Quando Genny e Elijah saíram da sala privativa, Marcel Gerard veio ao encontro deles.

— Eu vim para conhece-la, mas ainda não fomos apresentados... – ele dirigiu a ela um sorriso sedutor.

— Genesis, este é Marcel Gerard. Pode considera-lo um filho do Niklaus, já que foi ele quem transformou Marcel.

— E o próprio Klaus já tentou me matar algumas vezes.

— Assim como você também Marcel... – respondeu Elijah com um sorriso irônico nos lábios.

— Então não vamos falar dos nossos negócios na frente de tão distinta dama, não é? Será que eu posso conduzi-la numa dança, senhorita Wayland.

Genny olhou para Elijah rapidamente e concordou com um sorriso.

— É claro, senhor Gerard.

— Por favor... só Marcel.

— É claro...- Genny estendeu a mão para ele. Marcel a levou até os lábios e a conduziu até o centro do pátio, onde uma orquestra de cordas tocava.

— E então... Como uma moça tão linda foi se envolver com os Mikaelson?

— Bem... eu precisava de ajuda e eles me ajudaram. Não seria a minha história parecida com a sua?

— Vejo que está bem informada sobre nós. O que me deixa em desvantagem, senhorita.

— O que o senhor gostaria de saber que eu já não tenha contado, senhor Gerard? Me desculpa... Marcel.

— Gostaria de jantar comigo uma noite?

— Costuma convidar senhoritas logo no primeiro encontro, Marcel?

— O que posso dizer? Sou um cavalheiro sulista. Adoro a beleza na sua forma natural. – ele fitou fixamente os olhos de Genny. – Aceite jantar comigo.

Mas Genny, orientada por Freya, havia tomado verbena antes do jantar, tirando totalmente a capacidade de ser compelida por qualquer vampiro.

— Talvez, Marcel, mas eu teria que lhe pedir uma coisa antes.

— Verbena, não é? – ele olhou ao redor e viu Elijah olhando para o casal com um sorriso nos lábios. Ele ergueu o copo que segurava como se fizesse um brinde para Marcel. – Bem, me diga o que você quer.

— Seu perdão.

— O meu perdão? O que você poderia ter feito para me pedir isso?

— Seus homens, Marcel. Dois deles não sumiram?

— Sim, mas eu não sou babá deles. Desde que me atendam quando eu os chamar, eles podem fazer o que quiserem.

Genny parou de dançar e olhou para Marcel com seriedade.

— Eu os matei. Foi um acidente, claro. – ela declarou de uma vez só.

Ele a olhou com incredulidade.

— Não pode ser... Você é só uma menina humana. Não poderia ter matado...

— Eu sou parte humana, Marcel. – Genny o interrompeu. — Sou parte anjo e tenho sangue de demônio. Eles me atacaram e...

— Espera um pouco! Você está me dizendo que matou dois homens meus? E está aqui com os Mikaelson? Quer que eu acredite que foi um acidente?

Em um segundo, Elijah estava ao lado deles.

— Marcellus, venha comigo!

— Não! Eu não vou para lugar nenhum. O que é isso, Elijah? Uma armadilha?

— Não, Marcel. Por favor, escute-me. – pediu Genny, juntando as mãos. – Venha comigo e eu lhe explicarei tudo. – ela estendeu a mão para ele.

Marcel não segurou a mão de Genny, mas se encaminhou para a biblioteca. Genny o seguiu e Elijah a acompanhava, quando ela se virou para ele.

— Não Elijah. Deixe que eu falo com ele.

— Não vou deixar você sozinha com o Marcel.

— É necessário. Eu posso convencê-lo de que foi um acidente. Mas se você estiver junto, ele não irá confiar em minhas palavras. Por favor, Elijah. – ela pediu ao ver que ele não estava inclinado em concordar.

— Dez minutos. Você tem dez minutos. E eu vou estar ouvindo toda a conversa.

— Tentarei em cinco, está bem? – ela se dirigiu para a biblioteca.

Quando entrou, Marcel a esperava andando de um lado para outro como uma fera enjaulada.

— Pode começar.

— Por favor sente-se. Você é tão intimidador quanto Klaus. – Genny se sentou no sofazinho, indicando para que ele se sentasse ao seu lado.

Após um minuto de hesitação, Marcel se sentou ao lado dela. Genny deu um pequeno suspiro e começou.

— Dois dias atrás, eu desconhecia minha origem. Tinha poderes, mas pensava que eu era apenas uma feiticeira. Alguém nascido durante alguma conjuração especial. Meus pais sempre me mantiveram isolada do mundo e até entre os que frequentavam o Instituto onde nós morávamos eu era mantida longe. Só agora eu descobri por que.

— O que você realmente é, menina?

— Sou um clone de anjo. E durante minha gestação, minha mãe biológica recebeu sangue de demônio, para que eu o recebesse também.

— Quem foi o doido que fez isso?

— Seu nome era Valentim Morgenstern e ele não vive mais entre nós. Foi destruído durante uma guerra entre seus seguidores e a Clave. Mas seus experimentos perduraram. Clary, que era a minha mãe adotiva, eu e Sebastian Morgenstern.

— Que agora anda à sua procura.

— Isso. Mas eu quero mesmo explicar o que houve com seus homens. – Genny se levantou e ficou andando pelo aposento. – Quando eu descobri minha origem, eu, tipo, pirei, e sai andando pelas ruas. Seus homens me encontraram e pensaram que eu era um vitima fácil. Talvez eu até fosse, mas, ao me sentir acuada, meu corpo reagiu ao perigo e eu os queimei.

Ela tornou a se sentar e juntou as mãos em forma de súplica.

— Por favor, Marcel, acredite em mim. Eu não tive a intenção de queimar seus homens. Foi um acidente. Um lamentável acidente.

Durante todo esse tempo em que Genny estivera falando, Marcel não tirava os olhos dela. Ele já conhecera muita gente em mais de cem anos de existência. Mas nenhuma fora tão sincera quanto aquela jovem. O brilho de lágrimas era genuíno em seus olhos. Ela realmente lamentava a morte de seus homens e eles eram péssimos. Cruéis e sanguinários. Não lhe fariam falta nenhuma.

— Olha, Genesis... eu acredito em você.

Ela ergueu os olhos para Marcel.

— Mesmo?

Deus! Ela parecia uma criança a quem se promete um presente.

— Sim. Eu juro. – Marcel cruzou os dedos sobre o peito como quem faz um juramento. – E não se martirize por eles. Se eles atacaram alguém doce como você, quase uma criança, eles mereceram o fim que tiveram. E agora que somos amigos, vamos voltar para o salão que há um jantar em sua homenagem.

De braços dados, Marcel e Genny voltaram para o salão e logo ele a enlaçou para uma nova dança. Klaus mantinha os olhos atentos em Marcel e em Davina, que conversava em voz baixa com uma de suas acompanhantes.

As duas se separaram e Davina foi até onde Genny dançava com Marcel.

— Genesis, não é? Posso ter um minuto de sua atenção?

Marcel carregou o cenho com a interrupção. E olhou em volta a procura de Elijah.

— Davina, o que esteja pensando, nao o faça.- avisou ele.

Davina olhou de Marcel para Vincent com os olhos brilhantes. Griffith gelou. Ela iria aprontar algo.

Ao mesmo tempo, uma bruxa se aproximou por trás de Freya e posicionou as maos de cada lado da cabeca dela a paralisando.

— Você pode nos ameaçar? Eu pago para ver, garotinha dos Mikaelson. – Davina Claire disse com um sorriso nos lábios.

Notas finais
E no próximo capítulo... — Você quer ver o que eu posso fazer? - Genny olhou fixamente para Davina e a regente arregalou os olhos.