era sentir raiva também. Porém o Sabaku tinha medo, e a reação dele era justamente uma proteção para Ino. Mas ambos não sabiam e nem compreendiam.
— Me solta seu merda — Dizia Ino tentando se soltar.
— NÃO! EU NÃO VOU SOLTAR! EU SOU VOU TE DEIXAR SAIR DAQUI QUANDO VOCÊ ENTENDER QUE EU NÃO TE QUERO POR PERTO. VOCÊ NÃO ME DEIXAR LOUCO. TA ME OUVINDO? – Dizia o ruivo completamente fora de si.
Ino sentiu que ele estava agoniado. Não era só raiva. Mas que diabos aquele garoto tinha. À medida que Ino tentava soltar-se da fúria do ruivo, passos foram ouvidos do lado de fora da sala e logo depois a porta se abriu, revelando o grupo de amigos. Rapidamente eles entraram na sala de música e Naruto foi com tudo para cima de Gaara, empurrando-o e o tirando de perto de Ino, que tinha um novo hematoma no braço. Gaara havia apenas a segurado com força, mas fora o suficiente. Ino massageou o braço marcado e seu olhar direcionado para o ruivo foi de extrema fúria.
— SE ENCOSTAR EM MIM NOVAMENTE, EU MATO VOCÊ, SEU ESTÚPIDO. MATO VOCÊ. — Disse Ino e logo saiu rápido da sala, ignorando totalmente os pedidos de espera de Tenten.
FLASH BACK OFF
— E você gosta dela— Disse Naruto bebendo calmamente.
— O que? Que tipo de droga colocaram no seu copo? Você bebeu demais, é isso— Disse Gaara sacudindo a cabeça negativamente.
— Gaara, ela te enfrenta e nessa ultima discussão que tiveram, ela te enfrentou e forte. Você perdeu seu controle, o que é raro. Apesar dessa sua cara de psicopata, você é o cara mais pacifico que eu conheço. Mas com ela não. Você precisa parar de ter medo e recomeçar. Ela não é a Matsuri— Disse Naruto calmo.
— Você tem um grave problema mental, Naruto. Eu não tenho interesse algum na Yamanaka, ela é irritante — Disse Gaara fechando o punho.
— Viu? Só estamos falando dela e você fica nervoso. Você quer acreditar que a odeia, mas não tem razão alguma pra isso e você sabe. Ela é totalmente o oposto da Matsuri, Gaara.— Disse Naruto cautelosamente ao tocar no nome da Matsuri.
— E por que a Matsuri entrou nesse assunto mesmo?— Disse Gaara inexpressivo.
— Porque é ela que te assombra e não te deixar ver além do passado. Ela te prende lá atrás e você permite— Naruto dizia sério.
— Ei gente, é a Ino ali?— Disse Tenten apontando para a pista de dança.
Todos os olhares na mesa acompanharam para onde Tenten apontava. Ino estava dançando na pista de dança com Sai. Estava rindo muito e sua dança era sensual. Esfregava seu corpo em Sai, que estava indo a loucura com os movimentos da loira. Ino estava completamente bêbada. Não costumava beber, na verdade nem gostava, então o pouco que bebeu fora o suficiente para o seu nível alcoólico se elevar. Sai a segurava pela cintura e aproximava mais os corpos. Ino estava de costas para ele e o mesmo roçava os lábios na curva do pescoço da loira. Os amigos estavam boquiabertos. Não pela dança sensual e pelo esfregar de corpos. Mas por ser Ino. Aquela que eles estavam vendo era totalmente diferente da Ino que eles conheciam.
— É, quando você pensa que conhece as pessoas— Disse Sasuke num tom maldoso.
— Isso é estranho... – Disse Tenten olhando e achando tudo muito suspeito.
— O que ela pensa que está fazendo se esfregando com aquele anêmico?— Perguntou Gaara que nesse momento estava visivelmente irritado.
— Pi pi pi ... disparou o alarme do ciúmes— Disse Naruto arrancando gargalhadas do restante do grupo.
Gaara o olhou mortalmente, murchando o riso de Naruto. Nesse instante, Ino os avistou da pista de dança e saiu arrastando Sai até a mesa dos amigos. A garota estava totalmente fora de si.
— Que surpresa encontrar vocês aqui— Disse Ino sorrindo muito, o que deixou todos um pouco surpresos e constatando o obvio: ela realmente estava bêbada.
— Ei Ino-chan, olá Sai— Disse Sakura acenando.
— Ligamos pra você pra te chamar pra vir com a gente, mas seu celular só deu caixa— Disse Tenten sorrindo.
— É, ele descarregou – Disse Ino gargalhando e apoiando-se em Sai.
— Bom, foi bom ver vocês, mas vamos voltar pra nossa mesa. Venha Ino— Disse Sai arrastando Ino para o outro lado do bar.
— Ok, isso foi muito estranho — Disse Sakura olhando para os amigos.
— É. O que a Ino está fazendo com o idiota do Sai e ainda por cima bêbada?— Disse Neji manifestando-se.
—Não sei não galera, mas é bom a gente ficar de olho. O Sai é perigoso. Ninguém me tira da cabeça que ele tem algo a ver com aquela venda de drogas lá na escola.— Disse Naruto olhando para a mesa onde Sai e Ino estavam.
— Eu tenho certeza que ele trafica— Disse Sasuke.
— Bom, não podemos falar com ela agora, vamos só ficar de olho mesmo — Disse Naruto, abraçando Hinata.
Gaara nada disse. Apenas ficou olhando Ino e Sai de longe. Sentiu seu sangue ferver ao vê-la com ele e muito mais quando dançava tão perto. Por que ele tava assim? Sentia-se ridículo. Nunca havia ficado assim por garota alguma. Talvez Naruto estivesse certo. Yamanaka Ino definitivamente mexera com ele. Gaara só não sabia decifrar aquilo e muito menos saber se era algo bom. O ruivo foi tirado dos seus pensamentos pela voz estridente de Naruto que discutia com Sasuke.
— Gente, eu vou lá. Ele ta forçando ela – Disse Naruto apontando para a mesa onde Ino e Sai estavam.
Gaara olhou para a mesa e sentiu sua sanidade sumir. Sai estava tentando beijar Ino à força. A loira o empurrava com força, visivelmente assustada, porém Sai parecia descontrolado e avançava mais sobre a loira. Num rompante, Gaara levantou-se e caminhou furiosamente até a mesa dos dois.
— Isso vai dar merda. Vai atrás dele Naruto— Disse Tenten levantando-se e já seguindo o loiro atrás de Gaara.
O ruivo chegou até a mesa de Sai, que nem notou a presença de Gaara, pois estava deitado em cima de Ino que se debatia agoniada. Gaara puxou Sai de cima de Ino com força, o jogando no chão e o socando com violência. Os socos de Gaara era repetidos e certeiros. Sai havia sido pego desprevenido e por esta razão, estava difícil de defender.
— Não encoste sua mão imunda nela, seu cretino— Disse Gaara desferindo mais um soco em Sai, que levou a mão ao nariz e sentiu o sangue escorrer.
Nesse minuto, Naruto e Sasuke chegam correndo e retiram Gaara de cima de Sai. Ino olhava a cena assustada e encolhia-se no sofá. Naruto e Sasuke seguravam Gaara com dificuldade, já que o mesmo tentava se soltar.
— Me soltem. Eu vou quebrar esse imbecil – Vociferou Gaara.
Vários seguranças da boate chegam até o local da confusão e colocam os garotos para fora do bar aos empurrões. Todos olhavam aturdidos para as garotas, que estavam sentadas ao redor de Ino. Após alguns minutos, a música voltou a tocar e as pessoas já pouco se importavam com o ocorrido. Era normal briga em bares. Ino tremia no sofá, sendo amparada pelas garotas.
Do lado de fora do bar, à rua estava deserta. Por ser madrugada, toda a concentração de pessoas estava no interior do bar. Os garotos foram jogados na rua e receberam ameaças dos seguranças de que se quisessem se matar que fosse do lado de fora. Sai ainda segurava o nariz fortemente, para diminuir o fluxo de sangue que saía. Imaginando que a raiva de Gaara havia se dissipado, Sasuke e Naruto o soltam e o ruivo sem hesitar, vira o corpo de vez e dá um chute no tórax de Sai, que cambaleia um pouco tonto, porém não cai. Nesse momento, mesmo com o corpo desequilibrado, Sai saca a arma de dentro do smoking e a aponta para a cabeça de Gaara. Seu olhar era transtornado e maligno, totalmente diferente de como Ino o havia visto há algumas horas atrás. As enormes pupilas denunciavam a presença de algo mais que álcool em seu sangue.
— VOCÊ VAI QUEBRAR QUEM AGORA SABAKU? HÃ? RESPONDE? CADÊ SUA CORAGEM SEU MERDA— Gritou Sai, limpando o sangue que escorria do nariz com a mão livre.
— Sai, abaixa isso cara. Você está fora de si. Abaixa isso – Dizia Naruto apreensivo tentando acalmar Sai.
— FORA DE MIM? EU ESTOU MARAVILHOSAMENTE BEM. E VOU ME SENTIR MELHOR AINDA QUANDO ESTOURAR OS MIOLOS DESSE MERDA— Disse Sai se aproximando e encostando a arma na cabeça de Gaara.
— É o melhor que você pode fazer?— Disse Gaara rindo debochadamente.
Nesse momento as garotas saem do bar e ficam chocadas com a cena. Ino sente seu sangue se esvair do corpo. Sai tinha a arma apontada para a cabeça de Gaara. Pânico. Horror. Medo. Ino nunca havia sentido tanto medo quanto naquele momento, nem mesmo durante o que havia passado em sua vida. Porém o medo não a paralisou. Ela soltou-se dos braços de Hinata e correu até Sai, aos berros.
— SAI, POR FAVOR, PARA COM ISSO. NÃO FAZ ISSO SAI, POR FAVOR. — Disse Ino olhando para Sai que manteve a arma na cabeça de Gaara. – Você... Você prometeu que não iria me assustar — Disse a loira quase num sussurro, as lágrimas caindo aos montes.
Sai continuou com a arma apontada, enquanto Ino ainda o olhava e pedia suplicante para que ele parasse. A expressão de Gaara era impassível, quase beirava a serenidade. Lentamente, Sai foi abaixando a pistola e caminhou para o seu carro. Ao passar por Gaara, ele disse:
— Eu vou acabar com a sua vida, Gaara.
— Tente— Disse Gaara cerrando os dentes.
Sai entrou no carro e deu partida, sem olhar para trás. Ino começou a chorar compulsivamente. Sentia que sua embriaguez sumira no susto, porém o medo não. Chorava descontroladamente, de medo, de alivio e mais uma mistura de coisas que ela não conseguia discernir. Sentiu o olhar impassível de Gaara sobre ela.
— SEU BABACA, POR QUE FEZ AQUILO? ELE PODERIA MATAR VOCÊ— Disse Ino avançando em cima de Gaara, desferindo socos no ruivo, que a segurou com as duas mãos pelo pulso.
— Para— Disse Gaara a olhando nos olhos firmemente.
— Ei loira, se acalma. Ele só tentou te ajudar — Disse Naruto.
— Ele não tinha que ter se intrometido em nada. Eu poderia ter me virado sozinha. ELE QUASE FOI MORTO. AI MEU DEUS— Disse Ino ainda aos prantos.
— Eu vi o quanto você tava se virando. Eu quase levei um tiro por você, seja mais agradecida— Disse Gaara ríspido.
— Neji, vamos levá-la pra casa, ela ta muito nervosa — Disse Tenten, estendendo a mão para a amiga. Gaara a soltou.
— Essa garota é muito ridícula. Eu tento ajudar e recebo na cara. Isso é culpa sua Naruto, por ficar me falando bobagens — Disse Gaara seguindo para o seu carro.
— Ei, não me culpe. Você precisa conversar com ela, mas depois, agora ela ta assustada. Ela só não queria ter o seu sangue nas mãos dela. Se fosse você, como reagiria? Agora leve eu e a Hina pra casa que perdemos nossa carona— Disse Naruto.
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Ino chegara à casa de madrugada. Tenten insistira para que a amiga fosse para a sua casa, para não ficar sozinha. Mas Ino não quis. Graças aos seus sua mãe não estava em casa. Engano. Ouvira os sons de sua mãe transando com Kabuto quando chegara as escadas. O nojo, a repugnância foi imediata, fazendo a loira vomitar ali mesmo no corredor. Como a mulher que um dia lhe chamou de filha poderia ter superado a morte do seu pai tão depressa? E como ela ainda conseguia se deitar com Kabuto? Ino riu amargurada, afinal, era sua mãe né? Não deveria surpreender-se. Com muito esforço a loira entrou em seu quarto, que graças a Kami ficava no final do corredor, impedindo-a de ouvir tudo aquilo. Ao entrar no quarto, iniciou o seu macabro ritual. Dor. Uma dor lancinante e uma imensa tristeza era o que sempre se seguia após a euforia causada pelas sessões de heroína a qual Ino se submetia. Sentia seu estômago se contrair, vomitaria de novo, com toda certeza, afinal, a noite com Sai fora intensa, não só pelas drogas, mas também com as bebidas. A loira estava sentada no chão do quarto, segurando as pernas enquanto olhava para um ponto qualquer. Sua mente vagava para o completo vazio. Sentiu seu peito apertar com a suposição de Sai atirar em Gaara. Como viveria com isso? Por que a ideia de perdê-lo era tão dolorosa? Sentia-se ainda mais destruída Desde que entrara no quarto, Ino permanecia estática, sentada no chão. Sua mente agora lhe pregava a maior peça e armadilha que podia criar: as lembranças.
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