Entre segredos e cadáveres
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu tomava meu café lentamente enquanto apreciava a música baixa ao fundo e observava preguiçosamente a janela ao lado.
Enquanto o som de The Scientist chegava aos meus ouvidos notei que o céu estava em um tom de cinza escuro de modo que o sol se encontrava escondido atrás das nuvens. Um dia perfeito para dormir até tarde: melancólico e frio. Pensei com amargura que em minha situação atual provavelmente não conseguiria sequer pregar os olhos.
As lembranças do dia anterior vieram á tona e inconscientemente coloquei a mão em cima da carta que estava brutalmente amassada no bolso esquerdo do meu casaco. Suspirando, resolvi ler ela apesar de saber seu conteúdo de cor.
“Cara senhorita Hinxstone,
É com pesar que eu, Anísia Davillier, atual Chanceler da Magia, informo o desaparecimento de seu irmão, Tristan Arcturos Hinxstone, nesta quinta-feira por volta dás vintes e uma horas, o laboratório de alquimia da Capital foi o último local em que foi visto.
Buscas estão sendo realizadas tanto pelo mundo mágico quanto pelo o humano, afinal, em ambas as comunidades os desaparecimentos estão se tornando cada vez mais frequentes. Retorne a Sidhé o mais rápido possível afim de mais informações sobre o andamento do caso e para sua segurança.’’
E como todas as outras vezes que li a correspondência, senti como se tivesse um soco no estômago. Perguntei-me quem levaria Arc.
Por mais irritante que meu irmão seja isso não seria motivo para leva-lo, afinal das contas não era nenhum crime, na verdade, seria até um transtorno para o sequestrador, afinal meu irmão é incapaz de calar a boca.
Riu amargamente.
Ele até poderia ser um pé nos saco, mas tenho que encontra-lo e azarar este cretino que o levou, afinal Arc é meu irmão favorito, pensando bem, meu único irmão e um dos raros familiares que ainda falam comigo. Entretanto, o fato dele não ser o único desaparecido me deixava ainda mais preocupada. E ultrajada.
Por mais afastada que eu estivesse da capital não me tornei menos feiticeira, menos mágica, menos importante por isso.
Inconscientemente amassei mais ainda o papel em minhas mão sentindo um mal estar se apossar do meu corpo. A ideia de voltar ao mundo mágico e rever algumas pessoas me parecia horrível mesmo num cenária mais animador. Tento fazê-lo porque Arcturus está desaparecido e pedir ajuda na coleta de informações aqueles que eu esperançosamente queria nunca mais ver parecia uma espécie de castigo por ter virado as costas a todos, mas eu sabia que havia duas pessoas, fora Arc, que nunca me virariam as costas.
Soltei o papel e o alisei na esperança de desamassa-lo antes de terminar meu café e deixar alguns trocados sobre a mesa. Levantei-me, peguei minhas chaves e capacete antes de sair furtivamente do estabelecimento e caminhar em direção à minha moto.
Aquele era o início da minha jornada.
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