Entre o Céu e o Inferno
5 Enquanto isso...
...em Nova York
Alec Lightwood olhava a movimentação dos Shadowhunters que se ocupavam em recolher os corpos e levar os feridos para as enfermarias. Algumas alas ainda estavam isoladas por causa da possível presença de demônios.
Ele viera de Idris assim que fora informado do ataque ao Instituto de Nova York. Ao chegar o cenário era o pior possível. Diversos corpos espalhados, vários aprendizes aterrorizados, todo o sistema de monitoramento destruído. Sebastian soubera muito bem onde atacar e como atacar.
Mas nada fora pior do que ver o corpo de Jace Wayland caído em meio as cinzas de vários demônios destruídos. Ele tinha sido seu melhor amigo, seu Parabatai o que equivalia a um laço fraternal.
Isabelle Lightwood veio ao encontro do irmão. Seu semblante era tão cansado quanto ao dele. Seu único filho havia sido ferido na batalha. Graças a Deus não gravemente. Magnus Bane, o Alto feiticeiro do Brooklyn, estava com ele naquele momento.
— E Adrian? Como está?
— Magnus ainda está com ele. Adrian não corre mais perigo. Mas, ele precisa de repouso absoluto. Mas ele não para de perguntar pela Genny.
— Alguma notícia sobre Clarissa Wayland? E sobre... ela?
— Alec... se você está perguntando sobre Clary e Genny, não. Nenhuma notícia.
— Não vou descansar enquanto não encontrar aquelas duas. — ele cerrou o punho sobre a barra que circundava a plataforma em que eles estavam.
— Você está agindo como se fosse a mamãe quando enfrentamos a crise com Valentim. Perseguindo Jace por achar que ele havia se aliado a Valentim.
— E acha que eu estou errado? Tudo isso é culpa dela, Izzy. Dela e de Jace.
— E minha também, não é?
— Sim, sua também. – Alec explodiu — Droga Izzy! Não acredito que você não tenha percebido o perigo que a menina representava.
— O que eu vi foi uma criança de cinco anos, amedrontada que precisava de carinho e atenção. E isso Clary e Jace não negaram a ela. Os culpa por isso? Sabe que Clary não pode ter filhos. Ela sempre sofreu por isso. Ainda mais depois do nascimento do Adrian.
— Não posso culpa-los por amar uma criança, Izzy. Mas posso culpa-los por não ter entregado a criança a Clave.
— Para que ela fosse aprisionada?
— Cuidada. Nós iriamos cuidar dela. Protege-la de Sebastian. E agora? Elas estão sozinhas lá fora, eu tenho doze corpos para enterrar, inclusive a do meu Parabatai. E tenho ainda que prestar contas ao Conselho.
Nesse momento uma terceira pessoa aproximou-se dos dois irmãos.
— Magnus! E o Adrian? — Isabelle perguntou ansiosa.
— Ele está bem. Quer falar com você, Alexander.
— Talvez ele tenha alguma informação sobre aquelas duas. — Alec disse. Em seguida, sem qualquer outra palavra para Isabelle ou Magnus ele saiu em direção à enfermaria.
— Ele não mudou nada, não é? — Magnus tentou não parecer magoado com a indiferença de Alec.
— Não. Os deveres em Idris o mudaram demais, Magnus. Alec sempre foi cônscio de seus deveres e agora fazendo parte do Conselho...
— Sim, sim eu sei Isabelle. Sempre o dever em primeiro lugar. Sempre foi assim.
— Nem sempre, Magnus. Alec amou você.
— E bastou um deslize para que esse amor evaporasse como bolha de sabão. – Magnus passou a mão nos cabelos como se resolvesse pensar em outra coisa. — Olha, temos que pensar em encontrar Clary e Genny. O mais rápido possível.
— Tem alguma ideia de como fazer isso?
— Adrian disse que pensa ter visto elas correrem para os subterrâneos. Ele estava em um estado de subconsciência. Então pode ser que sim, pode ser que não, que elas ainda estejam escondidas.
— Precisa acha-las Magnus. Alec quer levar Genny para Idris. Isso acabara com a Clary.
Ele segurou as mãos dela apertando-as levemente, como para dar conforto.
— Vou fazer o impossível, Isabelle. — Magnus prometeu se dirigindo para a parte subterrânea do Instituto.
... em Nova Orleans
Davina Claire era a nova regente dos bruxos do Quartel Francês. E como tal estava em sintonia com o poder ancestral que regia todas as atitudes dos bruxos do lugar.
Mas naquele dia, eles a estavam deixando louca. Desde da noite anterior, que ela não parava de ver imagens de anjos e demônios. Uma moça loira correndo. Imagens sem conexão. Eles queriam dizer algo, mas que ela não conseguia entender.
Antes que ela saísse de onde o poder ancestral era mais forte, uma menina de uns oito anos veio ao seu encontro. Davina achou estranho, já que crianças tão novas não tem conhecimento do poder ancestral.
— Olá, querida. Está perdida? Posso te ajudar?
No momento em que Davina olhou para a menina, ela se arrepiou. As írises dela eram brancas, indicando uma possessão. Antes que ela falasse ou fizesse algo, a menina segurou em sua mão e disse:
“In principio factum est,
Et cum ad finem venit” (O início veio, e com ele virá o fim)
Depois disso, a menina caiu aos seus pés como um saco vazio. Davina abaixou-se para examiná-la e a menina abriu os olhos para ela. Nesse momento, uma jovem senhora correu até elas, exclamando:
— Susie! Oh Susie! Onde você estava? Querida, nunca mais se separe de mim assim.
— Sim mamãe.
— Obrigada, senhorita. Obrigada por encontrar minha filhinha.
Davina apenas acenou com a cabeça, aceitando o agradecimento. O que mais havia lhe chocado não era as palavras, mas sim a voz da menina. Profunda, com de alguém que falasse dentro da água.
O início veio e com ele virá o fim, ela pensou. O que será que isso queria dizer?
... Nova York
Magnus andava cautelosamente pelos corredores escuros e úmidos do Instituto. Se algum demônio ainda estivesse por ali, ele estaria em grande perigo. Apesar de não detectar nenhuma presença demoníaca, nunca se devia vacilar em se tratando de Sebastian Morgenstern.
Quando ele se aproximou de uma sala com a porta feita em pedaços, ele engoliu em seco. A presença de um demônio maior era quase palpável ali. O que ele estaria procurando... ou quem ele teria achado ali?
Com cuidado, ele passou pelos pedaços de madeira e teve sua atenção atraída para uma parede. Restos de um portal ainda estavam ali e então ele viu uma pequena marca quase desaparecendo na parede.
Com um movimento das mãos, ele reacendeu a marca e um portal se abriu.
O Alto Feiticeiro do Brooklyn deu um enorme sorriso.
— Ah, Clary! Sua danadinha... aprendeu direitinho! – ele atravessou o portal.
O que Magnus não havia percebido era que, sim, havia demônios ainda ali. Mas não um que ele pudesse detectar. Porque ele se escondia no corpo de um Shadowhunter. De um jovem Shadowhunter.
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