Entre nós dois
1 A Sky Full Of Stars
Notas iniciais
Pov. Austin
O Sol já dera o último esplendor de sua presença há tempos, o céu tingiu-se rapidamente com um intenso azul, enquanto diversos focos de luzes ganharam mais vivacidade a cada instante. O mar adquiriu força e a brisa que vinha do mesmo era revigorante. A noite caía perfeitamente, sem nuvens ou sinal de anormalidade. Parecia que o universo aguardava aquele meu momento com a garota e queria que a peça fosse sem erros.
Estávamos na praia South Beach, sentados sobre a areia macia e uma conversa tola do nosso encontro anterior conquistava importância. Havíamos saído a poucos instantes do jogo de boliche e a morena ao meu lado, como resultado de sua perda para mim, veio até orla para aproveitarmos nosso início de namoro.
Desde que a hipótese de namorarmos entrou em discussão, tudo sempre foi criticado e apenas decidimos que poderíamos nos levar por esse ardente sentimento há poucos dias. Teria de ser comemorado, portanto nada melhor que um programa para nós dois interligar-nos em dobro. Porém, compreendia que se nunca tomássemos a decisão de ficarmos juntos, continuaria amando-a mais que qualquer coisa imaginável e interligado à ela. Não podia evitar sentir isso.
Em meio a tantas divagações, voltei minha atenção para o manto negro acima de minha cabeça. Estava completamente estrelado e era de uma beleza magnífica, entretanto eu sabia que havia perfeição maior que aquela. E, entendia também, que esta maestria sentava-se ao meu lado e veio a ser por quem nutria os sentimentos mais puros existentes. Allycia Marie Dawson.
Reparei que a cena maravilhosa seria facilmente repercutida toda vez que fitasse minha namorada, afinal, os dois orbes castanhos por si só já fazem um céu estrelado de tamanho brilho e benevolência que transmitem. Juntamente a tudo, pode se recordar do grandioso e inocente sorriso que abre para qualquer pessoa ou situação, já conseguindo imaginar o astro mais potente da imensidão azul próximo a mim.
Ally era, e ainda é, um céu cheio de estrelas.
“Austin, já pensou que nossa relação implica em tantas situações?” Ally questionou melancolicamente, me fazendo voltar à realidade.
“O que quer dizer com isso?” Encarei-a, lembrando-me dos meus pensamentos anteriores. Eles eram totalmente certos.
“Se, por um motivo desconhecido, acabarmos brigando ou rompendo o relacionamento, nós dificilmente retornaríamos a ter o que possuímos hoje. Eu compondo suas músicas e sua carreira deslanchando. Esse equilíbrio pode quebrar. Não quero isso. Quero muito mais você do meu lado, mesmo que seja apenas como amigo, do que distante” Disse e agarrou seus joelhos.
“Nós já conversamos sobre isso. Combinamos que...”
“Mas é a verdade!” Interrompeu-me e apertou ainda mais sua perna ao corpo “Eu sinto que estou apaixonada por você, isso é um fato na minha vida, entretanto é complicado demais."
O silêncio reinou por alguns minutos, visto que aquele discurso já era bem conhecido por mim e todas as vezes que o escutava sentia-me tentado a concordar, contudo não podia. Deveria lutar por meu namoro, como também pela menina que me fazia perder a sanidade mesmo sabendo as consequências.
Apoiei-me nos joelhos, peguei o rosto alvo da morena e direcionei-o para minha direção. Percebi o coração palpitar no peito quando aquele olhar cruzou com o meu recebendo ainda mais proporção por se destacar em meio à escuridão. Sem perder tempo algum, selei nossos lábios em um contato rápido, simplesmente para provar o que diria em seguida, e mantive-me próximo de sua face.
“Ally, eu te amo. Não me sinto incomodado de dizer uma ou duas vezes para você. Posso fazer isso até entender que eu não me importo. Vá em frente e me magoe. A mágoa irá valer a pena, pois continuarei ao seu lado” Nesse instante já sussurrava, enquanto Ally fechado os olhos “O dia de amanhã é um breu para nós, mas contigo junto tudo será resolvido, porque você se ilumina quanto mais fica escuro. Meus desejos do futuro não são uma carreira magnífica se não tiver você como minha. Apenas quero morrer ao seu lado."
“Eu também” Murmurou com a voz falha devido ao leve choro “Eu também...”
Terminado a fala, nós abraçamo-nos e permanecemos naquele gesto até sentirmos que ele não era de extrema necessidade. Nenhuma palavra mais foi dita, em razão de tudo o que deveria ser expresso já fora feito. Separamo-nos para passarmos a captar cada traço do rosto do outro.
Por aquele instante, nada mais seria questionado, podíamos ficar juntos sem empecilhos e sermos apenas mais dois apaixonados, todavia o amanhecer poderia trazer novas situações e dúvidas. Recebendo as conclusões, puxei-a para um beijo demorado e cheio de paixão que rapidamente se tornou o primeiro de muitos.
Demonstramos nosso amor sob o manto estrelado, porém eu tinha bem à minha frente uma bela visão celestial.
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