Entrelinhas

1 Capítulo único


Notas iniciais
não ta a melhor das escritas
eu sei que Zara é nome de loja, hahahah
review é mto importante pq sou insegura e quero smp saber o que acharam pra eu melhorar ok

A garota olhou para o número na tela do celular mais uma vez. Parecia querer que ele lhe desse uma resposta para o dilema que enfrentava. Num ápice de coragem apertou o botão verde e esperou, cada chamada parecendo mais longa que a anterior. Borboletas voavam no seu estômago, as palmas das mãos suavam frio.

A voz do outro lado da linha atendeu e transformou as borboletas se tornaram abelhas furiosas.

Diga algo, diga algo, diga algo!!

-- Mari? É você? Alô?

Limpou a garganta e respirou fundo.

-- Oi Zara, sou eu sim.

Um riso ressoou no telefone.

-- Por que demorou tanto para responder?

Mari mordeu os lábios ao perceber que talvez não tivesse sido tão discreta quanto ao seu interesse nas ultimas vezes que se encontraram. Mas como poderia? Zara parecia uma força da natureza com seus cabelos longos e cheios emoldurando um rosto redondo com traços indígenas sutis. Era alta e esguia, o que a tornava graciosa como um pássaro raro.

-- O sinal aqui na faculdade não é dos melhores.

-- Não? Podemos falar por mensagem se quiser... – sua voz parecia meio desapontada.

-- Não! – a resposta veio de forma imediata e meio desesperada. – Quer dizer, dá para falar sim. Foi só aquela hora. -- Mari respirou fundo, precisava tomar coragem ou este telefonema iria para sua longa lista de momentos constrangedores. Fechou os olhos e finalmente perguntou. – Liguei para saber se você gostaria de sair comigo.

Silêncio. Um longo silêncio de torturantes dois segundos. Estava prestes a retirar o convite quando Zara respondeu.

-- Adoraria. Podemos nos encontrar as oito? – sua voz melodiosa soava animada e relaxada enquanto Mari ainda tentava encontrar fôlego para responde-la.

-- Hoje trabalho até as nove. Será que posso passar na sua casa mais ou menos umas dez?

-- Claro...

-- Algum problema?

-- Não! Só estou imaginando onde poderíamos ir. – Mari percebeu que sua voz sempre parecia vir acompanhada de um sorriso, mesmo ali ao telefone podia fechar os olhos e vê-la em sua frente com os pequenos lábios apertados formando uma curva em seu rosto.

-- Que tal ao cinema? O shopping próximo da faculdade fica aberto até bem tarde, assim poderíamos ver algo numa das últimas sessões.

-- Combinado então. Nos vemos mais tarde?

Mari sorriu satisfeita.

-- Nos vemos mais tarde.

E então as abelhas haviam se tornado borboletas novamente.

***

No fim da noite Mari se sentia frustrada. Pensara que ao sugerir o cinema tinha deixado clara sua intenção. No momento possuía duvidas até mesmo se Zara realmente estava interessada em mulheres. Não seria a primeira vez que isso acontecia. Mas havia posto tanta esperança nesse encontro que agora sentia-se como uma completa imbecil por pensar que talvez nada fosse ocorrer de fato.

Elas tinham se divertido, era verdade. A conversa fluía tão facilmente que quase perderam a sessão. Durante o filme toda vez que Zara ria e comentava algo em seu ouvido seu corpo parecia queimar com a proximidade, mas em nenhum momento conseguiu a brecha que precisava para tomar a iniciativa. Ao chegar no final já havia desistido completamente.

Aparentemente sem perceber seu descontentamento, Zara continuava a rir e insistiu que fossem comer num restaurante perto de sua casa. O relógio já marcava meia noite.

Tinham terminado seus lanches quando Zara afirmou ter conhecido uma bruxa que lhe ensinara a ler mãos. Mari riu e disse que não acreditava nessas coisas. Insistindo, Zara puxou-lhe a mão. Seus dedos deixando uma trilha de calor por onde passaram, fazendo com que a pele de Mari formigasse. Seu pulso se elevou de tal forma que ela quase acreditou que pudesse ouvi-lo.

-- Vê? – apontou para uma linha que cortava toda sua palma -- Aqui diz que você terá uma surpresa num futuro próximo.

Mari ainda pensava nas trilhas que os dedos haviam feito na sua pele. Isso só fez com que sua frustração aumentasse.

-- Desculpe... O que? – falou ao perceber que ela ainda esperava uma resposta.

A outra riu e soltou a mão da garota.

-- Você não prestou atenção em nada do que eu disse, não é?

A resposta foi abafada por um barulho de pneus derrapando no asfalto. Um granido de dor ecoou pela rua, logo seguido pelo som de um motor acelerando. Zara correu para ver o que havia acontecido.

Um cachorro preto jazia no meio da rua com uma linha fina de sangue vindo de perto do seu corpo. Quando o viu andou até ele com os olhos já cheios d’agua esperando o pior. Contudo ao chegar perto notou que o animalzinho ainda respirava, tendo apenas escoriado suas patas traseiras. Mari, que vinha logo atrás, tocou-lhe o ombro suavemente.

-- Ele está...?

-- Não, mas se não o tirarmos daqui e limparmos a ferida, morrerá. Você pode olha-lo enquanto pego umas toalhas lá dentro?

-- Claro, com certeza. – respondeu de prontidão.

Levantou-se e foi em direção ao restaurante. Explicou rapidamente o que havia acontecido e pediu ao gerente, que felizmente já a conhecia a um bom tempo, que lhe desse uma toalha. Quando estava voltando viu Mari vir em sua direção com o animal nos braços, o sangue manchando a blusa branca que usava e sua jaqueta preta servindo de embalo para ele. Por um momento prendeu a respiração. Não queria acreditar que havia acontecido o pior.

Mari viu sua expressão e logo explicou o que acontecera.

-- Está tudo bem, pensei que seria melhor tira-lo de lado caso algum carro viesse a passar. E também para as pessoas saírem de cima.

-- Não... Quer dizer, sim. Você está certa. Era melhor tira-lo de lá mesmo. Minha casa é aqui perto, podemos leva-lo e fazer os curativos lá; tenho alguns remédios que eram da minha cachorra.

E então, quarenta minutos depois, Pretinho – como haviam lhe apelidado – estava medicado e limpo dormindo num cobertor quente aos pés da cama.

Mari suspirou e pensou que esse era definitivamente o pior dos encontros. Havia convidado para sair uma garota que aparentemente tinha mais interesse em cachorrinhos do que em mulheres. Além de tudo estava suja de sangue e fedendo a remédio para feridas. Que bela surpresa num futuro próximo era aquela.

Ia se adiantando para sair quando Zara segurou seu braço.

-- Você não vai embora assim. Te empresto uma roupa para você tomar banho.

Ela balançou a cabeça em negativa.

-- Agradeço, mas não quero. Vou embora.

-- Mari, por favor. Fica.

No começou, pensou em negar novamente. Ao pensar novamente acabou desistindo, pois, seu corpo ardia de cansaço por carregar um cachorro adulto por quatro quarteirões e o cheiro do remédio lhe nauseava. Assentiu com a cabeça suspirando.

Zara sorriu vitoriosa e indicou onde ficava banheiro. Entregou-lhe uma toalha, e uma muda de roupas; agradeceu e se direcionou até o outro cômodo rapidamente.

Ao ficar sozinha, Zara respirou fundo. Ouviu o chuveiro ser aberto e sentia uma leve fragrância adocicada passar pela porta entreaberta. Seu corpo formigou de desejo, sua respiração intercortada. Passara a noite toda na esperança de poder beijar e tocar Mari. Quando finalmente havia tomado coragem, a garota parecia ter se entediado dela. Toda a coragem que havia juntado durante as conversas prévias e o filme tinha se esvaído como poeira ao vento. Chama-la ao restaurante que ficava ao lado de sua casa tinha sido sua estratégia final para salvar o encontro, mas que fora frustrada pela chegada de Pretinho.

Agora, contudo, o perfume e o vapor vindos do banheiro pareciam-lhe o combustível que faltava. E por fim, tomou uma decisão.

Mari ouviu a porta do banheiro ranger de leve e se virou para ver o que provocou o barulho. Precisou passar a mão sobre a parede transparente do box para enxergar melhor e o que viu lhe provocou um arrepio na espinha.

Zara estava parada medindo seu corpo com olhos famintos. Rapidamente tirou a blusa e jogou-a para o chão, os seios pequenos desprovidos de sutiã, e com a mesma agilidade se livrou da calça. Era como olhar a mais bela escultura tomar vida. Mari precisou piscar por um segundo para garantir que não sonhava. Prendeu a respiração quando ela se aproximou e abriu a porta do box.

Antes que pudesse perguntar algo, Zara a puxou para si. Seus corpos juntos de tal forma que nem mesmo a agua corrente passava entre elas.

Mari sorriu e pensou que talvez previsões não fossem tanta bobagem assim.

Notas finais
oi só pra lembrar que review keeps author alive ok
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!