Anestesia

Tenho estado sonolento,

Sem sequer ter noção

Do que está acontecendo.

Não sei se o que vivi

Realmente aconteceu,

Ou se estou a fingir.

Minha história é um devaneio

Que nem eu mesmo acredito.

Prefiro ser leigo,

Do que encarar o meu "Eu".

Não quero acordar,

Porém não quero dormir.

Então eu ando sonolento,

Eu ando dopado.

Uma verdadeira anestesia

Que me permite viver no real

E na fantasia.

Quanto mais eu me dopo,

Mais o passado me fere.

Não sinto as facadas

Só que meu sangue sugere

Que minha dor vai chegar.

E ela sempre chega.

Junto do meu grito abafado

E pranto incontrolável,

No meu corpo paralisado.

Acusando o responsável,

Do meu próprio assassinato.

Só imploro mais uma dose.

Uma dose de dissociação.

Me anestesie até eu ter forças

Para poder me enfrentar.

Eu sei que já pedi demais,

Mas eu prometo que na próxima

Eu irei parar.

Será meu último bocejo.

Me adormeça e eu...

Eu...

Promet...o... Que amanhã...

Eu... vou... tentar...

T...entar...

"Isso é só um sonho."

Notas finais
Quando nada parece real, talvez seja porque dói demais aceitar que é real. — Lyra