Entretenha-me, Sebastian
9 Neun
Notas iniciais
Ciel encarou aquele comportamento estranho de seu mordomo da janela de seu escritório.
— Mas que diabos… — apertou mais o olho tentando enxergar o vulto do moreno por trás das árvores do jardim ao lado esquerdo.
Sebastian logo apareceu no campo de visão do garoto guiando o mais novo felino que curiosamente achara rondando por aqueles bosques.
O jovem Conde Phantomhive, literalmente, caiu da cadeira.
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Na estufa, uma das mãos estava em cima da mesa, um prato com bolinhos de avelã e uma xícara de chá de menta ao seu lado; ambos intocados ainda.
— Deixei-te que cuidasse de Freya, mas na condição de que não a deixasse aproxima-la de mim. Até neste momento, tens cumprido com essa ordem. — o azul de seu olho expressava toda a sua fúria, mantinha um pano macio no rosto para evitar espirrar — Mas trazer Betty fora além de minhas condições.
Sebastian mantinha a cabeça baixa e ajoelhado na típica posição de quem merecia ser perdoado. Provavelmente nem escutava as palavras duras de Ciel.
— Peço-te perdão, jovem Mestre.
— O que? É a terceira vez que repetes isso, acaso estás escutando-me? — bateu com sua bengala no chão e resmungou — Realmente, tu não tens jeito mesmo para com os gatos.
O mordomo levantou-se e sorrindo mais do que devia foi até a porta de entrada. Ciel encarou-o irritado, mas seguiu-o.
— Vejo que não tens passe livre nesta mansão, querida. — Sebastian agarrou-a, acariciando suas enormes patas. Fazia a cara mais tristonha que pôde no momento — Será realmente uma pena me desfazer de teu carinho.
A tigresa apoiou as patas nos ombros dele e o lambeu como quem entende o sofrimento do Michaelis. Os olhos do mordomo brilharam como nunca.
— Idiotas! — caminhou de volta para a mesa.
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Bard quase teve um enfarto e teve de tomar dois copos de água para recompor-se da notícia; Meirin assustara-se, mas ao ver o quão mansa Betty era fora se acostumando rapidamente. Já Finny… esse quase morreu de alegria, afinal, mais uma amiga para brincar com Pluto e Freya, já que as cobras de Snake já a conhecia.
— Espero que esta seja a última, Sebastian. — resmungou — Minha mansão está cheio de animais, e meu limite também, ou pretendes me matar de alergia ao invés de tomar minha alma? — virou-se; os empregados não haviam lhe escutado — Betty está completamente sob seus cuidados.
— Sim, jovem Mestre. — respondeu todo radiante.
Assim que os empregados voltaram a seus afazeres, o moreno aproximou-se do garoto e inclinou-se.
— Quem sabe serás recompensado pela sua generosidade? — e com o dedo contornou o lábio inferior de Ciel, este se arrepiou.
— Que seja, mas aqueles sonhos estão proibidos.
— Então apenas entreter-te-ei, como tenho feito.
Sem mais palavras, Ciel caminhou até a sala de jantar, estava com fome.
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No dia seguinte, Sebastian passeava pelo jardim com uma enorme cesta de piquenique no braço, procurava um local para que pudesse descansar. Não muito longe dali, Ciel observava suas rosas brancas, percebeu o movimento e logo identificou ser seu mordomo. Este estendia uma toalha no gramado.
Ficou pasmo ao ver a cena seguinte.
Betty deitou-se no colo do mordomo enquanto ronronava com o carinho que recebia em sua cabeça. Se ele fosse humano certamente estivesse estirado por ali e sem seus membros. O único também que mantinha o mesmo nível de proximidade com a tigresa era Finny, lógico, de tanto lidar com Pluto já era de se imaginar. Ele a considerava fofa e sem perigo algum.
Um enorme pedaço de carne fora devorado em questão de segundos por Betty, Sebastian só faltava morrer — impossível, mas somente sinta o peso da palavra — de tão fascinado que estava. Irritado com aquilo, Ciel andou duramente até o moreno, que já havia percebido sua presença. Ao chegar olhou ameaçadoramente para a felina que virara de barriga para cima nas pernas do Michaelis.
— O que se passa aqui? — praticamente gritou.
— Apenas aproveitando meu tempo livre para passear com Betty. — acariciava sua barriga e uma das patas.
— E tens a minha ordem para isso?
— Não é preciso, já que eu estou de horário vago posso fazer o que bem pretender.
— Mas a… — espirro — trate de voltar aos seus deveres de mordomo agora mesmo.
— Devo dizer que acho fofo a sua crise de ciúmes, jovem Mestre? — sorriu.
— Eu não estou com ciúmes. — virou o rosto e cruzou os braços, agora sim a pouca paciência que lhe restava estava para se esgotar, e justamente por algo bobo.
Sebastian sabia disso e tratou de acalmar os ânimos de seu Mestre — após longos minutos de espirros —, não queria correr o risco de discutir e deixar o relacionamento em situação de risco novamente.
— Tudo bem então. — levantou e recolheu a cesta. Betty tinha aproveitado a distração da conversa e comido toda a carne.
Ciel pôs-se a andar a frente, visivelmente irritado e com um lenço sobre o nariz. Óbvio que não admitiria em voz alta, quanto mais para si mesmo, que estava com ciúmes.
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Snake ajudava Sebastian a organizar as flores que ornamentariam a mesa principal da sala de jantar, os castiçais já estavam em seus lugares.
— Torta de frango com batatas e cogumelos, doce de amora com menta e o peru recheado já estão prontos. — arrumou suas luvas — Meirin, Tanaka, tratem de acomodar bem o convidado logo que chegar, eu irei preparar o jovem Mestre.
— Sim. — a ruiva saiu, sendo seguida por Tanaka.
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Rapidamente subiu as escadas. Rumou até o quarto de Ciel, com leves toques na porta anunciou sua chegada. Sentado na cama, esperava o mordomo se aproximar.
— O Visconde Druitt logo chegará, não precisa ficar nervoso.
— Como não, Sebastian? E se aquele homem descobrir que eu estava disfarçado de mulher naquele baile? A reputação de meu nome, assim como todo o meu esforço para enfiar-me no maldito espartilho será jogada pelos ares. — passou as mãos pelo cabelo — Só eu sei o sofrimento que é usar aquele negócio sem ter de quebrar as costelas ou deslocar os órgãos. — arrepiou-se — Espero que ele não demore muito para com os assuntos esta noite. — suspirou e foi até o mordomo, este já segurava a sua roupa — Betty e Freya já estão longe da sala de jantar?
— Sim, — amarrou o laço azul do colarinho — Ambas estão dormindo em meu quarto, está tudo pronto. — colocou-lhe os sapatos.
— Então vamos logo antes que eu bote aquele loiro maldito para fora de minha mansão, ou que eu mande soltar Betty.
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Arrumara os cabelos loiros pela quinta vez, e o garoto já estava bastante incomodado com aquilo, mas o pedido de Sebastian de agir normalmente ainda dominava a sua sanidade. Após muita conversa, a sobremesa fora servida e os negócios resolvidos. Para Ciel, aquele jantar tinha terminado mais rápido do que planejara, mas não reclamava; lógico!
Sebastian abriu a porta para o Visconde e logo saiu, a fim de verificar a carruagem. Aproveitando o momento a sós, o loiro virou-se para o garoto e o pegou pelas mãos.
— Desde o começo do jantar eu senti que és parecido com alguém, mas não me lembro da pessoa.
Um arrepio subiu pela coluna de Ciel, sabia perfeitamente de quem ele falava. Tinha certeza de que aquele ser iria embora sem tocar no assunto, porém, suas expectativas caíram por terra.
— Bom, não importa. — pegou-o pela cintura — Que achas de sair algum dia para almoçar, apenas nós dois.
Tentava se afastar, mas seu esforço era em vão, já que o maldito possuía mais força.
— Larga-me. — afastava-se o quanto podia, mas seus rostos ficavam cada vez mais próximo um do outro.
— Deixe-me prova-lo, Conde.
Seu desespero aumentou e fechou os olhos esperando pelo pior, ou até mesmo que pudesse acordar daquele pesadelo. Seu estômago revirou quando uma leve pressão se fez em seus lábios. Abriu devagar os olhos e tomou um susto. Não eram os lábios de Druitt nos seus, e sim a mão de Sebastian impedindo o ato do Visconde. Não deixou de se sentir aliviado por ele estar ali.
— Mordomo? — espantou-se.
Por uma fração de segundo sentiu um pânico correr por todo seu corpo, arrepiou-se completamente e as pernas queriam falhar. Aqueles olhos… podia jurar que estavam vermelhos. Fora apenas uma impressão? Deu dois passos para trás, sentia o suor frio escorrer pelo rosto.
Quem diabos era aquele mordomo?
— Até a próxima… Conde. — praticamente correu para sua carruagem, mal conseguia respirar após sentir tal pavor.
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A xícara que antes havia leite estava vazia e já no carrinho. Muito bem acomodado em baixo de seus lençóis, Ciel sorriu apenas ao lembrar-se da cena mais cedo.
— Achei que irias se transformar ali em minha frente.
— Não, minha aparência verdadeira só é revelada em casos que julgo ser extremo ou ao limpar definitivamente o lixo.
Sebastian estava sentado acariciando a face macia do garoto, este começava a se acostumar a ficar deitado nas pernas do mordomo. Eram pernas durinhas, mas não deixavam de serem perfeitos para se tirar um cochilo; serem usado como travesseiro.
— E se ele desconfiar de sua real natureza?
— Não tem como, jovem Mestre. Sem provas concretas o Visconde não tem como me acusar de ser demônio.
— Verdade. —levantou-se um pouco e agarrou-o pela cintura, seu rosto repousou ao peito do moreno — Vejamos pelo lado bom, agora podemos ter alguma chance de ele não tocar mais naquele assunto, e muito menos atacar-me novamente.
— Sim, caso ocorra novamente, medidas deverão ser tomadas, não?
— Óbvio!
Aproximou mais seu rosto ao dele e o beijou. As chamas das velas no candelabro crepitaram e apagaram-se.
— É uma ordem!
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