Entre nós dois
7 Little Black Dress
Notas iniciais
Austin
Meus olhos vagam por todo o salão no qual ocorre a festa promovida pelo Jimmy Starr em busca de qualquer distração que não seja artistas me cumprimentando periodicamente — Sério, apertei a mão de Patrick Stump¹ há uns dez minutos. Ele sabia meu nome! – ou Dez e Trish que mais me ignoram do que conversam comigo de tão entretidos que ficam em suas próprias discussões, mas nada me chama atenção. Um bar no canto do cômodo o qual está demasiadamente cheio, muitos corpos na pista de dança, rodinhas de conversa em que não conheço ninguém... Tudo entediante.
Ok, eu devo estar extremamente chato para não ter ânimo de participar de nada.
Na verdade, a questão é que quero apenas uma pessoa naquele lugar e enquanto ela não aparecer as coisas me parecerão tediosas: A Ally Dawson. A garota me prometeu que iria chegar depois de fechar a Sonic Boom, porém é tarde demais. As esperanças já meio que estão perdidas infelizmente.
Por um momento, encaro a porta com o restinho de expectativa a qual me sobrou e sinto meu corpo inteiro congelar diante da visão mais linda do planeta. A única coisa funcionando em mim naquele instante são meus pensamentos – Até mesmo a respiração está rarefeita -, que estão recheados das coisas mais estúpidas possíveis, tipo “Vestidinho preto acabou de entrar na sala”.
Vestidinho preto. O que é esse apelido? Não sei dizer de onde ele surgiu na cabeça, mas posso explicar com exatidão quem o inspirou, especialmente porque tem grandes chances de eu já ter decorado a imagem de tanto que estou a encarando. Allycia é a musa inspiradora do péssimo nome, afinal, em meio a todo seu esplendor da personificação da confusão enquanto permanece parada na entrada, é possível notar que ela está trajando um vestido curto e colado da cor preta o qual realça suas curvas tão singelas e incríveis.
Acho que será necessário um desfibrilador aqui e agora, pois estou prestes a ter um ataque cardíaco.
Aliás, apesar de estar atento à cena, minha visão periférica consegue captar que ela está fazendo cabeças virarem. Ah, não. Algo borbulha dentro de meu peito que me faz caminhar decidido até a garota e ter de lutar intensamente a fim de reprimir a vontade de gritar para todo mundo parar de olhar.
Quando me aproximo dela, fazendo o favor de ser por trás para que possa conseguir a assustar, sinto o perfume floral característico dela inundar meu olfato. Como eu amo esse cheiro!
“Ei, Ally!” Falo em seu ouvido ao ficar perto o suficiente e coloco a mão em ambos seus braços.
“O quê?” Ela exclama surpresa, até mesmo dando um pulinho de susto, porém logo depois relaxa quando se vira e nota que sou eu “Austin, seu idiota!”
Rio da sua reação, todavia rapidamente paro e entro em um momento de contemplação o qual sei que deve estar sendo estranho, só que é difícil de controlar. Meus olhos simplesmente não conseguem se desviar da pessoa em minha frente, cada detalhe dela sendo realçado por aquele tecido tão grudado e incomum me prende. Devaneios maliciosos surgem de repente em minha mente e um duelo entre a consciência começa, sendo os participantes principais os pensamentos “Está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem, você sabe” e “Não está certo, não está certo, não é certo”, pois, caramba, naquele exato instante, estou desejando minha companheira de todas as horas de forma carnal mesmo.
Alguém me dá um tiro, por favor.
“Você tá bem?” A voz de Ally e suas mãos me chacoalhando no ombro me fazem despertar da esquisita transe e aceno com a cabeça – Mesmo querendo dizer o contrário — sem saber direito como voltar a funcionar “Tem certeza? Eu te chamei três vezes e você continua meio... Disperso.”
“Sim, claro. Estava só...” Austin, pensa em alguma coisa que faça sentido. Nada de soltar “Não consigo parar de olhar para você” espontaneamente “Prestando atenção como essa música é realmente muito boa!”
Para meu azar, noto que a música a qual está tocando no momento é do tipo trap e Allycia me conhece o suficiente para saber que esse não é o meu estilo musical favorito, tanto que ela até me olha desconfiada, me fazendo assim ser obrigado a dar um sorriso forçado e a puxar para pistar de dança a fim de despistar a situação.
Quando me aproximo dos corpos agitados, logo começo a dançar descontroladamente para ver se extravaso o sentimento de confusão dentro de mim, porque está difícil. Claro, essa não é a primeira vez que observo a Ally com segundas intenções, provavelmente nem será a última, mas nunca me acostumo. É desconfortável querer beijar sua melhor amiga e saber que não pode, pois vocês são justamente isso: Amigos. Sempre vou ficar mal e perdido com a situação.
Entretanto, ao encarar a cena da garota a qual puxei até ali dançando de modo desengonçado, exatamente como faz, sem sequer ligar para as demais pessoas presente – O que é um grande marco para ela — e com um sorriso aberto adornado nos lábios, finalmente me tranquilizo, porque, embora o momento seja estranho, ainda somos apenas nós dois, Austin & Ally, companheiros em tudo. E, defronte dessa constatação, me sinto livre para aproximá-la pela cintura, começar a realizar movimentos sincronizados entre nós dois e sussurrar divertidamente em sua orelha:
“Eu quero ver o jeito que você mexe pra mim, querida.”
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