Pedro despertou com o grito de horror de Ysadora.

O salto que dera o colocou de pé quase que imediatamente, olhando em volta, descabelado, os óculos cortando sua pele enquanto sua atenção alternava entre Gabi, Borela, Gabriel, Lucas, Ysa, Flitwick e professor Dumbledore.

— Quem fez essa merda no meu uniforme? — berrou ele, tirando o uniforme coberto pelo vômito de Gabriel. O peitoral porcino agora à mostra, os mamilos se assemelhando a casquinhas de sorvete. — E que porra está acontecendo aqui?

— Acalme-se, sr. Alves, tudo irá se explicar. — disse Dumbledore tão calmamente, que se essa fanfic fosse adaptada para o cinema, o diretor no filme berraria como uma mandrágora louca "PLIS CALM DAUN MR. ALVSSSSSSSSSSS, EVERYTHING WILL BE EXPEINNNNNNNNN!!!!!!!!!"

Pedro franziu o cenho e olhou para os amigos, que estavam estarrecidos, confusos e perplexos.

— Mas o senhor? — disse Lucas. — Não... Não faz o menor sentindo.

— Na verdade faz. — disse Flitwick, sentado, com os dedos entrelaçados à sua frente. — O professor Dumbledore trouxera a professora Inês para a escola, no intuito de conseguir o último ingrediente para a Stelfart.

"Sabe, nós sabíamos do risco que a cagança do sr. Stumpf representava à escola desde o começo. No entanto, não podíamos impedir que ele frequentasse Hogwarts."

— Por isso — tomou prof. Dumbledore. — resolvi dar-lhe a Stelfart logo que Flitwick me contatou sobre as queixas do sr. Decian.

E Pedro olhou para Gabriel, que parecia ter levado um murro na cara.

— Então foi culpa sua!

— Como assim?! — retorquiu Gabriel. — Qualquer um reclamaria da cagança desse imbecil. — e apontou para Gabi.

— Mas tem algo errado aí! — cortou Lucas. — Como uma poção preparada pelo senhor, professor Dumbledore, deu tão errado?

— Bem... — disse Dumbledore, com uma inocente expressão fofa se desenhando no rosto enrugado. — A intenção nunca foi que desse certo.

"Eu bem sabia que a Stelfart era uma poção fracassada. Acontece que pouco antes de tomar essa decisão, escrevi ao conselho dos bruxos, perguntando se haveria algum problema em banir o sr. Stumpf dos dormitórios da escola, e, ao que parece, eu não podia, a menos que ele provocasse algo muito ruim. Foi aí que..."

—... que fez o Lucas me dar essa poção para que eu rasgasse meu cu, me cagando e destruísse a escola. — completou Gabi, púrpura.

— Bem... Sim. — contou Dumbledore. — E deu certo. Eu só não contava com o astuto plano do sr. Lucas Stumpf, que acabou nos expondo.

— O professor Flitwick poderia ter mentido quando o Gabi perguntou o que estavam fazendo aqui. — pôs Lucas, com obviedade.

— Na verdade — Flitwick tomou a palavra. — estávamos discutindo exatamente sobre contar ao sr. Gabriel Stumpf a verdade.

— E por que? — dessa vez foi Pedro quem falou. — Depois de a merda feita, resolveram se arrepender?

E Flitwick e Dumbledore trocaram olhares tristes.

— Mais ou menos isso. — respondeu Dumbledore, apertando os lábios de modo a avolumar as bochechas rosadas. — Mas somente a ele, não aos demais. — Ele então se virou para o professor de Feitiços. — Acho que isso é uma lição a ser aprendida, não acha?

— Concordo. — disse Fliwtick, em um muxoxo.

— Mas então era o senhor quem estava contrabandeando ovos de Manticoras? — perguntou Ysa a Dumbledore.

— Não. — respondeu o diretor com sinceridade. — Apenas me aproveitei da situação, considerando que é um dos ingredientes da Stelfart.

Pedro massageou a têmpora enquanto processava toda a informação. Lucas parecia que ia desabar, e o gordo sabia o motivo.

— Isso quer dizer que você errou sobre o Snape. — apontou Pedro a Lucas. — Você terá de admitir que estava errado!

— Ai, todo mundo suspeita de mim. — ouviu-se a voz abafada de Snape vindo debaixo da mesinha de Flitwick.

O um silêncio pusou sobre a sala do professor de Feitiços.

Pedro conseguiu até ouvir seu pomo de Adão subindo e descendo enquanto a respiração ruidosa dos amigos se propagava.

— Ele só está me dando uma chupadela. — explicou Flitwick, se abrindo um amarelado sorriso.

— Ah, bom. — disseram todos em uníssono.

De repente, Gabi começou a soluçar, e todos os olhares se voltaram para ele.

— Tudo isso... — disse ele, meloso. — Só porque eu tenho problemas!

E então Borela correu para ampará-lo. O primo de Lucas agora chorava no ombro viril de Borela, que dava-lhe singelas palmadinhas nas costas secas.

— Calma, amor. Eles são um bando de futricados!

— O senhor vai nos obliviar? — perguntou Ysa a Dumbledore, que estava demasiado distraido passando a mão nos membros enquanto observava Borela consolar Gabi.

— Ahn? — disse o diretor, voltando para Ysa, e escondendo a mão nas longas vestes azuladas. — Não, é claro que não. — ajeitou os oclinhos de meia-lua enquanto corava de leve. — Não há razão para isso. Desde que não contem a ninguém.

Pedro conseguiu ouvir Lucas rir pelo nariz.

— Acredite, professor, ninguém aqui iria querer que alguém soubesse do que aconteceu.

Na manhã seguinte, os quatro se juntaram na mesa da Sonserina para tomarem o café. Agiam como se nada tivesse acontecido, e Pedro estava demasiado grato por ter estado desacordado quando os amigos ouviram Gabi e Borela trepando.

Bem teria gostado de ver Gabi expulso, mas dado os últimos acontecimentos, estava satisfeito de que tudo simplesmente acabara. Nem mesmo a imagem de Gabi e Borela andando juntos de mãos dadas pelos corredores, trajando as vestes da Corvinal e Grifinória, conseguiu abala-lo, pois já esperava que o diretor tomasse essa decisão. Foi Gabriel e os demais alunos da Corvinal e Grifinória, que tiveram a vez nas reclamações.

— Se formos levar tudo em consideração — começou Lucas -, até que tudo não saiu tão mal assim.

— Espero que o ano que vem seja tão interessante quanto esse. — disse Ysadora, passando geleia nas panquecas que pescara de uma travessa à sua frente.

— Eu espero que seja menos fedido. — disse Gabriel, com o rosto emburrado pelo fato de Gabi ter voltado à Corvinal. — Estou pensando seriamente se volto para a escola.

— É claro que você vai voltar. — disse Lucas, com certeza. — Acho que nem mesmo viver com Gabi atenua a vontade de estudar em Hogwarts.

E Gabriel riu pelo nariz, ainda emburrado, os braços cruzados enfunando o peito magricela.

— Verdade...

— Bem, de qualquer modo — disse Pedro, tentando ignorar Gabi e Borela que se agarravam numa sombra do grande salão. — Amanhã é a grande prova de Poções. Estudaram?

E Lucas e Gabriel trocaram olhares fugazes, amedrontados.

— Eu não vou passar cola! — berrou Pedro assim que Lucas virou-se para ele com um sorriso gentil.

E Lucas soltou um muxoxo ofendido.

— Eu nem queria mesmo. — falou ele, honroso. — Pelo menos eu não preciso temer jogar o Snape pela janela com algum feitiço.

— Não. — reconheceu Pedro, em tom frio. — Mas pode temer reprovar com ele, eu não.

— Ai. — disse Gabriel, rindo.

Lucas deu-lhe um soco no ombro que não afagou sua risada.

— Você também vai reprovar, palhaço.

— Como tem tanta certeza? Depois de todos esses episódios em torno da Stelfart, aposto que sei tudo de poções.

E todos os quatro deram gostosas risadas, que só cessaram quando Ysa tomou à palavra.

— Pessoal, há algo que nos impede de reprovar.

— O que? — perguntou Lucas, com um fiapo de esperança.

Ysa aproximou a cabeça do centro da mesa, e os amigos fizeram o mesmo, de modo que pudessem a ouvir pouco acima de um sussurro.

— Sabemos que o Snape faz boquete no professor Flitwick!

E Gabriel soltou um silvo de surpresa.

— Se chantagearmos ele com isso, ele vai nos obliviar. — disse Lucas.

Gabriel fez que não com a cabeça ao mesmo tempo em que seu rosto se abria em um sorriso que indicava ter pensado em algo.

— Não se falarmos para ele que anotamos isso e escondemos em vários lugares que acessaríamos com facilidade, e nos faria lembrar assim que lêssemos.

— É uma ótima ideia. — admirou-se Lucas.

Pedro, ao contrário, crispou os lábios cinzentos.

— Não acredito que vão se rebaixar a tal nível, apenas porque estão com preguiça de estudar.

— Não sei por que está tão surpreso. — disse Lucas.

E Pedro enrugou a testa.

— Olha, eu também não sei. — e deu um profundo gole em seu suco. — Agora, eu preciso ir. Tenho algo importante pra fazer. Divirtam-se com seus crimes. Só não contem comigo. Já me ferraram demais.

E se levantou pavoneando-se. Foi bamboleando até sair do salão, subiu a escadaria que levava ao terceiro andar, e ficou esperando, encostado na parede empoeirada, até que o sorriso apareceu no rosto gorducho, ao pôr os olhos na profa. Inês que vinha descendo os degraus.

Os dois correram um na direção do outro, se abraçando tão forte que Pedro pensou, no primeiro momento, que jamais iriam se desvencilhar. Trocaram olhares luminosos, e o gordinho se permitiu dar uma lambida nos dentes de cavalos da professora.

— Graças a Deus. — disse o travesti. — Consegui entrar pela chaminé. Tudo para ficar com meu gordinho.

E Pedro corou. Deu uma boa olhada nas pernas escuras de Inês, em seguida fixou-se no sorriso quadrado de sua amada.

— Bora trepar?

E ela sorriu.

— Me chamou, já tô.

Eles então se refugiaram em uma das salas vazias onde Filch guardava seus instrumentos trouxa de limpeza, e com um "Coloportus" de Inês, a porta se trancou.

Pedro tinha certeza de que só sairiam dali quando nascessem vários Gordinhos Brasil.