Entre erros e escolhas
62 61 - Here comes goodbye
Notas iniciais
— E então? – Santana parou ao lado de Rachel e a judia suspirou.
— Aqui não, San.
— Só sim ou não, Rachel.
— Ainda não sei.
— Mas...
— Eu sei, Santana. – Rachel balançou a cabeça negativamente – Não tive coragem.
— Oh, Rach. – Santana abraçou a garota e Rachel engoliu em seco, segurando o choro – Você conversou com a Quinn?
— Não. E nem vou.
— Rachel! Ela é sua namorada, e...
— E é uma garota. – Rachel se afastou de Santana e fechou seu armário – Eu te ligo quando souber. – disse e saiu.
Santana balançou a cabeça negativamente passando a mão pelo rosto.
— Mas que merda. – resmungou se encostando nos armários.
***
— Isso está divino. – Santana falou pegando mais um pedaço de bolo.
Ela e Dani, junto com Quinn, Rachel, Kurt e Blaine, estavam provando bolos para o casamento, havia, pelo menos, uma hora.
O grupo tinha se encontrado na quinta-feira a tarde, pouco mais de duas horas após a escola, para ajudar Dani e Santana com algumas coisas relacionadas a cerimonia, que já estava deixando as duas mais ansiosas que o necessário.
Quinn tinha a leve impressão de que a latina estaria insuportável no dia do casamento, e esperava não ter que passar mais que uma ou duas horas com a latina antes da cerimônia no dia.
— Não é por que ela é a noiva, mas concordo com a latina. – Quinn disse.
— Dani, por favor. – Santana pediu fazendo bico e os outros riram.
— Parece bom pra mim.
— Ótimo! Então está decidido. É esse. – Rachel comemorou. Já não aguentava mais comer.
Alguns minutos depois, o grupo caminhava em direção a floricultura, onde deveriam escolher os tipos e cores de flores que iriam compor a decoração e os buquês.
— Então, o que vocês têm em mente? – Kurt perguntou.
— Sinceramente? O que agradar a Dani. Não entendo nada de flores mesmo. – Santana deu de ombros e Quinn riu.
— Por que não usam tulipas vermelhas? – Rachel sugeriu.
— Tulipas vermelhas? – Dani arqueou a sobrancelha.
— Significam promessa de amor eterno. – Rachel sorriu para a namorada, e foi impossível Quinn não sorrir de volta.
— Misturadas com íris brancas, que significam fidelidade. – Quinn falou e deu um selinho na namorada.
— Só eu acho que isso tem mais significado pras duas do que qualquer outra coisa? – Santana reclamou e Dani sorriu.
— Acho que podemos deixar essas flores pro casamento delas. – brincou.
— É. Se ele chegar a acontecer. – Santana murmurou baixo o suficiente para que ninguém ouvisse.
Assim que chegaram a floricultura Santana deu um jeito de ficar sozinha com Rachel.
— Então, deu...
— Eu não sei Santana. – Rachel a interrompeu.
— Você ainda não olhou?
— Escuta, eu... Preciso de um tempo, tá bem?
— Mas...
— Hey, vocês duas! – Dani chamou – Essas são lindas, não são? – perguntou mostrando um pequeno buque.
— Essa conversa não acabou. – Santana falou e sorriu, indo em direção a sua noiva.
— Está tudo bem? – Quinn perguntou se aproximando de Rachel.
— Claro. Vem, vamos ver as flores. – disse puxando a loira pela mão.
***
Quinn tinha certeza que algo estava errado quando Rachel não apareceu na escola na sexta, não atendeu o telefone e não abriu a porta.
— O que aconteceu? – Frannie perguntou quando sentaram para jantar.
— Rachel não me atende. – suspirou – Eu estou preocupada.
— Não deve ser nada de mais, Q. Não se preocupe.
— Certo.
Quinn voltou a comer em silencio enquanto Frannie a observava.
— Não é só isso, não é?
— Fran... Eu tenho que te contar uma coisa, mas... Olha, não briga comigo, ok?
— O que você fez?
***
— Sua chamada está sen...
Quinn desligou o telefone pela vigésima vez na última hora.
— Merda, Rachel. – resmungou apertando o telefone entre os dedos.
— Quinn eu... Hey. – Frannie suspirou e entrou no quarto, abraçando a mais nova – Tá tudo bem, ok? Ela só deve tá sem bateria, ou ter saído com os pais. Se acalma.
— Tá.
— “Tá” não é o tipo de resposta que você dá, Quinn.
— O que quer que eu fale? Eu estou preocupada, Frannie!
— Olha... – a campainha tocou, interrompendo a mais velha – Deve ser o Cooper. Eu vou abrir a porta e já volto.
Frannie saiu do quarto e Quinn pegou o telefone, discando para Rachel novamente.
Dois toques depois, a porta do quarto da loira abriu.
— Quinn! – Rachel se jogou contra a namorada chorando, enquanto Frannie a encarava e Quinn franziu a testa.
— Hey, Rae. Se acalma. – a apertou contra si – Calma. O que houve?
— Eu te amo tanto, Q. – soluçou.
Quinn fez um sinal para que Frannie as deixasse sozinhas e a mais velha suspirou.
— Eu vou sair com o Cooper. Volto amanhã bem cedo. Qualquer coisa ligue.
— Não esqueça do que combinamos. – Quinn disse apertando mais Rachel contra si, e Frannie só acenou antes de sair.
Quinn guiou a namorada até a cama e as duas deitaram, com Quinn aconchegando a judia contra si, mesmo que algo lhe dissesse para afasta-la e exigir explicações.
— Tá tudo bem. Eu estou aqui. – Quinn murmurou beijando a cabeça da garota.
Ouviram Frannie sair, minutos depois, enquanto Rachel ainda tentava parar de chorar.
— Me fala o que aconteceu, Rae. – Quinn pediu e Rachel balançou a cabeça negativamente contra ela várias vezes seguidas – Rachel, você está me deixando preocupada. – nada – Tudo bem. – Quinn suspirou – Rachel, você me traiu de novo?
— Não! – a garota praticamente gritou, sentando – Eu juro que não fiz isso! Eu te amo, Q. Eu não te trai. Eu... – e voltou a chorar.
A loira a puxou para deitar novamente, e ficaram ali por quase duas horas, até a judia pegar no sono.
Quinn a cobriu e levantou, indo para a cozinha.
Tomou um copo de água e sentou em uma cadeira, respirando fundo e passando a mão pelo roto.
Se estava preocupada antes, agora estava mais ainda.
Tudo bem que Rachel estava com ela agora, dormindo tranquilamente em sua cama. Ou quase tranquilamente. Mas ver a judia naquele estado não melhorava em nada a situação da loira.
— Droga. – resmungou.
Continuou ali por alguns minutos antes de levantar e ir até o quarto buscar o celular.
Não sabia se Rachel tinha avisado aos pais sobre ir para lá ou não, mas preferiu mandar uma mensagem para Leroy mesmo assim, avisando que a judia passaria a noite. Não a deixaria ir embora aquela noite por nada.
Foi para a sala e ligou a TV, sem realmente assistir.
Não sabia dizer quanto tempo ficou ali mas, quando percebeu, Rachel estava parada na porta a observando.
— Hey! Está melhor?
Ao invés de responder, Rachel se aproximou de Quinn e sentou no colo da loira, com uma perna de cada lado do corpo da namorada, e a beijou.
— Rae, não quer falar sobre o que aconteceu?
— Não. – Rachel murmurou – Só faça amor comigo essa noite, Q.
— Mas...
— Por favor. Conversamos amanhã. – Pediu antes de beija-la novamente.
***
Rachel olhou para o relógio. Três e meia da manhã.
Voltou a encarar Quinn, que dormia com um sorriso no rosto e não pode deixar de sorrir também, até se lembrar por que estava ali.
Com lagrimas escorrendo pelo rosto novamente, a judia se aproximou da escrivaninha da namorada, deixou os dois objetos ali e saiu do quarto, da casa e da vida da loira – ou assim ela esperava.
No carro, Rachel se obrigou a parar chorar no caminho até sua casa, entretanto, quando chegou, as luzes estavam apagadas, e ela subiu tentando não fazer barulho até seu quarto, onde deitou e voltou a chorar.
***
Quinn despertou sozinha na manhã seguinte, mas simplesmente levantou e foi lavar o rosto, pensando que encontraria Rachel na cozinha, mas quando chegou lá e a encontrou vazia, começou a se desesperar.
— Rachel? – gritou enquanto a procurava pelo resto da casa, mas não obteve resposta.
A loira acabou em seu quarto novamente. Não existia nem mesmo um sinal de que a judia havia passado por ali e, se não tivesse acordado nua, podia jurar que tudo havia sido um sonho.
Quinn se aproximou da escrivaninha, procurando pelo seu celular, e seu coração falhou uma batida ao ver o que estava ali.
A aliança de Rachel e um bilhete, escrito com a letra bem desenha da sua, aparentemente, ex namorada: Me desculpe.
— Mas que...
Antes que terminasse de falar a loira ouviu a porta da frente batendo e correu até ela, pensando que a judia podia ter voltado.
Que seja uma brincadeira de mal gosto. Por favor, que seja uma brincadeira de mal gosto.
A única pessoa que ela encontrou na porta, entretanto, foi Frannie.
— Hey, Q. Pronta para nossa tarde?
E a loira desabou.
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