Elias acordou com o intuito de impedir a viagem marítima até Dunbroch...Pena que ele não foi mais rápido.

–Gerda...-O mesmo chamou ao descer as escadas.-Onde esta Jenny?

A mulher veio até ele:

–Ela já partiu senhor.

–O que?!!!

O loiro foi até o porto e viu, o que parecia ser, uma vela de barco ao longe desaparecendo no horizonte.

–Hey, irmão.-Andrew, que já estava lá, se aproximou com Krista.

–Eu não acredito que deixou ela ir!-Elias esbravejou ao andar de um lado para o outro sem tirar os olhos do horizonte.

–Mas Elias,você autorizou a viagem.-O outro rebateu.

–Sim, mas eu não ia mesmo deixá-la ir.

–Bom de qualquer forma, nem eu poderia ter impedido, quando chegamos aqui, o navio já estava longe, só consegui acenar em despedida.

Elias bufou com as mãos na cintura.Seu olhar preocupado redirecionado ao mar.

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Alguns dizem que nosso destino está ligado à terra, como se ela fosse uma parte de nós. Outros dizem que o destino é como linhas de um tecido que se entrelaça com muitos outros. Alguns nunca encontrá-lo. Mas há alguns que são guiados.

Pulamos alguns dias a frente, e paremos em Dunbroch.

Rei Fergus era um bom rei, divertido, protetor ,leal, e todos sabem como o homem perdera sua perna para o urso demônio Mor'du ao salvar seu filho e esposa. Oh, sim! Ele se tornou uma espécie de lenda por suas terras. Rainha Elinor era apreciava os gestos do marido, mas procurava mantê-lo na linha. Ela só queria poder fazer o mesmo com seu filho mais velho.

–Abram alas para o príncipe!-Alguém gritou.

Elinor elevou um pouco a cabeça para ver seu filho se aproximar com uma maçã na boca e um espeto de carne nas mãos.

–Ai.-A mulher suspirou assim que o ruivo tomará seu lugar ao lado pai.-Meraud, isso não é hora de comer.

–Ah, deixa o menino, comer nunca é de mais.-Fergus defendeu, mas assim que viu o olhar fulminante de sua esposa, ele se virou para Meraud e lhe tomou o espeto de carne.-Meraud,já lhe disse que não é hora de comer. Maudie!-Seu grito fez a serva vir correndo.-Aqui,leve isso sim?Obrigado.

Hoje,era um típico dia do povo. Quem tinha algum pedido, queixa, reclamação, e assim por diante, poderia vir e falar diretamente com seus soberanos. Para Meraud, era chato ouvir os problemas dos os outros.

Mas verdade seja dita, ele nunca conseguia se interessar por nada relacionado ao reino. Seu único amor era praticar com seu arco e flecha se aventurando pela floresta.

Não importa o quanto sua mãe se esforçasse:

–Meraud!Preste atenção na aula, futuros reis não ficam desenhando!

Ou:

–Meraud,por favor,você deve levantar a sua voz, como quer que te ouçam se você não faz esforço?

Ou até mesmo quando você está treinando um falcão:

–Filho,ja disse que não deve segurar o animal tão apertado,quer que ele morra?!

Era tudo o que ele conseguia ouvir em sua cabeça:

``Meraud!Meraud!Meraud!´´

O ruivo deixou-se cair na sua cama.

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No navio,Jenny estava olhando o sol nascer mais uma vez.

–Estamos chegando.-Kai falou.

Sim,de fato,ele decidiu acompanhá-la nesta viagem.

–Obrigada tio.-A morena sorriu.-Finalmente, Dunbroch.-Ela olhou para o horizonte, os primeiros sinais de terra a frente.-O que será que me intriga tanto nesta terra?

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Meraud voltou de sua jornada pela floresta, seus pais e seus irmãos estavam mesa tomando café. O jovem já podia ouvir Fergus se gabando:

–Do nada, o maior urso que você já viu! Cicatrizes feitas com as armas de guerreiros caídos, cego de um olho! Eu tirei a minha espada, e…

Meraud saltou assustando seus irmãos:

–Whooosh! Com um golpe a lâmina se quebrou e com uma mordida,a perna do papai foi arrancada fora.

– Aww, essa é a minha parte favorita!-Seu pai reclamou.

–Mor'du nunca foi visto desde então. E ele está vagando pela selva, aguardando sua chance de vingança.

–Deixá-lo voltar. Vou terminar o que eu comecei.

Revirando os olhos, o príncipe foi senta-se. Ele deixou o arco na mesa e puxou a cadeira.

–Meraud,nada de armas na mesa.-Elinor se adiantou.

–Mas mãe,é só o meu arco.

–Não.

Bufando,ele pendurou o equipamento na cadeira:

–Mãe, você nunca vai adivinhar o que eu fiz, hoje!

–Hmm?-Não que ela estive prestando muita atenção.

–Eu escalei o Dente de Crone e bebi da Cascata de Fogo.

Os trigêmeos ficaram boquiaberto.

Fergus se adiantou:

–Cascata de Fogo é? Dizem que só os reis antigos tiveram a coragem de beber.-Ele dá uma piscadela.

–O que você fez, querido?-A rainha questionou sem ouvir uma palavra.

–Nada, mãe.-Meraud bufou;

–Mas que fome,hein?-A mais velha comenta ao ver o prato do filho.

–Mãe!

–Mas assim vai ficar com dor de barriga, fora engordar uns dez quilos.Oh, Fergus! Você vai olhar para o prato do seu filho?

Fergus está prestes a tomar uma coxinha de sua prorpia grande pilha de comida,mas para:

–Hum? E dai?-Foi ai que os cachorros vieram avançando nele animadamente.

–Ah por favor não deixem lamberem...-Elinor suspirou e olhou para seus pequenos diabinhos.-Meninos, parem de brincar com a comida, como sabem que não gostam se nunca provaram?É só o estômago de uma ovelhinha.

Maudie adentra sala com três envelopes e os entrega para sua senhora.

–Obrigada.-Elinor começa a abri as cartas.

Aproveitando a distração de sua mãe,Meraud chama a atenção de Hamish,Harris e Humbert. Sorrateiramente, o mais velho deixa o prato de guloseimas escorregar para de baixo da mesa e o trio escorrega também.

–Fergus...-A rainha chamou a atenção de todos-Eles aceitaram.

Fergus olhos para Meraud e depois pra esposa.

–Quem aceitou o que mãe?-O rapaz queria saber.

–Meninos...-Elinor chamou os trigêmeos.-Podem se retirar.

Vendo que só sobrou ele, o príncipe questionou:

–O que foi que eu fiz agora?

–O seu pai tem algo para discutir com você.

Surpreso com isso, Fergus cospe para fora o que ele estava bebendo:

–Elinor?

–Fergus.-Ela devolve.

Fergus limpa nervosamente a garganta:

–Meraud...- E hesita, não sabendo o que dizer.

Sua esposa decide falar:

–Os lordes vão apresentar suas filhas como pretendentes para o seu noivado.

–O que?Pai!-O ruivo protestou.

–O quê?-Seu pai olhou-Eu … você … ela… Elinor!

–Fracamente Meraud,eu não sei porque você está agindo assim, este ano, cada clã vai apresentar uma pretendente para competir nos jogos pela sua mão.-Diz Elinor

–Eu não vou passar por isso! Você não pode me forçar!-Seu filho se levanta e vai na direção do seu quarto.

Assim como uma mãe deve fazer, a Rainha de Dunbroch levantou-se e foi atrás de seu filho.Ao abrir a porta do quarto,se deparou com Meraud esfaqueando a madeira da cama:

–Mãe! Pretendentes! Casamento!

Suspirando, a mulher começou:

–Havia um antigo reino…Seu nome foi há muito esquecido, governado por um rei sábio e justo, que era muito amado. E quando ele ficou velho, ele dividiu o reino entre seus quatro filhos. Mas o príncipe mais velho queria governar a terra por si mesmo, ele seguiu seu próprio caminho e o reino caiu, de guerra e de caos restou apenas ruína.

– Isso é uma bela história.-Meraud usou sarcasmo.

–Não é apenas uma história, são lições, e elas nos tocam com verdades!

–Ach, mãe!

–Eu o aconselharia a aceitar isso. Os clãs estão vindo para apresentar as suas pretendentes.

–Não é justo!Eu não quero casar com nenhuma princesa fresca.

– Oh, cuidado, eu também já fui uma princesa mocinho!Casamento não é o fim do mundo.-Elinor sai do quarto.

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Hoje é o dia...O dia que Meraud queria a todo custo evitar, mas para garantir que o príncipe não escapasse,Elinor chamou seus melhores guardas. Eles conduziram o ruivo até a sala do trono.

–Lembre-se de sorrir,Meraud.-A rainha sussurrou para o filho e ele revirou os olhos.

Os portões se abriram e uma multidão adentrou o local, os clãs estavam reunidos.

–Então, aqui estamos nós! Os quatro clãs!-Fergus começou mas se perdeu no meio do caminho- Uh ... reunidos ... uh ... para ...

Elinor, exasperada com a lentidão do seu marido,levanta-se e termina sua frase:

–A apresentação dos pretendentes!

–Clan Macintosh!-O Rei Fergus pediu.

Lord Macintosh tomou a frente puxando uma garota alta e magra,cabelos escuros cacheados,na verdade,um nariz triangular,grande e fino. Usava um vestido vermelho,a maquiagem estava deveras exagerada e ela se abanava com um leque.

–Sua Majestade...-Macintosh começa- Apresento a minha herdeira,jamais encontrará moça mais bela e sofisticada do que minha querida Maria.

Maria deu uma piscadela atrevida para o príncipe. Meraud afundou o rosto na mão esquerda.

Obviamente,a filha de Macintosh era vaidosa e mimada

O próximo foi Lord MacGuffin:

–Sua majestade, eu apresento a minha filha mais velha,tem mãos habilidosas para a cozinha e com certeza pode agradar qualquer estomago. Afinal,dizem que se conquistam um homem pela barriga,não é mesmo Maggie.-Ele olhou para menina gordinha, de tranças loiras, olhos azuis e obviamente, tímida.

Meraud já percebeu que ele não era o único a querer fugir dali.

Por fim,Dingwall toma a frente:

–Apresento minha única filha...-O homem aponta para o lado, mas não há ninguém ali.-Uai!-Ele olha para trás e começa a puxar a menina, obviamente, ela esta tentando fugir.-Que isso, comporte-se,Gerlane...-Finalmente, ele consegue fazê-la ficar quieta.-Como podem ver, ela é muito tímida,mas tem beleza por toda família....-Gerlane era baixinha,dentuça,cabelos loiros que pareciam ter levado um choque,olhos fundos e pele pálida.- E canta muito bem também. Mostra pra eles filha.

A menina tremeu um pouco, começou baixinho, tão baixo que era difícil ouvir, mas, de repente, deu um grito que quebrou todas as vidraças.

–Uma graça,não?-Lord Dingwall parecia satisfeito.

–Bem adorável.-Elinor sorriu disfarçadamente.-Agora então, onde estávamos? Ah sim. De acordo com as nossas leis, pelos direitos do nosso patrimônio, apenas o primogênito de cada um dos grandes líderes podem ser apresentar para ganhar a mão do príncipe…-Ela foi interrompida por Maudie.-Sim?

–Desculpe,é que os aliados de Arendell chegaram.

–Oh,sim!Como pude esquecer?Obrigada Maudie,os mande entrar sim.-Elinor voltou-se para a multidão confusa.-Desculpem, mas parece que nossas visitas comerciais chegaram.

–Quem?-Fergus olhou para a esposa.

–A Guarda Real de Arendell!-Anunciaram.

Os portões se abriram para revelar a Capitã da Guarda Real, junto com Kai e seus homens.Vieram andando em linha reta, com Jenny na frente recebendo olhares surpresos. Uma vez que estava de frente aos governantes, a mesma se curvou:

–Majestades,sou a Jenny de Arendell,Capitã da Guarda Real.

–Uma mulher...-Fergus sorriu- Agora sim isto esta interessante, ai.-Ele levou um tabefe no ombro.

–Fergus,não seja grosseiro.-Elinor o repreendeu.

Meraud olhou para Jenny dos pés a cabeça, agora sim ele estava interessado no ambiente.

–Peço que desculpe a minha demora, os ventos não foram totalmente favoráveis.-Jenny se levantou e cruzou os braços.-Espero não interromper nada importante.

–Não se preocupe, na verdade, como prova de nossa hospitalidade, deixe-nos convidá-los a assistir a disputa matrimonial. Estas belas jovens estão aqui para competir pela mão do meu filho mais velho, Meraud.-A castanha apontou para o ruivo.

Jenny olhou para o príncipe e percebeu que ele não queria estar ali, até soltou uma risadinha:

–Ora, ora, isso vai ser interessante.

Meraud corou e desviou o olhar, podia ficar pior?

Bem…Na verdade, podia sim.

Como os jogos eram brutais de mais para as princesas, concordaram em escolher a categoria mais simples, arco e flecha, em geral, Meraud adorava essa modalidade mas hoje a estava odiando.

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Jenny observava os jogos, eram simples e divertidos ao mesmo tempo. Arremesso de tronco, por exemplo, sua base é a força bruta, mas era engraçado ver os lordes competindo, pareciam crianças e nunca conseguiam lançar o tronco.

E por falar em crianças, a morena viu três meninos ruivos tentando se aproximar da sua bandeja de doces.

–Vejam só.-Ela os surpreendeu. Hamish, Harris e Humbert se encolheram.-Aqui.-Ela entregou a bandeja completa.-Não estou com tanta fome e seria ruim desperdiçar, não acham?

Os ruivos sorriram de orelha a orelha, pegaram os doces e saíram correndo fazendo-a rir.De longe,Meraud,que estava apoiado em seu trono, observava tudo com um sorriso no rosto.

–Esta na hora!-O líder do clã Dunbroch anunciou.

–Arqueiras, para suas marcas!-Elinor concordou.-E que a seta de sorte encontre o seu alvo!

–Oh senhor, que nenhuma encontre.-Meraud sussurrou.

Kai se aproximou de sua sobrinha:

–Jenny, venha comigo, precisamos de sua assinatura para levar o carregamento de especiarias para casa.

A garota concordou.

De volta a competição...

Bom,dizer que alguma daquelas garotas sabia manejar um arco seria mentira.

Maria tentou e errou. Ela jogou a arma no chão e começou a pular em cima dela.

–Sofisticação, uma ova.-Fergus sussurrou para o filho mais velho e ambos riram.

Depois, veio Maggie, sua flecha ficou na beirada do alvo ela suspirou recebendo alguns aplausos de contentamento.

Por fim,veio Gerlane...Mas ela mal conseguia manter apontar. Frustrado como a Dingwall mal consegue segurar o arco, Fergus grita:

–Oh, vamos lá! Atire, menina!

Dingwall se assusta e ela atira acidentalmente no centro do alvo, todo mundo aplaude.O Rei de Dunbroch se recupera do choque e percebe que tanto sua esposa quanto seu filho lhe estão dando um olhar de morte, mas por motivos diferentes.

Notas finais
Até a proxima.