Entrelaços do passado

1 O Reencontro das almas


Notas iniciais
Por: Thaís

Inglaterra 1987, Condado de Lancashire.

Alice Chadburn estava contemplando a sua obra de arte que estava acomodada sobre o cavalete de madeira, e este, depositado no piso de linóleo do grande salão de festas do museu central de Lancashire.

Sua obra estava sendo exposta juntamente com outras 77 obras de variados artistas (renomados ou não, a dela, se enquadrava no título de não renomados).

Alice era uma moça que estava na casa dos 30 anos. Seus cabelos eram de um castanho intermediário, de comprimento longo, porém este, estava envolto em um coque com pequenos grampos pretos. Sua pele era ligeiramente pálida, com pequenas sardas sortidas entre as narinas e os olhos. Seus lábios possuiam a grandiosidade de uma montanha e a beleza de uma rosa. Isso, para não falar dos olhos negros, grandes e atentos, com os cílios naturalmente alongados.

Ela se encontrava de fronte a sua obra e de costas para o salão. Seu vestido preto se destacava entre os demais pela sua estrutura e corte detalhados com tamanha minúcia, assim, como suas obras de arte.

Passos suaves se aproximam do corpo estático e lívido de Alice. Ela escutou-os se aproximarem lentamente, quase flutuando, mas com relutância, não olhou para trás. A sombra se projetou na tela e no chão, ficando cada vez maior a medida que se aproximava. Ela percebeu que era silhueta de um homem alto.

Alice sentiu um súbito arrepio, que começava do lado lateral direito de seu pescoço e se estendia por todo o membro superior direito e suas extremidades. Posteriormente, esse arrepio se tornou pequenos pontos insistentes de parestesias (formigamentos) em determinadas regiões de seu antebraço.

—Olá! –disse a voz de um tom que podia ser classificada como barítono ou baixo, pela sua extensão vocal.

—Olá! –disse Alice, se virando para vislumbrar o homem atrás de si.

—Sou Ben. –Disse o homem estendendo a mão para cumprimentá-la.

—Alice. –Disse ela. -Receptiva ao cumprimento.

Ao sentir o toque daquele homem, era como se levasse uma carga energética de imensurável sentido. Um único pensamento veio-lhe a mente, causando-lhe um pouco de perturbação. Era como se ela conhecesse-o de algum lugar. Então pensou: Eu conheço esse toque. Mas isolou esse pensamento, assim como abanamos a mão para tocar uma mosca que nos incomoda.

Ben era alto, com olhos terrivelmente negros e penetrantes. Seus traços e o contorno de seu rosto fino, possuíam tamanha sutileza e delicadeza em sua composição. Eram deliberadamente simétricos, possuíam proporções que provocavam aos olhos do observador, uma onda de harmonia e equilíbrio. Seus cabelos eram de um castanho escuro, de tamanho médio e relativamente ondulados. Sua pele ela clara, deixando ainda mais em evidência a suas proporções exatas.

—Estava admirando a sua obra de longe. Então, resolvi me aproximar para prestigiar melhor. –Disse ele. -Realmente, muito boa! – Qual é seu estilo de pintura¿ Expressionismo¿ Romantismo¿ -indagou Ben.

—Romantismo! –Bom, tenho vários outros estilos, mas, precisamente eu prefiro o romantismo. – Enfatizou Alice — e concluiu. –Fico feliz que tenha apreciado minha obra, senhor Ben. –Disse Alice, com um sorriso no rosto (que elevou ainda mais, a magnitude de sua beleza) ao se virar para olhar a tela.

-Essa obra (cuja mulher, estava andando sobre as águas rasas do mar, debaixo de um céu azul, (quase ultramar) com tonalidades de violeta e com pequenas nuvens ao redor. Seu vestido era vitoriano, de cor clara, quase branco, (como no quadro de Monet: Mulher com sombrinha) e estava deslizando na areia e na água do mar. Ela estava segurando o chapéu com uma das mãos, para não ser levado pelo vento e pela maresia) foi inspirada em Joseph Turner. – disse ela interessada.

–Oh, sim, Joseph Turner, pintor romancista e neoclassicista, considerado um dos precursores da arte moderna. – Disse ele, com visão analítica. –Como não pude perceber em seus traços, que estão tão claros quanto o vestido da mulher pintada. –Disse ele, rindo um pouco com seu comentário descontraído.

Alice ia responder Ben, quando um homem de terno preto passou com uma bandeja que continha algumas taças com um liquido suavemente amarelado dentro. O homem parou diante deles e disse:

—Champanhe¿ — indagou o homem de terno preto.

—Aceito! -disse Ben, pegando uma das taças da bandeja. -Aceita uma Alice¿ -disse ele, fazendo menção de pegar uma taça, e se virou para olhar nos olhos de Alice a procura de aprovação.

—Aceito! -disse ela com uma voz mezzo-soprano. –Obrigada, Ben!

Os dois sorveram um pouco do líquido contido nas taças. Eles se entreolharam, e um leve sorriso surgiu em seus lábios. Alice acabou se esquecendo sobre o que estava dizendo a Ben, antes do homem oferecer-lhes a champanhe.

Ben, prosseguiu a conversa.

—Você vive aqui em Lancashire¿- perguntou ele.

—Sim, concordou ela. –Desde minha tenra infância. -E deu um leve risinho abafado. –E você, aonde vive¿ — Creio que não seja daqui. –Respondeu ela. –Pelo seu sotaque, deduzo que deve ser do norte da Inglaterra.

—Eu vivo no condado de Cheshire, “assim como gato da Alice”. –Perdoe-me o trocadilho, não pude resistir. -Realmente você acertou a parte sobre viver no norte. –ele disse com um sorriso do povo proveniente de Cheshire.

Alice soltou uma leve gargalhada e em seguida completou:

—Você tem um senso de humor incrível, Ben. –O que o trouxe até aqui¿ -Como ficou sabendo da exposição das obras¿

—Bom, eu sou um grande apreciador da arte como pode observar. – Fiquei sabendo da divulgação através dos meus amigos que vivem em Lancaster.

—Entendi. -Disse Alice. –Volte mais vezes Sr Cheshire, cujo sorriso, é igual o do gato da Alice. –Ela disse com um tom de brincadeira na voz.

—Hahaha. -Pelo visto não é apenas meus senso de humor que é forte por aqui.

E os dois gargalharam por segundos, até o som de suas vozes serem dissipados pelo som dos instrumentos musicais emitidos pela banda.

Música barroca começa a tocar no ambiente, seguida de uma dança nativa local do condado.

—Você dança? -Perguntou ele, com grande curiosidade.

—Não se eu puder evitar — e deu outro risinho abafado. -Mas, dependendo da ocasião e de uma boa música, não há como recusar.

—Ele sorriu em resposta. -Então, me conceda a próxima dança?

—Claro! — disse ela suavemente.

E ao som da valsa, Alice e Ben terminaram aquela noite, dançando.

Notas finais
Perdoem-me pelos possíveis erros ortográficos. Não estou muito habituada com a estética textual, bem como os travessões e tudo mais. Deixem seus comentários. Estou aberta a sugestões. Obrigada!