Entre o céu e o inferno

4 Capítulo 3 - Mistério


Notas iniciais
♥ Olá meus leitores lindos ♥ Desculpem-me pela demora, tive uns problemas pessoais aqui e não tive muito tempo para escrever D: Mas agora está tudo resolvido! Ebaaa ~ ♥ Obrigada a todos os comentários do capítulo anterior! Sério, vocês me incentivam MUITO a continuar escrevendo rápido ♥ ♥ Boa leitura, espero que gostem ♥

Lucy Heartphilia – Colégio Fairy Tail, New York – 10:32

Eu tenho que fazer dupla com o garoto mais misterioso, irritante e com tendências de ser um psicopata de todo o colégio. Acho que a única vantagem desse trabalho é que eu descobriria como Natsu conseguia falar em meus pensamentos. Será que eu estava imaginando coisas? Por mais que tivesse declinada a falar que sim, algo me dizia que eu estava errada, mesmo assim eu tentava acreditar que aquilo acontecia por alguma explicação lógica e real.

Dizem que usamos somente uma pequena parte de nosso cérebro. Pessoas que conseguem utilizar mais que o normal são chamadas de médiuns e às vezes um mágico consegue dobrar coisas somente com o poder da mente. Talvez o Dragneel também fosse uma exceção à norma e, graças a isso, consiga fazer telepatia. Provavelmente ele praticou com sua suposta coleção de ursos de pelúcia cor de rosa. Cada vez que eu firmava isso em minha cabeça, com mais clareza eu podia vê-lo sentado na frente de um animal fofo de pelos sintéticos com as pernas cruzadas, o cenho franzido, os olhos fechados e com suor descendo por sua testa devido ao intenso esforço.

– Vocês se sentarão ao lado de suas duplas durante todas as aulas de biologia e aproveitem que hoje terei dois horários para se conhecerem melhor. – falou Cana tirando-me de meus devaneios.

Olhei para Levy com pesar. Eu não queria de jeito algum ter que trocar de dupla, porém a necessidade de pontos mostrou-se ser mais importante naquela aula.

– Boa sorte para nós – desejou a baixinha – Iremos precisar – completou com um baixo volume de voz.

Com o canto do olho percebi o garoto de cabelo preto se levantar e caminhar a passos lentos e um sorriso amedrontador nos lábios em minha direção. Ele parou do meu lado direito segurando despreocupadamente uma mochila nas costas.

– Ei garota, caia fora. Este é o meu lugar agora – ordenou Gajeel com uma voz ameaçadora.

– Mas é um poço de delicadeza mesmo. Que belo brutamonte fui arrumar como dupla – resmungou Levy em voz alta repleta de ironia.

– O que disse, tampinha? – questionou parecendo se divertir com a situação.

– Ah, cale a boca e sente-se logo – mandou nervosa.

Levantei-me rapidamente cedendo lugar àquele homem grosso. Olhei para o fundo da sala e vi Natsu com os pés na mesa e os braços atrás de seu pescoço analisando cada movimento meu. Como o moreno, também parecia se divertir com a troca de duplas. Como ele sentava no fundo da sala, procurei rapidamente com o olhar saídas estratégicas para que eu pudesse me afastar dele assim que acabasse a aula ou se ele tentasse me matar, o que viesse primeiro.

Sentei-me na cadeira do seu lado direito sem dizer uma única palavra. Notei que somente uma aluna prestava atenção em nós naquele momento. Lisanna. O ódio e a inveja que ela emanava eram quase palpáveis. Evitei olhá-la novamente e fixei minha atenção no caderno que eu havia aberto e posto sobre a mesa.

– Você está vermelha. Posso supor que meu trabalho será facilitado pelo fato de você já estar caidinha por mim? – questionou.

Virei a cabeça em um rápido movimento e senti o sangue se acumular em minhas bochechas a medida que via a intensidade com que Natsu me encarava. Apesar disso, eu estava com uma expressão indignada e descrente.

– Você realmente pensa que me fitando dessa maneira irá me conquistar como ocorre com as outras? Belo plano, mas há duas grandes e gritantes falhas nele. Primeiro: não sou como essas mulherzinhas vulgares com quem você anda. Segundo: Pare de me olhar assim, ao invés de parecer galanteador, você fica com cara de psicopata. – falei fingindo estar entediada.

Internamente lutava para que o leve tom avermelhado de minhas bochechas sumisse a fim de dar mais credibilidade às minhas palavras. Ao invés de ficar ofendido, ele esboçou um pequeno sorriso.

– Você venceu dessa vez. – disse levantando os braços em sinal de rendição.

– Pelo menos você aceita perder. – comentei anotando isso no caderno.

– Quem disse isso? – questionou levantando a sobrancelha.

– Você! Acabou de admitir sua derrota. – retruquei.

– Não. Eu disse que você ganhou, mas não aceitarei isso. Irei preparar uma ótima forma de me vingar. Comemore enquanto pode, loirinha. – falou.

Por algum motivo, sua ameaça fez com que um frio passasse pela minha barriga e o crescente desconforto aumentou ainda mais quando ele olhou dentro de meus olhos. Com esse ato, parecia que ele estava lendo toda minha alma, descobrindo meus segredos mais profundos e desvendando tudo sobre mim. Abaixei o rosto e o ouvi rir de minha ação intimidada.

– Fascinante. – murmurou.

Preferi fingir que não escutei o que ele disse e arrumei minha postura na cadeira, atenta a qualquer movimento seu. Toda minha preocupação foi em vão, pois ele recolocou os pés na mesa, cruzou os braços atrás do corpo e voltou a ouvir sua música nos fones enquanto batucava os dedos na nuca no ritmo da música mantendo os olhos fechados. Não sei quanto tempo passei observando-o, mas minha irritação foi aumentando drasticamente à medida em que ele ignorava minha presença ao seu lado.

Inspirei e respirei lentamente, contando até dez mentalmente para controlar minha imensa vontade de estrangulá-lo ali mesmo. Fiquei fantasiando diversas formas de matar o Dragneel que iam desde enforca-lo com minha blusa a fincar uma caneta em seu pescoço de modo que perfurasse sua traqueia, fazendo algo parecido com uma traqueostomia, só que mortífera.

– Acabei de ter uma maravilhosa ideia! Além de conquistar sua dupla, vocês têm que conhecer bastante coisa dela. Irei fazer um questionário a cada um de vocês sobre seu parceiro e, para o próprio bem de vocês, terão que acertar mais de sessenta por cento dele, caso contrário estarão comigo o dia inteiro durante o restante de dias letivos. – ameaçou Cana dando um gole em sua bebida suspeita.

Lá se vai meu plano de fingir nutrir algum sentimento por aquele estranho e insuportável garoto de fios róseos. Apesar de querer matar tanto Natsu quanto aquela professora bêbada, refleti que provavelmente aquela era uma ótima oportunidade de descobrir mais sobre ele e, consequentemente, desvendar o segredo que o Dragneel guardava às sete chaves. Puxei os fones de ouvido da orelha do homem para que ele prestasse atenção em mim, o que fez com que ele me encarasse com evidente raiva por eu ter atrapalhado sua música. Que comece o interrogatório!

– Você ouviu o que a professora disse? – perguntei.

– Por acaso acha que eu sou surdo, loirinha? – indagou irônico repetindo a frase que ele havia dito nos minutos iniciais de nossa primeira conversa.

– Ótimo, assim não precisarei repetir. Quantos anos você tem? – questionei.

– Mais do que você pensa. – respondeu sorrindo enigmático.

Bufei de raiva e anotei dezessete, que foi o primeiro número que veio a minha mente.

– De onde você é? – continuei sem me abalar.

– De longe. – retrucou com divertimento evidente na voz.

– Chega! Eu não gosto de você e você não gosta de mim, vamos só acabar com isso para cada um seguir seu caminho e não precisarmos conversar até outubro! – exclamei sem paciência.

Ele me analisou e passou as mãos no cabelo, bagunçando-o ainda. Mesmo que sua expressão pensativa fosse fingida, ele ficava muito atraente daquela maneira, ainda mais com seus fios rebeldes e sua postura relaxada contrastando com o ar pensativo – e falso – que ele exalava.

– Sinto-me tentado a aceitar sua proposta, mas irritá-la é bem mais divertido, loirinha. – falou sorrindo de uma maneira que fez meu coração falhar uma batida.

– Idiota. – murmurei virando o rosto.

Cruzei os braços e bufei de raiva. Quase no mesmo instante que fiz isso, a atenção de Natsu foi desviada. Em seus lábios havia se formado um sorriso malicioso que me fazia tanto querer esmurrá-lo quanto beijá-lo.

– Sugiro que não faça isso loirinha. Seus peitos ficam ainda mais chamativos quando você está nessa pose. – sussurrou roucamente em meu ouvido fazendo todos os pelos de meu corpo se arrepiarem.

– Ora seu ... – fui incapaz de continuar, pois o sinal anunciando o fim daquela aula tocou em um alto e estridente volume.

– Te espero sexta no Dance Hypinotic. – sussurrou Dragneel antes de se levantar e rapidamente sair da sala acompanhado de Gajeel.

Como um imã, Lisanna pregou-se no garoto de fios róseos assim que ele pôs o pé no corredor, como se quisesse mostrar a todos seu envolvimento com ele. Percebi que minhas mãos estavam um pouco trêmulas por algum motivo que eu desconhecia e controlei minha respiração a fim de acalmar meus batimentos cardíacos.

Agora era intervalo e levantei-me pegando meu sanduiche. O que era Dance Hypinotic? Algum tipo de casa de show? Mas se ele quisesse saber mais sobre mim por que não fazer isso na aula? Tinha que me convidar para sair? Arregalei os olhos ao notar que isso seria um encontro. Balancei a cabeça tentando afastar esse pensamento. Não seria um encontro, já que eu não gosto dele. Eu estava tão distraída que não percebi Levy caminhar até onde eu estava e por isso tomei um susto quando ela balançou a mão na frente de meus olhos.

– Foi tão ruim a primeira conversa com ele que você ficou em estado de choque, Lu? – perguntou divertindo-se.

– Mais ou menos isso. E a sua, como foi? – indaguei curiosa.

– Digamos que se o sinal não tivesse tocado, teríamos um aluno a menos na sala. – respondeu sorrindo.

– Parece que não tivemos muita sorte com nossas duplas. – comentei.

– Nem me fale. – resmungou – Vamos logo à secretaria! Provavelmente Makarov deve estar fazendo alguma coisa fora da sala. – pediu.

– Ok! – exclamei animada recolocando meu lanche na mochila.

Fomos à secretaria com passos rápidos e decididos. Como havia muitos alunos nos corredores, mal fomos notadas. Passamos por um cartaz que anunciava que havia vagas para participar do jornal da escola. Aquela era uma ótima justificativa para olharmos o registro dos alunos! Imediatamente parei e Levy me olhou com uma expressão de dúvida.

– O que acha de fazer parte do jornal? – questionei sorrindo de modo travesso.

A pequena visualizou o anuncio e riu balançando a cabeça.

– Lu, você é boa. – comentou divertindo-se.

Voltamos para a sala e pegamos dois bloquinhos de papel e algumas canetas. Caminhamos lentamente até a secretaria tentando segurar o riso que insistia em querer sair de nossos lábios a cada passo.

A secretária era uma mulher nova que possuía cabelo grande lilás preso em um rabo de cavalo com algumas mechas soltas e seus olhos eram castanhos escuros. Ela deveria ter aproximadamente vinte e cinco anos e usava óculos deixando-a com um aspecto de responsável, apesar da estranha coloração de seus fios. A mulher trajava um vestido que ia até seus joelhos de cor azul escura e estilo tomara que caia. Como o decote era um pouco acentuado demais, havia colocado por cima uma capa vermelha.

– Olá! Nós somos do jornal da escola e queríamos fazer uma matéria com a quantidade de meninas e meninos da escola e suas idades. – falou Levy com um tom de voz profissional e sério.

Quando vi o olhar de descrença da mulher, apressei-me em ajudar a baixinha.

–A matéria consistirá em gráficos para sabermos a porcentagem de cada gênero, pois às vezes parece que há muito mais meninas e queríamos ver se é verdade. Para ter mais exatidão de informações precisaremos consultar a ficha dos alunos somente para conferir a idade deles, nada mais. – completei.

– E vocês querem começar a fazer essa pesquisa no intervalo? – questionou.

– Bem... Quanto mais cedo começarmos mais cedo terminaremos, não é? – disse a pequena sorrindo de modo despreocupado.

– Não sei não meninas. – confessou a mulher coçando a cabeça de modo preocupado.

– Qual é seu nome? – questionei interessada.

– Laki – respondeu.

– Por favor, Laki, coopere conosco! Juramos que não vamos stalkear os garotos bonitos do colégio! – pedi juntando as mãos e fazendo um olhar pidão como o do gato do Shrek.

– Tudo bem. – falou dando um suspiro derrotado – Mas se algum garoto vier reclamar que há meninas perseguindo-o irei colocar a culpa em vocês! – exclamou rindo.

– Aceitamos a responsabilidade! – exclamou Levy com os olhos brilhando de emoção.

– Sigam-me. – pediu Laki.

A secretária abriu a bancada para entrarmos na secretaria. Por dentro ela possuía tanto as paredes quanto o piso brancos que contrastavam com a coloração escura das três portas e das mesas acinzentadas. Seguimos a mulher até a porta com o nome de Registros que ficava na frente da sala do diretor.

Ela abriu a porta e nos permitiu entrar, acompanhando-nos para dentro da pequena sala. O cômodo era um pouco escuro e tudo nele era cinza, desde as paredes até os móveis. A iluminação provinha das duas lâmpadas fluorescentes já que a ampla janela estava coberta pela cortina.

– Aqui se encontram todos os registros dos alunos, cada gaveta tem as fichas das pessoas matriculadas no ano que a plaquinha de fora indica. Vocês vão fazer essa sondagem de todas as séries? – perguntou interessada.

– Sim – respondi um pouco alheia a tudo.

Comecei pela gaveta que indicava o segundo ano do ensino médio, mas logo disfarcei, pois Laki não dava indícios que iria nos deixar a sós com os documentos. Olhei para Levy de um jeito significativo e por sorte ela entendeu a mensagem.

– Senhorita Laki, não estou passando muito bem. – falou a baixinha fingindo estar tonta.

– O que você tem? – indagou preocupada.

Antes que a azulada respondesse, seu corpo desfaleceu nos braços da secretária, que olhava para ela com pânico evidente na expressão.

– Já volto, levarei sua amiga à enfermaria. – anunciou nervosa pegando a pequena nos braços.

Assim que a porta se fechou, minha atenção se voltou completamente para a pasta cor creme em que estava escrito o nome Natsu Dragneel em preto. Retirei-a do meio das outras com a mão tremendo de curiosidade e apreensão. Agucei meus ouvidos para ver se alguém estava chegando, mas felizmente não ouvi um só passo. Abri a ficha que continha informações sobre o rosado com um frio na barriga. Meus olhos se arregalaram e por pouco não deixei o documento cair no chão.

A pasta de Natsu estava repleta de folhas em branco.

Notas finais
♥ Cada vez mais mistérios aparecem na fic u-u UASHASUH Vocês tem alguma hipótese para o fato da pasta do Natsu estar sem nenhuma informação sobre ele? ♥ Deixem um comentário, por favor! Mereço recomendações? Deixem uma autora feliz :B