Entre erros e escolhas
65 64 - For you
Notas iniciais
— Hiram? Leroy? O que fazem aqui? – Frannie abriu a porta para os dois homens entrarem.
— Precisamos conversar com a Quinn. – Hiram disse passando pela garota em direção à sala.
— Ela... Aconteceu alguma coisa? Rachel está bem?
— Fisicamente? Sim. – Leroy respondeu.
Os três foram até a sala e Frannie apontou o sofá para os seus “convidados”.
— Só queremos falar com Quinn e já vamos embora, Frannie. – Leroy falou.
A garota cruzou os braços encarou os dois.
— O que querem com ela?
— Frannie, por favor. – Leroy pediu – Nós entendemos sua reação, tá bem? Sabemos que provavelmente ela não quer saber de ninguém que tenha a ver com Rachel, e eu a entendendo perfeitamente. Mas...
— Sabemos que Rachel fez besteira e precisamos da ajuda dela pra impedir que ela faça uma maior ainda.
— Sério? Sério mesmo? – Frannie riu – Olha, eu sei que vocês não têm nada a ver com o que ela fez, mas... Quinn tem sofrido. Ela pode se fazer de forte e dizer que não, mas eu conheço minha irmã.
— Será que você pode, pelo menos, deixar sua irmã decidir se vai falar com a gente ou não? – Hiram a interrompeu.
Frannie respirou fundo e girou em seus calcanhares, fazendo o cabelo balançar mais do que o necessário.
— Ela está treinando.
A loira levou os dois até o porão da casa, onde Quinn havia passado boa parte das duas últimas semanas.
A Fabray mais velha abriu a porta e, antes mesmo que eles descessem as escadas que levaria até uma outra porta, que os separava do que Frannie já chamava de “o cantinho da Quinn”, já ouviam a música alta.
— Quinn. – Frannie foi obrigada a gritar para tentar chamar a atenção da irmã.
— Eu já disse que estou legal, Fran. Só quero relaxar um pouco. – a garota gritou de volta.
— Eu juro que esperava te encontrar ouvindo uma música depressiva, tipo alguma do Rascal Flatts. Mas, Breed? – Hiram disse enquanto Frannie abaixava o volume da música.
Quinn desviou sua atenção do saco de areia apenas por um segundo para olhar os dois, e voltou ao que fazia.
— Pensou o quê? Que eu ia ficar chorando por causa da sua filha? – deu uma risada forçada – Não mesmo.
— Pra falar a verdade, eu pensei sim.
— Será que podemos conversar, Quinn? – Leroy pediu.
— Vocês não deveriam estar, sei lá, no casamento da filha de vocês?
— É, deveríamos. Mas, por incrível que pareça, gosto mais de você do que do noivo que ela arranjou.
— Nossa, obrigado, Hiram. Sinto-me honrada em saber que pelo menos alguém na sua família consegue ver que sou melhor que o inútil, imprestável e traíra do Hudson. – debochou.
— Podemos falar com você, Quinn? – Leroy tentou novamente.
Em vez de responder, a garota continuou com seus golpes certeiros no saco de areia.
As roupas estavam grudadas ao corpo da garota pelo suor, que também pingava de sua testa e dos cabelos loiros. O corpo já estava dolorido, tanto pelo tempo que ela estava ali quanto pela força excessiva e desnecessária que usava.
Parada em silêncio ao lado dos Berry, Frannie observava a irmã, lembrando da última vez que vira a garota daquele jeito, há quase um ano. Quando Judy e Russel a expulsaram de casa. E ela também se lembrava das consequências daquilo.
— Tudo bem. Se é o que você quer. – Hiram falou depois de algum tempo observando Quinn em silêncio – Treine comigo.
O mais velho passou a mão pelos cabelos antes de vestir o par de luvas que viu no canto do cômodo.
— Eu não vou bater no senhor. – Quinn disse se afastando do saco de areia e parando de frente para Hiram – Ai! – reclamou quando o mais velho acertou seu ombro com força.
— Me chama de senhor de novo, e você vai pedir pra ser só outro soco como esse. – falou se posicionando como ele achava que era a maneira certa para treinar.
— Esquece. – Quinn balançou a cabeça negativamente se afastando do homem e indo em direção à mesa encostada na parede – Não vou fazer isso.
— E por que não? – Hiram o seguiu com o olhar.
— Por que eu não quero te machucar, te respeito e...
— E...? – Hiram incentivou a garota a falar quando ele parou no meio da frase.
— E Rachel nunca me perdoaria. – suspirou jogando as luvas em cima da mesa.
— Quinn, eu sinto muito sobre o que aconteceu e... Pra tudo se tem uma explicação. – Leroy falou.
— Ela vai casar com ele, Leroy. Ela escolheu o Hudson. Eu posso lidar com isso.
— Ela te ama. – Hiram falou.
— Claro. – riu fraco – Fui eu quem terminei. Fui eu quem trai ela, há uns dois meses. Foi ela quem me desculpou, pra depois acabar levando um chute. Não foi o contrário. Ela me ama, e a culpa disso tudo é minha.
— Sabemos o que ela fez. – Leroy disse – Mas vocês só têm dezoito anos, Quinn...
— A nossa idade não interfere em nada no que ela fez.
— Vocês agem sem pensar. – Leroy completou sua fala, ignorando a interrupção.
— Quinn, quando ela te traiu... – Hiram suspirou – Você sabe, eles dormiram juntos, e...
— Se o problema fosse ter dormido com alguém, Hiram, eu deveria estar naquele altar no lugar dele.
— Que altar? Eles só vão casar no cartório, e Finn tem que ficar feliz de ter conseguido isso. – Leroy resmungou.
— Tanto faz. – Quinn virou de frente para os outros e suspirou – Vocês vão se atrasar se não forem logo.
— Primeiro: para de tentar se livrar da gente. – Hiram mandou – E depois, ela tá gravida.
— O quê?
— Por isso ela terminou com você. E está indo fazer a pior burrada da vida dela. – Leroy disse.
— Ela descobriu que está gravida e simplesmente me deu o fora, quando tínhamos decidido que apoiaríamos uma a outra, seja lá o que acontecesse, e vai casar com ele?
— Ela me disse que não queria meter você nessa. – Leroy disse – Mas é só olhar pra ela que a gente percebe que ela queria que fosse você no lugar do Finn.
— E o que eu deveria fazer? Ir lá e implorar para que ela não se case?
— É. – Hiram falou.
— Quinn, entendemos que... Talvez você ache que ela não mereça, e talvez ela não mereça mesmo, mas... Vocês se amam! E as pessoas fazem escolhas erradas. Rachel sabe que está fazendo besteira...
— Mas prefere isso a falar comigo.
— A te fazer escolher entre seu futuro e ela.
— Você faz parecer que sua filha é uma santa, Leroy. Mas ela não é! E ela fez as escolhas dela. Eu... – Quinn respirou fundo.
O grupo ficou em silencio por alguns segundos e Quinn respirou fundo antes de subir as escadas correndo.
— Hey! – Frannie gritou e Quinn desceu – Onde você acha que vai?
Ao invés de responder, a garota pegou o celular e subiu novamente.
Hiram, Leroy e Frannie seguiram a garota, que bateu a porta do seu quarto sem nem olhar para eles.
— Nós temos que ir. – Leroy suspirou e olhou para Frannie – Por favor, convence ela a impedir a Rachel de fazer isso.
— Se eu conseguir falar com ela. – Frannie disse.
Dentro do quarto, Quinn mexia no guarda-roupa enquanto o telefone, no viva voz, chamava em cima da cama.
— Hey, loira do banheiro versão lésbica. Como é que tá?
— Onde você tá? – a loira perguntou pegando o telefone.
— Hum... Eu... Ela me chamou pra ser madrinha, Q.
— Ótimo. Santana, preciso que você atrase esse casamento o máximo que você conseguir.
— O quê? O que você fazer?
— Chego aí o mais rápido que conseguir.
— O que...? Ah, quer saber? Tudo bem. Vou atrasar isso o máximo que eu puder. Pelas minhas madrinhas. Minha e da Dani e...
— Santana, foco!
— Certo! Mas corre. O casamento começa em meia hora.
— Nem os pais dela vão estar aí em meia hora. – Quinn riu antes de desligar.
A loira tinha certeza que nunca havia tomado um banho tão rápido em sua vida. Ou se trocado tão rápido. Ou colocado aquela roupa por vontade própria antes – na realidade, Quinn só lembrava de ter usado aquilo uma vez na sua vida.
— O que é que eu não faço por você, garota? – resmungou na frente do espelho enquanto terminava de dar o nó da gravata.
Pegou suas chaves em cima da sua mesa de cabeceira e abriu a gaveta, sorrindo para a caixinha dentro dela.
— Frannie, estou saindo! – gritou já na porta.
— Aonde você vai? – a garota perguntou aparecendo correndo na porta da sala – E de terno? Por que diabos você tá de terno?
— Rachel pode até casar hoje. Mas não vai ser com o Finn.
— É, mas mulher normalmente casa de vestido.
— Não tenho vestido de noiva, Frannie.
— E aí vai de termo?
Quinn riu, se aproximou de Frannie e deu um beijo na bochecha da irmã.
— Eu amo você, Fran.
— Eu também, Q. E, por favor, não casa hoje. Eu quero tá presente quando vocês acabarem com a vida de solteira. – brincou fazendo Quinn rir.
A loira deu outro beijo na bochecha da irmã, correu até seu carro e acelerou.
Alguns minutos depois, ela xingava mentalmente a distância entre sua casa e o cartório.
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