Entre o céu e o inferno

3 Capítulo 2 - Projeto insano


Notas iniciais
♥ Desculpe a demora, minha beta demorou a enviar o cap e, para não deixar vocês esperando, postei ele sem betar. Qualquer erro em avisem, por favor! ♥ Azuma Yuri, sua linda! Fiquei um dia inteirinho com um sorriso idiota na cara por causa da sua recomendação perfeita! Fico imensamente feliz que goste do modo que escrevo ♥ Você lê TPATP também? Dê-me um abraço aqui! Muito obrigada mesmo, do fundo do meu coração ♥ ♥ Obrigada também a todos os comentários, galera! Vocês me incentivam muito a continuar escrevendo ♥.♥ ♥ Boa leitura, espero que gostem ^-^

Lucy Heartphilia – Broad Street, New York – 18:36

Congelei no lugar. Como era possível eu ter ouvido a voz de Natsu dentro da minha cabeça? Ele era algum tipo de médium sinistro que conseguia falar com os pensamentos da pessoa? Aquilo não era normal. Primeiro eu havia sonhado com o rosado invadindo meu apartamento sem nem mesmo conhecê-lo e agora o ouvia em minha mente? Eu definitivamente estava louca. Essa era a única explicação lógica.

Olhei fixamente para dentro dos olhos azuis do estranho em minha frente. Por um breve instante, visualizei os conhecidos orbes ônix em seu lugar. Balancei a cabeça e fechei os olhos, transtornada. Apertei a ponte de meu nariz para conter um pouco a enxaqueca que estava por vir.

– Você está bem, loirinha? Quer que eu te leve a um hospital? – perguntou-me o loiro aproximando-se de mim esboçando preocupação.

Senti um braço musculoso passar por meus ombros e me puxar para trás fazendo-me colidir contra seu forte tórax. Virei a cabeça para trás e vi o sorriso malicioso estampado no rosto do homem de fios róseos.

– Esse otário está te perturbando, loirinha? – questionou Natsu olhando fixamente para o estranho.

O louro sorriu de forma sinistra e levantou os braços em sinal de rendição. Logo depois, afastou-se rindo. Imediatamente desvencilhei do aperto de Natsu, indignada. Esse garoto definitivamente estava me tirando do sério.

– O que pensa que está fazendo, seu doido? – perguntei com o rosto queimando de raiva.

– Nada. – afirmou rindo.

– Você invade meu apartamento, fala em minha cabeça, me abraça sem motivo e ainda ousar dizer que não é nada? – indaguei levantando a voz.

Desta vez, eu havia certeza que ele havia estado em minha moradia e como ele não negou percebi que estava certa. Esperava tudo dele, imaginava ele ficando pálido ou gaguejando, mas nunca pensei que sua atitude seria alargar o sorriso enigmático que estava em seus lábios.

– Touché. – falou simplesmente.

Enquanto eu estava em choque, ele se virou e foi caminhando calmamente pela rua. Ao vê-lo se distanciar, comecei a segui-lo. Entretanto, após o rosado virar a esquina não consegui mais vê-lo. Ele havia simplesmente desaparecido.

Bufei irritada e intrigada. Havia algo de errado com aquele garoto, ele tinha um segredo e, a partir do momento que ele começou a me atormentar, era minha obrigação descobri-lo. Talvez ele seja um colecionador compulsivo de ursinhos de pelúcia e isso me daria o direito de debochar dele eternamente. Vai saber, não é? Aquele cabelo cor de rosa é bem suspeito.

Apesar de essa ser uma ótima suposição, algo me dizia que o que ele escondia era bem mais obscuro. Mortal. Todos meus instintos me diziam que eu não iria querer descobri-lo, mas mesmo assim a curiosidade falava mais alto. Ela sempre vencia minha precaução.

Caminhei rapidamente para meu apartamento. Ansiava refletir sobre tudo que aconteceu hoje. Cheguei a minha moradia e vi Michelle dormindo no sofá em uma posição muito engraçada. Ela estava com uma perna em cima do apoio do móvel, segurando uma almofada nos braços enquanto murmurava coisas inaudíveis. Segurei o riso e fui diretamente para meu quarto. Joguei a mochila em minha cama e retirei rapidamente minhas roupas, deixando-as no chão.

Tomei um banho relaxante sentindo a água morna relaxar e revigorar meus músculos tensos. Saí do banheiro enrolada em minha toalha branca felpuda. Vesti um pijama de calor que consistia em uma regata branca e um shortinho preto.

Graças aos céus não havia dever, pois eu não estava com cabeça para me concentrar em coisa alguma a não ser no segredo que Natsu guardava. Deitei em minha cama fitando o teto como se a resposta fosse aparecer nele a qualquer momento.

A começar do início: como ele conseguiu invadir meu apartamento? A alternativa mais lógica seria que ele passou pelo porteiro e subiu pelo elevador. Por algum descuido eu deveria ter deixado a porta destrancada e ele provavelmente era um ladrão que teve sorte. Logo risquei essa da lista de possíveis explicações. James havia me informado que nenhum estranho havia passado por ele naquela noite. Além disso, eu nunca iria deixar a porta destrancada, ainda mais com Michelle viajando e também eu não tinha dado falta de nenhum objeto.

A segunda hipótese era... Bem, ela não existia. Por enquanto. A menos que supor que ele voou até o quinto andar e entrou por alguma janela aberta fosse aceitável, o que não era de forma alguma. Se bem que... Não, Lucy, isso não aconteceu. Comecei a rir do modo que minha imaginação era fértil por criar algo assim.

Fiquei mais de três horas me revirando na cama sem conseguir dormir. Por fim, quando finalmente consegui amenizar minhas loucas teorias e minha enorme curiosidade, consegui adormecer de modo inquieto.

~♥~

Acordei com uma enorme dor de cabeça. Sentia-me completamente cansada, como se não houvesse dormido um minuto sequer. Por alguma razão meus sonhos giraram em torno de Natsu levantando voo e entrando em meu apartamento pela janela com uma pose de super-homem e perguntando se eu dormia nua. Estranho.

Tomei uma aspirina e ouvi meu estômago roncar. Isso me fez lembrar que eu não comia há doze horas, pois ontem assim que cheguei fui direto pro quarto. Xinguei Natsu em voz baixa. Indiretamente, ele era o culpado por eu estar de estômago vazio.

Fui em direção à cozinha e preparei dois grandes sanduíches – um para lanchar na escola e outro para ser meu café da manhã — com direito a pasta de amendoim, presunto e mussarela. Para refrescar, tomei um delicioso suco de laranja em caixinha que estava na geladeira.

Voltei ao meu quarto e decidi tomar um banho para revigorar as energias e expulsar o sono de meu corpo. Assim que saí vesti uma calça jeans escura, regata azul clara e sapatilha preta. Usei também uma fitinha da mesma cor de minha blusa para amarrar uma pequena parte de meu cabelo do lado direito. Para pôr mais cor em meus lábios, passei um pouco de gloss.

Arrumei meu material escolar do dia em minha mochila e coloquei a vasilha de meu lanche em um compartimento de fora da pasta para não deixar meus cadernos com o cheiro do alimento. Fui em direção ao quarto de Michelle, mas não me despedi dela, pois não queria acordá-la de seu profundo e sereno sono. Saí do apartamento e conferi várias vezes se a porta estava trancada só por precaução.

Cheguei ao colégio Fairy Tail alguns minutos após uma breve caminhada. Sentei-me no mesmo lugar de ontem e olhei a grade de horário, pois ainda não havia a decorado. A primeira aula do dia era Geografia, depois Biologia/reprodução. Olhei espantada para aquela matéria. Até parece que a maioria das pessoas que estão na turma precisam de uma aula sobre sexo.

Virei discretamente para trás, mas não encontrei Natsu sentado em seu lugar. Talvez ele tivesse se cansado com a probabilidade de me ver todos os dias e pediu para mudar de sala ou – por favor! – de colégio. Deixei a mochila em cima da mesa e saí da classe com o intuito de conhecer um pouco mais da escola, já que ainda restavam vinte minutos antes do início da aula.

Mais uma vez fiquei impressionada com o tamanho e a limpeza do colégio. Os largos corredores possuíam piso branco sem nenhuma mancha e as paredes eram pintadas de azul. Dava impressão que estávamos no céu, o que era bastante irônico já que a maioria dos alunos considerava a escola um inferno e uma prisão. Ao passar pelo armário de vassouras, escutei vozes vindo de detrás da porta. Não conseguindo controlar minha crescente curiosidade, aproximei a orelha da madeira para ouvir melhor.

– Pelo que você falou a notícia da chegada dela já está se espalhando e tem muitos atrás do que ela pode conceder. Você acha que conseguirá protegê-la até outubro, Natsu? – perguntou uma voz grave que eu nunca havia escutado antes.

– Eu tenho que conseguir, farei alguns truques para me aproximar dela. Ninguém vai pôr as mãos nessa garota antes de eu conseguir o que eu quero. Ela vai me fazer tornar... – o rosado parou de falar por dois segundos – Tem alguém nos espionando. – completou em voz baixa.

Arregalei os olhos e andei rapidamente até o corredor adjacente. Encostei as costas na parede fria e senti meu coração acelerado. Após a adrenalina sair de minha corrente sanguínea, suspirei aliviada. Essa tinha sido por pouco. Meus questionamentos vieram como uma enxurrada em minha cabeça. Como ele sabia que eu estava ouvindo? Sobre quem eles estavam falando? Com que ele conversava? E, principalmente, proteger essa pessoa de quê, do Halloween? Tantas perguntas e nenhuma eu poderia responder por enquanto.

Com isso martelando em minha mente, andei novamente até a sala de aula. Quase todos os alunos já haviam chegado. Levy estava sentada ao lado de minha mochila e como no dia anterior, mantinha os olhos fixos em um livro. Pelo modo que ela o lia avidamente, percebi que ele não era didático. A garota usava calça branca, camiseta vermelha e uma sandália com um salto baixo na cor preta. Seu cabelo azul estava solto e ela usava um óculos cuja armação era da mesma cor de sua blusa.

– Qual livro está lendo? – perguntei interessada.

Momentaneamente esqueci de todos os questionamentos e mistérios que envolviam o rosado. Como ela, eu amava ler.

– Chama-se ‘‘Do seu lado’’. É de uma talentosa autora brasileira. – respondeu-me mostrando a capa azul escura do livro.

– Que incrível! Quando você terminar eu posso lê-lo? – indaguei.

– Claro! Finalmente terei alguém para comentar sobre livros! – exclamou animada.

O sinal soou. Natsu entrou na sala com uma expressão séria e foi diretamente para seu lugar no fundo da sala. Ele usava jeans preto, all star da mesma cor e uma camisa com gola em V branca que realçava seus músculos do braço juntamente com seu costumeiro cachecol. Notei uma garota de cabelo platinado e olhos azuis – Lisanna – acompanhá-lo com o olhar até ele sentar. Ao me ver encarando-a, seus lábios formaram a palavra ‘‘meu’’. Balancei os ombros em um sinal de descaso e virei-me para frente com o coração batendo de modo descompassado.

Um professor de meia idade com o cabelo azul escuro e bigode da mesma cor entrou na sala sorrindo. Seus olhos eram escuros e era possível ver rugas de expressão em seu rosto. Ele usava uma blusa preta, jeans escuros e tennis branco. Para completar o visual usava um casaco branco de tecido fino com alguns detalhes em azul e um colar com pingente em forma de S.

– Meu nome é Macao e serei o professor de geografia de vocês. – apresentou-se sorrindo.

Durante sua aula, absorvi poucas palavras. Minha mente vagava no garoto do fundo da sala. A curiosidade fervilhava dentro de mim e eu estava a ponto de explodir. O sinal tocou anunciando o fim da aula. Levantei-me e, junto com Levy, saímos da sala.

– Você sabe alguma coisa sobre o Natsu? – perguntei.

– Não, mas estou louca de vontade para descobrir o segredo dele. – respondeu animada.

– Como você sabe que ele esconde algo? – indaguei.

– Oras Lu, está na cara! Ele tem todo aquele ar de mistério e só dá respostas curtas. – falou rindo.

– O que você acha de descobri-lo? – questionei.

Os olhos da baixinha brilharam de empolgação e ela deu pulinhos.

– Depois da aula vamos invadir a sala do diretor! Lá é onde ele guarda as pastas dos alunos, Gildarts já deve tê-las devolvido. – anunciou.

Chegamos à sala de biologia e sentamos em nossos lugares. Alguns minutos depois, uma mulher de cabelo castanho escuro preso em um rabo de cavalo alto entrou na sala. Ela usava calça marrom claro, uma blusa social branca com alguns botões abotoados incorretamente e com um decote que permitia que víssemos seu sutiã azul. Nos pés usava uma sandália baixa e nas mãos levava uma garrafa d’água com um líquido suspeito dentro.

– Sou a professora Cana e irei dar a melhor aula de todo colégio: sexo. Vocês já sabem como fazer, mas eu sou paga para explicar sua história e blá blá blá. – falou de modo enrolado.

Como um colégio como aquele admitia uma professora bêbada?

– Cada menina nesta aula irá se sentar com um menino. A proposta é conquistar seu parceiro até outubro, ou seja, vocês têm três semanas para fazer isso*. Quem não conseguir ao menos um beijo será reprovado. – anunciou rindo da ideia.

– O quê?! Você não pode fazer isso! – exclamou Levy com o rosto vermelho de raiva.

– O diretor acha esse trabalho uma ótima forma de vocês se enturmarem mais. Está preocupada por quê? Tem medo de ser reprovada McGarden? – perguntou a professora com um sorriso travesso.

– Claro que não professora! – retrucou.

Apesar de ela ser muito estudiosa e dedicada, eu não achava que essa tarefa se conseguia somente enfurnando a cara nos livros e lendo várias teorias sobre romance. Por algum motivo, eu tinha certeza que era isso que ela faria.

– Então não será problema. – falou Cana.

A atividade só daria certo graças ao fato de a sala ser composta exatamente pelo mesmo numero de alunos dos dois sexos, ou seja, dezesseis meninas e a mesma quantidade de meninos. Por enquanto tudo conspirava a meu favor. A professora ia escolhendo as duplas aleatoriamente. Quando restaram apenas seis pessoas sem parceiro, comecei a me preocupar. Limpei o suor de minhas mãos em minha calça, inquieta.

– Levy e Gajeel. – falou.

A pequena olhou para o fundo da sala e segui seu olhar para o moreno que sentava ao lado do garoto de fios róseos. Imediatamente uma carranca se instalou no rosto da menina e ela começou a rabiscar freneticamente linhas aleatórias na última folha de seu caderno. Só restava Lisanna, eu, um garoto moreno sem blusa e Natsu.

– Lisanna e Gray! – disse.

Ouvi a garota de cabelo platinado grunhido de raiva e senti seus olhos repletos de ódio queimando em minhas costas. Não me importei.

– Para finalizar: Lucy e Natsu. – exclamou sorrindo para o rosado.

Senti um frio passar por minha coluna. Lentamente virei a cabeça na direção do rosado. Seus olhos ônix estavam fixos em mim e o sempre presente sorriso malicioso alargou-se ainda mais em seus lábios.

Você ficará caidinha por mim, loirinha.

Novamente ouvi a voz dele em minha mente. Mas neste momento, eu estava tentando processar a informação. Ah não, não, não e não. Eu teria que ser dupla justo do Natsu?

Notas finais
♥ Vish, Lucy, Lucy onde é que você foi se meter? SAUHSAUHSU ♥ Tem alguém curioso aí com a conversa do Natsu? *u* ♥ Gostaram? Odiaram? Mereço comentários e/ou recomendações? ♥