Notas iniciais
Demorei mas postei! Espero que possam me perdoar, meu trabalho tem sido implacável nas últimas semanas. Um agradecimento especial a Liana La Blanche e Felicity Cullen Kenobi por terem comentado no último capítulo, e também às recomendação de Stella Tenebrae, Lillest e Serleena Xarth. Vocês são demais! Bom, estamos a um ou dois capítulos de terminar, então se vocês tiverem um último pedido, que falem agora ou calem-se para sempre! kkkk brinks, mas também não tão brincadeira assim :p Amo vocês, obrigada por não desistirem de mim e pelos comentários maravilhosos! Foi o maior motivo pra eu não desistir da história. Não sei se isso interessa alguém, mas eu gosto de curtir algumas músicas quando escrevo. Se tiverem curiosidade ou quiserem escutar enquanto leem, essas são as que eu ouvi enquanto trabalhava nesse capítulo: Deep Sweet Dreams, Umea Bodo Service and Sacrifice - Samuel Kim Ben and Rey Love Theme - Samuel Kim The Rise of Skywalker - Mikhail Lesogorov Star Wars: The Force Awakens - AntiPiano World on Fire - Klergy Me avisem se quiserem que eu compartilhe a playlist inteira da fic! Até o próximo capítulo!

Ben levantou-se em um salto do chão, o coração disparado no peito. A figura translúcida de um homem o fitava com um sorriso tênue. Embora sua presença causasse um arrepio na nuca, ele não emanava ameaça. Seu semblante expressava uma jovialidade que iluminava os olhos calorosos.

Embora Solo nunca o tivesse visto antes, ele sabia quem era. Deixou escapar o nome em um suspiro.

— Anakin.

— Fazia muito tempo que eu queria de te ver pessoalmente, Ben.

Sua voz parecia ecoar de dentro de sua mente ao invés de flutuar até os ouvidos. Ele esfregou os olhos, certificando-se de que estava realmente acordado. Sua aura brilhante lançava sombras sobre a cela, o brilho pálido semelhante ao reflexo da lua.

Depois de algum tempo em silêncio, finalmente fez a primeira pergunta que lhe ocorreu.

— Por que só agora?

— Você não estava pronto.

Ben comprimiu os lábios, seu cérebro indo em mil direções diferentes. Imaginou esse cenário incontáveis vezes em sua cabeça, desde que era um aprendiz descobrindo sobre a Força. Pensou que se sentiria extremamente feliz com a visita de Anakin Skywalker. Honrado. Satisfeito. Há muitos anos atrás, seria a criança mais contente do mundo se pudesse ter uma conversa com aquele homem.

Mas ele não era mais criança. Havia apenas vazio em seu peito e amargor no céu da boca. Sua voz soou tingida de acidez quando respondeu.

— Isso é mais uma das regras da ordem Jedi?

— Há muito tempo eu não sigo as ordens Jedi. — o outro ampliou o sorriso e pôs-se a caminhar com as mãos nas costas.

— Então, porquê?

— Eu não conseguiria manter uma conexão enquanto você estivesse fora do seu caminho. Desconectado da Luz.

— Eu não teria me desconectado se tivesse alguém para me mostrar o caminho.

— Cada um carrega um propósito. Não cabia a mim interferir. Você precisava trilhar sua jornada por conta própria, ou não teria tido resultado.

— Você quer que eu acredite em destino. Que eu estava fadado em passar por tudo.

— É você que trilha o seu destino, Ben. Não há ninguém escrevendo a sua história.

— Eu não entendo.

— Mas vai entender. Tudo acontece no tempo certo.

Solo colocou as mãos na cintura, frustrado e travando uma batalha interna. Estava magoado por sua ausência durante todos esses anos. As coisas teriam sido realmente diferentes se tivesse tido sinais mais claros? Teria resistido ás manipulações de Snoke? Han Solo ainda estaria vivo, provavelmente.

— Tantas vidas perdidas...

— Elas não foram em vão.

— Poderiam ter sido poupadas! Se você... Se eu tivesse entendido antes... – Ben passou as mãos pelos cabelos, consumido pela frustração. Uma onda de angústia comprimiu seu peito, marejando os olhos. – Eu precisava de um guia, alguém que me mostrasse o caminho. Luke era para ser esse alguém, mas acabou fazendo justamente o contrário.

Anakin apertou os lábios, seu rosto contorendo-se em pesar.

— Lamento imensamente, Ben, por tudo o que você passou. A injustiça e o erro do seu sofrimento me pesam no coração. – O ex-cavaleiro de Ren soltou o ar de maneira cética, mas Skywalker continuou. – Eu não aprovo de forma alguma que os fins justifiquem os meios. Se houvesse alguma forma de ajudar, de te guiar pelo caminho correto, eu o teria feito. Mas a Força trabalha de formas com as quais não entendemos completamente.

Por fim, balançou a cabeça em um suspiro cansado, fitando um ponto qualquer do chão.

— Não faz diferença agora.

— Faz toda a diferença. Graças aos seus sacríficios, a galáxia está em paz novamente. Você trouxe o equilíbrio, Ben. Vocês dois.

O cavaleiro ergueu os olhos, e algo lhe ocorreu.

— Sabe dizer se ela está bem? — ele imaginou que Anakin soubesse de quem ele estava falando. — Faz duas semanas que não consigo contacta-la através da Força.

— Sim, não se preocupe. Ela está segura.

A resposta o acalmou e o feriu ao mesmo tempo. Ficou feliz por saber que Rey estava bem, mas isso também significava que ela cortara a ligação de propósito. Tentou empurrar as inseguranças mais egoístas para o fundo da mente e focou no tópico mais urgente.

— Eu lembro-me bem do momento em que decidi matar Snoke. Foi no terceiro ano de treinamento. — Começou devagar, medindo as palavras com cuidado. — Ele me puniu por ter poupado a vida de um civil em uma das missões e depois me obrigou a assassiná-lo em frente à família. Depois me açoitou e me fez ficar dias sem comida ou água.

Anakin manteve-se calado, aguardando que ele prosseguisse. Suas expressões eram difíceis de decifrar, como se estivessem veladas em baixo d'água, mas suas sobrancelhas juntaram-se em algo que o lembrava pesar.

– No começo, era para tomar o seu lugar. Eu queria poder. Desejava ter o controle e nunca passar por nenhuma humilhação novamente. Durante anos, mantive meu foco. Estava obstinado e já não me sentia culpado em assassinar vidas inocentes. – perdeu seu olhar em algum ponto da parede, perdido em pensamentos. – Perseguimos até o último Jedi, e os exterminamos. Eu pensava ser o último usuário da Força. Mas então, ela apareceu.

Um sorriso sutil despontou em seus lábios. Então ele voltou a encarar o avô, que ouvia com bastante atenção.

— Rey. Uma sucateira de Jakku. Ela também teve uma infância de merda, mas era mais forte que eu, porque resistiu ao lado negro. Decidiu ser boa, apesar de tudo. Foi só depois de conhecê-la que eu mudei de ideia e não quis mais tomar o lugar de Snoke.

— Algumas pessoas tem essa habilidade. O poder de tocar o nosso coração e enxegar bondade nele.

— Sim, ela me salvou. Mas agora, não tenho a certeza se vamos ficar juntos. Talvez eu fique para sempre na cadeia. Na melhor das hipóteses, cumprirei muitos anos por meus crimes, e Rey seguirá a sua vida. Eu jamais a impediria de seguir em frente. – as palavras lhe doíam mais do que ele gostaria de admitir. Engoliu em seco, um peso sufocante no peito. – E eu tenho medo. Medo de que, sem ela, eu sucumba ao pior que exista em mim. De voltar á desejar poder, e de me perder em mim mesmo.

Anakin assentiu, estudando-o por um momento. Ben esperou ver uma expressão desgostosa em seu rosto, mas recebeu apenas um sorriso caloroso em resposta.

— Seu medo é normal. Você passou por coisas horríveis, coisas inimagináveis. Foi despedaçado, manipulado. Tentaram destruir sua essência e transformá-la em algo vil. E o plano quase deu certo. — Ele estava agora a poucos metros de distância, e pareceu mais humano e real que nunca. — Mas se esqueceram de uma coisa: Você é Ben Solo. Dentro de você, há mais do que sombras e arrependimentos. Há uma força indomável, uma capacidade de amar e de se redimir que eles nunca puderam tocar. Você encontrou luz na escuridão, e isso é um poder que nenhuma prisão, nenhum tempo, pode extinguir.

— Me sinto fraco. Como se tivesse falhado com todos ao meu redor.

— Você não falhou, Ben. A verdadeira força não reside no poder ou no controle, mas na capacidade de enfrentar seus medos, de crescer e de mudar. Você tomou o controle da sua vida e continuará a tomar as decisões certas.

— Como pode ter tanta certeza? – sussurrou, súplice.

— Não estaria aqui se não fosse verdade. Eu posso ver. Posso sentir.

Um nó se formou em sua garganta, mas as lágrimas não escorreram. Ficaram presas ali, refletindo o brilho suave do fantasma. Quando voltou a falar, tinha a voz trêmula e apertada, forçando cada fibra do seu ser a não desmoronar.

— Eu não acho que mereça ser feliz.

— Todos merecem uma chance de redenção. E não há vergonha em ter ajuda no processo.

Ele assentiu com a cabeça, deixando-a baixa por um longo momento, deixando as palavras se infiltrarem em sua consciência. Seu corpo estava tenso, cada músculo vibrando com uma urgência silenciosa. Uma única lágrima traçou um caminho pela sua face, uma marca de emoção que ele não se deu ao trabalho de esconder de Anakin. Com um esforço consciente, engoliu a tristeza, o medo e a raiva que borbulhavam dentro dele, reprimindo a explosão habitual de sentimentos. Ele ansiava por mudança, mas sabia que a batalha contra suas próprias naturezas seria uma luta constante em sua vida.

Depois de uma respiração profunda, ergueu novamente o olhar para encontrar o de Anakin e fez a pergunta que pairava em sua mente.

— Como você faz? – O fantasma ergueu uma sobrancelha. Ben esclareceu, a voz desprovida de emoção. – Como lida com a culpa?

— Não posso eliminá-la por completo. Ela vai continuar a aparecer. Vai te acompanhar para sempre.

— Foi o que eu pensei.

— Você deve se lembrar que ela não define quem você é. Você deve aprender a aceitá-la, e acolhê-la com a mesma compaixão que Rey ou Leia o fazem.

Passos ecoaram no corredor do lado de fora. Ben piscou, ainda se esforçando em acreditar naquelas palavras, e percebeu que a imagem de Anakin começara a se dissolver. Ele gostaria de lhe fazer mais perguntas, mas precisou guardá-las para outro momento. Antes de desaparecer completamente, a voz etérea ecoou uma última vez em sua cabeça.

“Escolha olhar para sua luz como nós estamos vendo agora em você, Ben. Você é amado e merece uma segunda chance.”



xXx



— Será que você pode apontar essa luz direito?!

A voz exasperada de Rey fez com que BB-8 emitisse um bipe de sobressalto. Ajustou sua lanterna rapidamente e, em seguida, resmungou um pouco ressentido. A garota escolheu outra ferramenta do cinto e respondeu em tom de desculpa.

— Tá tudo bem. To quase terminando.

Ela voltou sua atenção para o painel de controle da Millennial Falcon com um susrpiro.

Tinha de manter a energia desligada para consertar o fúzil da aeronave, mergulhando os dois em completa escuridão e dificultando o trabalho minucioso. Com exceção do tilintar de parafusos e chaves de fenda, o hangar permanecia em completo silêncio. Ela sentia os olhos pesados e um indício de dor de cabeça surgingo na têmpora esquerda, mas continuou a tarefa de forma obstinada.

O robô soltou alguns cliques e apitos que, mesmo para ouvidos destreinados, soavam ansiosos.

— Medo do quê, BB-8? Não tem ninguém lá fora. – Mais sons, dessa vez com um assobio prolongado. Ela respondeu enfaticamente como se falasse com uma criança. – Estamos fazendo isso de madrugada porque eu gosto do ar fresco. Por isso. – Ouviu o metal maciço rolar para mais perto e se posicionar á sua frente, dessa vez para obrigá-la a encarar o visor dele. Queria analisar suas feições para saber se estava mentindo, e pelo visto concluiu uma resposta bem rápido. Com um suspiro de derrota, Rey parou de mexer no painel e encolheu os ombros. – Ok, ok, senhor detetive. É porque não consigo dormir, e isso me distrai.

O pequeno robô emitiu um bipe melancólico, uma cadência descendente que se desfez em um leve zumbido. Ele abriu o compartimento onde armazenava o braço mecânico e tocou suavemente a perna dela, num gesto de consolo. A Jedi lhe ofereceu um esgar e deu tapinhas na lataria do amigo.

— Obrigada por entender.

Depois de um momento, BB-8 apontou a luz da pequena lanterna para o painel, e ela voltou ao trabalho em silêncio. Aquela era a sua maneira de combater os pesadelos e as ondas de ansiedade que a mantinham desperta nas longas horas da noite. A sugestão dos médicos da Resistência de usar calmantes também não a atraía nem um pouco. Leia ainda não havia atribuído nenhuma missão a ela, insistindo que, entre todas as almas na galáxia, Rey era quem mais precisava de descanso. Internamente, Rey discordava fortemente dessa avaliação, embora relutasse em entrar em uma discussão sobre isso. Em vez de insistir no assunto, escolheu se imergir em qualquer atividade que pudesse encontrar, procurando tarefas que a mantivessem ancorada no presente.

Os dois continuaram ali por quase uma hora, o relógio de pulso marcando três da manhã quando Rey decidiu que não conseguiria mais continuar. Seus músculos estavam rijos em protesto e a cabeça finalmente doía como os infernos. Ela guardou as ferramentas em seus devidos lugares e se virou para sair da nave, mas parou no meio do caminho. Poderia estar enganada, mas jurou ouvir passos vindos do lado de fora. Seus instintos a puseram em estado de alerta e ela fez um pedido de silêncio para BB-8, o indidador nos lábios, o olhar estreito. O robô obedeceu, embora seu visor tremesse ligeiramente, como se quisesse sair rolando dali.

Ela não estava armada. Seu sabre de luz repousava na estante dentro do quarto na torre de comando, longe demais para ser convocada. Cautelosamente, a garota se moveu pela Millennium, lamentando não ter uma blaster à mão. Embora estivessem, tecnicamente, em meio a aliados, a vitória sobre a Primeira Ordem ainda era muito recente, e havia a possibilidade de que resistentes ou simpatizantes remanescentes estivessem escondidos ou disfarçados entre eles. Certamente ter alguém àquela hora no hangar não era bom sinal.

Sair pela escotilha não era uma opção. Teria de acionar a energia da nave para ativá-la, e isso denunciaria sua presença. Ao invés disso, noveu-se silenciosamente pelos corredores da Millennium Falcon, seus passos quase inaudíveis no metal frio. Ao chegar ao compartimento de carga, parou por um momento, seu olhar varrendo a escuridão. Mesmo na penumbra, Rey conhecia cada centímetro daquele espaço. Ela se aproximou da parede lateral, onde caixas e equipamentos estavam empilhados em uma ordem cuidadosamente caótica. Com mãos firmes, ela removeu um painel disfarçado, revelando uma alavanca robusta — a liberação manual da escotilha de emergência.

A escotilha abriu-se com um movimento suave e controlado, revelando um hangar repleto de naves da Resistência. Rey espiou cautelosamente para fora antes pedir á BB-8 que esperasse lá dentro enquanto ela checava o ambiente. O pequeno droid pareceu querer resistir à ideia, mas a expressão determinada de Rey foi suficiente para assegurar sua obediência. Embora ele fosse eficiente em muitas tarefas, a discrição não era exatamente um de seus pontos fortes.

Pressionando-se contra a lateral fria da nave, espiou discretamente ao longe. Tinha o coração pulsante nos ouvidos, a mente pronta para usar a Força caso necessário. Não levou muito tempo para identificar a origem do barulho. Uma figura se destacava ao longe, reconhecível pelos cabelos loiros que brilhavam mesmo na penumbra. Era Fenrir, agachado ao lado de um cargueiro YT-1300F. Com movimentos ágeis, ele retirava a tampa do painel traseiro, revelando um labirinto de fios e circuitos. Estava claro que ele buscava ativar o Corellian Freighter de maneira furtiva.

Soltou o ar preso nos pulmões em alívio. Aproximou-se a passos leves, aproveitando a escuridão como camuflagem. Parou a uma distância confortável, observando-o por um momento antes de cruzar os braços. Com uma pitada de desafio em sua voz, ela provocou:

— Assaltante de aeronaves agora? Sério, esperava mais de você.

O homem reagiu no mesmo instante, saltando para trás em alarme. Arrancou a blaster do coldre e a apontou para a Jedi, preparado para disparar. Rey, por sua vez, ergueu as mãos em um sinal de rendição, mantendo uma calma imperturbável. Os dois permaneceram assim, encarando-se em um silêncio carregado – Fenrir com uma tensão carregada de desconfiança, Rey com uma expressão de cansaço suavizada por uma leve curiosidade.

— Vai tentar me impedir? – ele perguntou novamente, olhos frios como gelo em desafio.

— A menos que você me dê um motivo para isso.

Uma ruga de perplexidade surgiu em sua testa.

— Achei que roubar uma nave e escapar fosse razão suficiente.

— Eu discordo. Já estive nessa situação antes – ela respondeu com um encolher casual de ombros, relaxando as mãos ao lado do corpo. – Tentar atirar em mim, isso sim seria um problema. Ou aliar-se aos simpatizantes da Primeira Ordem, definitivamente. Mas não cabe a mim impedir que fuja com um cargueiro.

Ele a estudou por um momento, um lampejo de algo indefinido em seu olhar, antes de baixar a blaster e acomodá-la de volta no coldre. Trocou o peso do corpo para a outra perna e retomou a postura presunçosa de sempre, afastando um dos cachos louros da testa úmida.

— Você pode se juntar a mim, se quiser. Conheço lugares com sol eterno, praias de areias brancas e água cristalina. Bastante agradável, pra dizer o mínimo.

— Sabe que eu não farei isso.

— Mesmo se eu disser que sou ótimo com massagens?

— Nem pensar.

— Não custa tentar. — deu de ombros. — O que está fazendo aqui, afinal?

— Consertando algumas coisas.

BB-8 surgiu rolando entre eles, os bipes ecoando pelo hangar. Fenrir cumprimentou-o com um aceno breve e virou-se para Rey novamente, um sorriso sarcástico nos lábios.

— Ah sim, dedicação admirável a sua.

— Estou falando a verdade. A Millenial precisa de reparos.

— Essa lata velha sempre precisa de reparos.

— Por isso estou aqui.

— Pode falar a verdade pra mim, Rey. Não precisamos mais guardar segredos.

A garota suspirou, massageando as têmporas doloridas, e finalmente admitiu a derrota em voz alta.

— Não consigo dormir. Isso me acalma.

Ele a observou por um instante, avaliando-a com um olhar atento e expressivo. Fenrir possuía uma presença marcante, e em seus olhos, havia uma certa empatia. Não era a pena comum que muitos mostravam ao lidar com ela, principalmente nos dias recentes. Rey sentiu-se grata por isso.

— Já foi dada a sentença?

— Em dois dias.



— Vocês deveriam escapar também. – ele disse,de repente muito sério. – Eu não ficar aqui esperando até a hora em que descobrirem minha real identidade como Cavaleiro de Ren. Kylo deveria fazer o mesmo.

— Temos provas que podem ajudar. Talvez até o inocentar.

Fenrir deixou escapar um sopro cético, mas rapidamente se recompôs ao encontrar o olhar severo da Jedi.

— Desculpe. Eu quero acreditar que será o suficiente, Rey. Talvez seja. Mas não deveriam brincar com a sorte. A segurança daquelas celas é precária agora, fácil de invadir. Mas vão levá-lo para um lugar bem mais seguro depois da audiência e será quase impossível tirá-lo de lá. Vocês tem o poder pra isso agora.

— Você não entende. Eles nunca vão parar de nos perseguir. – ela rebateu, a voz carregada de angústia. – Seremos fugitivos pelo resto da vida.

— Nós somos Cavaleiros de Ren, lembra? A gente se vira – afirmou ele, tentando injetar um pouco de ânimo na situação. Ele então apontou para ela, abrindo as mãos em um gesto enfático. – E você.. Se há alguém nessa galáxia capaz de sobreviver e se adaptar, essa pessoa é você.

Rey cruzou os braços e encarou a ponta dos coturnos, a tentativa do sorriso limitando-se a um esgar. Pensava naquilo todos os dias, é claro. Seria bastante simples, principalmente para eles. Mas aquela não era a resposta para seus problemas. A galáxia estava assistindo, e a recém paz instaurada era frágil demais para ser provocada dessa forma. Não podia estragar as coisas, especialmente agora que estavam tão perto do julgamento. Decidiu cortar a ligação com Ben justamente para não cair em tentação e tirá-lo da prisão. Precisava confiar que Leia os ajudaria a diminuir a sentença.

Ela levantou novamente os olhos, que brilhavam com as lágrimas contidas. Chacoalhou os ombros e respirou fundo, engolindo o nó que se formava na garganta. Sua voz decidida colocava um ponto final naquela discussão.

— Obrigada por tudo. . – disse ela, fungando levemente e erguendo a mão em um gesto de despedida. Fenrir a apertou com firmeza, seus olhos encontrando os dela.

— Boa sorte, Rey de Jakku.

— Boa sorte, Fenrir. – Virou-se então para BB-8, acenando para a nave. – BB-8, uma ajudinha?

O droid emitiu uma sequência de bipes e deslizou até o painel de controle, hackeando a aeronave em questão de segundos. O ex-cavaleiro de Ren assentiu em agradecimento e sem hesitar, subiu a bordo da nave, partindo em direção ao véu infinito de estrelas.

xXx



O espaço improvisado do julgamento era pequeno. O auditório oficial havia sido uma vítima dos estragos da guerra, forçando-os a adaptar uma sala na torre de comando. A sala abrigava menos de quinze pessoas, e jornalistas tinham sido proibidos de entrar, apesar da desrespeitosa insistência. O interior era compacto, com paredes de metal escuro, móveis simples e holodisplays disponíveis para a apresentação de evidências digitai. Droids de segurança mantinham uma vigilância discreta, posicionados estrategicamente na entrada.

A corte estava impregnada de uma tensão palpável, como uma tempestade prestes a eclodir. Nas fileiras da plateia, Rey sentava-se, rígida e alerta, seus olhos fixos na porta por onde Ben Solo entraria. Seu coração martelava contra as costelas, e as palmas das mãos molhavam o tecido da calça. Ela temeu que pudesse vomitar, mas tentou não demonstrar isso.

Ao seu lado, Leia Organa mantinha uma postura de dignididade inabalável, uma habilidade aprimorada e refinada ao longo de toda sua vida. Apesar da aparência elegante e asseada, seus olhos revelavam uma exaustão profunda, fruto de anos de conflitos e perdas inimagináveis. As nãos repousadas sobre o colo exibiam um discreto tremor, um sinal involuntário dos temores profundos que se aninhavam em seu íntimo. A mais jovem a segurou com cuidado, oferecendo um apoio silencioso que foi acolhido por Leia com um sorriso frágil, mas sincero. Elas não conversavam. Não havia o que ser dito.

Quando ele entrou, as duas seguraram a respiração.

Um silêncio sepulcral recaiu sobre a audiência. Ben Solo avançava com uma dignidade resistente ao peso das correntes que aprisionavam seus pulsos, uma carga que parecia se estender até o mais profundo de sua alma. Apesar do aperto sufocante no peito, exibia uma imagem inquebrável, assim como a mãe. Forte, imponente, talvez até maior que antes. Rey, com um coração palpitante de esperança e ansiedade, buscava desesperadamente por um gesto de reconhecimento durante esses breves segundos. A energia dele a envolveu como um cobertor, mas ela não pôde avançar mais do que isso. O cavaleiro manteve seus olhos baixos, evitando contato visual e qualquer possibilidade de conexão mais profunda.

A Jedi resistiu a tentação de gritar seu nome. Queria dizer-lhe palavras de apoio. Queria explicar o porquê de não tê-lo visitado, pessoalmente ou atraves da ligação que tinham. Ao invés disso, conteve-se em respirar fundo e tomar água da jarra á sua frente. Foi a vez de Leia lhe dar suporte, afagando algumas vezes seu braço. Solo sentou-se em seu devido lugar, de frente para o juíz, e cumprimentou o homem á direita com um aceno rápido da cabeça. Seu advogado o esperava com a pasta aberta para revisar as últimas notas antes do início do julgamento.

"Este tribunal está agora em sessão.” A voz ressoou clara e firme pelo espaço confinado. “Estamos aqui para julgar o caso de Ben Solo, acusado de crimes contra a galáxia.”

Notas finais
Comentem, por favor ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.