Entre os mundos

10 Um dia sendo heroína


Notas iniciais
Gente, povo do céu, que comentários maravilhosos, obrigada a cada uma dessas lindas. E meninas novas sejam bem vidas a família dos elfos, minhas irmãs não de sangue! Boa leitura....

O acampamento das flores era a coisa mais linda que eu havia visto, no acampamento elfo nossa casa era na arvore mãe, aqui, era como se fossem trançadas da própria terra com flores e musgos cobrindo todo ele. Havia muitas elfas ali, de todas as idades, eram tão lindas e graciosas, cada uma cuidando de um determinado afazer, havia muitos animais silvestres ali, andavam livremente pelo acampamento como se fossem habitantes de lá como qualquer outro ser. Lá estava claro como se ainda fosse dia e Brisa me contou que ali não havia espaço de tempo.

Uma das elfas adultas de aproximou de nós com um sorriso sincero no rosto, ela tinha longos cabelos de ébano e olhos verdes. Assim que olhei em seus olhos soube que era a líder dali, estava estampado no seu rosto.

– Brisa – ela segurou as mãos dela com delicadeza – como está filha não do meu sangue?

– estou bem mãe – ela sorriu – quero lhe apresentar Mayaan, minha irmã não de sangue, esta é Sunshine.

Ainda ia aprender esse lance de sangue, não de sangue.

Seus olhos verdes perfuraram os meus, como se avaliassem minha alma.

– a humana que veio para cá – ela disse simplesmente.

Mais uma para a coleção de que não gosta de mim, se eu fosse fazer as contas, o número de elfos que não gostavam de mim era realmente extensa.

Ela tirou Brisa de mim rapidamente e foi embora, me deixando sozinha, pra compensar isso fui caminhar pelo acampamento, esperando sinceramente fazer alguma amizade, encontrei algumas elfas trançando cestos e me ofereci para ajudar, eu estava realmente ficando boa naquilo, depois de muitos cortes, sangramentos, calos, dedos inchados, eu havia aprendido a trançar direito. Mas quando perguntei, a jovem demorou tanto para responder que realmente pensei que ela negaria, me pareceu que seu olhar frio foi cedendo lugar a um sorriso depois de alguns minutos constrangedores, ela disse que seu nome era girassol, seus cabelos amarelo ovo fazia jus ao nome.

Passei o dia com girassol, e ela me contou como era sua vida ali, me disse que tinha 134 anos, e que estivera sua vida inteira dentro do acampamento, e ficaria lá até a hora de encontrar um parceiro, ou até ficar prometida, senti o medo em sua voz infantil quando ela falou sobre as prometidas.

– Mayaan – Brisa me chamou – Sunshine vai falar com você agora.

– falar comigo? – franzi a testa – o que?

– ela é a mãe de todos aqui – ela murmurou – ela irá ver se você é digna de se tornar sua filha, isso é um passo importante para qualquer uma elfa.

Concordei de leve.

Ela me levou a toca de Sunshine, que parecia especialmente cheio de animais, Brisa disse que teria de entrar sozinha, me desejou boa sorte e se foi, respirei fundo, uma, duas, três vezes, ela não gostava de mim, tinha que agrada-la.

– sente-se humana – percebi que ela me chamava assim como se fosse uma ofensa.

Ela estava sentada com pernas de índio e havia várias luzes flutuantes em sua volta e giravam levemente.

– sinto sua aura – ela murmurou – no seu mundo, você não é um bom tipo de pessoa, não ajuda o próximo, não se doa, incapaz de se sentir bem com o crescimento alheio, não se sacrifica pelos outros.

Ela abriu os olhos de jade e me encarou incrédula, senti meu rosto ficar vermelho, ela tinha razão.

– mas me parece que você mudou, não completamente e não posso dizer que foi uma mudança perpetua – seus olhos me sondavam – a dúvidas no seu coração jovem humana, e a resposta está clara: sua missão nesse mundo não é procurar um amor, é aprender com nossa raça, se existe alguém que lhe chame a atenção entre os machos, esqueça-o, viva conosco o tempo que lhe foi dado e parta, para que em algumas era sua existência seja esquecida e seu nome apagado da memória.

Senti um calafrio no pescoço que ia até a espinha, eu não sabia o que falar, o que eu diria? Obrigada? Estava me inclinando a xingar ela e sair correndo, bruaca velha, quem ela pensa que é?

– sou a conselheira – ela interrompeu meus pensamentos – e mãe do elfo que você pensa que ama.

Pela segunda vez ela me fez corar, merda a …deixa pra lá, ela não vai gostar de ler o que eu estou pensando.

– parece que você não é exatamente o tipo perfeito de uma elfa, mas mesmo assim eu a aceito como filha – Sunshine fez um gesto e as luzes desapareceram, mergulhando a toca na penumbra – mas já aviso, cuidado, não ache que eu ariscaria tudo por você, não colocaria a mão no fogo por você.

– obrigada – disse por fim me levantando.

– e humana – me virei para ela – não chegue perto do meu filho.

Essa era uma forma bem sutil de me chamar de vagabunda, reprimi minha vontade de mostrar o dedo pra ela, mesmo achando que ela não entenderia o que significava aquele conceito.

Passei duas semanas no acampamento das flores, e foi a pior experiência da minha vida, serio, eu senti pena das meninas que viviam com aquela ditadora com vestido marfim, nada nunca estava perfeito para ela, nada nunca estava do jeito que ela queria, não importava o quão perfeito estava o utensílio, o tecido, o cesto ou o vestido, era irritante ao ponto máximo, não sei como elas conseguiam.

A única que caia nas graças dela era brisa, que com certeza era a elfa abaixo da deusa Cibele, a mãe da floresta, para ela, Brisa era delicada, linda, simples, graciosa e suave, não que não fosse verdade, mas acho que senti certa inveja desses adjetivos não estarem sendo dirigidos a mim.

Pelo menos, nesse tempo que passei aqui, pude treinar meu medo, aprendi a comanda-lo, contorce-lo, molda-lo a minha vontade, bem, pelo menos eu tentei, longas horas de meditação e concentração deveriam servir de alguma coisa.

Por que seus cabelos são tão vermelhos? – uma menininha de cabelos castanhos se aproximou – parece sangue.

– eu não sei – sorri – que sabe não é um presente dos deuses.

Eu estava zombando, serio, meus pais me ensinaram a vida inteira que só existe um Deus, e ele com certeza não usa aquele tipo de túnica.

– Mayaan – brisa me chamou.

Eu amo o jeito que meu nome soa.

– aqui – acenei da pedra.

Ela veio correndo na minha direção numa velocidade sobre humana e saltou na pedra.

– vamos dar um novo passo hoje.

– o que?

– vamos sair para caçar.

Caçar? Do tipo matar animais?

– não sei se eu...

– todos os elfos caçam – ela me interrompeu – se quer ser um de nós, tem que caçar.

Concordei com a cabeça.

Elas me deram calças de couro junto com a jaqueta, igualmente de couro marrom, eles tinham várias tiras, onde eu conseguia colocar vários acessórios, como minha adaga longa, uma curta e uns dardos, coloquei minha aljava nas costas junto com o arco, coloquei minhas botas longas, que por sinal, eram lindas e sai.

As caçadoras já estavam à minha espera, algumas com arcos, outras com lanças e zarabatanas, com seus dardos envenenados, éramos um grupo de 7 mais ou menos, estávamos preparadas para buscar a comida, já que os machos estavam ocupados, nós tínhamos que tomar o controle.

Saímos pela cerejeira em direção a floresta, elas começaram a escalar as arvores e saltar por entre os galhos, meu queixo caiu, ninguém me contou essa parte da história, Brisa me chamou novamente, seu olhar estava urgente, tá legal, olhei para arvore a minha frente, agarrei a uma das protuberâncias e dei um impulso, na horas meus olhos começaram a trabalhar, mostrando nitidamente o caminho a seguir para conseguir subir, meu corpo foi se impulsionando para cima e quando dei por mim já estava na altura das outras caçadoras, elas começaram a pular e eu medi a distância entre os galhos, minhas pernas estavam tremendo quando me lancei atrás delas, era incrível a sensação, parecei que meu corpo fazia o trabalho por mim, não vou mentir, escorreguei algumas vezes mas foi uma sensação única.

Não sei quanto tempo voamos entre as arvores até encontrar um grupo de aves exóticas que não soube dizer o que era, Brisa estava no comando, então deu um alerta.

– peguem somente o necessário e não toquem nos filhotes.

Peguei minha flecha e mirei numa das aves que estava mais afastada, mas infelizmente elas atiraram primeiro do que eu, e o grupo se dissipou, desci para o chão e corri atrás dela silenciosamente, um outra elfa veio junto comigo, perseguindo outro alvo.

E então ouvi um barulho singular vindo de dentro da floresta de forma agoureira e amedrontadora.

A elfa me encarou e fez sinal de silencio, me mandando subir na arvore, mas antes dela mesma alcançar sua arvore um gorngan apareceu rugindo e a pegou pela cintura agitando-a como uma boneca de pano, ela poderia ter se defendido, mas ele não ofereceu essa chance, aquela sensação se apoderou de mim novamente, me fazendo ficar paralisada, senti o grito da minha garganta se soltar quando ele a colocou na bolça a frente da sua barriga, e eu senti meu medo se transformar em algo mas, em raiva, ódio, senti meu corpo se soltar do local a onde eu estava, senti meu corpo subir a arvore como um macaco, pegando duas flechas na aljava, coloquei uma entre os dentes e a outra no arco, ele se virou, parecia estar procurando por mim, sentindo meu cheiro, atirei em sua cabeça, e a flecha atravessou sua têmpora, fazendo-o cambalear, mas ele não caiu, assim que começou a sentir a dor ele emitiu um rugido, peguei a segunda flecha e ela entrou por sua nuca, saindo na sua boca, com o sangue jorrando pela boca e pelo nariz de fendas.

Ele caiu de frente e eu desci correndo, chamando-a, as outras caçadoras chagaram e eu tive vontade de xinga-las por demorar tanto.

– me ajudem a vira-lo – gritei – tem uma elfa aqui dentro.

Elas me ajudaram a vira-lo e cortei a bolça dele com cuidado, encontrando-a coberta por um liquido pegajoso e transparente, coloquei a mão em seu peito e senti sua respiração, dando graças a deus por ela estar viva.

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Nós a levamos de volta ao acampamento e Brisa foi tratar dela, todas que estavam lá me parabenizarão pela coragem.

– você salvou a vida da minha querida marfim – uma elfa que parecia ser a mãe da vítima me abraçou – obrigada.

– eu apenas fiz minha obrigação –sorri.

Agora que o sangue havia esfriado não acreditava que eu havia feito aquilo.

– vamos fazer uma festa – Brisa anunciou –temos que comemorar.

As mulheres começaram a arrumar as coisas, as comidas, os instrumentos, a noite já estava caindo quando tudo ficou pronto, a música começou a tocar e todas começaram a dançar.

Eu estava arrumada de forma graciosa, segundo brisa, meu vestido era de uma ceda vermelha que parecia sangue e ele era quase todo transparente, mas não de forma vulgar, meu cabelo estava solto e ia descendo como uma cascata vermelha até minha cintura.

Quando sai da toca ouvi todos gritando de onde era a festa, quando me aproximei, percebi que eles haviam voltado, depois de mais de uma semana se dar notícias eles voltaram.

A música começou a tocar de forma alegre e de longe, vi folha sorrir para mim, acenei e ele começou a se aproximar, sabia que ele ia me chamar para dançar.

– vem dançar comigo? – aquela voz, com certeza não era folha.

Me virei para encarar um Aaron totalmente lindo, seu cabelo estava solto como eu amava, ele me encarava sério, como sempre, o que não combinava muito com o convite.

– acho melhor não Aaron.

– não é educado por aqui rejeitar um convite – sua voz rouca me deixava arrepiada.

– então se eu não tenho escolha – fingi que não estava querendo pegar a mão dele.

Começamos a dançar e agradeci a deus pela música não ser lenta, não digo isso por mim, adoraria ficar com a cabeça deitada em seu peito com nossos corpos colados, mas como eu ia manter distância dele, então só estávamos dançando.

– você salvou a vida de marfim – Aaron me girou – isso é impressionante.

– não fiz para receber nada disso – falei me referindo a festa -fiz porque tinha que ser feito.

A música parou e ficamos nos encarando.

– quero te mostrar uma coisa – ele me puxou, mas me soltei.

– por que? – questionei – Aaron você não gosta de mim lembra?

– só venha – ele deu o menor dos sorrisos – ainda não gosto de você.

Aaron me levou através do acampamento, em direção a floresta que tinha no fundo, paramos em frente a uma rocha enorme que escorria água de leve.

Ele colocou a mão no centro e girou levemente, fazendo a rocha se mover, revelando uma passagem secreta.

Sabe aquela vozinha, aquela que fica dentro da sua consciência que diz pra você não fazer uma coisa? Então, a minha estava berrando em plenos pulmões dizendo pra eu não entrar naquela rocha, implorando pra voltar a festa, mas é claro que eu entrei.

E perdi o folego, era tão lindo, milhões e milhões de flores fluorescentes estavam acertas para a lua, eram num tom entre o azul e violeta, e seu miolo era como se tivesse um pedaço de estrela dentro de cada uma.

– lindo – murmurei.

– e o jardim da minha mãe – senti que ele estava me olhando – e estamos numa época perfeita.

– por que? – olhei para ele, tão lindo.

– observe.

Aaron pegou minha mãe e levou em direção ao centro da flor, agitando seu miolo, o pequeno pedaço de estrela se desfez em milhões de pequenas pepitas e foram subindo como se fosse uma constelação particular, ele apanhou uma no ar e colocou na minha mão.

– posso ficar com ele?

– é uma semente mikaella sulivan – ainda segurava minha mão – fique com ela.

– por que está fazendo isso? – eu realmente queria saber – você não gosta de mim.

Ele me olhou de forma singular.

– talvez eu goste de você mikaella sulivan.

– o que? – meu queixo caiu.

– eu disse talvez

Pela primeira vez Aaron pareceu notar algo em mim, então colocou a mão em meu rosto e tirou minha tiara, olhando-a de perto.

– folha te deu isso?

– sim – sorri – é uma gracinha.

– parece que sim.

Não estava interessada nisso agora.

– então você não me odeia?

Ele suspirou pesadamente.

– mikaella eu...

– Quero saber o que estão fazendo aqui – a voz de Sunshine me assustou – Aaron me prometeu que nunca traria alguém aqui.

– achei que ela merecia – ele deu de ombros – não seja tão implicante hoje mãe.

Tipo, mãe? Mãe? Quando Sunshine me disse para ficar longe do filho dela achei que estava se referindo a folha, não sabia que ela era mãe de Aaron.

– E você – ela pareceu me notar – sua humanazinha, eu disse para ficar longe do meu filho, medíocre, esse seu rostinho nunca me enganou, desde o....

– chega – o tom de Aaron era sombrio – não admito que você fale com ela assim.

Não sei quem ficou mais atônica.

– como é? – perguntamos juntas.

– esse seu preconceito com toda elfa que não é Brisa chega a ser irritante – ele me ignorou – ela faz parte de quem somos mãe, aceite isso.

Aaron me pegou pelo pulso, deixando uma mãe completamente perplexa para traz.

– por que fez isso? – eu tinha que perguntar.

– eu não sei – ele me soltou – realmente não sei.

De alguma forma eu sabia que as coisas entre nós poderiam mudar, só não descobrira ainda se isso era uma coisa boa ou não.

Notas finais
E ai? acham que esse capitulo merece um favoritar?? * le olhinhos do gato de botas! kkkkkk até a aproxima! Coloquei um capitulo beem grande, sejam boazinhas